África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle

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África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle episodes

  • Guiné-Bissau: Organizações preocupadas com tráfico de droga
    Operação da PJ voltou a levantar questões sobre a situação de segurança na Guiné-Bissau. Oposição culpa Governo pela falta de controlo no combate às drogas. Mas Governo nega e entende acusação como oportunismo.Foi a maior apreensão de cocaína da história da Guiné-Bissau. No âmbito da operação "Navarra", a Polícia Judiciária (PJ) guineense apreendeu na segunda-feira (02.09), nos setores de Canchungo e Caió, no norte do país, quase duas toneladas de cocaína. Em março, a PJ já tinha apreendido 800 quilos de droga numa outra operação.
    A "nova onda” de tráfico de droga no país está a preocupar a sociedade civil. Abílio Aleluia Lopes, secretário-executivo do Observatório Guineense da Droga e Toxicodependência, alerta que, quanto mais aumenta o tráfico, mais aumenta o consumo, principalmente entre os jovens.
    "De 2016 a esta parte, na Guiné-Bissau, os jovens entraram na dinâmica de consumo de drogas injetáveis. Isso é uma preocupação, porque o sistema de saúde guineense carece de condições para responder a essa nova dinâmica e evolução de consumo de drogas”, explica.
    Oposição acusa Governo
    A oposição, por sua vez, aponta o dedo ao partido no poder. Djibril Baldé, porta-voz do Movimento para a Alternância Democrática (MADEM-G15), maior partido na oposição, responsabiliza o Governo do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) pela falta de controlo no combate às drogas.
    "Responsabilizamos o Governo pela deterioração das condições de controlo do território nacional e da ausência da vontade e determinação política em combater o tráfico de drogas e o crime organizado transnacional, que constitui uma ameaça à segurança nacional”.
    "Acusação infundada"
    Em comunicado, o PAIGC lamentou "profundamente a perigosa e infundada acusação, por um determinado partido, numa clara tentativa de aproveitamento político”.
    O partido no poder encoraja o Governo e a Polícia a continuarem com os esforços que vão de encontro aos apelos do Conselho de Segurança das Nações Unidas, preocupado com a questão do narcotráfico e do crime organizado, transnacional na Guiné-Bissau.
    O Partido de Renovação Social (PRS) acusou, entretanto, o primeiro-ministro, Aristides Gomes, de ser responsável pela introdução de cocaína no país e pediu às instâncias judiciais para lhe instaurarem um processo-crime.
    Em outubro de 2018, o Governo guineense deu posse a uma comissão técnica com a missão de elaborar um plano nacional de combate ao tráfico de drogas. Contudo, o fenómeno continua a ser uma ameaça à estabilidade do país, segundo Baite Badjana, secretário-executivo do Fórum Nacional da Juventude e População.
    Nas vésperas das eleições presidenciais, preocupado com a origem dos fundos das formações políticas, Badjana pede transparência aos partidos políticos e aos candidatos presidenciais guineenses: "Que não enveredem por financiamentos duvidosos, porque isso acarretará transtornos, do ponto de vista da estabilidade do país. O país, por si só, é débil e, quando abrimos brechas às situações que não ajudem o processo de estabilização, não é bom", advertiu.
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  • Violência na África do Sul reflete problemas sociais e económicos
    Pelo menos, dez pessoas morreram devido à violência xenófoba na África do Sul. A situação frágil da economia e os altos níveis de desemprego na população negra são apontados como as causas.Pelo menos dez pessoas morreram e 423 foram detidas devido à violência xenófoba que atinge a África do Sul desde domingo (01.09), principalmente as cidades de Joanesburgo e Pretória. Os ataques, que visam sobretudo cidadãos estrangeiros, estão a chocar o país e a comunidade internacional.
    Na quinta-feira, num discurso transmitido pela televisão, o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, considerou os ataques injustificáveis.
    "Nenhuma forma de raiva, frustração ou lamentação pode justificar estes atos de destruição e criminalidade arbitrária. Não pode haver desculpa para os ataques a residências e empresas de estrangeiros, assim como não pode haver desculpa para a xenofobia ou qualquer forma de intolerância”, afirmou o chefe de Estado sul-africano.
    A população mostra-se preocupada. Nokuthula Ndlovu, uma jovem empresária a residir em Joanesburgo, conseguiu ver a violência a partir da janela de casa: "É uma total tragédia, é muito triste, especialmente os saques, homicídios, este caos… Não é bom para nós e vai assustar os investidores", lamentou.
    Problemas económicos e diplomáticos
    A economia da África do Sul está estagnada. Grande parte da população vive em situação de pobreza e há poucas perspetivas, especialmente para os jovens.
    O desemprego no país está abaixo dos 30%, mas é muito maior entre os jovens negros sul-africanos - estima-se que a taxa de desemprego neste grupo esteja entre os 80 e 90%. Em 2018, o crescimento económico foi de apenas 0,5% e ficou assim bastante abaixo das expetativas, segundo Matthias Boddenberg, da Câmara de Comércio alemã.
    "Não só não se cumprem as expectativas, como se está aquém das necessidades. É inaceitável que cada terceira pessoa aqui não tenha emprego. Sem uma economia que funcione e que cresça, não se pode combater o desemprego", explica Matthias Boddenberg.
    Protestos e boicotes
    Os ataques desta semana provocaram a ira de vários países africanos. A violência levou mesmo o Governo sul-africano a "encerrar temporariamente" as missões diplomáticas na Nigéria, na sequência de ameaças.
    A segurança em torno das marcas sul-africanas naquele país foi também reforçada, depois de apelos ao boicote e à violência em resposta aos ataques na África do Sul. Na terça-feira (03.09), um grupo de pessoas tentou vandalizar dois supermercados da marca sul-africana Shoprite, em Lagos. A gigante de telecomunicações MTN encerrou temporariamente as suas agências na Nigéria. Também houve protestos contra a xenofobia sul-africana em países como a Zâmbia e República Democrática do Congo.
    Por outro lado, o Governo em Abuja também decidiu boicotar o Fórum Económico Mundial de África, que começou na quarta-feira na Cidade do Cabo. Apesar dos recentes confrontos não estarem na agenda do programa, os participantes do encontro não se inibem de comentar a situação no país, já que o próprio fórum foi palco de protestos contra a violência xenófoba e de género.
    "É a desigualdade. Eu acho que foi a desigualdade que, por sua vez, alimentou a raiva, o que levou a estes protestos. Mas a desigualdade também aumenta com o desemprego. Portanto, há um verdadeiro desafio no combate ao desemprego e desigualdade", afirmou Jackie Chimanzi, uma das participantes no Fórum Economico Mundial de África.
    Bright Simons também esteve presente no encontro e considera que há um sentimento de injustiça na sociedade sul-africana: "Muitas pessoas sentem que as suas vidas não estão a ser cuidadas. Sentem que é uma questão de justiça. É por isso que trazem este assunto até aqui", diz.
    "Pode ser que chegue o momento em que elas possam levar este assunto às estruturas da economia global. E as pessoas nesta sala, que são quem toma decisões, que estruturam o mundo, precisam de reconhecer isso", concluiu.
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  • Legislativas: Candidatos afrodescendentes lutam contra desigualdades em Portugal
    À DW, candidatos afrodescendentes pedem uma maior representatividade das minorias no Parlamento português. Combate ao racismo, à discriminação e às desigualdades sociais também estão nos programas dos partidos.As eleições legislativas em Portugal realizam-se a 6 de outubro. E, nas listas de algumas formações partidárias do país figuram representantes da comunidade afrodescendente, na sua maioria mulheres.
    Joacine Katar Moreira é uma delas e a sua candidatura é uma marco na história, pois trata-se da primeira mulher negra de origem africana a aparecer como cabeça de lista em eleições legislativas. Em entrevista à DW, a historiadora e ativista Joacine Katar confirma que "é algo inédito, contra a nossa invisibilidade", diz.
    Com 37 anos e nascida na Guiné-Bissau, Joacine Katar dá a cara pelo partido Livre, depois de ter concorrido às últimas eleições europeias ao lado do líder Rui Tavares. A candidata pelo círculo eleitoral de Lisboa aceitou o desafio e reconhece que esta é uma enorme responsabilidade, em defesa da igualdade e da justiça social. "Isto passa necessariamente por garantir o que nós consideramos que são os direitos básicos de cada cidadão: autonomia financeira, emprego, habitação...", explica.
    A guineense defende "nacionalidade automática" para os nascidos em Portugal e quer que seja reconhecido o direito de voto aos imigrantes com autorização de residência. Entre outras propostas, reafirma a necessidade de recolha dos dados étnico-raciais e sublinha que é hora de fazer história em Portugal, de "sermos mais exigentes politicamente", o que exige, acrescenta, "uma maior representatividade das minorias étnico-raciais na Assembleia [da República]".
    Fazem também parte da lista de preocupações do partido Livre o ambiente, as alterações climáticas e o desenvolvimento sustentável.
    Combater a discriminação
    Com 65 anos, a também guineense Romualda Fernandes integra uma lista elegível, na décima nona posição, encabeçada pelo secretário-geral do Partido Socialista (PS), que concorre pelo círculo de Lisboa.
    Militante há cerca de 20 anos no partido liderado por António Costa, Romualda Fernandes explica, em entrevista à DW, que é seu objetivo "combater de forma firme as discriminações, fazer com que as diferenças que compõem a sociedade portuguesa sejam refletidas nos eleitos. É uma das matrizes também do Partido Socialista a luta contra as desigualdades e é nesse domínio que também abraço com muito agrado, [no sentido de] levar para o centro do debate das políticas públicas áreas como estas", diz.
    Mais pessoas de origens diferentes
    Romualda Fernandes considera que este ganho resulta do trabalho que se tem vindo a desenvolver na sociedade portuguesa para o aperfeiçoamento da democracia.
    "A democracia requer, efetivamente, que estejamos todos representados e no caso dos afrodescendentes existia uma grande ausência, uma grande lacuna, nesta matéria. Porque se nós queremos trabalhar o sentimento de pertença, se nós queremos trabalhar a inclusão, temos que permitir que pessoas das diferentes origens possam estar exatamente no sítio onde se institucionaliza aquilo que é o normal", diz.
    Romualda lembra que "os afrodescendentes não vão [estar no Parlamento] para serem deputados apenas dos afrodescendentes": "vamos trabalhar todos em conjunto, para que Portugal seja efetivamente o país onde todos se revejam e onde nós também nos sentimos integralmente parte".
    Por sua vez, o jovem empresário Nuno Carvalho veste a camisola do Partido Social Democrata (PSD). É cabeça de lista pelo círculo de Setúbal, no âmbito da estratégia de renovação partidária, lançada pelo líder Rui Rio. À DW defende que "o trabalho de representatividade pode ser feito por afrodescendentes, mas não deve ser feito só por afrodescendentes".
    "Não se deve confundir uma ideia de que, só porque se tem um candidato afrodescendente, é que, de repente, está assegurada uma representatividade", nota.
    O luso-angolano de 37 anos considera também que a inclusão das pessoas, nomeadamente dos imigrantes, deve ocorrer de forma natural e entra nesta corrida eleitoral com propostas por um maior investimento económico, mas também no plano social.
    "Existe um conjunto de necessidades sociais aqui na península de Setúbal, onde é preciso haver investimento social [...] para corrigir os desiquilíbrios sociais que nós temos", afirma.
    Alterar a visão eurocêntrica
    Beatriz Gomes Dias é outra afrodescendente com entrada direta em lugar elegível pelo Bloco de Esquerda, liderado por Catarina Martins.
    De descendência guineense, esta natural do Senegal, de 48 anos, ocupa a terceira posição na lista pelo círculo de Lisboa e afirma que, caso seja eleita deputada, vai defender intransigentemente os direitos dos negros em Portugal. "[Será] uma agenda claramente anti-racista que promova a igualdade de direitos, que combata a discriminação racial e a desigualdade criada como consequência da discriminação racial", assevera.
    Este será o centro da sua intervenção durante a campanha eleitoral, "com a ambição de transformar a vida das pessoas".
    Questionada sobre medidas concretas que devem ser levadas a cabo no país, a também professora de Biologia fala, por exemplo, da alteração da lei da nacionalidade e da atribuição da nacionalidade originária aos jovens negros nascidos em Portugal. Outro aspeto é alterar a visão eurocêntrica que existe nos manuais escolares, contando a história de forma abrangente, sem ocultar a história dos negros e dos seus antepassados.
    Neste âmbito, Beatriz Dias ataca, em particular, a precariedade laboral que também afeta a comunidade negra: "Se nós pensarmos que os negros e as negras se encontram representados maioritariamente nas profissões menos valorizadas, nas quais os salários são mais baixos e são sujeitos a uma exploração muito mais intensa do que os outros trabalhadores, nós começamos a perceber que há aqui uma manifestação de racismo institucional", diz.
    Ao que a DW apurou, os demais partidos políticos portugueses com a ambição de conquistar lugar entre os 230 deputados à Assembleia da República não apresentam nas respetivas listas elegíveis nomes estreantes de cidadãos de origem africana.
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  • Robert Mugabe: De herói da libertação a ditador
    Morreu aos 95 anos Robert Mugabe, um dos chefes de Estado mais controversos de África. Ao tentar perpetuar-se no poder, Mugabe acabou por destruir o legado positivo de líder da luta pela libertação e fundador da nação.Por muito tempo e para muitos africanos, Robert Mugabe foi o líder radiante que conquistou a independência do Zimbabué da Grã-Bretanha em 1980. Mas ao longo da sua Presidência, que ameaçava eternizar-se, a imagem de Mugabe foi ficando cada vez mais sombria. Para o Ocidente, o mais tardar a partir do final da década de 1990, Mugabe passou a ser visto como um ditador brutal que levou o seu país à ruína.
    Robert Gabriel Mugabe nasceu em 1924 numa pequena aldeia a sul de Salisbury, a capital da então colónia britânica da Rodésia do Sul. Os seus pais eram simples agricultores e católicos praticantes. Mugabe frequentou várias escolas católicas jesuítas. Segundo os seus biógrafos, era uma criança tímida que guardava a distância em relação à maioria das pessoas. "Seus únicos amigos são os livros", afirmou o seu irmão Donallo na biografia "Jantar com Mugabe".
    Depois da formação como professor primário, Robert Mugabe estudou na Rodésia do Sul, Tanzânia e Gana. Ao longo da sua vida obteve sete títulos académicos, três deles na prisão. Foi no Gana que conheceu sua primeira mulher, Sally, durante muito tempo a sua melhor amiga e conselheira política. Quando regressou à Rodésia do Sul, em 1960, Mugabe juntou-se ao movimento de libertação. Primeiro, combateu o poder colonial britânico, mais lutou contra o governo minoritário branco de Ian Smith, proponente de um sistema rígido de segregação racial. Em 1964, Mugabe foi detido e encarcerado durante mais de dez anos.
    Guerra da independência e crescimento económico
    Mugabe não foi sequer autorizado a ir ao funeral do seu filho, em 1966. E depressa se tornou um herói popular para os zimbabuanos negros.
    Depois da sua libertação em 1975, Mugabe liderou, a partir de Moçambique, a luta pela independência da Rodésia do Sul. Nas primeiras eleições, em 1980, foi eleito primeiro-ministro. Em público, promovia a reconciliação: "Quero pedir-vos, quer sejam brancos ou negros, que esqueçamos juntos o nosso passado sombrio, nos perdoemos mutuamente e estendamos a mão da amizade", disse, depois de tomar posse.
    Nos anos que se seguiram, Mugabe introduziu a educação gratuita e cuidados básicos de saúde para as pessoas com baixos rendimentos. As suas reformas levaram a um apreciável crescimento económico. A esperança de vida aumentou. A rainha britânica nomeou-o cavaleiro e Mugabe passou a ser visita bem-vinda em muitas capitais ocidentais. O então Presidente federal alemão Richard von Weizsäcker descreveu-o como "um político inteligente e prudente, apostado no equilíbrio".
    Viragem política
    Mas foi nessa altura que o povo no Zimbabué começou a conhecer o outro lado do combatente pela liberdade. Em 1982, após um atrito com o seu antigo aliado, Joshua Nkomo, o exército de Mugabe matou milhares de apoiantes de Nkomo. Três anos depois, os dois adversários assinaram um cessar-fogo. Mugabe nomeou Nkomo vice-Presidente.
    Sally, a mulher de Mugabe, morreu em 1992. A partir desse momento, tanto a sua vida privada como o seu curso político sofreram grandes alterações. O Presidente passou a viver com a sua antiga secretária Grace, com quem mantinha um relacionamento extraconjugal há anos. Casaram-se em 1996. Ao contrário de Sally, Grace sempre foi uma primeira dama muito impopular. Tinha a alcunha "Gucci Grace", uma alusão às suas viagens de compras por todo o mundo, consideradas excessivas.
    Enquanto a população se via obrigada a lidar com surtos de cólera, escassez de alimentos e inflação galopante, o casal presidencial vivia no luxo. Só a celebração do 88º aniversário de Mugabe terá custado mais de um milhão de euros. Quando completou 91 anos, o velho governante mandou abater numerosos elefantes, e serviu 91 quilos de bolos na forma das cataratas de Vitória num hotel de luxo. A oposição criticou a celebração como "obscena".
    País à beira do abismo
    O Ocidente acabou com Mugabe em 2000, depois de o Presidente aprovar a ocupação de fazendasdos brancos zimbabuanos por veteranos da guerra civil. Embora os brancos representassem apenas um por cento da população, possuíam cerca de 70 por cento das terras agrícolas. Mugabe justificou esta política com a necessidade de restabelecer o equilíbrio económico entre agricultores brancos e negros. "O homem branco não está em casa em África. A África pertence aos africanos! E o Zimbabué pertence aos zimbabuanos", disse o governante. Mas a grande maioria das terras ocupadas foi distribuída entre políticos e amigos de Mugabe.
    Muitas fazendas foram abandonadas logo a seguir porque os novos proprietários não tinham conhecimentos de agricultura. O resultado foi uma crise económica sem precedentes. Em 2008, a taxa de inflação situou-se na faixa dos triliões - um triste recorde mundial. Mugabe culpou as sanções impostas pelo Ocidente.
    Dada a acumulação de violações dos direitos humanos, fraudes eleitorais e restrições à liberdade de imprensa, os EUA e a Europa acabaram por declarar Mugabe persona non grata. Foram-lhe negados vários prémios, incluindo dois doutoramentos honorários. E no Zimbabué, o governante de longo prazo tornou-se uma figura altamente impopular. Em 2008, o seu partido perdeu as eleições parlamentares.
    A África do Sul forçou Mugabe a formar uma coligação com o partido Movimento para a Mudança Democrática (MDC) do seu rival Morgan Tsvangirai. A coligação terminou com as eleições em 2013: Mugabe e o seu partido saíram vitoriosos. O veterano foi empossado pela sétima vez para um mandato de cinco anos.
    O fim
    Nos últimos anos do seu mandato cresceu a pressão para a sua demissão, mas Mugabe tentou agarrar-se ao poder. Colocou a mulher, Grace, em posição para lhe suceder na chefia do Estado, num esforço para criar uma dinastia. Os militares puseram fim às suas ambições em 14 de Novembro de 2017, colocando-o em prisão domiciliária a no que foi, de facto, um golpe militar.
    Uma semana depois, o Presidente de 93 anos foi oficialmente forçado a demitir-se. O seu amigo de longa data, Emmerson Mnangagwa, tornou-se o novo Presidente. Autorizou Mugabe a viajar, conferiu-lhe a imunidade judicial e deu-lhe uma indemnização milionária. Robert Mugabe, cujo estado de saúde era já nessa altura era muito frágil, acabou por morrer na noite de sexta-feira (06.09), aos 95 anos de idade, depois de ter passado vários meses num hospital em Singapura.
    O líder do partido da oposição MDC, Nelson Chamisa, resumiu o legado de Mugabe: "Mugabe foi um dos fundadores do nosso país. Mas o seu estilo de governação também levou a décadas de disputas e um preço elevado a pagar pelos zimbabuanos". Muitos recordarão para sempre Robert Mugabe como o antigo combatente pela liberdade que se tornou num ditador.
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  • Moçambique: Missa no Zimpeto marca fim da visita do Papa
    Estádio do Zimpeto lotado à espera do Papa Francisco. Líder da igreja católica celebra culto religioso aberto ao público que vai marcar o final da visita de três dias ao país.O Papa Francisco visitou esta manhã o Hospital de Zimpeto, antes de celebrar uma missa no Estádio de Zimpeto e a cerimónia de despedida no aeroporto de Maputo, de onde partirá o avião papal para Antananarivo, Madagáscar.
    "Eu penso que a missa será o ponto mais alto desta visita, porque, para além dos cristãos católicos que estarão lá, também muitas outras pessoas de outras congregações religiosas e até não crentes vão para lá porque todos acreditam que o Papa traz uma mensagem de paz e de união. E mais eu penso que será o momento em que ele vai deixar as suas últimas palavras", considera a jornalista Jacinta Nhamitambo.
    Encontros com a sociedade civil e com jovens foram dois dos momentos marcantes da visita que o Papa Francisco efetua a Moçambique desde quarta-feira.
    Jacinta Nhamitambo faz uma avaliação positiva desta visita que tem como lema Paz, Esperança e Reconciliação: "O Papa foi muito claro nas suas palavras ao afirmar que não basta termos a paz e a reconciliação, mas é preciso cada um de nós assumir esta reconciliação e isso ele disse que passa pela fé que cada um tem do compromisso de viver num país tranquilo".
    "Juntos, com opiniões diferentes"
    O Papa Francisco prometeu orar para que a paz e reconciliação prevaleça para sempre em Moçambique e convidou a Igreja Católica no país a ser uma "porta de solução", encorajando o diálogo.
    "Um dos desafios que ele lançou para os moçambicanos, por meio dos jovens, foi o de não resignar, significa que nós devemos acreditar em nós próprios", diz Jacina Nhamitambo.
    Durante um encontro do Chefe da Igreja Católica com a sociedade civil , o Presidente Filipe Nyusi apresentou os líderes dos partidos da oposição com assento no parlamento, nomeadamente Ossufo Momade, da Renamo, e Daviz Simango, do MDM, um gesto que "foi uma manifestação clara de que podemos caminhar juntos mesmo com opiniões diferentes", considera a jornalista.
    Milhares de pessoas têm saído à rua para saudar o Papa desde o início da sua visita na última quarta feira.
    Esta é a primeira visita de um Papa a Moçambique desde a deslocação de João Paulo II em 1988. A visita acontece numa altura em que os moçambicanos estão num processo de paz e reconciliação. E, para Jacinta Nhambitambo, o impacto será positivo: " Por um lado, será encarnar em todos, particularmente, os nossos governantes, para assumirem que apenas o diálogo será o caminho para resolver todas as diferenças que nós temos. Os moçambicanos devem viver juntos neste território, apesar das diferenças que têm e também a riqueza que nós temos deve ser distribuída por todos, devemos reduzir as assimetrias".
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  • Moçambique: Denúncias de uso de crianças na campanha eleitoral
    A Sala da Paz, uma plataforma de observação eleitoral, denuncia que há crianças que têm sido usadas pelos partidos com o intuito de fazer propaganda política. Mas os dois principais partidos negam.Os principais partidos moçambicanos têm usado crianças na campanha eleitoral, denuncia a Sala da Paz, uma coligação de organizações da sociedade civil. A situação viola a lei moçambicana e tem inquietado as autoridades policiais. Já os partidos reconhecem a presença de crianças nas suas caravanas, mas negam que as estejam a usar para fins propagandísticos.
    Dércio Alfazema, representante da Sala da Paz, conta que uma criança, que seguia uma campanha, morreu atropelada no distrito de Moma, província de Nampula.
    Outras crianças têm usado "vestimentas dos partidos políticos, ostentando panfletos, dísticos e outros materiais de campanha. É difícil controlar, uma vez que elas seguem as caravanas, mas também temos visto crianças nos carros, nas viaturas, fazendo parte das caravanas dos partidos", relata Alfazema.
    A Rede de Comunicadores Amigos da Criança (RECAC), citada pelo jornal moçambicano Txopela, refere que têm sido partilhadas nas redes sociais fotografias de crian­ças a desfilar com símbolos de partidos políticos. A organização alerta que o uso de crianças na campanha eleitoral coloca em causa a sua segurança e bem-estar.
    Polícia adverte partidos
    Zacarias Nacute, porta-voz da polícia em Nampula, garante que foi feito um trabalho de sensibilização junto dos partidos políticos: "Foram proibidos de fazer constar menores nas suas caravanas", diz.
    Ainda assim, as forças de segurança dizem ter encontrado "menores a fazerem parte das caravanas". Por isso, voltam a "insistir com os partidos políticos para serem bastantes rigorosos na observância dos parâmetros legais, para não obrigar a polícia a ter que tomar atitudes que depois possam criar alguma mancha neste processo", adverte Nacute.
    Partidos negam uso de crianças
    Os partidos reconhecem que tem havido menores nas suas caravanas, mas para participarem na festa eleitoral, não para serem usados na propaganda.
    Segundo Caifadine Manasse, porta-voz da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), "as crianças vão de livre vontade".
    "Não há nenhum partido político que precisa de ter crianças, pelo menos a FRELIMO, porque a campanha eleitoral é para pedir votos àqueles que votam e as crianças não votam", acrescenta. "Podem acompanhar [as caravanas] por ser um momento de festa e música. Nós não fazemos campanha com as crianças, elas aparecem no sítio onde nós estamos", esclarece.
    Maria Carlota, membro da maior força da oposição, a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), também assegura que o seu partido não usa crianças na campanha: "Nós não aceitamos crianças, sobretudo as menores de 18 anos que não tenham direito de voto, porque as crianças não sabem o que estão a fazer."
    "Nós temos pessoas que acolhem as crianças e mandam voltar, para evitar que elas se percam", garante.
    A polícia pede, entretanto, aos pais e encarregados de educação para impedirem as suas crianças de integrarem as caravanas dos partidos políticos.
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  • Papa apela à paz e reconciliacão em Moçambique
    No primeiro discurso em Moçambique, o Papa lembrou que não há paz duradoura sem "igualdade de oportunidades". Moçambique conheceu "luto e dor", mas não deixou "que a vingança e ódio vencessem", afirmou Francisco.O Papa Francisco frisou durante o seu primeiro discurso em Moçambique que "sem igualdade de oportunidades" não há paz duradoura.
    "Quando [uma sociedade] abandona na periferia uma parte de si mesma", não há políticas, nem "forças de autoridade ou serviços secretos que possam garantir indefinidamente a tranquilidade", referiu esta quinta-feira (05.09) o líder da Igreja católica, no palácio presidencial da Ponta Vermelha
    Francisco reuniu-se esta quinta-feira com o chefe de Estado Filipe Nyusi, com quem passou em revista vários assuntos de interesse nacional. Na reunião, participaram diferentes figuras da política moçambicana e membros de representações diplomáticas em Moçambique.
    No final, o Presidente da República disse que o país continuará a fazer esforços para a reconciliação nacional.
    "O primeiro a pedir desculpa é o mais valente e o primeiro a perdoar é o mais forte [...] O diálogo que fazemos com todas as forças vivas da sociedade moçambicana visa fazer da diversidade uma riqueza que nos carateriza como um povo", sublinhou Nyusi.
    Paz e reconciliacão nacional
    O Governo e a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO, o maior partido da oposição) assinaram a 6 de agosto um novo acordo de paz, o terceiro do país. Por isso, Filipe Nyusi não perdeu a oportunidade de mostrar ao Papa que o país está a trilhar os caminhos da paz e reconciliacão nacional.
    "Estamos aqui com o meu irmão Ossufo Momade [líder da RENAMO], que peço que se levante", assim como "com Daviz Simango", o presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), referiu o chefe de Estado. "Citei estes dois porque são os que representam o nosso Parlamento, mas temos muitas mais [figuras políticas] que estão aqui e no programa seguinte".
    Nyusi defendeu que "é na cultura de não violência" que a política "é feita, com a força dos argumentos e não pela força das armas".
    Na sua intervenção, o Papa Francisco recordou que todos os esforços de pacificação surgem na esteira do acordo geral de paz de 1992, o primeiro, assinado em Roma, sob mediação da comunidade de Santo Egídio.
    "As sementes" ficaram desde então, e agora surgem "rebentos" impedindo que uma "luta fratricida" faça a história. A coragem de construir a paz é "uma coragem de alta qualidade. Não a da força bruta e violência, mas aquela que se concretiza na busca incansável do bem comum", sublinhou o Papa.
    Moçambique conheceu "luto e dor", mas não deixou "que a vingança e ódio vencessem", disse. A cultura de paz, acrescentou, exige um "processo constante" de diálogo no qual cada nova geração está envolvida. Para Francisco, os jovens têm um papel fundamental: não são apenas a esperança, já são o presente.
    "Todos vós sois consultores da obra mais bela a ser realizada", disse o Papa para a plateia, no palácio presidencial, uma obra que consiste "num futuro de paz e reconciliação como garantias para a vida dos vossos filhos".
    Foi a deixa de Francisco para o momento que se seguiu no programa do segundo dia de visita a Moçambique: um encontro inter-religioso com jovens no pavilhão desportivo do Maxaquene, na baixa de Maputo.
    Solidariedade às vítimas do Idai e Kenneth
    Durante a sua primeira intervenção pública em Moçambique, o Papa Francisco manifestou também solidariedade para com as vítimas dos ciclones Idai e Kenneth, que abalaram o país em março e abril deste ano.
    "Quero que as minhas primeiras palavras de proximidade e solidariedade sejam dirigidas a todos aqueles sobre os quais se abateram os ciclones Idai e Kenneth", referiu o sumo pontífice, lamentando não poder "ir pessoalmente até vós, mas quero que saibam que partilho da vossa angústia e sofrimento".
    O líder da Igreja católica pediu especial atenção para as zonas onde "ainda não foi possível reconstruir" e faz votos para que "os atores civis e sociais", centrados no apoio à população, "sejam capazes de promover a necessária reconstrução".
    O Presidente moçambicano referiu que as palavras do Papa após a catástrofe são importantes para "a mobilização de apoio e conforto moral", expressando "os profundos agredecimentos" em nome do povo mocambicano a Francisco.
    O ciclone Idai, que atingiu o centro de Moçambique em março, provocou 604 mortos e afetou cerca de 1,5 milhões de pessoas. Mais de meio milhão de pessoas ainda vivem em locais destruídos ou danificados, enquanto outros 70 mil permanecem em centros de acomodação de emergência, segundo o mais recente relatório da Organização Internacional das Migrações (OIM), redigido em julho e que alerta para a falta de condições para enfrentar a nova época chuvosa, em novembro, dentro de três meses.
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  • Como evitar criar locais de romaria para fascistas?
    Portugal debate a criação de um museu sobre Salazar e o Estado Novo, na terra natal do ditador, Santa Comba Dão. Mas os críticos temem que o local se torne num "santuário" para fascistas. Como evitar que isso aconteça?Uma exposição sobre o ditador Adolf Hitler? Na Alemanha? Em 2010, o Museu Histórico Alemão, em Berlim, quebrou tabus com a exposição "Hitler e os Alemães".
    Foi a primeira vez que um museu alemão focou a relação do ditador nazi com a sociedade. Na exposição questionava-se como foi possível a Hitler chegar ao poder e por que motivo tantas pessoas o apoiaram.
    Colocar Adolf Hitler em grande plano numa exposição tem os seus riscos. Por isso é que, até 2010, poucas pessoas se atreveram a fazê-lo, segundo a historiadora Simone Erpel: "Havia o medo de se reativar uma espécie de culto ao líder. Estamos a falar de uma exposição com vários objetos: uniformes, suásticas, fotos, cartazes, ou seja, material de propaganda."
    Evitar um local de romaria
    Erpel foi uma das pessoas que ajudou a criar a exposição "Hitler e os Alemães". A curadora conta que, na altura, uma das grandes preocupações era que a exposição se tornasse num local de romaria para neonazis, interessados apenas em ver as relíquias do ditador.
    Foi por isso que vários objetos pessoais de Adolf Hitler ficaram de fora. Foram precisos dois anos para preparar a exposição, e foram ouvidos vários especialistas na matéria, diz Erpel em entrevista à DW África.
    "Não estávamos interessados em focar a biografia completa de Hitler, mas em mostrar como é que a sociedade o via e porque é que, nessa altura, ele teve essa oportunidade e conseguiu, do nada, derrubar o Governo alemão. Foi esse o foco", acrescenta.
    Contextualizar a história
    Na Alemanha, o antigo local de férias de Adolf Hitler em Obersalzberg, nos Alpes, é hoje um centro de documentação sobre o regime nazi e sobre a perseguição e assassinato de seis milhões de judeus.
    Em 2016, quando o livro "Mein Kampf" de Adolf Hitler voltou a ser publicado na Alemanha, veio numa edição em dois volumes, com 3.700 anotações e duas mil páginas. "É a tentativa de dar um enquadramento científico meticuloso, de contextualizar, de esclarecer as coisas de forma racional, onde é possível fazê-lo... Porque, no nacional-socialismo, há muitas áreas irracionais que vão além da compreensão humana", explica o historiador alemão Dominik Geppert.
    Em 2010, este enquadramento, com textos explicativos e fotos sobre o tempo antes, durante e depois do Terceiro Reich, terá contribuído para que a exposição "Hitler e os Alemães" não se tornasse um local de romaria: "Começa logo pelo título. Não se chamava 'exposição Hitler', mas 'Hitler e os Alemães'", afirma a historiadora Simone Erpel.
    O caso de Predappio
    Em Predappio, no centro-norte de Itália, aconteceu o contrário. O local de nascimento de Benito Mussolini, um aliado de Hitler, tornou-se local de peregrinação de fascistas. Quem já foi conta que na localidade até havia souvenirs do "Duce" à venda.
    Os críticos à abertura de um museu sobre António Salazar em Portugal lembram o exemplo de Predappio. Temem também que o museu, a ser criado em Santa Comba Dão, possa tornar-se um local de romaria.
    Salazar não foi um ditador como Mussolini. E o seu regime também não se pode equiparar ao de Adolf Hitler, lembra o historiador alemão Arnd Bauerkämper: "É preciso distinguir os casos de Salazar e de Hitler. Salazar foi um governante autoritário, que cometeu crimes, mas numa dimensão muitíssimo menor do que o nacional-socialismo". Mas "é claro que não se justifica perpetuar uma adoração a Salazar".
    "Não se deveria repetir o exemplo de Predappio", refere o historiador à DW África. "Deveria recorrer-se a especialistas e envolver organizações da sociedade civil. Penso que este processo de debate garante que se crie, de facto, um centro de documentação ou de memória e não um local de culto a um ditador. Porque Salazar foi um ditador autoritário."
    A Câmara Municipal de Santa Comba Dão, em Portugal, rejeita a criação de um "santuário" para fascistas e garante que o Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra fará a consultoria científica e tecnológica para o "Centro Interpretativo do Estado Novo".
    Em entrevista ao jornal português Público, o historiador João Paulo Avelãs Nunes, consultor do projeto, sublinhou que a ideia não é criar uma "casa-museu Salazar" para enaltecer o ditador, mas "um centro de interpretação, com grande grau" científico.
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  • Eleições em Moçambique: "Chega de promessas não cumpridas" no Niassa
    Melhoria das condições de vida da população, mais infraestruturas sociais, exploração racional de recursos naturais e igualdade das oportunidades: os candidatos a governador na província do Niassa não prometem pouco.Oficialmente, a campanha eleitoral arrancou no sábado, 31 de agosto. Mas a resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) só se lançou oficialmente na caça ao voto quarta-feira, dia 4, alegando questões estratégicas. Na sede do partido, em Lichinga, o seu cabeça de lista, Hilário Waite, prometeu salvar a população do Niassa do sofrimento, caso seja eleito: "O nosso povo não tem boa saúde, sofre de má governação, a educação é um dilema. A nossa província é potencialmente agrícola, tem recursos naturais de varias espécies, mas o nosso povo não usufrui dessas riquezas", disse Waite à DW África.
    Também o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), que iniciou a sua campanha eleitoral no distrito de Cuamba, quer melhorar as condições de vida da população da província em todas as esferas. O candidato do MDM para o cargo de governador do Niassa, Damião Saimone, queixa-se de negligência por parte do governo de Maputo: "A província do Niassa esta marginalizada", acrescentando que nem parece terem passado 44 anos sobre a independência. "Agora estou na zona de Chamba e Sale, no distrito onde eu nasci. Não há infraestruturas sociais, faltam estradas, pontes, escolas e as escolas existentes quem as faz é a própria comunidade", disse Saimone.
    Programas partidários sérios precisa-se
    Judite Massangele, que concorre pelo partido governamental Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), lançou a sua campanha no campo do Ferroviário, no bairro de Chuaula. Massangele quer dar continuidade ao trabalho do partido no poder: "Porque só com a FRELIMO vamos promover o desenvolvimento do Niassa e nós queremos o Niassa desenvolvido".
    Para o jornalista e analista politico Santos Felisberto, os candidatos dos três maiores partidos políticos devem apresentar programas convincentes e realistas, porque a província precisa de uma mudança séria."Há uma situação muito preocupante no meio desses partidos políticos. Alguns, quando namoram os seus eleitores e são conduzidos ao poder, especem o que andaram a prometer à população e não vão ao encontro da realidade".
    Também os cidadãos do Niassa ouvidos pela DW África esperam promessas justas e uma campanha ordeira: "Eu acredito que vai decorrer de melhor forma porque os partidos políticos estão a preparar a sua campanha e ate neste momento não existe nenhuma irregularidade”, diz um cidadão e outro acrescenta: "Espero seriedade dos cabeças de lista. E chega de promessas não cumpridas. Queremos ver o Niassa desenvolver".
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  • Papa em Moçambique: Oposição contra aproveitamento político da visita
    A RENAMO e o MDM e a sociedade civil moçambicana querem que o Papa Francisco discuta com Filipe Nyusi a violação dos direitos humanos no país e pedem que não se faça um aproveitamento político da visita.O Papa Francisco aterrou esta quarta-feira (04.09) na cidade de Maputo, one foi recebido com música e danças tradicionais no arranque de uma visita ao país onde vai manter um encontro de cortesia com o chefe do Estado, Filipe Nyusi, no Palácio da Ponta Vermelha, além de celebrar uma missa no Estádio Nacional do Zimpeto, esta sexta-feira (06.09), seu último dia de trabalho em Moçambique.
    Sob o lema Esperança, Paz e Reconciliação, Jorge Mário Bergoglio, de seu nome completo, Papa Francisco é o segundo Papa a escalar Moçambique depois de João Paulo II em 1988. Moçambique é o sétimo país que Francisco visita em 2018, e o 47° desde que chegou ao Vaticano em 2013.
    A igreja Católica moçambicana considera este momento histórico para o país, e quer aproveitar a visita do "Santo" padre para fortalecer a reconciliação nacional, segundo disse em entrevista à DW África, Dom António Juliasse, bispo auxiliar de Maputo e porta-voz do conselho Episcopal de Moçambique.
    "Este ato e reflexão é feito no âmbito da igreja, mas os nossos políticos participam nesta discussão e abrange toda a sociedade", afirma Juliasse, para quem "as palavras que o Papa Francisco vai pronunciar em Moçambique vão ter uma repercussão muito grande, para dar mais forças para que os moçambicanos continuem a buscar a reconciliação nacional".
    Os partidos políticos da oposição e a sociedade civil moçambicana deixam, no entanto, um alerta contra o aproveitamento político da visita pelo partido no poder, a FRELIMO.
    Na sua agenda, o Papa Francisco tem ainda encontro marcado com a juventude moçambicana - representada por diferentes congregações religiosas do país.
    Violação dos direitos humanos
    A Amnistia Internacional pediu ao Papa que nesta sua primeira deslocação a Moçambique aborde com Filipe Nyusi a situação da violação dos direitos humanos. E o mesmo pedem os partidos da oposição moçambicana com assento no Parlamento – a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) e o Movimento Democrático de Moçambique (MDM).
    José Manteigas é o porta-voz do principal partido da oposição moçambicana, a RENAMO: "Queremos que no nosso país vingue a democracia e o respeito pelos direitos fundamentais, por isso esse apelo da Amnistia Internacional é bem-vindo", disse Manteigas.
    Por seu turno, o porta-voz do Conselho Episcopal de Moçambique, Dom António Juliasse defende que "não pode haver verdadeira paz, sem liberdade e sem justiça", considerou Juliasse acrescentando que "tudo que o Santo padre irá dizer sobre o bem-estar dos moçambicanos, também estará a falar sobre os direitos humanos. Nós esperamos que ele focalize-se nestes assuntos".
    Aproveitamento político
    O MDM, na voz do seu porta-voz Sande Carmona, acusa o partido no poder, a FRELIMO, de transformar na visita de Papa num momento de auto-promoção e afirma mesmo que "há alguma tendência de tornar a visita do Papa uma oportunidade para a lavagem de dinheiro dos cofres do Estado, para financiar a campanha eleitoral da FRELIMO". Carmona considera que "existe uma roubalheira em nome da visita da Papa. A FRELIMO com certeza está a fazer desta visita um momento para a sua campanha eleitoral".
    A RENAMO, na voz de José Manteigas, apela à não partidarização da visita do Papa Francisco a Moçambique: "Os moçambicanos pela primeira vez vão receber o Santo padre como irmãos reconciliados e sem partidarizar a sua visita".
    Mas Caifadine Manasse, porta-voz da FRELIMO, diz não perceber como pode ser usada uma visita do Papa para se fazer propaganda política: "Não compreendo como pode se pensar isso, porque não se pode pensar que o fato de o Papa aceitar vir a Moçambique neste período seja por razões políticas e não sei como politicamente se aproveita um assunto destes", disse Manasse. "Estamos num momento de paz e temos que aproveitar este momento para a profundar a nossa reconciliação nacional", conclui.
    Entretanto, o MDM diz que o seu braço juvenil foi excluído do encontro que o Papa vai ter com a juventude moçambicana, agendado para o princípio da tarde desta quinta-feira, no pavilhão do Maxaquene, na cidade de Maputo.
    A igreja Católica responde às críticas, lembrando que a organização do encontro inter-religioso é da responsabilidade do Estado, através do Ministério da Justiça e Assuntos Constitucionais e Religiosos. E "se haverá alguma manobra política isto está fora daquilo que tem sido discutido", esclarece Dom Juliasse.
    Papa Francisco chegou ontem à Maputo, por volta das 18:30 minutos locais, acompanhado por uma delegação de 50 integrantes entre Bispos, Cardeais e a guarda suiça.
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