África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle

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África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle episodes

  • Caso Mahamudo Amurane: Processo anda para trás
    MP não conseguiu juntar provas suficientes para avançar com processo para julgamento do assassinato de Mahamudo Amurane. A família do ex-edil de Nampula assassinado também não acredita que se vá encontrar os culpados.O "Caso Mahamudo Amurane" (antigo edil da cidade moçambicana de Nampula assassinado em 2017) pode não ser julgado este ano, alegadamente, por falta de provas suficientes que incriminam os dois e únicos arguidos até aqui acusados, pelo Ministério Publico (MP), no envolvimento no assassinato. Para o efeito, a juíza da sexta secção do Tribunal Judicial da Província de Nampula devolveu ao Ministério Público o processo por entender que as investigações feitas por aquela entidade não provam o envolvimento material assim como moral dos dois arguidos.
    Falta de provas
    Num documento emitido pela juíza da sexta secção do Tribunal Judicial da Província, com seis páginas, datado de 8 de agosto corrente, que o nosso correspondente teve acesso, diz o que passamos a citar.‘‘O facto de os co-arguidos Saíde Aly Abdulremane Abdala (antigo vereador) e Zainal Abdina Abdul Satar (empresário de construção civil), terem respondido que o atirador veio do lado frontal e efetuou os disparos mesmos em frente e bem assim, o facto de ao se fazer a reconstituição dos factos ter-se demonstrado que os co-arguidos Saíde Aly Abdulremane Abdala e Zainal Abdina Abdul Satar Daúdo, eram os únicos que se encontravam próximo da vítima e, por sinal, a mesma distância a que o projétil foi disparado, tais factos, no nosso entender, não podem constituir elementos suficientes de prova para que os arguidos sejam considerados os autores do crime'', refere o documento.
    Entretanto, volvidos aproximadamente dois anos, a família do já falecido edil acredita que o caso será arquivado, mas ainda insiste no pedido de esclarecimento.
    Selemane Amurane é sobrinho do falecido edil, não alimenta muitas esperanças.
    "Se o Ministério Público e o SERNIC (Serviço Nacional de Investigação Criminal) não conseguiram durante este tempo, como é possível conseguir depois mais outro tempo? Onde é que vão achar (as provas)? Nós perdemos um grande homem. É o munícipe, a família e todo Moçambique que já perdeu um grande senhor'', lamentou Selemane.
    Beco sem saídaMomade Ussene é advogado de profissão acha que o processo teve um andamento normal e disse à DW África o seguinte.
    "Em termos técnicos, considero um despacho normal, porque a lei prevê isso que se o tribunal constatar deficiências na instrução dum processo, principalmente na fase de instrução preparatória uma vez que a instrução contraditória foi feita pelo tribunal, mas se nas duas fases de instrução do processo o tribunal concluir que há deficiências na produção de provas a lei prevê que se tome essa decisão", afirmou Momade Ussene.
    O advogado mostrou-se contudo indignado com as autoridades que investigaram o caso.
    "Agora, numa outra situação tendo em conta a nossa realidade, estou preocupado e considero esta situação revoltante porque se o SERNIC passou dois anos e não conseguiu produzir melhores provas não me parece que com essa decisão do tribunal possa aparecer provas que o tribunal vai considerar melhores", constatou Ussene.
    A DW África contactou a porta-voz da Procuradoria Provincial de Nampula, órgão que representa o Ministério Público, mas disse que não podia pronunciar-se a respeito por estar fora da província e por não ter visto o documento do tribunal. Mas segundo o jornal moçambicano "Carta de Moçambique" que cita fontes da Procuradoria, sem revelar quais, o Ministério Público não concorda e poderá recorrer da decisão do tribunal.
    Também tentámos falar com os advogados dos dois arguidos para obter uma reação sobre o assunto, mas estes mostraram-se indisponíveis até ao fecho desta reportagem.
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  • Angola: Ex-ministro dos Transportes é condenado a 14 anos de prisão
    Augusto Tomás e outros dois réus foram condenados por peculato, branqueamento de capital, associação criminosa e artifícios fraudulentos para desviar fundos do Estado no caso do Conselho Nacional de Carregadores (CNC).O Tribunal Supremo angolano condenou esta quinta-feira (15.08) o ex-ministro dos Transportes Augusto Tomás a 14 anos de prisão. Outros réus implicados no caso do Conselho Nacional de Carregadores (CNC) foram condenados a penas que vão de dois a 12 anos de prisão.
    O Ministério Público angolano acusou os réus de crimes de peculato, branqueamento de capital, associação criminosa e artifícios fraudulentos para desviar fundos do Estado. No fim de quase dois meses e meio de julgamento, Joel Leonardo, presidente do coletivo de juízes, leu o acórdão que ditou a prisão do ex-ministro angolano dos Transportes na governação do antigo Presidente José Eduardo dos Santos.
    O caso CNC começou a ser julgado a 31 de maio deste ano e provocou ao Estado angolano um prejuízo de mais de mil milhões de kwanzas (o equivalente a 13 milhões de euros). "Em cúmulo jurídico visto o artigo 92 do Código Penal vai o réu condenado na pena única de 14 anos de prisão maior e multa de 18 meses, à razão diária de 120 kwanzas", diz a sentença.
    Para além de Augusto Tomás, também foi condenado a 10 anos Manuel António Paulo, ex-diretor geral do CNC. Isabel Bragança recebeu 12 anos de prisão, Rui Manuel Miota, dez anos, e Eurico Pereira da Silva, dois anos com pena suspesa.
    Defesa vai recorrer
    Sérgio Raimundo, um dos advogados de defesa, diz que vai recorrer da decisão do Tribunal Supremo. "Como nós não temos ainda os tribunais da relação, a primeira instância do julgamento de pessoas com fórum pessoal é o Tribunal Supremo. O recurso é para o plenário do Tribunal Supremo", disse.
    E, enquanto durar o recurso, Augusto Tomás vai continuar na cadeia Hospital Prisão de São de Paulo em prisão preventiva e os demais réus estarão sob termo de identidade e residência, a medida de coação menos gravosa que lhes foi aplicada.
    Seja como for, parece que Augusto Tomás vai entrar na história como sendo o primeiro ex-ministro angolano a ser condenado no âmbito da luta contra a corrupção e a impunidade, bandeiras do Presidente angolano, João Lourenço, e do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).
    Sérgio Raimundo diz não ter dúvidas de que a sentença foi encomendada. "Quanto a isso não há dúvidas. Aliás, se vocês acompanharam ao longo destes meses de julgamento, em momento algum nesta sala passou alguém que veio dizer que Augusto Tomás se (apoderou) deste ou daquele valor. Augusto Tomás mandou pagar despesas do Ministério da Justiça, e o Ministério da Justiça não é uma empresa de Agostinho Tomás, é um departamento do Executivo", disse.
    Face a esta realidade, Sérgio Raimundo pondera abandonar a atividade da advocacia nos próximos tempos. "São tantas as contradições a dada altura que dá a sensação que esta sentença veio sei lá de onde. Eu estou a pensar seriamente em abandonar a advocacia, porque não há condições para o exercício de uma advocacia séria e de uma verdadeira administração da justiça se nós estivermos a condenar pessoas por encomenda ou para dar a entender que agora as coisas mudaram é melhor fazerem sozinhos", afirmou.
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  • CIP oferece-se para financiar auditoria ao recenseamento eleitoral em Gaza
    O Centro de Integridade Pública (CIP) diz estar disponível para financiar uma auditoria independente ao recenseamento eleitoral da província de Gaza. Para o CIP não há impedimento legal para que a auditoria aconteça.Mesmo sem revelar o montante que estaria envolvido no processo, aquela Organização Não-Governamental diz-se pronta para assumir todos os custos desta operação.
    Borges Nhamire – pesquisador do CIP disse em entrevista à DW África que neste momento a sua instituição já recebeu propostas técnicas e financeiras de duas instituições internacionais (os nomes não foram revelados) com larga experiência em matérias de auditorias das eleições em África e no mundo.
    DW África: O CIP diz-se disponível a financiar o processo de auditoria independente e internacional do processo de recenseamento da província de Gaza. O que é que se pretende com isso?
    Borges Nhamire (BN): Pretende-se apurar a origem da disparidade dos dados sobre o número total da população em idade eleitoral em Gaza. Como é do domínio público, dois órgãos(Instituto Nacional de Estatísticas – INE e a Comissão Nacional de Eleições – CNE)que realizaram o censo na província, um concluiu que até a data das eleições haverá cerca de 800 mil eleitores (dados do INE) e o outro veio dizer que haverá cerca de 1 milhão de eleitores, com uma diferença de mais de 300 mil votantes. Não estamos a dizer se uma ou outra entidade está errada.
    Mas nunca foi esclarecido de onde vem esta diferença. É possível apurar auditando o recenseamento num processo que já aconteceu aqui em África, em países com caraterísticas sociais semelhantes as de Moçambique, como são os casos do Zimbabwe, Senegal, Nigéria, Gana etc..
    Isso é um processo fácil. E realizando-se essa auditoria já se pode encontrar qual é a origem desta disparidade.
    DW África: Tendo em conta que estamos a menos de dois meses para as eleições de 15 de outubro, ainda há tempo e espaço para esta auditoria que o CIP propõe?
    BN: Sim. Nós pedimos propostas técnicas e financeiras de empresas internacionais com experiência nestas matérias. E para realizar a auditoria do recenseamento na província de Gaza é uma coisa que se faz em uma ou duas semanas, desde que a CNE disponibilize a base de dados do processo.
    DW-África: O CIP acredita que a CNE estaria disponível a aceitar esta auditoria?
    BN: Nós acreditamos que não há nenhum impedimento legal para que a base de dados não seja disponibilizada. Mas também é no sentido de transparência, porque o processo eleitoral deve ser transparente. Aliás, este é o lema não só de Moçambique, mas também de qualquer parte do mundo – as eleições devem ser livres, justas e transparentes.
    Transparência é explicar as pessoas de onde é que vêem os resultados das eleições. Neste caso deve-se esclarecer de onde é que vêem os resultados do recenseamento eleitoral.
    A lei diz que a documentação do recenseamento eleitoral deve ser depositada no arquivo histórico de Moçambique. O que significa que ela é pública. Então, não há nenhuma restrição de confidencialidade para o acesso a esta informação.
    Se a CNE não disponibilizar os dados para a auditoria não o fará por desconhecimento da lei.
    DW África: Qual é o custo total desta auditoria.
    BN: Não o posso precisar agora. Mas a garantia que tenho é que todo o custo que for necessário para este processo o CIP está disponível a cobrir.
    DW África: O CIP diz no seu comunicado de imprensa, que a DW África teve acesso, que fez uma investigação prévia em cinco distritos da província de Gaza, nomeadamente Xai-Xai, Manjacaze, Chókwé, Bilene e Macia. Que conclusão chegou?
    BN: O que se constatou é que fala-se de cerca de 300 mil eleitores a mais. Mas este número está concentrado nestes distritos, por sinal municipalizados, onde houve recenseamento para as eleições autárquicas de 2018, e recenseamento para o escrutínio deste ano. É precisamente nestes distritos onde há a grande disparidade. A grande contribuição desta investigação é que não é necessário fazer uma auditoria ao recenseamento de todo o país. Só se vai concentrar na província de Gaza, particularmente nestes distritos, onde têm 300 mil eleitores a mais.
    DW África: Que impacto estes 300 mil eleitores a mais têm numa eleição presidencial?
    BN: Estes 300 mil eleitores representam cerca de 3 por cento de votos expressamente válidos que se esperam que venham destas eleições. Isso tem muito impacto, pode favorecer a uns numa votação que já sabemos que vence quem tiver maior número de votos.
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  • Nigéria: Nem mais um centavo para importar alimentos, diz Presidente
    Presidente instruiu Banco Central a deixar de financiar importação de alimentos, visando reforçar a economia local. Economistas saúdam medida, mas empresários temem incentivo ao mercado informal."Não dê um centavo a ninguém para importar alimentos para o país" - estas terão sido as palavras dirigidas pelo Presidente Muhammadu Buhari ao Banco Central da Nigéria, segundo o seu porta-voz, Garba Shehu. "O Presidente Muhammadu Buhari revelou que instruiu o Banco Central da Nigéria a deixar de fornecer divisas estrangeiras para a importação de alimentos para o país", afirmou o porta-voz, na terça-feira (13.08).
    Além de levantar questões sobre a independência do Banco Central da Nigéria, a decisão de Muhammadu Buhari de suspender o financiamento para importar alimentos faz soar o alerta de que o "tiro pode sair pela culatra".
    Produtos alimentares como leite e arroz estão entre os visados ​​pela decisão do Presidente Buhari. A partir de agora, a importação será mais complicada, uma vez que o Banco Central da Nigéria não concederá mais moeda estrangeira aos importadores de alimentos.
    A decisão do chefe de Estado surge duas semanas depois de um anúncio semelhante feito pelo governador do Banco Central, Godwin Emefiele.
    Os empresários nigerianos condenam a medida e temem que a decisão acabe por alimentar o mercado informal.
    Promover a produção nacional
    Especialistas, no entanto, apontam efeitos positivos da nova política. O economista nigeriano Garba Sheka lembra que "as commodities são mais baratas, comparando com a produção local. Por isso, com esta política, o Governo procura beneficiar os produtores locais, ou estes estariam desencorajados a produzir".
    Outro economista, Ariel Nitedem, professor da Universidade de Yaoundé, nos Camarões, considera que "a decisão é benéfica para a economia nigeriana, porque permite limitar a saída das moedas, utilizando-as apenas para as coisas que não se pode fabricar localmente, ou produtos que são altamente estratégicos para a economia, o que possibilita promover a indústria na Nigéria".
    Nitedem afirma que a política permitirá também gerar emprego. "Tenho de dizer que é um gesto louvável para um líder africano", conclui.
    O próprio Presidente Muhammadou Buhari anunciou que deseja reduzir a dependência do país dos produtos alimentares importados e diversificar a economia, depois de uma prolongada dependência do petróleo.
    No entanto, a interferência direta do chefe de Estado no Banco Central gerou críticas, demonstrando que a instituição não possui independência do poder político.
    Atenção ao Livre Comércio
    Entretanto, a Nigéria assinou o Acordo de Livre Comércio Continental Africano - que visa criar um bloco livre de tarifas comerciais entre os países – e, para o economista nigeriano Garba Sheka, este acordo é um grande desafio para a Nigéria.
    O especialista alerta para a necessidade de políticas públicas mais sérias para o setor agrícola: "O Governo assinou o Acordo de Livre Comércio Africano, do qual fazem parte países muito mais eficientes que a Nigéria. Há países, como a África do Sul, que podem produzir mais barato e não haverá restrições para que os seus produtos entrem no mercado nigeriano", frisa.
    O economista alerta para consequências políticas, "a não ser que o Governo se certifique de que o produto nigeriano será mais barato comparado com o dos outros países".
    A Nigéria é o maior produtor de petróleo em África. É também a principal potência económica do continente, com mais de 190 milhões de habitantes.
    4 min
  • Deputados angolanos encerram ano parlamentar sob críticas
    Termina esta quinta-feira o ano parlamentar angolano. Cidadãos ouvidos pela DW fazem balanço negativo e criticam a não aproximação dos deputados à população e a não transmissão em direto das sessões parlamentares.Os deputados angolanos entram de férias esta quinta-feira (15.08) e só regressam a 15 de outubro, data do início de mais um ano legislativo. Durante este ano, muita coisa foi feita, desde a aprovação de leis autárquicas ao novo Código Penal. Mas não houve transmissão dos debates mensais.
    Na hora do balanço, a DW África andou pelas ruas da capital angolana e conversou com cidadãos como Félix Domingos, residente em Luanda, que dá nota negativa à atividade dos parlamentares angolanos. "Não fazem nada. Muita gente está aí e não faz quase nada", critica.
    Edson Nisabel, outro morador, considera que os deputados têm de estar mais próximos da população. "Até porque há pessoas que não sabem qual é a importância dos deputados, não sabem o que os deputados têm que fazer", sublinha.
    Talvez o desconhecimento sobre a atividade parlamentar se deva ao facto de as sessões não serem transmitidas pelas estações televisivas locais, diz a cidadã Ana Ferreira. "Aqui fora também precisamos de estar a par do que se está a passar ali dentro", diz.
    Para Manakena Adão Simão, a não transmissão dos debates no Parlamento angolano é precisamente o ponto negativo deste ano legislativo. "Porque se fizerem um debate será para nós, o povo. Ao transmitirem esse debate, vamos ver as opiniões, as ideias e os contributos. E ver se há erros que eles estão a cometer e ser criticados também", sugere.
    Porque não são transmitidos os debates?
    Em declarações à DW África, o analista e jornalista angolano Alexandre Neto Solombe diz que a não transmissão dos debates parlamentares tem uma motivação política. "A direção da Assembleia Nacional que reflete a vontade política do partido no poder prefere ser criticada pela não transmissão do que correr o risco da exposição pelo julgamento público que suscitaria a falta de argumentação na defesa das suas posições. Esta é a principal razão", argumenta.
    Mas há outras razões: como o silêncio dos partidos com assento parlamentar, acrescenta Solombe: "Há depois um silêncio compartilhado dos partidos de um modo geral, que estão representados na Assembleia Nacional, que gera o tal status quo que interessa muito particularmente ao partido no poder."
    Mas esta questão, segundo o analista, pode ser solucionada com a criação de conselhos de redação nos órgãos de informação angolanos. "A não instituição dos conselhos de redação deixa em aberto ao nível dos órgãos de imprensa, públicos em particular, que uma ordem superior, que é demanda de qualquer ponto da hierarquia do executivo ou do partido no poder, tenha de obrigatoriamente ser cumprida ao nível das redações dos órgãos de comunicação", conclui.
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  • Um ano de investigações à presidência Zuma
    Foi há um ano que começaram, na África do Sul, os trabalhos da comissão de inquérito Zondo, que investiga alegações de corrupção durante o mandato do ex-Presidente Zuma. Analistas fazem balanço positivo, mas pedem mais.Pouco a pouco, a chamada comissão de inquérito Zondo tem desvendado uma alegada teia de corrupção formada enquanto Jacob Zuma esteve na Presidência sul-africana, entre 2009 e 2018.
    Até agora, uma das maiores conquistas da comissão foi desvendar circunstâncias que terão conduzido a crimes de corrupção, comenta o analista Ralph Mathekga - essas informações são agora do conhecimento geral e podem ter consequências políticas.
    "Os eleitores que acompanham o trabalho da comissão têm uma perspetiva diferente dos que não acompanham", afirma Mathekga em entrevista à DW.
    Revelações
    A comissão de inquérito é presidida pelo juiz do Tribunal Constitucional Raymond Zondo e abriu uma caixa de pandora.
    Desde o início das investigações, em agosto de 2018, a comissão ouviu dezenas de políticos, empresários e funcionários públicos. Por exemplo, o ex-vice-ministro das Finanças Mcebisi Jonas, que revelou que os irmãos empresários Gupta lhe ofereceram o cargo de ministro e até o ameaçaram matar se não aceitasse um suborno de 600 milhões de rands (o equivalente a cerca de 35 milhões de euros).
    Themba Maseko, antigo chefe do gabinete de comunicação de Jacob Zuma, também testemunhou perante a comissão de inquérito: o então Presidente sul-africano tê-lo-ia incumbido de o ajudar nos negócios com os Gupta. Mas Maseko terá preferido renunciar ao cargo.
    Zuma rejeita ser "rei dos corruptos"
    Até agora, o ponto alto dos trabalhos da comissão de inquérito foi a audição de Jacob Zuma.
    O antigo chefe de Estado sul-africano tentou adiar a audição o mais possível, mas acabou por testemunhar em meados de julho. Zuma refutou todas as acusações e queixou-se de estar a ser alvo de uma conspiração para "assassinar o seu caráter".
    "Tem havido uma vontade de me tirar de cena", disse, rejeitando ser o "rei dos corruptos".
    Sul-africanos pedem ação da Justiça
    Não é tarefa da comissão de inquérito levar os acusados a tribunal. Ainda assim, o trabalho da comissão tem sido importante, segundo o analista Ralph Mathekga: "Mesmo que esta comissão não tenha consequências diretas, agora sabemos que houve muita coisa que correu mal, e se os políticos não são responsáveis, quem é?"
    Mas quanto mais se abre a caixa de pandora, mais sul-africanos pedem para que se leve os acusados a tribunal.
    David Lewis, da organização anticorrupção Corruption Watch, diz que não deveria ser sequer preciso esperar pelo relatório final da comissão de inquérito Zondo para avançar com um processo na Justiça.
    "Quando mais se sabe, mais as pessoas ficam furiosas por não se instaurar um processo e por os culpados continuarem a andar à solta", diz Lewis em entrevista à DW. "Há muito que as autoridades criminais têm matéria com que podem trabalhar."
    4 min
  • Bissau: Lançamento da candidatura de Carlos Gomes Júnior às presidenciais
    No lançamento da sua candidatura independente para as eleições presidenciais guineenses, "Cadogo" promete mais democracia, transparência e justiça social para a Guiné-Bissau.Carlos Gomes Júnior, lançou esta quarta-feira (14.08.) a candidatura independente para as eleições presidenciais de 24 de novembro, na Guiné-Bissau, e prometeu lutar para o reforço da democracia, da transparência e da justiça social.
    O lançamento da candidatura do ex-chefe do governo guineense, afastado do poder pelo golpe de Estado, em 2012, aconteceu em Gardete, a 12 quilómetros de Bissau, juntando milhares de pessoas.
    No seu discurso, Carlos Gomes Júnior (Cadogo como é conhecido), referiu-se a vários aspetos da vida política da Guiné-Bissau, mas centrou a sua mensagem naquilo que segundo disse, deve ser o "verdadeiro papel do Presidente da República".
    Candidato à revelia do PAIGC
    O homem que se assume como candidato independente,à revelia do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), partido do qual é ainda militante, fez várias promessas:"Como Presidente da República, tudo farei para que o reforço da democracia e do Estado de Direito seja uma realidade perene e absoluta, pelo que, lutarei com todas as minhas forças para que seja reforçada a democratização dos parâmetros da governação, suscitando positivamente a promoção da transparência, da justiça social e uma redistribuição mais justa e equitativa dos recursos do país", disse perante uma ovação.
    "Cadogo" afirmou ainda que o Presidente da República não é parte do poder executivo e nem deve imiscuir-se no seu normal exercício. No atual contexto constitucional, ao Chefe de Estado, cabe a função do parceiro do governo, alertou o candidato
    "O Presidente da República deve desenvolver com o Executivo, uma relação institucional na base das leis e na sã convivência e interação de poderes e competências, devendo nesse âmbito, agir como um parceiro estratégico do governo, criando concertações e sinergias, em busca do desenvolvimento e o bem-estar social dos nossos cidadãos".
    Promover o diálogo
    O ex-primeiro-ministro destacou a necessidade de promover o diálogo com as forças políticas, a classe castrense e a sociedade civil, visando uma cultura de paz na Guiné-Bissau.
    A DW África, ouviu a opinião de alguns guineenses sobre o que pensam da candidatura de Gomes Júnior:“Se formos ver o passado dele, enquanto esteve no governo do país, havia muita agitação política e social”, observou o cidadão Umaro Sané, enquanto Braima Djassi, considera que esta candidatura não é bem-vinda. “Carlos Gomes Júnior deve ficar ainda fora do contexto político guineense, até que alguns casos menos abonatórios e que ele terá sido um dos principais suspeitos sejam esclarecidos”. Por seu lado, a cidadã Eulália da Silva remeteu a decisão para os guineenses: “Carlos Gomes Júnior tem o direito de se candidatar e cabe aos guineenses saberem fazer a boa escolha para os próximos cinco anos”, concluiu.
    Percurso político
    Fizeram-se representar na cerimónia do lançamento da candidatura, várias individualidades da vida pública da Guiné-Bissau, uma ocasião que serviu para Carlos Gomes Júnior lembrar o seu percurso político e "feitos positivos", enquanto líder do PAIGC (atualmente no poder), levando aquele partido a conquistar 67 dos 102 lugares no Parlamento guineense, em 2008.
    Apoiam a candidatura independente de Carlos Gomes Júnior, o antigo Presidente interino da Guiné-Bissau, Raimundo Pereira, que é responsável do gabinete estratégico da candidatura, Fernando Mendonça, antigo ministro da Comunicação Social e Diretor Nacional da Campanha, e ainda Fernando Gomes, antigo Ministro do Interior.
    3 min
  • David Malembana: Da quarta Liga alemã à Liga Europa sonhando com altos "voos"
    David Malembane é futebolista nascido na Alemanha, filho de pais moçambicanos. Em julho assinou um contrato de 3 anos com o Lokomotiv Plovdiv, equipa que disputa a primeira liga da Bulgária e os playoffs da Liga Europa.O defesa central de 23 anos, nasceu em Freital, na Alemanha. É filho de moçambicanos. Há um ano, os seus pais regressaram a Moçambique. Vivem na Katembe, arredores da cidade de Maputo.
    David Malembana é internacional pela seleção de Moçambique. Iniciou a sua formação futebolística, nos júniores do Dynamo Dresden II, na época 2015/16 jogou pelo Goslarer SC 08 da quarta Liga alemã e nas três últimas temporadas jogou no Berliner FC Dynamo, onde se projetou para a primeira Liga búlgara.
    Em entrevista à DW África, Malembana diz que vive um sonho, no Lokomotiv Plovdiv da Bulgária equipa que está a disputar os playoffs da Liga Europa.
    "Vamos amanhã (quinta-feira, 15.08) à França para o jogo da segunda-mão da terceira eliminatória de acesso à Liga Europa, contra o Racing Club de Strasbourg", contou à DW África, David Malembana acrescentando que "perdemos o primeiro jogo por 1-0, mas penso que se nos concentrarmos podemos empatar e nas penalidades podemos passar para a outra fase. Estou confiante nisso”.
    "Voar mais alto"
    Malembana começou a jogar futebol como diversão, mas hoje é profissional. É por esta razão que o internacional moçambicano, quer ir mais longe.
    "Penso crescer mais aqui na Bulgária. Para mostrar o meu talento a muitas equipas da Europa (principalmente da Alemanha), que posso jogar ao mais alto nível e em ligas mais competitivas. E espero um dia voltar a jogar na Alemanha numa grande equipa”, afirma.
    David Malembana já foi convocado por duas ocasiões para a seleção moçambicana de futebol, na qualificação para a Taça Africana de Nações (CAN2019), mas ainda não jogou pelos Mambas alcunha da seleção nacional de Moçambique.
    Sonho de jogar pelos "Mambas"
    "O meu sonho é jogar pela seleção. Agora é um momento para que isso aconteça e acredito que lá vou chegar”, afirma Malembana.
    O atleta lamenta que o treinador do Dynamo da Alemanha não o deixava ir à seleção moçambicana das vezes que chegaram convites para isso, porque "não levava a sério este desejo de representar o meu país. Era a opinião do técnico. Hoje mudei de equipa e espero que seja esta a melhor oportunidade de jogar pela seleção nacional ”.
    Em conversa com à DW África, David Malembana acredita que Moçambique tem muitos jogadores talentosos, daí que estes devem fazer de tudo para se mostrarem ao mais alto nível.
    3 min
  • Desflorestação em Moçambique preocupa especialistas
    Moçambique perde, todos os dias, uma área florestal equivalente a mais de 300 campos de futebol. Observatório do Meio Rural sugere modernizar a agricultura para travar o ritmo de desflorestação.A deflorestação continua a ritmo acelerado em Moçambique, vinte anos após a adoção da Lei de Terras
    "Tivemos alguns resultados positivos, mas não conseguimos reduzir as taxas de desmatamento no país", refere João Carrilho, investigador da organização não-governamental moçambicana Observatório do Meio Rural (OMR).
    Cerca de 41% do território nacional é constituído por florestas, o equivalente a 34 milhões de hectares. No entanto, Moçambique perde anualmente cerca de 86 mil hectares (mais de 120 mil campos de futebol), sobretudo devido ao desmatamento.
    As perdas desde os anos 70 totalizam mais de oito milhões de hectares, uma área equivalente a quase o tamanho de Portugal, conforme dados recentes divulgados pelo Governo em parceria com o Banco Mundial.
    A culpa é da agricultura
    A maioria do desmatamento e degradação florestal no país é causada por práticas agrícolas insustentáveis, que prejudicam o bem-estar social, ambiental e económico, segundo o OMR.
    "Há uma ideia errada de que a principal razão do desmantelamento é o corte de madeira, para lenha e para carvão. Mas não é isso. 65% da área que é desmatada anualmente é substituída por agricultura", explica o investigador João Carrilho.
    Dois dos principais impactos do desmatamento são o aumento das emissões de gases de efeito estufa, embora em pequenas proporções no caso de Moçambique, e o deslizamento de terras, uma vez que as florestas são muito importantes para reter os solos.
    Melhorar as práticas agrícolas
    Para o académico Almeida Sitoe, o dinheiro que é ganho no processo de conversão de florestas seria melhor investido no desenvolvimento da agricultura, no setor energético e no "próprio processo de educação das pessoas que vivem dependentes dessa floresta."
    Em Moçambique, a agricultura é praticada por mais de 80% das famílias que vivem em áreas rurais, sendo a principal fonte de alimento e de renda. No entanto, o país tem um dos níveis de produtividade agrícola mais baixos da África Austral.
    Por isso, o investigador João Carrilho defende uma melhoria da tecnologia agrícola, para que se possa produzir mais na mesma área.
    "E se não começarmos hoje, em 2050 teremos o dobro da população com necessidade de alimentos a duplicar e com as florestas a reduzir", alerta.
    Carrilho defende ainda a conversão da atual legislação de florestas num instrumento centrado na gestão de recursos florestais e não na sua exploração.
    Para o académico Almeida Sitoe, a gestão dos recursos florestais passa pela integração de diferentes setores, para que "o derrube de florestas deixe de ser viável e as pessoas olhem para a floresta e digam que não vale a pena cortar a floresta, porque não vão ganhar mais comparativamente a outras formas de uso."
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  • Futebol: Antevisão da nova época da Bundesliga
    A época 2019/2020 da Bundesliga arranca na sexta-feira (16.08.) e a DW África vai acompanhar este grande evento desportivo. Este sábado, na DW África acompanhe o relato do jogo Borussia Mönchengladbach / Schalke 04.A Bundesliga, a principal liga alemã de futebol, arranca esta sexta-feira (16.08.). E nesta temporada, com um Borussia Dortmund mais forte mental e fisicamente para tentar travar a hegemonia do campeão Bayern de Munique. O comentador desportivo da DW África Philip Verminnen destaca o Dortmund, segundo classificado da época anterior, como candidato sério para conquistar o título. Já no próximo sábado (17.08.) pode acompanhar aqui na DW África a partida entre o Borussia Mönchengladbach e o Schalke 04, a partir das 16H25, tempo universal.
    DW África: O que podemos esperar desta época na Bundesliga?
    Philip Verminnen (PV): Creio que esta época ainda vai ser mais bem disputada que o ano passado. Na época passada depois de muito tempo tivemos uma disputada renhida pelo título na qual o Borussia Dortmund chegou a ser a líder por 9 pontos, em Janeiro de 2019 e acabou por perder na corrida final. E, o Bayern Munique foi campeão pela sétima vez consecutiva. Vejo que o Borussia Dortmund pelas contratações que fez, principalmente com a vinda do Thorgan Hazard e com o plantel jovem que tem, com a experiência do ano passado de ter perdido o título, acho, que essa falta de experiência não existirá nesta época. Acho que Borussia vem mais forte do que na temporada passada, mental e fisicamente.
    DW África: Quer dizer que Dortmund vem muito mais forte do que no ano passado para conquistar o título?
    PV: Eu acredito que sim, pelo facto deles passaram por um trauma na época passada. Foi uma grande frustração para o Dortmund não ter quebrado essa hegemonia do Bayern de Munique. Acho que este ano eles entram mais focados na conquista do título. Vem um Jadon Sancho mais experiente, um Marco Reus com mais fome, um Paco Alcácer fisicamente apto para jogar os 90 minutos e a defesa ganha mais experiência com a chegada de Mats Hummels, embora o Dialó tenha saído. Acho que no ano passado o Borussia perdeu muitos jogos ou escaparam-lhe muitas vitórias no final do jogo por falta da experiência, o que não vejo acontecer com muita frequência nesta época. Por isso, o Bayern precisa começar bem forte desde início caso queira conquistar o seu oitavo título consecutivo.
    DW África: O facto do Bayern Munique ter perdido a Super Taça contra o Dortmund significa que está mais forte do que no ano passado?
    PV: Eu não acredito que a Super Taça seja um termómetro muito forte para determinar o futuro de uma temporada. Claro que é motivante ganhar um troféu de um rival. Mas a Super Taça é apenas um jogo e a Liga são 34 jornadas. Então em 34 jornadas muita coisa acontece tem que ver o quão longe cada equipa vai na Liga dos Campeões ou na Taça de Alemanha. Quem terá mais desgaste físico e se o Bayern Munique vai ter alternativa, se o Lewandowski se lesiona, se o Thiago Alcântara vai render tanto quanto rendeu na temporada passada, se a nova defesa formada por Süle vai funcionar, temos que ver como é que a equipa vai desenvolver-se. No mercado de transferências ainda temos que ver se o Bayern vai conseguir contratar o Sané e se vai comprar jogadores ofensivos.O Bayern reforçou-se bem defensivamente. Depois de muitas temporadas o Bayern sofreu muitos golos na temporada passada em comparação com as outras temporadas. Então trouxe o Benjamin Pavard e o Lucas Hernández, ambos franceses. O Pavard pode jogar na central como na ala direita e Hernández na esquerda. A defesa do Bayern deve estar mais coesa nesta época. Só que não vejo aquele poderio ofensivo de outros anos, porque o Thomas Müller não é mais aquele jogador que encanta. O Ribéry e Robben já não estão mais no clube, tem que ver se Coman consegue suprir essa ausência do Ribéry e se Alphonso Davies consegue explodir do outro lado. Enfim, ofensivamente o Bayern ainda tem algumas interrogações, ainda tem alguns pontos a serem trabalhados e aí eu vejo o Borussia Dortmund um pouco mais ajeitado, mas mentalmente e de experiência competitiva, obviamente, o Bayern de Munique carrega muito mais.
    DW África: Quais são as grandes contratações da Bundesliga?
    PV: Nas contratações destaque para as duas peças do Bayern Munique, que trouxe o Benjamin Pavard e Lucas Hernández, que foram campeões mundiais com a seleção francesa, boas peças para a defesa. Gastaram 80 milhões por cada jogador ou seja abriram os cofres. Outra contratação muito interessante foi a ida de Thorgan Hazard do Borussia Mönchengladbach para o Dortmund. Um jogador muito interessante, irmão do Eden Hazard, jogador do Real Madrid. Thorgan Hazard está em óptima forma, jogando muito bem. Acredito que essas são as três grandes contratações na Bundesliga.
    DW África: A DW África começa neste sábado (17.08.) a Bundesliga com a partida entre Borussia Mönchengladbach e Schalke 04. Que jogo estás a perspetivar?
    PV: Sem dúvida que vai ser um jogo muito interessante e vai ser muito equilibrado. Um jogo de duas equipas, que na época passada, deixaram um pouco a desejar, principalmente o Schalke 04 que vinha de um vice-campeão e teve que lutar pela permanência na primeira liga. O Schalke 04 precisa de voltar a pensar em grande, uma equipa que não vence o título da Bundesliga desde 1958, tem um grande investimento e uma equipa jovem. Por seu lado, Borussia Mönchengladbach é uma equipa de tradição que nos anos 60 era o grande rival do Bayern Munique e uma equipa que sempre teve jogadores interessantes, mas que precisa de um poder ofensivo um pouco mais coeso. É uma equipa que jogou muitos anos em 4-3-3 e agora tenta jogar com apenas dois avançados. Vamos ver como é que a equipa vai concentrar-se com dois avançados mais fixos ao invés de três. É uma partida que vai definir a ambição das duas equipas para época, se vão jogar pelos lugares que dão acesso à Liga Europa ou apenas para manter no meio da tabela classificava.
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