África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle

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África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle episodes

  • Extremismo: Homicídio de político é "sinal de alerta" para toda a Alemanha
    Morte do político Walter Lübke, apoiante da política de acolhimento de refugiados, é um "sinal de alerta" para toda a Alemanha, advertiu o ministro do Interior. Principal suspeito é um simpatizante da extrema-direita."Um ataque da extrema-direita contra um representante de alto nível do nosso país constitui um sinal de alerta e visa todos nós", declarou numa conferência de imprensa, na terça-feira (18.06), o ministro do Interior da Alemanha. Horst Seehofer considerou que o sucedido marca "uma nova dimensão" dos atos cometidos por membros da extrema-direita no país.
    Walter Lübke, chefe do conselho administrativo do distrito de Kassel e membro da União Democrata-Cristã (CDU), o partido da chanceler Angela Merkel, foi encontrado morto em sua casa, no passado dia 2 de junho, com um tiro na cabeça.
    O assassinato abalou o país. O Ministério Público Federal assumiu a investigação do crime, que poderá ter tido motivações políticas. No fim de semana, a polícia deteve o suspeito do crime e já confirmou que este tem ligações à extrema-direita.
    Em declarações à televisão alemã, o jornalista Georg Mascolo disse que este ato é mais uma prova de quão radical se tornou a cena neonazi no país. "Há muitos indicadores disso: o número de perigos está a aumentar. Aumentam as ameaças na internet, aumenta o ódio na internet e está aumentar também a violência à direita", lembrou.
    O suspeito, Stephan E., já era conhecido das autoridades como tendo uma "carreira de extrema direita", tendo sido condenado por crimes relacionados com extremismo, em 1993 e posteriormente em 2009, altura em que desapareceu dos radares da polícia. Voltou a aparecer agora como suspeito deste assassinato, depois de o seu ADN ter sido encontrado nas roupas da vítima.
    Rede de extrema-direita?
    Mas terá o suspeito agido sozinho ou existe uma rede de extrema-direita por detrás do crime? Uma questão que, nos últimos dias, tem estado no centro do debate no país. "A tese de que se trata de um ato individual não só seria errada, como perigosa. Se olharmos concretamente para os últimos ataques vemos que há sempre redes políticas por trás. A minha preocupação é que, neste caso, se venha também a insistir de que foi um único perpetrador", explica Martina Renner, especialista em política interna.
    Em Berlim, o tema tem preenchido a agenda política. Os partidos da oposição de esquerda, Verdes e Partido Liberal (FDP), exigiram uma reunião extraordinária da à Comissão dos Assuntos Internos.
    Também o partido populista Alternativa para a Alemanha (AfD) pediu uma investigação profunda ao sucedido e uma pena severa para os culpados. O que não os livra, no entanto, das acusações de que têm sido alvo.
    Como partido de extrema-direita, a AfD é frequentemente associada à incitação do ódio e violência no país. Michael Brand, deputado da CDU, aponta-lhes, por isso, o dedo. "A verdade é que foi o ódio e a agitação dos últimos anos que tornaram possível este crime. Há uma linha direta entre a agitação e a violência e o assassinato. E quem não vê isso é cego", diz.
    "Estes perpetradores entendem que estão a agir de acordo com a opinião de uma suposta maioria. Acreditam que o que estão a fazer vai de encontro àquilo que os outros pensam e que, por isso, estão a agir em nome do interesse do povo, que é o cerne do populismo. Neste sentido, o partido AfD tem também uma função legitimadora para os perpetradores de atos de violência", afirma Mathias Quent, diretor do Instituto para a Democracia e Sociedade Civil da cidade de Jena.
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  • FMI em Angola: Empréstimo a troco de quê?
    Que efeitos tem o empréstimo do Fundo Monetário Internacional na vida dos angolanos? Analista alerta para "cocktail" de dificuldades, com austeridade e diminuição do poder de compra, e aumento da insatisfação.Há uma imagem a circular nas redes sociais que retrata provavelmente o sentimento de vários angolanos em relação a uma medida aprovada este ano pela Assembleia Nacional, a introdução do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA). Em primeiro plano na imagem, alguém mostra o dedo do meio a um cartaz, com fundo azul e letras brancas, onde está escrito "O IVA veio para ficar".
    A implementação do IVA é uma medida solicitada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que acaba de aprovar o pagamento da segunda "tranche" do empréstimo a Angola de 3,7 mil milhões de dólares.
    Um dos objetivos com a introdução do IVA (com uma taxa única de 14%) é aumentar as receitas públicas para equilibrar as contas deficitárias do Estado. Mas a vida dos angolanos deverá encarecer ainda mais. O Governo antecipa para este ano uma descida da taxa de inflação. No entanto, o valor previsto no Orçamento Geral do Estado (15%) continua a ser bastante alto. E o aumento dos preços não tem sido acompanhado de uma subida dos salários, lembra o jornalista angolano Carlos Rosado de Carvalho.
    Em entrevista à DW África, Rosado de Carvalho revela que, de 2014 até hoje, os angolanos perderam cerca de 43% do poder de compra. Agora, o "cocktail" de dificuldades deverá aumentar com a austeridade associada ao programa do FMI.
    DW África: O financiamento do Fundo Monetário Internacional (FMI) é razão para os angolanos ficarem preocupados?
    Carlos Rosado de Carvalho (CRC): Acho que os angolanos não deviam ficar preocupados, porque Angola teria que adotar este tipo de medidas com ou sem o Fundo Monetário Internacional. Agora, há aqui um problema: normalmente, este tipo de programas trazem alguma austeridade. São programas que passam pela estabilização macroeconómica, um eufemismo para dizer que é preciso cortar nas despesas e consolidar as finanças públicas. E, normalmente, isto não são boas notícias para os angolanos. O Governo vai ter que aumentar o pre­ço dos combustíveis, já anunciou aumentos dos preços da energia, já aumentou o preço da água. Portanto, esse tipo de medidas não é propriamente agradável.
    DW África: Há também a questão da implementação do IVA, que foi adiada para outubro. O FMI está a pedir muito, depressa demais?
    CRC: De facto, não há consenso sobre o "timing" da introdução. Acho que toda a gente está mais ou menos de acordo sobre a necessidade de se introduzir o IVA para substituir o Imposto de Consumo, que é um imposto um tanto ou quanto desatualizado. Mas há, de facto, problemas quanto ao "timing". Porque, se o IVA é um imposto mais moderno, também é muito exigente do ponto de vista da organização da administração fiscal e da organização dos contribuintes e das empresas.
    Portanto, há aqui um entendimento da parte das empresas, que não estão preparadas para a introdução do IVA. E a sua posição encontrou eco junto do Presidente da República, que decidiu adiar a introdução do IVA. A minha preferência é que seja introduzido em janeiro, porque não faz muito sentido introduzir impostos a meio do ano ou no terceiro trimestre.
    DW África: Outras das medidas previstas no âmbito desde acordo com o FMI tem a ver com a descida nos subsídios dos combustíveis. Já referiu isso atrás. É de prever que as pessoas se manifestem contra estas medidas?
    CRC: Os angolanos têm sido muito castigados nos últimos anos. O país teve três recessões consecutivas - em 2016, 2017 e 2018 - e eventualmente também para lá caminhamos em 2019. Houve um aumento do desemprego… Eu acho que a maioria da população até nem está muito preocupada com o aumento dos combustíveis propriamente dito - quer dizer, o impacto direto não é muito grande. A população tem [sobretudo] receio que, com a inflação já alta, os preços aumentem ainda mais. E a verdade é que os salários não aumentaram.
    Eu fiz umas contas com o salário mínimo e concluí que, de 2014 até agora, os angolanos perderam à volta de 43% do poder de compra. Portanto, é um instrumento muito violento, e esse tipo de medidas impopulares pode eventualmente trazer manifestações. Não aconteceu no passado, mas não sabemos… Depende… Agora, há também uma intenção, e essa é também uma imposição do Fundo Monetário Internacional, de criar uma "almofada" para as famílias mais vulneráveis, e está a ser criado um programa de transferências diretas. Em princípio, 800 mil famílias vão receber 5.000 kwanzas [cerca de 13 euros] mensalmente, durante um ano. Portanto, há uma preocupação de mitigar o efeito dos aumentos dos combustíveis, da energia e da água. Mas [em geral] não são medidas agradáveis.
    DW África: O Governo tem margem de manobra nesta relação com o FMI?
    CRC: O Governo não pode fazer apenas o que o Fundo Monetário Internacional pede e esses programas são revistos em termos de metas, porque têm de acompanhar a evolução da economia. Mas não tenhamos ilusões: em última análise, prevalece a opinião do Fundo Monetário Internacional. Se Angola não quiser, paga o que deve e abandona o programa. Espero que não se chegue a este ponto, mas é mesmo assim. Agora, acho que Angola devia fazer o que está a fazer, mais coisa ou menos coisa - com ou sem o Fundo Monetário Internacional.
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  • Angola: Prisão do general Zé Maria demonstra “força” do Governo de JLo?
    Alega-se que Zé Maria pretendia salvaguardar segredos do ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos, e por isso terá extraviado alguns processos secretos.A detenção do general na reserva, António José Maria (general Zé Maria), um dos homens fortes na governação de José Eduardo dos Santos, está a ser considerada como mais um ato de demonstração de força de João Lourenço, atual Presidente de Angola, aos que ainda o tentam desafiar.
    O antigo chefe do Serviço de Inteligência e Segurança Militar (SISM) está em prisão domiciliária desde segunda-feira, (17.06) sob acusação de extravio de documentos com informações secretas.
    Alguns analistas ouvidos pela DW afirmam que os processos judiciais contra ex-figuras de peso no aparelho de Estado angolano continuam seletivos.
    Uma nota do Supremo Tribunal Militar angolano citado pela Angop, avança que o general reformado está indiciado por crime de extravio de documentos, aparelhos ou objetos que contenham "informações de caráter militar e insubordinação”.
    Ilícitos puníveis
    Segundo informações da justiça angolana, o ex-chefe do SISM incorre em ilícitos previstos e puníveis nos termos da Lei dos Crimes Militares.
    Entretanto, a medida punitiva dos crimes pode resultar em penas de dois a oito anos de prisão maior, de acordo com a referida lei.
    Alega-se que Zé Maria pretendia salvaguardar segredos do ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos, e por isso terá extraviado alguns processos secretos.
    Desde o anúncio da sua detenção já não há informações sobre o caso, e a sua equipa de defesa também não aceita fazer pronunciamento. Em declarações à DW África, o advogado e ativista Arão Bula Tempo, disse que as detenções continuam a ser particularizadas.
    Estratégia de manipulação
    Para Bula Tempo, a detenção do general não passa de mais uma manobra de manipulação da opinião pública, tendo em conta os problemas sociais que o país atravessa. "O Presidente da República fez muitas promessas, sem esquecer que o país estava a atravessar situações drásticas ao nível económico, provocados pelo próprio partido no poder. Creio que o Presidente para limpar a imagem do MPLA, está a tentar encontrar algumas personalidades para responderem em tribunal, porque se for um trabalho aturado, todos aqueles que desviaram dinheiro do erário público têm que responder”, afirmou o advogado.
    Por seu turno, o ativista social, Adão Ramos afirma que a prisão do antigo chefe do Serviço de Inteligência e Segurança Militar "não é para se levar a sério” no que concerne a um verdadeiro combate à impunidade.
    "Essas pessoas detidas, são classificadas arguidas, e depois são-lhes retiradas a medida de coação e não acontece mais nada, tal como é o caso do deputado Higino Carneiro. Também visa consolidar o poder do Presidente da República, para mostrar que quem ainda faz alguma resistência à sua liderança, que ele tem poder suficiente para fazer o que também fez o ex-Presidente da República, que é punir, prender, enfim, fazer outras coisas para quem representa algum incómodo”, sublinhou Adão Ramos.
    "Cabalas” contra general Miala e ativistasGeneral António José Maria é tido também como o suposto autor da "cabala” sobre alegadas tentativas de golpes de Estado contra José Eduardo dos Santos, que levou para cadeia o general Fernando Garcia Miala, atual chefe do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado.
    O mesmo oficial superior das Forças Armas Angolanas (FAA) também é apontado como mentor da prisão dos 17 ativstas angolanos no processo 15+2.
    Benedito Jeremias (Dito Dali), um dos réus do caso, afirma que Zé Maria está a provar o "próprio veneno”. "Ele está a beber agora do próprio veneno. Esse general é um especialista em forjar crimes, em manipular e fazer chantagens ao ex-Presidente, José Eduardo dos Santos, com a finalidade de garantir o seu posto. Por exemplo inventou que o general Miala estava a preparar um golpe de Estado contra José Eduardo dos Santos. O general Miala foi condenado, e até hoje não se provou o tal golpe de Estado que ele havia montado”, disse.
    O ativista espera que a justiça trabalhe e que não haja interferências políticas no processo do general angolano. "Esse senhor não terá como sair ileso deste processo, caso não haja uma manipulação para distrair a opinião pública. Se for eventualmente um processo sério, dificilmente ele sairá impune de todos os crimes imputados contra ele”, conclui Benedito Jeremias.
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  • Moçambique: Consórcio de gás natural anuncia um dos maiores investimentos de sempre
    Anunciado um histórico investimento de 22 mil milhões de euros para o projeto de desenvolvimento de gás na província moçambicana de Cabo Delgado.O consórcio liderado pela petrolífera norte-americana Anadarko acaba de anunciar o maior investimento de sempre em Moçambique para a exploração de gás Natural Liquefeito. Justiça social, prosperidade da economia nacional e muita paciência é o que os moçambicanos devem esperar do anúncio histórico do investimento no gás na Bacia do Rovuma.
    Personalidades moçambicanas e ligadas a economia e desenvolvimento acreditam que Moçambique vai "engordar" os seus cofres. Mas o Presidente da República, Filipe Nyusi, alerta para que a partir de agora o país saiba gerir as muitas expetativas que se criam em volta da exploração de Gas Natural Liquefeito. Mais ainda, segundo o Presidente Nyusi, Moçambique encontra-se nesta terça-feira com o presente e o futuro para projetar um dos caminhos que deverá alavancar Moçambique na região Austral e no mundo."Ao mesmo tempo que erguerá o nosso legado perante as gerações presentes e futuras. O impacto transformador deste projeto é tangível e cria enormes expetativas para o futuro. Este projeto logrou gerar 4 500 postos de trabalho para moçambicanos e metade destes postos empregam membros adjacentes ao empreendimento", destacou Filipe Nyusi.
    Não olhar só para o setor do gás
    Também o primeiro-ministro Carlos Agostinho do Rosário, chamou a atenção para não só se olhar para o setor do gás como a alavanca da economia do país.
    "Queremos uma economia mais diversificada e por isso pensamos que esse sinal dos investidores no gás vai atrair outros investimentos diversificados. E o nosso país vai ter um futuro muito grande. Pensamos que nos próximos anos o nível de crescimento da economia será substancial e a área de agricultura deverá também crescer".
    Com este investimento de 22 mil milhões de euros, Moçambique poderá ter muitos dos seus problemas económicos resolvidos, como afirmou o representante do Fundo Monetário Internacional (FMI), Ari Aisen.
    "Hoje é um dia em que a empresa [Anadarko] e os seus associados dão voto de confiança na atratividade de Moçambique explorar os seus recursos e é o primeiro passo para que os recursos eventualmente cheguem ao país para aumentar os cofres públicos e fazer mudanças que o país necessita e bem geridos para alcançar os seus objetivos de desenvolvimento que o país tem e que temos que apoiar"
    Investimento com grande impacto
    Por seu turno, o economista e antigo secretário executivo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), Tomás Salomão, não tem dúvida de que o investimento terá grande impacto na economia do país mas os moçambicanos terão de ter paciência.
    "O impato surgirá a médio e longo prazo mas mesmo essas coisas que sem impacto de longo prazo tem o momento para começar. Parece que este momento é importante. É preciso que daqui para o futuro os atores saibam levar para o terreno aquilo que deve ser feito para contribuir para um país de maior equidade e maior justiça social e menos desigualdade".
    A CTA, Confederação das Associações Económicas, vê este financiamento com bom olhos mas o presidente da agremiação, Agostinho Vuma apresentou uma queixa.
    "Enquanto não houver uma lei sobre o conteúdo local destas plataformas, o próprio evento de anúncio da Decisão Final de Investimento serve para troca de impressões e interação entre empresas do setor".
    O projeto Gas Natural Liquefeito também conhecido por Golfinho Atum cujo investimento é de 25 mil milhões de dólares (cerca de 22 mil milhões de euros) não pressupõe nenhuma garantia por parte do Estado Moçambicano.
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  • Sem Trump: Maputo acolhe Cimeira EUA-África
    Mais de mil representantes dos setores económicos africano e norte-americano e vários chefes de Estado reúnem-se a partir desta terça-feira na capital moçambicana. Só o Presidente dos Estados Unidos não vai à cimeira.É considerado um evento de extrema importância para as relações comerciais entre norte-americanos e africanos. A Cimeira Estados Unidos-África, que decorre até sexta-feira (21.06), em Maputo, terá entre os oradores nomes como Paul Kagame, Presidente do Ruanda, e Uhuru Kenyatta, Presidente do Quénia.
    Os chefes de Estado da Guiné-Bissau, do Zimbabué, da Namíbia e do Malawi também já confirmaram a presença no evento, organizado de dois em dois anos pelo Conselho Corporativo para África (CCA), uma associação comercial norte-americana.
    Mas apesar dos convidados de peso, o Presidente norte-americano, Donald Trump, não estará presente na cimeira. Será representado pela vice-secretária do Comércio, Karen Dunn Kelley.
    "É pouco provável que o Presidente Trump participe num evento como este. Pessoalmente fez muito pouco em relação a África. Só recebeu dois dirigentes da África subsaariana na Sala Oval", lembra Judd Devermont é diretor do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, em Washington, D.C. "A questão mais importante é o que significa não ter nenhum membro de topo do Governo neste evento, o que acaba por ser um pouco decepcionante", diz.
    "América é muito importante para África"
    No entanto, a ausência de Trump não é um sinal do desinteresse económico da América, diz Judd Devermont. O especialista lembra um discurso recente do conselheiro de segurança nacional dos Estados Unidos, John Bolton.
    "De acordo com a estratégia dos EUA para África, anunciada em dezembro pelo embaixador Bolton, o objetivo é aumentar o comércio e o investimento, combater o terrorismo e a instabilidade e procurar mais estabilidade", recorda. "O Governo também quer garantir que há responsabilidade no que toca ao investimento dos Estados Unidos e ao dinheiro dos contribuintes norte-americanos", explica ainda Devermont.
    Por enquanto, o comércio entre África e os Estados Unidos representa apenas 1,5% do comércio exterior de Whashington. O que não significa que os EUA tenham abandonado o continente.
    Pelo contrário, investem até muito dinheiro em África, diz o politólogo Philipp Gieg, da Universidade de Würzburg, na Alemanha. "A América é muito importante para África em matéria de investimento direto estrangeiro. Isso significa que as empresas americanas investem ou iniciam parcerias lá", explica.
    "Os Estados Unidos ainda são o número um ou o número dois em termos de investimento direto em África, mesmo que agora sejam apenas o sexto maior parceiro comercial, muito atrás da China e da Índia e até da França", lembra o especialista.
    Concorrência da UE e da China
    Calcula-se que só na África do Sul há 600 empresas norte-americanas, incluindo algumas das maiores empresas dos EUA. Em 2016, os Estados Unidos investiram quase 10 milhões de dólares em ajuda, mais do que instituições da União Europeia (UE), com cerca de 6,3 milhões de dólares.
    Mas a América não está sozinha no mercado africano. O bloco económico da UE é considerado o maior parceiro comercial de África, com um volume de exportações de 827 mil milhões de dólares num período de dez anos.
    Outro concorrente de peso são os chineses, que procuram alargar a sua influência em África. A República Popular da China concedeu já a Estados e empresas africanas 143 mil milhões de dólares em empréstimos, entre 2000 e 2017, tornando-se, assim, no maior doador no continente.
    Desenvolvimentos positivos
    A Agência norte-americana para o Comércio e o Desenvolvimento já anunciou que quer apoiar o setor privado na África sub-saariana, para que não fique tão dependente do desenvolvimento dos Estados Unidos ou da assistência humanitária.
    Mas antes de Donald Trump também houve outros desenvolvimentos positivos, como a AGOA - Lei de Crescimento e Oportunidades para África, por exemplo, lembra o politólogo Philipp Gieg. "E também houve algumas iniciativas económicas que foram pequenas, mas bem sucedidas. Mas, no geral, nunca houve muito impulso relativamente à política externa de África", destaca.
    Sob o lema "Promover uma parceria resiliente e sustentável", a cimeira Estados Unidos-África que decorre até sexta-feira (21.06.), em Maputo, vai discutir estratégias, visões e iniciativas para a promoção de empresas e investimentos. Em destaque a agricultura, a energia, a saúde, as infraestruturas e as finanças.
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  • Moçambique: Otimismo em relação ao futuro da economia apesar dos ciclones
    Os ciclones Idai e Kenneth afetaram o crescimento económico de Moçambique, que este ano se vai ficar pelos 2%. Mas os líderes das grandes empresas estão otimistas em relação aos grandes investimentos como o gás natural.Os ciclones Idai e Kenneth, que passaram por Moçambique entre março e abril vieram desacelerar a economia. Apesar dos danos causados, algumas empresas estão positivas em relação ao futuro e prevêem um grande crescimento, sobretudo com o investimento na exploração de gás na Bacia do Rovuma em Cabo Delgado.
    Gás natural
    A Anadarko, empresa de exploração energética americana, anunciou um investimento de 25 mil milhões de dólares (22 mil milhões de euros) na exploração de gás natural. Paulo Mendonça, diretor executivo da empresa energética portuguesa Galp em Moçambique, acredita que a confiança dos empresários se baseia muito em investimentos como este.
    "A confiança que existe nos empresários em termos genéricos é crescente com base na cada vez mais forte perspetiva com os grandes investimentos no gás se realizarem”.
    José Reino da Costa, presidente do Conselho Executivo do Millenium BIM, disse à DW África que alguns balcões do banco foram afetados pelos ciclones, mas já vê a vida a voltar à normalidade na cidade da Beira, severamente atingida pelo ciclone Idai.
    "O que nós sentimos, eu próprio estive na Beira há 15 dias, é que a atividade económica voltou praticamente ao normal. Obviamente que ainda se vê a destruição e as pessoas já estão a retomar a sua vida normal, e como se costuma dizer a vida continua”.
    Apesar dos números do FMI apontarem para um crescimento de apenas de 2% em 2019, nos próximos anos as projeções mostram um crescimento forte. Em 2020 espera-se que Moçambique cresça já 6%.
    Alguns sectores em recuperação
    A agricultura e o pequeno comércio foram as atividades económicas mais prejudicadas. A recuperação na agricultura só poderá ser feita nas próximas colheitas. José Reino da Costa diz que os prejuízos na cidade da Beira foram muito grandes.
    "As estimativas que foram feitas pelo gabinete que foi criado para avaliar os prejuízos e também para a reconstrução da Beira apontam para valores, entre perdas, danos efetivos e perdas económicas potencias superiores 3 mil milhões de dólares”.
    Também Paulo Mendonça conta como os ciclones afetaram a Galp. Mas mantém-se otimista em relação ao futuro.
    "A Galp tem em construção dois parques armazenários de combustíveis, um deles na Beira, que está neste momento em fase construção e esse projeto sim foi algo afectado, uma vez que estava em fase de construção na altura em que o ciclone atingiu a costa da Cidade da Beira e houve um determinado impacto, que está neste momento a ser quantificado. De qualquer maneiro isso não altera de modo nenhum os planos de investimento que a empresa tem para o país”.
    Moçambique vai tornar-se um dos maiores produtores de gás natural na próxima década e a Galp vai participar nesse processo. Paulo Mendonça já tem datas para o início da extração e produção de gás natural.
    "O ano de 2020 marcará o início da construção das duas fábricas, que temos previsto no consórcio da Área 4, como objetivo de produzir gás natural a partir de 2024”.
    3 min
  • Ébola: RDC e países vizinhos em alerta
    Cresce o receio de propagação do vírus ébola, que desde agosto já matou mais de 1.400 de pessoas na República Democrática do Congo. Países vizinhos estão em alerta, principalmente após a morte de duas pessoas no Uganda.Sudão do Sul, Ruanda e Burundi já anunciaram um reforço nas medidas de prevenção nas suas fronteiras. Também a Tanzânia declarou que a "ameaça" está à porta.
    No entanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considerou que, embora a situação seja preocupante, o surto não representa ainda uma emergência global. Ainda assim, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreysus, chegou segunda-feira (17.06) ao Uganda para se inteirar da resposta que está a ser dada ao surto.
    "As hipóteses de propagação ainda existem, por isso viemos aqui para discutir a situação. É necessário continuar a trabalhar para, não só para manter o ébola afastado [do Uganda], mas também para controlar o surto", disse.
    Em entrevista à DW, o porta-voz da OMS, Tarik Jaserivic garantiu que a organização continuará a fazer todos os esforços "para tentar conter o surto". E voltou a apelar à disponibilização de mais fundos por parte dos doadores para que seja possível combater o surto na RDC ou para a sua eventualpropagação para países como o Uganda.
    De acordo com o porta-voz, 45 milhões de euros (50 milhões de dólares) é o valor estimado pela OMS para o combate a esta epidemia. "Esperamos que os doadores intensifiquem o seu trabalho, que é vital, pois todos os ganhos conseguidos até aqui no que toca ao combate à doença podem ser perdidos se não mantivermos a nossa presença", apelou Tarik Jaserivic.
    Primeiro caso no Quénia foi falso alarme
    No Quénia, uma mulher vinda de Malaba, uma cidade localizada na fronteira ocidental deste país com o Uganda, deu entrada num hospital, na segunda-feira (17.06), com alguns sintomas da doença, mas tudo não passou de um falso alarme no país, que nunca registou qualquer surto de ébola.
    Razão pela qual alguns médicos têm manifestado a sua preocupação com a falta de preparação do sistema de saúde do país para um eventual surto. No entanto, a ministra da saúde queniana, Sicília Kariuki, minimizou a ameaça.
    "Os sintomas apresentados pela [paciente que deu entrada numa unidade de saúde em Kericho] não correspondem à definição de caso de ébola. No entanto, foram tomadas medidas cautelares, incluindo o isolamento da doente", afirmou a ministra, sublinhando que "não há casos de ébola" e que "o Ministério está a implementar medidas de preparação".
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  • Como chega a internet às regiões mais remotas de África?
    As empresas tecnológicas, americanas e chinesas, estão atualmente envolvidas numa corrida para expandir a infraestrutura digital em África. Para o continente, isto é simultaneamente uma oportunidade e um risco.Os países africanos são líderes mundiais na utilização de serviços móveis, como o acesso a serviços governamentais e a transferência online de dinheiro. É certo que a revolução digital em África poderia ter ido muito mais longe, se não fosse pela falta de infra-estrutura no continente. Mas isso está mudando.
    Gigantes como Facebook, Amazon e Google estão a investir em satélites, balões de hélio e até drones para garantir que os cantos mais remotos de África estejam conectados à internet. A China, por exemplo, está por trás de um programa de investimentos para o desenvolvimento de infraestrutura digital - o projeto chinês da "Digital Silk Road" - que pretende levar tecnologia do Grupo Huawei ao continente.
    "Desertos da Internet" em partes da África
    Apesar das conquistas digitais na África, o mercado está longe de ser aproveitado e as necessidades de investimento são altas. Um estudo recente do Banco Mundial mostra que apenas uma em cada cinco pessoas na África subsariana usa a internet, índice bem abaixo da média global, que é pouco mais de 50%.
    Entretanto, estes números obscurecem as grandes diferenças regionais em África, avalia Félix Blanc, da organização Internet sem Fronteiras.
    "Alguns países, como a Libéria, o Quénia ou os países do Magrebe alcançam 80% da população com forte conectividade, enquanto outros são verdadeiros desertos da internet. A República Centro-Africana está longe da costa e não tem conexão com os cabos submarinos de alto desempenho".
    Quota de empresas estatais de telecomunicações em declínio
    Os principais atores da infraestrutura digital em África são os gigantes multinacionais das telecomunicações, como a MTN, com sede na África do Sul, a francesa Orange S.A. e a Bharti Airtel, da Índia. As estatais representam hoje apenas um quinto dos prestadores de serviços no continente. Segundo a cientista política Tina Freyburg, isso se deve ao aumento dos custos. "Muitos estados não podem pagar isso sozinhos e, portanto, são dependentes dos investimentos de empresas estrangeiras", disse.
    Tina Freyburg diz que as gigantes do mercado, incluindo Facebook, Google e Amazon, são dependentes da infraestrutura existente nos países. "O Facebook, o Google, a Amazon e outras empresas têm o problema de dependerem dessas empresas. Se, por exemplo, a MTN for desativada no Uganda, o Facebook também será. O Facebook e outros grandes provedores de aplicativos querem se tornar independentes".
    O controlo sobre infraestruturas digitais é um fator central de poder. No contexto de eleições e manifestações, muitos Governos africanos, sobretudo regimes totalitários, dificultaram no passado o acesso a aplicativos individuais, como o Twitter e o Facebook, ou encerraram totalmente o serviço de internet. Os regimes se aproveitam desse instrumento de controlo para pressionar as prestadoras de serviços, que se mostram dispostas a cooperar. Félix Blanc, da Internet sem Fronteiras, diz que até empresas europeias como a Orange aceitariam a censura para abrir novos mercados. Dessa forma, os agentes económicos tornam-se cúmplices quando os Governos ameaçam retirar as suas licenças.
    Para evitar o controle e a censura de regimes autoritários, os gigantes da tecnologia estão a se esforçar para ampliar o mercado de infraestrutura em África.
    Salto tecnológico
    O consultor e ativista digital Steve Song está convencido de que a África terá um salto em desenvolvimento tecnológico com os investimentos dos Estados Unidos. Um dos projetos promissores é o Starlink, dirigido pela empresa espacial SpaceX. Uma nova geração de satélites vai orbitar o globo numa órbita muito baixa que vai permitir o fornecimento de internet a áreas remotas. Os primeiros 60 dos 12.000 satélites planeados foram lançados no espaço a 24 de maio a uma altitude de apenas 450 quilómetros.
    "A Amazon também anunciou um projeto chamado Kuiper, uma outra constelação de satélites de órbita baixa que se tiver sucesso pode transformar o acesso à internet nas zonas rurais, porque poderiam oferecer serviços virtuais em qualquer zona."
    Entretanto, nem todos os projetos trouxeram os resultados esperados. O Facebook e o Google perderam os seus investimentos em drones de internet. Ainda não se sabe se o Projeto Loon da multinacional Alphabet, dona do Google, em parceria com a Telkom Kenya, será bem sucedido. O projeto pretende experimentar balões de hélio movidos a energia solar. Song tem certeza de que se apenas um desses projetos for bem-sucedido será um grande salto para o acesso à Internet em áreas rurais.
    Os investimentos do Vale do Silício nas infraestruturas digitais em África não está isento de problemas, diz Tina Freytag. Se as empresas pudessem fazer negócios reais de publicidade e de conteúdo no futuro dependendo da sua própria infraestrutura, isso levaria a uma mudança.
    Félix Blanc também compartilha desta opinião, referindo-se, nesse contexto, ao envolvimento chinês no continente: "Esta fragmentação e essa guerra, que podem ser observadas em escala global entre os dois gigantes, China e Estados Unidos, terão um impacto direto sobre os africanos", avalia.
    No entanto, ele acredita que o atraso da África em termos de infraestrutura pode ser uma ótima oportunidade. África agora tem a oportunidade única de desenvolver outro modelo descentralizado de internet, um que não é monopolizado por poucos operadores económicos.
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  • São Tomé e Príncipe: Ex-mercenário afirma que Trovoada financiou golpe de Estado de 2003
    Ex-mercenário Peter Lopes afirmou na CPI que o ex-Presidente são-tomense, Manuel Pinto da Costa, foi alvo de tentativa de eliminação física por duas vezes em 2003 e 2016 .O ex-mercenário Peter Plácido Lopes, autor da denúncia em 2017 de que ex-primeiro-ministro são-tomense, Patrice Trovoada, é o financiador do golpe de Estado de 2003, voltou a confirmar esta segunda-feira (17.06.) na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) as suas afirmações.
    Peter Lopes disse ainda que o ex-Presidente são-tomense, Manuel Pinto da Costa, foi alvo de tentativa de eliminação física por duas vezes.
    A Comissão Parlamentar de Inquérito ao golpe de Estado de 2003 em São Tomé e Príncipe retomou esta segunda-feira as audições depois de na semana passada ter auscultado o ex-chefe de Estado Fradique de Menezes, o antigo ministro da Defesa e Ordem Interna Óscar Sousa, e o ex-mercenário, do extinto batalhão Búfalo, Arlécio Costa, chefe dos golpistas,
    Em declarações prestadas à CPI, Peter Lopes disse que "estou aqui para dizer ao povo de São Tomé e Príncipe que o cidadão Patrice Trovoada, deu-nos ordens para matar Pinto da Costa, Fradique de Menezes, e Óscar de Sousa. Esses três líderes sabem que é perfeitamente verdade”.
    O mercenário do extinto batalhão búfalo ao reafirmar que o ex-primeiro-ministro são-tomense Patrice Trovoada, foi o financiador do golpe de Estado de 2003 acrescentou que "fui eu quem ía à casa de Patrice Trovoada na altura quando era ministro dos Negócios Estrangeiros....a sua casa no "Campo de Milho”, para buscar sacos de dinheiro para sustentar os doze elementos que viviam no Quilombo. Quem entrou com o armamento aqui em São Tomé, eles me usaram e depois dizem que sou subalterno”.
    Casa de Trovoada serviu de logísticaPeter Lopes explicou, por outro lado que "nas primeiras horas da madrugada do dia do golpe, Patrice Trovoada foi o primeiro dirigente que "apareceu no quartel-general. Ligamos-lhe informando que já tínhamos tomado o poder”, disse o ex-mercenário.
    Questionado por Cílcio Santos,presidente da CPI, Peter Lopes deixou claro que a casa da família Trovoada serviu de logística para o desencadear do processo.
    "Há registos que durante a execução do golpe em 2003, por intermédio do cidadão Peter Lopes, vinha da casa da família Trovoada por intermédio do cidadão Patrice Trovoada, ajudas em géneros alimentícios confirma isto? Sim confirmo”.
    Segundo Peter Lopes, Patrice Trovoada, contratou por duas vezes, o batalhão Búfalo para eliminar fisicamente o ex-Presidente do país, Manuel Pinto da Costa, em 2003 e 2016. A estratégia de acordo com os relatos de Peter Lopes, passava primeiro pela morte do então chefe de campo de Pinto da Costa, o major José Maria Menezes, atual chefe do destacamento militar na região do Príncipe.
    "Em 2016 na campanha presidencial ele nos mandou partir a perna do guarda-costas de Pinto da Costa. Se eu Peter ou se um dos meus colegas fizesse isso o que diriam?... Vão buscar o Patrice Trovoada, para que ele possa dizer o contrário.”No seu depoimento diante da CIP, Peter Lopes, explicou as motivações secundárias que terão levado Patrice Trovoada a financiar a subversão da ordem em 2003.
    "Toda a gente sabe da guerra entre Pinto da Costa e a família Trovoada. Todo o mundo sabe do problema que Fradique Bandeira Mello de Menezes teve com a família Trovoada. E ainda todo o mundo sabe que Patrice Trovoada e Oscarito não se dão (…)”
    Entretanto, o ex-Presidente Manuel Pinto da Costa que deveria ser ouvido esta segunda-feira pelo CPI não compareceu e não apresentou justificação, enquanto a ex-primeira-ministra, Maria das Neves, que também seria auscultada, encontra-se ausente do país.
    Depois de concluir as audições, "será feito um relatório que será submetido à mesa do plenário da Assembleia Nacional", de acordo com que tomará a decisão "que pode passar pelo seu envio para o tribunal em função das provas produzidas".
    Recorde-se, que a CPI foi criada pela Assembleia Nacional por uma resolução parlamentar em fevereiro passado, com votos a favor das bancadas do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe - Partido Social Democrata (MLSTP-PSD), da coligação PCD-UDD-MDFM e dos dois deputados independentes do Movimento por Caué, contra 23 da Ação Democrática Independente (partido de Patrice Trovoada, agora na oposição) para apurar um alegado envolvimento do ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada no golpe de Estado de 2003 em São Tomé.
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  • Quem é Paulo Pombolo, o novo secretário-geral do MPLA?
    Paulo Pombolo novo secretário-geral do MPLA, também foi governador do Uige onde foi muito criticado pela população.Paulo Pombolo nasceu na província do Uíge aos 12 de abril de 1962. O político já exerceu vários cargos no partido e no governo.
    Paulo Pombolo começou a notabilizar-se na política como 1º Secretário Nacional da MPLA, cargo que ocupou por vários anos. Analistas ouvidos pela DW África são unânimes em afirmar que enquanto responsável da JMPLA , a organização juvenil dos "camaradas" teve um bom desempenho. É o caso de Jorge Neto jornalista e diretor do semanário "Manchete".
    "Teve um desempenho notório, conseguiu juntar a juventude do seu país ao nível nacional".
    Cláudio Fortuna investigador da Universidade Católica de Angola, concorda:"Fez uma carreira notável na JMPLA, esteve de acordo com as orientações do partido e acaba por fazer da JMPLA um ninho de preservação. Deu voz de peso a JMPLA e assim foi premiado a governador do Uíge".
    Governador do Uíge
    Mas, enquanto governador do Uíge, cargo que ocupou entre 2009 a 2017, não teve o mesmo desempenho, diz Cláudio Fortuna que aponta o contexto da época como a razão.
    "A sua governação foi desastrosa. Não houve avanços no Uíge e a província até retrocedeu. Mas também podemos adivinhar que resultou do facto de estar amarrado (à antiga governação)".
    Para Jorge Neto a governação de Pombolo no Uíge também não foi boa."Saiu um pouco mais maculado na província do Uíge do que como 1º Secretário da JMPLA".
    Desvios
    Aliás, o ex-governante foi acusado pelos cidadãos locais de desviar autocarros para sua fazenda, lembra o analista político Augusto Báfuabáfua que quer saber em que pé está a acusação.
    "Desvio de autocarros e levar para a sua fazenda, desta fama também Paulo Pombolo não se livra. Não sei até que ponto isso evoluiu, se eventualmente foi levada a Procuradoria-geral da República ou a uma instância judicial”.
    Depois de ter ocupado a pasta de 1º Secretário da província do Uíge e a de Secretário para Informação do MPLA, o ex-governante tem novos desafios políticos. Paulo Pombolo foi eleito no último fim-de-semana, para o cargo de Secretário-geral do MPLA no VII Congresso Extraordinárioonde substituiu Álvaro de Boa-vida Neto.
    Lealdade a José Eduardo dos SantosEm dezembro de 2018, o semanário angolano "Expansão" publicou uma entrevista em que Boa-vida declara a sua lealdade ao ex-Presidente José Eduardo dos Santos. Talvez seja isso que terá ditado a substituição do político, sublinha Cláudio Fortuna.
    "É um posto que lhe caiu de para-queda porque ele não estava preparado. Teve a sorte de o anterior secretário-geral do MPLA, teve um posicionamento que está a margem dos ditames do partido que é um partido ortodoxo, conservador e não está preparado para criticas dos seus próprios militantes".
    Questionado sobre se Paulo Pombolo estava a altura dos seus novos desafios, Augusto Báfuabáfua, prefere esperar e ver para crer.
    "É difícil, a partida, aferir se alguém está a altura dos desafios. Que conhece muito bem o partido, conhece", concluiu.
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