África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle

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África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle episodes

  • Um virar de página nas relações EUA - África?
    Cimeira EUA-África terminou esta sexta-feira (21.06.) em Maputo com promessas de abertura do mercado norte-americano aos países africanos. Na cimeira também foram anunciadas iniciativas de desenvolvimento do continente.Um dos pontos mais focados na cimeira EUA-África foi a necessidade de aumentar os investimentos norte-americanos em África.
    Através da iniciativa "Prosper Africa", ou "Prosperar África", os Estados Unidos da América (EUA) querem revitalizar a parceria com vários países do continente e passar a fazer negócios de outra forma.
    Segundo o administrador da USAID, Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional, Mark Green, a ideia é diminuir as barreiras alfandegárias, abrir mais o mercado norte-americano aos produtos africanos, além de ajudar as empresas dos Estados Unidos, reduzindo os seus riscos de investimento.
    "O 'Prosper Africa' não é um novo programa, mas sim um novo caminho para se fazer negócio, capitalizar o uso de toda a cadeia de finanças, bem como o acesso a todos os recursos dos EUA para os empresários africanos", esclarece Green.
    Virar a página
    O secretário de Estado Adjunto dos EUA para os Assuntos Africanos, Tibor Nagy, salientou que é preciso virar a página: "Nós queremos mudar a mentalidade nas relações EUA-África com base nas novas parcerias. Estamos comprometidos em participar ativamente para alavancar as parcerias com os empresários africanos."
    Na cimeira EUA-África foram ainda dados exemplos de experiências bem-sucedidas de apoio a mulheres empresárias, através de linhas de crédito.
    Worku Gachou, diretor-geral para África da agência de desenvolvimento do Governo norte-americano OPIC conta que os EUA fizeram "um acordo com o Banco Nacional da Nigéria para abrir uma linha de crédito avaliada em 200 milhões de dólares para apoiar várias iniciativas empresariais de mulheres."
    "Foi uma medida audaciosa, pois sabíamos que, com boa gestão, vamos sair das intervenções programáticas isoladas", afirmou.
    As promessas
    Esta semana, empresas norte-americanas também fizeram promessas de investimento ao país anfitrião da cimeira, Moçambique. O consórcio liderado pela gigante norte-americana Anadarko anunciou um investimento record de 25 mil milhões de dólares para o projeto de desenvolvimento de gás na província nortenha de Cabo Delgado.
    Farid Fezoua, presidente da empresa GE Healthcare Africa também prometeu investir: "Vamos investir na saúde. É uma das nossas áreas-chave. Temos conhecimentos de que o Presidente da República [Filipe Nyusi] lançou o projeto 'um distrito, um hospital' e gostaríamos de partilhar esta nova experiência em África para fortalecer o sistema de saúde em Moçambique, sobretudo nos cuidados primários."
    O empresariado moçambicano aproveitou a cimeira para apresentar algumas das áreas em que é preciso investir. O empresário Kekobad Patel disse que um delas é o setor dos transportes.
    "Onde se evidencia a necessidade de se incrementar o número de turistas transportados pelas companhias aéreas, através do aumento de frequências e a redução das tarifas dos voos domésticos", afirmou Patel.
    Cimeira limpa má imagem de Moçambique?
    Para o diretor da AIPEX, Agência para a Promoção de Investimentos e Exportações, Lourenço Sambo, esta cimeira veio lavar a má imagem de Moçambique, uma vez que "acontece depois dos ciclones Idai e Kenneth, que trouxeram mais um elemento negativo para a imagem de Moçambique: 'Moçambique das dívidas', de 'doenças'… E esta conferência muda um pouco o cenário."
    Na Cimeira EUA-África participaram mais de mil representantes dos setores económicos africanos e norte-americano e vários chefes de Estado.
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  • Centenas de milhares em fuga na RDCongo
    Confrontos entre os grupos étnicos Hema e Lendu na província congolesa de Ituri atravessam nova fase de violência. A população sente-se cada vez mais abandonada pelas autoridades neste conflito de 20 anos.Testemunhas oculares relatam a ocorrência de tiroteios, raptos, violações e mutilações na província de Ituri, no nordeste da República Democrática do Congo (RDC). Centenas de milhares de pessoas fugiram dos combates entre os grupos étnicos rivais Hema e Lendu. Pelo menos 240 pessoas já morreram nesta nova onda de violência.
    Tal como muitos outros, Esther Nzale teve que fugir da sua aldeia de Kpatsi: "Os Lendu chegaram na segunda-feira ao meio-dia", disse Nzale à agência de notícias Reuters. "Estávamos no campo quando nos avisaram. Corremos para as nossas casas que tinham sido incendiadas." Os aldeões viram pessoas queimadas vivas ou mortas com catanas. O marido de Nzale foi morto no ataque. Ela diz que não sabe o que aconteceu com os corpos das vítimas, se foram enterrados ou não.
    Grupos de autodefesa e assassinatos por vingança
    Segundo Babar Baloch, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), 300 mil pessoas fugiram dos conflitos no nordeste da RDC desde o início do mês. Na semana passada, a situação na província de Ituri agravou-se. "A população está a fugir dos ataques e contra-ataques na região de Djugu", disse Baloch. De acordo com relatos, ambas as comunidades formaram grupos de autodefesa e cometeram assassinatos por vingança.
    Os conflitos entre Hemas e Lendus remontam ao final dos anos 90. O novo surto de violência foi desencadeado pelo assassinato de um comerciante Lendu na semana passada. Seguiram-se represálias, diz Dieudonné Paluku, que vive na capital da província de Buna. Paluki coordena as atividades grupos da sociedade civil na província de Ituri. A fazenda dos seus pais na cidade de Kilo foi atacada. Os agressores procuravam a mãe, que é Hema. "Quando não encontraram ninguém, só pilharam a nossa propriedade", conta Paluku, que explica que o conflito tem várias causas. Há desacordos sobre a propriedade de terras que remontam à época colonial. "Algumas fronteiras entre as duas comunidades não foram bem traçadas", diz Paluku. Por último, há o aspeto socioeconómico do conflito.
    Mulheres pela paz
    Para Jacqueline Dz'Ju Malosi, o conflito atual é resultado do fracasso de resolver os contenciosos no passado. Malosi trabalha para "Pamoja Inawezenaka", um projeto que reúne várias organizações de mulheres empenhadas em restaurar a paz. "Mobilizamos as comunidades para que possam defender-se e apoiamo-las na criação de estruturas que lhes permitam cuidar de si mesmas". Mas a ativista questiona o papel das autoridades, que, diz, não fazem o suficiente.
    Jean Bamanisa Saidi, governador da província de Ituri, diz que uma das chaves para resolver o conflito é o desenvolvimento económico da região. Além disso, o Governo de Kinshasa tem de se envolver mais. "Uma maior presença do Exército poderia garantir a proteção da população", disse Saidi à DW. O governador está agora a apelar ao Governo para dar mais apoio nas áreas da educação, emprego e construção de estradas. Além disso, é necessário que haja uma maior presença da autoridade estatal nas áreas em conflito de Djugu e Irumu, diz Saidi.
    Governo ausente
    Ntumba Lwaba, professor na Universidade de Kinshasa e antigo ministro dos Direitos Humanos do Congo, confirma que este é, de facto, um dos problemas fundamentais da região. "Nunca lá conseguimos estabelecer plenamente a autoridade do Estado. Ou seja, o Exército, a polícia, a administração". Um dos motivos é o interesse na situação de alguns poucos que enriquecem graças aos recursos naturais da província. Segundo Lwaba: "A autoridade pública deve ser promovida em todo o território da província de Ituri. As fronteiras devem ser mais bem guardadas".
    Mas primeiro tem de haver paz na região. A missão de paz da ONU na região, MONUSCO, anunciou recentemente o reforço da presença nas áreas em conflito. Segundo Florence Marchal, porta-voz da missão, foram enviados para a região três batalhões - dois para Djugu e um para Mahagi. "Estamos a criar sistemas de alerta nas comunidades para proteger a população civil. Quando constatamos uma crise iminente, analisamos a situação e podemos então enviar tropas para essas áreas difíceis para apoiar a população", disse Marchal à DW.
    Ébola agrava a situação
    Mas a confiança da população na MONUSCO não é muito grande. E o ACNUR reconhece a sua incapacidade de abastecer a população de forma adequada. Sobretudo faltam abrigos e alimentos. Muitos refugiados tentam chegar a Bunia, a capital da província de Ituri. Outros optam por fugir para o Uganda através do Lago Alberto. Mas a sua fuga é por vezes impedida por gangues de jovens das etnias Hema e Lendu.
    O último grande conflito entre milícias Lendu e Hema ocorreu de 1999 a 2003 e custou a vida a cerca de 50.000 pessoas.
    O surto atual da doença viral altamente contagiosa do ébola na província agrava ainda mais a situação. A Organização Mundial da Saúde (OMS) avisa que a presença de numerosas pessoas em campos de refugiados estreitos impossibilitará as autoridades de precaver contágios. A epidemia que começou há cerca de um ano na RDC infetou mais de 2.200 pessoas e matou já 1.450. Segundo a OMS em Genebra, cerca de dez por cento dos casos foram registados na província de Ituri.
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  • Vida cada vez mais difícil para refugiados da Etiópia e Sudão do Sul
    Somália e Sudão do Sul são dois dos cinco países de onde provêm mais de dois terços dos refugiados, segundo a ONU. Pelo sétimo ano consecutivo, número de deslocados aumentou mundialmente e já ultrapassa os 70 milhões."A vida aqui é difícil. É a ONU que nos está a ajudar", conta à DW Regina Mony, uma das 30 mil pessoas que na sequência do conflito no Sudão do Sul teve de procurar ajuda num dos campos de acolhimento das Nações Unidas.
    Aqui, não há emprego nem cultivo, o que deixa todos os deslocados dependentes da ajuda humanitária. "É graças à comida que a ONU nos dá que sobrevivemos. Traz-nos ajuda alimentar como farinha de milho, cereais e óleo de cozinha. É o que temos comido desde 2013, quando escapámos do conflito na nossa aldeia", conta a refugiada.
    Apesar de estar em marcha o processo de paz no país, as consequências dos cerca de cinco anos de conflito continuam: sete milhões de sul sudaneses estão em situação de emergência alimentar. Na quinta-feira (20.06), Dia Mundial do Refugiado, a Comissão Europeia anunciou um reforço de 48,5 milhões de euros para ajuda humanitária no país.
    Cenário "devastador"
    Outro dos casos preocupantes no continente africano é a Etiópia, onde se registaram, só em 2018, mais de um milhão de refugiados, 98% dos quais são deslocados internos. Fogem dos conflitos étnicos e da seca. De visita ao país, o secretário-geral do Conselho Norueguês dos Refugiados, Jan Eagland, diz que o cenário é "devastador".
    "Foi dos piores cenários, em termos de condições, que vi em toda a minha vida: 20 pessoas em cubículos numa antiga área industrial, não há sequer um fluxo constante de alimentos e há 200 pessoas por latrina", relata.
    Apelando à solidariedade internacional para com estes países, Jan Eagland chamou a atenção para o facto de os governos não estarem a conseguir dar a resposta acertada a um dos maiores fenómenos mundiais.
    Uma opinião partilhada por Filippo Grandi, responsável da agência da ONU para os Refugiados: "Neste mundo globalizado, se o problema se mantiver, será um problema de todos nós. A rejeição, os retrocessos e a construção de muros não resolvem o problema do deslocamento forçado."
    Quatro em cada cinco pessoas deslocadas no mundo encontram abrigo nos países vizinhos dos seus países de origem. No último ano, Uganda e Sudão voltaram a receber milhares de refugiados. Segundo o ACNUR, também a Alemanha acolhe atualmente mais de um milhão de pessoas que fugiram dos seus países, maioritariamente na sequência de guerras, conflitos ou perseguições.
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  • João Lourenço cumpriu a promessa de "colocar sal na gasosa"?
    Durante a campanha eleitoral de 2017, o então candidato do MPLA João Lourenço prometeu combater a corrupção. Analistas mostram-se reticentes quanto ao cumprimento desta promessa e falam em "justiça seletiva" em Angola.Foi precisamente em junho de 2017, durante a campanha eleitoral, na província angolana do Zaire, norte de Angola, que o atual Presidente João Lourenço prometeu "colocar sal na gasosa", ou seja, combater a corrupção - algo que está presente em quase todos os setores da vida do país.
    Para além do termo "gasosa", os cidadãos angolanos também utilizam a palavra "micha" para se referirem à corrupção que, se regista, sobretudo, na relação entre o agente da polícia e o cidadão.
    Será que João Lourenço já fez o que prometeu? "Não há sinais de que o combate a corrupção tenha produzido efeitos. Aliás, há um combate tímido", responde o o jornalista angolano Ilídio Manuel.
    "Não se tem, por exemplo, conhecimento de uma figura de proa, os tais chamados marimbondos, que tenham sido condenados em tribunal. O que temos são processos que estão a decorrer e, em alguns dos casos, os réus estão em prisão domiciliária", exemplifica.
    Um destes cidadãos em prisão domiciliária é o antigo responsável do Fundo Soberano de Angola, José Filomeno dos Santos, filho do ex-Presidente José Eduardo dos Santos. Se for condenado, a defesa deverá interpor recurso e normalmente estes casos levam algum tempo, lembra Ilídio Manuel, o que, por si só, não acelera o combate ao fenómeno, acrescenta.
    "Justiça seletiva"
    Por outro lado, o jornalista angolano suspeita que exista uma "justiça seletiva" na responsabilização de alguns titulares de cargos públicos implicados em atos de corrupção ou branqueamento de capitais. "O que temos vindo a assistir também - e que levanta muitas suspeitas - é uma espécie de justiça seletiva. As figuras conetadas com o ex-Presidente da República têm sido visadas e aquelas que passaram para o lado de João Lourenço, que são marcadamente corruptas, não estão a ser perturbadas do ponto de vista criminal e cível", diz.
    O analista Osvaldo Mboco, professor da Universidade Técnica de Angola (UTANGA), também suspeita que haja casos de "justiça selectiva" no país. "É fundamental que este combate contra a corrupção não seja um combate seletivo, não seja um combate de uns e outros não", defende.
    Osvaldo Mboco considera que a "cruzada contra a corrupção e a impunidade" levada a cabo pela justiça e o Presidente João Lourenço tem tido um efeito intimidatório nos governantes da nova era, mas lembra que deverá levar ainda algum tempo para se reduzir o índice.
    "Hoje, o servidor público tem muito mais cuidado na gestão do erário público, está ali para servir e não o contrário. Mas também não podemos dizer que os esquemas de corrupção já não existem. Existem, em pequena ou em média escala, diferente em relação ao passado, mas existem. A corrupção não vai acabar. O que se quer é mitigar e reduzir os níveis de corrupção", afirma.
    Corrupção endémica: Luta é de todos
    Por isso,o analista defende a necessidade do envolvimento de todos para lutar contra a chamada corrupção sistémica e endémica na sociedade angolana: "Temos de entender que o combate a corrupção em Angola não é única exclusivamente uma tarefa do Presidente João Lourenço. É um trabalho que pertence a toda sociedade".
    No princípio deste mês, a Direção Nacional de Prevenção e Combate a Corrupção da Procuradoria-Geral da República (PGR), enviou uma série de mensagens para os telemóveis dos cidadãos a apelar: "Juntos por uma Angola sem corrupção. Diga não à corrupção. Denuncie!"
    Mas, para Osvaldo Mbonco, a PGR angolana precisa de fazer mais. "Há necessidade de levar palestras para as escolas, mercados e orfanatos. Debater-se, discutir-se e informar a geração mais nova que é fundamental cuidar do que é património de todos com espírito de patriotismo acima de tudo, com espírito de dedicação e entender que as pessoas são serviçais da própria nação. A estratégia de combate a corrupção da PGR tem que sair do papel para ação", salienta.
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  • CAN 2019: Que comece o espetáculo do futebol!
    Taça das Nações Africanas arranca esta sexta-feira. 24 equipas competem pelo título de campeão africano, incluindo Angola e Guiné-Bissau. Depois das complicações antes da prova, muitos só esperam ouvir o apito inicial.O percurso até ao início desta Taça das Nações Africanas foi pontuado por uma série de problemas - tantos que muitos adeptos já só esperam que se comece finalmente a jogar futebol, esta sexta-feira (21.06) à noite.
    Só para dar alguns exemplos: primeiro, os Camarões não conseguiram preparar a CAN a tempo e foram afastados da organização da prova, por atrasos na preparação das infraestruturas e também por causa da crise política no país. Depois, as Comores fizeram queixa contra os Camarões, alegando que, se o país não conseguiu organizar o campeonato, também não deveria participar. A queixa foi rejeitada. A seguir, no início do mês, a meras duas semanas do início da prova, o presidente da Confederação Africana de Futebol, Ahmad Ahmad, foi interrogado em França devido a um caso de suspeitas de corrupção.
    A competição começa (finalmente) esta sexta-feira às 22 horas (hora local) no Estádio Internacional do Cairo com um frente-a-frente entre o Egito (que assumiu entretanto o papel de anfitrião) e o Zimbabué.
    Os favoritos
    O Egito é apontado como um dos grandes favoritos: "Em África, pode-se sempre partir do princípio que o anfitrião é favorito. Com Mohamed Salah, o Egito tem um excelente jogador, no auge da carreira. E claro que o público egípcio também vai desempenhar um papel importante", afirma o comentador de futebol Zoubaier Baya.
    Os "Faraós" certamente não dirão que não a uma conquista do oitavo título. Mas outras equipas também apresentam argumentos de peso - por exemplo, o Senegal, com trunfos como o defesa central Kalidou Koulibaly (que joga no Nápoles) e o avançado Sadio Mané (do Liverpool).
    "O Senegal é uma equipa homogénea, com duas ou três estrelas num nível superior, mas que trabalham para o grupo. É o caso de Sadio Mané", acrescenta Baya.
    E é claro, também não se pode perder Marrocos de vista, com uma peça muito forte nas suas fileiras, o médio Hakim Ziyech: "Marrocos tem uma equipa liderada por um treinador que já esteve na CAN de 2017 e no Mundial de 2018. É um grupo com muita experiência".
    O fator "surpresa"
    Mas nem só de favoritos se faz a CAN. Se há uma coisa que o campeonato já mostrou é que, mesmo não sendo favorito, se pode sonhar alto. Basta olhar para o sucesso inesperado dos Camarões em 2017.
    "Ninguém contava com que os Camarões vencessem em 2017. E o que aconteceu? Os 'Leões Indomáveis' ganharam", lembra o antigo avançado camaronês Patrick Mboma. No entanto, no futebol, tudo pode mudar rapidamente. "Todos pensavam que os Camarões se iriam qualificar para o Mundial de 2018, mas a equipa falhou redondamente", refere Mboma.
    Ou seja, será preciso esperar para ver como será a prestação das equipas este ano. A Tunísia, no grupo de Angola, e a República Democrática do Congo também podem ter boas possibilidades, de acordo com os comentadores - tal como o Gana, no grupo dos Camarões e da Guiné-Bissau, a Nigéria ou a Argélia.
    "Para mim, a Argélia é a equipa que pode trazer mais surpresas", afirma o comentador Zoubaier Baya. "O selecionador da Argélia é novo e não tem muita experiência internacional, mas é muito competente. E muitos jogadores da seleção argelina tiveram uma boa época - jogadores como Baghdad Boudjenah, com uma boa performance na Ásia, Sofiane Feghouli ou Brahimi, no Futebol Clube do Porto."
    Quanto a Angola e à Guiné-Bissau, as expetativas dos comentadores são mais baixas: o que se espera é que, pelo menos, consigam passar da fase de grupos. Mas, como já ficou várias vezes provado, "a bola é redonda" - tudo pode acontecer.
    Na fase final do Campeonato Africano das Nações jogam, pela primeira vez, 24 equipas, em vez das habituais 16. A final será a 19 de julho.
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  • Autarquias em Angola: Que gradualismo e porquê?
    Académicos e angolanos em Lisboa discutiram a necessidade de haver poder local em Angola. E entre as conclusões: o modelo centralizador do MPLA está a fracassar e o partido teme perder hegemonia nas autárquicas de 2020.Angola tem que encontrar um modelo de desenvolvimento muito centrado sobre as pequenas comunidades locais, cuja atividade organizada contribui para a economia e o desenvolvimento social. É o que defende o professor Luís Carvalho Rodrigues, da Universidade Nova de Lisboa, em declarações à DW África.
    "Os municípios, as autarquias em geral, favorecem essas pequenas comunidades. Relativamente aos gradualismos, eu sou a favor de uma plena aplicação da lei constitucional, não tanto o [artigo] 242, porque fala em gradualismo, mas sobre o princípio da universalidade. Portanto, eu defendo que as eleições devem ser para todas as autarquias do país".
    O académico português, que acompanha o processo eleitoral angolano, encara as autarquias como um benefício, sobretudo pelos resultados da aprendizagem. Mas, acrescenta Carvalho Rodrigues: "se há municípios que ainda não têm capacidade de dispor de um aparelho burocrático para exercer plenamente o poder local, estes podem, pelo menos, ter as assembleias municipais eleitas".
    "Isso já uma forma de ter uma representação política que dialoga, que pressiona, que controla, que faz vigilância política sobre a atuação do presidente do município, que por enquanto é nomeado por Luanda", defende.
    "Não há debate"
    Declarações à luz de um debate esta quarta-feira (19.06), em Lisboa, sobre o porquê do gradualismo para a implementação das autarquias em Angola. Nelson Pestana, da Universidade Católica de Angola, questionou, via skype, de quem é a opção do gradualismo, que vem na Constituição de 2010. E lamenta que não há debate sobre o gradualismo funcional.
    "O debate que existe – e é um debate forçado pela atitude do Governo – é sobre o gradualismo geográfico", afirma Pestana, que ressalta: "Ou seja, se se implementa ou não se implementam as autarquias em 2020 em todo o território nacional".
    Para o académico angolano, o gradualismo geográfico ou territorial, que faz a discriminação negativa da não implementação das autarquias em alguns municípios, é um princípio violador da Constituição. "E ele justifica-se politicamente porque o Governo ou o partido do poder não quer perder a hegemonia política sobre o país a que se habituou desde o tempo do partido único dominante".
    A propósito da discussão à volta do gradualismo, "este é um terreno de combate político que tem levantado receios", na opinião do analista angolano, Adolfo Maria. "De um lado, as pessoas que contestam a ação do MPLA veem a intenção do MPLA em manter a sua hegemonia através do poder autárquico, o que é plausível e justificam-se esses receios. E, por outro lado, há também uma intenção cívica de que o poder autárquico deve ser o mais amplo possível".
    "Vai ser muito difícil para a oposição fazer valer as respetivas ideias em relação ao gradualismo funcional", afirma João Ngola Trindade, destacando que "o MPLA, como maioria ainda no Parlamento, poderá fazer valer as suas teses. Mas eu penso que é um projeto que vai contribuir grandemente para o desenvolvimento das localidades".
    Educação dos cidadãos
    Neste processo – sublinha o historiador angolano –, a educação dos cidadãos para ganharem uma consciência crítica é fundamental. "Uma vez que estamos diante de um processo onde o cidadão vai ser chamado para participar com muito mais dinamismo na resolução dos problemas das comunidades, é necessário que os cidadãos tenham conhecimento do exercício dos seus direitos".
    O sociólogo angolano, Manuel dos Santos, um dos membros da Plataforma de Reflexão Angola, realça que há cada vez mais consciência da importância do debate à volta das questões do poder autárquico, nomeadamente sobre o gradualismo.
    "E se houver algum gradualismo a fazer terá que ser um gradualismo relativo à forma de funcionamento daqueles que vão presidir o poder local. E falou-se obviamente também da necessidade de existirem assembleias municipais ainda que quem dirija o poder autárquico continua a ser alguém que foi nomeado pelo poder central. Mas esse passaria imediatamente a ter um escrutínio daqueles que foram eleitos e representam aquelas pessoas naquele local".
    Manuel dos Santos considera que o poder autárquico pode ser a alavanca para a refundação da ideia de um Estado funcional em Angola. O sociólogo diz que "o poder local em Angola não pode ser abstrato". Sustenta que a necessidade de tal poder se tornar real para os cidadãos representa aquilo que é a maior ambição para dos angolanos, que lutam "por uma vida melhor, mais dignidade, mais justiça e mais pão".
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  • Alemanha: Novos ritmos africanos em Colónia
    O DJ Nigga Fox é um dos rostos da editora independente Príncipe, baseada em Lisboa. Os seus artistas fazem música electrónica com ritmos africanos e têm mostrado o seu estilo um pouco por todo o mundo.A Príncipe é uma editora de Lisboa que mistura os ritmos africanos com a música electrónica. Esteve recentemente num evento na cidade alemã de Colónia com um dos seus artistas, o DJ Nigga Fox, para mostrar os novos ritmos e géneros que se fazem sentir na capital portuguesa.
    Desde criança que Rogério Brandão, ou DJ Nigga Fox, ouve música regularmente. Os primos enviavam-lhe cassetes de Angola, de onde é original, com músicas de kuduro e kizomba. Hoje em dia produz música com essas influências, que mistura com os ritmos dos seus gostos mais adultos da electrónica e do techno.
    "Sempre ouvia músicas africanas do Congo, kizomba ou kuduro. Na verdade eu sempre ouvi músicas africanas em casa e isso influenciou um bocado o meu gosto musical".
    Reconhecimento no estrangeiro
    A Príncipe nasceu em 2012 e foi recrutar os seus artistas aos principais bairros dos subúrbios de Lisboa. Muitos deles já tocam um pouco por todo o mundo e aparecem em publicações internacionais como a Pitchfork ou The Guardian. Nídia, uma das artistas, apareceu na capa do jornal New York Times.
    "A Príncipe tem um papel muito importante que é dar oportunidade aos jovens dos bairros que não têm oportunidades em mais lado nenhum e dá essa oportunidade de mostrar a oportunidade ao mundo. A Príncipe pega em jovens que têm talento e tenta mostrar ao mundo", conta Rogério.
    Desde que começou a trabalhar na área da música muitas coisas têm mudado na vida de Rogério Brandão. Já viajou um pouco por todo o mundo, lançou dois discos e um EP. Sente literalmente que novas portas se estão a abrir.
    "Antigamente, quando não fazia música, eu ia para uma discoteca e não me deixavam entrar. Levava a barra. Não sei porquê. Desde que comecei a fazer aquilo que eu gosto que é a música, já vou a qualquer sítio, na mesma discoteca que eu não entrava já entro e se for preciso não pago entrada. Eu acho que as pessoas estão a reconhecer o nosso trabalho".
    Editora independente
    Márcio Matos é um dos fundadores desta editora independente. Ele é original da ilha do Pico, nos Açores, e tem uma loja de discos em Lisboa, a Flur. Além do mentor deste projeto, Márcio faz as capas dos álbuns, cujas pinturas foram expostas naquele evento em Colónia. Ele tem formação em pintura, mas sempre esteve ligado à música.
    Apesar de o público português ainda não conhecer muito bem o trabalho dos vários artistas que pertencem à Principe, como o DJ Marfox, o DJ Firmeza, o Puto Tito, entre outros, Rogério Brandão acredita que as coisas estão a mudar e há espaço para crescer.
    "Agora sim, antigamente a nossa música não passava na rádio, hoje em dia já passa na rádio. É sinal que o pessoal está a começar a aderir. Eu acho que isto vai dar um boom gigante".
    3 min
  • Angola: Médicos e enfermeiros em pé de “guerra”
    Médicos e enfermeiros angolanos estão de costas voltadas. Em causa estão os pronunciamentos da bastonária da Ordem dos Médicos de Angola, Elisa Gaspar, que supostamente desvaloriza os enfermeiros.Os médicos e os enfermeiros angolanos estão em pé de "guerra”. Em causa estão os pronunciamentos da Bastonária da Ordem dos Médicos de Angola, Elisa Gaspar, que supostamente desvaloriza os enfermeiros. Está quarta-feira (19.06.), as organizações socioprofissionais da saúde chamaram a imprensa para apresentar o que chamam de "protesto” e exigem desculpas públicas da responsável.
    As supostas declarações de bastonária da Ordem dos Médicos de Angola foram proferidas no dia 25 de maio deste ano, na província angolana do Cunene.
    No áudio apresentado esta quarta-feira em conferência de imprensa pelas organizações socioprofissionais, a responsável teria dito que os enfermeiros não podiam passar receita médica e que um "médico é um Deus na terra”. Elisa Gaspar também denunciou a existência de falsos médicos cubanos.
    "Mas como é que um enfermeiro vai discutir um problema clínico? É impossível porque cientificamente não está qualificado para a discussão do caso e, as vezes quer discutir com o médico porque ele é o diretor da unidade hospitalar. Diretor clínico só pode ser médico. Nalgumas províncias os enfermeiros assinam certidões de óbito. O que é que ele entende da nomenclatura para assinar as certidões? Acabar com os enfermeiros que passam as receitas médicas”.
    Protesto junto do Ministério da Saúde
    Estes pronunciamentos enfureceram a classe de enfermagem que apresentou protestos a ministra da Saúde Sílvia Lutucuta e a Ordem dos Médicos de Angola, .
    No encontro com os jornalistas, presidido pelo Paulo Luvualo responsável da Ordem dos Enfermeiros de Angola, a classe acusa Elisa Gaspar de preconceituosa. "Achamos ser desequilibrada no tempo e no espaço”. Parece estar declarada a "guerra” entre os médicos e os enfermeiros. A ordem dos médicos questiona a autenticidade do áudio que já circula nas redes sociais e, em nota tornada pública, no dia 1 de junho ameaça com um processo judicial contra os enfermeiros.
    Por sua vez, Paulo Luvualo diz estar a espera da referida intimação. "As organizações socioprofissionais estão a espera que a senhora bastonária dos médicos nos processe e a nossa reação será no tribunal”.
    Pedido de desculpa
    Enquanto se espera, o bastonário afirma que o Sindicato Nacional dos Enfermeiros de Angola, Ordem dos Enfermeiros de Luanda, Sindicato Nacional Independente dos Trabalhadores da Saúde e Função Pública e o Sindicato dos Técnicos de Enfermagem de Luanda, organizações presentes na conferência de imprensa desta quarta-feira, exigem um pedido de desculpa pública por parte de Elisa Gaspar. Os protestantes dão um ultimato de 72 duas.
    "É o mínimo que os enfermeiros de Angola estão a exigir. Porque se ela não fizer isso, neste momento a bola está aqui no centro, está com a Ordem dos Enfermeiros de Angola... por isso é que colocamos os sindicatos nos extremos. Eu como sou o número nove, se não houver uma resposta dentro do prazo, então vamos passar a bola para os extremos e os extremos saberão como irão reagir”.
    Atendimento dos pacientes
    A DW África tentou sem sucesso ouvir Elisa Gaspar. Mas questionou ao bastonário da Ordem dos Enfermeiros de Angola se esta luta não influenciaria negativamente o atendimento aos pacientes.
    "Logicamente se houver uma guerra entre a classe médica e classe de enfermagem quem vai sofrer é a população. E nós, os enfermeiros, estudamos para defender a população. O nosso propósito não é tentar desencadear uma guerra com a Ordem dos Médicos para prejudicarmos a população”.
    Dados disponíveis indicam que Angola conta apenas com 3500 médicos angolanos e mais de 35 mil profissionais de enfermagem..
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  • Moçambique e EUA estreitam relações económicas
    Agricultura, pescas, turismo, energia e infraestruturas são algumas das áreas incluídas num memorando de entendimento assinado entre os dois países à margem da Cimeira económica EUA-África que decorre em Maputo.Moçambique e os Estados Unidos da América assinaram na quarta feira (19.06), um memorando de entendimento para dinamizar a cooperação bilateral. O acordo foi rubricado no âmbito da 12ª cimeira EUA-África, que decorre na capital moçambicana até ao dia 21 de Junho.
    Para Florizelle Liser do Corporate Council on Africa, entidade que lida com questões de comércio entre os Estados Unidos e África, trata-se de ampliar a cooperação bilateral: "Queremos que as empresas norte americanas, para além daquelas ligadas ao petróleo e gás, tenham oportunidades asseguradas aqui e no continente”.
    No certame, a secretária adjunta norte-americana do Comércio, Karen Dun Kelly, destacou a importância de África como parceiro comercial, mas disse que este continente deve melhorar o ambiente de negócios: "Diversas empresas norte-americanas têm tido dificuldades em fazer negócios em África devido nomeadamente a questão de infraestrutura, riscos, limitações colocadas aos bancos, leis complicadas, falta de transparência e burocracia excessiva” , disse Dun Kelly.
    Melhorar o ambiente de negócios
    O presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique, CTA, Agostinho Vuma, concorda que o continente deve priorizar a aceleração das reformas ao ambiente de negócios. "Dos dez países aqui presentes representados pelos seus Chefes de Estado, apenas quatro situam-se entre as 100 melhores posições do "Doing Business”, disse Vuma numa referência ao índice do Banco Mundial do ambiente de negócios em 190 países.
    Para ultrapassar os obstáculos ao ambiente de negócios, o porta-voz do Ministério Moçambicano dos Negócios Estrangeiros, Geraldo Saranga, aponta que o país deve "formar o nosso empresariado para saber utilizar as ferramentas de informação e comunicação, entender o mecanismo que é utilizado, muitas vezes, pelas organizações financeiras internacionais sobre o acesso e utilização dos fundos”. Saranga realçou que muitos empresários moçambicanos não só ainda necessitam de muito apoio financeiro, como até de assistência na formulação dos projetos empresariais.
    Aumentar a qualidade da produção
    Em 2000 os EUA promulgaram uma lei conhecida sob o acrónimo que facilita a países africanos o acesso ao mercado nacional. Os responsáveis afirmam que o continente não tem explorado devidamente as vantagens proporcionadas pela lei. No caso específico de Moçambique, do volume total de exportações para os EUA em 2018, estimado em perto de 88 milhões de euros, só beneficiaram deste instrumento cerca de um milhão de euros.
    O Presidente da CTA, Agostinho Vuma, vê ainda a necessidade das empresas moçambicanas melhorarem a qualidade da produção, para que os produtos colocados no mercado global correspondam a padrões internacionalmente aceites. "Este é o desafio que estamos a resolver com as certificações, com as formações que estamos a promover”.
    O adido económico da Embaixada Americana em Maputo, Damon Dubrid, considera que para além das exigências mencionadas, as empresas também querem "estabilidade e saber como é que funcionam as regras e os processos para criar uma empresa aqui em Moçambique”.
    Durante os debates desta quarta-feira da cimeira, que conta com a participação de cerca de 1500 delegados de diversos países, foi sublinhada a necessidade da consolidação das comunidades regionais de desenvolvimento, de reformas económicas, da criação de infraestruturas, do financiamento do empresariado e da formação do capital humano.
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  • Megaprojeto na Tanzânia ameaça reserva natural
    Na maior reserva de caça da Tanzânia foi iniciada a construção de uma megabarragem para melhorar o abastecimento precário de eletricidade do país. Mas os ambientalistas estão a soar o alarme.Começou recentemente a construção de uma polémica central hidroelétrica na reserva de Selous, no sul da Tanzânia. O governo do país da África Oriental tenciona utilizar o projeto para expandir o fornecimento de eletricidade.
    Com uma capacidade de 2,1 gigawatts, a central eléctrica vai mais do que duplicar a produção de energia da Tanzânia. Mas a empreitada é alvo de muita crítica, porque implica a destruição de uma reserva natural e património mundial. Como se não bastasse, os especialistas também duvidam da utilidade da barragem.
    É verdade que as pessoas, especialmente em áreas remotas da Tanzânia, não têm acesso à rede elétrica, diz Johannes Kirchgatter da organização de defesa do ambiente WWF em entrevista à DW. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), apenas 16% da população rural tem eletricidade em casa. Mas Kirchgatter não acredita que a construção da megabarragem sobre o desfiladeiro de Stiegler, na Tanzânia, resolva os problemas energéticos.
    Originalmente a barragem nem constava dos planos do Governo. Pelo contrário, as autoridades falavam da "necessidade de diversificação" para garantir a segurança do abastecimento. De acordo com a avaliação de Kirchgatter, esse teria sido o bom caminho: "A Tanzânia depende em grande medida do abastecimento de água e da eletricidade gerada pelo rio Rufiji". Mas a mudança climática vai tornar as secas mais frequentes nesta região. Por isso é pouco recomendável depender em quase 100 por cento de um único rio para energia elétrica e abastecimento de água.
    Sucesso económico duvidoso
    Também Christoph Hoffmann, porta-voz da política de desenvolvimento do grupo parlamentar dos liberais alemães, FDP, no Bundestag, não acredita que o megaprojeto seja capaz de resolver o problema de fornecimento de energia da Tanzânia. A seu ver, o país tem, sobretudo, um problema de redes e condutas. De nada adianta produzir mais eletricidade, se esta ainda não pode ser reconduzida para as regiões onde é necessária. Só o futuro dirá se o projeto terá sucesso económico, diz Hoffmann. Mas, entretanto, já foram desmatadas grandes áreas para a construção da barragem. Na atual situação de crise climática, é fatal que "enormes áreas de floresta que poderiam ter armazenado CO2 estejam a desaparecer", lamenta o deputado.
    Em janeiro o FDP exigiu no Parlamento federal alemão uma vinculação estreita da ajuda ao desenvolvimento para a Tanzânia à renúncia da construção da barragem.
    O projeto de construção foi criticado por todos os grupos parlamentares do Bundestag. No final foi aprovada uma moção apresentada pelos grupos parlamentares da coligação governamental CDU/CSU e SPD. Ela limita-se a instar o governo federal a procurar juntamente com o governo tanzaniano, alternativas à barragem que não ponham em causa o estatuto da reserva de caça.
    A proposta dos liberais foi descrita pelos Verdes na oposição como paternalismo. Também a sugestão de utilizar turbinas a gás como solução transitória foi também rejeitada: outros eurodeputados criticaram o facto de esta medida permitir a queima de combustíveis fósseis durante mais 50 anos.
    Construção arranca com financiamento incerto
    Hoffmann lamenta a decisão parlamentar. Na sua opinião, a solução dos liberais teria permitido ao Presidente tanzaniano salvar a face e ao mesmo tempo assegurar o fornecimento de eletricidade ao país. É verdade que a construção da barragem é uma decisão soberana da Tanzânia, diz Hoffmann, mas, por outro lado, o Bundestag decidiu apoiar financeiramente a Reserva de Selous, que é Património Mundial da UNESCO. Se a Tanzânia a destruir o património, diz o deputado, a Alemanha tem que suspender o apoio. "Caso contrário o governo perde credibilidade até junto do contribuinte alemão", diz Hoffmann: "Não podemos apoiar o que é destruído".
    O deputado alemão não tem muita esperança que a construção possa ainda ser suspensa. O financiamento do projeto ainda está longe de garantido. Até à data, foram angariados apenas 500 milhões de dólares americanos. As estimativas dos custos totais variam entre 3,9 e 10 mil milhões de dólares americanos. Hoffmann afirma que ainda não foi possível descobrir quem são os doadores. Nem o Banco Mundial nem o Fundo Monetário Internacional concederam quaisquer empréstimos para o projeto. O político liberal suspeita que a China tencione aderir ao projeto.
    O maior santuário de vida selvagem de África
    Segundo Johannes Kirchgatter, do WWF, se a área for completamente retirada da lista do Património Mundial, poderiam ser atraídos mais investidores, porque o argumento da destruição do Património Mundial deixaria de fazer sentido. É esse o cálculo do governo, afirma.
    A "Selous Game Reserve" é considerada o maior santuário de vida selvagem de África. Com mais de 50.000 quilómetros quadrados, é maior do que a Suíça. Para salvaguardar a diversidade de fauna e flora, tornou-se Património Natural da Humanidade pela UNESCO em 1982. Aqui há hipopótamos, elefantes, girafas, leões, cães selvagens africanos em perigo de extinção e mais de 400 espécies de aves. Mas a área protegida está na Lista Vermelha do Património Mundial em Perigo desde 2014, devido à caça furtiva organizada, que ameaça a população animal. A construção da barragem poderá significar a perda do estatuto de património mundial.
    Consequências graves para a natureza e para as pessoas
    Kirchgatter explica que, para construir a barragem, a futura bacia de água deve ser limpa de toda a vegetação: "Trata-se de uma área de mais de 1000 quilómetros quadrados, aproximadamente do tamanho de todas as áreas protegidas da Alemanha juntas". Os efeitos seriam fatais. Com a barragem viriam estradas e assentamentos no parque, e toda a região seria industrializada - no meio da área protegida. Mas as consequências também serão graves fora da reserva a jusante do rio. Deixaria de haver as cheias que abastecem de água doce as florestas de mangais no delta do rio, servindo assim de proteção costeira.
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