África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle

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África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle episodes

  • RENAMO: Nova presidente do INE "fez declaração de guerra"
    A nova presidente do Instituto Nacional de Estatística anunciou que os resultados da auditoria ao censo populacional na província de Gaza só serão conhecidos depois das eleições. RENAMO fala em "declaração de guerra".Será apenas em dezembro de 2019 que deverão ser desfeitas as dúvidas sobre a disparidade entre os resultados do recenseamento eleitoral na província de Gaza e os dados do Censo de 2017, de acordo com Eliza Magaua, a nova presidente do Instituto Nacional de Estatística (INE).
    "Estamos a trabalhar, a verificar cada uma das etapas. O término previsto é dezembro de 2019. Nessa altura esclarecemos tudo", assegurou Magaua na terça-feira (03.09), depois de tomar posse.
    Mas o maior partido da oposição, a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), rejeita a data. Segundo Venâncio Mondlane, porta-voz do partido, esta é uma questão que tem de ser resolvida antes das eleições gerais, marcadas para 15 de outubro.
    "Este pronunciamento da nova presidente do INE representa, para nós, uma declaração de guerra", afirmou Mondlane esta quarta-feira (04.09) numa conferência de imprensa.
    Esperar até dezembro "não faz sentido absolutamente nenhum. Não podemos ir a votação sem o esclarecimento prévio da situação. É este o posicionamento do presidente da RENAMO [Ossufo Momade] que queremos passar a toda nação", acrescentou.
    Disparidades
    A polémica remonta a julho, quando o INE confirmou que havia discrepâncias entre os dados do Censo e os resultados do recenseamento eleitoral, uma vez que foram recenseados 300 mil eleitores a mais do que o número total de pessoas em idade de votar.
    Um mês depois, o então presidente do INE, Rosário Fernandes, demitiu-se, por motivos de "coerência e princípios".
    "Quando há lugar à sufocação da ciência e técnica por qualquer pressão, põe-se em causa as políticas públicas", justificou Fernandes.
    CNE e PGR cúmplices?
    Além de criticar a nova presidente do INE, a RENAMO acusa a Comissão Nacional de Eleições (CNE) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) de Moçambique de serem cúmplices na polémica.
    "Sob o ponto de vista legal, os processos eleitorais têm prioridade em relação a todos os processos normais. A PGR recebeu uma queixa-crime há mais de um mês e, no mínimo, já devia ter notificado a RENAMO para dizer em que ponto se encontrava a queixa. A CNE recebeu um pedido da RENAMO para a realização de uma auditoria e, durante um mês, não disse absolutamente nada", lamenta Venâncio Mondlane.
    "Portanto, é a PGR e a CNE que estão a servir como agentes da obstrução da justiça eleitoral. Esta é uma situação muito grave que nós queremos denunciar", concluiu.
    Simango: "Uma lambe-botas"
    A província de Gaza é um reduto "natural" da FRELIMO, o partido no poder. Mas os dados do recenseamento eleitoral polémico deste ano apontam para um aumento assinalável do número de eleitores.
    Por isso, face às muitas vozes que pedem a realização de uma auditoria o mais cedo possível, Daviz Simango, o presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), também não poupa críticas às declarações da nova presidente do INE.
    "Não se pode ir a eleições com uma dúvida clara de que houve irregularidades e má-fé por parte dos agentes do STAE [Secretariado Técnico de Administração Eleitoral] em relação ao recenseamento em Gaza. Penso que esta nova diretora deve ser mais uma daquelas lambe-botas, simplesmente para poder viver a vida privada em detrimento dos interesses públicos", afirmou o líder do segundo maior partido da oposição.
    O analista político Ricardo Raboco admite que a morosidade no processo de auditoria pode ser motivada por interesses políticos. Contudo, também é preciso tempo para verificar todos os dados, sublinha Raboco.
    "O discurso da nova presidente do INE é o correto, porque, de facto, tem que averiguar. Estamos a falar de dados eleitorais. Auditar uma base de dados onde consta o registo de mais de um milhão de eleitores não é um trabalho que vou fazer em um dia, dois dias ou sequer em um mês. Tem que levar tempo", diz.
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  • Caso Rabelais: Vazamento de despacho da PGR tem fins políticos?
    Em Angola, circula um despacho da PGR que implica o ex-ministro Manuel Rabelais em crimes financeiros, alegadamente sob orientação do ex-Presidente José Eduardo dos Santos. Politólogo questiona motivos para o vazamento.O despacho de acusação da Procuradoria-Geral da República (PGR) circula nas redes sociais desde o fim de semana.
    No documento, citado também pela agência de notícias Lusa, o ex-ministro da Comunicação Social, Manuel Rabelais, é acusado de crimes de violação das normas orçamentais, recebimento indevido de vantagens, peculato e branqueamento de capitais. Rabelais terá admitido a realização de transferências para empresas e a aquisição de divisas, alegando que o fez no interesse do Estado angolano e sob orientação do antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos.
    Em declarações ao Jornal de Angola, o porta-voz da PGR, Álvaro João, confirmou a acusação contra Rabelais, embora o processo continue em segredo de justiça. Negou, no entanto, que a PGR tenha sido responsável pelo vazamento do documento.
    Para o politólogo angolano Olívio Kilumbu, o vazamento do despacho de acusação que envolve Rabelais, enquanto era ex-gestor do extinto Gabinete de Revitalização e Execução da Comunicação Institucional e Marketing da Administração (GRECIMA), pode ter sido feito de propósito para criar um "facto político".
    "O segredo de justiça tem dessas. Apela-se ao segredo de justiça, mas, ainda assim, tudo aparece na rua. Há aqueles casos em que se faz de propósito para criar facto político ou preparar as pessoas para uma ação muito forte que pode acontecer no futuro", afirma Kilumbu em entrevista à DW África.
    Oposição critica vazamento
    Nelito Ekuikui, deputado do grupo parlamentar da maior força da oposição, a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), considera que o processo devia estar ainda sob a alçada dos órgãos de justiça.
    "O nosso sistema de justiça peca pela fuga do processo", comenta Ekuikui.
    "Por outro lado, importa dizer que qualquer angolano que viveu o saque dos últimos dez anos consegue facilmente identificar os rostos que animaram a corrupção. Importa dizer que não existe imaculados dentro da estrutura que suporta o Governo", acrescenta o deputado.
    Ex-Presidente colaborará com a Justiça?
    Segundo a acusação da PGR, movimentos bancários feitos na conta do ex-diretor do GRECIMA, incluindo a compra e transferência de divisas, bem como levantamentos, terão rondado, ao todo, 19 mil milhões de kwanzas (mais de 47 milhões de euros).
    Na última página do despacho vazado, o Ministério Público pede a audição de José Eduardo dos Santos para averiguar "se terá autorizado o arguido Manuel Rabelais a realizar todas as operações bancárias a ele imputadas".
    Mas o ex-chefe de Estado está ausente do país há mais de três meses e não se sabe ainda se colaborará com a Justiça angolana.
    Nelito Ekuikui entende que "é preciso ver o que as normas dizem, e qual é o estatuto dele." Mas, para o deputado da UNITA, não há "nenhum problema" se José Eduardo dos Santos for chamado como declarante.
    O ativista angolano Benedito Jeremias refere a este propósito que o ex-Presidente não é "intocável".
    "Acredito na boa vontade e profissionalismo de alguns jovens que estão na PGR, e podem intimar José Eduardo dos Santos para ser ouvido porque ele não é um super-homem, não é um indivíduo intocável", diz Jeremias.
    O analista Olívio Kilumbu considera que o ex-Presidente angolano se deveria apresentar à Justiça para aclarar todas as especulações.
    "Em todos os processos que surgirem daqui para frente, o Presidente José Eduardo dos Santos estará sempre arrolado. Tenho a certeza que, no final das contas, o Presidente Eduardo dos Santos irá a tribunal. Por uma questão de honestidade, se ele quiser provar que é inocente, que peça à Assembleia Nacional para lhe retirar as imunidades e vá ao tribunal provar a sua inocência", desafia Kilumbu.
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  • Moçambique: Presidente da Comunidade Islâmica destaca mensagem de paz do Papa
    Abdul Rashid considera importante a visita do Papa Francisco nesta altura, porque se assinou um acordo de paz há pouco tempo e a mensagem de paz do Papa pode reforçar a estabilidade no país.A Comunidade Islâmica de Moçambique (CIMO) é uma associação religiosa que está presente em todo o território moçambicano. Promove um trabalho de apoio às comunidades locais, seja através da educação, do desporto ou da solidariedade. A DW África falou com o presidente da CIMO, Abdul Rashid, para perceber como é que os muçulmanos vêm a visita do Papa a Moçambique nos dias 4, 5 e 6 de setembro.
    DW África: Como é que a comunidade muçulmana vê a visita do Papa Francisco a Moçambique?
    Abdul Rashid (AR): A Comunidade Islâmica de Moçambique, CIMO, não responde a essa e as outras perguntas como representante dos muçulmanos em Moçambique, mas como uma instituição islâmica de Moçambique como tantas outras, a nossa opinião não é vinculativa. A CIMO vê a visita do Papa com normalidade, tendo em conta que o Papa é o chefe do Estado do Vaticano e é também nessa qualidade que efetua essa visita. O Papa é o exponente máximo da Igreja Católica e os fiéis cristãos sentem-se naturalmente lisonjeados porque ao fim de 30 anos um Papa volta a visitar o país e estará numa aproximação e convivência com os seus correligionários de Moçambique. Não posso falar em nome de todos os muçulmanos, falo em nome da nossa instituição, que representa uma vasta maioria dos muçulmanos.
    DW África: O que é que esta visita pode trazer para a comunidade?
    AR: Nós aqui em Moçambique não temos problemas inter-religiosos, temos uma aproximação muito boa, uma convivência, isso vem só fortificar a nossa relação com a Igreja Católica e por aí fora. É uma mais-valia para a nossa união e relação inter-religiosa. Moçambique tem muitas carências e não podemos privilegiar uns deixando os outros [de lado]. Certamente a visita do Papa não vai só, por si, transformar a forma de viver dos moçambicanos, lógico que vai ser muito difícil isso. Muito se falou sobre a paz e a reconciliação e finalmente a paz foi recentemente alcançada, em que o presidente da RENAMO e o Presidente de Moçambique assinaram um acordo, que vai garantir não só o estabelecimento da paz, mas também como os mecanismos para a sua manutenção. Agora nessa altura em que os acordos forma assinados e estamos na altura da paz. A visita do Papa é muita bem-vinda, é lógico e tenho a certeza que o Papa vai proferir alguma recomendação aos moçambicanos em geral, não só para os cristãos, mas para todos os moçambicanos, sobre a paz. Vai dar-nos o seu aval e o seu parecer para que essa paz seja solidificada, porque a Igreja Católica também esteve presente no primeiro acordo de paz em Roma. Espero que o Papa venha contribuir para isso.
    DW África: A mensagem e o discurso agradam aos muçulmanos moçambicanos?
    AR: Nós não temos nada contra a mensagem do Papa, agrada-nos plenamente. Como sabe o Islão é uma religião que não tem uma estrutura hierarquizada como a Igreja Católica tem. Os ensinamentos do Papa têm para os muçulmanos uma importância relativa, embora sejam apreciados os discursos sobre a paz no mundo, sobre solidariedade para com os refugiados, para com os povos subjugados. Mas essas mensagens, nós apreciamos profundamente quando se fala da paz, da reconciliação, da solidariedade, da fraternidade, acolher os refugiados. Isso, de facto, encoraja muito e gostamos de ouvi-lo e sempre são bem-vindas para nós, porque não temos nada em seu abono. O Papa é um líder de uma religião e como muçulmanos temos como obrigação respeitar os líderes e professantes de qualquer outra religião, seja qual for. São muito bem-vindos os conselhos do Papa porque leva-nos para o mesmo objetivo, que é a paz.
    Esta vai ser terceira visita do Papa ao continente africano. Em 2015 visitou o Quénia, o Uganda e Republica Centro-Africana. Em 2017 visitou o Egipto. Nesta sua terceira visita escala Moçambique, Madagáscar e Maurícias.
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  • Moçambique: Candidato do AMUSI denuncia ameaças de morte
    Mário Albino, candidato à Presidência de Moçambique do partido AMUSI, diz que tem sido ameaçado desde o início da campanha, alegadamente por pessoas ligadas à FRELIMO. Mas o partido nega e fala em "malabarismo" político.Em Moçambique, a campanha eleitoral rumo às eleições presidenciais de 15 de outubro iniciou de forma ordeira e pacífica. É como dizem as autoridades e observadores, mas o mesmo não pode dizer Mário Albino, candidato presidencial do partido extraparlamentar Ação do Movimento Unido para a Salvação Integral (AMUSI), que diz estar a ser vítima de ameaças de morte desde o início do processo, por parte de pessoas de supostamente ligada à Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO, no poder).
    Mário Albino diz que, primeiro, foi alertado por um dos militantes do seu partido de que "a FRELIMO estava a planificar assassinar o candidato a Presidente da República do AMUSI". O intuito seria evitar canalizar para o AMUSI as verbas do Estado destinadas ao financiamento dos partidos políticos concorrentes às eleições, para não "fazer crescer o partido no norte do país".
    A seguir, ainda segundo o candidato presidencial, foram vistas pessoas estranhas junto à sede do AMUSI em Nampula. Questionadas por membros do partido, os estranhos identificaram-se como sendo do Serviço de Informação e Segurança do Estado (SISE), embora não apresentassem qualquer credenciação, afirma Albino.
    "Como se não bastasse, constatámos aqui [na segunda-feira] uma viatura preta, por volta das 18 horas. Tentámos cercá-la, mas pôs-se em fuga", acrescenta. "E, mesmo na entrada da minha casa, encontrei uma viatura que bloqueava a minha entrada, mas os meus homens escorraçaram aquele homem", acrescenta o candidato presidencial.
    Manuel Silvestre, outro membro do AMUSI, diz à DW África que testemunhou parte das ameaças ao seu líder.
    "De facto, nós estamos a ver ameaças, porque é estranho o que aconteceu na semana corrente", afirma Silvestre. "Estão a aparecer pessoas estranhas com carros de vidros fumados, e constatamos que tudo isso é uma ameaça para o nosso líder. Eu vivi esta situação. Um carro preto bloqueou a viatura do nosso presidente, e foi sorte, porque senão teria sido fatal, uma vez que não tinha segurança naquela hora."
    Mário Albino garante que não se deixa intimidar
    Mário Albino, um dos quatro candidatos à Presidência da República de Moçambique, diz que já informou as autoridades policiais, mas sublinha que não se deixa intimidar.
    "Queremos apelar à FRELIMO para parar com essas provocações, e o mundo deve estar atento", afirma Mário Albino. "Nós estamos preocupados. Tem a comunidade internacional que faz doações a este país e devia inscrever-se como supervisora neste processo de campanha eleitoral. A chamada sociedade civil não está a aparecer. Estão onde? Aparecerão só depois de muito barrulho?"
    Entretanto, a FRELIMO afasta qualquer possibilidade de envolvimento dos seus membros nas alegadas ameaças. Ao mesmo tempo, acusa o AMUSI de falta de agenda e de manifesto político, pelo que optaria por fazer "malabarismo".
    "A FRELIMO é um partido de paz e tranquilidade. Temos um manifesto eleitoral e temos uma agenda para a campanha eleitoral e nós achamos que todos os partidos políticos têm de fazer a mesma coisa e não procurar malabarismo, para tentar confundir a opinião pública", afirma o porta-voz Caifadine Manasse.
    A DW África tentou obter uma reação da Polícia da República de Moçambique (PRM) sobre as denúncias do partido AMUSI, sem sucesso.
    Recorde-se que, desde que iniciou a campanha eleitoral, no sábado (31.08), o candidato presidencial do AMUSI trabalha apenas na província de Nampula e sem material de campanha, devido à falta de canalização de verbas por parte dos órgãos eleitorais.
    O porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE), Paulo Cuinica, afirmou, entretanto, que a sua instituição transferiu verbas para todos os partidos, exceto dois que ainda não tinham entregado os dados bancários, sem no entanto referir se um deles era o AMUSI.
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  • Autoridades condenam violência xenófoba na África do Sul
    Cinco mortos e quase 200 detidos é o último balanço da onda de ataques contra estrangeiros em Joanesburgo. Não há casos confirmados envolvendo moçambicanos e angolanos, mas representantes no país apelam à calma.David Makhura, governador da província de Gauteng, que engloba as cidades de Joanesburgo e de Pretória, garante que a recente onda de violência contra estrangeiros, que já fez cinco vítimas mortais desde domingo (01.09), é obra do "crime organizado". As autoridades nacionais e internacionais mostram-se preocupadas. O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, já condenou a violência dirigida essencialmente a imigrantes, sobretudo africanos, que resultou na detenção de pelo menos 189 pessoas.
    Também o presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki Mahamat, condenou estes ataques, pedindo proteção para potenciais vítimas e suas propriedades no país. Num comunicado divulgado na página da União Africana, o presidente "solicita novas medidas imediatas para proteger as vidas das pessoas e as suas propriedades, assegurar que todos os perpetradores são responsabilizados pelos seus atos e que a justiça seja feita para aqueles que sofreram perdas".
    No documento, Moussa Faki Mahamat declarou estar "incentivado pelas detenções" já realizadas pelas autoridades sul-africanas.
    De igual forma, a secretária-executiva da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), Stergomena Tax, afirma que a organização "condena com a maior veemência possível" a violência contra cidadãos estrangeiros: "A SADC condena com a maior veemência possível a desumanidade e a violência contra colegas africanos na África do Sul]e as pilhagens e destruição de propriedades", escreveu Stergomena Tax na plataforma social Twitter. Na mensagem, Tax apelou ainda para uma "solução duradoura".
    O chefe de Estado sul-africano adiantou que se irá reunir com ministros para "acompanhar o que está a acontecer" e para encontrar formas de acabar com a violência.
    Comerciantes na mira dos atacantes
    David Makhura, governador da Província de Gauteng, que visitou a região pobre de Alexandra, falou à imprensa de alguns "sindicatos criminosos bem organizados, porque se pode ver como invadem as lojas e o que procuram".
    Repudiando a recente onda de violência contra estrangeiros, Makhura defendeu que estes actos "não podem ser justificados pelo desemprego ou por pessoas insatisfeitas".
    As comunidades moçambicana e angolana no país observam os últimos desenvolvimentos com alguma apreensão, embora não haja casos confirmados de vítimas de Moçambique e de Angola.
    "Eu acredito que não haja problemas maiores com a comunidade angolana nesse sentido, porque a maior parte dos angolanos não vivem em zonas suburbanas, vivem nas zonas urbanas”, explica Nelo Panzo, Presidente dos Estudantes e da Comunidade Angolana na África do Sul. "Pelo que sei, muitos dos angolanos não são comerciantes, não tem grandes shops [lojas], então acredito que não afectou mesmo muito".
    Entretanto, há registo de alianças entre as diferentes nacionalidades de imigrantes como forma de se proteger da fúria dos sul-africanos.
    Valdo Machel, comerciante moçambicano em Joanesburgo, afirma que "no Grand Hotel, estão reunidos moçambicanos e nigerianos preparados para lutar com os sul-africanos para proteger o negócio que têm ali ao redor". "Dizem que ainda não sofreram moçambicanos, não sei fora da cidade", acrescenta.
    Apelo à calma
    Também Abel Nuno, adido de segurança junto do Alto Comissariado de Moçambique na África do Sul, diz que "não consta ter sido atingido algum moçambicano". O responsável garante que a situação está a ser monitorizada.
    A polícia escusou-se a revelar a nacionalidade dos detidos e o número de efetivos policiais destacados no combate à recente violência pública, pelo que Abel Nunu, responsável pela segurança junto do Alto Comissariado de Moçambique na África do Sul, deixa o apelo: "Acalmem-se e não se envolvam nessas pilhagens. Estejam apenas a observar nas suas residências. E a polícia sul-africana está garantindo a segurança a todos residentes na África do Sul".
    Os ataques na Província de Gauteng terão começado há cerca de duas semanas no bairro histórico do Soweto, alastrando-se na última semana às cidades de Pretória, a capital, e no último final de semana, para Joanesburgo.
    Não é a primeira vez este ano que focos de violência contra estrangeiros emergem na África do Sul. A última vez foi em abril, quando sul-africanos atacaram cidadãos do Malawi, em três bairros de Durban.
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  • Moçambique: Ossufo Momade pede que Mariano Nhongo "regresse à razão"
    O líder do maior partido da oposição está em campanha eleitoral na Zambézia, onde prometeu combater a corrupção caso fosse eleito e apelou à união na RENAMO.Em vésperas de eleições gerais em Moçambique, o líder da RENAMO, Ossufo Momade apela à união do partido chamando a Mariano Nhongo, líder da Junta Militar, para junto de si e tornar o partido mais unido. Na conferência de imprensa, na tarde desta terça-feira (03.09) na cidade de Quelimane, província central da Zambézia, Ossufo Momade, líder do maior partido da oposição em Moçambique, convidou Mariano Nhongo a juntar-se a ele e fintou as perguntas em relação às medidas que tem para unir o partido.
    "Meu irmão, essa sua pergunta eu não gostaria de comentar neste momento porque estamos na campanha, a campanha é uma festa, o Nhongo é um cidadão moçambicano, é da RENAMO. O que nós pedimos a Nhongo é que regresse à razão", disse Momade.
    Crise interna
    No entender de Lourindo Verde, analista político, Ossufo Momade deveria entrar em conversações com Mariano Nhongo, ao invés de se dedicar a campanha política quando há uma ameaça no seio da própria RENAMO.
    "Hoje é difícil saber de facto o que é que a tal Junta Militar esta a reivindicar, um líder é aquele que deve conversar. Tem que ouvir perceber o que é que está a acontecer e se for um assunto que tem uma solução, então, dar uma solução. Ele tem que se aproximar ao invés de estar a andar aí de um lado para o outro a saber que o nome dele não é bem vindo pela ala militar que até lhe suporta, ele tinha que antes de mais nada resolver primeiro o conflito que existe internamente para levar a RENAMO a ser de facto um partido da oposição pelo qual nós estamos habituado", explicou Lourindo Verde.
    Há possibilidades de a RENAMO entrar em crise política caso Ossufo não tome medidas cautelares, entende o analista.
    "Se não tomar essas providências é possível que se caia em tensão política, um problema que envolve ele pode se tornar num problema que envolve o partido", sublinhou Verde.
    Combate à corrupção, prioridade da RENAMO
    O líder da RENAMO diz que veio à província da Zambézia, no quadro da campanha eleitoral que se iniciou no sábado passado. No seu manifesto diz que acabar com a corrupção está no topo das suas prioridades, caso seja eleito para o cargo de Presidente da República.
    A campanha eleitoral com vista às eleições gerais de 15 outubro prossegue no seu quarto dia. Para além do candidato da RENAMO, Ossufo Momade, está também na Zambézia o candidato às presidenciais do MDM, segundo maior partido da oposição, Daviz Simango.
    A FRELIMO, partido no poder, dividiu-se, esta terça feira, em vários grupos nos bairros de Quelimane para a campanha porta a porta.
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  • Guiné-Bissau: Batalha renhida entre Jomav e Domingos Simões Pereira nas presidenciais?
    As eleições de 24 de novembro vão vincar ainda mais a oposição entre duas grandes figuras políticas: Domingos Simões Pereira, apoiado pelo PAIGC, e José Mário Vaz, presidente cessante, que se apresenta como independenteHá uma grande expetativa por um duelo entre grandes figuras políticas nas eleições presidenciais de 24 de novembro na Guiné-Bissau. Os dois homens que ambicionam a Presidência do país, José Mário Vaz, à procura da reeleição, e Domingos Simões Pereira, que tenta chegar pela primeira vez à mais alta magistratura do país, têm origem no Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).
    Previsões
    O analista político guineense, Augusto Nhaga, que considera José Mário Vaz e Domingos Simões favoritos, acredita que será uma disputa muito renhida. Mas destaca algumas diferenças entre as duas candidaturas: "Um tem o apoio da máquina do PAIGC, partido que suporta o Governo, partido da nova maioria parlamentar. O outro tem a imagem do Presidente da República e alguma franja da sociedade, que de uma forma voluntária ou não decidiu apoiar a sua candidatura”, diz.
    Nhaga acredita que quem sair derrotado no embate terá algumas complicações, que poderão, eventualmente, contribuir para agravar a sua progressão na política: "Porque se um destes candidatos ganhar, vai consolidar a sua posição política e tentar, no máximo, fragilizar a parte derrotada. Por isso, ninguém vai baixar braços e ninguém vai encarar o processo com ânimo leve”.
    Para Nhaga, Domingos Simões Pereira vai ter a máquina do PAIGC a acompanhar a sua candidatura, com o objetivo de tentar salvaguardar e consolidar a maioria governativa. "Porque com a sua vitória vai-se consolidar a maioria e projetar as próximas fases da luta. José Mário Vaz, por seu lado, vai tentar manter a sua linha de atuação, procurando novas alianças políticas.
    Na eventualidade da vitória de José Mário Vaz, o analista aposta até em uma possível descontinuidade com o Governo do PAIGC. "Isso será uma situação um pouco mais delicada a qualquer dirigente ou militante do PAIGC. Em caso da segunda volta, toda a oposição vai-se posicionar ao lado de Mário Vaz, para ver se consegue a alteração do atual quadro político”, explica.
    O analista afasta ainda qualquer cenário da violência física ou verbal, mas prevê muitas trocas de acusações entre os apoiantes, e também entre os candidatos.
    Voz das ruas
    Nas ruas de Bissau, os cidadãos desvalorizaram o duelo. A capacidade do futuro Presidente de unir o país foi considerado um critério mais relevante para os entrevistados, como disse Alice Moreira, cidadã: "Eu espero tudo. O importante é um deles ser dada a oportunidade para trabalhar e mostrar o que sabe fazer em prol da Guiné-Bissau”.
    Alfredo Gomes, estudante, também valoriza a união e a estabilidade do país: "Neste momento, precisamos de um candidato capaz de unir a família guineense e também a própria imagem da Guiné-Bissau precisa de ser resgatada, a nível internacional".
    Passado com divergências
    As divergências entre Jomav e Domingos Simões Pereira são antigas. Primeiro, José Mário Vaz, que foi apoiado pelo PAIGC para chegar à Presidência da República, demitiu o Governo de Domingos Simões Pereira, em agosto de 2015, alegando os sinais evidentes da corrupção, no executivo, e a falta de confiança mútua com o então chefe do Governo.
    Depois, seguiram-se várias trocas de acusações e de argumentos entre os dois, até que, o PAIGC voltou a ganhar as eleições legislativas em março de 2019. José Mário Vaz recusou a nomeação do seu oponente, Domingos Simões, argumentando que não havia condições para uma coabitação, mesmo estando a poucos dias do fim do seu mandato presidencial. Uma decisão que foi aplaudida, pelos apoiantes do Presidente cessante, e repudiada pelo PAIGC e os seus aliados políticos.
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  • Africanos em Portugal contra projeto de um "Museu Salazar"
    A ideia de criação de um "centro interpretativo" dedicado a Salazar não é bem acolhida por muitos portugueses anti-fascistas, mas também por muitos africanos, oriundos das antigas colónias residentes em Portugal.A contestação está expressa numa petição endereçada ao primeiro-ministro português, António Costa, por um grupo de cidadãos que diz “não” ao projeto lançado pelo presidente (socialista) da Câmara Municipal de Santa Comba Dão, município da região Centro de Portugal, onde nasceu António de Oliveira Salazar.
    Joaquim Carvalho, engenheiro químico angolano de 65 anos a residir em Portugal, não se esquece daquele período crítico da ditadura salazarista, marcado por perseguições, torturas e assassinatos de elementos ligados aos movimentos anti-colonialistas que se bateram pela independência dos países africanos de língua portuguesa.
    O empresário conta à DW que, durante o período colonial, quando ainda era estudante no Liceu Nacional Salvador Correia, em Angola, foi com 14 anos uma das vítimas do regime de Salazar: "Estive detido durante 24 horas até que fui entregue ao meu pai, porque não tinha ainda 16 anos. Isto, de facto, demonstra a crueldade do regime da época. Eu fui detido simplesmente por falar de história de Angola, não por falar em independência."
    "As pessoas não sabem quem foi Salazar"
    Por esta e muitas outras razões, Joaquim Carvalho é uma das vozes contra o Museu Salazar. Para ele, no tempo em que vivemos sem referências, constitui um perigo avançar-se com a ideia do referido museu concebido para uma figura que ele qualifica de "tenebrosa".
    "Uma coisa seria um museu da resistência, que falaria naturalmente da ditadura. Agora, estamos a falar de um museu de um personagem com objetivos turísticos, concerteza, mas vai ser vendida à população uma figura perigosa e que a maior parte da população deste país ignora, sobretudo das pessoas com menos de 40 anos ignoram. Maioritariamente, as pessoas não sabem quem foi Salazar", refere Joaquim Carvalho em entrevista à DW África.
    Lembra que os traumas do salazarismo ainda existem tanto em Portugal como nas ex-colónias em África. E, por isso, afirma ser "um perigo que as pessoas possam obter uma imagem romântica de um ditador que foi responsável pela prisão e morte de muitos cidadãos portugueses e africanos".
    "Recordar o passado, para que não se repita"
    Alice Goretti Pina nasceu depois das independências dos anos 70. Ela faz parte da jovem geração que não sofreu as amarras da ditadura militar de Salazar. A estilista e escritora são-tomense, formada em Direito e especializada em Criminologia, tem uma posição muito clara em relação a esta questão: "Podia dizer logo à partida que sou contra, porque um museu, de alguma maneira, seria uma homenagem a alguém que, por tudo aquilo que fez, não seria digno de uma homenagem. Por outro lado, dependendo da forma como o museu for organizado, do espólio que estiver ali representado, para que as pessoas possam consultar/visitar e terem – principalmente quem não viveu aquela época – uma ideia do que é que tudo aquilo significou do regime ditatorial, talvez seja positivo se as pessoas souberem interpretar o significado do museu na perspetiva de que é algo a recordar para que não se repita."
    "Foi Salazar o responsável pela guerra colonial"
    Enquanto historiadora, Joacine Katar Moreira acha que "não se pode omitir nem invisibilizar nenhuma das figuras" da História de Portugal e dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).
    "Mas isto é completamente diferente de homenagear ditadores que foram responsáveis por regimes políticos que causaram imenso sofrimento. E estas homenagens não são minimamente inocentes num ambiente igual a este em que há uma afirmação cada vez maior de ideologias ultra conservadoras, neo-fascistas", refere Joacine Moreira.
    A ativista anti-racista guineense lembra: "Foi Oliveira Salazar o responsável pela guerra colonial, foi o regime fascista que rejeitou todas as reivindicações insurrecionistas e independentistas dos angolanos, dos guineenses, dos moçambicanos, etc."
    Mas, numa altura em que os afrodescendentes e alguns setores da sociedade portuguesa exigem que se fale nas escolas e nos meios de comunicação social da violência colonial, Joacine Moreira contesta que se esteja simultaneamente com ideias de constituição de um museu que homenageia a história mais recente do colonialismo português e em relação à qual ainda há imensas feridas.
    Joacine Moreira, dirigente do Instituto da Mulher Negra em Portugal, considera que insistir em enaltecer figuras como Oliveira Salazar "é uma tentativa de naturalizar uma altura de perseguição violenta de inúmeras pessoas devido aos seus posicionamentos ideológicos".
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  • Nova onda de ataques xenófobos na África do Sul
    Distúrbios deixaram rasto de destruição nos arredores de Joanesburgo. Várias lojas foram saqueadas, montras partidas e carros queimados no bairro de Malvern, onde a maioria dos negócios está nas mãos de estrangeiros."Ligaram-me a dizer que havia pessoas a invadir a minha loja. Quando cheguei, todos os acessos estavam bloqueados e eles estavam aqui em grande número. Fiquei ali a assistir ao que estava a acontecer. Queimaram carros, saquearam lojas. Foi de facto um caos. Nunca vi nada assim desde que me lembro de ser pessoa". O relato é de um nigeriano que pede para não ser identificado. É uma das vítimas da mais recente onda de ataques xenófobos na África do Sul.
    A situação permanece tensa. No mês passado, várias mensagens circularam nas redes sociais alertando os estrangeiros para a eminência de ataques caso não abandonassem o país até 31 de agosto.
    Samantha Pillay é sul-africana, mas o cunhado é estrangeiro e tem uma loja no leste de Joanesburgo que também foi saqueada. A jovem pede ao Governo que coloque o exército a patrulhar a área. "Não há nada na loja. Não há absolutamente nada. Está tudo partido no chão, queimado... Ouviram-se tiros, carros incendiados. As lojas também foram queimadas. Essas pessoas chegam em batalhões e são mais do que os polícias. Já não já nada na rua Jules. É uma espécie de campo de retiro do Diabo, porque já lá não existe nada", afirma.
    Três mortos e cem detidos
    A polícia da África do Sul confirmou na segunda-feira (02.09) a detenção de 100 pessoas, após a pilhagem de estabelecimentos comerciais nos arredores de Joanesburgo. Em comunicado, as autoridades referem que "os incidentes eclodiram na semana passada em Pretória, na sequência do homicídio de um condutor de uma carrinha táxi por um traficante de droga".
    Segundo a polícia, os confrontos dos últimos dias provocaram a morte de pelo menos três pessoas. O porta-voz do comando de Joanesburgo Mavele Masondo não garante no entanto que as detenções sejam apenas por agressão a cidadãos estrangeiros: "Não podemos confirmar que as detenções estão relacionadas com os ataques a estrangeiros porque, se dermos como exemplo, uma das lojas que foi danificada ou incendiada é a Pep's Store. Temos uma Shoprite que também foi danificada".
    Ao que parece, estes estabelecimentos que pertencem a sul-africanos também não escaparam à fúria dos revoltosos.
    A polícia está ainda a investigar um caso de homicídio em Hillbrow, no centro de Joanesburgo, onde um homem foi alegadamente morto a tiro durante uma concentração de pessoas.
    Entretanto, os ataques a estrangeiros alastraram a outras localidades das províncias de Gauteng e de KwaZulu-Natal.
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  • Angola: O que se espera da partilha dos dados da "Lava Jato" com o Brasil?
    Justiça angolana pede ao Brasil partilha de informações do processo "Lava Jato", principalmente ligadas à empresa Odebrechet.A informação sobre o pedido de partilha de dados foi veiculada este fim-de-semana, por Adão Adriano António vice-procurador-geral da República de Angola e vice-presidente do Conselho Superior da Magistratura do Ministério Público.
    O escândalo de corrupção conhecido por "Lava Jato" já levou para cadeia dezenas de cidadãos brasileiros incluindo o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Em declarações a DW África, Osvaldo Mboco analista angolano e professor de relações internacionais, considera normal o pedido, mas espera que sejam respeitadas as leis internacionais.
    "É importante frisar também que essa solicitação deve obedecer alguns instrumentos legais internacionais. Se de facto existir um acordo ou um protocolo de troca e partilha de informações entre o Estado angolano e o Estado brasileiro, parece-me ser normal".
    Silêncio em Angola
    Se no Brasil a já levou cidadãos para a cadeia, em Angola reina um silêncio.
    Osvaldo Mboco vê como razão da partilha destas informações, o facto de aOdebrechet ter trabalhado por muito tempo em Angola e muitos cidadãos nacionais serem citados no escndalo da "Lava Jato", no Brasil.
    "Durante muito tempo na 'operação Lava Jato', vários nomes e várias figuras angolanas foram arroladas nos casos ligados à própria Odebrechet. Então, me parece que são essas as razões que motivaram que se fizesse uma solicitação deste género".Por seu turno, Nelson Euclides, ativista cívico angolano, mostra-se cético e diz que os implicados no caso Odebrechet em Angola já estariam a ser investigados mesmo sem esta partilha de informação com o Brasil.
    Falta de confiança na justiça
    Recentemente, a justiça portuguesa mandou para Angola, o processo de Manuel Vicente ex-vice-Presidente angolano na governação do antigo chefe de Estado José Eduardo dos Santos. Mas também reina um silêncio, lembra o ativista.
    "A justiça angolana não é para se confiar tanto. É uma justiça que só depende das pessoas que estão lá porque se fosse o que a lei manda, todos nós estaríamos convictos de que depois de recebermos essas informações que o Brasil vai prestar, teríamos uma novidade, mas não, na verdade não é isso que acontece no nosso país".
    Nelson Euclides vai mais longe e diz que alguns cidadãos que administram a justiça em Angola, também estão implicados em casos de corrupção.
    "Porque não sei se em Angola, há mesmo pessoas com vontade de trabalhar para a justiça porque os mesmos juízes, os mesmos procuradores, os mesmos que fazem a tal justiça, na sua maioria estão envolvidos nesses processos. E alí cresce as nossas dúvidas porque se um aperta o outro, o outro grita e cita o nome dele. Nesse caso é o medo que eles têm na sua maioria", concluiu o ativista cívico.
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