África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle

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África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle episodes

  • Violência xenófoba na África do Sul já afeta economia de Moçambique
    Moçambicanos têm medo de se deslocar ao país vizinho devido a ataques xenófobos e impacto já se faz sentir entre comerciantes e transportadoras. Confederação das Associações Económicas fala em prejuízos milionários.Todos os dias costumam chegar ao mercado grossista do Zimpeto, em Maputo, vários produtos vindos da África do Sul, como tomate, batata, cebola e pepino. No entanto, há mais de duas semanas que o camião da vendedora Emília Nhantumbo não entra no país vizinho devido aos ataques xenófobos.
    "Dificilmente viajamos, por causa da xenofobia. Temos medo. Primeiro, são bandidos e agora, com estes ataques de carros, realmente é difícil viajar", explica.
    A situação na África do Sul está a levar alguns vendedores do mercado a aumentar os preços: "Tudo ficou parado devido ao medo que os motoristas e os próprios clientes têm de entrar na África do Sul. Agravámos os preços por medo, porque não sabemos quando é que vamos adquirir de novo a mercadoria", revela António Jemusse, outro comerciante do Zimpeto.
    Para os importadores, não há outra alternativa senão trazer os produtos da África do Sul, explica Sudekar Novela, o presidente da Associação dos Importadores Informais, vulgo "Mukheristas": "Nós ainda dependemos muito da África do Sul. A nossa economia ainda está em baixo comparativamente com a da África do Sul. Ainda temos muito desemprego em Moçambique".
    Medo de viajar
    No maior terminal rodoviário internacional de Moçambique, a Junta, os motoristas de transporte de passageiros e de carga estão com receio de viajar para a África do Sul. Jaime Ossufo é motorista há mais de dez anos e conta que já assistiu a episódios tristes. Nunca parou de trabalhar - até agora: "Parámos por causa dessa situação de manifestações, porque eles não querem nenhum estrangeiro. É o que está a acontecer agora".
    Os transportadores estão a somar prejuízos devido à paralisação dos seus trabalhos, diz o motorista Aurélio Joaquim. "Há um ato xenófobo contra estrangeiros e nós acabamos prejudicados nessa situação", conclui.
    Segundo Castigo Nhamate, do setor dos transportes na Confederação das Associações Económicas (CTA), 300 camiões que transportam ferrocromo deixaram de circular na sequência dos ataques xenófobos na África do Sul. Isso equivale a perdas diárias de um milhão e trezentos mil dólares. "E se incluirmos o transporte de passageiros, as perdas podem atingir uma média diária de três milhões de dólares", afirma.
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  • Quem financia as campanhas eleitorais em África?
    As campanhas eleitorais são caras. Como não há subsídios do Governo em muitos países africanos, os partidos dependem de doações privadas. Mas muitas vezes não há regulamentos - o que acarreta perigos.À semelhança de muitos outros países africanos, Moçambique regula os subsídios estatais que são doados aos partidos políticos. Mas segundo Olufunto Akinduro, da organização não-governamental sul-africana EISA, que visa promover eleições credíveis e democráticas no continente, há falhas do sistema.
    "Se observar a eficiência da Comissão Nacional Eleitoral no controlo dos partidos políticos, verá que é muito fraca. Há muito dinheiro privado para apoiar os partidos, mas nenhum mecanismo de controlo para garantir que nenhum dinheiro proveniente de corrupção seja incorporado ao processo eleitoral", afirma Akinduro.
    O mesmo problema foi observado durante muito tempo na África do Sul até a sociedade civil dizer "basta". Várias organizações tentaram forçar os partidos a divulgar os nomes dos seus doadores por ordem judicial.
    Os políticos resistiram com todas as suas forças, mas a pressão popular foi mais forte: o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, assinou recentemente uma lei que regulamenta o financiamento privado a candidatos e às suas campanhas eleitorais. Doações acima dos seis mil euros devem ser divulgadas publicamente.
    Esta regra ainda não estava em vigor nas últimas eleições parlamentares, em maio de 2019. Suspeita-se agora que o próprio Ramaphosa tenha obtido doações de um empresário controverso. O Presidente sul-africano prometeu prestar esclarecimentos perante uma comissão, cujo objetivo é esclarecer possíveis maquinações corruptas na política da África do Sul.
    Falta de controlo
    Em muitos países africanos ainda não existem regulamentos para monitorar o fluxo de dinheiro para grupos políticos, refere Olufunto Akinduro.
    "Se alguém ler as diretrizes existentes sobre eleições democráticas em África, verá que há pouco de concreto sobre o apoio financeiro a candidatos e aos seus partidos e sobre a regulação de concorrência justa", explica Akinduro.
    Já para Magnus Ohman, da organização não-governamental norte-americana IFES, as leis existentes são mal aplicadas: "A transparência é limitada em todo o mundo, mas especialmente em África. Não temos dados oficiais sobre quem financia as campanhas eleitorais. Sabemos que empresários e pessoas abastadas, e também africanos no exterior, influenciam o processo."
    O poder das elites
    Como muitos partidos não têm os seus próprios sistemas de financiamento, dependem de ajuda externa. Dessa maneira, as elites têm um grande impacto no resultado das eleições, diz Ohman.
    "Muitas vezes, os financiadores dos partidos esperam uma recompensa financeira pelo seu envolvimento político. Como pano de fundo, está a pobreza generalizada", entende Ohman.
    Existem esquemas de financiamento com subsídios do Governo em cerca de dois terços dos países africanos. Mas como os Estados têm frequentemente poucas capacidades, as somas são baixas.
    No entanto, as circunstâncias financeiras nem sempre decidem o resultado da eleição. "Na Gâmbia, em 2017, houve uma derrota surpreendente nas eleições para o ditador de longa data, Yahya Jammeh", recorda Ohman. Também no Gana, Senegal, Zâmbia, Nigéria, houve resultados eleitorais diferentes dos habituais.
    O papel da classe média
    Para garantir transparência, é preciso haver mais instâncias de controlo. As comissões eleitorais estão frequentemente sob enorme pressão política, mas a sociedade civil e os média desempenham um papel importante.
    Ohman vê uma oportunidade em particular na crescente classe média em alguns países africanos: se eles também promovessem candidatos e partidos com mais força, isso poderia limitar o poder das elites. Este é um processo lento.
    Olufunto Akindur sublinha a necessidade de monitorar as doações. Para isso, é necessário uma maior atuação da União Africana e de organizações regionais. "Atualmente, existem poucas ações concretas que regulem o apoio financeiro dos partidos e os seus candidatos e, assim, garantem condições equitativas".
    4 min
  • Bienal de Luanda: "É conversando que nos entendemos"
    De 18 a 22 de setembro, a capital angolana é palco de intercâmbio cultural e debate em torno de temas como a paz e a juventude. É a primeira edição da Bienal de Luanda - Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz.São cinco dias, cinco eixos de atuação, cinco espaços de reflexão diferentes - Aliança de Parceiros, Fórum das Ideias, Fórum da Mulher, Fórum da Juventude e Festival de Culturas - a combinação perfeita para se consolidar a paz no continente africano. É, pelo menos, aquilo que se pretende com a 1ª edição da Bienal de Luanda - Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz, a decorrer de 18 a 22 de setembro.
    O evento, organizado pelo Governo de Angola, a UNESCO e a União Africana, é inspirado na Carta de Renascimento Cultural Africano, que tem na cultura o elemento essencial para se enfrentar os desafios atuais do continente.
    "Veio o repto feito pela diretora-geral da UNESCO ao Presidente da República de Angola, no ano passado, aquando da sua visita a Paris, ele aceitou e estamos aqui", diz a coordenadora nacional do evento, Alexandra Aparício.
    "A Bienal é uma plataforma para visibilidade de culturas, de intercâmbio com os países africanos e da diáspora, de troca de experiências para apresentação de resoluções dos problemas que os países africanos enfrentam, problemas relacionados com resiliências, conflitos, utilização de imagens que podem gerar violência", explica.
    E que paz é esta que dá o mote à Bienal? "A paz que começa do espírito e, depois, todas as suas consequências", responde Alexandra Aparício. "A paz com o calar das armas, a paz com o bem-estar social, as condições mínimas de habitabilidade, água, uma vida mais tranquila. A guerra, de facto, acabou, mas nós ainda temos problemas que fazem com que haja alguns focos de violência. Tudo isto nós temos que falar. Pensar também na ecologia", acrescenta.
    Bienal não resolve, mas ajuda 
    Há mais de trinta anos a trabalhar em África, Enzo Frasino, coordenador internacional da Bienal de Luanda, entende que o diálogo é importante, mas faltam espaços para o efeito.
    A Bienal vem precisamente preencher esta lacuna: "A UNESCO tem já uma experiência concreta, o que se passa é que não existe um lugar onde esta troca de experiências se possa fazer. Este lugar é a Bienal de Luanda. A cada dois anos, criar um momento de encontro entre ONG, comunidades locais, inclusive governos e organizações internacionais".
    A Bienal não vai, no entanto, resolver todos os problemas, ressalva: "Resolver parece-me muito grande como palavra. Não. Vai permitir esta troca de experiências, vai permitir falar de soluções e não só de problemas. Muitas vezes nos média fala-se muito de aspectos negativos, da violência e guerras, e fala-se muito menos de soluções. Não queremos ter a pretensão de que vamos resolver as coisas, mas queremos criar uma oportunidade para isso".
    Dar voz à juventudePara o agente cultural João Inglês, a Bienal de Luanda vai permitir que os jovens angolanos tenham uma participação mais ativa na busca de soluções para os problemas que enfrentam: "Esperamos que haja êxito. Penso que vai ser um pontapé de saída, porque precisamos de refletir juntos, precisamos de dialogar para ultrapassarmos os grandes síndromes ao nível de África", considera. "Penso que será uma grande oportunidade para todos conviverem e participarem ativamente".
    A África do Sul e a onda de violência xenófoba que atinge imigrantes de vários países africanos é apenas um exemplo dos desafios atuais do continente. "Como é que acontecem os conflitos? Uma falta de educação, uma falta de compreensão do outro, do estrangeiro, do que é diferente, há uma necessidade de, a partir de criança, já habituar as pessoas a viver juntos. Só falar não basta", sublinha Enxo Frasino.
    "Precisamos também de recursos, daí a necessidade de parceiros. Poderemos não conseguir logo à primeira, mas a ideia é criar uma plataforma para mostrar que é conversando que nos entendemos. Pensar-se que nós temos que alcançar a paz definitiva e derradeira, e temos que nos aceitar uns aos outros, não importa a cor, raça, o credo religioso, ideologia", acrescenta.
    O evento, a decorrer no Memorial Agostinho Neto, na Fortaleza de São Miguel (Museu Nacional de História Militar) e no Centro de Convenções de Talatona, conta com mais de mil participantes nacionais e 800 delegados estrangeiros.
    Os temas da Bienal de Luanda vão da paz à juventude, passando pelo empreendedorismo e pela inovação. Mas não é só de debates que se faz o festival: há também música, cinema, artes plásticas, teatro, literatura e artesanato e muitas outras expressões artísticas e culturais de mais de uma dezena de países.
    Entre os convidados confirmados está o médico congolês Denis Mukwege, Prémio Nobel da Paz.
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  • Moçambique: Ataque contra dois camiões em Gondola
    As autoridades ainda não conseguiram identificar os responsáveis pelo ataque de dois camiões na província moçambicana de Manica.Na madrugada desta terça-feira (17.09.) quatro pessoas ficaram feridas, algumas com gravidade. Os ataques aconteceram contra dois camiões na região Zimpinga, distrito de Gondola província de Manica, centro de Moçambique. Ainda não se sabe quem foram os responsáveis.
    Os feridos graves foram evacuados de imediato para o hospital provincial de Chimoio, onde estão a receber cuidados médicos e os outros dois com ferimentos ligeiros foram enviados para o posto de saúde distrital de Gondola e já se encontram fora de perigo.
    Testemunhos das vítimas
    Ernesto Salomão é o motorista do primeiro camião que foi atacado por volta das três da manhã, numa altura em que fazia o trajeto entre Chimoio e Inchope. O motorista foi atingido na perna esquerda, como contou à nossa reportagem.
    "Estava a sair de Chimoio em direção a Inchope, e em Zimpinga, de repente ouvi disparos contra o meu carro... fui baleado aqui no pé e foi por volta das três de madrugada. O carro ficou no local onde ouve este ataque. O carro carregava madeira. Eu estava a sair de Tete e ía para a Beira. Estou um pouco melhor... bala não perfurou mas sim ficou entalada no fémur, queriam matar-me mesmo, e só foi uma questão de sorte”, contou o primeiro motorista ora baleado naquele local.Sousa Manuel foi o motorista baleado no segundo ataque, que aconteceu uma hora depois do primeiro também perpetrado por desconhecidos quando efetuava o trajeto inverso ou seja entre Inchope e Chimoio. Ele também contou à DW África como tudo aconteceu.
    "Saía da Beira para Chimoio. Eu saí ontem e dormi em Nhamatanda... e por volta das 4h40, sai de Nhamatanda. De repente havia um camião na minha frente e como vinha um pouco acelerado consegui ultrapassar o camião que estava a fazer a subida nas calmas, e logo a seguir ouvi vários disparos. A princípio pensei que fosse o meu pneu que tinha estourado, mas só depois é que percebi que erm mesmo disparos. Dispararam contra o meu pneu de trás e começaram a disparar (contra) a porta do lao do condutor... daí que me atingiram na perna e no braço”, contou o motorista sobrevivente do ataque.
    Ataques sem rosto
    O hospital provincial de Chimoio, local para onde as duas vítimas graves foram evacuadas e continuam a receber tratamentos, não se pronunciou sobre o estado em que se encontram as duas pessoas.
    O chefe do departamento das relações públicas no Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique em Manica, Mário Arnaça, confirmou o ataque, tendo dito que a ação foi protagonizada por quatro indivíduos que estavam na posse de armas de fogo do tipo AK47."Na madrugada de hoje, dia 17, a polícia registou esta ocorrência em que 4 homens não identificados até então, munidos de armas de fogo do tipo AK47, alvejaram 4 cidadãos dos quais dois com gravidade e dois ligeiros. A polícia acorreu ao local efetuou diligências que culminaram no resgate de 4 cidadãos que haviam sidos raptados pelos malfeitores e foram postos em liberdade. Estamos a trabalhar com vista esclarecer este facto e encontrar os autores dos atques. Até então as forças de defesa e segurança estão no terreno com vista a encontrar os autores para que sejam responsabilizados criminalmente pelo facto que ocorreu em Zimpinga”, informou Mário Arnaça.
    Refira-se que depois de atacar os camiões o grupo formado por quatro homens armados não se apoderou dos bens das pessoas que seguiam nos camiões.
    Ainda em Manica e segundo a polícia, há dias um grupo de cidadãos munidos de objetos contundentes, atacou uma viatura na EN7, próximo da ponte sobre o rio Nhantutu no distrito de Guro, a norte da província de Manica, e assaltou a viatura depois de imobilizar o condutor da mesma, tendo-se apoderado de valores monetários e telemóveis dos passageiros.
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  • Xenofobia na África do Sul: Moçambicanos criticam atitude do Governo de Pretória
    Moçambique está fora da lista dos sete países a serem visitados por uma missão sul-africana que irá formalizar o pedido de desculpas das autoridades de Pretória, na sequência dos ataques xenófobos naquele país.Moçambique não consta da lista dos sete países africanos que serão contemplados pela visita da missão sul-africana de alto nível, que irá formalizar os pedidos de desculpas das autoridades de Pretória, em resultado da escalada de ataques xenófobos contra estrangeiros no país.
    A missão indicada pelo Presidente, visitará Nigéria, Níger, Gana, Senegal, Tanzânia, República Democrática do Congo e Zâmbia e é composta por altas personalidades do Congresso Nacional Africano (ANC, partido no poder) integra o ex-ministro da energia Jeff Radebe, o embaixador Kingsley Mmabolo e o veterano do partido no poder Khulu Mbatha.
    Moçambique, a par do Zimbabué e Malawi, países com um grande número de imigrantes na África do Sul, não fazem parte da lista de países a serem visitados pela delegação sul-africana, algo que criou um certo desconforto no seio da comunidade moçambicana, como por exemplo no seio dos estudantes moçambicanos da Universidade de Joanesburgo, ouvidos pela DW-África, na condição de anonimato.
    "Falta de respeito"
    "Acho que é uma falta de respeito o Presidente sul-africano não começar pela parte mais próxima, neste caso Moçambique e Zimbabué, os países em redor daqui da SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral), porque são os seus vizinhos e também são os seus aliados mais próximos (...), disse um estudante ouvido pela DW África.
    O nosso entrevistado acrescenta que "no meu entender esta decisão de Cyril Ramaphosa ou então do Governo sul-africano significa uma falta de consideração, o que tem sido recorrente, especialmente levando em conta os fortes investimentos que este país possui em Moçambique.”
    Hélio Guiliche, académico e analista político moçambicano, também defende a ideia que as autoridades sul-africanas faltaram com respeito a Moçambique, socorrendo-se do fato de muitos moçambicanos trabalharem e viverem na África do Sul e que são o motor de certas atividades, nomeadamente económica, no país.
    "Pelos laços históricos que nós já temos, ao nível de partilha de fronteiras, cooperação económica, ao nível do processo de libertação pós-apartheid e de cooperação pós-guerra, acredito que a irmandade destes povos é muito antiga e vale mais”, considera Guiliche.
    Possíveis contactos nos bastidores
    Egna Sidumo, Pesquisadora junto da Universidade Joaquim Chissano, acredita na existência de contatos entre África do Sul e Moçambique desde a eclosão dos ataques xenófobos.
    "É preciso lembrar que Moçambique é aqui ao lado, existem várias comissões e constantes reuniões técnicas entre diplomatas sul-africanos e moçambicanos, e pode ser que nessas reuniões esse assunto tenha sido abordado e não tenha havido necessidade de enviar necessariamente emissários.”
    Uma nota da presidência da África do Sul aponta que "os enviados especiais têm a tarefa de tranquilizar os países africanos de que a África do Sul está comprometida com os ideais de unidade e solidariedade pan-africanas”, indica o documento acrescentando que "estes vão também reafirmar o compromisso da África do Sul com a Lei e Ordem", salienta a nota da Presidência da República sul-africana.
    Os últimos dados oficiais das autoridades sul-africanas indicam que a recente onda de violência xenófoba contra locais e estrangeiros resultou na morte de 12 pessoas, a maioria sul-africanos, mais de 600 detidos e no repatriamento voluntário de 600 nigerianos e cerca de 140 moçambicanos desde o início.
    Necessidade de estudar o fenómeno xenofobia
    Hélio Guiliche, defende a realização de estudos profundos visando a erradicação do ódio aos estrangeiros, algo que tem sido recorrente nos últimos anos na África do Sul.
    "A barbaridade ou a morfologia do crime usada, temos pessoas a serem catanadas, queimadas vivas, isto mostra um nível que tem que ser estudado antropológica e sociológicamente e por fim temos de entender a psicologia deste sul-africano que faz e comete este tipo de crimes.”
    Para Egna Sidumo, todos países da SADC, devem ter um papel preponderante na erradicação deste mal.
    "É de lamentar que estes atos xenófobos comecem a ser tão recorrentes em tão pouco espaço de tempo, significando que há uma intervenção que deve ser feita não só pelos países da região que têm números significativos de emigrantes na África do Sul, mas também a nível interno da própria África do Sul.”
    Entretanto, as autoridades moçambicanas encerraram esta terça-feira (17.09.) o centro de trânsito de Moamba, a 60 quilómetros de Maputo, que desde a última quinta-feira acolheu 138 vítimas de xenofobia na África do Sul. O centro fica junto à estrada nacional número 04, que liga Maputo à fronteira de Ressano Garcia.
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  • Eleições em Moçambique: Situação dos direitos humanos em debate
    Numa mesa redonda realizada em Maputo, o diretor do Centro para a Democracia e Desenvolvimento descreveu a violência registada no período de campanha eleitoral como uma grave violação dos direitos humanos.Numa mesa redonda que teve lugar esta terça-feira (17.09) em Maputo, a capital de Moçambique, o Centro para a Democracia e Desenvolvimento considerou existirem sinais preocupantes de uma reversão da situação dos direitos humanos no país.
    O encontro foi promovido para chamar a atenção dos partidos políticos e candidatos concorrentes, sociedade civil e o público em geral para os grandes desafios dos direitos humanos numa altura em que o país se prepara para realizar as eleições gerais e provinciais de 15 de outubro.
    O presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos de Moçambique, Luís Bitone, mencionou alguns dos desafios. "Nós estamos num país em que tanto as instituições públicas como as privadas, assim como a sociedade civil, têm ainda baixa cultura de direitos humanos. É preciso elevar", observou.
    "O segundo desafio tem a ver com a desarmonia da legislação sobre direitos humanos. Aqui também incluímos os processos de como os direitos devem ser reivindicados e que não estão regulamentados. Outro desafio importante são as instituições. É preciso capacitar as instituições a tomar o seu papel na promoção e proteção dos direitos humanos", acrescentou. Por seu turno, o diretor do Centro para a Democracia e Desenvolvimento, Adriano Nuvunga, apontou a violência que se regista no período de campanha eleitoral como uma grave violação dos direitos humanos. "O que estamos a fazer aqui é dizer aos partidos que a democracia não é dos partidos. A democracia é para os cidadãos realizarem os seus direitos e num quadro de segurança, de estabilidade e de paz", sublinhou.
    Partidos condenam violência
    Um manifesto divulgado esta terça-feira pela Amnistia Internacional (AI) desafia os partidos políticos moçambicanos e respectivos candidatos em disputa eleitoral a comprometerem-se publicamente em defender os direitos consagrados na Constituição, assim como nos tratados regionais e internacionais de direitos humanos dos quais Moçambique é signatário.
    "São factos que aconteceram, não podemos negar. E é preciso que os manifestos produzam respostas. É preciso que os que detêm o poder tomem providências para a sua solução", disse Luís Bitone.Os partidos representados na cerimónia apresentaram os seus manifestos eleitorais no que se refere aos direitos humanos, tendo condenado a ocorrência de atos de violência.
    O porta voz da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), Caifadine Manasse, disse que o seu partido vai continuar a transmitir aos moçambicanos sobre como viver num ambiente em que todos se considerem irmãos, contribuindo, assim, para o desenvolvimento do país.
    "Nós continuaremos, segundo o manifesto, a questão da ética e boa governação. Vamos continuar a trabalhar para que haja liberdade de opinião, fortificar e consolidar os nossos órgãos de justiça", afirmou.
    Por seu turno, o chefe da bancada parlamentar do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Lutero Simango, disse que é necessário haver um "sistema judicial forte". "Um sistema político em que as liberdades individuais e de pensamento são respeitadas e também políticas de inclusão", disse.
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  • África no Festival Beethoven: Música une culturas em Bona
    O que têm em comum uma banda à capela de Joanesburgo, na África do Sul, e um grupo vocal composto por jovens de Leipzig, na Alemanha? Juntos, conquistaram o público do festival anual dedicado ao Beethoven em Bona.Chamam-se Just 6 e fazem um enorme sucesso na África do Sul: um grupo vocal masculino à capela que funde o tradicional e o moderno e que leva a música sul-africana em digressão pelo mundo.
    Em Bona, na Alemanha, os Just 6 apresentaram-se no festival anual Beethovenfest ao lado do conjunto alemão feminino Sjaella (nome inspirado na palavra sueca para alma). A acompanhar, a Orquestra Juvenil da Alemanha – a receita para uma verdadeira fusão das culturas do sul de África e da Europa Ocidental, com o apoio da DW.
    A conquistar palcos desde Moscovo a Bona
    Com uma mistura de jazz contemporâneo, pop, RnB, gospel e soul, os Just 6 procuram uma sonoridade verdadeiramente global. Intitulam-se "a banda sem instrumentos" e conquistaram não só o público na Alemanha, como também na Rússia – algo que a banda não esperava.
    "Fomos muito bem recebidos em Moscovo. Estivemos lá para o Festival à capela da Primavera. Públicos diferentes, energias diferentes. E, engraçado, os russos são pessoas mesmo simpáticas. Estavam a dançar e a sorrir, algo que, aparentemente, não é assim tão comum lá. Conseguimos aquecer o coração deles", diz Ntuthuko Malaza, um dos membros do grupo.
    Em Bona, terra natal do Beethoven, impõe-se saber o que pensa um grupo vocal à capela sul-africano do compositor alemão do século XVIII. Um facto chamou a atenção de Kwande Cakata, outro cantor do grupo: "Sei algumas coisas sobre ele. Sei que a um certo ponto da sua carreira ficou surdo, enquanto compunha algumas das suas obras. É impressionante saber que ele fez alguma da sua música sem conseguir ouvir nada".
    Música, paz e reconciliação
    A África do Sul tem sido notícia pelos piores motivos, com uma onda de ataques xenófobos e denúncias de corrupção entre as elites políticas. E o ambiente em muitas zonas do país é de tensão. Para os Just 6, a música é uma forma de promover a reconciliação e a paz.
    "Estamos a enfrentar um problema diferente agora na África do Sul, é mais social. Como viver juntos e todas essas coisas. Aconteceu muita coisa nos últimos anos que resultou nesta falta de união e nesta forma como vivemos em conjunto. Penso que a música que fazemos é a melhor forma de voltar ao espírito que venceu no final dos anos 80, início dos anos 90", explica outro membro do grupo.
    3 min
  • Moçambique: Homens armados incendeiam casa da mãe de Manuel de Araújo
    No momento do crime estavam três pessoas na residência, mas o principal alvo a mãe de Araújo não estava em casa. O candidato da RENAMO acusa a FRELIMO de ser o autor moral deste crime. FRELIMO repudia acusação.Em Moçambique, cinco homens armados incendiaram a casa da mãe de Manuel de Araújo, o candidato da RENAMO a governador da província da Zambézia. Segundo a polícia, o objetivo dos homens era assassinar a mãe do político.
    Manuel de Araújo culpa diretamente o partido no poder, a FRELIMO, pelo que aconteceu. Os homens armados entraram na casa da mãe de Manuel de Araújo por volta da meia-noite, segundo relatos de testemunhas ouvidas pela DW África. O guarda da residência diz que foi apanhado de surpresa e não teve como fugir.
    "Trouxeram duas armas AKM, duas pistolas, cinco catanas, mais uma picareta. Uma pistola estava embrulhada nuns panfletos em que aparecem Nhongo e Ossufo Momade”, segundo relatou o guarda.
    Vizinhança apaga fogo
    Os atacantes amarraram o guarda e, a seguir, incendiaram a casa. Assim que a vizinhança se apercebeu do que se estava a passar, vieram logo apagar o incêndio.
    "Eu ouvi um barulho lá fora. Senti o cheiro do combustível. Saí para fora e já tinham amarrado o guarda na boca e nas mãos. Desatei a corda e fomos ao poço tirar água para apagar o fogo”, afirmou um dos vizinhos.
    As três pessoas que se encontravam a dormir na residência, incluindo o guarda, escaparam ilesas. Na altura, a mãe do candidato da RENAMO, Manuel de Araújo, não estava no local. Mas muitos bens, incluindo roupas, ficaram queimados pelas chamas.
    Araújo acusa a FRELIMO
    Manuel de Araújo culpa o partido no poder em Moçambique, a FRELIMO, pelo ataque.
    "Em primeiro lugar quero acusar publica e diretamente o partido FRELIMO e o Presidente Filipe Jacinto Nyusi como co-autores e mandantes deste crime bárbaro. Não é a primeira vez os autores são membros da FRELIMO”, apontou Manuel Araújo.
    O candidato da RENAMO responsabiliza ainda o ministro do Interior moçambicano, Basílio Monteiro, e o candidato da FRELIMO a governador da província da Zambézia, Pio Matos, pela "autoria moral" do ataque.
    "Para mim, o senhor Filipe Nyusi, o senhor Basílio Monteiro e o senhor Pio Matos são os autores morais deste crime que atenta contra a vida da minha família, da minha mãe, dos meus filhos e daqueles que vivem connosco”, acusou o candidato da RENAMO.
    Campanha suja
    Manuel de Araújo diz que não se surpreende com estes acontecimentos, porque já sabia que a campanha eleitoral em curso seria sangrenta.
    "Eu já tinha advertido para isso mesmo antes do início da campanha. Eu disse que esta seria a campanha mais violenta a que nos já assistimos em Moçambique. Informámos a quem nos tem ouvido e a quem quis ouvir”, afirmou Araújo.
    O comando da polícia da Zambézia garante que está a envidar esforços para capturar os cinco homens armados, que continuam a monte. Não se sabe ainda a identidade dos atacantes. Mas, segundo Sidner Lonzo, porta-voz da polícia, admite-se a possibilidade de os homens serem provenientes da cidade da Beira, província de Sofala.
    "No momento em que se introduziram no quintal dessa residência e no momento em que imobilizavam o guarda eles disseram que vinham da cidade da Beira, e pretendiam tirar a vida à mãe do edil da cidade de Quelimane, o senhor Manuel de Araújo”, explicou Sidner Lonzo.
    Centenas de simpatizantes da RENAMO e de outros populares aglomeraram-se esta segunda-feira (16.09.) junto à residência da mãe de Manuel de Araújo e pediram que seja feita justiça.
    "Estou a perguntar se o acordo do presidente Nyusi e o presidente da RENAMO que eles fizeram na Gorongosa é esse ou não? Não podemos votar com medo. Essa é uma guerra, não há paz!”, reclamou uma das pessoas presentes no local.
    Na conferência de imprensa convocada esta noite pela FRELIMO o porta-voz do partido, Sábado Chambe, condenou as declarações de Manuel de Araújo contra os seus altos dirigentes.
    "A FRELIMO repudia e condena veementemente a postura assumida pelo cidadão Manuel de Araújo de proferir publicamente declarações acusatórias infundadas que mancham o bom nome e a imagem do partido FRELIMO e dos seus altos dirigentes. Visando o aproveitamento político, confundindo a opinião pública num contexto de campanha eleitoral, que decorre de forma ordeira, pacífica e num ambiente de cordialidade entre as várias forças políticas concorrentes", disse Chambe.
    4 min
  • Angola: Candidaturas à presidência da UNITA em preparação
    No dia marcado para início de entrega de candidaturas à liderança da UNITA, nenhum candidato oficializou a intenção de concorrer ao cargo de presidente do maior partido da oposição em Angola.Esta segunda-feira (6.09.) foi o dia marcado para o início de entrega de candidaturas à liderança da UNITA, mas nenhum candidato oficializou a intenção de concorrer ao cargo de presidente do maior partido da oposição em Angola, que realiza em novembro o XIII Congresso Ordinário.
    Nos termo dos Estatutos da UNITA, cada militante interessado e que se julga reunir as condições requeridas para se candidatar à presidência, deverá entregar à Comissão de Mandatos uma série de documentos entre os quais, comprovativo da sua boa militância num comité de base do partido, comprovativo de apoio de pelo menos 2/3 dos membros da Comissão Política e comprovativo do apoio de 1.000 militantes no pleno gozo dos seus direitos, dos quais pelo menos 50 militantes residentes em cada uma das 18 províncias angolanas.
    Candidaturas até 30 de setembro
    São estes os processos que os candidatos estão a organizar para formalizarem até ao dia 30 deste mês, as respetivas candidaturas.
    O presidente do Grupo Parlamentar da UNITA, Adalberto Costa Júnior, que manifestou a intenção numa reunião da Comissão Permanente, confirmou que vai nos próximos dias dar entrada do seu processo."Nunca tinha dito à imprensa, mas tive a oportunidade de o fazer no Comité Permanente, mas de facto, por esta via posso confirmar a intenção de apresentar a candidatura. Ainda falo em intenção por uma razão simples, nem o meu caso, nem outros candidatos poderão fazer qualquer entrega porque os regulamentos prevêm que haja um modelo de recolha das assinaturas, e quem o fizer deverá também estar sujeito a um tipo de credenciamento", disse.
    Adalberto Costa Júnior afirma por outro lado que não terá nenhuma dificuldade em conseguir as mil assinaturas.
    "É só hoje que vai ser possível iniciar a recolha das mil assinaturas obrigatórias, sendo 50 por cada província. Portanto, não haverá grandes problemas em fazer esta recolha, mas de facto não permite que hoje no início dos prazos haja já alguém para poder cumpri-las", explicou o dirigente partidário.Por seu turno, o general Abílio Kamalata Numa, assumiu também aos microfones da DW África que vai novamente avançar com a candidatara para o cargo do líder máximo da UNITA. Numa, que está atrás dos números de apoiantes exigidos pelos estatutos do partido, destaca a sua ideia para a liderança da UNITA nos próximos anos.
    "Queremos um partido que se modernize, um partido pan-africano, que é a nossa vocação, um partido que tenha projetos de quadros, projetos de auto-suficiência, projeto de ganhar as eleições de 2022, e também ter um bom posicionamento na conquista das autarquias em todo o país. Portanto, é este partido que queremos apresentar aos angolanos", avançou o general angolano.
    Silêncio de Samakuva
    Uma das incógnitas continua a ser o silêncio do atual presidente da UNITA, Isaías Samakuva. Até ao momento não há informações oficiais se vai ou não se recandidatar.O ex-secretário-geral dos "maninhos" Abílio Kamalata Numa afirma que os estatutos não impedem Samakuva de concorrer pela sua reeleição. Mas em termos dos "valores e princípios" que norteiam os militantes da UNITA, o presidente em fim de mandato não tem condições para continuar na liderança.
    "Um dos valores do nosso partido é a subordinação da política à ética. Quando o presidente Samakuva diz que perdendo ou ganhando, sem pressão de ninguém, não voltaria a ser o presidente da UNITA, para um partido sério que é a UNITA, ele não tem condições para voltar agora em 2019 a lançar uma nova candidatura", sublinhou o general Numa.
    Analistas consideram que depois de cumprir quatro mandatos à frente da UNITA, Samakuva, de 73 anos, não deverá recandidatar-se, tendo declarado esta intenção publicamente. No entanto, notícias veiculadas pela imprensa angolana deixaram no ar a possibilidade de uma nova recandidatura do líder, o que os analistas acreditam que deixaria de fora outros aspirantes ao cargo.
    Desconhece-se número de candidatosEntretanto, 30 de setembro, é o período que encerra a entrega das candidaturas. De 1 a 3 de outubro, a Comissão Eleitoral vai processar a documentação que será entregue à Comissão de Mandatos e no dia 3 de outubro anunciará as candidaturas aprovadas para concorrer ao cargo de presidente da UNITA.
    As explicações são do porta-voz do oitavo congresso do partido do Galo Negro, Rubem Sicato.
    "No fim vamos dizer quantos candidatos tivemos, quem são os pré-candidatos, aqueles que manifestaram a intenção. Depois disso vamos fazer uma conferência de imprensa, e no dia 3 vamos convocar os jornalistas para anunciar os resultados", concluiu Rubem Sicato.
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  • Eleições em Moçambique: Jovens de Cabo Delgado querem mais emprego
    Os cabeças de lista dos três principais partidos políticos moçambicanos ao cargo de governador provincial prometem satisfazer os pedidos dos jovens, mas antes pedem os seus votos.Na província nortenha de Cabo Delgado, os jovens querem que o futuro governo provincial acabe com a corrupção na função pública, crie postos de trabalho e elimine o conflito armado que se vive em alguns distritos da província nortenha desde 2017.
    Simão Simão é um jovem de 27 anos de idade. Concluiu há cinco anos o nível médio de escolaridade, mas até a data não encontrou emprego.
    Neste momento dedica-se a venda de carvão vegetal num dos mercados grossistas da cidade de Pemba, capital de Cabo Delgado. Um dos maiores sonhos de Simão é ingressar no curso de formação de professores, para ajudar a desenvolver o país, mas não tem condições. Ao futuro elenco do governo provincial, Simão pede mais postos de trabalho para a juventude.
    "Eu tenho a 12ª classe, mas até agora não tenho nenhum trabalho é por isso que vendo carvão (…) aqui em Cabo Delgado nós estamos mal por causa dos Alshababe [grupo de insurgentes] ”, relatou Simão Simão, para quem "em Mucujo para um cidadão sair de lá para Macomia deve ser escoltado pela polícia ou militares.”
    Jovens pedem mais empregos
    Samuel Martinho é outro jovem que a DW África encontrou arredores da cidade de Pemba. É revendedor de recargas de telemóveis há alguns anos, mas lamenta que "desde que comecei, até agora não apanhei nada [referindo-se aos lucros]. Peço ao próximo executivo da província ajude-nos na criação de empresas”.
    À semelhança dos dois primeiros, Dul Ossufo, é outro jovem que sobrevive da atividade de moto-taxi na cidade de Pemba. A sua preocupação é com os níveis de corrupção que o impedem de ingressar no aparelho do Estado.
    "Principalmente para nós pobres que não temos nada, terminamos o nível médio, mas para termos emprego torna-se difícil. Então, gostaria que o nosso governo combatesse aquela coisa de subornos.”
    Os nossos entrevistados querem que as promessas eleitorais feitas pelos candidatos à cargo de governador da província, sejam transformadas em água, alimento, educação de melhor qualidade e serviços de saúde mais humanizados.
    Candidatos atentos aos problemas da província
    A DW África, que acompanha o pulsar da campanha eleitoral, ouviu os três candidatos a governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo da FRELIMO, Ângela Maria Eduardo, da RENAMO e José de Avelino que lidera a lista do MDM sobre os seus projetos caso sejam sufragados no escrutínio de 15 de Outubro próximo.
    José de Avelino que lidera a lista do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) a Assembleia provincial de Cabo Delgado pretende modernizar a agricultura nesta região do país.
    Diz não ser concebível que durante mais de quarenta anos de independência, o Moçambique não consiga tornar a agricultura como motor para o desenvolvimento.
    "É preciso investir na mecanização agrícola e assistir os produtores de modo a aumentar a produção e produtividade”, diz o membro do MDM apontando que "também temos que abrir estradas para os locais de produção para permitir a comercialização. O que acontece é que as pessoas não fazem a agricultura porque elas produzem, mas não comercializam os produtos por falta de vias de acesso.”
    Por seu turno, Valige Tauabo da FRELIMO propõe incentivar os jovens para a criação do auto-emprego. Mas também promete combater a corrupção.
    "Nós vamos prosseguir com o apoio as iniciativas de auto-emprego, através da criação de micro e pequenas empresas. Vamos incentivar a promoção do trabalho e emprego dando destaque a força de trabalho dos jovens moçambicanos para reduzir o desemprego”, disse Tauabo.
    Combate cerrado a corrupção
    O candidato da FRELIMO quer acabar com a corrupção "vamos promover a integridade, ética e deontologia profissional no sector público. Desta forma consolidaremos a cultura de transparência, prestação de conta e responsabilização.”
    A RENAMO também elegeu o combate à corrupção na província de Cabo Delgado como o seu "cavalo de batalha”, segundo garantiu Alberto Kavandame é porta-voz da cabeça de lista da RENAMO, Ângela Maria Eduardo.
    "No nosso futuro governo vamos combater severamente no verdadeiro sentido da palavra a corrupção porque sabemos como se manifesta. E vamos empregar a juventude. Temos muitos rios e barragens que não são aproveitados. Estas barragens e rios podem produzir quatro vezes por ano. A nossa cabeça de lista tem na mente o incentivo de associações para poderem cultivar aquelas terras e produzirmos não só para o nosso sustento mas também para podermos exportar.”
    Ataques dos insurgentes preocupa candidatos cabeças de lista
    A província de Cabo Delgado tem sido assolada pela onda de ataques armados protagonizados por indivíduos cuja identidade ainda não é do domínio público, resultando em mortes, destruição de habitações e dos meios de sobrevivência das comunidades.
    A justiça moçambicana já condenou cerca de 130 insurgentes em conexão com o caso. Mas o fenómeno continua a acontecer. Como pensa em lidar com esta situação caso seja eleito? Foi a pergunta que fizemos os três principais concorrentes ao governo provincial.
    Valige Tauabo da FRELIMO promete aumentar a vigilância, através de um programa que no seu manifesto eleitoral chama de autodefesa das comunidades.
    "Vamos criar mecanismos que possibilitem a comunidade a compreender o mal que existe para poder ter todas as ferramentas de autodefesa a partir da vigilância haver denúncias e o Governo através das Forças de Defesa e Segurança em tempo útil chegar junto das comunidades de modo a dissipar qualquer situação.”
    O MDM e a RENAMO advogam que o diálogo é a melhor via para acabar com os ataques nos distritos da região norte de Cabo Delgado.
    "A força não resolve o problema. Para resolver o problema temos que entrar em negociações e conhecendo as motivações é fácil encontrar soluções. Se continua assim, muitos investidores acabarão por ficar retraídos”, destaca José de Avelino.
    Para o porta-voz da RENAMO, Alberto Kavandame "nós como a RENAMO se ganharmos as eleições vamos procurar saber quem são na verdade, e o que eles querem e quais são as saídas”, afirma por seu lado Kavandame.
    "(…)teremos que apanhar o financiador dos insurgentes” – disse Nyusi
    A campanha eleitoral às gerais de 15 de outubro entra nesta segunda-feira (16.09), ao seu décimo sétimo dia. O candidato presidencial da FRELIMO, Filipe Nyusi, iniciou no sábado (14.09), uma digressão pela província de Cabo Delgado na caça ao voto.
    No dia seguinte, no distrito de Chiure, cuja autarquia está a ser governada pela RENAMO, Filipe Nyusi, voltou a manifestar-se preocupado com os ataques armados naquela província "esses que estão a fazer confusão aqui em Cabo Delgado se mostrarem a cara a gente há-de ir ter com eles. Porque agora não se sabe, o financiador deste grupo, teremos que apanhar essa pessoa também.”
    Enquanto isso, o balanço da primeira quinzena da campanha eleitoral, a polícia fala de um ambiente ordeiro propiciado pelo civismo das caravanas. Augusto Guta é o chefe das Relações Públicas no Comando Provincial da PRM em Cabo Delgado.
    "Lamentamos apenas o fato de primeiro dia de campanha, no espaço entre uma a duas horas de madrugada ter acontecido um acidente de viação vitimando alguns dos membros de partidos que se encontravam a colar panfletos.Uma experiência muito boa na província de Cabo Delgado é que quando as caravanas colidem ou quando se cruzam, até abraçam-se, dão-se mão numa ligeira interpretação de que a campanha é um período de festa e amizade.”
    Benefícios dos recursos naturais
    De acordo com o censo populacional de 2017, Cabo Delgado possui 2.32.0261 habitantes. São pessoas que aguardam com enorme expectativa os dividendos da exploração dos recursos minerais e petrolíferos abundantes na província. Os Valige Tauabo tem um plano para o acesso à riqueza por parte da população.
    "Criaremos um modelo triangular onde vão se concentrar o Governo, os investidores e a comunidade num único ponto”, disse o candidato da FRELIMO, explicando que " o modelo vai permitir criar uma mútua interecao entre o Governo, Comunidade e os investidores”, garante, Valige Tauabo.
    A RENAMO quer que os benefícios dos recursos naturais que a província de Cabo Delgado tem sirvam para a juventude, "vamos trabalhar no sentido de alavancar a juventude. Empregarmos as mamas e o povo em geral, mas abraçando a população nativa”, prometeu Alberto Kavandame, porta-voz de Ângela Maria Eduardo.
    Enquanto isso, o MDM quer maior envolvimento das comunidades locais na tomada de decisões e de gestão dos recursos naturais, segundo José de Avelino. "O que acontece quando as pessoas descobrem que ai há recursos naturais descobertos pela população, retiram essa população e entregam qualquer singular. Isso não pode ser assim.”
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