África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle

África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle

By DW.COM | Deutsche WelleNewsPolitics
Download on the App Store

África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle episodes

  • Ativistas denunciam desvios no combate à fome no sul de Angola
    A região sul de Angola continua a ser assolada pelo fome e desnutrição, apesar das chuvas. Ativistas relatam que os apoios enviados pelo Governo são desviados e as pessoas continuam a morrer.A fome e a seca no sul de Angola deixaram de ser notícia com a chegada da chuva que cai sobre as regiões afetadas. Entretanto, engana-se quem pense que a situação conheceu melhorias.
    Segundo Domingos Fingo, diretor-executivo da Associação Construindo Comunidades, ainda não há produtos resultantes do presente ano agrícola que possam saciar a fome da população.
    "As pessoas pensam que pelo simples facto de estar a cair chuva que neste momento a realidade da fome e da seca na região sul de Angola e substancialmente na dos Gambos está ultrapassada. Não. Não é isso, porque neste momento as comunidades estão a cultivar e os produtos resultantes do cultivo só estão disponíveis a partir de maio ou junho", alertou.
    Por isso, Domingos Fingo entende que o apoio às vitimas não deve parar. "O espírito de solidariedade para com as vítimas da seca, da fome e da desnutrição deve continuar até que haja condições de suporte dos produtos que poderão ser retirados do campo. A solidariedade de todos nós exige-se enquanto não chegar à altura das colheitas que se impõem na região", disse.
    Desvios
    O combate à fome no sul do país começou a ganhar força na agenda do Governo com a visita do Presidente angolano à região em maio do ano passado. João Lourenço deslocou-se em duas das três províncias mais afetadas pela fome: Namibe e Cunene. Não tardou, o país mobilizou-se em apoiar as vítimas.
    Entretanto, a ajuda material e financeira já dada, quer pelo Estado, quer por organizações sociais, tem conhecido destino incerto. A 18 de fevereiro deste ano, o padre Pio Wakussanga, residente na região dos Gambos, província da Huíla, outra zona fortemente afetada pela fome, questionou no seu perfil no Facebook: "Ide para o interior junto de comunidades afetadas. Perguntem quantas vezes receberam os referidos apoios", escreveu na rede social.
    O ativista dos direitos humanos escreve em maiúsculo a palavra "NIET" para acentuar o suposto desvio dos bens. "NIET", em português em Angola, significa "nada ou não". Ou seja, "há uma nuvem negra de incertezas e hiatos nesse quesito!", desabafou Pio Wakussanga.
    "A provar-se o descaminho desses dinheiros, tal contribuiu para a morte de muitas pessoas", acrescentou o padre na sua publicação, que foi retomada por vários internautas.
    Morte de pessoas e animais
    Há também relatos de morte de pessoas e gado no Namibe, Cuando Cubango e Cunene. Sem precisar o número de mortes por fome e desnutrição, Domingos Fingo, confirma: "Existem familiares que estão a perder os seus entes queridos por causa da fome. Eu pessoalmente fui surpreendido por duas famílias a solicitar-me apoio. Quando vi a natureza física das pessoas que me contactaram fiquei extraordinariamente indignado com a realidade".
    Por isso, Wakussanga pede à Presidência da República que faça um esclarecimento público sobre que tipos de ajudas o Governo central disponibilizou.
    Não é apenas na região dos Gambos onde há relatos de desvio de apoios. No Cunene, a província mais afetada com mais de 800 mil vítimas e mais de um milhão de cabeças de gado de várias espécies, também há registo de desvios. Isso terá estado na base da exoneração do ex-governador provincial Virgílio Tchova. O antigo governante está ser investigado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de Angola.
    O problema da seca e da fome na região sul de Angola acentuou-se em 2011. Agora a situação estende-se a outras regiões do país, como o Cuando Cubango. No leste de Angola, precisamente na província do Moxico, a fome também fustiga populares.
    "O município mais afectado na província do Moxico é Buengas. A população recorre às matas para recolher os frutos silvestres para a sua alimentação. Lá, a seca está em alta e a população está a passar por momentos muito difíceis", denuncia o ativista Nelson Euclides, residente no Luena.
    Segundo o ativista, o estado degradante das vias de comunicação vem agravar ainda mais a situação dos populares. "Há dificuldades de vias de acesso. E é um município que dista a mais de 200 quilómetros", diz.
    4 min
  • Moçambique: Constantino Warila não lança novas músicas em protesto contra plágios
    O músico Constantino Warila, um dos monstros da música tradicional moçambicana, parou de lançar novos trabalhos. E ameaça manter a posição em definitivo, devido ao plágio das suas músicas, desvalorização e tribalismo.Constantino Warila, artisticamente tratado por Mwana Warila, que em português significa filho de Warila, é uma das referências incontornáveis da música tradicional da província de Nampula. Tem 68 anos, dos quais 36 oficialmente dedicados à música, embora se tenha apaixonado pela arte de tocar e cantar ainda adolescente.
    "Comecei a tocar os instrumentos de música local quando tinha 7 anos de idade. Tocava e cantava com as pessoas mais velhas. Meu pai era artista, um grande batucador, e minha mãe era cantora. Ela cantava e o marido tocava, e eu aprendia com eles", conta o artista, que aprendeu a tocar através de uma viola tradicional chamada Khanakare, até que começou a produzir as suas próprias músicas.
    Tem mais de 200 músicas gravadas, mas nenhuma foi registada pelas autoridades de tutela, sobretudo pela Sociedade Moçambicana de Autores. Constantino Warila também não tem um arquivo pessoal, situação que, segundo diz, o impede de obter dividendos das suas produções.
    Vítima de plágio e pirataria
    O músico conta que tem sido alvo de plágios e pirataria, por parte de produtores de má fé que distorcem todas as mensagens das suas músicas em benefício próprio.
    "As minhas músicas são de educação social, mas eles [produtores desonestos] pegam no ritmo, tiram as mensagens, ficam com aquele ritmo que eles gostam e fazem um bailado estranho. Para mim, é uma autêntica violação", lamenta.
    Outro problema, segundo Warila, é a discriminação, além da falta de valorização e de oportunidades para os artistas do norte de Moçambique, em detrimento das regiões centro e sul do país. "Aqui em Moçambique há discriminação social, há moçambicanos do grupo A, do grupo B e do grupo C e até neutros em relação à música e arte. Nós, por exemplo, em Nampula, temos o caso do artista (plástico) Justino Cardoso. Se fosse de outra região, não do norte, acha que estaria aqui connosco?", questiona.
    Como forma de protesto, o músico decidiu parar de lançar novas músicas. "Muitos me perguntam porque é que agora já não lanço músicas, mas eu prefiro ficar assim do que apanhar diarreia mental e apanhar trombose (AVC) por causa de uma brincadeira dos outros. Eu já parei, mesmo, já não faço gravações", explica.
    Constantino Warila, que também é um professor reformado, diz que agora só vai dedicar-se a ensinar, a cantar e a tocar para os interessados e atuar em festas privadas.
    3 min
  • Presidente angolano em esforços para mediar tensões entre Uganda e o Ruanda
    Presidente angolano, João Lourenço, foi esta quinta e sexta-feira até à fronteira de Gatuna/Katuna, entre o Uganda e o Ruanda, para mediar as tensões entre os dois países, face a acusações mútuas de ingerência política.No início de fevereiro, sob a mediação de Lourenço em Luanda, os Presidentes Yoweri Museveni e Paul Kagame prometeram não apoiar ações desestabilizadoras nos territórios vizinhos. Agora, a esperança de muitos cidadãos é que a fronteira seja reaberta.
    Os populares na fronteira de Gatuna/Katuna, entre o Uganda e o Ruanda, têm sentido na pele as consequências das tensões entre os dois países. Há um ano, o Ruanda decidiu fechar a fronteira e cortou uma via nevrálgica do comércio. Além disso, muitos habitantes ficaram sem poder ver os familiares, que vivem do outro lado.
    As consequências
    James Kamanzi mora no Ruanda e há muito tempo que não vê os pais doentes: "Afetou-me bastante. A nossa família tem propriedades, os meus pais estão a envelhecer e eu devia ir lá ver como eles estão e como estão as coisas. Eles estão muito adoentados e não os vejo há quase dois anos. Portanto, afetou-me bastante."
    Kamanzi conta que o Ruanda tem insistido que nunca fechou a fronteira - alertou apenas as pessoas a não viajarem para o Uganda, porque, segundo o Governo, há cidadãos ruandeses que são detidos e torturados no país vizinho. Mas a verdade é que as pessoas estão impedidas de viajar para o outro lado. Quem vive na fronteira quer apenas que a situação volte ao que era antigamente.
    "Faltei a funerais de amigos meus. Não pude estar em dois ou três casamentos de amigos e em dois funerais de vizinhos. E você sabe que, na nossa cultura, temos de lá estar quando se perde alguém", lamenta Kamanzi.
    A reabertura da fronteira é crucial para reduzir as tensões políticas e económicas, continua Kamanzi. Os preços dos produtos da cesta básica mais do que duplicaram de há um ano para cá.
    "As pessoas estão a perder o emprego e ficaram falidas. Não há dinheiro, não há comércio", conta o residente no Ruanda.
    Os dramas das viagens
    A ironia é que a fronteira fechou em Gatuna/Katuna, mas os ruandeses que vão de avião continuam a poder viajar para o Uganda. Só que nem todos podem comprar o bilhete. Cidadãos como Mark Mulindwa optaram por fazer uma viagem mais longa até ao Uganda, passando pela Tanzânia, embora também tenha ficado caro.
    "Chamaram-me para fazer uma coisa importante e tive de me organizar. Fui pela Tanzânia até ao posto fronteiriço de Mutukula e depois até ao Uganda. Foi muito caro. Não valeu a pena, mas foi assim. Gastei cerca de 250 dólares", diz Mulindwa.
    Analistas acreditam que, mesmo com a reabertura da fronteira, a animosidade entre os dois Estados poderá continuar. O conflito entre o Uganda e o Ruanda dura há décadas.
    3 min
  • Angola: João Lourenço dá sinais de encorajar regresso de Eduardo dos Santos?
    O chefe de Estado duplicou o valor do subsídio de fim de mandato dos ex-Presidentes, mas reduziu regalias na segurança. Será o gesto de João Lourenço uma iniciativa de encorajamento para o regresso de Espanha de JES?O Presidente da República duplicou o valor do subsídio de fim de mandato pago aos ex-Presidentes angolanos. Mas por outro lado, cortou-lhes algumas regalias ao nível da segurança e pessoal de apoio. O argumento para tal mudança é a necessidade de "conferir o tratamento mais adequado e condigno aos antigos presidentes e antigos vice-presidentes da República", segundo o decreto-presidencial 32/20.
    Esta medida de João Lourenço acontece numa altura em que as suas relações com o único ex-Presidente vivo, José Eduardo dos Santos, que vive atualmente em Barcelona, Espanha, não dão sinais de serem das melhores.
    A DW África entrevistou o jurista e analista angolano Pedro Karapakata sobre esta decisão, numa altura de aparente tensão e em que se espera que José Eduardo dos Santos volte a Angola, para ajudar a esclarecer casos que estão atualmente em tribunal.
    DW África: Será o gesto de João Lourenço uma iniciativa de encorajamento para o regresso de José Eduardo dos Santos, que se encontra na Espanha, e uma demonstração de boas intenções?
    Pedro Karapakata (PK): Em princípio, nego a existência da tal tensão entre a família de José Eduardo dos Santos e o Presidente atual. Isto é apenas um expediente político para dividir as pessoas. Não há nada a ocorrer que seja anormal entre as partes citadas. Estão em sintonia e estão a trabalhar naturalmente.
    DW África: Mas neste momento em que se vive esta aparente tensão e que José Eduardo dos Santos e boa parte dos seus filhos estão fora de Angola, em que se espera que José Eduardo dos Santos volte até para ajudar a esclarecer alguns casos, como é que pode ser visto esta decisão neste momento particular?
    PK: O ex-Presidente José Eduardo dos Santos e os seus filhos estão fora como estão os demais cidadãos angolanos que têm fortunas. Porque cá só estão as pessoas de uma forma ou outra menos afortunadas. Agora, se há esse aumento de dinheiros para esta ou aquela figura, eu acho que isso é o mais natural entre os africanos, porque em tempos também um Presidente de um país avançou como condição para sair do poder um estatuto especial em termos de benefícios económicos. E o mesmo aconteceu mesmo antes da saída de Eduardo dos Santos, que avançou com um estatuto especial em termos de garantias económicas. E acho que é mais um expediente que ocorre entre os africanos, de querer ficar de uma forma confortável do ponto de vista material. Não vejo nada de estranho nisso.
    DW África: Certa imprensa afirma que João Lourenço teria enviado um emissário a Barcelona para tentar convencer José Eduardo dos Santos a regressar ao seu país. E acredita-se que a Justiça do Mónaco esteja a preparar uma ação contra a sua família, tal como a justiça norte-americana. Não seria de todo descabido uma iniciativa destas do lado do Presidente da República?
    PK: Não, isso pode não ser uma iniciativa descabida. Se a família do ex-Presidente José Eduardo dos Santos ou ele próprio correrem o risco de serem demandados por qualquer órgão da Justiça, até um órgão americano, não tenho a mínima dúvida que se o Presidente João Lourenço tomar conhecimento desse facto, entrará em contacto directo com o Presidente cessante, não irá mandar mensagem, no sentido de aconselhá-lo para vir para cá. Porque estando cá, é como se estivesse num túnel, com toda a proteção necessária. Isto pode ocorrer. Mas afasto a questão do emissário, porque há outros meios para eles contactarem e para entrarem em contacto e até deslocações de angolanos para a Europa. A família de Eduardo dos Santos e ele próprio estando na Europa não creio que estejam seguros.
    DW África: O Presidente da República decidiu também reduzir as regalias dos ex-estadistas. Este é mais um sinal de combate ao despesismo por parte de João Lourenço?
    PK: Isto é um mero expediente político. Não se trata de reduzir, isso é mentira. Tanto é assim que o atual Presidente, João Lourenço, continua a praticar atos de esbanjamento. Há cerca de três ou quatro dias, praticou um desses atos, portanto foi a um espaço a que proferiu e só para mobilar umas duas torres foram logo cerca nove milhões de dólares. Ora, este ato é de puro esbanjamento, num país onde há carências de tudo. Portanto, isso não é verdade. Trata-se de diminuir de um lado, mas aumentar de outro.
    5 min
  • Humorista angolano faz sucesso nas redes sociais com vídeo sobre o "Luanda Leaks"
    Um jovem estudante de Medicina é um dos novos talentos do stand-up comedy em Luanda. Com vídeos compartilhados nas redes sociais, Cólua Tremura usa humor para criticar problemas quotidianos enfrentados pelos angolanos.O bairro Paraíso surgiu como um campo de refugiados da guerra civil no início da década de 1990 e ganhou estatuto de bairro em 2000. A área no município do Cacuaco é a mais populosas de Luanda - com 180 mil habitantes. A maioria dos moradores da comunidade são jovens que vivem em condições precárias. A região serve como primeira paragem ou moradia para pessoas que saem das províncias para tentar a vida na capital.
    Nesse ambiente, vive um dos mais novos talentos do humor angolano. Cólua Tremura, de 26 anos, está a finalizar o curso de Medicina na Universidade Agostinho Neto. O Bairro do Paraíso serviu de inspiração e palco para ele revelar o seu talento para o stand-up comedy.
    Tremura nasceu no município de Cazenga, em Luanda. Ele conta que, "devido a problemas, foi morar em Cacuaco-Quicolo" e depois transferiu-se ao bairro Paraíso. Órfão de pai, falecido dois meses depois do seu nascimento, Cólua tem três irmãos, que diz terem desempenhado um papel fundamental para que ele não enveredasse para o caminho da delinquência, uma vez que a criminalidade regista níveis alarmantes no bairro.
    Cólua decidiu morar no lar de estudantes da Universidade Agostinho Neto para melhor se concentrar nos estudos. Entretanto, as memórias do lugar onde passou a sua infância são indeléveis. Violência, falta de policiamento, falta de eletricidade e condições degradadas de saneamento restringem uma série de liberdades aos moradores. A criminalidade, entretanto, é a situação mais crítica.
    Transformar drama em humor
    O humorista aborda temas como a grande corrupção, as desigualdades sociais, o desemprego juvenil e a fraca qualidade dos serviços públicos em Angola. "Eu tento levar isso ao stand-up comedy para mostrar um lado que normalmente não passa na televisão e para chamar atenção, porque quem é de Cacuaco sabe como é aquela área e quem não é não tem a mínima noção", explica.
    Foi a cultura de leitura na universidade que o conduziu a aprofundar estudos sobre a realidade social do seu país, sobretudo dos bairros periféricos de Luanda - que espelham assimetrias sociais se comparados com os bairros das elites. Esta é uma realidade que Cólua entende como fruto do modelo de distribuição de riqueza em Angola - um tema que questiona desde a infância, mas sobre o qual nem sempre pode opinar. "Em Angola somos educados que criança não pode falar sobre política, mas eu não acho correto", diz.
    O comediante sul-africano,Trevor Noah, é uma das suas grandes inspirações. Cólua também gosta de nomes sonantes do humor angolano, mas não esconde a admiração pelo seu irmão Francisco Cólua, que, não sendo humorista, faz crítica social de forma sarcástica.
    "Luanda Leaks" tem mais visualizações
    Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas de Angola (INE), até o terceiro trimestre de 2019, o desemprego rondava os 30,7%. Entre 2018 e 2019, a pobreza afetou 40,5% da população. Por isso que temas como o desemprego entre os jovens, os desafios no uso dos serviços públicos, a vida em bairros suburbanos como o Paraíso, sejam alguns dos temas mais interativos no seu portifólio vídeos partilhados nas redes sociais.
    Entretanto, o "Luanda Leaks", caso despoletado por jornalistas internacionais, que analisa a origem da fortuna de Isabel dos Santos, filha do antigo Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, é um dos temas mais visualizados.
    "Eu estava a pensar, angolanos só gostam de roubar milhões. [ …] As crias do mano Zé têm muito hábito de roubar milhões. Zé não roubou milhões? Isabel na Sonangol é milhões aqueles, eih … pai, tem dinheiro que não se lê. Se alguém me dá aqueles milhões …" assim argumentava Cólua no vídeo sobre Luanda Leaks.
    O humorista espera com o stand-up comedy ajudar várias mentes a pensar. O seu sonho para Angola é ver um Estado que dê atenção às áreas sociais.
    "Eu gostaria de ver uma Angola onde os serviços públicos funcionem, funcionem bem mesmo. Por vezes, também, o Governo não injeta dinheiro suficiente, vamos considerar, para aqueles serviços funcionarem. A nossa população, a maioria depende dos serviços públicos, e quando acorre a estes serviços encontra as tais debilidades e vai sofrer mais."
    Tendo a medicina e a carreira de comediante aos pés, Cólua diz pretender "salvar o maior número de vidas" como médico, mas não pensa em parar de pisar os palcos.
    4 min
  • Moçambique: Cabo Delgado tem novo surto de cólera
    Autoridades de saúde dizem que pessoas deslocadas devido aos ataques de insurgentes sobrecarregam moradias e infraestruturas, gerando condições favoráveis à doença. Ao menos 12 pessoas morreram.Um surto de cólera afeta três distritos costeiros de Cabo Delgado. Ilha do Ibo, Macomia e Mocimboa da Praia registaram 271 casos desde desde 31 de Janeiro. Em conferência de imprensa, nesta quinta-feira (20.02), autoridades de saúde informaram que 12 pessoas morreram.
    A diretora provincial de saúde em Cabo Delgado, Anastácia Lidimba, disse que apesar de o número de pessoas com diarreia ter caído em comparação com o ano passado, "o fato é que nestes três distritos os testes do vibrião colérico saíram positivos. Então, nós queremos declarar que a província de Cabo Delgado está perante um surto de cólera.”
    Surtos de cólera em Cabo Delgado são recorrentes e uma das causas apontadas tem sido a precariedade das condições de saneamento nas comunidades. Mas as autoridades sanitárias avançaram um outro fator catalisador para o surto deste ano: a aglomeração de famílias de deslocados nestes três distritos devido aos ataques de insurgentes na região.
    "Imaginemos uma zona como Ibo, na qual a população é de oito mil, mas entraram mais sete mil, por exemplo. Aquela família que recebeu pessoas não estava preparada para receber mais de 20 pessoas. Partilham a mesma casa de banho, cada um tem a sua maneira de usa-la e a água que consomem ainda é pouca para aquela família que já existia”, diz.
    Lidimba informou que nos três distritos costeiros não foram registados casos de cólera nos últimos anos. No entanto, as condições sanitárias estão favoráveis para um surto.
    Medidas emergenciais
    Para travar a propagação da doença, o setor da saúde na província diz que já abriu Centros de Tratamento de Doenças Diarreicas e que está a desenvolver ações de sensibilização junto das comunidades sobre as medidas de prevenção.
    "Estamos a prover medicamentos e a equipa técnica já está no campo. Nós estamos a ter um resultado positivo porque os casos tendem a reduzir. Tínhamos entradas [de doentes] em média de oito pacientes por dia quando iniciou mas neste momento estamos a ter dois a três casos.”
    Em finais de 2019, a Direção Provincial da Saúde e os seus parceiros equiparam os distritos com kits compostos por material de uso nos centros de Tratamento de Doenças Diarreicas.
    De lembrar que logo após a passagem do ciclone Kenneth, no ano passado, três distritos de Cabo Delgado - nomeadamente a cidade de Pemba, Metuge e Mecufi - foram igualmente assolados pela cólera. As autoridades sanitárias tiveram de administrar o shancol - a vacina contra o vibrião colérico.
    Entretanto, a referida vacina não abrangeu a totalidade dos 17 distritos da província. Um outro ponto que dominou a conferência de imprensa desta quinta-feira foi o estágio de preparação da província face a eclosão do coronavírus no mundo.
    Em Cabo Delgado, ainda não há registo de nenhum caso da doença, mas cerca de 20 pessoas oriundas de países já confirmados com COVID-19 encontram-se em quarentena voluntária.
    Ações combinadas entre diversos setores, como aeroportos de Moçambique, Serviços de Migração, autoridades sanitárias estão a ser levadas a cabo com o objetivo de controlar todos os movimentos de entradas na província de cidadãos provenientes de países já afetados com o novo coronavírus.
    4 min
  • Coronavírus: Moradores alarmados com centro de quarentena em Angola
    Na aldeia de Calumbo, arredores de Luanda, habitantes estão assustados com a instalação de um posto de controlo do novo coronavírus, que tem recebido pessoas que estiveram na China. Pacientes reclamam das instalações.Pelo menos 102 pessoas - 37 angolanos, 50 chineses, 12 americanos, dois canadianos e um cidadão da Costa do Marfim - estão sob vigilância das autoridades sanitárias de Angola no centro de quarentena instalado na localidade de Cassaca 2, comuna de Calumbo, no município de Viana, arredores da província de Luanda.
    Na localidade, os moradores enfrentam todo o tipo de dificuldades e sobrevivem da agricultura e da pesca. A comunidade carece de uma unidade hospitalar e também enfrenta dificuldades de acesso à água potável.
    A instalação do posto surpreendeu os munícipes, que quase nada sabem sobre as causas do coronavírus. Têm apenas a noção de que a doença é mortífera. "Estamos chateados porque chegaram aqui sem dar a conhecer à população. Realizamos uma manifestação, na qual fomos agredidos pela polícia. No domingo (16.02), reunimo-nos com os responsáveis do Governo e dissemos-lhes que podiam conversar connosco antes de trazerem os pacientes", conta o residente Leonardo Vunda.
    O munícipe diz que as autoridades angolanas nunca atenderam o pedido da construção de um posto médico. "Quando lhes pedimos posto médico para a população, nunca responderam. Mas devido à manifestação, devido ao coronavírus, num dia, conseguiram iluminar o centro de julgado de menor e conseguiram até fazer a canalização", desabafa Leonardo Vunda.
    Falta de informação e pânico
    A falta de informação sobre a implantação do posto de quarentena, que funciona como centro de internamento, afugentou professores e alunos da escola, que está na mesma rua onde mais de 90 pessoas que estiveram na China estão sob observação médica.
    Um encarregado de educação contou à DW África que a única palestra realizada na escola do bairro, depois do protesto da população, causou pânico. As crianças terão sido orientadas a não abraçar os seus próprios parentes.
    "Veio aqui uma equipa que disse que as crianças não devem estender a mão aos pais, nem aos tios. Isto é provocar o afastamento que já existe na nossa sociedade. Causaram mesmo pânico. Orientaram as crianças a não fazer a partilha do lanche", lamentou.
    Internados queixam-se de condições precárias
    Há denúncias anónimas de maus-tratos no interior do centro. Os internados queixam-se da falta de higiene do espaço. "As equipas de trabalho não estão bem formadas nem informadas sobre a epidemia do coronavírus. Estão a juntar num quarto, quatro pessoas ou mesmo oito num só quarto", denunciou uma das estudantes bolseiras que regressou da China.
    "Estamos a vir de cidades diferentes. Usamos meios de transportes diferentes para nos dirigirmos ao aeroporto. Um indivíduo que chega hoje, por exemplo, vai ser juntado com alguém que talvez chegue na quarta-feira da próxima semana. Isso é pôr-nos em perigo", criticou ainda a estudante.
    Ao reagir às denúncias, o inspetor-geral da Saúde, Miguel de Oliveira, disse que os dois centros têm condições aceitáveis de alojamento e que todas as pessoas em quarentena estão a ser tratadas com humanismo. "É normal que os cidadãos manifestem as suas reclamações e exijam além do que têm, mas estamos a identificar as falhas nestes locais para a devida correção", referiu o governante, numa conferência de imprensa noutro centro de quarentena instalado na comuna da Barra do Kwanza, a sul de Luanda.
    Nenhuma das pessoas em isolamento está infetada com o vírus, disse o inspetor-geral da Saúde, que garante que a situação está controlada e que o país não registou novos casos suspeitos. Miguel de Oliveira tranquiliza a população: "Não podemos criar pânico na comunidade. Não há possibilidade de nenhum contacto entre a população ao redor e as pessoas que se encontram neste centro. Este centro é completamente isolado e as medidas de segurança são rígidas."
    4 min
  • Após massacre, autoridades alemãs pedem mobilização contra o racismo
    Autoridades alemãs alertam contra ações violentas da extrema direita no país. Suposto agressor deixa pistas de que crime foi motivado por xenofobia. Moradores de Hanau fizeram uma vigília no centro da cidade.A Alemanha está de luto na sequência de dois ataques terroristas em Hanau, no centro do país. O procurador-geral da Alemanha assumiu a investigação e trata o caso como um ato terrorista.
    O suposto agressor é um alemão de 43 anos que foi encontrado sem vida junto ao corpo de sua mãe em seu apartamento horas depois dos massacres.
    Ele deixou uma carta e um vídeo cujo conteúdo leva as autoridades a trabalharem sob a hipótese de um crime relacionado à xenofobia. Cinco das vítimas mortais eram curdas de nacionalidade turca.
    Num pronunciamento na quinta-feira (20.02), a chanceler federal alemã, Angela Merkel, disse que "o racismo e o ódio são um veneno. E esse veneno existente em nossa sociedade é culpado por muitos crimes."
    O ministro dos Negócios Estrangeiros, Heiko Maas, descreveu a quarta-feira como um dia obscuro para a Alemanha. Em Berlim, centenas de pessoas reuniram-se em frente ao Portão de Brandenburgo.
    Representantes dos principais partidos político - com exceção da Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema-direita - apareceram juntos numa demonstração de unidade política contra a xenofobia.
    "Sangue por todo lado"
    A pequena cidade de pouco mais de 90 mil habitantes está perplexa. Em visita a Hanau, o ministro-presidente do estado de Hessen, Volker Bouffier, afirmou que é preciso fazer tudo o que for possível para combater o racismo e o ódio no país.
    Na noite de quarta-feira, o atirador abriu fogo contra os frequentadores de um bar, matando quatro pessoas. Logo depois, seguiu para outro estabelecimento, onde vitimou mais cinco clientes.
    Os dois bares serviam narguilé, um cachimbo de água de origem oriental. O filho do dono de um dos bares, Luka Fresnna, descreveu o cenário de desespero. "Foi como um massacre, um tumulto, sangue por todo lado e pessoas no chão."
    O tio de um amigo de Ben Mansour foi morto no massacre. "Por um lado, você se sente um pouco impotente e, por outro, não quero chamar de medo, mas dá medo de entrar num bar ou sair."
    "Isso muda tudo, não apenas para esta cidade, mas também para o nosso país. Estamos abalados, atordoados com o que aconteceu. Sei que agora estão com medo. Eu entendo isso."
    Moradores de Hanau fizeram uma vigília no centro da cidade. Num discurso à população, o Presidente Frank-Walter Steinmeier apelou para que a Alemanha combata o ódio.
    "Nós temos que assumir a nossa responsabilidade: Observar a nossa linguagem na política, média e em toda a sociedade. Nós temos que nos opor à privação da dignidade de indivíduos ou minorias no nosso país. Nós vamos permanecer juntos, queremos viver juntos, porque este é o melhor remédio contra o ódio.", disse o Presidente da Alemanha.
    4 min
  • Consternação em Nampula com conduta da polícia
    Cidadãos na província moçambicana de Nampula queixam-se com crescente frequência de agentes da polícia alcoolizados quando exercem as suas funções e que ameaçam a população.O cidadão Alfredo José disse à DW África que o comportamento dos agentes é cada vez mais preocupante. Há casos, afirma, em que agentes em estado de embriaguez ameaçam cidadãos indefesos. "Estamos preocupados com agentes da polícia que frequentam bares uniformizados e acabam por usar da autoridade que têm para intimidar a população", disse este cidadão.
    Nampula, segundo os cidadãos, é uma das províncias onde esta situação se está tornar cada vez mais frequente.
    Outra queixa da população prende-se com a alegada colaboração entre os agentes da ordem e quadrilhas criminosas. As autoridades reconhecem a existência do problema e prometem tomar medidas contra agentes com "condutas desviantes".
    Polícias cúmplices de criminosos
    As denúncias acontecem numa altura em que diversos bairros da cidade de Nampula, por exemplo, registam um elevado número de casos de crime. Os cidadãos acusam alguns agentes de se aliarem a redes criminosas e pedem para que as autoridades policiais coloquem ordem na corporação, para garantir a tranquilidade públicana província mais populosa de Moçambique.
    Segundo Alfredo José, "a polícia age em colaboração com os criminosos, porque não se justifica [muitas vezes] as pessoas serem assaltadas debaixo do nariz da polícia”.
    Chefias prometem tomar providências
    José João da Costa é outro cidadão que falou com a DW África. Diz que estes problemas surgem de más práticas de recrutamento. "Por isso nós, as comunidades, sugerimos que se regresse ao processo antigo, em que aqueles que concorriam para a polícia passavam por u processo de auscultação pela comunidade onde vivem", disse.
    O comandante provincial da Polícia da República de Moçambique em Nampula, Moisés Guéve, reconhece a existência de alguns dos problemas e assegura que vão ser tomadas medidas contra o que chamou a "conduta desviante” de certos agentes.
    3 min
  • Angola: "O Presidente João Lourenço devia ter vergonha", diz Raúl Danda
    Em entrevista à DW, o deputado da UNITA Raúl Danda chama "corrupto" ao novo presidente da CNE de Angola, Manuel Silva Pereira. Danda anuncia resistência à nomeação e não descarta a hipótese de mais manifestações.A União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) vai "continuar a refutar" a designação de Manuel Silva Pereira "Manico" como presidente da Comissão Nacional Eleitoral (CNE) de Angola, disse à DW Raúl Danda, deputado do maior partido da oposição. Na quarta-feira (20.02), em sinal de protesto, a oposição abandonou em bloco a Assembleia Nacional por considerar que o novo titular não cumpre os padrões de probidade para assumir o cargo.
    O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido no poder, aprovou, sozinho, a tomada de posse do novo presidente da CNE. Em entrevista à DW África, Raúl Danda diz-se desiludido com o Presidente João Lourenço, a quem acusa de "estar a promover um corrupto". O deputado garante que a (UNITA) não vai baixar os braços. E se a nomeação de "Manico" não for anulada, Raúl Danda diz que um cenário bem provável é de novas manifestações em Angola.
    DW África: A UNITA ainda vai tentar reverter esta tomada de posse do presidente da CNE?
    Raúl Danda (RD): Bem, o que nós vamos fazer, obviamente, é continuar a refutar o sr. Pereira da Silva como presidente da Comissão Nacional Eleitoral. Não podemos aceitar isso. Não é um problema da UNITA. Não é um problema da oposição. É um problema de Angola e dos angolanos. Os angolanos não querem. Quem quer é o Presidente da República, tal como disse manifestamente. Porque quando o Presidente da República para uns casos diz tratar-se de um poder à parte, e respeita isto e aquilo, mas depois ordena praticamente à Assembleia Nacional que confira a posse a alguém que não tem idoneidade, nem moral, alguém que não cumpre os padrões da probidade, isso é gravíssimo. O combate que o Presidente João Lourenço propala contra a corrupção é falso, porque está a proteger alguém que é um corrupto.
    DW África: A UNITA apelou ao Presidente da República que anulasse este concurso e que ouvisse os partidos da oposição. Ficaram desiludidos com esta resposta de João Lourenço?
    RD: Muito desiludidos, porque percebemos que aquilo que o Presidente da República tem estado a dizer relativamente ao combate contra a corrupção é uma falácia, não é verdade. O sr. Manico, que tomou posse ontem perante os deputados do MPLA, e apenas desses, é alguém que tem uma auditoria, digamos assim, mandada instaurar pelo antigo presidente da Comissão Nacional Eleitoral, e que mostra claros desvios de fundos, despesas que ele realizou que não devia realizar, dinheiros que foi buscar. E estamos a falar em milhões de dólares.
    DW África: À luz deste novo paradigma da observância da probidade em Angola e do combate à corrupção, esta pessoa, para a UNITA, não reúne condições para o cargo?
    RD: Absolutamente. Não reúne condições nem para a UNITA, nem para ninguém. Aliás, este senhor, se tivesse tido uma nesgazinha de vergonha e de dignidade, nem teria sequer comparecido perante os deputados para que lhe fosse conferida a posse. Portanto, ou o homem é muito corrupto e por isso aceita aquilo, ou então é alguém que, francamente, não se dá valor nenhum. Eu não vejo como aquele homem chega a casa e olha para a família depois de tudo o que se passou ontem, aqui na Assembleia Nacional. Eu não sei como é que aquele homem consegue olhar-se ao espelho e gostar da imagem que nele vê refletido.
    DW África: A UNITA pediu um debate de interesse político e urgente sobre esta questão. Vão insistir neste pedido de debate?
    RD: Nós vamos insistir, mas sabemos que isto está a caír em ouvidos moucos. Muitos dos deputados do MPLA com quem estamos a falar também estão indignados com isso. Estão apenas no seguidismo político e partidário. É uma orientação da direção do partido e no topo do partido está o Presidente João Lourenço, infelizmente. Então eles seguem, mas muitos deles não estão de acordo com aquilo que se está a passar.
    DW África: Que medidas legais podem os partidos da oposição tomar agora?
    RD: Há um recurso que foi feito junto do Tribunal Supremo. Primeiro, o Tribunal Supremo mandou uma resposta à UNITA, mas não se sabe se veio do tribunal ou de uma praçazita ou de um mercado qualquer. Não sabemos de quem é, porque aquilo não está assinado, não tem nome de ninguém. Depois das reclamações, ouvidas também a nível da imprensa, o Tribunal Supremo enviou, não sabemos porque carga de água, uma carta ao presidente da Assembleia Nacional, a dizer que tinha respondido à UNITA. Não sei porque é que essa informação tem que vir para a Assembleia Nacional. Mas nós vamos insistir. A verdade é que a UNITA não pode aceitar. Os angolanos não podem, nem querem aceitar. Aliás, houve uma manifestação que se organizou ontem (10.09) frente à Assembleia Nacional, que foi reprimida, mais uma vez, num país que se diz democrático, onde o Presidente João Lourenço diz que existe a liberdade de se manifestar. O que é uma grande mentira: as pessoas foram reprimidas, foram espancadas, sairam daqui a sangrar, com gás lacrimogéneo, com cães à perna, etc., etc.
    DW África: Depois dessa repressão que houve ontem, o grupo juvenil da UNITA vai tentar manifestar-se novamente contra a tomada de posse?
    RD: Tendo em contra a frustração e o desagrado das pessoas, se não se fizer marcha atrás rapidamente com essa pretensão de manter um corrupto que querem mandar para poder violar e subverter a ordem constitucional por via de eleições fraudulentas, mais uma vez, eu acho que é o povo angolano que vai começar a vir para a rua para se manifestar. Não podemos continuar a aceitar, e o Presidente João Lourenço devia ter vergonha de se considerar Presidente numa eleição com fraude. Já devia bastar este mandato que ele está a cumprir, porque foi para lá com base numa fraude eleitoral flagrante, com base numa corrupção eleitoral de que ele próprio foi protagonista, à luz da lei que nós temos. Já devia bastar isso. Mas insistir em querer permanecer mais cinco anos no poder com base na fraude, isso é o cúmulo da pouca-vergonha.
    6 min

About África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle

From the publisher's feed

Os temas africanos em destaque da DW – Voz da Alemanha. Entrevistas, reportagens e matérias sobre o que se passa no continente africano: de Moçambique, Angola, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau a Cabo…