África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle

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África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle episodes

  • São Tomé e Príncipe vai pedir perdão da dívida externa
    O primeiro-ministro são-tomense, Jorge Bem Jesus, está preocupado com a dívida deixada pelo anterior Executivo. O governante, ainda em início de mandato, afirma que procura reformas em todos os setores da sociedade.São Tomé e Príncipe vai renegociar com os parceiros internacionais o perdão da dívida externa, que está acima dos 300 milhões de dólares. O Executivo de São Tomé insiste no combate à corrupção e assegura que caberá à justiça apurar os responsáveis pela dívida escondida de 70 milhões de dólares imputada pelo Fundo Monetário Internacional ao anterior Governo de Patrice Trovoada.
    De passagem por Lisboa, Jorge Bom Jesus, primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, revelou que a dívida oculta de 70 milhões de dólares, contraída pelo anterior Governo de Patrice Trovoada, tem sérios impactos nas contas públicas.
    "Durante muito tempo os governos, e sobretudo o governo anterior, foi divulgando a dívida externa, tanto bilateral como multilateral. E a dívida interna foi, de facto, sonegada, mas as duas dívidas, tanto internas como externas, fazem parte das dívidas do Estado, que hoje são quase insustentáveis”, afirmou o primeiro-ministro são-tomense.
    Procura pela justiça
    O chefe do Executivo são-tomense diz que os principais mentores da referida dívida devem ser responsabilizados pela justiça, porque o seu Governo respeita a separação de poderes.
    "Nós faremos a nossa parte administrativa, mas, à semelhança de muitos outros que têm muitas vezes que ver ora com a corrupção, ora com a sonegação dos números, ora com a sonegação de outras informações importantes de dossiers do Estado, entregaremos tudo isso à justiça e caberá à justiça fazer o seu trabalho”, sublinhou Jorge Bom Jesus.O buraco financeiro que agravou as contas do país foi descoberto por uma missão do Fundo Monetário Internacional (FMI), que acusou o executivo anterior de ter escondido a dívida, correspondente a despesas na ordem dos três por cento do Produto Interno Bruto (PIB). A dívida total está acima dos 300 milhões de dólares, o que obrigará à renegociação com alguns dos parceiros externos, entre os quais Angola, resultante da aquisição de combustíveis.
    Entretanto, Jorge Bom Jesus reafirma o empenho do seu elenco na luta contra a corrupção, com vista a tirar o país do fosso em que se encontra. "Todos os recursos existem”, disse o primeiro-ministro são-tomense, "desde os recursos humanos, passando por um mar imenso, o espaço aéreo e a exploração petrolífera na zona económica exclusiva, entre outros."
    "Reformas necessárias serão feitas"
    O governante reconhece a necessidade de uma profunda reforma no setor da justiça, um dos quatro eixos da sua governação, de modo a criar um ambiente propício para atrair o investimento externo e criação de riqueza.
    "Se não criarmos um ambiente propício para negócio, dificilmente atrairemos os investidores. Portanto, esse clima tem que ser criado e a justiça tem que funcionar”, salientou o primeiro-ministro.
    Há nove meses em funções, o seu Executivo tem trabalhado na correção de alguns desajustamentos macro-económicos, bem como na procura de soluções para os sérios problemas energéticos do país. "Quando entrámos, por exemplo, encontramos uma produção energética de aproximadamente oito megawatts. Neste momento, nós estamos a cerca de 17 megawatts. Portanto, fizemos a aquisição de novos geradores, ainda na térmica, mas estamos a trabalhar já no sentido da aceleração para a transição energética, melhor aproveitamento da nossa rede hidrográfica”, explicou Bom Jesus.O Executivo está em negociações com parceiros externos para a instalação de centrais fotovoltaicas. Outro setor importante é o turismo, pelo seu efeito multiplicador.
    "Por via do turismo, seremos obrigados a investir nos projetos estruturantes do porto e do aeroporto. Portanto, a própria autosuficiência alimentar, a produção de produtos biológicos para, justamente, alimentar a cadeia turística”, reforçou o primeiro-ministro.
    "Queremos diáspora mais interventiva"
    Bom Jesus acredita que será possível fazer crescer a economia a dois dígitos, com recurso a grandes investimentos como o aeroporto e o porto de águas profundas. O chefe do Executivo revelou em primeira mão, no encontro de sábado com a comunidade são-tomense em Portugal, que o seu Governo vai trabalhar para que os são-tomenses na diáspora tenham uma participação mais direta na vida política nacional.
    "Daí a necessidade da diáspora poder vir a votar já nas eleições legislativas de 2022. Já o faz ao nível das eleições presidenciais que nós teremos em 2021. Nós queremos, de facto, esta diáspora mais interventiva, mais atuante”, exultou Bom Jesus.
    O Executivo quer atrair o vasto leque de competências que a diáspora possui em vários domínios, inclusive para a mobilização de parceiros portugueses para investirem em São Tomé e Príncipe.
    "Nós estamos a discutir com o governo português a possibilidade de linhas de crédito. Já temos, por exemplo, junto do BAD – Banco Africano de Desenvolvimento – o 'Programa Compacto', mas há outros programas junto do FSI – Fundo Social Internacional –, e do Banco Mundial também, em que a diáspora poderá participar com o seu know-how”, salientou Jorge Bom Jesus.
    Jorge Bom Jesus assegura ainda à DW África que o seu Governo vai fazer o possível, «com ambição», para cumprir os desafios que assumiu em 2018, de modo a corresponder às expetativas que criou junto dos são-tomenses. Nos próximos meses, o executivo deve preparar o Orçamento do Estado para 2020, que refletirá o conjunto de desafios com vista a tirar o país do marasmo de mais de 40 anos, após a independência.
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  • Eleições em Moçambique: Campanha arranca com apelos à paz na Zambézia
    Na Zambézia, centro de Moçambique, analistas dizem que a campanha arrancou num ambiente de civismo. Representantes da sociedade civil apelam à paz. Os observadores não apontam nenhum favorito ao cargo de governador.Os cabeças-de-lista dos três principais partidos são Manuel de Araújo, da RENAMO, Pio Matos, da FRELIMO, e Luís Boa Vida, do Movimento Democrático de Moçambique.
    Construir fábricas, restaurar a riqueza da província, melhorar a vida da população - são estas algumas das promessas dos candidatos a governador na província da Zambézia.
    No campo de futebol do bairro Chirangado, em Quelimane, o candidato do maior partido da oposição, a RENAMO, prometeu investir na indústria se for o escolhido para governar a Zambézia: "Desde 1975 quantos anos passaram? 44 anos que este pais está independente, mas nós nunca tivemos a possibilidade de escolher um filho nosso para dirigir a província. A Zambézia era a província mais rica do país, cerca de um terço da riqueza deste pais era produzida na Zambézia!", afirmou Manuel de Araújo.
    Desenvolvimento e união da província
    Também na cidade de Quelimane, no campo de futebol da Sagrada, Pio Matos, da FRELIMO, apelou ao desenvolvimento e
    à união da província: "Meus irmãos, minhas irmãs, meus amigos, esta caminhada deve ser de paz, juntos e unidos vamos combater a pobreza, vamos criar riqueza e vamos desenvolver a nossa província", afirmou o candidato do partido no poder.
    "População e Gorué motivada"
    Já Luís Boa Vida, do MDM, deu início à sua campanha longe da capital da província. No distrito de Gurué, norte da Zambézia, o candidato a governador do Movimento Democrático de Moçambique contou com a ajuda de Daviz Simango, presidente do partido. "A população do Gurué é do MDM e esta motivada!", disse Simango. E adiantou: "O essencial é que o cidadão moçambicano às urnas dia 15 de Outubro e vote no MDM, pois onde o MDM Governa a vida da população melhora."
    As caravanas e cortejos políticos dos primeiros dias de campanha decorreram sem incidentes. Um bom sinal, na opinião do politólogo Ricardo Raboco: "Comparativamente aos processos passados este arranque é de salutar. O nível de proteção das caravanas é agora muito mais elevado que nos anteriores processos eleitorais."
    O analista, ouvido pela DW, é de opinião que esta segurança reforçada é um importante mecanismo que permite a prevenção de conflitos entre grupos pertencentes aos diferentes partidos políticos. "Medidas de segurança numa luta eleitoral inédita que promete ser renhida", conclui Ricardo Raboco.
    Habitantes da Zambézia não poupam críticas
    Entretanto, alguns cidadãos da Zambézia, ouvidos pela DW África, denunciam ilícitos eleitorais: "Gostaria que as eleições decorressem bem sem luta desonesta: alguns partidos tapam os cartazes dos outros, colam panfletos na bandeira dos outros, isso não é bom", diz Feliz Mussa. E Franquilim Júlio exprime o seguinte desejo: "Gostaria que a campanha fosse boa, pacifica e tranquila, para que, quando chegarmos à fase da votação, possamos votar sem confusão".
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  • Papa em Moçambique: Pastores satisfeitos com sinal de "paz"
    Papa Francisco chegará a Maputo um mês depois da assinatura do acordo final de paz entre o Governo e a RENAMO. Pastores ouvidos pela DW em Chimoio vêem visita como uma "grande benção" para o "bem-estar" dos moçambicanos.O papa Francisco chega a Moçambique em plena campanha eleitoral e numa altura em que a chamada autoproclamada Junta Militar da RENAMO ameaça bloquear o processo. Chega também num momento de tensão no norte, com ataques na província de Cabo Delgado, que já provocaram a morte de cerca de 200 pessoas.
    Apesar de tudo isto, pastores ouvidos pela DW África em Chimoio consideram que esta visita do papa Francisco é um bom sinal, um sinal de "paz", que beneficiará os moçambicanos.
    O país prepara a passadeira vermelha para receber o sumo pontífice. Segundo o Governo, serão gastos 20 milhões de meticais (quase 300 mil euros) com os preparativos.
    Antes da visita, o papa apelou à "reconciliação fraterna" em Moçambique e em África, para uma "paz firme e duradoura". Francisco chegará a Maputo um mês depois da assinatura do acordo final de paz entre o Governo moçambicano e o maior partido da oposição, a RENAMO.
    Um garante da paz?
    Para Creva Gama, pastor da igreja "Missão Fé Apostólica" em Moçambique, esta visita do papa "não é uma visita qualquer": "É uma visita que tem a ver com o bem-estar deste país, o bem-estar dos moçambicanos, e é uma visita que está a acontecer depois da assinatura da cessação das hostilidades, portanto, vem confirmar mais uma vez que o nosso senhor Deus ouve as orações dos seus filhos", considera.
    Quatro anos depois da última visita de um papa a Moçambique, em 1988, a guerra civil terminou e foi assinado o primeiro acordo de paz do país. O papa Francisco disse que vai a Moçambique para "ver a sementeira" feita por João Paulo II.
    Maiba Wache, pastor da igreja "Full Gospel" e vice-presidente do Conselho de Religiões na província de Manica, descreve a visita do papa Francisco a Moçambique como "uma grande bênção e uma grande dádiva" para o país. "Ainda nos podemos recordar dos ganhos que tivemos pela vinda do outro papa. Quando entrou em Moçambique, nós tivemos a paz que durou 20 anos. Foi graças à visita do papa", afirma.
    Wache relativiza as críticas recentes de um padre moçambicano, que afirmou que a visita do papa em plena campanha para as eleições gerais de outubro poderia beneficiar o partido no poder, a FRELIMO. "Nós, como religiosos, tudo entregamos nas mãos de Deus. Deus é quem tem o poder de escolher o homem certo que possa conduzir o destino desse país", sublinha.
    O pastor Creva Gama concorda: "Ao dizermos que ele vem para que o Presidente Nyusi seja reeleito estaríamos a afirmar coisas não muito certas, porque ele não vem a convite de um partido político, e ele não vem por causa das eleições. É uma coincidência".
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  • Tudo a postos para o início da campanha para as eleições em Moçambique
    A Comissão Nacional de Eleições (CNE) já disponibilizou 180 milhões de meticais (cerca de 2.5 milhões de euros) para financiar a campanha dos partidos políticos. Mas também apela para uma campanha eleitoral ordeira.Está tudo a postos para o arranque da campanha eleitoral para as eleições gerais de 15 de outubro próximo. A "maratona de caça” ao voto inicia amanha 31.08 e termina no dia 12 de outubro, três dias antes da votação.
    A Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) e o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), são os únicos partidos políticos que concorrem em todos os 13 círculos eleitorais, sendo 11 no país e dois na diáspora (África do Sul e o resto do mundo), no total de 26 partidos políticos e grupos de cidadãos concorrentes.
    Filipe Nyusi pela FRELIMO, Ossufo Momade pela RENAMO, Daviz Simango (MDM) e Mário Albino pela Ação de Movimento Unido para Salvação Integral (AMUSI), disputam o cargo de Presidente da República. Dentre os três candidatos dos partidos com assentos no Parlamento, Ossufo Momade é o estreante na corrida ao Palácio da Ponta Vermelha.
    Na história do multipartidarismo em Moçambique, a eleição deste ano é a primeira que a RENAMO concorre sem o seu histórico líder Afonso Dhlakama (falecido em maio de 2018), o qual, participou em cinco pleitos eleitorais, defrontado Joaquim Chissano (1994 e 1999), Armando Guebuza (2004 e 2009) e Filipe Nyusi (2014).
    Disponibilidade de fundos
    Para a campanha eleitoral que arranca este sábado (31.08), a Comissão Nacional de Eleições (CNE) garante que todas as condições estão asseguradas, segundo disse em entrevista à DW África, Paulo Cuinica, porta-voz do órgão.
    Cuinica assegurou que foram disponibilizados 180 milhões de meticais (cerca de 2.5 milhões de euros) para o financiamento da campanha aos partidos políticos.
    "Este valor é dividido igualmente para as três eleições presidenciais, Assembleia da República e Assembleias provinciais, no valor de 60 milhões (cerca de 857 mil euros) para cada eleição”, disse Cuinica, acrescentando que "para a eleição do Presidente da República os quatro candidatos dividem em parte iguais os 60 milhões [15 milhões para cada, cerca de 214 mil euros]. É desta maneira que estamos preparados”, garante Cuinica.
    Os partidos políticos concorrentes vão nestes 42 dias procurar divulgar os seus manifestos para os pouco mais de 12 milhões de eleitores inscritos nestas sextas eleições gerais em Moçambique, as quais vão eleger 250 deputados para Parlamento moçambicano, 794 membros das assembleias provinciais e pela primeira vez 10 governadores provinciais. De referir que a cidade de Maputo, e os dois círculos eleitorais da diáspora não elegem membros das assembleias provinciais e governadores. Campanha ordeira
    A Comissão Nacional de Eleições pretende que a campanha eleitoral deste ano seja mais ordeira, por isso afirma que "estamos a capacitar jornalistas para que possam ter uma cobertura da campanha eleitoral com isenção”, informou Cuinica, para quem "também existe uma capacitação específica para agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) para que possam garantir a proteção das caravanas de caça ao voto”.
    É olhando para importância que este pleito terá, que a CNE apela aos partidos políticos e grupos de cidadãos que transformem a campanha eleitoral num momento de festa, de acordo com Paulo Cuinica.
    "Como gesto de paz, harmonia e reconciliação apelamos aos candidatos para que em caso de cruzamento de caravanas, sejam os primeiros a se abraçarem para transmitirem a mensagem de que estamos em momento de festa e de reconciliação nacional”, disse Cuinica.
    Expetativa dos partidos
    A FRELIMO; RENAMO e MDM, partidos com assento no Parlamento também almejam uma campanha eleitoral sem confrontações.
    Em entrevista à DW África, Caifadine Manasse, porta-voz da FRELIMO (partido no poder), disse que a sua formação política está a preparar-se para tornar a campanha numa festa. "Estamos a trabalhar para que tudo corra bem no sábado (arranque da campanha) até ao último dia”, garante Caifadine Manasse.
    Para a RENAMO, esta campanha tem um significado especial, até porque é o momento de promover o novo líder do partido Ossufo Momade. José Manteigas, porta- voz do partido garante que "estamos a afinar a nossa máquina de campanha. E estamos a capacitar os nossos ativistas para que de forma cívica e ordeira participemos da campanha eleitoral que inicia amanhã”.Por seu turno, o MDM através do seu porta-voz, Sande Carmona espera que "a campanha seja ordeira, que todos os concorrentes participem em igualdade de circunstâncias”, diz Carmana, alertando que "esperamos que desta vez a FRELIMO não use as Forças de Defesa para repelir os adversários políticos”.
    "Maratona de caça" ao voto
    Os três candidatos presidenciais iniciam a "caça” ao voto na zona centro do país. O candidato da FRELIMO, Filipe Nyusi inicia a maratona de campanha, com um showmício na cidade da Beira, neste sábado. Enquanto isso, Daviz Simango e Ossufo Momade, escolheram a província da Zambézia, para o arranque da caça ao voto. O líder do MDM tem um showmício marcado para a tarde deste sábado na cidade de Gurúe. E Ossufo Momade orienta o seu primeiro showmício no dia 03 de Setembro, na cidade de Quelimane.
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  • Incêndios florestais: As diferenças entre África e Amazónia
    Além da Amazónia, as florestas de África também estão a arder. Entretanto, as situações no continente africano e na América do Sul são muito diferentes e nem sempre podem ser comparadas do ponto de vista ecológico.As imagens de satélite da NASA mostram a escala assustadora dos incêndios florestais na África Central. Uma corrente de fogo se alastra desde Angola passando pela República Democrática do Congo e Moçambique até Madagáscar. As chamas são semelhantes às que consomem a Amazónia brasileira e provocaram indignação em todo o mundo.
    Em 24 de agosto, um satélite da NASA terá detetado quase sete mil focos de incêndio em Angola e cerca de quatro mil na RDC. Assim, os dois países serão os que mais registam queimadas no mundo, seguidos do Brasil, com 2.127 incêndios. O Governo de Angola, entretanto, não confirmou a veracidade dos dados divulgados pela imprensa internacional.
    O facto é que as queimadas são um fenómeno frequente na estação de seca nas savanas de Angola ou Moçambique. Esses incêndios são responsáveis pela renovação dos ecossistemas. Depois dos fogos, a savana torna-se verde no mês de outubro. Em entrevista à DW, a ministra do Ambiente de Angola, Paula Francisca Coelho, afirmou que não faz sentido comparar situações completamente diferentes.
    "Não há necessidade de se levantar aqui parâmetros comparativos relacionados aos incêndios na questão a decorrer com o nosso país, Angola. Neste momento, não temos nenhum incêndio em ocorrência e o que acontece são queimadas feitas por algumas das nossas comunidades para a preparação dos solos para a próxima campanha agrícola", afirmou.
    A ministra também se mostrou disposta a receber qualquer tipo de ajuda internacional, ao contrário do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro. Pelo Twitter, o ministro da Comunicação Social de Angola, João Melo, escreveu que "confundir fotos de capim a arder" em Angola "com incêndios massivos em florestas é brincadeira".
    "E misturar isso com politiquice barata, é pior ainda. Lamentável", acrescentou o ministro. Ao mesmo tempo, a ministra do Ambiente adiantou que o Governo vai intensificar programas de consciencialização dos agricultores sobre a proteção do meio ambiente.
    Moçambique: Aumento da desflorestação
    Em Moçambique, os incêndios estão a aumentar intensificados pelas alterações climáticas. Este fenómeno está a causar grande preocupação aos ambientalistas e ao Governo.
    "Tem uma maior incidência dos problemas florestais causados pelos incêndios nas províncias do norte de Moçambique, nomeadamente, Niassa, Cabo Delgado e Nampula", afirma João Massango, do Partido Ecologista - Movimento da Terra (PEC-MT). "Moçambique tem perdido anualmente cerca de 285 mil hectares de florestas e isso é provocado pelos incêndios."
    Massango adverte que levará pelo menos 100 anos para que as florestas do norte e centro de Moçambique voltem ao estado em que estavam há 15 anos. A principal razão do desmatamento é a expansão de campos para a agricultura no país. Quando o solo está esgotado e o rendimento das culturas diminui, as terras e os assentamentos são movidos e uma nova floresta é queimada.
    RDC: Bacia do Congo sob ameaça
    A floresta na Bacia do Congo é considerada o "segundo pulmão verde" do planeta, depois da Amazónia. A floresta se estende por vários países numa área de 3,3 milhões de quilômetros quadrados. Um terço das florestas se concentra na República Democrática do Congo. O restante está no Gabão, República do Congo, Camarões e República Centro-Africana.
    Assim como a Amazónia, as florestas do Congo absorvem toneladas de dióxido de carbono, o que, segundo especialistas, tem um papel fundamental no combate às alterações climáticas.
    De acordo com a organização Global Forest Watch Fires, houve quase um milhão de incêndios na República Democrática do Congo desde 1 de julho. Mesmo assim, há muitas diferenças em relação ao Brasil. Segundo o Greenpeace, muitos dos incêndios na RDC estão fora de áreas sensíveis da floresta tropical da Bacia do Congo.
    Madagáscar: Um pedido de socorro
    Originalmente, o Madagáscar possuía 90% de cobertura florestal. Dos 53 milhões de hectares de floresta, apenas 10% estão hoje preservados. Todos os anos, cerca de 120.000 hectares de floresta desaparecem devido aos cortes e às queimadas. Se a destruição continuar a acelerar nesse ritmo, as florestas do Madagáscar serão completamente desmatadas em 40 anos, admite o ministro do Ambiente do país, Alexandre Georget.
    Fundador do Partido Verde de Madagáscar, o ministro diz que a pior temporada de incêndios vai de julho a outubro. "O atual combate ao fogo é uma das nossas prioridades. Apelamos a todos que possam nos ajudar, sobretudo os países europeus. Precisamos urgentemente de aviões de combate a incêndios, porque no momento não somos capazes de reagir com rapidez e eficácia contra o fogo", diz Alexandre Georget.
    Os incêndios florestais em África são piores do que na Amazônia? A resposta do ministro é: "Para mim, não há distinção entre incêndios florestais ruins ou piores. Quando as florestas queimam, o futuro do planeta está em jogo. Então, todos precisamos trabalhar juntos para resolver esse problema devastador".
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  • Denúncias de rapto e tortura no Zimbabué
    No Zimbabué, as denúncias de rapto e tortura a críticos do Governo estão a tornar-se cada vez mais frequentes. Crimes que têm estado a ser associados às agências de segurança do Estado. Governo distancia-se da violência.Tatenda Mombeyarara tem 37 anos e é uma das vítimas destas perseguições. O ativista de direitos humanos foi sequestrado e torturado na noite de 13 de agosto de 2019, encontrando-se agora a recuperar de uma cirurgia ao pé. Os homens que o atacaram acusaram-no de conspiração para derrubar o Governo.
    "Tinha acabado de adormecer quando ouvi um barulho na janela. Ouvi várias vozes a gritar: "Polícia! Polícia! Abram ou entramos à força!” No momento em que vi as máscaras, fez-se luz e percebi que já era tarde demais”, contou à DW.
    Tatenda Mombeyarara é coordenador de um movimento de cidadãos. Em maio, quando regressava das Maldivas, onde participou num seminário sobre envolvimento cívico, ele e seis colegas do movimento, foram presos e acusados de subversão.
    Um episódio que, segundo ele, mudou a sua vida: "Sinto-me cercado. Nem sequer me sinto à vontade para andar pelas ruas de Harare, não porque tenha feito alguma coisa, mas porque me sinto ameaçado. Estarmos sob a atenção do Governo e sentirmo-nos atacados por ele é um pesadelo. Sinto-me mal”.
    A situação económica no Zimbabué tem vindo a deteriorar-se. Só no último ano, o custo de vida aumentou drasticamente, tendo a inflação atingido os 175%. Os protestos têm estado a surgir com os zimbabueanos a exigir ao Governo que resolva a situação. Mas, "silenciar as vozes críticas” tem sido a resposta do Executivo, acusa a oposição.
    Governo nega acusações
    Vários ativistas afirmam que, pelo menos, 26 membros dos principais partidos da oposição foram raptados e torturados desde 14 de agosto. Acusações que foram já refutadas pelo Executivo que diz não ter qualquer responsabilidade nestes atos de tortura.
    Nick Mangwana é porta-voz do gabinete do Presidente Emmerson Mnangagwa e assegura que "o Governo não rapta cidadãos. Se alguém for suspeito de ter cometido um crime desta natureza, o Governo, através das suas instituições da polícia, irá deter as pessoas em causa e levá-las a julgamento. E em caso de condenação, estas cumprirão a sua pena”.
    É preciso mais do que garantias...
    Garantias que não são suficientes para Doug Coltart, um advogado de direitos humanos, que foi também vítima de violência por parte da polícia.
    Coltart entende que "o Estado do Zimbabué não está a garantir a segurança dos seus cidadãos. O Artigo 52 da Constituição garante o direito de todas as pessoas a não sofrerem violência de fontes públicas ou privadas. E todas as provas apontam para que o Estado seja o principal perpetrador destes abusos".
    O crescente número de ataques contra opositores do Governo já mereceu uma repreensão das missões internacionais no Zimbabué. Bishow Parajuli, é o coordenador da ONU no país e diz que "abordar as pessoas à noite com máscaras e espancá-las é absolutamente intolerável. Tem que haver diálogo. Está na hora do novo Zimbabué fomentar confiança".
    A violação de direitos humanos no Zimbabué já não é novidade e era uma prática comum no Governo de Robert Mugabe, tendo levado à aplicação de sanções a vários políticos do país.
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  • Eleições estaduais na Alemanha: A força da AfD no leste
    Em setembro e outubro, há eleições em três estados federados do leste da Alemanha. Populistas de direita do partido AfD, Alternativa para a Alemanha, podem tornar-se a maior força, segundo algumas sondagens.Sem o movimento pelos direitos civis da extinta República Democrática da Alemanha (RDA), a Alemanha de hoje seria diferente. Muito diferente.
    Há 30 anos, dezenas de milhares de manifestantes contribuíram para a queda do Muro de Berlim e para a reunificação do país, que estava dividido há décadas. As pessoas que saíram às ruas na antiga RDA exigiam liberdade e respeito pelos direitos humanos.
    Agora, pouco antes das eleições em três estados do leste da Alemanha, os "slogans" daquela época estão a ser apropriados.
    Na Saxónia e em Brandemburgo, realizam-se eleições a 1 de setembro e na Turíngia, no final de outubro. E, durante a campanha, os populistas de direita do partido Alternativa para a Alemanha (AfD) têm usado frases como "Torna-te Ativista Cívico" ou "Conclui a Mudança" para conquistar os eleitores. São "slogans" associados aos anos pós-reunificação - para muitos, marcados pela frustração, desilusão e por promessas não cumpridas.
    RDA como argumento
    Na sua página oficial na Internet, a AfD compara a Alemanha de hoje com a antiga RDA. "Quem hoje pensa de forma 'diferente' é tão oprimido como na altura em que a Stasi o fazia", lê-se. A Stasi, o Ministério para a Segurança do Estado da RDA, espiou membros da oposição, intimidou dissidentes e violou os direitos civis.
    "Sentimo-nos novamente como na RDA", disse recentemente um homem que nem lá estava há 30 anos. Björn Höcke é o líder da ala nacionalista de direita da AfD, lidera o partido na Turíngia e nasceu na Alemanha Ocidental. No entanto, sente-se apto a dizer: "Não fizemos a Revolução Pacífica para isso, caros amigos".
    De acordo com algumas sondagens eleitorais, a Alternativa para a Alemanha poderá ser a força mais votada nas eleições nesses três estados-federados do leste: Saxónia, Brandemburgo e Turíngia.
    E isto apesar do facto de muitos políticos de topo da AfD expressarem abertamente ideias de extrema-direita e chamarem a atenção com comentários racistas.
    Segundo uma sondagem de meados de agosto, 24% dos eleitores do leste da Alemanha votariam na AfD em eleições legislativas federais. No oeste, esta percentagem seria de 12%. Para a cientista política Judith Enders, isso pode explicar-se com os efeitos que a reunificação teve na sociedade.
    "Não penso que a maioria dos eleitores da AfD seja necessariamente extremista de direita e tenha opiniões extremistas de direita. Mais do que isso, existe uma grande insatisfação no leste da Alemanha pelo facto de as pessoas não se sentirem levadas a sério no seu desenvolvimento individual, de como sofreram as rupturas biográficas que a reunificação trouxe consigo. Elas sentem que não são ouvidas, levadas a sério, e que também não são reconhecidas", avalia.
    Separados pela desigualdade
    Os alemães do leste representam apenas 17% da população total do país. Mais importante, no entanto, é a sua falta de representação na sociedade alemã como um todo: ocupam apenas 1,7% de todas as posições de topo na economia, na política e na administração alemãs.
    Após a reunificação, a elite socialista da RDA foi substituída pelos alemães ocidentais.
    Enders cresceu no leste da Alemanha e ajudou a fundar uma iniciativa que quer rever o conceito do termo "oriental".
    "É importante levar a sério cada um com a sua história individual. O alemão oriental é sempre retratado de uma forma generalizada. É claro que este está longe de ser o caso. Houve pessoas que lucraram com a reunificação. E houve pessoas cujas condições de vida não melhoraram tanto", considera a especialista.
    De acordo com as estatísticas, os trabalhadores ainda ganham muito menos no leste que na parte ocidental da Alemanha. Além disso, desde a queda do Muro de Berlim, centenas de milhares de alemães orientais, sobretudo os jovens, viraram as costas à sua cidade natal. Aqueles que ficaram tiveram de lidar com o colapso da economia no leste do país - e com um desemprego elevado.
    Em 2019, em média, 6,6% da população do leste e 4,7% da população no lado ocidental estavam desempregados.
    "Verão da Solidariedade"
    No entanto, as consequências da queda do Muro de Berlim não são a única explicação para o sucesso eleitoral da direita. De acordo com um estudo da Universidade de Leipzig, quase metade dos entrevistados no leste da Alemanha tem reservas quanto a estrangeiros e minorias, enquanto, no país inteiro, um terço das pessoas partilha dessas posições.
    Nos últimos anos, várias cidades do leste têm aparecido constantemente na imprensa com manchetes negativas: Seja por causa do movimento racista Patriotas Europeus Contra a Islamização do Ocidente (PEGIDA), ou dos ataques a migrantes ou dos motins de, em parte, radicais de extrema-direita em Chemnitz.
    Muitas pessoas na antiga RDA têm resistido à transformação do leste do país numa fortaleza da direita. As iniciativas "Wann Wenn Nicht Jetzt" ("Quando, Se Não Agora", na tradução literal para o português) e "Aufbruch Ost" ("Despertar do Leste") lutam contra o racismo, mas também querem discutir a forma como os alemães do leste encaravam a vida durante e depois da RDA.
    Sob o lema "Verão da Solidariedade", organizam concertos, leituras e painéis de discussão em todo o leste do país. A 24 de agosto, juntamente com outras iniciativas, as duas organizações apelaram a manifestações pela solidariedade, contra a exclusão.
    Cidade e estado divididos
    Ana-Cara Methmann cresceu no norte da Alemanha e vive em Leipzig, na Saxónia, há dez anos. Ela é a porta-voz da #Unteilbar-Bündnis, uma iniciativa contra o racismo.
    Leipzig é uma cidade moderna. Nas eleições europeias de maio, o partido Os Verdes conseguiu estabelecer-se como a maior força, com 20,2% dos votos. Com 15,5%, a AfD obteve um resultado pior do que no resto do estado.
    A Alemanha não se divide apenas entre ocidente e leste, mas também entre as cidades e as regiões.
    São, muitas vezes, as coisas mais práticas, do dia-a-dia, que causam essas fissuras: zm autocarro que só circula duas vezes por dia num determinado sítio, uma estação de comboios que fica a 20 quilómetros de distância.
    Ana-Cara Methmann, que dá seminários sobre discriminação em todo o estado, teve essa experiência. Na Saxónia, o Governo conservador da União Democrata Cristã (CDU) contribuiu, durante décadas, para uma AfD forte, diz.
    "Nos últimos anos - isso é visível na Saxónia - foram cortados cada vez mais fundos para empregar jovens ou para centros juvenis. Há também ofertas por parte da direita e, se não houver uma contra-oferta, elas serão bem vindas", argumenta.
    Methmann diz que a melhor forma de lutar contra o extremismo de direita é dar oportunidades às pessoas de participarem ativamente na vida social e estimular as iniciativas democráticas e de cada indivíduo.
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  • José Mário Vaz recandidata-se às presidenciais da Guiné-Bissau
    José Mário Vaz anunciou a sua recandidatura à Presidência na quinta-feira à noite perante centenas de apoiantes, em Bissau. Presidente diz que se candidata de novo pelo povo guineense. Mas analista diz que é um erro.À quarta foi de vez. Depois de ter pedido aos seus simpatizantes, em três diferentes ocasiões, tempo para refletir sobre a decisão a tomar, o chefe de Estado cessante, José Mário Vaz, anunciou finalmente a sua recandidatura à Presidência da República da Guiné-Bissau.
    Foi na presença de centenas de apoiantes vindos de diferentes pontos do país que José Mário Vaz assumiu, em Bissau, que será candidato nas eleições presidenciais marcadas para 24 de novembro.
    "Afirmo hoje aqui e perante vós, meus irmãos e povo da Guiné-Bissau, que é por vós, para realizar os vossos anseios, continuarmos juntos a fazer desta terra um grande país, que eu sou candidato às eleições presidenciais", afirmou José Mário Vaz, seguindo-se um grito de júbilo da plateia.
    "Presidente de Paz"
    Ao justificar a decisão de se recandidatar à sua própria sucessão, Vaz definiu-se como um Presidente de paz, patriota, "ciente da responsabilidade de ocupar o cargo de mais alto magistrado da Nação".
    "As minhas mãos são limpas. Há quem me chame, e não me importo, o Presidente mais pobre de África. Prefiro assim. Prefiro que o meu povo me respeite do que digam que sou rico e que fico com o dinheiro que é do povo", disse.
    "Conto convosco e sei que contam comigo. Juntos, a caminho do progresso com este Presidente de Paz. No dia 24 de novembro, conto convosco, a Guiné-Bissau precisa de todos nós."
    Candidatura "falhada"
    José Mário Vaz concluiu o mandato constitucional a 23 de junho e, em jeito de balanço, referiu que os últimos "cinco anos foram anos de luta, luta feroz, sem tréguas, com ameaças físicas e verbais contra mim e contra a minha família, e contra todos os que defendem e comungam comigo as mesmas causas".
    O analista político guineense Suleimane Cassamá comenta, no entanto, que "ao fazermos o balanço do mandato de José Mário Vaz, constatamos que ele fugiu de todas as regras que regem um país de direito e democrático, como é o caso da Guiné-Bissau. Não respeitou a Constituição. Ao invés de unir os guineenses, fez o contrário, dividindo-os."
    Por isso, Cassamá conclui que esta candidatura é um erro: "Eu diria que é completamente falhada, tanto em termos subjetivos, que não nos interessa muito, como em termos objetivos."
    Adversários nas presidenciais
    O Presidente cessante enfrentará nas presidenciais de 24 de novembro as candidaturas de Domingos Simões Pereira, apoiado pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC, no poder), e de Umaro Sissoco Embaló, suportado pela segunda maior formação política do país, o Movimento para a Alternância Democrática (MADEM-G15), além da candidatura independente do antigo primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior.
    Para o analista político Suleimane Cassamá, a probabilidade de que José Mário Vaz seja reeleito é "nula".
    "Neste país, não é fácil ser eleito sem a popularidade e sem o apoio político dos partidos mais votados", diz Cassamá. "Em termos técnicos, a base mostra-nos que não vai ter sucesso e, em termos políticos, ele está ainda muito mais abaixo. Acho que nem chegará à segunda volta. Portanto, não vale a pena tanto sacrifício e tanta despesa, porque candidatos presidenciais recorrem aos partidos políticos para utilizar as estruturas organizativas desses partidos para fazer a campanha, e, sem essa estrutura montada, ninguém consegue fazer a campanha para ter sucesso."
    Entretanto, olhando para as principais forças políticas da Guiné-Bissau, o Partido da Renovação Social (PRS), o terceiro partido mais votado nas últimas legislativas, ainda não se pronunciou sobre quem vai apoiar nas presidenciais de 24 de novembro.
    A direção desta formação política tem em mãos uma carta do militante Tcherno Djaló, antigo ministro da Educação, que quer avançar para a corrida eleitoral. Sabe-se também que, apesar de ainda não ter feito um anúncio público, Florentino Mendes Pereira, secretário-geral do partido, também estará interessado em ser o candidato do PRS.
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  • Moçambique: Que medidas tomar face as ameaças da "Junta Militar da RENAMO"?
    Em entrevista exclusiva à DW África na segunda-feira (26.08), o presidente da “Junta Militar da RENAMO”, Mariano Nhongo ameaça impedir a realização das eleições de outubro. Analistas moçambicanos apelam ao diálogo.Quatros dias depois do Mariano Nhongo, o presidente da autoproclamada "Junta Militar" da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), ter ameaçado pôr em causa a realização das eleições gerais de 15 de outubro, em Moçambique analistas apelam ao diálogo interno e junto do Governo.
    "Queremos ver quem é esse (…) que vai andar por aí a gritar vote em mim (…), vamos matar. Vou colocar armas em todos os distritos e vamos emboscar os que vão fazer campanha porque deixaram a RENAMO de fora", esta é uma parte das ameaças proferidas por Mariano Nhongo em entrevista exclusiva à DW África, na última segunda-feira (26.08).
    As reações de repúdio a estes pronunciamentos do senhor Mariano Nhongo continuam a circular nos media. O académico Adriano Nuvunga lembra que as eleições são um direito dos cidadãos, pelo que "nenhum grupo armado pode dizer que vai perturbar a realização deste direito, porque isso é atentado contra a liberdade e os direitos dos cidadãos". Nuvunga destaca que "o general Nhongo deve compreender se o movimento que está a liderar é uma cisão na RENAMO, e caso seja isso, então ele tem que promover a criação de um outro partido, assim como foi o surgimento do Movimento Democrático de Moçambique (MDM)".
    Nuvunga vai mais longe ao afirmar que "o que não deve ocorrer é fazer o processo eleitoral refém, porque não é [propriedade da RENAMO], mas sim, dos moçambicanos, que são maiores do que qualquer grupo político e militar, para que possam expressar a sua vontade política de escolher os seus dirigentes".
    Problema interno
    Caifadine Manasse, porta-voz da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), voltou a afirmar que esse é um assunto interno que a RENAMO deve saber resolver. "É daqueles assuntos que todos devemos estar envolvidos para repudiar", disse Manasse, para quem "o processo de eleições é irreversível. Vamos ter eleições. Sempre tivemos eleições de cinco em cinco anos".
    "A RENAMO tem que encontrar uma solução com os seus homens e assim trabalharmos para desenvolvermos o nosso país", apelou Manasse.
    Por seu turno, a Comissão Nacional de Eleições (CNE), através do seu porta-voz, Paulo Cuinica, mostra-se preocupada com as ameaças, mas acredita que as forças de defesa nacional garantirão a segurança dos eleitores.
    "Naturalmente estamos preocupados. Estas questões são resolvidas pela Polícia da República de Moçambique (PRM), e pelas Forças de Defesa e Segurança (FDS)... estas é que devem garantir a segurança", disse Cuinica assegurando que do lado da CNE há garantias de que o processo eleitoral, venha decorrer com tranquilidade.
    Liderança não inclusive de MomadeAdriano Nuvunga diz que a crise no seio da RENAMO é o resultado de uma liderança não inclusive do atual presidente do partido, Ossufo Momade. Mas também acredita que houve falhas nas negociações para o acordo de paz, assinado em Maputo, no dia 06 de agosto. Por isso apela ao bom senso para o fim desta crise, que no seu entender já não é apenas da RENAMO.
    "É uma questão de governação. É preciso alargar a mesa de diálogo para que o general Nhongo e o seu grupo possam participar e por via disso permitir uma reconciliação da sociedade moçambicana e uma governação inclusiva", defende o académico Adriano Nuvunga, atual diretor Executivo do Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD).
    Recorde-se, que em entrevista à DW África na terça-feira (27.08), o porta-voz da RENAMO, José Manteigas disse que as ameaças de Mariano Nhongo eram matéria do Estado, por considera-las crime. No entanto, Adriano Nuvunga observa que este posicionamento da RENAMO é um abandono dos antigos membros o que para ele pode "exacerbar o problema ao invés de encontrar uma plataforma de resolução".
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  • Membros da RENAMO boicotam Manuel de Araújo, em Quelimane
    Revolta dos representantes da RENAMO na Assembleia Autárquica contra o edil de Quelimane culminou no cancelamento da sessão desta quinta-feira (29.08). Membros da RENAMO alegam que Manuel de Araújo não paga os salários.Um grupo de 20 dos 24 membros da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) que compõem a maioria na Assembleia Autárquica de Quelimane boicotou uma reunião na manhã desta quinta-feira (29.08) no salão nobre do edifício do Conselho Autárquico, alegando falta de entendimento e mau relacionamento com Manuel Araújo, edil da cidade e pertencente à mesma formação política.
    Além de problemas relacionados com o não pagamento de salários, os membros da bancada da RENAMO em conflito com Manuel de Araújo disseram, sem gravar entrevistas, que as relações com o edil são más porque não há promoções e nem progressão na carreira profissional e muito menos subsídios de chefia para as pessoas que exerçam essas funções.
    A reunião tinha sido marcada para as oito horas da manhã, mas devido à ausência dos representantes da RENAMO, o início dos trabalhos foi alargado para as 10 horas locais. Mesmo assim, a maioria dos membros da RENAMO não compareceu.
    Sessão cancelada
    O presidente da Assembleia Autárquica, Manuel António José, também da RENAMO, ao ver que só estavam presentes os membros da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), cancelou o encontro.
    "Persistindo a falta de quórum necessário para que se possa iniciar os trabalhos, o presidente da Assembleia Municipal considera a reunião sem efeito nos termos do dispositivo legal do regimento," determinou.
    A DW África tentou várias vezes, sem sucesso, ouvir os membros da RENAMO que não compareceram à reunião.
    Críticas e indignação
    Já o chefe da bancada da FRELIMO, Francisco Ponta, ao falar aos microfones da DW África, mostrou-se indignado com a situação.
    "Para nós, é muito triste. Estávamos preparados para discutir os assuntos que foram arrolados sobre a conta-gerência de 2018, assim como o reajuste do orçamento. Chegamos aqui e estamos a ver que os nossos colegas estão ausentes," descreveu.
    "Temos informações de que há um assunto interno que está-se a tratar: primeiro, os membros não tiveram o seu ordenado e, como se não bastasse, solicitaram aos chefes das Finanças para debaterem a questão e perceber melhor o que está a acontecer. Como são problemas que não foram solucionados, então os colegas acharam melhor ficar em casa do que vir aqui e discutir essa questão. Há muita coisa que dá para se resolver e não está tendo solução. É lamentável," acrescentou.
    Alige de Morais, também da FRELIMO, criticou o edil Manuel Araújo.
    "O presidente do Conselho Autárquico apareceu aqui a mentir perante os membros da Assembleia, a dizer que estava a mudar carreiras. Alguns funcionários já tinham salários em atraso, portanto era tudo mentira. Ontem, víamos a bancada da RENAMO a aplaudir. Hoje é a própria bancada da RENAMO que está a ver que o presidente não serve para nada," disparou
    No local, Manuel de Araújo, negou prestar qualquer informação à DW África, tendo afirmado estar muito ocupado.
    Recorde-se que a Assembleia Autárquica de Quelimane é constituída por 40 membros - dentre os quais 24 da RENAMO, 15 da FRELIMO e um do Movimento Democrático de Moçambique (MDM).
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