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África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle episodes

  • Eleições em Moçambique: "Emprego e paz" prometem partidos políticos na província de Maputo
    Nesta terça-feira (10.09) os partidos, FRELIMO, RENAMO e MDM saíram à rua para “encantar”, o eleitorado da província de Maputo prometendo paz, redução do IVA e combate à corrupção.A campanha para as eleições gerais, para assembleias provinciais e a eleição dos governadores provinciais entrou esta terça-feira (10.09) no décimo primeiro dia. Os partidos políticos concorrentes e os candidatos continuam a tentar convencer o eleitorado a votar neles, prometendo "dias melhores" para a população da província de Maputo.
    Na sua terceira aparição de caça ao voto na província de Maputo, o candidato a Presidente da República pela RENAMO, o maior partido da oposição, Ossufo Momade, foi nesta terça-feira (10.09) "namorar” o eleitorado no distrito de Marracuene, província de Maputo, com "uma mala” cheia de promessas.
    Ossufo Momade quer baixar o IVA
    "Temos projetos para os jovens terem emprego. O nosso país é rico”, apontou Ossufo Momade, prometendo se vencer o pleito "vamos baixar o IVA (Imposto de Valor Acrescentado), os vendedores deste mercado pagam taxas mas não têm bancas melhoradas, porque esses [FRELIMO], não sabem governar”, disse o líder da RENAMO aos vendedores de um mercado na vila de Marracuene.
    Momade não só pediu voto para si e para a RENAMO, mas também para o cabeça de lista nesta província para o cargo de governador, António Muchanga. E para convencer o eleitorado a votar nele preferiu ir pelas críticas ao partido que governa Moçambique, desde a independência em 1975, a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO).
    Muchanga, por sua vez, recorreu às dívidas ocultas que, segundo ele, estão hoje a sacrificar o povo. E tenta convencer o eleitorado de que a melhor escolha é a RENAMO e o seu candidato Ossufo Momade.
    "Como partido propusemos que o atual Presidente da República, Filipe Nyusi, fosse ao Parlamento explicar o que sabe sobre as dívidas ocultas, mas a bancada maioritária da FRELIMO recusou”, indicou Muchanga para quem "a RENAMO procurou saber por que é que o Presidente da República não diz quem são as pessoas envolvidas nas dívidas e descobrimos que ele tem uma mão lá, porque era ministro da Defesa na altura [da contratação das dívidas]”, acusou.
    FRELIMO luta pela continuidade
    Na Matola, a FRELIMO, o partido no poder, através do seu membro sénior Arão Nhacale, prometeu ao eleitorado dar continuidade aos projetos de desenvolvimento do país. Aliás, a FRELIMO também promete criar novos empregos para jovens tendo em conta os grandes investimentos que estão a ser feitos no país.
    "Queremos apelar a todo o nosso eleitorado para que no dia 15 de outubro faça uma escolha certa, que dê garantias de continuidade das obras realizadas pelo Governo da FRELIMO e por Filipe Nyusi”, garantiu Nhancale.
    Ainda na província de Maputo, a FRELIMO reforçou-se com a presença de Jacinto Luis membro do partido, que em contactos porta-a-porta tentava conquistar os eleitores, tendo a paz como "cavalo de batalha”.
    "O Presidente Nyusi deu-nos mostras de que é um homem de paz, que ama o seu povo”, destacou Luís concluindo que "o Presidente Nyusi é a melhor escolha para o povo moçambicano”.
    MDM aposta na melhoria de saneamento de meio na Matola
    Augusto Pelembe, a cabeça de lista do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), a segunda maior força da oposição, e candidato a governador na província de Maputo, escolheu o mercado da Matola "A”, e de banca em banca mostrou o projeto de governação do partido, "temos que ir no dia 15 votar para que este bairro não continue nesta situação, com falta de água e fraco saneamento de meio... então esta desorganização com o modelo da boa Governação do MDM vai acabar”, prometeu o cabeça de lista do partido do "Galo”, Augusto Pelembe.
    CIP denuncia ilícitos eleitorais
    Neste décimo primeiro dia de campanha o CIP, Centro de Integridade Pública, denunciou atos de vandalismo, agressões e sabotagens entre os membros dos principais partidos: FRELIMO, RENAMO e MDM.
    De acordo com a organização, desconhecidos incendiaram na madrugada do dia 7 de setembro a residência de um membro da RENAMO de nome José Luís, no posto administrativo de Inhangoma, distrito de Mutarara, província central de Tete.
    Ainda na mesma província, um simpatizante da FRELIMO foi agredido e amarrado por simpatizantes da RENAMO, no distrito de Chifunde. O episódio deu-se quando a vítima, que trajava uma camiseta da FRELIMO, passou frente à sede da RENAMO, tendo sido acusado de ser espião da FRELIMO. A polícia foi chamada a intervir para repôr a ordem.
    O analista Tomás Vieira Mário chama atenção aos partidos políticos para que tomem o período de campanha como "uma festa. Ora festa não se faz com pessoas embriagadas que só fazem barulho (…), há uma série de ingredientes que fazem a campanha ser válida e até boa de assistir”, considerou.
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  • CEDEAO pede aos guineenses justiça neutra, objetiva e independente
    CEDEAO quer realização da primeira e segunda volta das eleições presidências este ano, na Guiné-Bissau. Missão da organização esteve em Bissau para avaliar os preparativos para o pleito marcao para 24 de novembro.Uma missão ministerial da Comunidade Económica de Desenvolvimento dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) esteve na segunda-feira (09.09.) na capital guineense para avaliar os preparativos para a ida as urnas, marcada para 24 de novembro.
    A delegação, que esteve algumas horas no país, manteve encontros com o Governo guineense, os partidos representados no Parlamento, as figuras que já se declararam candidatos ao escrutínio de novembro e ainda com o Procurador-Geral da República, tendo deixado clara a sua posição, a começar pela polémica sobre as correções das omissões nos cadernos eleitorais.
    "A missão insiste que caso não houver consenso total entre os atores políticos, sobre a correção das omissões nos cadernos eleitorais, que se mantenham os ficheiros eleitorais das legislativas de 10 de março. Este Governo deve ficar até a realização das eleições e deve trabalhar para que a primeira e segunda volta das presidenciais tenham lugar em 2019", disse, lendo o comunicado, o Presidente da Comissão da CEDEAO, Jean-Claude Kassi Brouw.Ao Procurador-Geral da República, Ladislau Embassa, a CEDEAO pediu uma "administração da justiça neutra, objetiva e independente". Um apelo que o titular do Ministério Público respondeu, prometendo atuar em nome da sociedade.
    Apoio ao processo eleitoral
    Relativamente às condições técnicas e financeiras para as eleições, de acordo com as informações apuradas pela DW África, junto de fontes governamentais, o orçamento para a realização das eleições presidenciais, na Guiné-Bissau, já foi entregue aos parceiros bi e multilaterais do país, alguns deles tradicionais, no apoio ao processo eleitoral guineense.
    Portugal, de acordo com as informações disponíveis, vai dar o apoio técnico, como tem feito nos processos eleitorais anteriores, contribuindo com urnas, resmas de papel, tinta indelével e a produção de boletins.
    Recentemente, a Ministra da Administração Territorial e Gestão Eleitoral, Odete Semedo, disse à agência de notícias Lusa que o orçamento, este ano, para a realização das eleições, é único, no qual constam os custos apresentados por outras instituições, que trabalham em colaboração com o Governo, desde as estruturas de segurança, até ao Ministério Público.
    A governante explicou que, depois um trabalho conjunto com o Ministério da Economia e Finanças, o orçamento global para a realização do escrutínio ficou fixado em 5,9 milhões de euros.
    "Saímos de um valor de aproximadamente de seis bilhões de francos cfa, para três bilhões de francos cfa (5,9 milhões de euros), mas isso tendo em conta todos os trabalhos que serão feitos, sem colocar em causa o processo. Os parceiros disseram que assumiriam apoiar o processo, mas as dívidas não iriam apoiar".
    Discursos que possam levar à violênciaDo outro lado do processo eleitoral, o ambiente político tem sido aquecido à volta das eleições presidenciais de novembro, fazendo com que a missão da CEDEAO tenha pedido a eliminação dos discursos que possam levar à violência.
    Por outro lado, delegação visitante também deplorou o aumento do tráfico de droga e felicitou as ações que levaram recentemente à apreensão de quase duas toneladas de cocaína.Recorde-se, que em março, nas vésperas das eleições legislativas, a Polícia Judiciária guineense fez uma outra apreensão de quase 800 quilogramas de droga.
    Correções nos cadernos eleitorais
    A ministra da Administração Territorial da Guiné-Bissau, Odete Semedo, esclareceu esta terça-feira (10.09.) que a decisão de introdução das correções às omissões de eleitores nos cadernos eleitorais cabe aos candidatos às presidenciais em conjunto com a Comissão Nacional de Eleições (CNE).
    "Não é nossa prerrogativa dizer que se vai utilizar ou não. O Ministério vai continuar o trabalho de correção das omissões, porque essa correção que vai ser feita não mexe com o servidor nem com os cadernos eleitorais", afirmou Odete Semedo."O que vai acontecer é que todos os dados corrigidos vão ser guardados. Vai haver a plenária da Comissão Nacional de Eleições com os candidatos [às eleições presidenciais] ou seus representantes e eles é que vão decidir. Vão dizer se queremos que estas 20 mil e tal pessoas votem ou não queremos. Não querendo, os cadernos estão prontos para ir a eleições", esclareceu a ministra. Odete Semedo sublinhou também que o Governo não está a fazer qualquer "finca-pé", mas apenas um trabalho técnico que não vai ser deitado fora.A ministra falava aos jornalistas no final de uma visita à Comissão Nacional de Eleições para entregar simbolicamente a segunda parte de equipamento doado pela China àquele organismo.
    Falhas técnicas
    De lembrar que o Governo da Guiné-Bissau está a realizar uma correção a omissões dos cadernos eleitorais, devido a falhas técnicas, que impediram mais de 20.000 eleitores de votar nas legislativas.
    As correções têm provocado alguma tensão política, com os partidos da oposição a considerarem que as correções não têm enquadramento legal, sugerindo a realização de um recenseamento de raiz ou novo recenseamento.
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  • Eleições em Moçambique: Oposição denuncia intimidação na Zambézia
    RENAMO e MDM denunciam perseguição e tortura aos seus membros em distritos da Zambézia, no centro de Moçambique. Também o uso de bens do Estado para apoiar a campanha da FRELIMO, que, entretanto, nega as acusações.A campanha eleitoral na província da Zambézia, no centro moçambicano, começou a esquentar com os partidos políticos a enfrentar dificuldades na caça ao voto para as eleições do dia 15 de outubro. As forças políticas da oposição apontam vários ilícitos que, no entanto, são desvalorizados pelo partido no poder.
    Manuel de Araújo, o candidato a governador da Zambézia pela Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), diz que sua campanha está a decorrer num ambiente doentio.
    "Algo que nos preocupa bastante que é a não existência de um ambiente favorável para a atividade política. A nossa Constituição diz que a liberdade de manifestação, a liberdade de opinião e a liberdade de expressão são direitos consagrados", afirma Araújo, que revela que em vários distritos "essa atividade politica é apenas reservada ao partido no poder".
    Perseguição política
    E ao fazer essa crítica, Manuel de Araújo apresenta três exemplos concretos de casos que aconteceram recentemente. Um deles ocorreu há poucos dias, quando, segundo o candidato da RENAMO, "um jovem docente da escola de Gurissa, que só pelo facto de ter recebido em sua casa o cabeça de lista da RENAMO, foi assaltado e neste momento está no hospital central de Quelimane a receber tratamentos".
    "Tivemos outro caso em Pinda, onde populares, esperando o cabeça de lista do partido RENAMO, foram violentados pela própria autoridade policial. Temos também um caso em Inhassunge, onde um cidadão, também por ter cumprimentado o cabeça de lista da RENAMO, foi espancado e arrancaram-lhe os seus bens", denuncia Manuel de Araújo.
    Partido no poder não vê ilícitos eleitorais
    Entretanto, Pio Matos, candidato a governador da Zambézia pela Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), não vê dificuldades alguma na atual campanha, sobretudo no que diz respeito aos ilícitos eleitorais apontados pela oposição.
    Para este candidato do partido no poder, "a campanha decorre num clima de paz". "A Zambézia sempre pautou por este principio cívico. Somos uma população bastante disciplinada, que se respeita e que se faz respeitar. Por isso a campanha está a decorrer num ambiente de paz", ressalta.
    Para o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), os episódios violentos que estão a ocorrer durante a campanha, nomeadamente contra os apoiantes de alguns candidatos, demonstram efetivamente que o processo não está a ser conduzido da forma como todos esperavam.
    Vitorino Francisco, porta-voz da campanha do MDM na Zambézia, diz que o partido esperava que "fosse uma campanha à dimensão dos discursos que foram proferidos no início da mesma pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), apelando que a campanha fosse ordeira".
    Uso indevido de bens do Estado
    No entanto, Vitorino Francisco denuncia "a continuação do uso abusivo das viaturas do Estado pelas caravanas dos membros do Governo que se confundem com os membros do partido no poder". "Uma realidade que faz com que as pessoas tenham a ideia de que a FRELIMO é quem manda e, portanto, os não frelimistas apenas se sujeitam a cumprir", afirma.
    Também Vitorino Francisco cita exemplos: "deparamos-nos nos últimos dias com situações piores, estamos a falar de situações de ameaças aos nossos membros e simpatizantes quando realizam a campanha porta a porta".
    "Por exemplo", continua o porta-voz, "uma família de membros do MDM em Milange foi vítima de assassinato e procuramos perceber quais seriam as motivações, enquanto os lideres comunitários recusaram efetuar a cerimonia fúnebre alegadamente porque eram membros do MDM. Também foi recusado o uso do cemitério. Nós em vida não temos a liberdade, mas também na morte é-nos negado o direito de ter uma sepultura. Isso é gravíssimo!", concluiu o porta-voz da campanha do MDM na Zambézia.
    Entretanto, os candidatos a governadores provinciais Manuel de Araújo, da RENAMO, e Luís Boa Vida, do MDM, trabalham esta semana na região norte da província da Zambézia, enquanto Pio Matos, da FRELIMO, escala a zona centro.
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  • Angola: Quem é João Malavindele, o substituto de José Patrocínio na Omunga?
    João Malavindele é o novo coordenador da ONG Omunga. Amigos descrevem-no como "sereno, simples e humilde” e que vai "dar conta do recado". Substitui o ativista dos direitos humanos José Patrocínio, falecido este ano.O novo rosto da ONG angolana Omunga diz que "vai dar continuidade ao legado do seu antecessor como forma de o homenagear". João Malavindele tem 36 anos, é natural do Lobito, província angolana da Huíla, e é licenciado em Direito pela Universidade Independente de Angola.
    Diz que vai apresentar as suas linhas de força apenas quando for empossado, no próximo dia 28. Mas de uma coisa tem a certeza: "vai dar continuidade ao legado deixado pelo José Patrocínio como forma de o homenagear".
    "Não temos mais nada se não prosseguir o que ele mesmo almejava na altura e com a certeza de que se ele estivesse aqui continuaria a fazer as mesmas coisas ou melhores ainda", acredita Malavindele.
    "Zé Tó" combatente pelos direitos humanos
    José Patrocínio morreu em junho, vítima de doença. Na altura, a sociedade angolana e ativistas cívicos definiram o fundador da Omunga como um "grande combatente pelos direitos humanos" que "deixou um legado pela tolerância".
    Em finais de julho, "Zé Tó", como também era conhecido, foi eleito personalidade do ano pelo Novo Jornal, na categoria sociedade.
    "A sociedade em si é testemunha daquilo que ele fez em prol da defesa dos direitos humanos e prova disso. Ele foi eleito personalidade do ano pelo Novo Jornal. Só isso é prova mais do que evidente daquilo que fez em prol da sociedade, em particular na defesa dos direitos humanos", entende o novo responsável da Omunga.
    Batalhas do novo timoneiro
    João Malavindele foi eleito no final de agosto como novo coordenador da Omunga, na IV Assembleia da ONG.
    Depois da morte de José Patrocínio, Malavindele tem levado a cabo várias atividades em nome da Omunga: em agosto realizou, por exemplo, uma mesa redonda sobre o "novo estatuto dos migrantes em Angola".
    Criticou o facto de muitos migrantes continuarem a ser discriminados, e pediu ao Governo para os ajudar a obter os documentos que precisam.
    Em 2016, Malavindele foi uma das vozes que se insurgiram contra a condenação dos "15+2", ativistas angolanos.
    "Dar conta do recado"
    Hossi Sonjamba, ativista e fotógrafo angolano, é amigo do novo coordenador da Omunga há mais de 10 anos: "Caraterizo-o como uma pessoa serena, simples, humilde e bastante comunicador com os seus amigos. Na verdade eu conheço Malavindele na circunstância do associativismo. Ou seja, do ativismo."
    Sonjamba espera que Malavindele "dê conta do recado": "Quero crer que não será uma tarefa difícil para ele, porque Malavindele sempre foi quadro da organização e a única diferença que faz é que ele assume agora a responsabilidade de ser o responsável máximo".
    A ONG continua a ser dirigida por uma comissão. O processo de transição deverá estar concluído até ao final de setembro, altura em que o novo corpo diretivo tomará posse.
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  • Quénia: Método inovador ajuda a identificar violadores sexuais
    Ativista e investigadora desenvolveram método para ajudar mulheres a identificar mais facilmente os agressores sexuais. Muitas vezes os violadores não são condenados por falta de provas. E Wangu Kanja quer mudar isso.No Quénia, uma ativista e uma criminologista desenvolveram testes de ADN que permitem que uma vítima de violação identifique facilmente o agressor. Em vez dos médicos, as amostras de ADN podem ser recolhidas pelas próprias vítimas. Nos últimos anos, a violação tornou-se uma arma de guerra em muitos conflitos. A violência sexual cotidiana é alarmante em muitos países africanos - e não apenas em regiões em crise.
    Eram 10 da noite quando Wangu Kanja foi violada. Estava dentro do carro, em Nairobi, a capital do Quénia, com amigos, quando de repente quatro homens armados abriram a porta do carro, ameaçaram-na e entraram. Foram até um multibanco e dois dos homens levantaram dinheiro com os cartões de crédito roubados. Os criminosos deixaram os amigos de Wangu irem embora. E ela ficou sozinha.
    Tinha 27 anos. Depois dessa noite negra começou a beber e ficou deprimida. Não sabia como lidar com o trauma, até que três anos depois fundou uma organização não-governamental para ajudar vítimas de violência sexual no Quénia.
    "Foi a partir da minha própria experiência pessoal, quando fui violada em 2002 e os desafios que enfrentei depois. Chega uma altura em que é preciso fazer alguma coisa, temos de descobrir o quê e concretizá-lo. Então, depois de três anos, tomei a decisão de fundar uma organização para abordar o tema da violência sexual", contou Wangu Kanja.
    Métodos inovadores
    Mas a ativista não está sozinha. Trabalha com a criminologista Lisa Smith, da Universidade inglesa de Leicester. Juntas, desenvolveram um método que permite às vítimas de violação identificar facilmente o agressor, através de testes de ADN, mais baratos do que os que existem atualmente.
    Em vez dos médicos, as amostras de ADN podem ser recolhidas pelas próprias vítimas - com um cotonete ou um pequeno tubo de plástico. No final do ano, os testes deverão ser distribuídos em várias regiões do Quénia, sobretudo em áreas rurais onde faltam hospitais.
    Mas muitos casos não são denunciados por mulheres que têm medo. E muitas vezes os violadores não são condenados por falta de provas. É isso que Wangu Kanja quer mudar. Se possível, também com a ajuda de instituições religiosas. Até porque muitas vezes a igreja é o lugar onde as vítimas procuram ajuda após a violação.
    "Se houver instituições religiosas envolvidas, quando vão pregar a palavra, indepentemente daquilo em que acreditam, vão falar da ajuda aos sobreviventes de violência sexual. Por isso, as igrejas são um parceiro fundamental na abordagem da violência sexual", explicou Kanja.
    Crença no conceito
    Uma ideia que a queniana apresentou no encontro mundial "Religiões pela Paz", que decorreu em finais de agosto em Lindau, na Alemanha. Wolfgang Schürer, um dos organizadores do evento, acredita no conceito e tem esperança.
    "Se já existe tal procedimento no país, a sua existência, só por si, poderá já ter um efeito preventivo. Isso poderia reduzir muito o número de agressões sexuais. Se pudermos contribuir para isso, esta conferência mundial, só por causa deste projeto, já terá valido a pena", afirmou Wolfgang Schürer.
    A agência norte-americana para o desenvolvimento (USAID) estima que 14% das mulheres no Quénia são vítimas de violência sexual pelo menos uma vez na vida. Na vizinha Tanzânia, de acordo com o Banco Mundial, quase uma em cada três mulheres entre os 15 e 49 anos foi vítima de violência sexual ou física nos últimos 12 meses.
    Nos últimos anos, a violação tornou-se uma arma de guerra em muitos conflitos. No leste do Congo, nos Balcãs e também na Síria, por exemplo. Em muitos países africanos, a violência sexual cotidiana é alarmante - e não apenas em regiões em crise.
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  • Eleições em Moçambique: Em Tete candidatos a governador falam de vitórias antecipadas
    Na província central de Tete, os três maiores partidos políticos no país, FRELIMO, RENAMO e MDM continuam a sua caça ao voto, prometendo melhores condições de vida aos tetenses, e mesmo assim já cantam vitórias.A campanha eleitoral para as eleições gerais de 15 de outubro Moçambique vai no seu décimo dia. Na província central de Tete, os três maiores partidos políticos no país, FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique), RENAMO (Resistência Nacional Moçambicana), MDM (Movimento Democrático de Moçambique) continuam a sua caça ao voto, prometendo melhores condições de vida aos tetenses, e mesmo assim já cantam vitórias.
    Analistas ouvidos pela DW África pedem soluções concretas para os problemas da província. E já antevêem uma vitória da RENAMO.
    A província de Tete, no centro de Moçambique, é um circulo eleitoral importante, em termos económicos. Contém alguns dos maiores depósitos mundiais de carvão mineral. Recentemente, foram descobertos nos distritos de Zumbo e Mutarara dois jazigos com mais de 360 milhões de toneladas de carvão, exploráveis entre 15 a 20 anos. Mas também o ferro, a energia elétrica, com a Hidroeléctrica de Cahora Bassa, a agricultura e a pecuária fazem de Tete uma das regiões que gera mais receitas para o país.
    Mas os impactos na vida das populações ainda estão aquém do desejável, reconhecem os três os candidatos a governador de Tete."Sonhos" de Domingos Viola
    Domingos Viola, o cabeça de lista da FRELIMO, entra na corrida para governador de Tete prometendo continuar com os projetos do partido visando o crescimento de província. "Eu quero ver Tete com estradas melhoradas, isenta de corrupção e uma província que inspira confiança e a população confia nos seus governantes. É isso que será a nossa linha de governação”, aponta Viola, adiantando que "a FRELIMO é um partido já maduro com longa experiência de governação e não estamos a lançar mensagens inovadoras, mas a nossa ideia é de continuidade”.
    Domingo Viola foi professor na Escola Secundária de Tete e é atualmente administrador do Distrito de Dôa.
    "(...) serviços de qualidade aos seus utentes", Ricardo TomásMas o cabeça de lista da RENAMO, Ricardo Tomás, diz que o que Tete precisa é de muitas mudanças e não de continuidade. Para Tomás, é inconcebível que "nós temos que recorrer ao tratamento sanitário no vizinho Malawi. Por que é que os malawianos não vêm para as nossas unidades sanitárias? É porque no Malawi tem Governo e aqui não temos Governo”, observa Tomás.
    Ricardo Tomás já concorreu por duas vezes ao cargo de edil da cidade de Tete, em 2013 pelo MDM e em 2018 pela RENAMO, tendo sido derrotado por Celestino Checanhadza da FRELIMO (2013) e César de Carvalho, em 2018.
    "Queremos instalar aqui um Governo da RENAMO que possa providenciar serviços de qualidade aos seus utentes”, promete Ricardo Tomás.
    Colocar Tete na rota do desenvolvimento
    Por seu urno Carlos Monteiro Chataica, cabeça de lista do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), também quer ver Tete desenvolvido e já sabe por onde começar:
    "Na primeira linha, temos o desenvolvimento sustentável de Tete, nomeadamente a agricultura. Esses pilares são para colocar a província na rota do desenvolvimento”, garante Chataica para quem "os recursos de que a província dispõe devem ser transformados localmente".
    O candidato do MDM diz ainda que o partido pretende melhorar a política de reassentamentos que preocupa parte da população de Tete, com muitas pessoas a reclamar das condições nas zonas para onde são transferidas por causa dos mega-projetos de exploração de carvão mineral.
    Candidatos cantam vitória
    Passados 10 dias desde o arranque da maratona de caça ao voto, os três candidatos ao cargo de governador de Tete cantam vitória.
    "Se hoje fosse o dia da votação, tenho a máxima certeza que estaríamos em vantagem na assembleia provincial e o Viola seria o governador da província de Tete”, vaticina o candidato da FRELIMO.
    "Se amanhã fosse o dia das eleições, era só ir carimbar e esperar o dia de tomada de posse”, diz por seu lado, Ricardo Tomás, da RENAMO, que já prefere ser chamado de governador de Tete.
    "É dessa vez. Mesmo se as eleições fossem agora vou ganhar”, assegura o cabeça-de-lista do MDM.
    Projetos concretos - pedem analistas
    Analistas políticos ouvidos pela DW África pedem uma campanha eleitoral ordeira e com projetos concretos de governação para os próximos 5 anos. Segundo o analista Aparício de Nascimento, a província de Tete tem ainda o desafio de transformar os recursos minerais que possui em riqueza para a população. "Queremos Tete mais desenvolvido, mas que este desenvolvimento não traga prejuízos para as comunidades”, apela Aparício de Nascimento.Por seu turno, Momad Rafique presidente do Grémio Juvenil para o Desenvolvimento Integral, uma organização da sociedade civil sedeada na vila de Moatize, diz que "uma das prioridades para Tete seria o combate à poluição provocada pelas atividades de mineração, criação de oportunidades de empregos e distribuição equitativa dessas oportunidades”, considera Rafique acrescentando que "tem que haver inclusão. Já não é altura para termos cidadãos da primeira, da segunda e da terceira”.
    RENAMO com mais possibilidades de vencer
    Nas últimas eleições de 2014, a RENAMO conseguiu eleger 42 membros, contra 37 da FRELIMO e 3 do MDM para a Assembleia provincial. Olhando para estes dados, Momad Rafique e Aparício de Nascimento antevêem uma vitória da RENAMO.
    Aparício de Nascimento explica que "a RENAMO é quem tem mais possibilidades de renovar o mandato, tendo em conta que é um partido popular, enquanto a FRELIMO, por aquilo que assistimos nos últimos dois anos [escândalos de corrupção], terá dificuldades de convencer o eleitorado”, considera De Nascimento.
    Momad Rafique acrescenta que "a oposição vem com mensagens de esperança ao povo moçambicano, combate a corrupção, nepotismo e percebo que a maior atenção da população vai para oposição e não para o partido no poder e a RENAMO é que está mais próxima de vencer a corrida eleitoral em Tete”.
    Artigo atualizado, as 19:44 (UTC) de 09 de setembro de 2019.
    5 min
  • Moçambique: Governo alemão disponibiliza 10 milhões de euros para agricultura
    O montante destina-se a financiar as micro, pequenas e médias empresas do sector agrícola, no país e jeito de crédito e o Governador do BM espera que contribua para a redução da pobreza e o aumento da inclusão económica.Em Moçambique, Governo da Alemanha financia as micro, pequenas e médias empresas do sector agrícola no valor de 10 milhões de euros.
    O Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, disse esperar que esta linha de crédito contribua para a redução da pobreza e o aumento da inclusão económica.
    O Banco de Moçambique assinou esta segunda feira ( 09.09 ) contratos de crédito com quatro instituições financeiras nacionais que vão intermediar os fundos do Banco Alemão de Desenvolvimento, KFW, para o financiamento às micro, pequenas e médias empresas do setor da agricultura.O Administrador do Banco de Moçambique, Jamal Omar, informou ter ficado acordado que o custo desse financiamento seja o mais baixo possível não excedendo uma taxa de juro de 15%.O dirigente disse ainda que esta linha de crédito tem uma componente importante. "É a componente da assistência técnica para apoiar não só os bancos beneficiários deste financiamento, mas também as empresas do setor agrícola para melhor se organizarem para terem acesso a esse financiamento e tirarem o melhor benefício possível”, esclarece Omar.
    Fraco financiamento na agricultura
    Para o Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, este financiamento reveste-se de especial importância para impulsionar o setor agrícola, que sustenta cerca de 75 a 80% da população moçambicana e com um peso médio de cerca de 25% sobre o Produto Interno Bruto (PIB).
    "Não obstante o seu peso considerável no PIB os níveis de financiamento a agricultura nos últimos cinco anos permanecem relativamente baixos em torno de 3 a 4% ao ano,” garante Zandamela.
    O Secretário Permanente do Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar, Víctor Canhemba Júnior, entende que "este é um exemplo de que conseguir crédito não é só para aquele que é produtor, mas também todo aquele que se interessa pela agricultura”, considera Canhemba Júnior, acrescentando que "estarmos todos nós engajados e com muita atenção para a questão das mudanças climáticas.”
    Por seu turno, o embaixador da Alemanha, Detlev Wolter, disse esperar que esta linha de crédito contribua para,"a redução sustentável da pobreza no país, o aumento da segurança alimentar, da produtividade e a criação de emprego.”
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  • Novo aeroporto de Luanda: Um elefante branco em Angola
    O novo aeroporto internacional de Luanda é um "elefante branco" que já pesa milhares de milhões de dólares. As obras começaram em 2004 com financiamento da China, mas não têm fim à vista. Terá havido problemas de gestão.A ideia era construir um novo aeroporto internacional em Luanda com capacidade para 13 milhões de passageiros por ano. Mas, 15 anos depois, o projeto continua por concretizar.
    Para o jornalista angolano Rafael Marques, este "é um dos maiores elefantes brancos em África".
    "Inicialmente, o projeto estava orçado em 300 milhões de dólares, mas subiu para 9 mil milhões. E não há fim à vista", comenta Marques em entrevista à DW.
    A empresa China International Fund (CIF) geriu inicialmente a construção do novo aeroporto de Luanda. As obras começaram em 2004, durante a Presidência de José Eduardo dos Santos. Mas a CIF foi entretanto afastada "por inconformidades e incapacidade declarada" da empresa, anunciou este ano o novo Governo angolano, liderado por João Lourenço.
    "Saquear os empréstimos"
    A inauguração do aeroporto esteve inicialmente prevista para 2015 ou 2016. Foi depois adiada para 2017. Agora, passou tanto tempo que o plano de construção ficou desatualizado e, de acordo com o Governo, será preciso fazer ajustamentos técnicos e de funcionalidade.
    "Ao olharmos para o que foi construído até aqui, é um projeto que foi feito para saquear os empréstimos que a China concedeu a Angola para a reconstrução nacional", afirma Rafael Marques. "É um projeto de construção que nunca mais tem fim e que, nesta altura, não faz muito sentido e deixa o Estado angolano altamente endividado."
    O projeto do novo aeroporto está agora nas mãos de outra empresa chinesa, a AVIC.
    China interessada em África
    Nem todos os projetos chineses têm gerado "elefantes brancos" como este em Angola.
    Ao todo, segundo o jornal oficial "China Daily", a China já completou a construção de 14 aeroportos no continente: reabilitou o aeroporto internacional de Entebbe, no Uganda, construiu um novo terminal no aeroporto internacional de Adis Abeba e também esteve envolvida em projetos aeroportuários em Moçambique e na Namíbia, por exemplo.
    O interesse da China em África é grande, comenta o politólogo alemão Sven Grimm. O Governo de Pequim está interessado "na internacionalização, em ter acesso aos mercados e em dar vazão à mão de obra em excesso no setor da construção", diz.
    Por outro lado, "o financiamento de infraestruturas vai de encontro a uma grande necessidade em África", refere o politólogo do Instituto Alemão para Política de Desenvolvimento, em Bona.
    A curto prazo, isso é bom para o continente. Mas, a longo prazo, quem lucra é a China, lembra Grimm: "Quando as coisas são construídas de fora, não se cria necessariamente postos de trabalho. A China lucra ao apoiar ativamente as suas próprias empresas".
    "Elefantes brancos"
    Sendo assim, segundo o politólogo, não seria do interesse da China criar "elefantes brancos", por uma questão de reputação. "É um capital político significativo que pode eventualmente ser desperdiçado, e a China deve ter cuidado para não ganhar fama de financiar elefantes brancos em demasia", afirma Grimm.
    Sobre o novo aeroporto internacional de Luanda, o jornalista angolano Rafael Marques pede esclarecimentos - não só ao Governo angolano, como também ao Executivo chinês. É preciso saber o que aconteceu ao dinheiro, refere Marques.
    "Se os contratos tivessem sido feitos como deve ser e houvesse uma supervisão do Governo chinês, responsável pelos empréstimos, não estaríamos nesta situação. Por isso, deveriam responsabilizar-se pelo que aconteceu", diz.
    A nova data apontada para a conclusão do novo aeroporto internacional de Luanda é 2023. Mas o jornalista desconfia: será preciso esperar para ver.
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  • Eleições em Moçambique: Críticas às "antigas promessas" eleitorais em Nampula
    Em Nampula, os partidos políticos fazem inúmeras promessas na campanha eleitoral, mas os cidadãos consideram que não há novidades. Entretanto, analistas já apontam a RENAMO como favorita na votação de 15 de outubro.A campanha eleitoral, rumo às eleições presidenciais, legislativas e primeiras para a eleição do governador provincial, está ao rubro na província de Nampula, no norte de Moçambique. Muitas e muitas promessas são feitas desde o início pelos quatro cabeças de listas dos partidos concorrentes, como forma de conquistar votos por parte do eleitorado.
    O cabeça de lista do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Mussa Abudo, diz que caso seja eleito governador de Nampula vai aproveitar os recursos minerais e naturais que a província dispõe para melhorar a vida das populações.
    "A nossa província tem muitos recursos, mas mesmo assim nós sofremos. Por exemplo, no caso da madeira; em Nampula há muita madeira, mas a província sofre de falta de carteiras nas escolas. Nós não podemos viver com esse tipo de ambiente", considera o candidato.
    Luís Mecupia é o cabeça de lista da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), o principal partido da oposição em Moçambique. Mecupia diz que a sua aposta está mais voltada para a área social, concretamente para a saúde, a educação e ao abastecimento de água.
    Agricultura e geração de empregos
    "Há um setor muito importante que pode trazer muito emprego: a agricultura", acrescenta o candidato da RENAMO, dizendo que a área "não poder ser encarada sob o ponto de vista apenas de produção agrícola, mas temos de associar a produção e o fator mecanização como também o agro-processamento", referiu.
    Para o cabeça de lista do partido Ação do Movimento Unido para a Salvação Integral (AMUSI), Orlando Valentim, o seu Governo, caso vença as eleições, vai apostar mais no apoio dos camponeses, nomeadamente nas técnicas de produção, como na comercialização e no combate à corrupção.
    "Os agricultores quando produzem, os compradores esquecem que eles têm apenas um salário por ano [colheita]. Os compradores compram pouco, ditam preços e no final o camponês continua com fome. Vamos trabalhar para acabar com a corrupção na província de Nampula. Vamos apoiar as pessoas com deficiências assim como acabaremos com a desnutrição crónica", prometeu.
    "Desenvolvimento contínuo"
    A FRELIMO, através da chefe da brigada central de assistência à província de Nampula, Margarida Talapa, que tem vindo a pedir votos lado a lado com o seu cabeça de lista a governador, Manuel Rodrigues, assegurou que os candidatos às eleições presidenciais e provinciais, ao vencerem o escrutínio, vão contribuir para o desenvolvimento contínuo do país e da província em particular.
    "A vitória da FRELIMO e do seu candidato é um imperativo nacional e condição para que Moçambique continue a consolidar-se como uma nação forte. E Nampula continue a crescer", declarou Talapa.
    Cidadãos procuram novidade
    Entretanto, os cidadãos consideram que não há novidades nas promessas dos partidos, quando comparadas com as dos outros anos eleitorais, e pelo facto querem mais ações de melhoraria das condições de vida da população.
    "Naquilo que eu constatei nos manifestos dos partidos políticos, eles não trazem alguma novidade, só estão, como é de costume, a pedir voto e apenas votos e nalgum momento as promessas continuam a ser aquelas falaciosas", disse à DW África José Simão, residente em Nampula.
    Também Laura Julião, de Nampula, espera mais mudanças. "Espero mais emprego nas promessas que eles estão fazer, e que realmente façam isso que eles estão a prometer".
    Outro residente, Renaldo Agostino, acredita que "é difícil criar emprego", mas espera que o partido vencedor "crie oportunidade de negócios para os jovens e financiamento de projetos juvenis". "Também água e energia", disse.
    RENAMO apontada como favorita
    Por seu turno, o analista Arlindo Muririua antevê a RENAMO como o partido que poderá escolher o próximo governador da província, porque segundo ele "o que está a fazer a RENAMO nos municípios de Nacala-Porto, Angoche, Ilha de Moçambique, Malema e Nampula tem muito a ver com o desenvolvimento da região e não é só discurso".
    De acordo com Muririua, "as pessoas que estão em Namapa dizem que o município de Nacala [gerido pela RENAMO] está bem organizado em termos de prestação de contas e outros. E isso é maior que discurso. Isso pode influenciar", assegura o analista, acrescentando que "não é a sondagem que estamos a fazer, mas a perceção do povo sobre o trabalho desse partido".
    Porém, o analista não descarta a ideia de que o partido FRELIMO poderá mudar o seu discurso de promessas e afirma que o Presidente Filipe Nyusi já está a fazê-lo ao combater os corruptos.
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  • Eleições em Moçambique: Gaza em campanha apesar da polémica do recenseamento
    A campanha na província de Gaza já está em marcha com os principais partidos a tentarem chegar ao máximo de pessoas possível. No entanto a questão da disparidade do número de recenseados ainda não está resolvida.O caso do recenseamento em Gaza continua a ser polémico em Moçambique, com o Instituto Nacional de Estatística (INE) a prometer agora resolver o assunto até dezembro, já depois das eleições gerais de 15 de outubro. Apesar da polémica, a campanha eleitoral está desde 31 de agosto nas ruas da província, num ambiente tranquilo e ordeiro.
    A RENAMO, o maior da oposição, não esquece, no entanto a disparidade dos dados sobre o número total da população em idade eleitoral em Gaza. Mouzinho Gondorujo, cabeça-de-lista da RENAMO, diz que a projeção do STAE, o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral, de mais de um milhão e cem mil eleitores, contra os cerca de 800 mil do INE, visa travar o avanço dos partidos da oposição.
    "Aqui em Gaza, aqueles números tendo em conta os resultados que aposição teve no ano passado, este STAE viu-se forçado em partir para manobras de projeções de números para contrariar essa tendência do voto da própria oposição, ciente daquilo que está a acontecer estamos a fazer agora, é um trabalho de base a nível dos distritos no sentido de garantir a maior fiscalização deste processo eleitoral”, afirmou o candidato da RENAMO para Gaza.
    Já na visão da FRELIMO o número de inscritos é fruto do trabalho junto dos potenciais eleitores. Para o secretário provincial de mobilização, propaganda e órgãos sociais do partido, Almeida Guelume, se há alguém que deve ser questionado sobre os números são os mandatários que estão na comissão provincial de eleições.
    ″Estamos a falar de uma província que está em franco crescimento em termos do ensino superior e há entrada de irmãos que vêm de outras províncias para frequentar o ensino superior e outros serviços que procuram a nível da nossa província, se for para serem inquiridos só pode as pessoas que os partidos políticos mandataram para acompanhar a par e passo”, explicou Guelume.
    FRELIMO e RENAMO seguem a todo vapor
    A RENAMO, segundo partido mais votado em Gaza nas autárquicas de 2018, atrás da FRELIMO, o partido no poder, aposta numa campanha porta-a-porta. Mouzinho Gondorujo promete mais postos de trabalho para os mais jovens, caso seja eleito governador: "Viemos pedir o seu voto jovem, para nós a juventude é o pilar da nação, iremos trazer muito desenvolvimento, iremos apostar na juventude no emprego”.
    Os dois maiores partidos, RENAMO e FRELIMO, desdobram-se em reuniões populares em Gaza para conquistar o eleitorado e encontram-se com funcionários públicos e organizações da sociedade civil.
    Margarida Mapandzeni é cabeça de lista da FRELIMO em Gaza e garante que "votar na FRELIMO, significa votar na continuidade para nos dar mais centros de saúde nos nossos distritos para nos dar mais escolas para continuar a nos dar ensino gratuito"i.
    300 mil eleitores “extra” são um insulto para o MDM
    Por sua vez, o MDM, a segunda maior força da oposição, com a cabeça de lista Clara Mucavele, a única mulher a integrar a lista de candidatos a governadores provinciais dopartido, tem organizado desfiles de apelo ao voto pela mudança e boa governação.
    Hermínio Mahanungu é membro sénior do MDM e garante a confiança do seu partido: "Votando no MDM é depositar a sua confiança em nós para que possamos trazer mudanças. Esta estrada mãe está assim nem sei à quanto tempo sem pavimento. Sabes que a província de Gaza não tem nenhuma empresa? Quando formos a ganhar tem que haver empresa aqui, emprego para todos”.
    Entretanto, o delegado do MDM na cidade de Xai-Xai, Alquedino Mavie, lamenta a representatividade do partido na Comissão Provincial e classifica o caso dos mais de 300 mil eleitores “extra” como um insulto.
    ″Na comissão são dezasseis e tirando os dois do MDM ficam catorze e os dois votos contra do MDM, praticamente são nulos, repudiamos bastante. O processo eleitoral começou com ilícitos e neste momento período de campanha estamos a verificar muitos ilícitos, então recensear acima de trezentos e vinte e cinco mil eleitores fantasmas, alguns que já morreram, alguns ainda no ventre das suas mãe, então é um insulto″, contesta Mavie.
    Reforço da observação eleitoral
    Perante a polémica, Carlos Mhula, da Liga dos Direitos Humanos, apela ao sentido prático dos partidos. "As cifras estão lá e tudo indica que não serão alteradas”, diz o analista, "por isso resta reforçar a observação em todas as assembleias de voto”.
    Carlos Mhula ainda afirma que não há favoritos na corrida ao cargo de governador, refere que é importante chegar a mensagem política ao meio rural, onde estão mais de 70% dos eleitores e onde escasseiam as tecnologias de comunicação e informação.
    "Não há favoritos, o que devem (fazer) é o trabalho político a nível das zonas rurais, um trabalho sério. O eleitor de 1994 tinha estereótipo de guerra, hoje o jovem que entra nas eleições, ele quer ver os seus problemas de emprego, de habitação e o seu bem estar social resolvido", disse Mhula.
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