África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle

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África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle episodes

  • Cabo Delgado: "Não há ataque calculado contra missões católicas"
    Duas missões católicas foram alvos recentes dos ataques de insurgentes em Cabo Delgado, no norte de Moçambique. Mas Dom Luiz Fernando Lisboa, bispo de Pemba, descarta um ataque premeditado à Igreja Católica.Em menos de dois meses, duas missões da Igreja Católica foram atacadas pelos insurgentes em Cabo Delgado, no norte de Moçambique. A primeira, no período da Páscoa (abril) e a segunda, na terça-feira passada (12.05): os atacantes destruíram a casa de uma missão de monges beneditinos.
    Contudo, o bispo de Pemba não acredita em ataques calculados contra as missões católicas, pois outros alvos próximos são igualmente atacados, argumenta em entrevista à DW África.
    Segundo Dom Luiz Fernando Lisboa, o ataque é mais uma prova do agravamento da insegurança na província de Cabo Delgado, onde operam as multinacionais do gás natural. Em dois anos e meio de violência, os insurgentes mataram pelo menos 550 pessoas. Dezenas de milhares de pessoas foram afetadas. O bispo de Pemba diz que a Igreja Católica está a ajudar os deslocados.
    DW África: Como foi o ataque à vossa missão na última semana, em Cabo Delgado?
    Dom Luís Fernando Lisboa (LFL): Entraram na casa da missão dos beneditinos - religiosos tanzanianos que trabalham na nossa diocese - no bairro Auasse, em Mocímboa da Praia. Vandalizaram a casa e levaram pertences dos monges, inclusive o carro. Também queimaram um hospital que estava a ser construído ali por eles.
    DW África: Face ao intensificar dos ataques de insurgentes contra as missões católicas, acredita na possibilidade de a Igreja Católica encerrar as suas missões na província?
    LFL: Eu não diria que há um ataque calculado contra as missões católicas. Eu penso que atacaram o bairro, não apenas a missão. Quando eles atacam, atacam sempre outras casas, comércio, etc. Não sei se sabiam que ali havia uma missão católica. Os monges conseguiram fugir, ficaram dois dias no mato. Nenhum deles ficou ferido. O pior é quando se tiram vidas. Neste dia, muitas pessoas morreram ou desapareceram. Isso deixa-nos sempre muito tristes. Os bens, prédios e carros, perdem-se. Mas o pior de tudo é a perda de vidas humanas.
    DW África: Fala-se sobre a fome, as dificuldades, a pobreza que se está a tornar extrema e a situação humanitária que se está a deteriorar. Como é feita a assistência à população carenciada?
    LFL: O Governo tem procurado, de alguma forma, fazer a sua parte. As Forças Armadas foram reforçadas recentemente. Mas os atacantes mudaram de tática - passaram a atacar as aldeias simultaneamente, como aconteceu há pouco tempo. E [a situação] acaba por ficar muito mais difícil. Agora, há uma forte crise humanitária: há fome, porque são mais de 200 mil deslocados. Só de Quissanga, um dos alvos dos ataques, vieram milhares de pessoas que estão aqui no distrito vizinho de Pemba, chamado Metuge. Estão aqui vários acampamentos de pessoas que vieram de Quissanga. Sem contar os deslocados que se espalharam pela província, em todos os distritos, e inclusive na capital, Pemba. Isso torna o atendimento muito difícil. Muitas pessoas saem de casa sem nada ou com poucos pertences. Chegam sem comida. E atender a todas essas pessoas, nesta situação, não é uma tarefa fácil. No entanto, há organizações internacionais, como a Cáritas, a ajudar. Temos um esquema de entrega de alimentação para essas pessoas.
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  • Oposição fala em corrupção por detrás da Conta Geral do Estado de 2018
    O Parlamento aprovou a Conta Geral do Estado de 2018. A oposição votou contra apontando irregularidades, muitas das quais, constam de um parecer crítico do Tribunal Administrativo ao exercício económico do Executivo.A oposição parlamentar refere que o Tribunal Administrativo constatou deficiências nos sistemas de controlo interno, no que diz respeito aos procedimentos de gestão do orçamento e respetivas alterações, da arrecadação da receita e da execução da despesa, bem como da organização e arquivo dos documentos comprovativos das transações.
    Aponta, igualmente, que o Governo continuou a desrespeitar as regras de contração da dívida em 2018, permitindo que o país se mantenha como devedor de alto risco.
    Outra constatação do Tribunal Administrativo, tem a vêr com o facto do Estado ter pago em 2018 despesas de anos anteriores sem que os encargos tivessem sido inscritos nas verbas de exercícios findos ou despesas por pagar.
    FRELIMO: "Nem todas as infrações financeiras são atos de corrupção"
    O deputado da RENAMO, o maior partido da oposição, José Samo Gudo, observou que esta é a vigésima Conta Geral do Estado que é escrutinada pelo Tribunal Administrativo, enquanto entidade fiscalizadora.
    E pergunta: "Que mistério se esconde por detrás daquelas irregularidades que se repetem anualmente? A resposta é simples, resulta da corrupção que se instalou no aparelho de Estado.”
    Já o deputado da FRELIMO, o partido no poder, Francisco Mucanheia, tem uma opinião contrária: "Não restam dúvidas de que se trata de uma infração financeira, mas nem todas as infrações financeiras são atos de corrupção.”
    Por seu turno, o primeiro ministro, Carlos Agostinho do Rosário, disse que o Governo vai continuar a promover a cultura da integridade e transparência na administração pública, aprimorando cada vez mais os mecanismos de controle interno, prestação de contas e responsabilização.
    E exemplificou que "no período de 2018 a 2019 o uso das plataformas informáticas e o reforço das inspeções permitiu detetar irregularidades por servidores públicos que deram lugar a instrução de cerca de 2000 processos disciplinares, dos quais 205 culminaram com demissões e 104 em expulsões, de entre outras sanções.”
    RENAMO quer processo contra o Governo
    Durante os debates a RENAMO acusou o Governo de manter o pagamento das dívidas ocultas, mesmo depois do Conselho Constitucional ter declarado nulos estes empréstimos e garantias concedidas pelo Executivo.
    "A Procuradoria Geral da República (PGR) deve abrir um processo contra este Governo por violação da lei", afirmou o deputado Venâncio Mondlane, da RENAMO.
    Por seu turno, o ministro das Finanças, Adriano Maleiane, admitiu que a Conta Geral do Estado de 2018 inclui o pagamento de um cupão da empresa EMATUM, mas acrescentou que se tratou da regularização de uma dívida contraída pelo Instituto de Gestão de Participações do Estado (IGEPE) em 2013.
    "Desde 2016 para cá não há pagamento de nenhuma dívida oculta", garante Maleiane.
    Os motivos para o não da oposição
    A Conta Geral do Estado foi aprovada com 167 votos a favor da FRELIMO, contra 50 votos da RENAMO e do MDM, a segunda maior força da oposição.
    A deputada Ana Rita Sitole explicou que a bancada da FRELIMO votou a favor, porque "a Conta Geral do Estado demonstra a execução do Orçamento do Estado de 2018, cujo enfoque central foi a melhoria das condições de vida do povo moçambicano."
    Já a deputada Clementina Bomba justificou que a RENAMO votou contra porque à semelhança dos anos anteriores a Conta Geral do Estado de 2918 carateriza-se por "falta de coordenação institucional e pela violação sistemática dos princípios de clareza, exatidão, simplicidade, regularidade financeira, legalidade, economicidade, eficiência e eficácia na obtenção e aplicação dos recursos públicos."
    O MDM votou igualmente contra. O deputado Elias Impuiri avança alguns dos motivos: Votamos contra porque algumas entidades não foram capazes de localizar e entregar ao Tribunal Administrativo documentos comprovativos de receitas coletadas e despesas pagas."
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  • Deslocados moçambicanos em condições precárias
    Ataques armados fazem crescer o número de deslocados no nordeste de Moçambique. Mais de 300 pessoas refugiaram-se no posto administrativo de Namialo na província de Nampula, onde subsistem em condições precárias.Os ataques protagonizados por insurgentes nos distritos do norte de Cabo Delgado, obrigaram já várias famílias a abandonar as suas casas e campos de cultivo para se refugiar em terras seguras. Uma das regiões preferidas pelos deslocados é a vila sede do posto administrativo de Namialo, no distrito de Meconta, na província nortenha de Nampula.
    Apesar de se sentirem seguros aqui, os refugiados enfrentam muitas dificuldades. Maita Toshi diz que está satisfeito com o amparo das que tem recebido em Namialo. "Agrademos muito ao governo daqui [Nampula]. Fomos bem recebidos". No entanto, diz, persistem os problemas: "Estamos a sofrer para ter acesso a locais para dormir. Pedimos emprestadas esteiras, não temos cobertores e muito menos comida. Não temos redes mosquiteiras e somos picados", disse o deslocado à DW África. Há casos em que vinte pessoas têm que partilhar uma casa.
    Pedido de ajuda
    Maita Toshi lança um apelo às autoridades. "Estamos a pedir ao Governo que encontre outro sítio para nos alojar, porque lá [em Cabo Delgado] a guerra ainda continua, todas as casas já queimaram",disse.
    No total chegaram a Namialo cerca de 300 deslocados das aldeias de Mocímboa da Praia, Muidumbi e Mueda. Adelina Mucala, chefe do posto administrativo da vila sede do posto admnistrativo, receia que número de cidadãos que necessitam de amparo na região aumente.
    "Todos os dias recebemos novos compatriotas". Mucala diz que estão a ser envidados esforços para prestar apoio aos deslocados. "Já fizemos um peditório aos nossos agentes económicos e aguardamos resposta. Acreditamos que eles vão responder", disse à DW África.
    Autoridades prometem fim dos ataques
    Num encontro com os deslocados, o Secretário de Estado da província de Nampula, Mety Gondola, garantiu que o Governo moçambicano está a trabalhar para pôr fim aos ataques. Mas enquanto o trabalho não termina "nós vamos ter que vos receber como irmãos. Vamos ter de encontrar uma forma de cada um partilhar o pouco que tem", disse, acrescentando: "Nós vamos nos esforçar para ver como é que podemos arranjar uma forma de vos apoiar".
    Os ataques armados em Cabo Delgado começaram em outubro de 2017, e até hoje custaram a vida a 500 pessoas. Mais de 160 mil pessoas foram afetadas de alguma forma pela violência, segundo dados oficiais.
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  • África na Segunda Guerra Mundial: Um capítulo esquecido
    Mais de um milhão de soldados africanos combateram na II Guerra Mundial e ajudaram a libertar a Europa do fascismo. Mas o reconhecimento é quase nulo. Os poucos que sobreviveram reclamam até hoje pelos seus direitos.A partir de 3 de setembro de 1939, quando a Grã-Bretanha e a França declararam guerra à Alemanha, os Aliados recrutaram nas suas colónias cerca de meio milhão de soldados e operários.
    Soldados coloniais de toda a África subsaariana e do norte do continente tiveram de lutar contra as tropas alemãs e italianas no norte de África e na Europa durante a guerra. Mais tarde também combateram contra os japoneses na Ásia e no Pacífico.
    Foram forçados ao serviço militar, mal tratados, usados como "carne para canhão" e mal compensados ​​quando voltaram da guerra. Milhares de africanos contribuíram para libertar a Europa do fascismo. No entanto, este é um capítulo que não sobressai nos livros de História alemães.
    Recrutamento forçado
    Nos noticiários na Europa falava-se em "voluntários". Mas o veterano congolês Albert Kuniuku, de 93 anos, tem outra versão. "Foi um verdadeiro recrutamento forçado", sublinha o antigo soldado.
    "Eu trabalhava numa empresa têxtil quando nos foram buscar. Depois foram a outras empresas, como a Chanic, a Ontara e a Archevin. Todos os jovens trabalhadores foram recrutados. Nenhum deles tinha mais de 30 anos", conta.
    Albert Kuniuku é presidente da União dos Veteranos Congoleses (UNACO) em Kinshasa, a capital da República Democrática do Congo. Até 1960, o país foi governado pela Bélgica.
    O antigo soldado é um dos últimos sobreviventes de uma unidade expedicionária que lutou contra os japoneses na Índia e no Myanmar (antiga Birmânia), entre 1940 e 1946, sob comando britânico e belga, longe dos campos de batalha da Europa.
    Kuniuku achava que nunca iria voltar. "Quando partimos, pensei que nunca mais voltaria a ver a minha família e que o meu corpo seria enterrado bem longe do meu país. Disseram-nos que íamos lutar contra os japoneses, que estavam do lado dos nazis," recorda.
    "Carne para canhão"
    Em 1939, o exército francês recrutou cerca de 100 mil africanos ocidentais para combates na França, na Alemanha e em Itália. Até hoje discute-se se os soldados coloniais africanos terão servido apenas como "carne para canhão".
    O que é certo é que os soldados africanos acabaram por ter contacto com soldados europeus e com a vida na Europa. Isso teve um impacto na sua consciencialização e, consequentemente, também na sua ação política nos países de origem.
    "Durante a guerra, vimos os brancos nus e não nos esquecemos disso", disse o escritor e cineasta senegalês Usman Sember, ele próprio um antigo soldado colonial.
    Segundo o jornalista alemão Karl Rössel, que durante dez anos investigou o tema na África Ocidental, essas experiências tiveram consequências vastas. "O facto de os soldados coloniais terem testemunhado, pela primeira vez, que a chamada 'raça superior' sofreu e morreu, na lama e na imundice, mostrou-lhes que não há diferenças entre as pessoas", explica. "Isso fez com que muitos apoiassem os movimentos independentistas nos seus países."
    Falta de reconhecimento
    Muitos veteranos sentem-se orgulhosos por terem lutado pela libertação da Europa do fascismo e de Adolf Hitler. Ao mesmo tempo, ficou também uma certa amargura porque até hoje houve muito pouco ou nenhum reconhecimento por isso.
    "Sabemos que os belgas pagaram um prémio, durante o regime de Mobutu, mas até hoje não recebemos nada", lamenta o veterano congolês Albert Kuniuku. Atualmente, recebe uma pensão mensal de cerca de cinco euros. "Não é um valor digno de alguém que representou os interesses da Bélgica", critica.
    Albert Kuniuku voltou à sua terra natal em 1946, depois de dois anos a combater no sul da Ásia. O congolês é um dos poucos sobreviventes de um total de 25 mil soldados africanos que partiram com ele para a Índia.
    Noutros lugares milhares de jovens africanos com menos de 30 anos deram as suas vidas por uma guerra que não era deles.
    Artigo publicado pela primeira vez a 07.05.2015.
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  • Covid-19 não tira foco na luta contra malária em Moçambique
    Assinala-se este sábado (25.04) o Dia Mundial de Luta contra a Malária. Em Moçambique, apesar da forte ameaça da pandemia de Covid-19, as autoridades sanitárias continuam empenhadas em reduzir os casos de malária.As autoridades sanitárias de Moçambique alertam para que não se deixe de lado a luta contra a malária, apesar da pandemia do novo coronavírus também estar a afetar o país.
    O Ministério da Saúde moçambicano diz que a malária continua a ser a principal causa de mortes em Moçambique e a aposta é continuar a reduzir ao máximo os casos da doença.
    Nos primeiros três meses deste ano, morreram pouco mais de 200 pessoas vítimas da malária, contra mais de 250 óbitos em igual período do ano passado.
    "Reduzimos os casos de malária grave que estiveram de baixa em unidades sanitárias deste país, em 12%, e registamos 19.593 casos de malária grave nos hospitais, contra 22.590 do ano passado", explica o chefe do Programa Nacional de Combate à Malária, Baltazar Candrinho.
    Agora que o país está a enfrentar a pandemia da Covid-19, Baltazar Candrinho sublinha que todos os que tiverem sintomas de malária devem dirigir-se ao hospital para tratamento.
    "A malária e a Covid-19 têm a semelhança num dos sintomas, que é a febre. Se num país ondea malária não é endémica, como na Europa ou na Ásia, pode-se dizer que tem febre, ficar em casa e receber tratamento, porque pode ser Covid-19. Mas, num país como o nosso, não podemos dizer às pessoas que têm febre para não procurar cuidados de saúde", sublinha Baltazar Candrinho.
    Uso da cloroquina
    O Programa Nacional de Luta contra a Malária diz ter medicamentos e testes suficientes para combater a doença em Moçambique.
    Baltazar Candrinho lembra que os medicamentos em uso para combater a malária não são os mesmos para a aliviar a Covid-19. A cloroquina está a ser usada para combater o novo coronavírus – em alguns países com bons resultados, mas noutros não.
    Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ainda não existem evidências científicas definitivas de que a cloroquina seja, de facto, eficaz no tratamento da Covid-19.
    "Moçambique usou a cloroquina há muito anos e parou de usar, porque houve níveis elevados de resistência. Foi por isso que mudamos para outros derivados. Mas a hidroxicloroquina é boa e tem algum efeito para a Covid-19 em alguns países e noutros não", explica.
    "Significa que pode ser utilizado para a Covid-19 e não haverá nenhuma interferência no medicamento que tratamos para malária", acrescenta.
    A diretora nacional de saúde pública de Moçambique, Rosa Marlene, disse que o novo coronavírus alterou toda a programação de consultas, mas não tirou o foco na luta contra outras doenças, como a malária.
    "Queremos que as pessoas tenham a informação sobre o seu dia da consulta e saibam exatamente a que horas. Portanto, teremos vários grupos: um primeiro de 20 pessoas que é atendida das 8h às 9h; o segundo grupo será atendido das 9h às 10h e o terceiro, das 10h às 11h e assim sucessivamente", afirmou.
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  • 20 dúvidas frequentes sobre a Covid-19 e o novo coronavírus
    Tentamos esclarecer as dúvidas mais comuns nas redes sociais sobre a pandemia da Covid-19 e o novo coronavírus. Desde os sintomas da doença a uma potencial vacina, passando pelos "cabelos bíblicos" que curam a Covid-19 e as taxas de mortalidade: todos os dias surgem novas questões sobre o novo coronavírus. Já há quase um milhão de pessoas infetadas em todo o mundo e é essencial esclarecer as dúvidas para nos protegermos de forma correta.
    A DW África responde às perguntas mais frequentes que vão surgindo nas redes sociais sobre a pandemia.
    1. Porque é que a doença se chama Covid-19?
    O acrónimo Covid-19, atribuído pela Organização Mundial de Saúde, deriva da junção das palavras Corona - Vírus - Doença e do ano em que surgiu - 2019.
    2. O coronavírus já existia há algum tempo ou é uma epidemia nova?
    Os coronavírus são uma grande família de vírus que pode afetar animais e humanos. No passado, vimos dois deles causarem as epidemias de SARS (Síndrome respiratória aguda grave) e MERS (Síndrome respiratória do Médio Oriente). O novo coronavírus - SARS-CoV-2 - e a Covid-19, doença causada pelo mesmo, eram desconhecidos da comunidade internacional até ao início do surto, em dezembro de 2019, em Wuhan, na China.
    3. Como distinguir a gripe comum da Covid-19?
    Os sintomas da Covid-19 podem ser semelhantes aos de uma gripe comum e essa é uma das grandes dificuldades no combate à propagação do novo coronavírus, aliada ao facto de muitos infetados serem assintomáticos. E, quando se manifestam, os sintomas não são iguais para todos: incluem geralmente febre e tosse seca, mas também podem passar por dores musculares, fadiga, garganta irritada, falta de ar e dor de cabeça. Expetoração, corrimento nasal e diarreia são sintomas menos comuns. Já espirrar é um sintoma atípico para o novo coronavírus.
    Dor de garganta e corrimento nasal são normalmente sinais de uma infeção das vias respiratórias superiores - o mais provável é que sejam sintomas de constipação ou gripe.
    Por sua vez, o novo coronavírus afeta geralmente as vias respiratórias inferiores: a maioria dos infetados apresenta tosse seca, falta de ar ou pneumonia e, por vezes, garganta inflamada.
    Se apresentar alguns destes sintomas - febre alta e persistente, tosse e dificuldades respiratórias - e tiver estado em contacto com uma pessoa infetada ou tiver regressado recentemente de uma área afetada, deve procurar aconselhamento médico.
    4. Quanto tempo demoram os sintomas a aparecer e quanto tempo duram?
    Depois de contrair o vírus, os sintomas podem aparecer entre 2 a 14 dias - o chamado período de incubação. Depois de confirmada a infeção, o tempo que esses sintomas duram depende da gravidade do caso. Nas pessoas em que os sintomas são mais leves, o período apontado pelas autoridades para recuperar da Covid-19 é de cerca de duas semanas, embora um paciente habitualmente saudável possa ultrapassar a doença em apenas alguns dias. Nos casos mais graves, em que se desenvolvem infeções respiratórias como a pneumonia, a doença pode durar várias semanas e os pacientes devem ser hospitalizados para receberem o devido tratamento.
    5. Há cura para a Covid-19 ou vacina contra o novo coronavírus?
    Infelizmente, ainda não há um tratamento específico para a doença causada pelo novo coronavírus. A quem apresenta sintomas leves, recomenda-se que fique em casa até recuperar, descansando, fazendo uma boa alimentação e bebendo muitos líquidos. Nos hospitais, para tratar os sintomas mais agudos, os profissionais de saúde têm vindo a providenciar cuidados semelhantes aos recomendados para tratar a gripe e doenças respiratórias. Nos casos mais graves, em que os pacientes apresentam infeções agudas das vias respiratórias, como a pneumonia, pode ser necessário o internamento hospitalar, incluindo nas unidades de cuidados intensivos, com recurso a ventiladores para auxiliar a respiração.
    Também não há ainda uma vacina contra o novo coronavírus. Cientistas em todo o mundo estão a investigar possíveis vacinas e medicamentos e já decorrem testes clínicos, mas não se sabe quando é que estes instrumentos estarão disponíveis. Na Alemanha, uma empresa de biotecnologia admite que os resultados só deverão chegar dentro de alguns meses ou mesmo um ano. Pode ler mais aqui.
    6. Ouvi falar de pessoas curadas com cloroquina. Confirma-se?
    Antes de mais, é importante salientar que a comunidade médica internacional desaconselha de forma veemente a automedicação! Posto isto, a cloroquina, geralmente usada para combater a malária, tem estado a ser utilizada no tratamento de pessoas infetadas em hospitais de vários países, embora não haja ainda consenso científico sobre a eficácia da sua administração. A cloroquina é uma das drogas selecionadas para um estudo sob a égide da Organização Mundial da Saúde (OMS) para encontrar um tratamento específico para a Covid-19. Entretanto, vários especialistas, como o diretor do Instituto de Higiene e Medicina Tropical em Portugal deixam o alerta: a cloroquina não previne infeções pelo novo coronavírus, embora possa ajudar a conter o vírus em doentes com Covid-19. "O nosso conselho é que as pessoas não utilizem a cloroquina profilaticamente, porque não vai funcionar. A cloroquina só vai começar a funcionar a partir do momento em que a pessoa estiver infetada e vai ajudar a diminuir a replicação do vírus ao nível do pulmão", explicou Filomeno Fortes. Em entrevista à agência Lusa, o médico angolano disse ainda que não há qualquer vantagem em começar a tomar este medicamento antimalárico sem prescrição médica e de forma preventiva.
    7. Dizem que o vírus é de contágio fácil, mas não é letal. É verdade?
    A taxa de mortalidade pode ser baixa, cerca de 2% dos casos confirmados (segundo estimativas da OMS), mas a doença pode ser letal: a morte pode ocorrer na sequência de complicações da infeção com o novo coronavírus - como insuficiências respiratórias. E os idosos e pessoas com condições médicas pré-existentes (como a tensão arterial elevada, doenças cardíacas, doenças pulmonares, cancro ou diabetes), estão mais vulneráveis a desenvolver doenças graves com mais frequência. No entanto, a OMS já lançou o alerta aos jovens: "Vocês não são invencíveis". Independentemente da idade, toda a gente deve respeitar as regras de segurança impostas pelos governos e tomar as medidas de prevenção adequadas.
    8. O novo coronavírus foi criado em laboratório?
    As autoridades negam que o vírus tenha sido produzido em laboratório - o que não impede a multiplicação de rumores e teorias da conspiração. Esta é uma pergunta geralmente acompanhada de um dedo apontado: a Covid-19 foi criada pela China, pelos Illuminati, pelos Estados Unidos da América... e espalhada intencionalmente para diminuir a população ou dar origem a uma nova guerra mundial. A União Europeia (UE) é apenas uma das instituições a denunciar a proliferação de notícias falsas relacionadas com a pandemia que visam, através de um "aproveitamento da crise de saúde pública", promover "interesses geopolíticos".
    "As mensagens falsas coordenadas procuram atingir as minorias, classificando-as como a causa da pandemia, e alimentar a desconfiança na capacidade das instituições democráticas", alerta a UE.
    Os factos aceites pela comunidade médica internacional são claros: a Organização Mundial de Saúde afirma que estamos perante uma doença causada pela transmissão de vírus de animais para seres humanos. Há fortes indícios de que o novo coronavírus tenha passado pela primeira vez de animais para humanos num mercado de Wuhan, mas a rota de transmissão ainda está a ser investigada.
    9. Que animal está na origem da doença?
    O morcego é considerado o animal de origem do novo coronavírus, mas a probabilidade ainda não está totalmente confirmada e falta também saber como é que o vírus terá passado para os seres humanos. A comunidade médica internacional admite que possa ter havido outro animal a estabelecer esta ligação e estudos apontam para os pangolins. Mas se estes animais já existem há tanto tempo, porque é que só agora infetaram seres humanos? É outra das perguntas frequentemente colocadas pelos nossos seguidores. A resposta é simples: os animais funcionam muitas vezes como reservatórios para vírus que passam por várias mutações genéticas antes de o animal poder infetar outros animais e seres humanos. O mesmo aconteceu no caso do ébola, por exemplo. O médico moçambicano da OMS Jeremias Naiene explica esta questão de forma simples e clara no podcast em anexo.
    10. A simples lavagem das mãos é mesmo eficaz contra uma pandemia desta magnitude?
    A patologia é transmissível através de gotículas libertadas pelo nariz ou boca quando se tosse ou espirra, que podem atingir diretamente a boca, nariz e olhos de quem estiver próximo. As gotículas podem ainda depositar-se em objetos ou superfícies que rodeiam a pessoa infetada. Por sua vez, outras pessoas podem infetar-se ao tocar nestes objetos ou superfícies com as mãos e, em seguida, tocarem nos olhos, nariz ou boca. Portanto, a lavagem das mãos é mesmo essencial para combater a transmissão do vírus! Água e sabão são as armas mais eficazes. À falta delas, o álcool é também um poderoso desinfetante. Distanciamento social e cobrir a boca e o nariz quando tosse ou espirra são outras medidas importantes.
    Quanto às máscaras, outra questão levantada por alguns seguidores no Facebook da DW África no tema da prevenção, a Organização Mundial de Saúde lembra, antes de mais, que a máscara só deve ser usada por profissionais de saúde, cuidadores, e pessoas com sintomas como febre e tosse. Segundo os especialistas, as máscaras cirúrgicas comuns ajudam a evitar a contaminação de outras pessoas por um doente, mas podem dar uma falsa sensação de segurança e só são eficazes se forem usadas em combinação com a lavagem frequente das mãos. As autoridades de saúde alertam: há falta de máscaras em todo o mundo, por isso devem ser usadas de forma consciente.
    11. Alguém que já esteve infetado poder ser infetado novamente?
    Esta é uma das incógnitas que se mantêm em relação ao novo coronavírus: ainda não é claro se as pessoas que recuperam da doença ganham imunidade e, se sim, quanto tempo dura a imunização. Mas é outra questão que está a ser largamente investigada. Por exemplo, o Centro Helmoltz de Pesquisa de Doenças Infeciosas, em Brunswick, na Alemanha, vai lançar um estudo com mais de 100.000 pessoas para determinar a sua imunidade ao novo coronavírus e, assim, avaliar o nível de disseminação. O estudo será lançado em abril, com base em amostras de sangue colhidas em mais de 100.000 pessoas e os investigadores vão analisar se os sujeitos produzem anticorpos Covid-19, um sinal de que contraíram a doença e recuperaram.
    12. Dizem que o vírus não sobrevive em temperaturas altas. É verdade?
    Embora alguns estudos sugiram as temperaturas mais altas como um fator para a menor propagação dos coronavírus, não há qualquer evidência científica de que a transmissão do SARS-CoV-2 seja minimizada pelas temperaturas elevadas. A OMS sublinha que este novo coronavírus está a transmitir-se mesmo em áreas com climas quentes e húmidos e alerta, por isso, para a "falsa esperança" de o vírus desaparecer no verão, como a gripe sazonal. Por outras palavras, é possível contrair Covid-19, independentemente de estar sol ou calor. Proteja-se, independentemente do clima no local onde vive!
    13. Um cabelo encontrado na bíblia pode curar a Covid-19?
    É verdade que o Papa sonhou com Deus, que lhe disse como curar a doença? Folheando a bíblia, é possível encontrar um cabelo que é um medicamento para a Covid-19? Chegam a ser caricatas as "notícias" falsas que circulam por estes dias nas redes sociais. Nesta altura, é mais importante do que nunca estar atento às "fake news" que nos desviam da informação que é realmente importante para nos protegeremos a nós e aos outros e combater a pandemia. Informe-se através de fontes credíveis, não acredite em tudo o que circula nas redes sociais. Não há, para já, nenhum medicamento ou vacina contra o novo coronavírus. A nossa correspondente em Maputo, Selma Inocência, dá uma ajuda na identificação destas notícias falsas.
    14. Prender a respiração por 10 segundos para confirmar se há tosse ou desconforto neste intervalo de tempo é um teste eficaz para saber se tenho Covid-19?
    Este é mais um dos mitos sem qualquer suporte científico que têm estado a circular nas redes sociais desde o início da pandemia. Citado pela agência de notícias Reuters, o médico pneumologista norte-americano Thomas Nash diz que o alegado teste é apenas "uma invenção" sem qualquer utilidade no diagnóstico de fibrose pulmonar, que o post alega ser uma prova de que a pessoa está infetada com o novo coronavírus. Os especialistas sublinham: a única forma de saber se tem Covid-19 é fazendo o teste laboratorial de despiste. Os sintomas mais comuns da Covid-19 são febre, cansaço e tosse seca. Se tiver também dificuldades em respirar, deve procurar aconselhamento médico.
    15. É aconselhável usar o vinagre para combater a doença?
    O vinagre pode ser um agente eficaz na limpeza de superfícies. Já quando se trata do nosso corpo, água e sabão, como já referimos, são as melhores armas contra o vírus. Por outro lado, se viu circular a "notícia" de que gargarejar com água morna com vinagre ou sal "cura" o novo coronavírus, saiba que a própria OMS já veio desmentir as propriedades "milagrosas" de vários remédios caseiros como estes. Alguns mitos são desmontados aqui.
    16. O dinheiro é um veículo de transmissão do vírus?
    Foi uma notícia veiculada por diversos meios de comunicação no início de março e que deixou muitas pessoas alarmadas: a OMS teria desaconselhado o uso de notas, uma vez que o novo coronavírus poderia permanecer no dinheiro por vários dias. Países como a China e a Coreia do Sul chegaram mesmo a desinfetar notas usadas. Mas a OMS diz que apenas aconselhou a lavagem das mãos após manusear dinheiro como uma boa prática de higiene, o que não quer dizer que classifique as notas como veículo de transmissão. E não emitiu um aviso oficial, tal como avançaram vários jornais. Como todas as infeções por gotículas, o novo coronavírus propaga-se através das mãos e superfícies tocadas com frequência. Aqui pode verificar outros "esconderijos" do vírus:
    17. A declaração do estado de emergência é a melhor via para travar a propagação?
    É importante aqui referir que a definição de estado de emergência varia de país para país. E se em alguns países as autoridades consideram que esta é a melhor via para combater o surto, noutros têm sido apenas implementadas medidas restritivas, sem a declaração de um estado de emergência. Independentemente da declaração ou não, o importante, nesta altura, é quebrar as cadeias de transmissão do vírus. Isto passa obrigatoriamente por um maior distanciamento social, que tem levado ao encerramento de estabelecimentos, como escolas e ginásios, à proibição de celebrações de cariz religioso e a restrições na realização de reuniões e manifestações. Nos casos em que é declarado o estado de emergência, estamos geralmente perante a suspensão parcial de direitos e a restrição de liberdades com consequências significativas no dia a dia da população.
    18. Porque é que o vírus está a fazer mais vítimas em Itália? E porque é que a Alemanha regista poucas mortes, até ao momento?
    Ainda é cedo para apontar motivos concretos para o facto de Itália ter um elevado número de vítimais mortais e a Alemanha menos, uma vez que ainda não há grandes certezas acerca da pandemia e a evolução do surto está a ser muito distinta nos dois países. Investigadores têm, no entanto, avançado algumas hipóteses para a divergência das taxas de mortalidade. Uma delas é a idade das pessoas afetadas pela doença nos dois países – e recorde-se que os idosos são um grupo de risco da Covid-19. Em Itália, onde a população é a mais envelhecida da Europa, a idade média das pessoas afetadas pelo novo coronavírus é de 63 anos. Na Alemanha, é de 47.
    Ao mesmo tempo, segundo a imprensa italiana, muitos pacientes com sintomas leves poderão não ter sido testados, pelo que vários casos do novo coronavírus não terão sido contabilizados, o que poderá também influenciar a taxa de mortalidade. No sentido contrário, as autoridades de saúde na Alemanha dizem que começaram a testar cedo, mesmo pessoas com sintomas leves, pelo que infeções menos graves também estão incluídas nas estatísticas. As diferenças na realização de testes nos vários países podem explicar, em parte, as diferenças nas taxas de mortalidade.
    Por outro lado, as diferentes capacidades de resposta dos sistemas de saúde podem também influenciar estas divergências: segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), a Alemanha tem 6 camas de cuidados intensivos para cada mil habitantes e a Itália apenas 2,6.
    Se não consegue visualizar o mapa, pode abrir este link da Johns Hopkins University:
    https://coronavirus.jhu.edu/map.html
    19. Porque é que a OMS disse a África que se preparasse quando declarou a pandemia?
    Quando se começaram a registar os primeiros casos no continente africano, a Organização Mundial de Saúde aconselhou África a "preparar-se para o pior", tendo em conta aquilo que se verificava já em vários países, onde "o vírus acelerou a partir de certo limiar". A OMS também se mostrou preocupada com o facto de a fraca rede sanitária, a aglomeração populacional nos centros urbanos e a falta de unidades de cuidados intensivos, equipamento e pessoal especializado poderem limitar qualquer resposta no continente. Uma análise da Rand Corporation, um think-tank norte-americano, revelou em 2016 que, dos 25 países mais vulneráveis a surtos infeciosos no mundo, 22 estavam em África. Aconselhamos esta análise às primeiras medidas tomadas no continente.
    20. Quando vai terminar a pandemia?
    Infelizmente, ainda não há previsão para o fim desta crise e ainda nem chegámos ao pico da pandemia, segundo as autoridades internacionais de saúde. Vários países estão já a prolongar as medidas restritivas impostas no início de março por mais algumas semanas para continuar a tentar minimizar o surto.
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  • Coronavírus em Cabo Verde: “Isto é uma guerra”
    O Governo cabo-verdiano colocou de quarentena a ilha da Boavista, após confirmar primeiro caso de Covid-19. O Executivo exorta a população a obedecer as instruções para que o país vença a “guerra” contra o coronavírus.Após uma reunião do gabinete de crise, o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva anunciou que a ilha da Boavista vai ficar em quarentena nas próximas duas semanas, para evitar situações de contágio. Durante esse espaço de tempo, ninguém poderá entrar ou sair da ilha.
    O primeiro-ministro especificou os parâmetros: "Interdição de voos domésticos de e para a Boavista. Interdição de transporte de passageiros através de navios comerciais e de pesca. Exceção para situações sanitárias, evacuações de doentes e situações de emergência e de repatriamento".
    Vão ainda ser encerrados "todos os serviços públicos e privados, empresas públicas e privadas, com exceção de farmácias e serviços públicos e privados de saúde, forças de segurança e serviços de proteção civil, serviços portuários e aeroportuários", disse o governante.
    Primeira vítima é turista inglês
    Os estabelecimentos comerciais de venda e abastecimento de bens alimentares, de higiene e limpeza, os serviços de entrega domiciliária de refeições, os postos de combustíveis e os bancos continuam, para já, de portas abertas.
    Cabo Verde confirmou na quinta-feira (19.03) à noite o primeiro caso do Covid-19 no país, doença causada pelo novo coronavírus que assola o mundo.
    Segundo o ministro da Saúde, Arlindo do Rosário, trata-se de um turista de nacionalidade inglesa de 62 anos, que chegou à ilha no dia 9 de março e ao fim de sete dias iniciou um quadro respiratório com tosse e febre. "O quadro clínico é estável e encontra-se sob os cuidados da equipa da delegacia de saúde", disse o responsável.
    "Nada de festas"
    O turista inglês detetado com o coronavírus obrigou que os 850 hóspedes do hotel fossem colocados imediatamente de quarentena. Até agora as autoridades não constaram nenhum caso suspeito entre as pessoas que se encontram no hotel, e afirmam ter adotado todas as medidas de prevenção necessária de modo a reduzir o risco de transmissão e de propagação do vírus.
    O primeiro-ministro pediu a população que adote medidas de distanciamento social.
    "Nada de cumprimentar com beijos, apertos de mãos e abraços. Nada de festas, idas ao mar ou outras situações de ajuntamento de pessoas. Este não é o momento para isso.
    Fiquem em casa", disse Correia e Silva, que explicou que o combate da pandemia é uma guerra: "Na guerra as pessoas cumprem as ordens. Esta guerra ganha-se com o comportamento e a mudança de hábitos de cada pessoa e cada família", disse o governante.
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  • Namíbia assinala 30 anos de independência em clima de prevenção
    A Namíbia celebra este sábado (21.03) 30 anos de independência, sob fortes medidas de prevenção por causa da pandemia de Covid-19. A data foi também escolhida para a tomada de posse do Presidente eleito, Hage Geingob.A data será assinalada com a tomada de posse do Presidente da República, Hage Geingob, que foi reconduzido no cargo em eleições realizadas a 27 de novembro de 2019.
    Para evitar a propagação do novo coronavírus, as autoridades locais asseguram que as celebrações dos 30 anos de independência do país e a investidura do chefe de Estado eleito vão decorrer sob medidas restritivas.
    Após 115 anos de administração colonial, com a Alemanha a ocupar o país durante 31 anos e mais anos ainda de domínio da África de Sul, a Namíbia tornou-se independente dos sul-africanos em 1990. O país situado na África Austral passou, entretanto, a ser um dos mais ricos e estáveis do continente.
    Para quando a verdadeira reconciliação?
    Em 1989, a advogada Bience Gawanas, defensora dos direitos humanos, estava detida num campo de refugiados no sul de Angola quando recebeu a notícia de que poderia voltar a casa. Agora, 30 anos depois da independência, sublinha a necessidade de uma verdadeira reconciliação.
    "O facto de não termos tido algo parecido com um processo de reconciliação nacional não significa que o racismo não exista ou que o que aconteceu durante o exílio nos campos de refugiados da SWAPO não tivesse acontecido. Acho que essas coisas ainda estão a ferver", diz.
    Trinta anos depois da ocupação alemã, alguns cidadãos da Alemanha ainda estão a viver na Namíbia. Wilfried Brock trabalha para o Governo namibiano e a sua família vive no país. "É uma questão de brancos que se identificam como namibianos. Mas cho que a comunidade branca não faz o suficiente para integrar-se na sociedade namibiana", reconhece.
    Insatisfação entre as gerações mais velhas
    Nas eleições de 2019, o Presidente Hage Geingob obteve apenas 56% dos votos, o mais baixo de sempre para um candidato da Organização do Povo do Sudoeste Africano (SWAPO), O partido no poder.
    Para a analista política Ndapwa Alweendo, o resultado eleitoral mostra uma certa insatisfação entre as gerações mais velhas e do pós-independência. "Os mais velhos acusam os mais de não serem gratos pelos sacrifícios feitos pelos mais velhos para a libertação do país", diz.
    Até ao momento, o Presidente de Angola, João Lourenço, foi o único chefe de Estado dos PALOP a confirmar a sua presença na c.
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  • O perigo do mercado ilícito de medicamentos em Moçambique
    Na província de Manica as autoridades esforçam-se para pôr cobro à venda ilícita de medicamentos. Os produtos extraviados e vendidos em mercados informais representam um perigo para a saúde da população.Berta Faustino, de 33 anos de idade, residente no distrito de Macate, na província central de Manica, acaba de comprar quantidades não especificadas de Paracetamol e Coartem no mercado Francisco Manyanga.
    Interrogada pela DW África logo a seguir à transação, Faustino revelou que recorre habitualmente ao mercado informal "porque nas farmácias públicas às vezes não encontramos e os técnicos dirigem-nos para as farmácias privadas. E nas privadas custam muito caro. Por esta razão, eu opto por comprá-los aqui no mercado. Com esses ambulantes, os preços são baratos".
    É um comportamento que preocupa o chefe da Inspeção Provincial da Saúde em Manica. Daniel António Chamussora diz que há muito trabalho de esclarecimento ainda por fazer: "Temos que informar a comunidade em geral que deve abandonar a prática de compra de medicamentos nos mercados informais", disse
    Chamussora, explicando que a validade dos fármacos pode já ter caducado. "Então aquilo já é um veneno", acrescentou, apelando para que os cidadãos se dirijam às unidades sanitárias. "Mesmo que lá não tenhamos algum medicamento, há alguma alternativa. Faz se uma receita e as pessoas compram nas farmácias privadas que é seguro", disse, salientando que os fármacos vendidos nos mercados são mal conservados e constituem um perigo para a saúde pública.
    Consumir veneno
    O problema vai além dos comércio ilegal de medicamentos, já que alguns vendedores fazem-se passar por médicos. Chamussora disse que alguns já foram neutralizados e punidos numa operação que também levou às celas e à expulsão alguns funcionários da saúde envolvidos nos esquemas de desvio e venda de medicamentos.
    A Policia da República de Moçambique (PRM), o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), a Inspeção Nacional das Atividades Económicas (INAE) e a Inspeção Provincial de Saúde estão a trabalhar de forma concertada para desencorajar o roubo de medicamentos e sua posterior venda nos mercados informais.
    Várias pessoas, incluindo profissionais de saúde e vendedores foram já julgados e condenadas a penas de prisão. Muitos foram apanhados em flagrante em Chimoio e outros distritos no tráfico ilícito de fármacos nos maiores mercados.
    Medidas punitivas agravadas
    O chefe da Inspeção Provincial da Saúde em Manica afirmou que sua equipe tem vindo a registar êxito na redução do desvio e venda de medicamentos do sistema nacional de saúde. Chamussora acredita que um dos fatores para o sucesso é o impacto das medidas punitivas contra os infratores.
    Entre os medicamentos vendidos nos mercados em Manica, destacam-se os antimaláricos, antibióticos, anestésicos e analgésicos. Muitos só podem ser adquiridos mediante receita médica. Os mercados informais também oferecem seringas, soros, termómetros, luvas, redes mosquiteiros e embalagens plásticas de uso exclusivo nos centros de saúde e hospitais.
    O porta-voz da PRM em Manica, Mateus Mindú, disse estar em curso uma campanha de desmantelamento dos focos de venda de fármacos nos principais mercados informais e farmácias clandestinas. "Nos últimos dias o tráfego tende a reduzir", disse, graças também à colaboração da população "no que tange a vigilância e denuncia, de venda de fármacos".
    O Ministério da Saúde (MISAU) esta a construir 30 armazéns intermediários a nível nacional para evitar roubo e desvio bem como favorecer a conservação dos medicamentos e artigos médicos e cirúrgicos. O projeto conta com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
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  • Surto de cólera no norte de Moçambique mata 15 pessoas
    Desde finais de janeiro sobem os casos de cólera no norte de Moçambique. Nas províncias de Cabo Delgado e Nampula regista-se um total de 1500 casos, com 15 óbitos. O Governo vai promover uma campanha de vacinação.O Ministério da Saúde em Moçambique planeia lançar operação contra a cólera a partir de meados de abril. O objetivo é travar o avanço da doença bacteriana que ataca os intestinos e é transmitida por contaminação fecal-oral, ou pelo consumo de água ou alimentos contaminados.
    O ministro da Saúde, Armindo Tiago, que visitou a província de Cabo Delgado esta quarta-feira (18/03) disse que nos últimos dias a situação tende a normalizar-se, não havendo registo de mortes entre pacientes internados nos centros de saúde. "Embora a situação no início estivesse mais ou menos alarmante, nas últimas semanas os números estão a diminuir consideravelmente", disse o ministro.
    Cidadãos saúdam campanha de vacinação
    Apesar da previsão do recuo de casos de infeção, o Ministério da Saúde prevê levar a cabo, pelo menos em Cabo Delgado, uma campanha de vacinação contra a cólera. O principal alvo da ação são os distritos que neste momento mais afetados, nomeadamente Ilha do Ibo, Macomia e Mocimboa da Praia.
    "Vamos vacinar em Cabo Delgado perto de 500 mil pessoas contra a cólera e queremos ver como e que estratégias devemos usar para iniciar o processo de comunicação à nossa população, mobilização e consciencialização no sentido, quando começarmos a campanha de vacinação todas as pessoas poderem aderir," explicou o ministro.
    A DW África ouviu alguns populares em Cabo Delgado sobre os planos de vacinação do Governo. O estudante Félix louva a iniciativa do ministério contra uma das mais perigosas doenças que assola a província ciclicamente. "Eu acho algo muito positivo, porque vai resultar na redução significativa da doença". O jovem aconselhou ainda as pessoas que resistem à vacinação a aceitar este serviço, "porque, além desta, eu não vejo outra solução para a erradicação da doença".
    Assistência garantida da OMS
    Vanésia, que também reside em Pemba, disse que a vacina será bem vinda, por ser uma ajuda preciosa para a população afetada pela cólera. "Por isso, apelo a todos cidadãos que habitam no Ibo, Macomia e Mocimboa da Praia para poderem tomar essa vacina. Não rejeitar porque será melhor para todos nós", disse.
    O ministro responsável adiantou esta quarta-feira (18.03) que já foram dirigidos os requerimentos necessários à Organização Mundial de Saúde (OMS), contando com uma rápida resposta da agência internacional.
    Em Cabo Delgado, os dados facultados pelas autoridades indicam que o número de mortes pela cólera continua a ser doze, registado nas primeiras semanas da doença. Pelo menos três pessoas sucumbiram ao surto em Nampula.
    4 min

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