África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle

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África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle episodes

  • Polícia moçambicana apresenta suspeitos de integrarem grupo insurgente em Cabo Delgado
    Polícia moçambicana apresenta suspeitos de colaborarem com os grupos insurgentes em Cabo Delgado. Detidos revelam detalhes sobre a logística dos insurgentes. Mantimentos, lonas e capulanas eram pagos via M-pesa.A Polícia da República de Moçambique (PRM) deteve seis homens que alegadamente integram grupos armados que atuam em Cabo Delgado, no norte de Moçambique. Os suspeitos foram apresentados nesta segunda-feira (16.03), em Mocímboa da Praia, distrito de Cabo Delgado.
    O grupo é composto por colaboradores que supostamente garantiam a logística dos insurgentes.
    Anti Pira admitiu fazer parte do grupo dos atacantes desde 2018, a convite de um homem conhecido como Nsuco. "Ele me falava sempre: 'Vamos entrar no grupo para trabalharmos juntos, e você também vai ganhar. Eu entrei no grupo pelos bens que ele tem, para eu também ter'", disse.
    A função de Anti Pira era receber dinheiro via sistema financeiro móvel e comprar suprimentos no distrito de Mocímboa da Praia para garantir a logística dos homens armados.
    Transações via M-pesa
    Os recursos usados para a compra dos suprimentos de logística dos malfeitores - como alimentos, lonas e vestuário - e o pagamento dos colaboradores eram transferidos através do serviço financeiro pro telefone móvel M-pesa. "Eles davam o dinheiro para eu comprar lonas e capulanas. Depois eles me falavam o lugar onde eu [devia] deixar [os objetos]. Eu recebia o dinheiro via M-pesa", explica.
    Anti Pira contou com a ajuda de um homem identificado como Dubaida para fazer o trabalho de logística. "Ele [Anti Pira] me convidou para fazermos o trabalho e recebermos o dinheiro. O meu trabalho era de acompanhar o meu amigo. O dinheiro quem dá é o meu amigo. E costuma ser mil meticais [cerca de 14 euros]."
    Outro detido, Chuda Abdala, teria entrado no movimento através de um cunhado morador do distrito de Palma. Abdala conta que recebeu uma ligação de um dos integrantes do grupo armado, que lhe perguntou se ele poderia operar o M-pesa pelo seu número telefónico.
    "Eu respondi que sim. Depois ele transferiu um dinheiro no valor de 150 mil meticais [cerca de 2 mil euros]. Ele não mandava 150 mil ao mesmo tempo porque M-pesa não permite mandar esse valor. Hoje mandava 20 mil, amanhã 5 mil, 19 mil…", explicou Abdala.
    Nem todos os seis capturados e apresentados à imprensa assumem o envolvimento com os insurgentes em Cabo Delgado. Um deles disse aos jornalistas que foi detido simplesmente por rezar numa mesquita supostamente frequentada por insurgentes.
    "Logística bem organizada"
    A polícia diz não ter dúvidas de que os detidos são colaboradores dos grupos que têm estado a matar pessoas e queimar residências, provocando o esvaziamento de aldeias e a deslocação de dezenas de milhares de pessoas.
    "Constatamos que realmente pertencem àquele grupo [armado]. A atuação deles é [montar] uma logística bem organizada. São indivíduos bem instruídos, recebem dinheiro para abastecer os malfeitores - quer em bens alimentares, quer em meios para que eles possam fazer as suas atividades”, disse o porta-voz da PRM, Augusto Guta.
    O comandante Geral da PRM, Bernardino Rafael, encoraja o combate à ação dos insurgentes em Cabo Delgado. Para Rafael, os moçambicanos continuam a confiar nas forças de defesa e segurança que são constituídas pelos seus próprios filhos. O comandante da PRM acredita que ninguém mais vai repor a ordem, a não ser a juventude.
    "Temos que nos empenhar porque a confiança do governo da República de Moçambique, a confiança dos moçambicanos está em nós, as forças de defesa e segurança, empenhadas neste teatro operacional norte", explica Rafael.
    Os primeiros ataques de insurgentes tiveram lugar a 5 outubro de 2017, exatamente em Mocímboa da Praia. Bernardino Rafael garantiu, num encontro que manteve com os residentes da sede distrital, que a corporação não irá descansar antes de devolver a tranquilidade à região. O comandante da PRM pediu à população vigilância e denúncia.
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  • Moçambique: Mariano Nhongo assume autoria de ataques em Sofala
    O dissidente da RENAMO assume autoria dos três ataques ocorridos na semana passada na província central de Sofala. Mariano Nhongo diz que os ataques visam travar as ações bárbaras das tropas governamentais contra civis.Três ataques armados foram registados na quinta e sexta-feira da semana passada ao longo da Estrada Nacional Nº1 na região fronteiriça de Pungué, entre distritos de Gorongosa e Nhamatanda. Uma semana antes houve mais um ataque contra o posto policial da localidade de Grudja, distrito de Buzi, província de Sofala, no centro de Moçambique.
    O ataque de quinta-feira (12.03) visou um autocarro de passageiros que saia de Maputo com destino à cidade de Quelimane, província central da Zambézia. Marta António seguia no autocarro quando os passageiros foram apanhados de surpresa por atacantes.
    "Perto de Pungué [em direção à] Gorongosa começaram a atacar todo lado esquerdo e direito. De repente eu vi que tinha entrado uma bala aqui no braço", conta.
    Alfredo Simões, condutor do autocarro, após o ataque conseguiu salvar os mais de cinquenta passageiros: "Quando me apercebi que eram tiros, acelerei o carro até chegar ao centro de saúde distrital de Gorongosa. Tive três passageiros feridos que ficaram com balas no corpo e eu também sofri com um estilhaço na cabeça".
    Nenhum destes ataques foi reportado pelas autoridades. Mas Mariano Nhongo, líder da auto-proclamada junta militar, apesar de não assumir claramente a autoria dos ataques, diz que as ações visam travar desmandos perpetrados pelas Forças de Defesa e Segurança (FDS) na zonas rurais do país.
    "O salário do pecado é a morte"
    O descontente da RENAMO, maior partido da oposição, entende que as forças governamentais não podem circular armados pelas aldeias a ameaçar as populações em pleno período de desarmamento e reintegração de homens armados do seu partido.
    "A junta militar não quer guerra. Passam por onde eles passam não estão a massacrar pessoas, eles só se defendem quando os militares do Governo vem atacar a junta militar", justifica Nhongo.
    E o líder da junta militar questiona: "Esses militares abatidos em Pungué iam aonde, saiam donde, iam para onde? Os militares ficam no quartel. Mas eles a todo momento [estão em] coluna a busca de matar pessoas, então o salário de pecado é a morte".
    "A FRELIMO, partido no poder, a todo momento andam "full" [interessados em matar os membros] da RENAMO. E eles defende-se, mesmo na vida civil se alguém te der um soco você não devolve?", questionou Nhongo, que há oito meses não é visto em público, depois de contestar a liderança da RENAMO.
    Violência contra membros da RENAMO?
    O dissidente da RENAMO denuncia ainda casos de espancamento, assassinato e perseguição de delegados e membros da RENAMO na província central de Tete. Isso teria acontecido porque alguns integrantes da junta militar terem sido vistos a passar por algumas aldeias de Zumbo e Maravia, numa missão de instalação de bases naquela região.
    E ao mesmo tempo avança já haver fuga de cidadãos moçambicanos para a vizinha Zâmbia: "Antes de ontem foi amarrado o delegado da RENAMO, foi batido, foi cobrado dinheiro e deixaram. Alguns membros da RENAMO que não tem dinheiro já estão na Zâmbia, em Zumbo, Marávia e Chifunde. Muitos membros da RENAMO já estão na Zâmbia fugindo a matança."
    "Os administradores de Marávia e Chifunde ainda continua a criar grupinhos que andam nas casas dos membros da RENAMO a amarrá-los e a obrigá-los a tirar o dinheiro. Se não o fazem são mortos", denuncia Nhongo.
    Os apelos de Nhongo
    E por isso o guerrilheiro lança um apelo: "A junta militar está a apelar ao administrador de Zumbo, ao chefe do posto de Zumbo, comandante distrital de Zumbo, comandante distrital de Marávia e comandante policial de Chifunde a abandonar estes atos. Não é bom."
    "Amanhã quando a junta militar colocar uma base em Chifunde, colocar base em Domwé, colocar base em Marávia, a FRELIMO começa a gritar que a RENAMO está a atacar carros ou que o povo já não está a circular bem, quando são eles que estão a provocar a guerra. Até quando [isso vai acontecer?]", pergunta o dissidente.
    Relatos desta segunda-feira (16.03) indicam que esta manhã dois camiões de mercadorias foram atacados na mesma região. Uma adolescente ficou ferida, mas já recebe cuidados intensivos no hospital provincial de Manica.
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  • Moçambique: Faltam alimentos em Inhambane após seca prolongada
    Cerca de 43 mil famílias na província moçambicana de Inhambane sofrem com a falta de alimentos devido à estiagem, que contribuiu para a baixa produção agrícola. Governo convocou parceiros para intensificar assistência.A campanha agrícola 2019/2020 foi um fracasso para os camponeses da província de Inhambane, no sul de Moçambique. Uma forte estiagem, principalmente nos distritos de Mabote, Govuro, Massinga, Panda, Funhalouro, Vilankulo, Inhassoro e Homoíne, castigou os camponeses.
    Júlio Mabasso, agricultor de Inhambane, contou à DW África que a produção foi muito baixa devido à falta de chuva nos últimos três meses. "Semeei, só que a produção foi baixa porque a chuva atrasou muito, chegou enquanto já estava a secar amendoim, milho e feijão-nhemba", lamenta.
    As famílias da região estão a sofrer com a escassez de alimentos provocada pela estiagem. Segundo a Direção Provincial de Educação e Desenvolvimento Humano de Inhambane, cerca de 25 mil alunos das escolas primárias necessitam de lanche escolar com urgência para evitar o abandono das escolas.
    Crianças com fome nas aulas
    O professor Alfredo Manhique, de Inhambane, revela que muitas crianças acabam por não perceber o conteúdo apresentado na sala de aula por causa da fome. "As crianças chegam com fome e nos últimos tempos, um quarto ou um quinto das crianças não estão atentas por causa da fome", relata.
    Para mitigar a situação da insegurança alimentar, várias organizações foram mobilizadas pelo Governo para assistirem os necessitados com intervenções pontuais nas comunidades. O Programa Mundial de Alimentação (PAM) é uma das organizações que já atua em vários locais.
    A Plan International, uma organização não-governamental de resposta à estiagem, iniciou um projeto com mais de cinco mil crianças nas escolas, que passa pela distribuição de papas nutritivas em alguns distritos onde vivem famílias com dificuldades em garantir uma alimentação equilibrada.
    Cândido Mapute, delegado provincial do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades Naturais (INGC) em Inhambane, disse à DW África que, na avaliação feita até janeiro último, foram registadas mais de 27 mil famílias assoladas pela seca. "Visto isto, o Governo viu-se obrigado a convocar os seus parceiros para intensificar as ações de assistência alimentar", diz o delegado do INGC, que assegura que a maior parte das famílias já está a beneficiar de apoios.
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  • Empresa quer construir novo comboio para ligar Moçambique, Zimbabué e Zâmbia
    Projeto promete reduzir em dez vezes o tempo de transporte de mercadorias da Beira a Lusaca. Reuniões entre executivos da empresa Railnet e Governo moçambicano terão lugar nesta semana em Maputo.Um projeto audacioso de um comboio para transportar passageiros e cargas por três países da África Austral está a ser negociado entre a empresa norte-americana Railnet e os governos de Zâmbia, Zimbábue e Moçambique.
    Nesta segunda-feira (16.03), a Railnet vai reunir com o Governo de Moçambique para definir os detalhes da operação.
    O projeto promete reduzir significativamente o tempo de transporte de cargas do porto da Beira, em Moçambique, até a capital Lusaca na Zâmbia. O novo comboio custará cerca de 11 mil milhões de dólares [mais de 9,8 mil milhões de euros].
    O transporte de mercadorias entre Moçambique e Zâmbia atualmente é feito com camiões e demora cerca de um mês. Com a nova linha de caminhos de ferro, o trajeto seria possível em três dias.
    "[O Governo da] Zâmbia ficou muito impressionado por nós conseguirmos levar 800 toneladas de contentores do porto [da Beira] à Zâmbia em três dias. Isso mudaria completamente o jogo porque um comboio pode circular e voltar ao porto sete dias depois, quando os navios partem”, explica o diretor executivo da Railnet, Donald Kress, em entrevista à DW África.
    Transporte de passageiros
    Para além do transporte de mercadorias, o projeto também prevê o transporte de passageiros entre a Beira, em Moçambique, e Lusaca - capital da Zâmbia.
    O início da construção da ferrovia está previsto para janeiro de 2021 e o financiamento contempla também locomotivas movidas a diesel e veículos de apoio.
    Os testes de viabilidade na Zâmbia devem começar nos finais de abril. Kress explicou que se trata de um sistema transporte de padrão norte-americano e que o projeto vai aproveitar a infraestrutura que existe entre Moçambique e Zimbabué.
    Do Zimbabué à Zâmbia, está prevista a construção de uma ferrovia completamente nova - algo que irá favorecer os negócios na região. "Pelo que eu percebi eles apenas têm um voo por dia. Então isso seria ótimo para as viagens de negócios.”
    Os novos comboios não serão de alta velocidade, como foi divulgado num primeiro momento. Os comboios de transporte de mercadorias deverão chegar a 120km/h, já os de passageiros a 160 km/h.
    Comboios de alta velocidade circulam a 300 km/h. "A densidade populacional local não suportaria comboios de alta- velocidade”, segundo o executivo da Railnet.
    Rentabilidade dos novos caminhos de ferro
    Donald Kress esclarece que a passagem por Mutare, no Zimbabué, não é por acaso. "O nosso responsável financeiro esteve no Zimbabué e disse que tínhamos de construir uma ferrovia naquela zona. Ele disse que é a maior área de produção de diamantes na região. Eu tenho visto os mapas e tenho estado a contemplar como vamos fazer para ligar isso tudo”, empolga-se.
    O financiamento do projeto será assegurado pela MAGCOR Internacional - uma empresa internacional sedeada no Gana. Kress concorda que o investimento é alto e ambicioso, mas, confiante, ele diz que "é a única opção quando se constrói algo para o futuro”.
    "Vamos fazer como fez o FDOT (o departamento de Transportes da Flórida) em que os lucros da ferrovia vão pagar o empréstimo e daqui a 30 anos nós entregamos tudo ao Governo. O Governo apenas tem de assegurar as terras e nós garantimos o financiamento”, explica.
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  • Angola: Até que ponto Higino Carneiro pode comprometer João Lourenço?
    Quanto mais se aperta o cerco a Higino Carneiro, mais este se torna ameaçador ao Presidente angolano. Ao contrário do clã dos Santos, não dá sinais de recear as consequências da campanha de Lourenço contra a corrupção.Ao que tudo indica, o general Higino Carneiro não se está a deixar intimidar pela ofensiva de combate à corrupção de João Lourenço. É que supostas provas que comprometeriam o estadista angolano foram divulgadas, deixando-o numa "saia justa".
    Recentemente, o Novo Jornal publicou um artigo sobre empresas que teriam confirmado que o Governo Provincial de Luanda (GPL), gerido por Carneiro de 2016 a 2017, teria patrocinado a campanha eleitoral de João Lourenço para as eleições de 2017.
    Desde que foi aberto um processo contra si, em meados de 2018, por suspeitas de corrupção, que Higino Carneiro não hesitou em dar a entender que o dinheiro público não justificado nas contas do GPL teriam beneficiado o próprio Lourenço.
    Onde estão as provas?
    Apesar das crescentes investidas contra o Presidente, o analista Osvaldo Mboco entende que é preciso mais do que isso.
    "É fundamental que se prove estas alegações, de que, de facto algumas empresas alegam que, de facto, houve um financiamento do Presidente João Lourenço", defende o analista.
    E Mboco prossegue: "Por isso é que temos um processo de investigação que está a correr os seus tramites normais sobre esta matéria. Agora, quanto ao depoimento do general Higino Carneiro dar a entender ou não que houve de facto isso, também terá de provar".
    Apertos de cercos
    Parece que quanto mais a Justiça angolana aperta o cerco a Carneiro, mais este se torna ameaçador a João Lourenço. Em fevereiro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) aumentou esforços para identificar e recuperar em Portugal bens de altas figuras angolanas envolvidas em esquemas de corrupção, entre elas do general.
    E a Justiça angolana merece, por esse tipo de ações, um voto de confiança, entende Osvaldo Mboco: "E parece-me que hoje as instituições judiciais começaram, de facto, a criar uma nova dinâmica. E quero crer que, de facto, esses caso será tratado com outros casos que temos assistido no país, porque se assim não for, tendo conta dos argumentos de uma gestão danosa por parte do general Higino Carneiro e não for tomada as devidas medidas poderemos entrar num ciclo que demonstra que estamos perante uma justiça seletiva".
    Isabel dos Santos não conseguiu ir tão longe quanto Carneiro
    Mas o general, considerado "intocável", não foi o único a ameaçar o Presidente angolano em situação de aperto, a filha do ex-Presidente José Eduardo dos Santos também o fez recentemente. Numa entrevista ao Expresso, Isabel dos Santos também ameaçou divulgar os contornos da caça ao voto envolvendo a petrolífera Sonangol. Contudo, a justiça angolana asfixiou-a financeiramente com uma ação, o que terá feito Isabel dos Santos fechar a boca, numa aparente medida de prudência ou medo.
    "Quanto as insinuações que foram feitas pela engenheira Isabel dos Santos era fundamental que a engenheira pudesse fundamentar ou apresentar alguns dados ou informações que interferem o seu posicionamento ou que tem informações, que tem provas que possam comprometer a imagem de João Lourenço", diz Mboco.
    Lei admite que candidatos recebam doações
    Importa sublinhar que nas eleições de 2017 João Lourenço foi o cabeça de lista do MPLA, partido que governa, e na altura dirigido por José Eduardo dos Santos. O facto de ter sido escolhido por eleição indireta dá ao atual Presidente margem para imputar responsabilidades ao MPLA em caso de se apresentarem provas contra si?
    Para Luís Jimbo é especialista em eleições "este não é um problema, não é um facto, o facto é como é que o dinheiro foi dado. Porque se foi dado nos termos da lei, como doação, não importa se foi João Lourenço que recebeu ou se foi o partido que recebeu. A Lei admite que os candidatos recebam doações."
    Contudo, o especialista recorda que não será fácil provar que foram doações ao candidato do MPLA, mas as revelações das empresas comprometem politicamente uma elite no partido.
    Consequências para João Lourenço?
    E se o general Carneiro vier, de facto, a comprometer o Presidente angolano, como tem estado a sinalizar, quais seriam as consequências para a imagem de João Lourenço e para uma das maiores bandeiras do seu Governo, a luta contra a corrupção?
    "As consequências seriam logo a partida a desacreditação por parte da população, porque vamos ter elementos que vão contrariar o discurso do Presidente [de combate à corrupção]. Mas só as investigações é que poderão, de facto, determinar o curso dessa pretensão", responde Mboco.
    Higino Carneiro foi constituído arguido em fevereiro de 2019. Mas o general é também deputado e por isso coberto por imunidade. De qualquer forma o especialista em eleições Luís Jimbo acredita que este caso não passará do nível da especulação e da querela política.
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  • Covid-19: África do Sul declara estado de desastre nacional e fecha parcialmente a fronteira
    Estado de desastre nacional permite que Governo crie sistemas de resposta de emergência para mitigar o impacto do coronavírus na sociedade e na economia. Outros países africanos registam novos casos e anunciam medidas.Governo sul-africano encerra a partir desta segunda-feira (16.03) 35 dos 52 postos de fronteira terrestres. Neste domingo, o Presidente sul-africano Cyril Ramaphosa fez um pronunciamento à nação na noite deste domingo (16.03) para comunicar que declarou estado de desastre nacional no país.
    Ramaphosa informou que os primeiros casos de Covid-19 registados na África do Sul foram de pessoas que viajaram para o exterior, nomeadamente Itália. Segundo o chefe de Estado, a África do Sul já está a lidar com a transmissão a nível interno e espera o aumento do número de infeções.
    "Declaramos agora um estado de desastre nacional no âmbito da Lei de Gerenciamento de Desastres. Com isso, vamos ter um mecanismo de gerenciamento integrado e coordenado que se concentrará na prevenção e redução do surto desse vírus”, disse o Presidente.
    Ramaphosa afirmou que o estado de desastre nacional permite que o Governo crie sistemas de resposta de "emergência rápidos e eficazes” para mitigar o impacto do coronavírus na sociedade e na economia do país.
    Além disso, o líder sul-africano anunciou a proibição do ingresso de viajantes oriundos de países considerados de alto risco a partir de 18 de março. Na lista estão Itália, Irão, Coreia do Sul, Espanha, Alemanha, Estados Unidos, Reino Unido e China.
    A África do Sul também cancelou desde domingo o visto para visitantes desses países e orientou os cidadãos sul-africanos a evitar viagens para ou por essas áreas.
    Quénia restringe ingresso de viajantes
    Presidente do Quénia, Uhuru Kenyatta, anunciou medidas para conter a proliferação do novo coronavírus no país, que já soma três pessoas diagnosticadas.
    O Governo vai impedir o ingresso no Quénia de pessoas provenientes de qualquer país com casos relatados de coronavírus. Apenas cidadãos quenianos e estrangeiros com permissão de residência válida poderão entrar desde que permaneçam em quarentena voluntária ou numa instalação de quarentena designada pelo Governo.
    O novo coronavírus espalha-se pelo continente com novos casos registados na República Democrática do Congo, nas Seicheles, na República Centro-Africana e na Guiné Equatorial - aumentando para 26 os países africanos afetados pela pandemia.
    A República Democrática do Congo, com 4,5 milhões habitantes, registou o primeiro caso de Covid-19 na noite de sábado. Trata-se de um cidadão franco-congolês, de 50 anos, que regressara de Paris em 1 de março num voo da Ethiopian Airlines.
    A República Centro-Africana também confirmou o primeiro caso de coronavírus no sábado, após um italiano de 74 anos residente no país ter resultado positivo no teste depois de uma viagem a Milão. Já nas Seicheles, o Ministério da Saúde confirmou, por sua vez, dois casos positivos. Tratam-se de cidadãos que retornaram de Itália na semana passada.
    Já na Guiné Equatorial, o caso positivo confirmado no sábado é o de uma mulher de 42 anos que passou sete dias em Espanha, segundo o Ministério da Saúde.
    Desde sexta-feira da semana passada, ao menos 10 países africanos registaram os primeiros casos de Covid-19 - incluindo Namíbia, Ruanda, Gana e Gabão. A Organização Mundial da Saúde registou quase 11 mil novos casos no domingo, elevando o total para mais de 150 mil infetados no mundo.
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  • Covid-19: Como vivem os africanos no país europeu mais afetado pelo coronavírus?
    Angolanos, moçambicanos e cabo-verdianos a viver em Roma aplaudem a quarentena imposta pelo Governo italiano. Otimistas, falam em esperança, confiança e sacrifício e vão-se ocupando com outras coisas em casa.Desde a manhã de quinta-feira (12.03), todos os deslocamentos não justificados estão proibidos em Itália. A fiscalização é intensa e muitas pessoas já foram detidas ou multadas por não respeitar o decreto "Eu fico em casa". Somente supermercados e farmácias estão abertos, sempre com longas filas em que a distância mínima entre as pessoas deve ser de um metro.
    Todas as atividades não essenciais estão proibidas até 25 de março. Creches, escolas e universidades ficam suspensas até 4 de abril. As medidas são severas, mas necessárias, segundo o primeiro-ministro Giuseppe Conte.
    "Poderemos sentir o efeito deste nosso grande esforço somente dentro de duas semanas. Temos que ser lúcidos, comedidos, rigorosos e responsáveis", afirmou Conte esta semana.
    Telma Chimuco, de Luanda e a viver em Roma desde 1999, concorda com a quarentena imposta pelo Governo: "Eu acredito que tenha sido a melhor escolha que o Governo pudesse ter feito para evitar a propagação do coronavírus. É um sacrifício, mas mil vezes estar em casa protegidos do que andar por aí. A minha esperança é que tudo passe e que a Itália volte a ser o que era antes e que a economia também possa se recuperar".
    Como passar o tempo na quarentena
    Neste momento, a maior preocupação da estudante da Universidade La Sapienza de Roma são os estudos.
    "Tivemos somente três aulas na universidade", diz Telma. "Nesse tempo de quarentena, estou em casa, obviamente, a tentar acompanhar os professores à distância, para que não venhamos a perder o semestre".
    Dulce Manuela Nguenha, que estudou moda em Maputo e vive em Roma há 15 anos, conta que passa o tempo a trabalhar em novas criações.
    "Estamos em casa, em quarentena, a tentar fazer as coisas que o Governo diz. Passo o tempo a tentar criar coisas, como brincos, e também cozinhando pratos típicos de Moçambique, como o caril de amendoim", conta a moçambicana.
    Apesar de tudo, Dulce está otimista: "Esperamos que este período acabe o mais rápido possível e tenho a certeza que vai acabar. A coisa a se fazer é respeitar, estando em casa, não sair, lavar sempre as mãos. Ao seguir essas pequenas regras, tenho a certeza que vamos ultrapassar esse período".
    Consciência e responsabilidade
    Kim Daniel Bengui, de Luanda, está em Roma desde 2011. Disse à DW que a embaixada angolana criou um grupo para orientar os cidadãos durante este período de emergência.
    "No início, senti medo de contrair o vírus, de ficar resfriado. Mas depois, de cabeça erguida, decidi seguir seriamente os métodos de prevenção das autoridades, porque cada um de nós é responsável por conter esta situação", diz Bengui, que estuda administração na Universidade Roma Tre.
    Para Jorge Canifa, de Mindelo, Cabo Verde, e há 40 anos a viver na capital italiana, é preciso "consciência e responsabilidade" para "parar esse monstro invisível que vagueia pelo mundo devorando a nossa humanidade".
    "O que fazemos na prática? A verdade é que tudo foi tão repentino que não tivemos tempo de nos organizar, então improvisamos dia após dia", afirma em entrevista à DW. "A situação é difícil, mas não vamos desesperar, é preciso um pequeno sacrifício. Estamos confiantes e otimistas, não nos desmoralizamos. Pelo contrário, dedicamos um tempo a algo especial que esquecemos demais: dedicar tempo a nós mesmos e às nossas famílias".
    Em Itália, o novo coronavírus já causou mais de mil mortos, e há mais de 15.000 pessoas infetadas.
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  • Confrontos entre vendedores informais e polícia na baixa de Maputo
    A capital moçambicana foi esta sexta-feira palco de protestos de vendedores informais, que não querem sair dos passeios onde trabalham. A polícia foi chamada a intervir e disparou gás lacrimogéneo e balas de borracha.A baixa da cidade de Maputo, a zona comercial da capital de Moçambique, acordou esta sexta-feira (13.03) debaixo de protestos de vendedores informais. Os comerciantes recusam-se a aceitar a ordem de retirada dos passeios, dada pelo Conselho Autárquico de Maputo há seis meses.
    Os manifestantes bloquearam as ruas e avenidas da baixa da capital e partiram vidros de algumas lojas. O comércio esteve encerrado toda a manhã e foi impedida a circulação de viaturas.
    A polícia de intervenção rápida foi chamada ao local para repor a ordem e disparou gás lacrimogéneo e balas de borracha. A polícia também teve de retirar as barricadas montadas pelos manifestantes logo nas primeiras horas da manhã.
    A vendedora informal Maria Rafael trabalha na baixa da capital e não esconde a sua frustração com a atitude do município de Maputo.
    "Estamos a ser retirados dos passeios e não sabemos para onde vamos. Primeiro, deve construir um mercado para nos mostrar que está aqui", sugere.
    O vendedor Carlos Zacarias disse que exerce a atividade informal na baixa desde 1993, quando o governo autárquico começou a fazer promessas de determinar o espaço para os vendedores informais. Mas isso nunca aconteceu: "Nunca o governo fez alguma coisa por nós. Agora estão a retirar as pessoas. Com esta situação, o que vão fazer as pessoas para suportar as suas despesas?"
    Vendedores exigem mercados para sair dos passeios
    Ricardo Carlos, outro vendedor informal, diz que a condição para saírem dos passeios passa pela construção de mercados que alberguem todos os informais. "Os mercados estão cheios. Ouvi dizer que deviam sair para Xiqueleni [um dos maiores mercados informais de Maputo] ou ir para o mercado grossista [do Zimpeto]. Mas são locais que já estão preenchidos", lembra.
    Os vendedores informais lamentam a atitude do município, que diariamente cobra uma taxa de ocupação do espaço num valor correspondente a 0,6 cêntimos de euro.
    Para tentar solucionar o problema, houve uma reunião entre o município e os vendedores informais, da qual saiu a promessa do executivo de Eneas Comiche de arranjar um espaço para o exercício da atividade.
    O vereador da Economia Local no Conselho Autárquico de Maputo, João Munguambe, disse que os vendedores informais concordaram retirar-se dos passeios. "Estamos a trabalhar com a liderança dos informais para mostrar os locais nos mercados e mostrar outros lugares que possam acomodar maior número de vendedores", assegura.
    O município prometeu analisar o pedido feito pelos informais que querem mais tempo para preparar a sua retirada dos passeios. "Este pedido é legítimo, na medida em que eles não têm conhecimento do trabalho que já se iniciou com as suas lideranças. De qualquer forma, a nossa responsabilidade neste encontro era auscultar e ouvir as preocupações", diz.
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  • São Tomé e Príncipe adia introdução do IVA ameaçando OGE
    Ausência de sistema informático para gerir cobrança do IVA leva Governo são-tomense a adiar a implementação do imposto. Teme-se pela execução do programa do Governo e pelo acordo de facilidade de crédito com o FMI.A Lei do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) está em vigor desde janeiro de 2020 e a sua implementação prática em São Tomé e Príncipe estava marcada para 1 de março. Mas, no final de fevereiro, o Governo anunciou a suspensão da implementação do IVA na data prevista.
    O novo imposto que a Assembleia Nacional transformou em lei foi a principal exigência para a retoma do acordo de facilidade de crédito alargado do Fundo Monetário Internacional (FMI) com São Tomé e Príncipe.
    Na quinta-feira (12.03.), em sessão plenária, os deputados aprovaram a proposta de prorrogação do prazo da entrada do IVA.
    IVA pode ameaçar a sobrevivência dos são-tomenses?
    No entendimento de Arlindo Ramos, deputado do maior partido da oposição, a Ação Democrática Independente (ADI), o IVA é uma política mal formulada que está a falhar na implementação e que pode ameaçar a sobrevivência dos são-tomenses.
    "Eu tenho a certeza que vai haver consequências, porque o Banco Mundial (BM) e o Fundo Monetário Internacional puseram como condição sine qua non a aprovação da Lei do IVA para garantir o apoio orçamental ao Governo. Se o Governo adia a entrada em vigor, é sua responsabilidade assumir todas as consequências que advirem desta decisão do adiamento", afirma Ramos.
    Segundo o Executivo, o adiamento por tempo indeterminado do IVA não deverá ter impacto negativo sobre a execução do Orçamento Geral do Estado (OGE), que já esta a ser sustentado por outras categorias de imposto em vigor.
    "Em janeiro e fevereiro, o valor que está estimado para a receita dos impostos é inferior ao que efetivamente foi arrecadado. Pelo menos, em janeiro e fevereiro tivemos um saldo positivo. Esperemos continuar assim. Por isso, acredito que, até hoje, com estes resultados, não teremos ainda nenhuma perturbação ao Orçamento Geral do Estado", diz Osvaldo Vaz, ministro das Finanças e Economia Azul.
    Dúvidas
    O Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe, Partido Social Democrata (MLSTP-PSD, no poder), através do seu líder parlamentar, Amaro Couto, mostra-se cético sobre a sustentabilidade do OGE.
    "Em boa lógica, é o que se pode deduzir, mas não sei se, em termos práticos, o Governo tem conseguido fazer a cobrança dos impostos adicionais. Porque já vimos por exemplo, ao nível das comunicações, que, desde dezembro último, temos vindo a pagar mais 15%, que é a taxa que se prevê para o IVA", entende o deputado do MLSTP-PSD.
    Por enquanto, ainda não há data para implementar o IVA em São Tomé e Príncipe. Resta saber o posicionamento do FMI. Aquando da aprovação do OGE de 2020, estimado no equivalente a 148 milhões de euros, calculou-se que o orçamento seria sustentado em 58% pelas receitas fiscais, incluindo o IVA.
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  • Amina: A rainha guerreira de Zazzau
    A Rainha Amina de Zazzau deu nas vistas provando que "uma mulher é tão capaz como um homem". Para além de ter assumido o controlo do seu reino, Amina comandou o exército de Zazzau, conquistando vários territórios.Nascimento: Acredita-se que Amina nasceu no século XVI, mas os investigadores diferem na data exata do seu nascimento. Amina nasceu e viveu em Zazzau, que é hoje a cidade de Zaria, no estado de Kaduna, na Nigéria.
    Reconhecida por: ter sido uma rainha guerreira. Amina governou o reino de Zazzau durante 34 anos, tendo nesse tempo expandido o territórios do seu reino através da conquista de várias cidades. A rainha abriu rotas comerciais e acredita-se também que foi ela que iniciou o cultivo de nozes de cola nos seus territórios.
    O segundo sultão de Sokoto, Mohammed Bello, que era também filho de Usman dan Fodio, escreveu sobre a Rainha Amina no seu livro "Infaku'l Maisuri" ("Os Salários dos Afortunados"). Segundo Mohammed Bello, Amina tinha um dom único para a liderança e terá sido a primeira a introduzir nas sociedades hauçá a administração que hoje conhecemos.
    Controvérsia: Há historiadores que afirmam que a história de Amina é um mito e que ela nunca existiu. No entanto, há elementos que apontam para a sua existência, nomeadamente os muros que mandou construir à volta das grandes cidades que conquistou. Além disso, existem ainda hoje, em Zaria, as estruturas e ruínas do seu palácio e dos campos de treino militar.
    Embora não tenha tido filhos, há quem diga que Amina tem descendentes diretos dos seus irmãos ainda vivos e que estão entre as elites governantes do emirado.
    A causa e local da morte da rainha guerreira continuam a ser motivo de controvérsia, mas é amplamente aceite que ela morreu numa batalha em Atagara, onde é hoje o Estado de Kogi, na região central da Nigéria.
    A reter: "Amina, uma mulher como um homem!" - é assim que Amina é descrita. Tudo o que fez como rainha excedeu o que os reis que a antecederam haviam feito. Hoje, ela simboliza o espírito e a força das mulheres.
    Homenagem: São vários os locais e instituições no norte da Nigéria que têm o nome de Amina. São exemplos a escola secundária governamental no estado de Kaduna, que se chama Colégio Rainha Amina. Também as residências femininas da Universidade Ahmadu Bello, em Zaria, e da Universidade de Lagos têm o nome da rainha. A personagem da série de televisão norte-americana "Xena: Princesa Guerreira" terá sido inspirada em Amina.
    Amina tornou-se princesa e herdeira do trono de Zazzau em 1536, quando o seu pai Bakwo Turunku foi declarado rei. Foi criada essencialmente pela sua avó Marka que, como nobre, a instruiu sobre questões políticas e assuntos do Estado. Marka foi também a primeira a notar o grande interesse de Amina pela guerra, desde logo, conta a história, pela forma como a sua neta segurava um punhal - exatamente como um verdadeiro guerreiro.
    Ishaq Galadima Abdulkarim Tukur-Tukur, um dos assessores de imprensa que trabalha atualmente no palácio do Emir de Zazzau, explica que foram qualidades como esta que levaram o seu pai, o rei, a fazer de Amina princesa, e que tornaram, mais tarde, Zazzau num Estado forte. "Amina era a filha mais velha e, segundo a tradição, seria o filho homem mais velho que deveria ser coroado Madaki de Zazzau. No entanto, [o rei] tinha apenas duas filhas, Amina e a sua irmã mais nova, Zaria. Só depois de alguns anos é que Karama deu à luz o terceiro filho do rei Bakwo Turunku. Em Zazzau, "Madaki" era o chefe que comandava todas as forças armadas. Amina juntou as duas coisas. Era princesa e ao mesmo tempo assumiu a posição de Madaki, o que lhe deu a coragem de levar a cabo ataques e investidas em todos os estados do norte", conta.
    Falar de Amina hoje em dia é muitas vezes falar de crueldade. Diz-se que, em cada cidade que conquistava, a rainha passava a noite com um homem diferente, que era decapitado na manhã seguinte. Mas há poucas provas disso.
    Os historiadores preferem descrever a relação entre Amina e os seus súbditos como uma relação de benefícios mútuos. Ou seja, Amina conquistava as cidades e em troca da lealdade das pessoas que lá viviam oferecia-lhes proteção, através da construção de muros - o que lhes dava a possibilidade de negociar uns com os outros.
    Mas não se ficava por aqui. Segundo Ishaq Galadima, na maioria dos sítios que conquistava, para além de mandar construir os muros, Amina também construía poços, "de modo a que as populações conseguissem ter acesso a água, o que acaba por ser visto como outra forma de ajuda humanitária."
    Aos olhos do assessor de imprensa do palácio do Emir de Zazzau, a rainha Amina "não estava lá só para a guerra. Estava lá para acrescentar valor à vida das pessoas que viviam nas zonas remotas - em aldeias, florestas e vilarejos, longe das cidades e da civilização."
    No entanto, são recorrentes os debates acerca da existência ou não da Rainha Amina. Há quem diga que ela é apenas um mito, como explica Shuaibu Shehu Aliyu, investigador sénior na Arewa House, o centro de pesquisa histórica e documentação da Universidade Ahmadu Bello.
    "Apesar de ela ser mais conhecida por causa do seu contributo para a expansão do então reino de Zazzau, ela também esteve envolvida na construção de muros em Katsina, Kebbi e muitos outros sítios. É neste tipo de elementos que alguns historiadores se apoiam para afirmar que a história da rainha Amina não é um mit, mas sim realidade. Há também historiadores que entendem que os feitos de Amina foram exagerados pela classe dominante do emirado", afirma.
    Amina morreu numa das suas muitas batalhas. Os relatos de como e onde diferem, mas a versão mais aceitável é que a rainha terá morrido em Atagara, onde é hoje o Estado de Kogi, na região central da Nigéria.
    O parecer científico sobre este artigo foi dado pelo historiadores Lily Mafela, Ph.D., professor Doulaye Konaté e professor Christopher Ogbogbo. O projeto "Raízes Africanas" é financiado pela Fundação Gerda Henkel.
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