África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle

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África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle episodes

  • Eleições em Moçambique: Os principais partidos prometem investimentos em Manica
    Os cabeças-de-lista dos principais partidos estiveram em alguns distritos mais periféricos de Manica onde fizeram diversas promessas. A indústria, as estradas e o emprego são algumas áreas onde querem investir e apostar.Esta quinta-feira (12.09.) os principais partidos em Moçambique, nomeadamente a FRELIMO, a RENAMO e o MDM, estiveram presentes em toda a província de Manica com o objetivo de chegar ao máximo de eleitores possíveis.
    Os três cabeças-de-lista de cada partido saíram de Chimoio para se concentrarem nos distritos mais periféricos. Assim, Francisca Domingos Tomás pela FRELIMO encontra-se no distrito de Guro, Alfredo Magumisse da RENAMO está em Macossa e Arone Mussoalho do MDM em Gondola. A DW África em Chimoio ouviu dos cabeças-de-lista dos três partidos, as propostas de projectos que cada um apresenta ao eleitorado.
    Promessas eleitoraiFrancisca Tomás da FRELIMO disse que o seu manifesto cinge na continuidade de acções já plasmadas no governo de Filipe Jacinto Nyusi, no que tange a provisão de mais serviços para as populações da província.
    "O projeto principal também que estamos a trazer é no investimento, público e privado, com a paz que temos para que os nossos jovens tenham emprego, porque nós entendemos sempre que sem investimentos na nossa província não podemos encontrar emprego para os nossos jovens e sem a paz também não podemos desenvolver da melhor forma como nós queremos a nossa província de Manica”, prometeu a cabeça-de-lista pela FRELIMO.
    Alfredo Magumisse afirmou que o seu partido, a RENAMO vai lutar para acabar com a corrupção dando melhorias de condições aos funcionários públicos como também potenciar o sector de agricultura."Queremos transformar a nossa indústria em uma indústria apetecível ao serviço de todos nós. A nossa indústria não pode produzir porque o país é maioritariamente importador mas temos que passar de importador para exportador para tal é preciso acabar com a corrupção para aqueles que querem investir em Moçambique”, garantiu Magumisse.
    Arone Mussoalho do MDM comunicou que o seu manifesto possui quatro pilares: a defesa da democracia, paz e a reconciliação nacional; o desenvolvimento económico e a criação de emprego; o desenvolvimento de infraestruturas e o equilíbrio social.
    "Vamos votar para melhorarmos as nossas estradas, para termos bons mercados para termos agua, para termos emprego, jovens não nasceram só para estarem a vender precisam também de ter emprego, então o MDM é uma aposta para que vocês tenham uma boa vida. O partido MDM é o partido que esta a apostar pela melhoria das condições sociais e esta melhoria passa primeiro por ter emprego”, disse Mussoalho.
    Eleitores exigentes
    Em Manica os eleitores têm muitas exigências para o próximo ciclo governativo. João António Dinheiro é negociante num dos mercados maiores de Chimoio que pediu mais trabalho para quem for eleito para este cargo.
    "Nós gostaríamos de ter um governador que trabalha a favor do povo, para o bem-estar do povo, não para o bem-estar da sua família e de si próprio. Eu gostaria que o próximo governo mesmo provincial ou central, que pautassem pela construção de boas estradas, de hospitais e provisão de medicamentos, escolas e facilitar o desenvolvimento de povo, pois regista-se altas rendas do imposto que esta a impedir o desenvolvimento individual, e o contribuinte que é o povo nunca desenvolve”, pediu Dinheiro.O analista Boaventura Bosco Chinde considera que todos os partidos têm alguma experiência, mas a FRELIMO é mais favorita para ganhar a eleição naquela província.
    "Como um analista, todos partidos são favoritos, todos partidos realmente são experientes em questões políticas e democráticas. Mas ao nível da província de Manica, eu estava a ver dentre os três candidatos, o mais favorito é o do partido FRELIMO. Mas para dizer a verdade o partido que nesta altura que está a mostrar capacidade, experiência de serviço, em que os seus dirigentes pelo menos apesar dos apesar, são indivíduos que depois da critica e autocrítica, conseguem ratificar e fazer algo que possam satisfazer a população ”, comentou Boaventura Bosco Chinde.
    Em Manica a campanha eleitoral tem estado a decorrer num ambiente de festa apesar de se ter registado alguns danos em material de propaganda, mas não há registo de violência.
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  • Eleições em Moçambique: Apelos à mudança, contra as inundações em Sofala
    A província de Sofala foi bastante afetada pelo ciclone Idai e vários candidatos às eleições prometem medidas para impedir uma nova tragédia. Advogam também a melhoria das condições de vida. Analista espera surpresas.Estas são as primeiras eleições desde que o ciclone Idai devastou a Beira, a capital da província de Sofala, e um dos pontos na agenda dos candidatos é combater o efeito das mudanças climáticas.
    Lourenço Bulha, cabeça de lista da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO, no poder) ao cargo de governador da província, conclui que, para a cidade da Beira, propensa a inundações, a solução passa por remodelar bairros como o da Praia Nova, que fica à beira-mar e passou de local de pescadores a zona residencial.
    "Aqui, o que vamos fazer é arranjar financiamentos para ajudar a construir as casas deles, porque aqui não é zona de residencial, aqui tem que ser uma zona de pesca", afirmou Bulha.
    O Movimento Democrático de Moçambique (MDM), com bastião na cidade da Beira, promete ao eleitorado investir em ações para minimizar os impactos das mudanças climáticas.
    Albano Carige, membro da comissão política do partido, visitou o bairro de Mungassa, na Beira, e anunciou que o objetivo principal do MDM nessa área é a construção de uma bacia de retenção de águas.
    "Como se sabe, Mungassa é uma zona baixa. As águas são escoadas através do rio Mungassa, que, perante as mudanças climáticas, já não tem a capacidade de fazer uma escoação condigna. Daí que temos que construir uma bacia de retenção de águas para poder acumular as águas enquanto a maré é alta", disse Carige.
    Melhoria das condições de vida
    Outro dos cavalos de batalha dos candidatos é a melhoria das condições de vida da população.
    Lourenço Bulha, da FRELIMO, garante que, se for eleito, apostará no setor da educação, para que mais cidadãos tenham acesso ao ensino na província. Promete ainda criar políticas para mecanizar a agricultura com vista à erradicação da fome. E, no setor das pescas, o candidato diz que vai "ajudar os pescadores, para comprar mais redes e mais barcos para poderem trabalhar."
    Mas a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), o maior partido da oposição em Moçambique, promete fazer melhor.
    O cabeça de lista do partido, Noé Marambique, que faz digressão pelos distritos, garante que vai acabar com a corrupção em vários setores do Estado e melhorar os salários dos professores e dos médicos.
    Além disso, o partido promete construir mais fontes de abastecimento de água na província.
    "Se não tem água na sua casa, se não tem energia, se não tem saúde e boa educação, você está condenado ao fracasso e à miséria. A RENAMO não pode estar de braços cruzados", afirmou João Marata, delegado do partido na Beira.
    O MDM, que pretende eleger José Albano Bulaunde como governador provincial, também promete melhorar as condições de vida dos cidadãos. No arranque da campanha, Daviz Simango, edil da Beira, acenou, por exemplo, com aumentos nos salários dos enfermeiros e professores.
    "Surpresas"
    Os candidatos dos três maiores partidos concorrentes têm-se mostrado otimistas em relação aos resultados das eleições provinciais.
    "Pela forma como somos recebidos, nós vamos ganhar as eleições aqui na província", afirma Lourenço Bulha, candidato da FRELIMO.
    João Marata, da RENAMO, acredita que "a população já não se identifica com a FRELIMO, nem com o MDM".
    Mas o analista político e docente universitário, Messias Uareno, considera que "haverá muita surpresa sobre os possíveis vencedores dessas eleições".
    "A população está a colher o aprendizado, por causa daquilo que é a prática de alguns partidos que lideram alguns pontos do país. E estas práticas vão surtir algum efeito e vão conduzir a tendência do voto da população de uma forma atípica", conclui o analista.
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  • O novo "boom" de linhas aéreas em África
    Países africanos atravessam um verdadeiro "boom" de novas linhas aéreas estatais, comparável àquele dos anos 60 e 70, após a independência. Mas, por enquanto, as companhias ainda não conseguem fazer lucros.O avião do tipo Bombardier da "Uganda Airlines" aterrou na capital queniana, Nairobi, o primeiro voo depois companhia aérea nacional retomar as operações no final de agosto.
    Após vinte anos de paragem, os ugandeses estão muito orgulhosos deste projeto nacional, diz o analista Angelo Izama: "A julgar pelas reações na internet até parece que estamos a enviar alguém para a lua".
    Os motivos do Governo ugandês não se prendem tanto com o orgulho nacional e são mais pragmáticos. Os ugandenses gastam cerca de 450 milhões de dólares norte-americanos em viagens aéreas com empresas estrangeiras. É dinheiro que ficará no país se optarem pela companhia nacional.
    No Malawi, o Governo agora detém a maioria nas "Malawian Airlines". O Gana está a planear uma nova companhia aérea pan-africana, enquanto a Tanzânia e o Senegal estão também a tentar revitalizar as suas companhias aéreas. Para mantê-la operacional, a África do Sul injeta somas generosas na empresa estatal "South African Airways".
    Vantagens das companhias estrangeiras
    Muitos passageiros optam por companhias estrangeiras, porque as nacionais são demasiado caras, diz o analista ugandês Angelo Izama. "O preço é um problema. Alguma coisa tem de mudar. Um voo de 50 minutos de Entebbe para Nairobi custa quase 300 dólares. É muito dinheiro."
    Andrew Wasike, correspondente da Deutsche Welle no Quénia, diz que outro motivo são as péssimas ligações: "Imagine que alguém quer viajar do Quénia para a África Central. Já me aconteceu: tive que voar primeiro para a África Ocidental, e depois voltar dali para a África Central. E quem estiver no norte de África tem que sair primeiro do continente africano", critica.
    Wasike também lembra os muitos casos de corrupção em que esteve envolvida a maior companhia aérea do país, a Kenya Airways. O Parlamento queniano acaba de decidir nacionalizar a companhia falida depois de ter sofrido grandes perdas em anos anteriores.
    Mercado em crescimento
    Entretanto, as perspetivas são fantásticas em África. O mercado africano deve crescer cerca de 5% ao ano nos próximos 20 anos, de acordo com estimativas da associação internacional de companhias aéreas IATA.
    Porém, por enquanto, as linhas aéreas africanas não conseguem esgotar as capacidades. Em 2018 ocuparam apenas 71% dos lugares, quando a média global é de 82%. Este ano irão acatar com perdas no montante de 100 milhões de dólares.
    Não obstante todas as dificuldades, o analista Izama considera o projeto do Governo ugandês de salvar a linha aérea nacional importante. E também o queniano Andrew Wasike diz: "Acho que estamos a voar na direção certa."
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  • Eleições em Moçambique: Crianças querem as suas prioridades no programas dos partidos
    A Plataforma Crianças Jovens com Visão apresentou um manifesto pelos direitos das crianças aos principais partidos políticos que vão a eleições. Contudo algumas delas ainda são usadas nas campanhas eleitorais.Nesta última quarta-feira (11.09) em Nampula algumas crianças apresentaram um manifesto com oito prioridades para a sua faixa etária, para que os partidos políticos concorrentes às eleições executem, em caso de vitória no dia 15 de outubro próximo.
    Os três partidos, excepto a FRELIMO, partido no poder, que esteve ausente no encontro, receberam e comprometeram-se em cumprir ou forçar o Governo eleito na efetivação dessas prioridades.
    O manifesto, elaborado em colaboração com a Visão Mundial, é composto por oito prioridades: educação, saúde, proteção social, meio ambientes, participação e voz da criança, educação moral e cívica, entretenimento e lazer e por último, alimentação e nutrição.
    As prioridades das crianças
    Frederico Manuel é representante da Plataforma Crianças Jovens com Visão e explicou que as crianças devem ser ouvidas e ter os seus direitos respeitados durante todo o ano.
    ‘‘Nós fizemos auscultação a diversificadas crianças do nosso país, em média de 25 escolas em todas as províncias do país no sentido de poder colher o máximo possível de informação", explica Frederico Manuel.
    O representante da Plataforma Crianças Jovens com Visão salienta: "O nosso manifesto tem como objetivo assegurar que todos os partidos políticos ou governantes tomem a criança como prioridade de janeiro a janeiro. Muitas das vezes nós percebemos que só as crianças têm valor no mês de junho, de 1 a 16 (dia das comemorativas da criança), o que é feio. Nós como crianças sentimos os nossos direitos violados”.
    Entretanto, os três partidos concorrentes, exepto a FRELIMO que boicotou o encontro sem explicação, saudaram a iniciativa e prometeram incorporar nos seus manifestos para executar e ou mesmo fazer cumprir ao partido que for a formar o Governo no próximo ano.
    Alves António é mandatário provincial do partido AMUSI e começou primeiro por criticar o Governo pela falta de vontade em resolver os problemas das crianças. E António assegura que ‘‘o AMUSI tem esta vontade de velar sobre a vida das crianças assim que chegar ao poder. Não deixara de fora as crianças."
    Crianças na campanha
    Alzira António da RENAMO, maior partido da oposição, que lamenta o uso das crianças na campanha eleitoral, garantiu que caso o seu partido vença, os menores não serão usados como material político-partidário.
    ‘‘Sinto muito o que acontece no nosso país. Existem coisas que eu não consigo perceber. Quando o nosso Presidente chega [a um determinado lugar] todas as escolas fecham e todas as crianças são obrigadas a recebê-lo, ficando todo dia sem estudar", observa a membro da RENAMO que questiona: "Será que este problema só acontece aqui em Moçambique? Eu prometo, se o nosso partido vencer eleições, que vamos eliminar isso.''
    Abdul Remane, representante do MDM, a segunda maior força da oposção, afirmou que a sua formação vai dar o seu apoio ao manifesto apresentado pelas crianças.
    A Plataforma Crianças Jovens com Visão, uma organização que defende os direitos da criança em Moçambique, também condenou o uso de crianças em campanhas, por parte dos partidos políticos.
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  • Campanha eleitoral em Moçambique: Comício em Nampula termina em tragédia
    A campanha do candidato Filipe Nyusi, da FRELIMO, terminou na quarta-feira (11.09) à noite em tragédia na cidade de Nampula. Pelo menos dez pessoas morreram e mais de 80 foram feridas. A FRELIMO garante apoio às vitimas.A campanha da FRELIMO, o partido no poder, no estádio 25 de junho na cidade de Nampula, que foi bastante concorrida, começou num ambiente de festa, mas terminou em tragédia.
    Segundo Monteiro Luís, um dos guardas do recinto desportivo, tudo começou ‘‘dentro do comício quando o presidente e candidato presidencial discursava, enquanto os outros queriam sair e outros pretendiam entrar no interior [do estádio], e como era única porta e com aquela força outros começaram a cair.’’
    A tragédia causou pelo menos dez mortes de membros e simpatizantes do partido FRELIMO, segundo o primeiro secretário do Comite Provincial do partido dos camaradas em Nampula, Agostinho Trinta, em comunicação a imprensa: ‘‘Deste incidente, 95 membros e simpatizantes do partido FRELIMO foram afetados. Destes, 85 ficaram feridos, 74 tiveram alta, estando ainda em cuidados onze pacientes. Infelizmente, registou-se a perda de vida de dez militantes do partido, sendo seis mulheres e quatro homens’’, disse.
    O partido não avança efetivamente as reais causas, mas aguarda que as autoridades policiais investiguem e se pronunciem. Contudo, assegura que já foi criada uma comissão para prestar devido apoio às vítimas dos incidentes.
    FRELIMO apresenta condolências às famílias das vítimas
    ‘‘Neste momento de dor, o partido FRELIMO solidariza-se e lamenta a perda de vida e apresenta as sentidas condolências às famílias enlutadas dos seus membros e simpatizantes. Foi constituída uma comissão para o acompanhamento das família dos feridos e prestar todo a poio e solidariedade. A FRELIMO aguarda das autoridades policiais o esclarecimento real das causas deste incidente’’, disse Agostinho Trinta.
    Nem a polícia, nem a direção do Hospital Central de Nampula se pronunciaram a respeito da tragédia.
    Este é o maior incidente mortal desde que iniciou a campanha eleitoral em Moçambique a 31 de Agosto do ano em curso. De referir que antes do pronunciamento do partido, fazia-se sentir um ambiente bastante conturbado, no recinto do Hospital Central de Nampula, por parte dos membros e simpatizantes da FRELIMO.
    Estes não admitiam sequer que os jornalistas captassem imagens no recinto do hospital, onde estão internados muitos dos seus correligionários. Houve mesmo agressões contra jornalistas e foi mesmo destruido o material dum repórter da Televisão Sucesso.
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  • ​​​​​​Guerrilheiros da RENAMO em Inhambane recusam desmilitarização e questionam liderança de Momade
    Guerrilheiros alegam que o partido enfrenta sérios problemas sob comando de Ossufo Momade, como o desrespeito às cláusulas do dossier deixado por Afonso Dhakama. A direção da RENAMO recusou falar sobre o assunto.Os guerrilheiros da Resistência Nacional de Moçambique (RENAMO) na província de Inhambane, sul de Moçambique, estão acantonados na base de Matokose, na localidade de Tsenane, no distrito de Fulhaouro, e afirmam que estão na posse de muito armamento.
    O Coronel João Machava, que afirma estar a liderar um grupo de 300 homens armados, disse à imprensa que o atual presidente da RENAMO, Ossufo Momade, violou o dossier acordado pelo falecido líder do partido, Afonso Dhakama, com as autoridades moçambicanas. E, por isso, não vão entregar as armas ao Governo moçambicano.
    "Não estamos a gostar do trabalho desenvolvido pelo presidente Ossufo Momade. Queremos que ele se retire e demita-se da liderança do partido. Com a sua entrada na liderança, ele destruiu o partido e, pelo facto, exigimos um novo presidente que deve respeitar as clausulas do dossier que o presidente Dhakama deixou”.
    Os guerrilheiros afirmam que a luta que levam atualmente é justa e não tem nada a ver com o passado - quando Momade se encontrava em Maputo com a família, enquanto eles estavam a sofrer, lutando pela paz.
    Para o Coronel João Machava, Ossufo Momade quer levar a desgraça às pessoas que sofreram no mato com o presidente Dhakama. "É isso que não aceitamos. Se ele não se demitir da liderança do partido, ele deverá assumir as consequências”, concluiu.
    Prazo expiradoEntretanto, o prazo acordado entre o Governo moçambicano e a RENAMO para desmilitarizar os homens da guerrilhado maior partido da oposição no país expirou no passado, dia 21 de agosto. Até o momento, nada foi feito.
    Questionado se a autoproclamada "junta militar" da RENAMO irá criar uma força independente no seio da própria RENAMO, o coronel João Machava, refutou a ideia, embora tenha garantido que seus homens irão entregar as armas ao Governo moçambicano se Momade sair da presidência do partido.
    "Nós não vamos formar uma força independente, porque estamos comprometidos com a paz. Com homens armados no mato, este país ainda não tem a tão desejada paz. E os homens que estão no mato não querem Ossufo. Basta Ossufo sair da liderança [e] será eleito um novo presidente. Nesta altura, iremos entregar as armas ao Governo".
    Em contacto com a DW África, o porta-voz da RENAMO, José Manteigas, recusou falar sobre o assunto, alegando que só o próprio Governo pode comentar sobre os verdadeiros motivos do atraso na desmilitarização dos homens da RENAMO.
    4 min
  • CIP pede mais transparência nas parcerias público-privadas
    É um problema pouco falado, mas que está a prejudicar o povo moçambicano, segundo o CIP: a falta de transparência nas parcerias público-privadas que beneficia a elite do país. Pesquisador Borges Nhamire pede mudanças.O problema não é novo, mas continua a ser pouco falado, segundo Borges Nhamire, pesquisador do Centro de Integridade Pública (CIP) de Moçambique.
    No país, parece haver uma falta de transparência crónica relativamente a projetos de parcerias público-privadas (PPP). O problema também não passa despercebido ao Tribunal Administrativo moçambicano. No parecer sobre a Conta Geral do Estado de 2017, o tribunal refere que "no âmbito das parcerias público-privadas, foi constatado que não há evidência de os setores de tutela […] possuírem relatórios de desempenho dos empreendimentos realizados".
    Ainda assim, segundo Nhamire, nem a sociedade civil, nem os políticos do partido no poder ou sequer da oposição têm feito o suficiente para alumiar os negócios "ocultos" que estão a "prejudicar o Estado e o cidadão moçambicano".
    O pesquisador do CIP veio até Berlim para falar sobre os riscos das parcerias público-privadas, numa conferência que teve lugar esta terça-feira (10.09) na fundação Friedrich Ebert, na capital alemã. Em entrevista à DW, Borges Nhamire apela aos moçambicanos para pressionarem os dirigentes, exigindo "mais justiça e transparência" na concessão e gestão de projetos de PPP.
    DW África: Em Moçambique, tem havido sobretudo bons ou maus casamentos entre os Estado e os privados?
    Borges Nhamire (BN): Os casamentos são maus. Os projetos de parcerias público-privadas (PPP) representam grandes prejuízos para o Estado. Temos neste momento em Moçambique mais de uma dúzia de projetos, que são geralmente grandes projetos de gestão de infraestruturas públicas como portos, caminhos de ferro, estradas e pontes, com um problema comum de falta de transparência e integridade na forma como são concessionados. Podemos falar concretamente da gestão dos portos da Beira, de Maputo e de Nacala, ou de estradas como a N4, conhecida por Maputo-Witbank, e mais projetos, que em comum têm o facto de não prestarem contas. Neste momento, não se sabe quanto é que esses projetos têm de receitas e quanto pagam de impostos.
    DW África: O povo moçambicano está a ser prejudicado com estas PPP?
    BN: Certamente que está a ser prejudicado, porque, olhando para os poucos relatórios a que tivemos acesso, resultado do nosso trabalho de investigação, apurámos grandes prejuízos. Por exemplo, se olharmos para a gestão do porto de Nacala, que está concessionado à CDN (Corredor de Desenvolvimento do Norte), durante muito tempo, a gestão foi negativa, levando à degradação do porto. E o Estado teve de intervir recorrendo a um crédito externo de mais de 300 milhões de dólares, da JICA [Agência Japonesa de Cooperação Internacional], para poder reabilitar o porto. Ou seja, o Estado recorreu a dívida pública para financiar a reabilitação de um porto que está concessionado a uma entidade privada. Mas o cidadão também está a ser prejudicado. Podemos falar, por exemplo, das portagens instaladas na N4, em que se pratica preços muitos elevados, e não há uma prestação de contas de quanto é que a concessionária da estrada está a receber e quanto está a investir na manutenção da estrada. É um negócio oculto que está a prejudicar o Estado e o cidadão moçambicano.
    DW África: Este é um tema suficientemente abordado pelos políticos?
    BN: Não. É um tema que, infelizmente, é relegado para a margem da sociedade. Muitos moçambicanos não estão a debater isso. Os políticos não estão a debater isso, incluindo a oposição.
    DW África: Acho que o Estado moçambicano poderá aprender com os erros até aqui?
    BN: O Estado precisa que o povo moçambicano lute por isso. Não há conquistas que venham de bandeja. As elites políticas são beneficiárias das PPP. Se olharmos para os projetos de PPP há sempre a participação de pessoas ligadas ao poder, ligadas à direção. Para falar de um caso concreto, na gestão do porto de Maputo, há uma empresa que faz parte do projeto, a Mozambique Gestores, com acionistas que incluem antigos Presidentes, ministros, deputados. A mesma coisa na gestão do porto de Nacala e na gestão do porto da Beira. Então, se o povo não se levantar e exigir mais justiça e transparência na gestão dessas infraestruturas que são da Nação, destas e das futuras gerações, não será o Estado a aprender sem que seja por pressão pública.
    DW África: Que lições há a tirar em relação a esta questão?
    BN: Das reuniões que temos cá, na Alemanha, a grande lição que há é a da possibilidade de uma parceria para a criação de uma espécie de coligação internacional para defender a transparência das PPP, pressionar um pouco instituições como o Banco Mundial, que é um dos principais financiadores das PPP, e vermos que, afinal, este é um problema global.
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  • Burkina Faso pede respostas apropriadas para o jihadismo
    O Governo do Burkina Faso está preocupado com o aumento de ataques terroristas no país. Desde o domingo (08.09.), mais de 30 pessoas, civis e militares, morreram em consequência de ataques terroristas no norte.Desde 2015, a empobrecida região do Sahel, no norte do Burkina Faso -- que partilha fronteira com o Mali e o Níger -- luta contra uma onda crescente de ataques 'jihadistas' que, nos últimos tempos, se estendeu também ao leste, próximo da fronteira com Togo e Benim.
    A deterioração da segurança levou as autoridades de Ouagadougou a declarar o estado de emergência em dezembro de 2018 em várias províncias do norte limítrofes com o Mali.
    A maioria dos ataques são atribuídos ao grupo local Ansarul Islam, fundado em dezembro de 2016, e ao Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos, leal à Al-Qaida no Magrebe Islâmico.
    Proliferação de ataques djihadistas é preocupante
    Diante de novos ataques no Burkina Faso e noutros países do Sahel, uma cimeira extraordinária da CEDEAO, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, está marcada para o sábado (14.09.), em Ouagadougou.
    Antes desta reunião, o ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação do Burkina Faso - Alpha Barry - reconhece que a proliferação de ataques djihadistas é preocupante.
    "O risco existe de facto, também no nosso país, como acontece aliás nos outros países da região do Sahel. Trata-se de uma ameaça real, com o qual temos que conviver. Temos que fazer tudo para que o terrorismo não se espalhe dentro do nosso país, mas também para outras regiões do continente africano", afirmou Barry.
    O chefe da diplomacia também explica as respostas apropriadas que devem ser dadas pelos estados envolvidos pelo perigo jihadista.
    3 min
  • Reestruturação da dívida da EMATUM "adia ganhos do gás"
    Credores aprovaram a reestruturação da dívida da EMATUM. Mas investigadora do CIP diz que há outras prioridades: "proteger o povo moçambicano" e "recuperar os ativos desviados" no processo das dívidas ocultas.Os moçambicanos podem ter de pagar uma fatura pesada por causa da dívida da EMATUM. É a conclusão a que chegam os analistas ouvidos pela DW África, ao olhar para o plano de reestruturação da dívida da empresa.
    Para Inocência Mapisse, investigadora no Centro de Integridade Pública (CIP), o Governo "está a adiar os ganhos dos benefícios da exploração do gás para o povo moçambicano, para além de trazer um aperto para o orçamento do Estado."
    O plano de reestruturação foi aprovado na semana passada pelos detentores de 99,5% da dívida e foi divulgado esta semana pelo Executivo.
    Os credores dão a Moçambique mais oito anos para pagar a dívida da EMATUM, até 2031. Ao mesmo tempo, a dívida aumenta de 726 milhões para 900 milhões de dólares. Primeiro, a taxa de juro será de 5%, mas aumentará para 9% a partir de 2024 - uma altura em que se espera que Moçambique já esteja a produzir gás natural na costa norte.
    Segundo Inocência Mapisse, não há coincidências: "Vendeu-se uma ideia de que esta proposta de reestruturação das dívidas não envolve o instrumento de uso de receitas do gás para o pagamento das dívidas. Mas, numa análise profunda, vê-se claramente que existe uma forte relação entre essa proposta de reestruturação das dívidas e as receitas do gás", afirma a pesquisadora em entrevista à DW África.
    Uma questão de prioridades
    Contudo, o dinheiro destinado ao pagamento da dívida poderia ser investido noutras áreas, comenta o economista Elcidio Bachita - por exemplo, na construção de escolas, de hospitais ou na melhoria de infraestruturas.
    Além disso, poderia ser usado "para criar pequenos investimentos que poderiam garantir algumas oportunidades de emprego para a maior parte da população jovem moçambicana, que sai das instituições de ensino superior e técnico-profissional e não consegue ter espaço no mercado laboral", acrescenta Bachita.
    Por outro lado, o especialista deixa um alerta: o pagamento da dívida da EMATUM poderá prejudicar a economia e ter impacto direto no bolso dos moçambicanos, "porque vamos ter um grande 'outflow' de capital em moeda externa para o exterior, e essa situação vai desvalorizar a moeda".
    "A desvalorização da moeda nacional em relação ao dólar norte-americano, ao euro e ao rand sul-africano vai criar pressões inflacionárias dentro da economia", avisa Bachita.
    Credibilidade e recuperação dos ativos
    Para Maputo, a reestruturação da dívida da EMATUM é uma tentativa de recuperar a credibilidade de Moçambique junto dos credores.
    Mas, segundo Elcidio Bachita, isso só resultará com algumas instituições financeiras privadas. Para o economista, Moçambique ganharia mais credibilidade se o Governo se recusasse a fazer a reestruturação, até porque, em junho, o Conselho Constitucional anulou a dívida e as garantias do Estado emitidas em 2013 a favor da EMATUM.
    "Do lado do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, a credibilidade do nosso país continua beliscada. E a nível interno também, a FRELIMO [Frente de Libertação de Moçambique, no poder] pode ser crucificada por causa desta situação. Porque todos os moçambicanos já estão a par desta situação das dívidas ocultas", lembra o economista Elcidio Bachita.
    Para Inocência Mapisse, do CIP, a prioridade não deveria ser reestruturar as dívidas da EMATUM, mas recuperar o dinheiro perdido.
    "A reestruturação não pode ser um instrumento para tornar a dívida legal", salienta Mapisse. "Agora, tendo em conta os argumentos usados pelo Ministério da Economia e Finanças, esperava-se que, no mínimo houvesse ações paralelas que mostrem que, sim, o grande objetivo neste momento é recuperar a confiança do mercado financeiro internacional, e, por via disso, ter o mercado mais aberto para o país, mas que se vai seguir por outros caminhos, para conseguir proteger o povo moçambicano e recuperar os ativos que foram desviados neste processo."
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  • Angola: Quem é "Zé Maria"? De general intocável a general julgado no tribunal
    Antigo chefe dos Serviços de Segurança Militar de Angola vai a julgamento esta quarta-feira (11.09.) em Luanda. O General António José Maria é acusado de crime de extravio de documentos secretos.O General António José Maria, "Zé Maria" como é conhecido, é descrito como uma personalidade temida e que ostentava poderes na governação do ex-Presidente de Angola, José Eduardo os Santos. Ele é acusado de crime de extravio de documentos secretos.
    Enquanto jovem frequentou o seminário maior de Cristo Rei no Huambo afeto à igreja católica. Em 1991 "Zé Maria" ascende a categoria de general tendo sido nomeado Vice-Chefe do Estado Maior para a Doutrina e Ensino Militar.
    Ocupou o cargo de chefe dos Serviços de Segurança Militar de 2009 a 2017, altura em que foi exonerado pelo atual Presidente João Lourenço. Enquanto um dos homens mais influentes no círculo da anterior governação, os seus poderes não deixam dúvidas, explica o ativista angolano Nito Alves."Era um general que tinha bastante poder... um general que batia nos sargentos, humilhava os capitães. Era um general que nós consideramos general dos generais. Tinha muitos poderes no regime do ex-Presidente) Eduardo dos Santos".
    Personalidade com muito poder
    O analista e politólogo angolano Agostinho Sicatu, concorda:
    "Foi realmente uma personalidade com bastante poder. Foi um dos cidadãos angolanos mais temidos e em muitas circunstâncias até comandava o próprio Presidente da República. Na verdade, a dupla, Zé Maria e Kopelipa estremeceu as lides do poder na época de José Eduardo dos Santos. Ninguém mais, mas absolutamente ninguém poderia fazer nada", afirma Sicatu.
    Manuel Chivonda Nito Alves lembra o dia em que António José Maria lhes visitou na cadeia de Kalomboloca onde estavam encarcerados no caso dos 15+2.
    "Era uma pessoa calculista ao fazer a maldade sobre as pessoas. Digo isso porque ele visitou-nos na cadeia de Kalomboloca e com tanta frieza. E eu me perguntei: porque é que essa pessoa é tão rude, tão cruel?.
    Processo dos 15+2"Zé Maria" terá sido o "arquiteto” do processo dos 17 jovens acusados de tentativa de Golpe de Estado contra o ex-Presidente José Eduardo dos Santos e a sua família em 2015, explica Sicatu.
    "Zé Maria" esteve por detrás de quase tudo que se montou nesse país. Todas as estratégias montadas aqui que envolveram até raptos e assassinatos não tem como ele não estar por detrás. Estamos a falar de um homem que controlava a inteligência militar".
    Nito Alves também não tem dúvidas."No processo dos 15+2 e nos raptos de Alves Kamulingue e Isaías Kassule ele está envolvido. E há outros processos em que ele está envolvido em Angola".
    Petição das mães dos ativistas
    Em junho de 2016, as mães de alguns ativistas do Processo dos 15+2 tinham entregue uma petição ao chefe dos Serviços de Inteligência e Segurança e Militar (SISM), general António José Maria "Zé Maria”, a apelar à sua consciência moral no sentido de pôr termo a alegadas "invenções" de acusações contra os seus filhos, em particular contra o tenente Osvaldo Caholo, o único militar no processo segundo o site Maka Angola do jornalista Rafael Marques.
    No entanto, Nito Alves diz que o general, em muitas circunstâncias, cumpria apenas ordens superiores do seu antigo comandante em chefe José Eduardo dos Santos."O general Zé Maria cumpria ordens de José Eduardo dos Santos e tinham boa relação. Agora vai pagar sozinho enquanto Eduardo dos Santos está em Espanha", sublinha o ativista.
    Na posse de muitos segredos
    Durante o tempo em que esteve na secreta militar angolana, António José Maria acumulou muitos segredos sobre o país, conclui Nito Alves.
    "Tem muitos segredos sobre Angola, sobre o Presidente, sobre os generais, sobre os políticos, sobre os deputados, juízes e sobre procuradores".
    O Supremo Tribunal Militar aplicou ao general "Zé Maria", em junho, a medida de coação pessoal de prisão domiciliar por supostas complicações de saúde ao invés da prisão preventiva.
    Esta quarta-feira (11.09.), o antigo patrão da secreta militar angolana vai a julgamento acusado de cometer o crime de extravio de documentos, aparelhos ou objetos que contenham informações de caráter militar.
    Agostinho Sicatu comenta o julgamento de "Zé Maria".
    "Ele está numa idade que, quase não vai ver, ainda que seja condenado, não sentirá os tais efeitos e não se arrependerá por nada. Aliás, se tivermos que contar a lista de situações em que ele estará envolvido, esse julgamento não trará absolutamente nada de novo", concluiu o analista.
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