África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle

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África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle episodes

  • CIP: Moçambicanos pagam cada vez mais pelas campanhas eleitorais
    Os eleitores moçambicanos pagam cada vez mais pela campanha eleitoral dos partidos sem que estes prestem contas detalhadas sobre o dinheiro que gastam. A denúncia é do Centro de Integridade Pública de Moçambique.A contribuição dos eleitores para o financiamento estatal às campanhas dos partidos políticos quase duplicou desde 2004, revela um estudo do Centro de Integridade Pública (CIP), divulgado esta terça-feira (06.08).
    Segundo o investigador do CIP Aldemiro Bande, enquanto em 2004 a contribuição de cada eleitor era de quatro meticais, o equivalente a cerca de 6 cêntimos de euro, em 2014 passou a ser de sete meticais, aproximadamente 10 cêntimos.
    Este valor vai aumentar ainda mais nas eleições deste ano. Prevê-se um incremento de 19% no financiamento público aos partidos, comparativamente a 2014, estimando-se que custe 85 milhões de meticais, o equivalente a mais de um milhão e duzentos mil euros, observa o CIP.
    Prestação de contas
    Aldemiro Bande critica o facto de não serem apresentadas ao cidadão as razões que ditam estes aumentos, nem justificações pormenorizadas sobre o dinheiro que já foi gasto.
    "Da análise feita aos relatórios de contas, que são apresentados pela Comissão Nacional de Eleições [CNE] depois do processo eleitoral, percebe-se que os mesmos não disponibilizam informações detalhadas sobre os gastos efetuados pelos partidos políticos com os fundos do Estado", afirmou Bande numa conferência de imprensa em Maputo.
    O investigador acrescenta que os critérios de elegibilidade definidos pela CNE para o acesso ao financiamento público permitem que partidos com histórico negativo de prestação de contas continuem a receber fundos do Estado.
    "Apesar de muitos partidos não prestarem contas, grosso modo não prestam contas, não houve ainda nenhum processo instaurado contra os partidos que não o fazem", diz Aldemiro Bande.
    Igualdade no tratamento dos partidos
    O CIP espera que a CNE não aprove as candidaturas dos partidos registados para as eleições deste ano que não justificaram em 100% o valor recebido nas últimas eleições gerais em 2014.
    A organização não-governamental recomenda ainda que sejam estabelecidos mecanismos mais rígidos de monitoria dos gastos dos partidos para evitar desvios de aplicação. E defende a alocação atempada dos recursos públicos com base em critérios mais justos de distribuição, de modo a salvaguardar a igualdade no tratamento dos partidos concorrentes.
    "Os critérios de financiamento definidos pela CNE nas eleições de 1999, 2004 e 2009 favoreceram as principais forças concorrentes. Só a FRELIMO [Frente de Libertação de Moçambique, no poder] e a RENAMO [Resistência Nacional Moçambicana] receberam cerca de 51% do total dos fundos", recordou o investigador do CIP, Aldemiro Bande.
    "Para este ano, a definição dos critérios de alocação não tomará em conta o princípio de representação proporcional, fazendo com que não haja um fundo específico do Estado que seja canalizado especificamente aos partidos com assentos na Assembleia da República", explica.
    Para o CIP, o financiamento da campanha dos partidos pelo Estado é uma medida necessária para garantir uma competição eleitoral equilibrada entre as formações políticas.
    3 min
  • Moçambique: Assinado o acordo de paz definitiva e reconciliação nacional
    O ato marca o marca o fim da instabilidade política e militar que o país viveu entre 2014-2016, com a recusa da RENAMO em reconhecer os resultados das últimas eleições gerais.O Presidente da República, Filipe Nyusi e o líder da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), Ossufo Momade, assinaram esta terça-feira à tarde (06.08) o acordo definitivo de paz e reconciliação nacional em Moçambique.
    O ato marca o fim da instabilidade política e militar que o país viveu entre 2014-2016, com a recusa da RENAMO em reconhecer os resultados das últimas eleições gerais.
    Na cerimónia de assinatura do acordo, em Maputo, Filipe Nyusi e Ossufo Momade juraram nunca mais pegar em armas para resolver os seus diferendos em Moçambique. Aliás, nas suas intervenções destacaram o diálogo como a "chave" para manter a paz.
    Paz efetiva
    "Moçambique nunca mais voltará à guerra", disse o Presidente da República. "Com este acordo, não estamos a dizer que não poderemos entrar em desacordo, mas sempre primemos pelo diálogo", sublinhou Nyusi.
    Para o líder da RENAMO, Ossufo Momade, a partir desta terça-feira, tanto o Governo como a própria RENAMO devem criar condições para que não sejam cometidos os erros do passado: "Com este acordo, selamos o nosso compromisso de manter a paz e a reconciliação nacional", referiu.
    "Todos nós somos chamados a praticar atos que protejam estes valores tão importantes para a manutenção da união entre os moçambicanos", afirmou Momade.
    O presidente da RENAMO comprometeu-se a fazer a sua parte como oposição e deixou claro que nunca vai recorrer a violência para resolver os diferendos com o Governo. Momade destacou ainda a necessidade da despartidarizar o Estado como um dos elementos básicos para a coexistência política no país.
    Eleições justas e transparentes
    Moçambique vai a eleições a 15 de outubro e, pela primeira vez, haverá uma eleição dos governadores provinciais.
    Ossufo Momade disse esperar que, com a assinatura do acordo, sejam criadas condições favoráreis para eleições justas e transparentes.
    Por seu turno, o chefe de Estado Filipe Nyusi afirmou que "os resultados das eleições não devem ditar o estado da paz em Moçambique".
    A assinatura do acordo, esta terça-feira, foi um momento histórico, testemunhado por várias individualidades internacionais, entre chefes de Estado e Governo africanos e missões diplomáticas acreditadas em Moçambique.
    Inicialmente prevista para as 16 horas, a assinatura do acordo de paz só ocorreu por volta das 17h15, quando os dois signatários, Filipe Nyusi e Ossufo Momade se sentaram à mesa e rubricaram o acordo, que era esperado com muita expetativa no seio da população moçambicana.
    Este é o segundo acordo de paz que o Governo e a RENAMO assinam. O primeiro foi rubricado em Roma, a 4 de outubro de 1992. Pelo caminho foram assinados três acordos de cessação das hostilidades, em 1990, 2014 e a 1 de agosto de 2019.
    Confiantes numa paz definitiva
    O negociador da paz e antigo membro da RENAMO, Raul Domingos, não tem dúvidas de que o que tem falhado nos processos de paz é a integração dos homens da RENAMO nas forças de segurança: "Ao que tudo indica, há uma cedência, há uma abertura na polícia, mas o mesmo não tenho sentido naquilo que são as informações nos Serviços de Informação e Segurança de Estado [SISE]", comenta em entrevista à DW.
    Domingos acredita, ainda assim, que, desta vez, há condições para que o país viva uma paz efetiva.
    Segundo o reverendo Marcos Macamo, "todo o moçambicano está ansioso em ver outra página". Macamo insta os políticos a não criarem medo no seio da sociedade.
    A União Europeia anunciou a disponibilização de 50 milhões de euros para apoiar o desenvolvimento económico local, a descentralização, a reconciliação e desarmamento e promover a desmobilização e reintegração de antigos combatentes.
    Artigo atualizado às 21:15 (CET) de 6 de agosto de 2019.
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  • Rumo ao desconhecido: As dificuldades dos migrantes africanos na travessia do Iémen
    Dinheiro, emprego e alguma estabilidade é o que muitos migrantes esperam encontrar ao decidirem fazer a perigosa travessia do Corno de África até ao Iémen. As dificuldades, no entanto, tornam a missão quase impossível.A fome, devido à seca, e a violência em países como a Etiópia e a Somália fazem com que, anualmente, mais de cem mil africanos abandonem os seus países em busca de uma vida melhor na Arábia Saudita. O que a maioria destas pessoas não sabe é a magnitude dos desafios e perigos que esta viagem acarreta.
    Muitos destes migrantes acabam por perder a vida na travessia pelo mar entre o Djibuti e o Iémen. E os que sobrevivem dão de caras com uma realidade que não lhes é de todo alheia, mas à qual quiseram fugir: um país instável e em guerra há cerca de quatro anos.
    Saidu é um destes migrantes. Tem 13 anos, vem da Etiópia e está acompanhado pelo irmão. Quando lhe perguntam o que procura, o seu irmão responde sem rodeios: "Dinheiro".
    Dinheiro, emprego e alguma estabilidade é o que muitos destes migrantes africanos esperam encontrar quando decidem fazer a perigosa travessia do Corno de África até ao Iémen. As dificuldades, no entanto, tornam essa missão quase impossível.
    Rumo à Arábia Saudita
    Para pisar o continente asiático, estes migrantes tiveram de pagar uma elevada quantia de dinheiro. Uma vez no Iémen, percorrem a pé, e pelo deserto, um longo caminho até Áden. O objetivo de todos é comum: chegar à Arábia Saudita e conseguir um emprego.
    No entanto, a grande maioria não o consegue cumprir. É o que garante um colaborador de uma das organizações que ajuda os migrantes que percorrem as estradas do Iémen. "A maioria deles, 90% ou 85% estão presos em Áden. Porque há uma guerra em Ad Dali'", afirma.
    Um migrante de 25 anos, que fez a travessia, descreve o drama da viagem que não consegue esquecer. "Quando entrámos no barco, não havia água, nem comida. Estava muito vento. Algumas pessoas tiveram de ficar de pé, outras estavam sentadas. O barco estava muito cheio", conta.
    Migrantes como negócio
    Ad Dali' é uma das províncias no Iémen devastadas pela guerra e um dos locais onde a probabilidade dos migrantes acabarem por ser arrastados para o conflito é grande. É o que conta à DW um cidadão iemenita, que prefere manter o anonimato.
    Com a guerra, os migrantes acabam por se tornar num negócio. Sem ter como ganhar a vida, os iemenitas foram obrigados a voltar-se para o contrabando. Ele próprio vive deste negócio. Ganha o equivalente a 360 euros por cada migrante. "O negócio do contrabando é generalizado porque não há segurança, não há estabilidade, não se vive bem. O negócio está agora a florescer", diz.
    Abdi, um migrante que chegou há dois meses da Etiópia, diz que foi espancado por contrabandistas e que não tem dinheiro para continuar a sua viagem. Aos futuros migrantes, deixa uma mensagem para não virem para o Iémen ou para outro país. "Se possível, fiquem na sua terra natal", aconselha.
    A rota de imigração que atravessa o Iémen para a Arábia Saudita é menos conhecida que a travessia do Mediterrâneo para a Europa, através do Sudão e da Líbia. É mais barata, mas também perigosa.
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  • Um ginásio para os deputados angolanos em tempos de crise
    O Presidente angolano, João Lourenço, autorizou uma despesa de mais de 12 milhões de dólares para montar um ginásio e mobilar escritórios na Assembleia Nacional. Deputado da UNITA diz que o país tem outras prioridades.Num decreto presidencial, o chefe de Estado angolano autorizou a aquisição do material avaliado em mais de 70 milhões de kwanzas (cerca de 200 mil euros). O contrato será celebrado com a empresa Sistec, S.A.
    À semelhança do "Bairro dos Ministérios", com 28 edifícios ministeriais e várias unidades de apoio, o tema do ginásio está a gerar grande polémica em Angola e a intenção do governo está a ser muito criticada.
    Em declarações à DW África, Nelito Ekuikui, da bancada da União Nacional para Independência Total de Angola (UNITA), diz que o país tem outras prioridades. "Não é oportuno alocar verbas para a construção ou apetrechamento de um ginásio ao nível da Assembleia Nacional. O país tem prioridades e as prioridades do país estão devidamente identificadas", afirma o deputado mais jovem do Parlamento angolano.
    Seca ou saúde são "mais urgentes"
    Nelito Ekuikui diz que não pretende frequentar o ginásio dos deputados. E aconselha o governo a recuar na sua decisão: "Faço exercício, vou caminhando, correndo pelas estradas que o país tem. O Executivo deve recuar no sentido de alocar essas verbas para um outro fim que é urgente e é imediato."
    Segundo o deputado, outro fim seria, por exemplo, a resolução do problema da seca no sul de Angola, nomeadamente no Cunene, no Kuando Kubango e no Namibe. Ou "a resolução da pobreza que é extrema em Angola", lembra.
    "A questão do nosso sistema de saúde de uma forma geral. Há prioridades devidamente definidas e acho que não nos devíamos dar ao luxo de identificar pequenas coisas que não acrescentam valor absolutamente algum quer na vida dos deputados quer na vida dos angolanos de um modo geral", critica Nelito Ekuikui.
    Angola precisa de deputados musculosos?
    Também Jorge Neto, jornalista e diretor do Jornal Manchete, não vê necessidade de o Governo investir num ginásio para deputados angolanos. "Nós precisamos de deputados caenhes (musculosos)? Não. Nós precisamos de deputados que se preocupam com as necessidades daqueles que eles representam na Assembleia Nacional."
    Jorge Neto diz que João Lourenço "deve pensar naquilo que está a fazer" e, sobretudo, nos cidadãos. "Os próprios deputados não irão frequentar este ginásio, porque com os salários de luxo que auferem, a maior parte deles têm ginásio em casa. Quem não tem em casa, paga um no bairro onde faz o seu exercício físico", explica.
    O jornalista acrescenta que se os valores forem investidos noutro setor da vida social, isso iria minimizar alguns problemas básicos da população: "(Esses) milhões de dólares para o governo liderado pelo João Lourenço podem não parecer nada, mas esses 12 milhões de dólares, investidos nas necessidades básicas dos cidadãos, é muito dinheiro".
    País em crise
    Angola continua em crise. Os angolanos continuam a mobilizar-se para acudir às populações que sofrem com a seca no sul do país, através da recolha de bens de primeira necessidade. Recentemente, a Rádio Nacional de Angola (RNA) e o Governo Provincial de Luanda levaram a cabo uma campanha e recolha de donativos para milhares de crianças e mulheres que não têm o que comer e beber no Cunene, Namibe e Kuando Kuabango.
    Mas é difícil chegar às zonas mais recônditas. "Há dificuldades de acesso, sobretudo das sedes comunais para o interior, porque as estradas não estão em condições. Por isso, optamos por comprar tratores que nos vão resolver o acesso às zonas de maior dificuldade, zonas sem estrada, para podermos lá chegar", diz o governador da província do Cunene, Virgílio Tchova. Além de água, há bens alimentares para entregar às populações nas zonas mais recônditas da província.
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  • Membros da oposição no Ruanda desaparecem misteriosamente
    Vários membros do partido da oposição "Forces Democratiques Unifiées" (FDU) foram encontrados mortos ou desapareceram de forma misteriosa no Ruanda. E ninguém sabe o que poderá ter acontecido aos críticos do governo.Há alguns anos que a FDU, a coligação de partidos de oposição ao Presidente Paul Kagame, se vê confrontada com casos misteriosos de desaparecimento de militantes.
    O caso de Eugene Ndereyimana é um dos últimos casos conhecidos. O jovem político de 29 anos, desapareceu no dia 15 de julho, quando se preparava para viajar para um encontro do partido na cidade de Nyagatare no nordeste do país. Ele nunca chegou ao congresso do partido e não se sabe do paradeiro do jovem político, pai de duas crianças.
    Investigações sem resultados
    Em declarações à DW África, a presidente da FDU, Victoire Ingabire Umuhoza, afirmou que já tentou por várias vezes contactar os serviços de investigação, mas não recebeu qualquer informação.
    "Quem conhece os serviços de investigação do Ruanda sabe que eles são bastante competentes. Ninguém pode simplesmente desaparecer, sem que eles venham a saber onde ele está. Isso não é possível. Eles podem me dizer que não sabem onde ele está, mas ninguém acredita. Eles sabem quem matou um membro da oposição. Eles sabem, mas não nos querem dar a informação", reclamou Victoire.
    Justin Bahunga, um dos vice-presidentes da coligação, também está cético em relação a esta situação. "Talvez se trate de uma ação deliberada do Estado, que visa impedir que qualquer oposição opere no Ruanda. Nesse caso é difícil pensar que conseguiremos receber qualquer informação. Esse é o pior cenário possível", afirmou Justin Bahunga.
    Oposição perseguida
    Há muito que opositores do Ruanda enfrentam intimidação, violência, prisão ou a perspetiva de desaparecimento, quando expressam as suas opiniões críticas sobre o Presidente Kagame e contra seu partido no poder, a Frente Patriótica Ruandesa (RPF), afirma Sarah Jackson, vice-diretora da Amnistia Internacional para a África Oriental.
    "Na ausência de investigações confiáveis, é muito difícil saber o que aconteceu. Como Amnistia Internacional, pedimos às autoridades do Ruanda que abram essas investigações e que elas sejam credíveis, para que saibamos o que aconteceu realmente. É incrivelmente preocupante ver esses casos de desaparecimentos a crescer e o impacto que isso tem no contexto político no Ruanda", afirma com preocupação Sarah Jackson.
    Os opositores ao regime de Kagame não têm facilidades mesmo além das fronteiras do Ruanda. Em 2014, Patrick Karegeya, ex-chefe dos serviços secretos do Ruanda e mais tarde um dos fundadores do Congresso Nacional de Ruanda, crítico do regime, foi estrangulado no seu quarto de hotel na África do Sul.
    Em 2010, tinha dado entrevistas ao jornal ugandense "The Observer" e à BBC, nas quais classificava Kagame de "ditador que não desiste do poder". Além disso, Karegeya acusara Kagame de ordenar uma série de assassinatos políticos. Quando Kagame foi questionado sobre o possível envolvimento do governo na morte de Karegeya, disse: "O Ruanda não matou essa pessoa, mas não nego que eu gostaria que o Ruanda tivesse feito isso". Kagame também enviou uma advertência: "Qualquer sobrevivente que conspirar contra Ruanda, seja ela quem for, pagará o preço".
    Alguns dos membros da FDU que foram vítimas destas perseguições são: Anselme Mutuyimana, que foi encontrado morto no meio da selva; Boniface Twagirimana, vice-presidente da FDU­ que está desaparecido; Jean Damascene Habarugira, encontrado morto num hospital com sinais de mutilação; e Illuminee Iragena, que continua desaparecida.
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  • Moçambique a caminho de uma paz definitiva?
    Académico Adriano Nuvunga acredita que os pronunciamentos da "Junta Militar" da RENAMO não comprometem o acordo de paz. Mas apela a um diálogo entre a RENAMO e o grupo para além de acreditar numa paz definitiva no país.O Governo moçambicano e o maior partido da oposição, a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) assinam esta terça-feira (06.08) o acordo definitivo de paz para Moçambique. Este ato histórico acontece cinco dias depois da assinatura, na região de Chitengo na Gorongosa do acordo de cessação definitiva das hostilidades, que assolaram o país entre 2014-2016.
    Este é o segundo acordo de paz a ser assinado no país, sendo que o primeiro foi a 04 de outubro de 1992. Pelo caminho foram assinados três acordos de cessação das hostilidades, em 1990, 2014 e a 1 de agosto de 2019.
    Em entrevista à DW África, o académico e diretor executivo do Centro para Democracia e Desenvolvimento (CDD), Adriano Nuvunga, acredita que o acordo a ser assinado esta terça-feira (06.08) tem tudo para dar certo até porque os principais atores representam um "sangue novo” sem "ódios do passado”.
    Por outro lado, Nuvunga nota que há uma espécie de abertura do atual Presidente da República Filipe Nyusi em reconhecer a RENAMO como um interlocutor válido para o desenvolvimento do país.
    DW África: Esta terça-feira (06.08.) será assinado o segundo acordo de paz no país, depois da assinatura do Acordo Geral de Paz de Roma em 1992. O que se pode esperar deste novo documento?
    Adriano Nuvunga (AN): Os dois líderes que vão assinar este acordo, são pessoas não históricas, e não trazem aqueles ódios do passado. Aquela falta de consideração que estava ali patente entre os anteriores líderes do Estado (Joaquim Chissano e Armando Guebuza) em relação à RENAMO. Parece-nos que desta vez se mostra claramente um sentimento de que é preciso conceder um espaço político e democrático à RENAMO, reconhecer-lhe como um ator relevante no processo. Então neste sentido vejo com otimismo este acordo.
    DW África: Diríamos aqui que estamos perante sangue novo, um novo acordo e um futuro promissor?
    AN: Sangue novo, mas com problemas antigos não resolvidos.
    DW-África: Quais problemas?
    AN: Tem que ser resolvido este problema do passado que tem a ver com a qualidade das eleições. Até que ponto a FRELIMO está preparada para que as eleições sejam livres e justas. É isso que vai ser o fator diferenciador para o sucesso do acordo geral de paz.
    DW África: Neste final-de-semana a suposta Junta Militar da RENAMO disse que não entregaria as armas em sua posse, por não reconhecer a atual liderança do partido. Sendo assim, não está minado o acordo de paz que se assina esta terça-feira?
    AN: Isso não é novidade para quem se interessa por este tipo de assunto. Por um lado, a forma como a transição política dentro da RENAMO aconteceu, as pessoas estavam habituadas ao centro de poder do partido estar naquela região centro do país, mas com o falecimento do Afonso Dhlakama, este centro migrou para o norte, para Nampula. Portanto isso é uma realidade. Por outro lado, o aparecimento do Elias Dhlakama criou sentimentos nomeadamente à volta dos Ndaus que tinham ficado com o sentimento de que estava a ficar sem nada. Então há esta questão dentro da RENAMO de que não deve haver aqueles que ficam sem nada. Não creio que seja uma contestação da liderança do partido, como tal, mas essa deve ser a expressão encontrada para a pressão política com vista a abordagem de questões importantes, como a inclusão política e económica dentro da própria RENAMO.
    DW África: Está a dizer que é preciso que a própria RENAMO encontre formas e mecanismos de resolver o problema com a suposta "Junta Militar"?
    AN: O partido tem que dialogar com estas pessoas. Isso significa, a aceitação mútua, deixar de dizer que eles são bandidos e indisciplinados. As pessoas evoluem. Quando Dhlakama morreu, Ossufo Momade ficou líder. Então tem que aceitar que do mesmo modo que ele se tornou líder, outras pessoas também que estavam em posições inferiores também evoluíram. Neste sentido tem que haver respeito de parte a parte para que possa haver um diálogo e as pessoas possam entender que na situação que se vai ter de agora em diante, vão ser inclusas neste processo.
    DW África: Este grupo não pode comprometer os acordos de cessação das hostilidades rubricado no passado dia 01 de agosto e de paz que se assina amanhã?
    AN: Em princípio não porque vai depender da forma como a RENAMO vai se posicionar no que diz respeito ao acesso à sua retaguarda e no relacionamento com as Forças de Defesa e Segurança para manter a lei e ordem. Trata-se de algo que já acontece e creio que desta maneira não haverá necessariamente perturbação ao acordo. Não vejo a curto prazo isso acontecer... vai depender também do que vai fazer Ossufo Momade assim que se assinar o acordo de paz.
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  • Ébola: Autoridades da Zambézia em alerta para eventuais casos
    Apesar de Moçambique não constar na lista de países em alto risco, as autoridades sanitárias do país estão a monitorar a evolução da epidemia de ébola nos países vizinhos. Fronteira com o Malwai foi reforçada.As autoridades da saúde na Zambézia, no centro de Moçambique, negam haver perigo, mas admitem que a província está em alerta para responder a eventuais casos de ébola. E dizem ter instalado desde o final da semana passada duas equipas na fronteira com Malawi para controlar migrantes ou detetar e tratar preventivamente casos suspeitos.
    Apesar de Moçambique não constar na lista de países em alto risco, as autoridades sanitárias do país estão a monitorar a evolução da epidemia nos países vizinhos. Por isso, segundo o diretor provincial da saúde na Zambézia, Hidayat Kassim, as equipas de controlo foram posicionadas na região de Morrumbala e Milange, dois distritos que fazem fronteira com a República do Malawi, onde há casos suspeitos da doença.
    "Já recebemos este alerta por parte do Ministério da Saúde. As orientações que temos é rastrear todos as pessoas que entram [em Moçambique] e vermos se teve alguma febre ou contato com alguma pessoa que esteve na República Democrática do Congo ou se passou por aquele país", refere o diretor.
    Sem casos registados
    Kassim explica ainda que, consoante este rastreio, poderá determinar se há ou não há riscos. E acrescenta que se houver algum caso suspeito, o paciente será isolado em quarentena até que esteja fora de perigo.
    Entretanto, segundo Hydayat até o último domingo (04.08) teriam sido rastreadas 113 pessoas na fronteira do Milange, mas sem suspeitas da doença. "Neste momento não temos nenhum caso suspeito ao nível da província da Zambézia, mas vamos reforçar a vigilância", ressalta.
    Para o diretor provincial da saúde na Zambézia, "por ser o ébola uma doença caracterizada por febres, vómitos e hemorragias, é fatal e muito perigosa".
    Epidemia na RDC
    O reforço das medidas para conter o surto de ébola por parte das autoridades moçambicanas surge na sequência da situação na Republica Democrática de Congo (RDC), onde o surto já causou a morte de 1.813 pessoas dos cerca de 2.701 casos registados, segundo informações veiculadas por várias agencias noticiosas.
    Por outro lado, o Conselho de Segurança das Nações Unidas voltou a manifestar na última sexta-feira (02.08) "profunda preocupação" com o surto na RDC e sublinhou "a necessidade de uma resposta urgente" de combate à doença.
    Em julho, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou que o surto epidémico de ébola naquele país tinha-se tornado uma emergência de saúde internacional.
    Alguns residentes da província da Zambézia dizem que têm conhecimento da doença e temem o perigo que o ébola representa para as populações. Estefánio Luis faz um apelo às autoridades: "como munícipe de Quelimane, gostaria que o Governo controlasse a fronteira e nós, como cidadãos, temos de ficar em alerta para informar as autoridades em caso de qualquer sinal desta doença".
    Outro residente em Quelimane, Siloi Ismael, também espera que o Governo esteja atento a possíveis casos de ébola em Moçambique, pois "a doença é muito perigosa e pode matar".
    3 min
  • Escolas de Manica atingidas pelo Idai voltam à normalidade
    Setor da Educação aumentou a carga horária dos docentes nas escolas afetadas pelo ciclone e introduziu aulas aos fins-de-semana para recuperar o tempo perdido. Resultado foi positivo: aulas já decorrem sem sobressaltos.Na província de Manica, no centro de Moçambique, as aulas em escolas destruídas de forma parcial ou total pelo ciclone Idai, em março, já estão a decorrer sem sobressaltos, segundo os estudantes.
    O setor da Educação e Desenvolvimento Humano na província de Manica traçou estratégias para a recuperação dos temas perdidos. A carga horária dos docentes nas escolas afetadas foi aumentada e foram introduzidas aulas aos fins-de-semana.
    Também não houve férias no mês de abril para os alunos dos distritos atingidos pelo Idai em Manica, com objetivo de acelerar os conteúdos perdidos enquanto as escolas estiveram encerradas.
    Sussundenga
    Um dos distritos mais afetados pelo ciclone em Manica foi Sussundenga. No posto administrativo de Dombe, 43 escolas ficaram sem aulas num período de uma semana durante a passagem da tempestade tropical. Alguns alunos do distrito comentaram as estratégias adotadas para recuperar o ano letivo.
    Manuel Baptista António, aluno da 8ª classe, disse que depois que as aulas recomeçaram, uma semana depois do Idai, não houve férias e nem interrupção de uma semana como em outras regiões do país.
    Porém, o estudante não soube precisar se o conteúdo perdido foi recuperado nas aulas. Segundo António, ao retomarem as aulas, outros temas foram iniciados e não foi possível precisar o que foi perdido. "Quando iniciámos, passámos para outros temas e não conseguimos verificar quantas aulas perdemos", diz.
    Aulas sem sobressaltos
    Mas Mateus José Caero, outro estudante também da 8ª classe, disse que depois do Idai, as aulas têm estado a correr sem sobressaltos e que não nota diferenças em relação às outras escolas.
    "Estamos juntos com outras escolas. Foram-nos dado cópias [das brochuras], para que cada um lesse em casa, e recuperasse as aulas que perdemos", conta.
    O diretor do Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia de Sussundenga (SDEJT), em Manica, garante que foi possível recuperar os conteúdos perdidos e que não foi preciso interromper as aulas nas 43 escolas de Dombe.
    "Não interrompemos as aulas durante o primeiro trimestre, o que significa que durante uma semana conseguiram recuperar todos os conteúdos. Nós conseguimos por ter aumentado a carga horaria, por exemplos, os que tinham dois tempos já dávamos três tempos até sábado. Nós temos apoio da UNICEF que esta a construir em Dombe algumas tendas", assegura.
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  • Al-Shabaab: À procura de uma segunda oportunidade depois da deserção
    Todos os anos, dezenas de jovens caem nas mãos dos terroristas do Al-Shabaab. Muitos acabam envolvidos em ataques, poucos são os que escapam. A DW esteve num centro de reabilitação para ex-combatentes no sul da Somália.Algures em Jubaland, no sul da Somália, uma casa de alta-segurança alberga 86 ex-combatentes do Al-Shabaab. São cidadãos que embarcaram num processo de reabilitação para se libertarem da doutrina extremista. A maioria são homens com idades entre os 24 e os 29 anos, amnistiados pela Justiça somali.
    Nesta casa, os jovens procuraram uma segunda oportunidade, depois de se libertarem das amarras de um dos grupos extremistas mais mortíferos do mundo. Dois deles mostraram-se dispostos a partilhar a sua história e falar sobre a deserção à DW África. Por segurança, a sua localização e identidades reais não serão divulgadas.
    Isa tinha apenas 15 anos quando se alistou no grupo terrorista, há cinco anos. "No início, as pessoas juntavam-se por causa da religião. Eles diziam que estavam a promover a religião, mas isso é apenas um disfarce. Na verdade, eles matam pessoas inocentes sem motivo", relata o jovem.
    Também sob o pretexto da religião, Ahmed juntou-se ao grupo quando tinha 16 anos. Demorou quase oito a conseguir escapar. "Eles também matam muçulmanos nos ataques. Quando vi o meu povo a morrer, decidi que era hora de fugir", recorda.
    Movimento recruta alvos fáceis
    Muitas crianças e homens oriundos de regiões pobres e desfavorecidas da Somália são atraídos para o Al-Shabaab na sequência de dificuldades financeiras, mas também em busca de um sentido de pertença e de integração. São depois manietados, doutrinados e incumbidos de funções específicas antes de serem lançados em missões para aterrorizar a população. Na maioria das vezes, estes jovens têm passados frágeis ou são oriundos de famílias desestruturadas, o que os torna presas frágeis para o Al-Shabaab.
    Para lidar com o peso da violência do passado, Ahmed e outros desertores do Al-Shabaab recebem aulas práticas de grupo. O objetivo é libertarem-se do lado obscuro da sua história, que lhes traz pesadelos e questionamentos diários. "Eu não sabia viver em sociedade. Aprendi isso aqui. Aprendi a sustentar-me", admite.
    Batalha anti-terrorista mantém-se
    A apenas 70 quilómetros desta cidade, a Missão da União Africana para a Somália (AMISOM) trava ainda uma luta diária contra o grupo terrorista. "Nós lutámos muito e já libertámos várias regiões nos últimos dois ou três meses. Estamos também a trabalhar num plano para chegar a áreas ainda sob controlo do Al-Shabaab e entregá-las ao exército somali", revela Birhanu Tilahun Berhe, comandante na frente de batalha.
    No centro de reabilitação de Jubaland, os ex-combatentes do Al-Shabaab recebem apoio psicológico profissional. Por outro lado, o companheirismo e o tempo de lazer em grupo ajudam-nos a superar o trauma e a traçar planos para o futuro.
    "Podemos conversar sobre os nossos erros e aconselhar-nos sobre como não recair em caminhos destrutivos", diz Isa. "Para a Somália, espero o renascimento de um governo unido e, para a minha vida, espero trabalhar em benefício do meu país e do meu povo", conclui Ahmed.
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  • Abel Chivukuvuku funda PRA-JA, um novo projeto político em Angola
    Partido do Renascimento Angolano - Juntos por Angola (PRA-JA) é o novo projeto político do antigo líder da CASA-CE, Abel Chivukuvuku. Político já submeteu legalização do partido ao Tribunal Constitucional.À frente do PRA-JA está Abel Chivukuvuku, afastado da liderança da CASA-CE, a terceira maior força política de Angola, em fevereiro deste ano, depois de ser acusado de fazer oposição à própria coligação.
    O novo partido surge assim menos de seis meses depois com a promessa de ser uma "alternativa" no "firmamento político" de Angola. Durante a cerimónia da Assembleia Constituinte do PRA-JA, esta sexta-feira (02.08), Abel Chivukuvuku apontou as eleições autárquicas como o primeiro desafio, embora o seu principal foco sejam as eleições gerais de 2022.
    "Dedicaremos o ano de 2021 para trabalharmos afincadamente para o nosso crescimento e estarmos preparados para as eleições gerais de 2022, nas quais teremos que ser, para o bem de todos os angolanos, uma alternativa positiva, pacífica, para o nosso país", disse em Luanda perante várias dezenas de apoiantes.
    Confiante na legalização
    O pedido de formalização do novo partido foi entregue esta sexta-feira no Tribunal Constitucional (TC) de Angola, após um percurso de três quilómetros feito a pé pelo próprio político. À saída, Abel Chivukuvuku manifestou-se "completamente confiante" na legalização do novo partido.
    "É a primeira vez na minha vida que faço um partido político, nunca o fiz, e pela primeira vez vou fazê-lo e quero ter também confiança nas instituições da República de Angola", referiu. Segundo o político, para o processo de legalização, que se consubstancia na recolha de assinaturas de suporte, a meta é "largamente ultrapassar a norma legal, que diz que são 7.500".
    "Nós vamos apresentar entre 30 mil a 50 mil [assinaturas] para garantir que não haja empecilhos. Terminada esta fase esperaremos também pela legalização do PRA-JA, o que nos levará para a terceira e derradeira que será a institucionalização", avançou.
    Bandeira e lema
    Antes da deslocação ao TC, foram aprovadas a sigla e a bandeira do novo partido, que escolheu como lema "Servir Angola".
    Diante de dezenas de apoiantes, Chivukuvuku fez várias promessas, incluindo a de colocar o cidadão angolano no centro do trabalho político.
    "Chegou a hora de assumirmos o angolano como a razão de ser de todos os nossos propósitos políticos e da nossa existência como servidores públicos", afirmou. "Assumamos os cidadãos angolanos como a base essencial para a construção, assumamos as nossas crianças muitas vezes deixadas desprotegidas horas a fios pelas corajosas mães zungueiras", acrescentou.
    Chivukuvuku realçou ainda que são precisas mudanças de fundo no país "para acabarmos com a fome em Angola, para acabarmos com as crianças fora do sistema de ensino, para acabarmos com a juventude que não tem emprego".
    Caso a nova força política seja aprovada pelo Tribunal Constitucional, o primeiro congresso do PRA-JA deverá ser realizado no primeiro trimestre de 2020. Os estatutos do projeto político de Abel Chivukuvuku deverão prever um mandato de presidente de cinco anos, renovável apenas uma vez.
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