África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle

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África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle episodes

  • FACIM: Empresas alemãs de olho na indústria extrativa moçambicana
    Engenharia de topo, tecnologias de informação e comunicação, máquinas e equipamentos de ponta são as bandeiras da Alemanha nesta edição da Feira Internacional de Maputo. Brasil também marca forte presença.A maior feira comercial e industrial de Moçambique - a Feira Internacional de Maputo (FACIM) - está a movimentar empresários de vários setores na capital, Maputo.
    Onze empresas da maior economia europeia buscam parcerias com pequenas e médias empresas moçambicanas, mas também com as multinacionais que exploram os recursos naturais em Moçambique.
    As empresas alemãs expõem máquinas pesadas para atrair os investidores da indústria extrativa.
    Soluções para o setor mineiro
    A Hytec Services Mozambique, baseada no Parque Industrial de Beluluane, na Matola, traz para esta edição da FACIM uma máquina de alta tecnologia de acionamento hidráulico e pneumático.
    Amândio Cumbane, representante da empresa, não pára de receber visitas e está atarefado a dar explicações aos vários curiosos e interessados em ver a máquina a funcionar.
    "É um sistema que foi trabalhado para transporte de minerais, Puxa esteiras através de um sistema elétrico que é uma tecnologia nova, mais simples e mais eficaz," explica.
    A empresa responde aos desafios do setor mineiro, sobretudo em Moçambique. A Hytec existe há vinte anos e Amândio Cumbane não tem dúvidas sobre a sua importância na extração de carvão mineral.
    "São equipamentos que são usados na indústria pesada. Em minas, têm aplicações para fábricas, por exemplo. Podes usar uma unidades dessas para comprimir material como o carvão. Ela consegue granular o produto," acrescenta o responsável.
    A FACIM é a maior feira internacional de Moçambique e uma montra importante para as empresas alemãs. A German-African Business Association é uma entidade que faz a ponte comercial entre a Alemanha e o continente africano. Em Moçambique, já fez contatos com diversas empresas nacionais para parcerias, garante Lisa Steinbacher, da associação.
    "Já tivermos algumas conversas com algumas empresas moçambicanas e esperamos que, no fim dessas conversas, haja parcerias. Acreditamos que, pelo tempo que vai durar o evento, haverá certamente muitas parcerias," afirma otimista.
    Brasil presente com 10 empresas
    A Alemanha está longe de estar sozinha na feira. Por exemplo, o Brasil, a maior economia da América do Sul, trouxe dez empresas para estabelecer parcerias.
    Gustavo Buttes, chefe da missão empresarial brasileira nesta feira, diz que o foco está mesmo na indústria extrativa.
    "Claro que viemos na esteira destas recentes descobertas de petróleo e gás no norte de Moçambique. É, sem dúvida, um setor que desperta muito interesse. Mas acho que, no âmbito industrial e na oferta de produtos, o nosso stand está bastante bem representado," considera.
    O ambiente de negócios em Moçambique é favorável, diz Gustavo Buttes. Por isso é que o Brasil se quer manter firme no mercado nacional.
    A FACIM começou na passada segunda-feira (26.08), e termina no domingo (01.09).
    3 min
  • Angola: incêndios florestais deixam o país em alerta
    Angola também sofreu recentemente com os incêndios florestas, apesar destes terem uma origem diferente dos incêndios na Amazónia. A opinião pública angolana espera que haja medidas e soluções no futuro.Os incêndios na Amazónia trouxeram a debate sobre a questão da preservação do meio ambiente em todo mundo. Em Angola, os cidadãos ouvidos pela DW África pedem a adoção de políticas públicas de sensibilização.
    O Governo angolano promete apostar em espaços verdes, mas nega que Angola tenha um problema de incêndios semelhante ao da Amazónia. Imagens da NASA mostram uma mancha vermelha dos fogos maior em África do que na América do Sul. Enquanto a floresta da Amazónia está a arder no Brasil, há países africanos onde há muito mais fogos.
    No Brasil foram registados cerca de 2.000 fogos desde a semana passada, em Angola, por exemplo, houve registo de mais do triplo, quase 7.000 focos de incêndio, segundo os dados da NASA.
    África e América do Sul diferentes
    Mas, segundo o governo angolano, não faz sentido comparar os fogos na Amazónia com os de Angola. Em entrevista à DW África ministra angolana do Ambiente, Paula Francisco Coelho mostrou-se pragmática.
    "Não há necessidade de se levantar aqui parâmetros comparativos em relação aos incêndios a decorrer noutras partes do (mundo) com o nosso país, Angola. Neste momento, não temos nenhum incêndio em ocorrência. O que acontece são queimadas feitas por algumas das nossas comunidades para a preparação dos solos para a próxima campanha agrícola", afirmou Paula Francisco Coelho.
    Ainda assim, Bernardo Castro, responsável da ONG angolana Rede Terra, diz que é preciso debater estas questões.
    "África ocupa o primeiro lugar quanto aos fogos florestais, segundo dados da própria FAO. E, no ranking mundial em matéria de desflorestação, nós, a África, ocupamos o segundo lugar depois da Amazónia, e isso já é preocupante", sublinhou Bernardo Castro.
    Opinião Pública
    Vários cidadãos angolanos ouvidos pela DW África pedem ao Governo que tome medidas para proteger o meio ambiente. Guilherme Domingos, morador de Luanda, comentou o seguinte: "Sabemos que a camada de ozono está, até certo ponto, a deteriorar-se. Então, há toda uma necessidade de estarmos envolvidos para que protejamos o nosso meio ambiente."Benedito Gonçalves, também morador da capital angolana, sugere ações concretas como por exemplo, plantar árvores.
    Para Bernardo Castro, responsável da Rede Terra e mestre em adaptação às alterações climáticas, ainda é preciso trabalhar muito no capítulo da educação ambiental em Angola.
    "No nosso país, a educação ambiental, até a própria consciência ecológica, ainda é muito empobrecida. Nós estamos muito péssimos em matéria de educação ambiental, tanto ao nível das escolas como ao nível do discurso social público e ao nível da televisão e da rádio, não há esta educação ambiental"
    O Governo angolano promete combater a desflorestação e aumentar os espaços verdes em Angola. A ministra Paula Francisco Coelho lembra ainda que já foi implementada nova legislação sobre as florestas para preservar os ecossistemas e promete tomar mais medidas.
    "Nós vamos intensificar o programa de educação e consciencialização, de forma integrada com o Ministério da Agricultura sobretudo, para que estes programas possam também melhorar as práticas de subsistência da produção alimentar no nosso país", explicou a ministra.
    3 min
  • Oposição condena uso de meios do Estado para pré-campanha
    Na província de Inhambane, sul de Moçambique, a oposição acusa o governador Daniel Chapo de usar meios do Estado para fazer já campanha pela FRELIMO. É uma ação que, lembra o CIP, é punível com sanções.Joel Jeremias, porta-voz do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) em Inhambane, afirma que o governador Daniel Chapo tem andado de distrito em distrito a fazer propaganda à Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO, no poder).
    "Assistimos àquilo que faz ultimamente - circular em todos distritos [em missão do governo], dizendo que é a FRELIMO que faz isso e aquilo, e isso nós condenamos", diz Jeremias em entrevista à DW África.
    Chapo é o atual governador da província de Inhambane e foi eleito como candidato da FRELIMO ao cargo nas eleições de 15 de outubro.
    Recentemente, o político terá reunido com funcionários públicos e usado viaturas do Estado em atos de pré-campanha, em contravenção à lei, segundo várias denúncias. Nas redes sociais, circulam imagens em que Chapo aparece em cima de uma viatura tapada com um pano, alegadamente para não ser identificada.
    Uso de meios estatais é "comum"
    De acordo com Joel Jeremias, do MDM, este tipo de atuação não é novidade: "O uso de meios do Estado por parte do partido no poder é comum", afirma.
    Mamud Beny Agy, porta-voz da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), apela, no entanto, a todos os partidos que, durante a campanha eleitoral, usem unicamente os seus meios.
    "É preciso que os dirigentes, os candidatos dos partidos políticos e outras organizações, quando as atividades são de natureza política, usem os meios dos seus partidos, porque é esta falta de separação de poderes que nos traz conflitos", diz Agy.
    Na semana passada, num encontro com jornalistas, o governador Daniel Chapo recusou falar diretamente sobre o uso de meios do Estado em campanhas eleitorais. Apelou, no entanto, aos jornalistas para estarem atentos: "Há aspetos que são correntes, que fazem parte da campanha… Mas durante a campanha eleitoral também vão acontecendo alguns aspetos que não são correntes", disse apenas.
    A DW África tentou obter uma reação da FRELIMO sobre o tema, sem sucesso.
    Sheila Guimarães, pesquisadora do Centro de Integridade Pública (CIP) de Moçambique, adverte, porém, que "a lei prevê sanções para quem usar bens do Estado" para fins partidários.
    3 min
  • Relatório da "Mosaiko" afirma que cidadãos têm acesso dificultado à justiça em Angola
    Nas zonas de exploração de madeiras em Angola, controladas por estrangeiros e altas patentes do Estado, a população tem mais dificuldades de acesso à justiça.O relatório sobre "Acesso à Justiça” da "Mosaiko" – Instituto para Cidadania – foi apresentado esta quarta-feira (28.08.), em Luanda. O documento com mais de 150 páginas foi produzido nas províncias angolanas do Moxico, Uíge e Kitexi. O estudo conclui que não há acesso à justiça nas zonas de exploração de madeira feita por chineses e com ordens superiores de Luanda.
    Segundo Frei Júlio Candeeiro diretor-geral da "Mosaiko" o tema deste estudo participativo foi a extração de madeira nas duas regiões "onde há uma atividade intensa de exploração deste bem”.
    "O estudo procura saber até que ponto estas pessoas que vivem nestas localidades têm ou não acesso a justiça, não só em relação aos problemas mais comuns que a maioria dos cidadãos angolanos vive, mas no caso muito específico, na relação entre madeireiros e a comunidade, a relação entre o cuidado do meio ambiente e o acesso das pessoas para poderem acorrer a instituições de acesso a justiça e fazer valer os seus direitos em caso de terem sido lesadas”, afirmou Júlio Candeeiro.
    Acesso difícil
    Contudo a população em geral não sente que tem um acesso facilitado, como relata o Frei Júlio Candeeiro. "É, na verdade, muito do que nós vivemos a sensação de que as pessoas não podem contar com as instituições do Estado ao nível local”.
    Dom Tirso Blanco, bispo da Diocese do Luena, considera que a falta de acesso ao ensino dificulta a cultura de acesso à justiça por parte dos cidadãos locais.
    "Não existe sobretudo, no interior da província do Moxico, uma cultura de acesso à justiça. (Por exemplo), o município do Alto Zambeze tem 48 mil quilómetros quadrados e há um único sítio hoje onde é possível estudar até à sétima classe, que é na própria cidade de Cazombo que é a sua capital. A partir daí, nós podemos imaginar qual é a cultura de acesso à justiça de forma global”, explicou Dom Tirso.
    A exploração de madeira tem causado danos ao meio ambiente, principalmente nas estradas, diz o bispo do Luena. "Moxico só tem 5% da sua rede rodoviária asfaltada o resto são picadas e essas picadas foram seriamente danificadas pelos camiões que transportam as madeiras”.
    Segundo Frei Júlio Candeeiro as comunidades locais dizem que quem explora as madeiras nestas regiões são sobretudo asiáticos e pessoas com altas patentes do Estado.
    "Apontam o dedo aos chineses, as altas patentes das Forças Armadas no nosso país, mas também há um dedo bastante claro indicando pessoas com alguma autoridade... e para poder suplantar a voz local tem de ser alguém com algum poder cá em cima”, afirmou o Frei Júlio Candeeiro.
    O relatório "Avaliação Participativa Sobre Acesso à Justiça” apresentado, esta quarta-feira na capital angolana, no âmbito da exploração da madeira na província do Moxico e Uíge tem mais de 150 páginas. O próximo estudo vai cingir-se só nas zonas de exploração petrolífera.
    3 min
  • Incêndios na Amazónia: "Governo brasileiro cometeu um erro muito grave"
    No Brasil, Jair Bolsonaro impôs condições ao G7 para aceitar ajuda à Amazónia, alegando questões de soberania. Porém, trabalha com os Estados Unidos numa nova política ambiental. Analistas criticam o Governo brasileiro.O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, voltou a defender nesta quarta-feira (28.08) condições para aceitar a ajuda do G7 para combater os incêndios florestais que estão a assolar a Amazónia desde a semana passada. Os motivos, segundo o Presidente, estariam relacionados a questões de soberania.
    Bolsonaro afirma que o Brasil só vai aceitar a ajuda se o Governo puder gerenciar as verbas oferecidas pelo grupo dos sete países mais industrializados do mundo, incluindo a Alemanha e a França, num total de 20 milhões de dólares.
    Para o cientista político e professor do Departamento de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Maurício Santoro, "o Governo brasileiro cometeu um erro muito grave" ao impor condições à ajuda do G7.
    "A reunião do G7 abriu a possibilidade de uma saída diplomática para a crise, que seria o Brasil aceitar esse dinheiro da cooperação internacional e essa participação estrangeira maior na questão da Amazónia e desse modo mostrar para a opinião pública internacional que estava empenhado em combater os incêndios e o desmatamento na floresta", explica o especialista, acrescentando que "ao recusar essa ajuda, usando uma retórica nacionalista muito agressiva e muito xenófoba, o Governo brasileiro fechou as portas para esse diálogo".
    Jair Bolsonaro acusa o Presidente francês, Emmanuel Macron, de querer anular a soberania do Brasil sobre a Amazónia devido aos incêndios que atingem aquela região. Na proposta do G7, anunciada por Macron durante a cimeira no último fim de semana, os países poderiam acompanhar a aplicação dos recursos e as políticas brasileiras em prol da floresta.
    Já na terça-feira (27.08), referindo-se diretamente ao Presidente francês, Emmanuel Macron, o Presidente brasileiro alegou que "segundo as informações" as quais teve acesso, "a soberania [do Brasil] está em aberto na Amazónia".
    "Então, para conversar ou aceitar qualquer coisa da França, que seja das melhores intenções possíveis, [Emmanuel Macron] vai ter que retirar essas palavras e daí a gente pode conversar", declarou à imprensa Jair Bolsonaro, referindo-se às últimas declarações de Macron sobre a política ambiental brasileira e às condições do G7 para ajudar a maior floresta tropical do mundo.
    Isolamento internacional do Brasil
    As trocas de farpas entre Bolsonaro e Macron, no entanto, começaram há uma semana, quando o chefe de Estado francês acusou o seu homólogo brasileiro de mentir sobre suas políticas de proteção ambiental e climática. Tais políticas foram preponderantes para que fosse aprovado anteriormente um acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Por causa das queimadas, Emmanuel Macron já ameaçou se opor ao acordo. Entretanto, a Alemanha voltou a defender esta quarta-feira (28.08) o acordo, mas disse que iria observar se o Brasil vai respeitar as regras ambientais presentes no documento.
    Mas o cientista político Maurício Santoro aponta exemplos concretos dos impactos económicos desencadeados pela crise em torno da Amazónia. Em primeiro lugar, Santoro cita a suspensão de dinheiro do Fundo Amazónia, por parte da Alemanha e da Noruega.
    "Agora a recusa do Brasil de aceitar o dinheiro do G7”, lembra o cientista político, que ressalta: "temos agora também o anúncio recente de 18 marcas internacionais que estão se recusando a comprar couro brasileiro pela preocupação com a questão da Amazónia".
    Devido a estes impactos, o professor de Relações Internacionais considera que "essa já é a principal crise diplomática do Brasil desde a redemocratização [no final da década de 80]". E reforça: "para encontrar um nível de rejeição estrangeira semelhante ao país a gente teria de recuar para a década de 70, ao período da Ditadura".
    Contradições
    Após a pressão internacional sobre o caso, e dias de incêndio, o Governo brasileiro iniciou desde o último domingo uma operação que inclui a ação das Forças Armadas na selva. E depois de impor condições para aceitar a ajuda do G7, por questões de soberania, Brasília divulgou que entre as suas frentes de trabalho para salvar a Amazónia está a construção de uma nova política ambiental em parceria com os Estados Unidos.
    O especialista em Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro não vê contradição na parceria com os norte-americanos, pois "há uma afinidade ideológica entre os Presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro nas posições sobre o meio ambiente".
    Porém, Maurício Santoro vê contradição nas posições do Governo na medida em que o Governo que o acordo de comércio com a União Europeia e que ingressar na Organização para Cooperação de Desenvolvimento Económico.
    "Esses dois gestos significam aceitar uma série de normas internacionais e uma fiscalização estrangeira mais intensa sobre as políticas públicas brasileiras. Esses gestos são incompatíveis com as posições que o Governo brasileiro vem adotando na questão ambiental", explica.
    Soberania na Amazónia
    Entretanto, em entrevista à DW Brasil, o porta-voz do Partido Verde, na Alemanha, rejeita a posição do Governo brasileiro sobre os alegados interesses do G7 ao oferecer ajuda à Amazónia e diz que os países não são "colonizadores" por quererem salvar a floresta. Omid Nouripour critica também o que chama de "falta de interesse do Brasil em proteger a Amazónia".
    "O que está a acontecer na Amazónia é uma catástrofe não somente para o Brasil, mas para a humanidade (...) A questão é como podemos enfatizar e deixar claro para um Governo que já mostrou não ter muito interesse em proteger a Amazónia que não somos colonizadores e que, sim, o Brasil é um país soberano, mas salvar a Amazónia diz respeito a todos nós".
    O número de incêndios florestais no Brasil aumentou 83% este ano, em comparação com o mesmo período de 2018, com quase 73 mil focos registados até 19 de agosto. A Amazónia é a região mais afetada. Os incêndios que atingem a Amazónia também afetam os países vizinhos, como a Bolívia.
    No Brasil, um grupo de juristas prepara desde o dia 23 de agosto uma denúncia contra o Presidente Jair Bolsonaro por crime ambiental contra a humanidade. O grupo pretende apresentar a proposta ao Tribunal Penal Internacional em Haia, na Holanda.
    5 min
  • Dívidas ocultas: Governo quer reestruturar dívidas ilegais
    Fórum de Monitoria da Sociedade Civil considera decisão do Governo moçambicano de arriscada, por se tratar de uma posição política e uma violação da lei. O Fórum volta a defender o não pagamento da dívida por ser ilegal.Em Moçambique, o Fórum de Monitoria da Sociedade Civil considera arriscada a decisão do Governo de optar por uma posição política para resolver o diferendo em torno da dívida contraída pela empresa EMATUM com garantias do Estado, por violação da lei.
    O Governo convidou esta terça-feira(27.08), mais detentores da dívida da EMATUM a aceitarem a proposta de reestruturação do empréstimo que foi acordada em maio com 60% dos credores.
    O Governo quer chegar a acordo com 75% dos detentores da dívida da EMATUM até setembro. Num comunicado divulgado na página eletrónica do Ministério da Economia e Finanças estabelece a data de seis de setembro para os obrigacionistas manifestarem o seu consentimento.
    Nulidade declarada pelo CC
    A negociação com os credores acontece mesmo depois do Conselho Constitucional (CC) moçambicano ter declarado nula a garantia concedida pelo Estado ao empréstimo da EMATUM, por ter violado a Constituição da República, e outra legislação nacional.
    Para o Coordenador do Fórum de Monitoria do Orçamento, Jorge Matine, em entrevista a DW África, era de esperar que após a decisão daquele órgão, o Governo viesse invocar novas circunstâncias, para fazer passar a sua intenção.
    "Temos que cumprir a lei, fazer cumprir o acórdão do Conselho Constitucional, garantir que a decisão do CC seja implementada de forma vigorosa”, entende Matine para quem "este era o posicionamento que nós esperávamos como sociedade civil, não esta nova posição do governo continuar com as negociações”.
    Matine observa que o Governo ao tomar uma decisão de reestruturar a dívida demonstra que "não tem nenhum interesse em respeitar a decisão dos outros órgãos de soberania”.
    Em Moçambique, as deliberações do Conselho Constitucional são de cumprimento obrigatório por todas as instituições e não são passíveis de recurso.
    Busca pela confiança externaO Governo argumenta que a renegociação em curso visa resgatar a confiança dos credores e e assumir as suas responsabilidades segundo o direito internacional de um negócio com partes externas.
    Este é um argumento que não convence o Fórum de Monitoria da Sociedade Civil, porque parte do princípio de que é necessário descredibilizar as instituições nacionais para poder tornar a posição do executivo forte, segundo Jorge Matine.
    "Penso que é arriscada esta posição do Governo de torná-la política”, analisa Matine alertando que "enfraquece as instituições internas e fortalece a posição política que eles têm, mas a longo prazo não penso que seja uma posição que poderá manter-se por muito mais tempo”.
    Jorge Matine disse que o Fórum de Monitoria do Orçamento (FMO) mantém a posição de que a dívida da EMATUM, não deve ser renegociada pelo Governo nem paga pelos moçambicanos por ser ilegal e inconstitucional.Até hoje os tais credores de boa fé nunca foram apresentados e não há uma clareza com que critérios se fizeram as opções das empresas de consultoria que estão a apoiar o Governo nesta negociação e quem está a pagar isso, afirmou Jorge Matine. E acrescentou "já há desde o principio uma questão de transparência”.
    Discutir soluções ...
    "É preciso que o Governo encontre mecanismos de unir a sociedade, trazer gente que pense diferente sobre este assunto e podermos discutir quais são as soluções e qual seria o impacto dessas soluções quer no erário publico quer também na forma como Moçambique deve posicionar-se no mundo”, indicou.
    O Fórum de Monitoria do Orçamento está a realizar contactos com movimentos da sociedade civil que monitoram a questão das dívidas dos países em vias de desenvolvimento para colher informações que possam apoiar nas suas posições nos vários processos em curso em tribunais na África do Sul, Suíça e em Londres.
    Por outro lado, aguarda resposta do Conselho Constitucional a uma petição sobre os empréstimos contraídos, com garantias do Estado, mas sem o conhecimento do Parlamento, pelas empresas Proindicus e Mozambique Asset Manangement.
    3 min
  • Aniversário de José Eduardo dos Santos marcado pelo silêncio
    O ex-Presidente angolano completa 77 anos de idade, esta quarta-feira (28.08). Durante a sua governação, o aniversário era comemorado efusivamente. Mas este ano, a data passou em brancas nuvens em Angola.O ex-Presidente angolano, José Eduardo dos Santos (JES), nasceu a 28 de agosto de 1942, em Luanda. O seu local de nascimento, o Sambizanga, continua envolto em polémicas e segredos.
    A DW África saiu às ruas de Luanda para conversar com alguns cidadãos angolanos sobre o ex-chefe de Estado.
    Na capital angolana, quase ninguém aceita dar entrevista sobre o homem que governou o país por quase 40 anos. Dos 16 pedidos feitos, apenas duas pessoas mostraram-se disponíveis para falar a respeito do ex-líder. O primeiro, sob uma condição: o anonimato.
    A imagem de Dos Santos
    Porque os cidadãos recusam-se a falar sobre JES?
    "Pelas coisas que ele fez no nosso país, repressão acima de tudo. E não dava a liberdade às pessoas de se expressarem e de se oporem a ele. José Eduardo não será esquecido facilmente pelas coisas que ele fez," afirma o entrevistado.
    Por esta razão, este cidadão diz que não terá saudades do seu ex-Presidente.
    "Não sinto saudades, porque dele absolutamente não ganhei nada. Agora é que vejo um país um pouco mais aberto, onde a pessoa consegue exprimir-se, consegue circular mais livremente e opor-se às más coisas do nosso país," acrescenta.
    Mas há quem sinta saudades do ex-Presidente por não se registarem melhorias na atual governação. É o caso de Gildo Major, outro residente de Luanda que aceitou dizer o seu nome, mas negou ser fotografado. No entanto, admite que o antigo chefe de Estado Eduardo dos Santos está a cair no esquecimento.
    "Acho que está a ser esquecido, mas, por outro lado, as pessoas querem que ele volte. Não me parece que [o atual Presidente] João Lourenço está a fazer as coisas direito, porque não estamos a ver melhorias até aqui," opina Gildo.
    Silêncio e esquecimento
    Há quase quatro meses em Espanha, o ex-Presidente José Eduardo dos Santos deixou como um dos seus maiores registos históricos o alcance da paz em 2002, na sequência da morte em combate do líder fundador da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Jonas Savimbi.
    Durante a sua governação, os seus aniversários eram comemorados efusivamente: maratonas de comidas e bebidas, campeonato de futebol denominado a "Taça do Presidente" e acompanhamento maciço da imprensa, lembra o jornalista e analista angolano Ilídio Manuel.
    "Ao longo deste período de tempo, a própria data de aniversário do Presidente da República chegou a ser, em determinadas ocasiões, muito mais importante que a data da independência nacional," avalia.
    "Por todos os lados, havia manifestações de apoio, torneios desportivos, a imprensa enaltecia os feitos do Presidente da República - 'o arquiteto da paz' - como se ele fosse o único construtor da paz," recorda Ilídio Manuel.
    Mas hoje, as coisas mudaram. Há um silêncio total. JES está num processo de "apagamento da sua imagem" na sociedade angolana, considera o analista.
    "Deixou de ser aquela figura que mobilizava todas as atenções. Hoje é praticamente hostilizado, os seus aspetos negativos vêm ao de cima em todos os setores. Muitos o questionam, mesmo aqueles que ontem eram os seus aliados. Uns optaram pelo silêncio total," afirma.
    Já em relação aos aniversários do atual Presidente da República João Lourenço, Ilídio Manuel avalia que "não há aquela carga emotiva de mobilizar aquilo que chamaríamos de 'xinguilamentos', que ontem existiam em relação ao Presidente Eduardo dos Santos”.
    "Hoje temos uma coisa muito mais simples, muito mais discreta, em que quase nem se dá por isso," conclui.
    4 min
  • Milhões de africanas continuam sem acesso à Internet
    Smartphones e Internet móvel ainda são uma miragem para milhões de mulheres africanas, ao contrário de muitos homens que já têm acesso à Internet há muito tempo. A desigualdade tem consequências políticas e económicas.A senegalesa Aissata Fall tem um smartphone, mas nunca o usa para navegar na Internet. Para ela, a Internet móvel é uma faca de dois gumes: "É verdade que o smartphone é uma ferramenta indispensável, tanto profissionalmente como no contacto com familiares e amigos". Mas muitas mulheres não têm dinheiro para aceder à Internet. E há outro motivo: "Se uma mulher casada como eu, por exemplo, recebe certas mensagens ou fotos, isso pode levar a problemas com um marido ciumento", conta Aissata Fall em entrevista à DW.
    Há muitas mulheres como ela em África. Ainda há 200 milhões de africanas sem acesso à Internet e apenas duas em cada três mulheres têm um telemóvel. Menos de uma em cada três usa dados móveis regularmente. Já sete em cada dez homens utiliza-os com frequência.
    A desigualdade entre os géneros em relação ao uso da Internet - que em linguagem técnica se denomina "Mobile Internet Gender Gap" (MIGG, na sigla em inglês) - é de 41%.
    Homens mais ligados à Internet
    A advogada Yalwati Shuaibu, da Nigéria, também só usa o smartphone para ler e-mails de trabalho. "Assim que chego a casa, só cuido da minha família e não uso mais a Internet", conta. "Na minha região, as mulheres normalmente não usam o telemóvel para aceder à Internet. A maioria não tem um smartphone. Os homens usam os telemóveis para ter acesso à Internet mais do que as mulheres por muitas razões: têm mais compromissos e estão sempre em movimento."
    De onde vem essa grande diferença? Um relatório da associação comercial GSMA, que reúne operadoras móveis de todo o mundo, cita quatro causas: falta de conhecimentos sobre Internet e alfabetização, falta de acesso a dados móveis, conteúdos relevantes e segurança. "A educação digital é necessária para usar um telemóvel e muitas mulheres estão atrás dos homens em termos de alfabetização", explica Agnes Odhiambo, especialista em direitos da mulher da Human Rights Watch (HRW).
    "Além disso, telemóveis e pacotes de dados não são propriamente baratos. Uma mulher numa aldeia no Quénia prefere comprar uma cabra para a família a comprar um smartphone", lembra a especialista.
    A moçambicana Irene Lourenço Paulino, de Quelimane, também gostava de usar a internet. Em Moçambique, menos de metade das mulheres têm um smartphone e apenas uma em cada dez navega na Internet. "Eu não uso a Internet, apesar de ter um telemóvel que permite usar Internet, porque estão muito elevados os megabytes", diz a estudante de 21 anos. "Eu gostava de descarregar livros, mas isso é impossível porque o volume de dados é muito caro", lamenta.
    Milhões de oportunidades
    E também há restrições sociais: em alguns lugares, ter um smartphone é considerado inadequado e muitas mulheres não podem comprar crédito para os telemóveis sozinhas. "E nas áreas rurais em África, muitas vezes não há eletricidade. As mulheres que trabalham no campo têm de ir buscar água e cuidar dos filhos e, muitas vezes, não têm tempo para andar mais de três horas para recarregar o telefone", lembra a ativista Agnes Odhiambo.
    Quer seja para procurar emprego, pesquisar ou vender, o acesso à Internet é essencial em termos económicos. Se tanto homens como mulheres em todo o mundo usassem a Internet móvel, o Produto Interno Bruto global poderia aumentar para 700 mil milhões de dólares (cerca de 628 mil milhões de euros), segundo cálculos da GSMA.
    África também oferece grandes oportunidades: no ano passado, as tecnologias e os serviços móveis renderam ao continente cerca de 99 milhões de euros. Trabalham neste setor três milhões de pessoas.
    E há outras questões além da económica. "Moçambique realiza eleições este ano e a Internet móvel pode ser um mecanismo de comunicação com comunidades, de comunicação com mulheres, para explicar do que se trata, qual a importância de participar em processos eleitorais democráticos e de que forma as comunidades e as mulheres podem envolver-se na tomada de decisões. E isso pode ajudá-las a responsabilizar os seus líderes", afirma a moçambicana Graça Samo, coordenadora do Secretariado Internacional da Marcha Mundial das Mulheres.
    Educação contra a desigualdade de género
    A GSMA tem várias ideias para combater a desigualdade de género. Os governos devem estabelecer metas claras para que mais mulheres tenham acesso à Internet. Além disso, é preciso mais formação e produtos mais adequados às mulheres e às suas possibilidades financeiras.
    No Gana, a ONG "Africa ICT Right" lançou um programa para motivar as raparigas a estudar tecnologias da informação e comunicação. Além disso, com a ajuda de operadoras locais, a organização luta para que mais mulheres em comunidades rurais tenham telemóveis.
    "É importante que as mulheres tenham acesso a telemóveis e à Internet. Vivemos na era digital, informação é poder", sublinha a ativista dos direitos das mulheres Agnes Odhiambo, da HRW. Porque o futuro está cheio de oportunidades para as mulheres africanas.
    Colaboraram neste artigo: Mamadou Alpha Diallo, Marcelino Mueia e Zainab Rabo
    4 min
  • Milhares de camaroneses fogem das regiões anglófonas
    Milhares de pessoas estão a deixar as suas casas nas cidades de Buea e Bamenda e a refugiar-se na região francófona dos Camarões. A maioria vai para Yaoundé, Douala e Bafoussam em busca de segurança e educação.Nos últimos dias, as agências de viagens não têm tido mãos a medir. Em Bamenda, as filas são longas. Todos querem um bilhete para fora da cidade.
    Celine Tanui é uma das pessoas que conseguiu. Comprou bilhetes de autocarro e vai mudar-se para a cidade de Bafoussam, no noroeste dos Camarões. Tudo para conseguir matricular os seus três filhos na escola.
    "A sentença de Ayuke Julius Tabe piorou as coisas aqui em Bamenda. Ficámos chocados com o facto de o tribunal militar de Yaoundé o ter condenado a prisão perpétua e com a resposta dos separatistas, que garantem que as escolas não vão reabrir até que os seus líderes saiam em liberdade", afirma.
    Sem escola, com medo de violência
    Os conflitos nas regiões anglófonas dos Camarões tiveram início em 2016. Desde aí, os bloqueios dos separatistas têm sido frequentes. A escola foi interrompida.
    Face à condenação do autoproclamado presidente da Ambazónia, e de outros nove líderes separatistas, surgiram novos temores de uma escalada de violência na região. Os separatistas apelam ao boicote de uma campanha de "regresso às aulas" apoiada pelo Estado e por grupos da sociedade civil, que tinha como objetivo a reabertura das escolas nas duas regiões anglófonas a 2 de setembro.
    Quiniva, de 18 anos, diz à DW que não vai à escola desde 2016 e tem agora de fugir da sua terra natal por razões de segurança: "Precisamos de ir para Yaoundé porque temos medo dos militares, pois eles não atacam apenas fora das casas. Há arrombamentos. Ninguém está seguro aqui."
    Como Quiniva, há centenas de outros jovens que escolheram abandonar a região onde nasceram em prol dos seus estudos. No entanto, esta é uma viagem que pode ser considerada um privilégio, pois nem todos a podem fazer. Com a correria às agências em busca de bilhetes, os preços duplicaram ou até triplicaram em alguns casos.
    Tah Kenneth é especialista em educação comunitária e, em entrevista à DW, diz ser lamentável que apenas os ricos possam ter acesso à educação.
    "Todos os pais estão a tentar mudar-se por razões de segurança e conforto para a aprendizagem dos seus filhos. Mas há alguns pais que não o podem fazer por dificuldades financeiras", salienta Kenneth.
    Estima-se que, desde o início do conflito, cerca de meio milhão de pessoas tenha abandonado as suas casas. Tanto o Governo, como os separatistas têm sido acusados de atos de violência que provocaram a morte de pelo menos 1800 pessoas. Em junho passado, a organização Human Rights Watch alertou para a ocorrência na região de abusos de direitos humanos por parte dos dois lados do conflito.
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  • Ameaças de Mariano Nhongo: “Esta é uma matéria de Estado”- defende a RENAMO
    Mariano Nhongo prometeu segunda-feira (26.08) inviabilizar a realização das eleições de 15 de outubro, via ataques armados. Para a RENAMO esta “é uma matéria de Estado que deve garantir a defesa e tranquilidade do país”.Vinte e quatros horas depois do presidente da autoproclamada "Junta Militar da RENAMO”, Mariano Nhongo ter ameaçado em entrevista à DW África inviabilizar a realização das eleições gerais de 15 de outubro, em Moçambique, a Resistência Nacional Moçambicana [RENAMO], através do seu porta-voz, José Manteigas diz que esta ameaça configura um crime.
    Para Manteigas, esta "é uma matéria de Estado (…) é o Estado que tem que garantir a defesa e tranquilidade do país”. O político nega que o líder da RENAMO, Ossufo Momade não tenha sido eleito pelos militares, afirmando que "estes estão representados nos órgãos internos da RENAMO”.
    O porta-voz da Perdiz apela a autoproclamada "Junta Militar” a não recorrer à força das armas para viabilizar as suas reivindicações.
    DW África: Em entrevista exclusiva à DW África, esta segunda-feira (26.08), o presidente da autoproclamada "Junta Militar da RENAMO”, Mariano Nhongo prometeu inviabilizar a realização das eleições gerais, porque o partido de que diz ser líder "supostamente” foi excluído do processo eleitoral. Como lidar com esta situação de ter-se um partido com dois líderes?José Manteigas (JM): A RENAMO reconhecida no ordenamento jurídico moçambicano como partido político é esta liderada por Ossufo Momade. Agora, se Mariano Nhongo não vai permitir a realização das eleições, isso não é o nosso posicionamento. Nós vamos concorrer em todos os círculos eleitorais do país, quer nas presidenciais, assim como, para as assembleias provinciais. Este é o desafio que temos pela frente, por isso sempre dissemos que estamos focados nas eleições.
    DW África: Mas o senhor Mariano Nhongo ameaça emboscar a qualquer partido político que fizer campanha eleitoral. Isso vos preocupa ou não?
    JM: Preocupa. Mas atacar pessoas indefesas, entidades públicas e personalidades isso configura um crime. Se o senhor Mariano Nhongo tem alguma reivindicação a fazer, nós achamos que não deve ser por via das armas, porque isso é uma afronta ao Estado de direito democrático moçambicano.
    DW-África: Qual é o posicionamento público da RENAMO, face a estas ameaças do senhor Mariano Nhongo?
    JM: Esta matéria nos remete à intervenção do Estado. É o Estado que tem que garantir a defesa, segurança e tranquilidade do país. As Forças de Defesa e Segurança saberão posicionar-se para fazer face a esta situação.
    DW África: Nhongo acusou Ossufo Momade de não ter sido eleito pelos militares. A pergunta que fazemos é: O que é que regem os estatutos da RENAMO? Os militares elegem o presidente do partido de forma paralela?
    JM: A RENAMO é um partido político. Portanto, a eleição dos seus órgãos é feita em Congresso. O partido reunido na Serra da Gorongosa entre os dias 15 e 17 de janeiro deste ano, no VI Congresso elegeu Ossufo Momade como presidente da RENAMO e os respetivos órgãos do partido. Daí que qualquer ato praticado à margem e à revelia deste órgãos, não é obra do partido. E os seus atores não se identificam com a RENAMO.
    DW África: Neste Congresso, que elegeu Ossufo Momade como presidente da RENAMO, os militares tiveram direito a voto?
    JM: Há uma particularidade neste congresso, primeiro foi realizado na Serra da Gorongosa onde estiveram os militares do estado-maior general da RENAMO. Segundo, nos órgãos do partido estão também presentes os militares, como são os casos do Jossefo de Sousa (membro da Comissão Política do partido) e tantos outros (…). Portanto, os militares estão integrados nos órgãos do partido, por isso ninguém pode dizer que estão excluídos.DW África: Mariano Nhongo diz estar em conversações com deputados da RENAMO na Assembleia da República, para criação de uma comissão que vai encarregar-se de renegociar o DDR [Desarmamento, Desmobilização e Reintegração] com o Governo moçambicano. Afinal quais e quem são estes deputados com estão a cumprir ordens do senhor Ossufo Momade e ao mesmo tempo do Mariano Nhongo?
    JM: Este é um pronunciamento que deixa muito a desejar. Não sei com que deputados ele está a lidar e o que está a negociar. O que lhe posso dizer é que a bancada parlamentar da RENAMO é dirigida pelo presidente do partido e recebe orientações da RENAMO. Portanto, não tenho conhecimento desta tal negociação.
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