África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle

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África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle episodes

  • Guiné-Bissau: Forças Armadas negam envolvimento na política
    Chefe das Forças Armadas revela que militares que ocuparam instituições do Estado são do batalhão da Presidência e respondem diretamente ao chefe de Estado. Governo de Aristides Gomes denuncia "invasões" a residências.As Forças Armadas refutaram esta quinta-feira (05.03) estar envolvidas nas querelas políticas na Guiné-Bissau. Numa nota à DW do chefe das Forças Armadas, Biaguê Nan Tan, o Estado-Maior demarca-se da atuação dos militares que ocuparam as instituições do Estado
    "Relativamente à presença dos militares em certos pontos da capital, sobretudo nas cerimónias presidenciais, sublinhamos que os referidos pertencem ao batalhão da Presidência da República, uma unidade sob ordem direta do primeiro magistrado da Guiné-Bissau, que à luz da Constituição da República é o comandante em chefe das Forças Armadas", refere-se.
    Forças Armadas garantem defender Constituição
    Na mesma nota, divulgada pelo coronel Ussumane Conaté, o Exército guineense faz saber que reforçou as medidas de segurança para defender a soberania e a integridade territorial.
    "As Forças Armadas não compactuam e compactuarão com os comportamentos anticonstitucionais que visam pôr em causa o progresso da Guiné-Bissau e o bem-estar da população. As Forças Armadas deram a sua vida pela paz, estabilidade, tranquilidade e segurança que conhecemos nos últimos tempos no país".
    A nota do Estado-Maior das Forças Armadas foi divulgada à DW sem direito a perguntas.
    O primeiro-ministro Aristides Gomes afirmou, na segunda-feira (02.03, em entrevista à DW que foi afastado do poder à força pelos militares, que ocuparam os edifícios do Estado, um ato que designou como a implementação de um golpe de Estado. Na foto de família da tomada de posse do primeiro-ministro Nuno Gomes Nabiam, no sábado (29.02), além de Nabiam e Embaló, aparecem apenas os líderes militares e o ex-chefe das Forças Armadas, que liderou o golpe de Estado de 2012, António Indjai, ainda sancionado pela ONU.
    Nos últimos dias, vários organismos internacionais e organizações da sociedade civil guineense apelaram ao afastamento dos militares da política.
    Militares recolhem viaturas do Estado
    Odete Semedo, ministra da administração territorial do Governo de Aristides Gomes, contou esta segunda-feira à DW que um grupo de militares invadiu a sua residência em Bissau.
    "Já tinham estado cá ontem, sob pretexto de virem à procura de uma viatura de função que eu utilizava. Só que ontem foi-lhes informado que a viatura se encontra à porta da residência do primeiro-ministro, Aristides Gomes, porque assim foi combinado com todos os membros do nosso Governo que têm viaturas do Estado para levar à casa do primeiro-ministro e deixar lá as chaves. Então foram-se embora e hoje vieram mais cedo com um aparato de armas e tudo", relatou a dirigente política por telefone a partir de Bissau.
    Semedo, que é também a segunda vice-presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), diz que a sua família foi ameaçada quando os soldados armados tentaram entrar na sua casa.
    Segundo a dirigente, as residências privadas de outros membros do Governo de Aristides Gomes também têm sido visadas pelos militares: "Mostraram a lista de que estão a percorrer as residências. Disse-lhe que seria mais fácil falar com o primeiro-ministro [Aristides Gomes] e dizer-lhe que, no âmbito do golpe do Estado que está a ser levado a cabo, querem ficar com as viaturas."
    "Nós, estando nesta condição, não iríamos manter-nos com as viaturas sabendo que é o mais cobiçado neste momento, pondo a nossa vida em risco", afirma.
    A residência do ministro do Interior de Aristides Gomes, Luís Melo, também terá sido alvo da ordem de recolha de viaturas do Estado.
    Odete Semedo fala em perseguição política e intimidação aos adversários feitos pelos militares. "É mais do que intimidação. É uma violência psicológica, uma violência física e é uma invasão da nossa privacidade, no sentido de nos privarem da nossa liberdade e de ficarmos com medo de sair à rua. É isso que estão a provocar. Mas isso não vai acontecer, porque vamos sair à rua livremente".
    O Estado-Maior das Forças Armadas não se pronunciou sobre estas denúncias.
    Novo ministro da Saúde Pública
    Entretanto, nesta quinta-feira ficou completa a nova equipa governamental que assumiu o poder na Guiné-Bissau. Sob a proposta do novo primeiro-ministro, Nuno Gomes Nabiam, Umaro Sissoco Embaló, que preside à Guiné-Bissau, nomeou António Deuna como novo ministro da Saúde Pública da Guiné-Bissau. Deuna é médico urologista formado na antiga União Soviética, trabalhava no Hospital Simão Mendes, em Bissau, e já foi diretor-geral dos Serviços de Proteção da Saúde.
    De olhos postos na comunidade internacional
    Em Bissau, aguarda-se pelo pronunciamento do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que discutiu na quarta-feira (04.03) a situação tensa que se vive na Guiné-Bissau.
    O país chegou a ter dois Presidentes da República e dois primeiros-ministros em paralelo até que a pressão dos militares acabou por afastar do poder o Governo que resultou das eleições legislativas de março e, no domingo, fez Cipriano Cassamá renunciar ao cargo de Presidente interino, segundo as denúncias de Aristides Gomes.
    Nesta quinta-feira, o Governo português admitiu ver "com preocupação" a crise política na Guiné-Bissau após as eleições presidenciais.
    "Esperamos que, muito brevemente, possamos todos responder com clareza à pergunta 'quem é que é o Presidente eleito da Guiné-Bissau', de acordo com as leis e as instituições guineenses", declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.
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  • Quem é o general Bento Kangamba: homem polémico e influente em Angola
    Bento dos Santos Kangamba, empresário e político do MPLA, é suspeito de crime de burla por defraudação. Não é o primeiro caso controverso em que está envolvido.As polémicas não são novidade para Bento dos Santos Kangamba. Não é a primeira vez que o empresário e político angolano está a contas com a Justiça de Angola. Em poucas palavras, o jornalista Ilídio Manuel carateriza Kangamba como uma "uma figura bastante polémica, controversa e enigmática".
    Um dos enigmas é a dimensão dos negócios do general na reserva, de 54 anos, algo que, segundo Ilídio Manuel, levanta dúvidas quanto à origem do seu dinheiro. "Não se tem um Bento Kangamba como aquele empresário que criou emprego…", sublinha.
    Kangamba é conhecido como um homem do desporto. É o proprietário do Kabuscorp Sport Club do Palanca, vencedor em 2013 do principal campeonato nacional, o Girabola, e da Supertaça de Angola de 2014.
    No ano passado, a equipa terminou o campeonato em quarto lugar, mas foi despromovida da primeira divisão por o clube dever dinheiro a Rivaldo, ex-craque do Barcelona e da seleção brasileira de futebol. Bento Kangamba "teve um papel de criar uma equipa, que tinha como objetivo ganhar o campeonato. E também fez do desporto uma exteriorização de sinais de riqueza ao contratar figuras de desporto de projeção mundial ou mesmo continental, como foi o caso do brasileiro Rivaldo e do congolês Trésor [Mputu Mabi], que ganharam cá em Angola uma fortuna no tempo em que Angola ainda nadava em petrodólares", comenta Ilídio Manuel.
    Detenção
    Em 2013, Kangamba também se viu envolvido noutras polémicas. Foi acusado de ser o destinatário de cerca de três milhões de euros que foram apreendidos pela polícia francesa. Contudo, o empresário refutou as alegações. Foi ainda acusado pela Justiça brasileira de tráfico de mulheres para Angola para prostituição. Mas, em junho de 2014, foi ilibado por falta de provas.
    No sábado passado (29.02), mais uma polémica: Bento Kangamba foi detido no Cunene, junto à fronteira com a Namíbia, por suspeita de "crime de burla por defraudação" e alegada tentativa de fuga. Kangamba é acusado de usar o equivalente a mais de cinco milhões de euros que lhe teriam sido entregues para "financiar uma campanha do seu partido", o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), segundo uma fonte judicial citada pela agência de notícias Lusa.
    A assessoria de imprensa de "Kangamba" negou que o empresário estivesse a tentar fugir do país, sublinhando que tem estado a colaborar com a Justiça para pagar a dívida. Entretanto, Bento Kangamba foi libertado com termo de identidade e residência, mas está proibido de sair do país.
    "Este termo de identidade e residência permite que Kangamba possa colaborar com a Justiça, mas no âmbito de um processo cível, porque o que está em causa é uma dívida que tem com os seus parceiros, e esperemos que isso seja resolvido", explica o jurista Carlos Viegas.
    Violência contra ativistas
    Em finais de 2011, o nome Kangamba foi também associado ao alegado recrutamento de "caenches", indivíduos que teriam batido em manifestantes que exigiam a renúncia do antigo Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos. O ativista Manuel Nito Alves foi uma das vítimas desses homens.
    "Temos áudios, vídeos e fotos. Temos arquivos sobre a milícia de Bento Kangamba e 'Godzilla', que torturava manifestações sob orientação do senhor Bento Kangamba. E a polícia notava com os seus próprios olhos a tortura aos manifestantes. Não tínhamos defesa nenhuma", relembra o ativista.
    O caso nunca foi esclarecido pelas autoridades.
    Empresário da juventude?
    Kangamba pertence à família de José Eduardo dos Santos. O general na reserva casou com uma sobrinha do antigo chefe de Estado. Durante a governação de José Eduardo dos Santos, a influência de Kangamba era grande. Foi, por exemplo, o principal patrocinador de eventos culturais no país. E ficou conhecido como o "empresário da juventude".
    Mas o jornalista Ilídio Manuel tem dúvidas quanto ao título: "Embora ele goze do rótulo de 'empresário da juventude', as pessoas não conhecem empresas que gerem crescimento económico e criem empregos. Por outro lado, as pessoas ficam com a ideia de que ele seja uma pessoa que sempre se beneficiou de algum ciclo do poder na perspetiva política e de enriquecimento".
    Bento dos Santos Kangamba diz que a sua riqueza é fruto do seu trabalho. Será que a Procuradoria-Geral da República (PGR) deveria investigar a origem do dinheiro de Bento Kangamba?
    "Todo o dinheiro quando avulta, quando é de grande importância, por norma, carece sempre de alguma explicação sobre as suas origens no quadro do princípio da transparência, e é normal que isso aconteça", responde o jurista Carlos Viegas. "Mas todos nós sabemos como é que ele foi adquirindo esses dinheiros, qual é o tipo de atividade empresarial que desempenhou e que circunstâncias nortearam a aquisição destes dinheiros".
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  • Angola: Raúl Danda teme adiamento das autárquicas
    O Executivo angolano apresentou mais quatro propostas de lei "urgentes" para o pacote autárquico. Deputado da UNITA diz que Governo quer inviabilizar as eleições autárquicas previstas para este ano.O deputado Raúl Danda, da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), o maior partido da oposição angolana, criticou as quatro novas propostas de lei apresentadas com caráter de urgência pelo Governo para regulamentar as eleições autárquicas.
    Os diplomas foram introduzidos num momento em que a Assembleia Nacional já discutia outras duas propostas do pacote legislativo autárquico, noticiou na quarta-feira (04.03) o Novo Jornal. Segundo Raúl Danda, esta é uma tentativa do Executivo de inviabilizar a realização das eleições autárquicas ainda em 2020.
    "Isso mostra que, de facto, o Presidente da República [João Lourenço] e o seu partido MPLA [Movimento Popular de Libertação de Angola] não estão com vontade de fazer as eleições autárquicas este ano", afirmou Danda em declarações à DW África.
    Foram apresentadas no Parlamento quatro propostas de lei, que tratam do regime geral da cooperação inter-autárquica, do estatuto dos titulares dos órgãos autárquicos, dos símbolos das autarquias e do regime de formulários das autarquias. As quatro propostas deverão ser discutidas na generalidade ainda este mês para depois, em abril, serem analisadas na especialidade.
    "O Presidente prometeu, e todos os angolanos sabem, que haveria eleições autárquicas em 2020", sublinhou Raúl Danda. "Quando devíamos olhar para questões ligadas ao registo eleitoral, em vez de discutirmos essas questões, o Presidente da República continua a produzir leis", critica.
    Lourenço tem de convocar as eleições autárquicas com uma antecedência de 90 dias, segundo os termos da Constituição. Como as eleições em Angola têm geralmente lugar entre agosto e setembro, para evitar o período das chuvas, a convocação tem que ocorrer até maio, afirmou o deputado da UNITA. A direção do partido da oposição ainda se vai pronunciar oficialmente sobre os diplomas adicionais apresentados pelo Governo.
    Deputado do MPLA nega
    O deputado João Pinto, do MPLA, rejeita que as novas propostas legislativas tenham sido apresentadas para adiar a realização das eleições autárquicas.
    "Além do pacote já aprovado, há outros diplomas para garantir que as autarquias funcionem, como por exemplo o Estatuto dos Autarcas. É preciso que se criem estes mecanismos jurídicos para a proteção e garantia da autonomia destes entes", afirmou, citado pela agência noticiosa Angop.
    No entanto, Raúl Danda, do partido do Galo Negro, nota que o Presidente João Lourenço mudou de discurso nos últimos tempos: "No encontro que teve com o presidente da UNITA [Adalberto Costa Júnior, a 5 de fevereiro], dizia que [2020] foi apenas uma data indicativa, o que não é verdade".
    "Temos leis que já entraram desde o ano passado e o travão foi sempre por parte da direção da Assembleia Nacional, que é do MPLA. Se não fosse assim, isso já teria sido discutido desde o ano passado e aprovado também", conclui Danda.
    4 min
  • "Lei de Probidade Pública é mal aplicada" em Moçambique
    Investigador do CIP, Baltazar Fael, diz que a criação de novas sanções contra funcionários que não declararem bens é ineficaz. Leis adequadas já existem, mas órgãos competentes devem aplicá-las.A criação de novos mecanismos de sanção contra funcionários públicos que não declararem os seus bens terá efeito ou será mais uma promessa não cumprida? Foi uma questão que colocámos ao investigador do Centro de Integridade Pública (CIP) de Moçambique Baltazar Fael, que não vê a medida com otimismo: "É uma questão simplesmente de implementação e não propriamente de criar diplomas legais", afirmou em entrevista à DW África.
    Na terça-feira (03.03), o Conselho de Ministros moçambicano anunciou um decreto que vai permitir aplicar sanções contra os titulares de cargos públicos que não declararem o seu património. Segundo o Governo, este é um instrumento necessário para colmatar eventuais lacunas e estabelecer parâmetros punitivos.
    Contudo, o CIP critica a criação do decreto, uma vez que a Lei de Probidade Pública já prevê sanções graves nestes casos. "Há aqui um certo desnorte por parte do próprio Governo", sublinha o investigador do CIP. "Existem muitas leis e boas leis, mas os mecanismos de implementação destas leis é que faltam", acrescenta.
    DW África: Essa pode ser mais uma promessa não cumprida?
    Baltazar Fael (BF): Não é algo de novo em Moçambique. A Lei de Probidade Pública já prevê sancionar os funcionários que não fazem a entrega da declaração de bens. Agora, eu não sei qual é o pretexto que existiu para criar este novo decreto, porque as sanções já existem na lei. Então, é simplesmente uma questão de implementação e não propriamente de criar diplomas legais. Moçambique tem esse problema de criar vários diplomas legais e, depois, não os aplica. O problema é a implementação e não a inexistência de mecanismos sancionatórios. Aliás, a própria Lei de Probidade Pública fixa uma sanção bastante grave nessas condições, que é a demissão desses funcionários. Penso que é uma questão de duplicação e, depois, vai criar dificuldades na sua aplicação.
    DW África: O Conselho de Ministros argumenta que é preciso implementar esse decreto para suprir eventuais lacunas e criar mais parâmetros punitivos nas situações de atraso do cumprimento do prazo legal para a declaração de bens. É essa a justificação do Governo.
    BF: Eu penso que, quanto mais a lei estiver aperfeiçoada, mais ela é eficaz. Não restam dúvidas. O problema que se coloca é que já existia uma lei que nunca chegou a ser aplicada. Então, pode-se perguntar: Se a lei nunca chegou a ser aplicada, como é que se viu que ela era ineficaz para agora vir um outro diploma que aplica mecanismos de sancionamento desses funcionários? Há aqui um certo desnorte por parte do próprio Governo. Se recuarmos um pouco ainda, vamos observar que a Procuradoria-Geral da República (PGR), quando era questionada sobre o facto de não serem aplicadas sanções, ela referia sempre que não as aplicava, porque estava num processo pedagógico, de ensinamento aos servidores públicos. Ora, uma lei não funciona dessa forma. A partir da altura em que a lei é aplicada, ela deve funcionar. E, portanto, nós pensamos que há falta de coragem por parte da PGR e das procuradorias provinciais em sancionar os funcionários que não fazem a declaração de bens.
    DW África: Como está a ser a implementação da Lei de Probidade Pública?
    BF: Eu penso que é muito má. Nós mesmos publicámos um texto em que mostrávamos que existem funcionários da Assembleia da República, neste caso, deputados, que estão a receber salários em mais de duas instituições públicas, o que é proibido pela lei. Portanto, eles ainda estavam a receber salários nos locais de origem onde trabalhavam e também na Assembleia da República. E mostrámos isso através de um documento oficial do Ministério da Economia e Finanças, em que o Secretário Permanente daquele órgão solicita ao ministro para que sejam suspensos os pagamentos de salários aos deputados nessas condições. A nossa proposta é que, para aqueles deputados que receberam os salários em duplicado, eles têm que reembolsar e não simplesmente suspender os pagamentos. Esses funcionários devem devolver os valores que receberam de forma ilegal.
    DW África: Os funcionários públicos que receberam os salários em duplicado tinham a obrigação de alertar os órgãos competentes, de forma imediata. Acredita que haverá punições adicionais?
    BF: Não sei qual é o mecanismo de atuação nesse caso. O que nós fizemos é alertar para esta situação em concreto. Então, cabe neste momento aos órgãos que devem sancionar esses funcionários agir no sentido de repor aquilo que é a legalidade. A própria Lei de Probidade Pública, neste caso concreto, refere que esses funcionários devem até sofrer sanções de natureza criminal, se se provar que eles agiram de forma voluntária ao aceitar receber essas remunerações em duplicado. Neste momento, nós devemos monitorar a situação para verificar se os órgãos que devem agir no sentido de sancionar esta situação em concreto, de facto, assumem aquilo que são as suas competências.
    DW África: Mas a avaliação até este momento é que os órgãos competentes não estão a cumprir o seu papel?
    BF: Claramente que não estão. Nunca vimos nenhuma sanção a ser aplicada a um servidor público que violou a Lei de Probidade Pública até ao momento. Portanto, vários funcionários não fazem a declaração de bens e a própria PGR até tem dados de quantos funcionários não fizeram a declaração de bens ou violaram a lei. Mas não temos essas informações de forma oficial de que algum funcionário tenha sido sancionado. Existem muitas e boas leis, mas os mecanismos de implementação destas leis é que faltam.
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  • Luanda Leaks: Avaliação ao EuroBic concluída até final de março
    Em audição parlamentar no âmbito do escândalo "Luanda Leaks", o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, reafirmou que foram desencadeadas medidas de supervisão para reforçar prevenção de branqueamento de capitais.Carlos Costa prestou esclarecimentos esta terça-feira (03:03), numa audição parlamentar da Comissão de Finanças sob proposta do Bloco de Esquerda (BE), destinada a prestar esclarecimentos sobre o envolvimento do banco EuroBic no desvio, pela empresária Isabel dos Santos, de 115 milhões de dólares da petrolífera angolana Sonangol para o Dubai.
    Segundo o governador do Banco de Portugal, foi desencadeado o cumprimento de várias medidas, na qualidade de entidade de supervisão, destinadas a reforçar os mecanismos de prevenção de branqueamento de capitais.
    Em 2014, quando a empresária angolana Isabel dos Santos já era vetada em muitos outros bancos europeus por ser uma pessoa politicamente exposta, tornou-se acionista principal do EuroBic em 42,5% com uma autorização do Banco de Portugal. Em 2014, a filha de José Eduardo dos Santos também tinha autorização do Banco de Portugal para ser administradora do referido banco. Isto significa que a empresária teve uma garantia de idoneidade da entidade de supervisão portuguesa.
    Interpelações ao governador
    Foi com estas palavras que Mariana Mortágua começou por interpelar o governador do Banco de Portugal, em nome do Bloco de Esquerda, partido da oposição que requereu a audição parlamentar. A deputada argumentou, com dados, que Portugal foi um ponto de lavagem de dinheiro da cleptocracia angolana, inclusive através de registos de bancos, com autorização daquela entidade reguladora.
    Carlos Costa, ouvido no âmbito do escândalo "Luanda Leaks", esclareceu que o Banco de Portugal está a avaliar o modo como o EuroBic, a propósito das operações em causa, cumpriu os deveres a que está sujeito em matéria de prevenção do branqueamento de capitais.
    "Essa avaliação estará concluída ainda durante o mês de março. O Banco de Portugal extrairá dela todas as consequências que houver a retirar, nomeadamente quanto à avaliação dos acionistas, da renovação dos mandatos dos atuais membros dos órgãos sociais que se iniciará brevemente, dado que já foi concluído, uma vez que em breve já está convocada a respetiva Assembleia Geral. Depois tirará todas as consequências em matéria sancionatória", afirmou o governador do Banco de Portugal.
    Ainda segundo Carlos Costa, o Banco de Portugal determinou um reforço nas diligências sobre as operações bancárias."Para mitigar quaisquer riscos, o Banco de Portugal determinou desde logo que o EuroBic adotasse procedimentos reforçados de diligência relativamente a todas as operações que, de alguma forma, estivessem relacionadas com pessoas ou entidades que eram visadas no Luanda Leaks, afirmou Carlos Costa.
    Em causa estão alegadas transferências feitas por Isabel dos Santos no valor de 115 milhões de dólares de fundos públicos da petrolífera angolana Sonangol para uma offshore no Dubai, recorrendo a um esquema de ocultação através do EuroBic, tal como foi denunciado na investigação "Luanda Leaks".
    As críticas dos deputados
    Os deputados dos demais partidos políticos que compõem a Comissão das Finanças confrontaram o governador do Banco de Portugal com várias questões, entre as quais sobre uso da atividade do EuroBic por alguns acionistas para esquemas de ocultação, desvio de fundos e branqueamento de capitais ou sobre o destino a dar à venda dos capitais de Isabel dos Santos e a idoneidade do grupo espanhol ABanca, interessado no negócio. Ou sobre a exposição dos bancos portugueses ao universo de Isabel dos Santos, como questionou o deputado socialista, João Paulo Correia.
    "Certamente que o Banco de Portugal tem essa informação, por força até deste processo, dos créditos que foram concedidos a Isabel dos Santos, qual é o estado de cada crédito, se as garantias prestadas são suficientes. Portanto, é uma questão fundamental saber o nível da exposição da banca que opera em Portugal a Isabel dos Santos", questionou o deputado socialista.
    Durante cerca de três horas, Carlos Costa tratou de responder a todas as perguntas dos deputados, rebatendo as críticas de eventuais falhas ou insuficiências por parte da entidade de supervisão face à avaliação da idoneidade de Isabel dos Santos e demais acionistas. Quanto ao processo de venda das ações da empresária angolana a novos acionistas espanhóis, Costa repetiu várias vezes que o Banco de Portugal não tem que interferir no processo.
    "É um processo privado que se passa entre acionistas atuais e entidade que pretende adquirir. Não temos que estar envolvidos, mas temos que conhecer os detalhes quando a operação ficar concluída", afirmou Carlos Costa.
    Audição "pouco esclarecedora"
    O governador viria depois a contestar a ideia de que tudo se passava à margem da lei e que Portugal é uma lavandaria de dinheiro ilícito angolano. Sublinhou que caberá às autoridades judiciais o papel de investigar e determinar a veracidade dos factos.
    Em reação à comunicação do Governador do Banco de Portugal, Mariana Mortágua manifestou insatisfação. No final da sessão parlamentar, a deputada bloquista disse que a audição foi muito pouco esclarecedora.
    "Ficamos sem perceber como é que, havendo já em 2015, uma inspeção e uma investigação ao EuroBic, não foi possível travar estas operações de Isabel dos Santos e a utilização por Isabel dos Santos do EuroBic para transferir fundos da Sonangol. Ficámos sem perceber que tipo de escrutínio é feito pelos acionistas de vários bancos que foram instalando filiais em Portugal numa altura crítica da economia angolana em que percebemos que havia outros interesses na lavagem e branqueamento de capitais e que este registo foi autorizado pelo Banco de Portugal", afirmou a deputada.
    Por outro lado, acrescentou, os deputados ficaram sem garantias de que Isabel dos Santos, ao vender o EuroBic, não vai utilizar o produto dessa venda para acumular a sua fortuna pessoal através de mecanismos de lavagem de dinheiro e branqueamento de capitais. "E também não nos permitiu perceber, por exemplo, que contra-ordenações e que ações é que o Banco de Portugal já interpôs contra acionistas ou administradores destes bancos", afirmaram os deputados.
    Na perspetiva do Bloco de Esquerda, que requereu esta audição, o património de Isabel dos Santos em Portugal foi comprado com dinheiro que pertence ao povo e ao Estado angolano. Para a deputada Mariana Mortágua, uma vez que há arresto de contas, tudo deve ser feito pela Justiça para impedir que os recursos financeiros sejam transferidos para paraísos fiscais ou para entidades do foro pessoal da empresária angolana, considerada a mulher mais rica de África.
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  • África prepara-se para chegada do coronavírus
    Há 6 países em África com casos confirmados do novo coronavírus, que surgiu em dezembro na cidade chinesa de Wuhan. O medo que a epidemia se alastre no continente está a preocupar populações e especialistas de saúde.Argélia e Egito, e mais recentemente Nigéria, Marrocos, Tunísia e Senegal somam no total 11 casos positivos do vírus no continente. Populações e especialistas de saúde temem pelas consequências de mais um vírus neste continente já tão sobrecarregado com casos de malária, sarampo e outras doenças infecciosas.
    À medida que surgem novos casos de coronavírus em todo o mundo, os países africanos têm estado a anunciar medidas de contingência para lidar com a situação. Na Nigéria, o ministro da saúde, Osagie Ehanire, fez saber que "está em construção uma nova unidade de emergência, de última geração, e que deverá estar concluída no próximo mês de abril. Até lá, utilizam uma unidade de cuidados intensivos, que acaba de ser inaugurada, e que "está totalmente equipada e pronta a usar", garante o ministro.
    Para além das melhorias ao nível da infraestrutura, os países do continente devem tomar medidas rigorosas no que toca ao rastreio de todos os passageiros que chegam aos diferentes países, e não apenas aos proveninentes da China. O alerta é dado pela diretora da Organização Mundial de Saúde (OMS) em África, Rebecca Moeti, que se mostra satisfeita com o trabalho qie tem estado a ser feito ao nível da preparação.
    "O que posso dizer é que a capacidade dos países para lidar com este surto melhorou muito nos últimos meses. E mesmo antes, uma vez que tivemos um surto de ébola no continente durante um ano e meio. No geral, temos estado a trabalhar em melhorias na preparação [da chegada do vírus] nos vários países, desde o rastreio à entrada, por exemplo, à vigilância e à capacidade laboratorial", explica.
    Fechar fronteiras é solução?
    Páises como o Quénia, Tanzânia e Ruanda suspenderam os voos para a China. Já em Angola, que ainda não regista qualquer caso positivo de coronavírus, entrou em vigor esta terça-feira (03.03) uma lei que proíbe a entrada no país de cidadadãos provenientes de países com casos confirmados deste vírus.
    Uma medida que o Governo de São Tomé e Príncipe quer seguir, mas que foi já desaconselhada pela OMS. Segundo a representante desta organização no país, Anne Ancia, "fechar as fronteiras" é uma forma de "ganhar tempo para a preparação" do país para a chegada do vírus, mas "sabe-se muito bem" que não é uma medida que vá "parar a transmissão da doença".
    No Senegal, cujo primeiro caso foi confirmado esta semana, os residentes dizem-se preocupados, pois entendem que o país não está pronto para um possível alastramento do vírus. "Achamos que o Senegal não está pronto. Que medidas está o país a tomar em relação a isto? E se se espalhar, as autoridades vão anunciar o surto logo desde o início? Não sei. Ainda assim, vamos confiar no que nos dizem, em como tomar precauções e esperaremos", afirma Claude Ndonda.
    "As pessoas não estão preocupadas com o que está a acontecer. [Quando saímos com máscaras] sentimo-nos como extra-terrestres porque as pessoas olham para nós com cara de quem está a questionar: 'O que está a acontecer?", conta Victoria Loren Maganga.
    O Banco Mundial anunciou que irá disponibilizar um pacote de ajuda de 12 mil milhões de dólares para ajudar os países afetados pelo coronavírus. Entre os beneficiários, estão os países africanos que registaram já casos positivos.
    Impactos na economia
    Um pouco por todo o continente, as pequenas empresas que importam alimentos, tecnologia ou vestuário da China já estão a sofrer as consequências da propagação do vírus, pois os produtos chineses começam a estar em falta e as opções em termos de fornecedores são escassas.
    Moçambique é um destes países. Muitos comerciantes, como é o caso de Alzira Simbe, estão preocupados. Esta empresária de Maputo costuma viajar para a China várias vezes por ano para comprar têxteis, cosméticos e produtos para o cabelo. Mas de momento, isso não é possível. À DW África, explica que a alternativa pode passar por "comprar têxteis noutros países, como Brasil ou Portugal".
    No entanto, acrescenta, há certos produtos que não consegue encontrar a preços razoáveis nem no Brasil nem em Portugal. "Se este problema do coronavírus não se resolver em breve - isto é, dentro de dois ou três meses - terei um grande problema", diz. Para já, os seus armazéns em Maputo ainda estão relativamente cheios. Mas e depois?
    É também o que se questiona no Uganda, onde cerca de um quarto das importações vem da China. As cadeias de abastecimento foram interrompidas durante semanas porque muitas fábricas chinesas encerraram a produção. Também aqui, os pequenos comerciantes que vendem têxteis, produtos eletrónicos ou bens domésticos estão em apuros.
    Omar Kayiira, empresário de Kampala, dá conta que os produtos chineses não estão a chegar ao Ugand e que os fornecedores alternativos são muito limitados: "Há importadores indianos, mas eles não têm os produtos que eu vendo. É muito difícil substituir os chineses neste momento", diz.
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  • Mediação internacional pode ajudar a resolver crise na Guiné-Bissau?
    Ex-ministra são-tomense Maria Amorim associa-se à ideia lançada por líderes timorenses, que defendem uma "mediação internacional urgente" na Guiné-Bissau. Presidente português apela à paz e ao respeito institucional.A antiga chefe da diplomacia são-tomense receia que a situação de instabilidade possa derrapar e resvalar para uma situação ainda mais crítica. Ouvida pela DW África, Maria Amorim mostra-se bastante preocupada com a situação de vulnerabilidade da Guiné-Bissau e partilha a ideia lançada pelos líderes timorenses, entre os quais o antigo Presidente José Ramos-Horta, que defendem uma "mediação internacional urgente" do clima de tensão perante os riscos de agravamento da crise naquele país.
    "Ramos-Horta foi o representante das Nações Unidas numa fase também atribulada da Guiné-Bissau. A proposta dele parece uma proposta sensata, de alguém com responsabilidade de cidadão do mundo e que gostaria de ver a Guiné-Bissau numa posição mais estável e menos conflituosa", afirma.
    A ex-ministra são-tomense dos Negócios Estrangeiros considera que as posições estão muito extremadas e lamenta o facto de "ambas as partes" não se entenderem. "Não as vejo a sentar e encontrar uma via de diálogo, um consenso, para poderem sair deste impasse. É preferível que um olhar exterior, neutro, aberto, tolerante, possa juntar as partes dissidentes e tentar encontrar um entendimento para saírem desta situação", sugere.
    O país tem vivido vários períodos conturbados desde a independência, recorda Maria Amorim, que exorta as partes a abraçarem o apelo timorense para uma mediação internacional, porque os guineenses têm direito à paz e à segurança. "Eu partilho essa ideia de Ramos-Horta de uma mediação internacional e essa mediação internacional para surtir o efeito desejado tem que ser aceite por ambas as partes, porque senão não haverá mediação."
    Umaro Sissoco Embaló, dado como vencedor da segunda volta das presidenciais da Guiné-Bissau pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), tomou posse simbolicamente como chefe de Estado guineense na semana passada, numa altura em que o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) ainda analisa um recurso de contencioso eleitoral interposto pela candidatura de Domingos Simões Pereira, que alega a existência de graves irregularidades no processo.
    Portugal prudente e atento à situação
    Marcelo Rebelo de Sousa está atento à situação de tensão que se vive na Guiné-Bissau e deseja que se encontre uma saída urgente para ultrapassar a crise que se instalou no país. O Presidente da República Portuguesa, que falou aos jornalistas à margem de um evento em Lisboa, apela ao respeito institucional naquele país lusófono.
    "Nós o que desejamos é que seja uma situação em que haja paz, tranquilidade, respeito institucional, não conflitualidade, não a situações de tensão e de agravamento da tensão, que se evite isso é fundamental", declarou.
    O chefe de Estado está em sintonia com as posições do Governo português e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que no início desta semana emitiu um comunicado apelando "à calma e à serenidade dos atores políticos para que se evitem situações que possam levar a mais instabilidade política e violência com consequências desastrosas para o país."
    O chefe da diplomacia portuguesa, Augusto Santos Silva, disse à agência Lusa que é "preciso observar atentamente" para o que está a acontecer de modo a se ter "uma posição informada" sobre o litígio, tentando ver se "esta divergência jurídica e política é ultrapassada por meios pacíficos."
    Portugal acompanha a situação em articulação com a estrutura que reúne a comunidade internacional na Guiné-Bissau, o P5, que integra as Nações Unidas (ONU), a União Europeia (UE), a União Africana (UA), a Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) e a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).
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  • Moçambique cai no índice de liberdade e democracia da Freedom House
    Gestão das últimas eleições em Moçambique contribuiu para declínio no relatório "Liberdade no Mundo 2020", da Freedom House. Angola não deu grandes passos. Cabo Verde e São Tomé e Príncipe destacam-se entre os PALOP.Moçambique aparece destacado como um dos países que registou um dos maiores declínios no relatório "Freedom in the World 2020", em relação ao ano anterior.
    A exclusão de potenciais eleitores no processo eleitoral e o assassinato e intimidação de membros da sociedade civil que monitorizavam as eleições gerais de outubro de 2019 foram alguns dos pontos negativos apontados pela Freedom House, que influenciaram a descida da classificação de Moçambique em seis pontos no índice, publicado esta quarta-feira (04.03) pela organização. Moçambique ficou este ano com 45 pontos, num total de 100.
    "Tomámos nota de várias irregularidades relacionadas com as eleições, incluindo intimidações, detenções e alegações de fraude", diz Isabel Linzer, coordenadora de pesquisa para a África subsaariana na Freedom House. "Moçambique mantém a categoria 'parcialmente livre' há muitos anos".
    Mesmo depois dos órgãos de gestão eleitoral em Moçambique terem estimado um cumprimento da meta de registo eleitoral em cerca de 90%, diante do cenário da insurgência armada e efeitos do ciclone Keneth, que afetou mais de 300 mil pessoas em Cabo Delgado, a Freedom House constatou que um número considerável de moçambicanos não votou nas eleições gerais, devido à insegurança que se vive em alguns distritos, sobretudo do norte da província.
    Faltam passos concretos em Angola
    Angola teve um bom desempenho no relatório do ano passado, alcançando mais cinco pontos, impulsionados pelo anúncio de grandes reformas pelo Presidente João Lourenço. No entanto, no índice publicado este ano, o ritmo foi descontinuado.
    "Uma das conclusões do relatório é que a agenda anticorrupção do Presidente Lourenço ainda não se traduziu totalmente em resultados concretos. Talvez não seja surpreendente, porque a corrupção é um problema enraizado", comenta Isabel Linze.
    Com um ponto adicionado na classificação do relatório de 2020, Angola tem 32 pontos, sendo considerada pela Freedom House um país "não livre".
    Nem o escândalo "Luanda Leaks", nem a crise política na Guiné-Bissau, que eclodiu depois do anúncio dos resultados da segunda volta das eleições presidenciais, realizada a 29 de dezembro de 2019, foram objeto de avaliação no relatório da Freedom House, porque a análise diz apenas respeito ao ano passado.
    No documento, publicado esta quarta-feira, a organização considera a Guiné-Bissau, com 46 pontos, um país "parcialmente livre". Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, com 92 e 84 pontos, respetivamente, têm os melhores desempenhos no grupo de países africanos de língua oficial portruguesa.
    No geral, a África subsaariana registou um declínio no relatório sobre liberdade e democracia da Freedom House. Além de Moçambique, o Benim e a Tanzânia foram os países que sofreram as maiores quedas no índice, enquanto o Sudão, Madagáscar e a Etiópia registaram progressos.
    A organização não-governamental Freedom House conta com cerca de 130 pesquisadores no mundo e produz o relatório "Freedom in the World" há 30 anos, que classifica os países como livres, parcialmente livres e não livres.
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  • Sissoco: "Sanções para Presidente? Acabou a república das bananas"
    Umaro Sissoco Embaló anunciou o fim da ocupação militar às instalações do Estado na Guiné-Bissau. Rede de mulheres pede afastamento das Forças Armadas da arena política.As portas dos edifícios das principais instituições do Estado da Guiné-Bissau reabriram nesta quarta-feira (04.03). Os militares abandonaram os edifícios, permitindo a retoma dos trabalhos, anunciou Umaro Sissoco Embaló. No entanto, registou-se uma fraca afluência dos funcionários públicos. Está em curso uma greve na Função Pública.
    Sissoco Embaló, que preside à Guiné-Bissau, foi entretanto ao Palácio do Governo para abrir a primeira reunião do Conselho de Ministros do Governo liderado por Nuno Gomes Nabiam.
    Sanções
    Vários eurodeputados socialistas pediram, na terça-feira, ao chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, para considerar aplicar sanções contra todos os que prejudiquem a estabilidade da Guiné-Bissau. No entanto, Sissoco Embaló disse à porta da reunião do Conselho de Ministros que não tem medo de possíveis sanções, desvalorizando ainda a posição tomada pela maioria da comunidade internacional, que pede que se aguarde a decisão do Supremo Tribunal da Justiça sobre o contencioso eleitoral.
    "A Guiné-Bissau não faz parte da comunidade europeia. Somos apenas parceiros da União Europeia. Os deputados da Guiné-Bissau também podem escrever uma carta ao Comissário dos Assuntos Políticos da União Africana para pedir sanções a qualquer outro membro da União Europeia. Para mim, esse assunto é extemporâneo", comentou Embaló em declarações aos jornalistas.
    "Eu ganhei as eleições, e agora sanções ao Presidente da República? A Guiné-Bissau deixou de ser república das bananas", acrescentou.
    "Fui eleito pelos guineenses"
    Sissoco recusou-se a comentar a decisão da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO), de não reconhecer qualquer organismo criado fora do quadro legal.
    "Eu não fui eleito pelo povo senegalês, angolano, português, francês ou chinês. Fui eleito pelos guineenses. Eu sou Presidente da Guiné-Bissau", frisou.
    Greve continua
    Antes de participar no Conselho de Ministros, o candidato dado como vencedor das presidenciais pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) reuniu-se com o líder sindical Júlio Mendonça sobre a greve em curso no aparelho de Estado.
    À saída do encontro no Palácio da Presidência da Guiné-Bissau, Mendonça afirmou que a maior central sindical, a União Nacional dos Trabalhadores da Guiné (UNTG) mantém a paralisação da Função Pública: "A greve está em curso neste momento. Até quinta-feira, iremos tomar mais posições."
    "Apenas fizemos questão de entregar ao Presidente o memorando de entendimento que assinámos com o Governo e o pré-aviso que já tínhamos entregue ao Governo. De momento, não há nada de concreto e estamos à espera de quem tem a competência e atribuição legais para negociar connosco", disse.
    A greve abrange todos os setores da vida pública da Guiné-Bissau, com maior destaque nos da saúde e educação.
    Órgãos públicos a meio gás
    Entretanto, a Rádio Nacional e a televisão pública TGB retomaram as emissões, depois de serem silenciadas pelos militares.
    À DW África, o diretor-geral da TGB, Catouplin da Costa, confirmou a reabertura da emissão, embora a meio gás: "Na verdade, temos o sinal no ar a pôr a música, porque os trabalhadores não estão aqui em plenitude. Temos menos de dois terços dos trabalhadores, quase meia dúzia. Vamos aguardar, talvez amanhã tenhamos mais gente."
    Mulheres pedem militares fora do campo político
    Soldados das Forças Armadas ocuparam as instituições públicas desde terça-feira, depois da tomada de posse de Umaro Sissoco Embaló como Presidente. O Governo que resultou das eleições legislativas de 10 de março, liderado pelo primeiro-ministro Aristides Gomes e entretanto demitido por Umaro Sissoco Embaló, considera a ação dos militares como sendo um golpe de Estado.
    A presidente da rede para a paz e segurança das mulheres no espaço da África Ocidental da Guiné-Bissau, Elisa Pinto, está preocupada com a crise pós-eleitoral.
    "A rede manifesta a sua indignação face à atual situação política institucional que assola o país, apela aos políticos a velarem pelo respeito à Constituição da República e às demais leis e exorta as forças de defesa, no sentido de se manterem equidistantes aos jogos políticos e continuarem a garantir a integridade territorial", afirma Pinto.
    Ainda exorta ainda a comunidade internacional a intensificar as suas ações para encontrar "uma solução rápida para a crise vigente", apelando ainda à população para manter a calma e serenidade, em defesa da paz e da não violência, preservando a unidade e a irmandade nacional.
    CEDEAO pode ser parte do problema
    Na mesma senda, o líder do Partido da Unidade Nacional (PUN), Idriça Djaló, entregou nesta quarta-feira uma carta à representação da CEDEAO em Bissau.
    "Pedi à CEDEAO para encontrar soluções justas e democráticas pelo respeito pelo Estado democrático na Guiné-Bissau. Não estamos do lado de nenhum dos candidatos, acho que é o mínimo que se possa pedir à CEDEAO. Não é admissível negociar o Estado de direito democrático, o que seria uma tragédia para o país", disse Djaló em entrevista à DW África.
    O político sublinhou que, apesar dos apoios dados à organização das legislativas e das presidenciais, a CEDEAO "não avaliou convenientemente as derrapagens que acompanharam as eleições, nem assinalou a gravidade dos atentados ao jogo democrático, nomeadamente as interferências de países vizinhos ou a afluência massiva de dinheiro de proveniência duvidosa".
    "Como deverá ser do seu conhecimento, o nosso país está gangrenado pelo narcotráfico e o dinheiro sujo é reciclado em momentos de embate político desvirtuando os equilíbrios e bloqueando toda e qualquer possibilidade de uma verdadeira alternativa ao atual sistema", salientou.
    Segundo o líder do PUN, depois do anúncio provisório dos resultados eleitorais pela CNE, os comunicados da CEDEAO "não só não acalmam a situação, como não apresentam solução". Idrissa Djaló considerou mesmo "tristes" os comunicados da organização, que pedem ao Supremo Tribunal de Justiça e à CNE "para colaborarem".
    "Estas duas instituições não podem ser postas no mesmo patamar", afirmou, salientando que a Constituição da Guiné-Bissau define claramente a hierarquia jurídica e o papel e competências da CNE, que está obrigada a cumprir com as decisões do Supremo Tribunal de Justiça em matéria eleitoral.
    ONU apela à contenção
    A partir de Nova Iorque, o secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, apelou às partes em conflito político na Guiné-Bissau para que aguardem a decisão do Supremo Tribunal de Justiça, pedindo "máxima contenção".
    Também a França apelou às forças de defesa e segurança da Guiné-Bissau para que se mantenham "fora da vida política" do país, pendido contenção e respeito às partes em conflito político para que se resolva o impasse eleitoral.
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  • PALOP procuram alternativas após cancelamento de Feira de Turismo de Berlim
    A Feira Internacional de Turismo de Berlim foi cancelada para evitar a propagação do novo coronavírus. Moçambique, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe apostam em campanhas digitais e convites para evitar queda no turismo.2019 foi um bom ano para o turismo em Moçambique. "As entradas, as chegadas de turistas foram superiores e isso permitiu e incentivou os investidores a apostarem mais neste destino Moçambique para fazerem os seus investimentos", garante Nuno Fortes, diretor de Investimentos do Instituto Nacional do Turismo (INATUR).
    Os bons resultados devem-se a medidas tomadas pelo Governo, que tornou o turismo uma das áreas prioritárias para a governação, definiu cinco destinos estratégicos para a atração e o desenvolvimento do setor – nomeadamente Maputo, Vilanculos na província de Inhambane, o Parque Nacional da Gorongosa no centro, a costa da província nortenha de Nampula e a Reserva do Niassa, também no norte do país – e não só.
    "Neste momento, qualquer turista já pode ter o visto de fronteira. Portanto, não precisa vir do seu país com o visto para entrar em Moçambique, pode tirar o visto aqui nos nossos aeroportos", descreve.
    "O Governo também fez a abertura do espaço aéreo. Ou seja, hoje em dia, qualquer companhia aérea que queira voar para Moçambique ou parar em Moçambique tem condições e está livre para o fazer. Eram coisas que há algum tempo eram praticamente impensáveis", diz Nuno Fortes.
    Há vários anos, o país participa na ITB, a Feira Internacional de Turismo de Berlim, que deveria arrancar esta quarta-feira (04.03), mas foi cancelada para prevenir a propagação do coronavírus. Nuno Fortes diz que tanto o Governo moçambicano como os investidores privados que acompanhariam a delegação em Berlim, apoiam a medida.
    "Quando consultei, todos foram unânimes em dizer que foi melhor assim - mesmo sabendo que tinham possibilidade de fechar um negócio. Mas essa questão do coronavírus preocupa toda a gente", avalia.
    De acordo com o diretor de Investimentos do INATUR, o impacto do coronavírus para o turismo é certo. "O turismo vai se ressentir em todo o mundo. Os asiáticos são das pessoas que mais viajam em todo o mundo e, com esta situação, isso vai reduzir drasticamente", considera o responsável.
    Para amenizar possíveis efeitos negativos que a ausência na ITB possa gerar, Moçambique pretende investir ainda mais noutras formas de contato com investidores e operadores internacionais. "Vamos trazer os operadores de turismo e jornalistas para visitarem o nosso país, para poderem vender e elevar a imagem positiva para fora do país. E, em maio, temos a feira do Indaba na África do Sul, que é a maior feira de turismo da África Austral", enumera Nuno Fortes.
    Cabo Verde e as ferramentas digitais
    Também Francisco Martins, diretor-geral do Turismo e Transportes Aéreos de Cabo Verde, reage com compreensão ao cancelamento da ITB.
    "Os motivos são plenamente compreensíveis e têm uma razão lógica que é proteger, acima da tudo, a saúde das pessoas", argumenta.
    Francisco Martins reconhece a lacuna deixada pelo cancelamento da Feira Internacional de Turismo de Berlim, principalmente em termos de contatos pessoais, mas garante que seu país encontrará alternativas para garantir a promoção de Cabo Verde.
    "Pode haver aqui uma ligeira descontinuidade em termos de contatos. Mas hoje, com as ferramentas digitais que existem, isto será colmatado através de novas campanhas digitais", considera Francisco Martins.
    O diretor-geral do Turismo e Transportes Aéreos de Cabo Verde espera que todos países se empenhem no combate ao coronavírus. "Seguir as recomendações das organizações internacionais, nomeadamente da Organização Mundial de Saúde, para que o vírus não circule de uma forma intensa pelos quatro cantos do mundo", apela.
    "O turismo, se sofrer algum retrocesso com a presença do vírus, vai ser em todos os países", conclui Francisco Martins. O país manteve a tendência de crescimento do setor em 2019, não apenas em termos de entradas como também de ocupação das acomodações, afirma Martins.
    "Notou-se que, de facto, há cada vez mais um conhecimento dos turistas a nível mundial de Cabo Verde. Tem-se revelado um grande ativo para Cabo Verde a nossa estabilidade democrática, social e também de segurança ao nível do país", considera.
    São Tomé e Príncipe mantém foco na Alemanha
    São Tomé e Príncipe contabiliza resultados com a constante participação na ITB e consequente divulgação do destino na Alemanha, revela o diretor-geral do Turismo no país.
    "Neste momento, a Alemanha consta dos cinco principais mercados emissores de turistas para São Tomé e Príncipe", revela Hugo Menezes.
    "Isto é o resultado de um trabalho que tem vindo a acontecer já há algum tempo, que é a divulgação de São Tomé e Príncipe no mercado alemão. Temos vindo a conhecer um crescimento notório do número de visitantes provenientes da Alemanha", avalia.
    Hugo Menezes diz ainda que, nesta ITB, o país pretendia "reforçar essa posição que temos vindo a alcançar com a Alemanha". O impacto do cancelamento da Feira Internacional de Turismo de Berlim será grande para o arquipélago, acrescenta.
    "Não tendo tido a oportunidade para voltarmos a fazer a divulgação de São Tomé e Príncipe no mercado alemão, é certo que isto terá um impacto negativo no crescimento que estávamos a preconizar ao nível do mercado alemão para este ano", avalia.
    Em 2019, o arquipélago registou um "ligeiro" crescimento de 2,4% no turismo, em relação a 2018 - "o que correspondeu a algo como 34.900 turistas a mais", conta o diretor-geral do Turismo de São Tomé e Príncipe, acrescentando que "deste crescimento, verificamos que dos mercados que mais despontaram é precisamente o mercado alemão".
    Para que não haja retrocesso, Hugo Menezes pretende reforçar as ações de divulgado país. "A recepção de jornalistas alemães que vão a São Tomé e Príncipe e produzem artigos sobre o destino, ações puntuais de visitas ao destino de operadores turísticos de modo a podermos apresentar o destino também deverão aconteceruma vez que não tivemos a ITB este ano e reforçar a nossa divulgação ao nível da internet", descreve.
    Cerca de dez mil expositores e 160 mil visitantes de todo o mundo eram esperados nesta edição da ITB.
    5 min

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