África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle

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África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle episodes

  • Angola: Cidadã russa Isabel dos Santos imune à extradição?
    Partindo do princípio que a Rússia não extradita cidadãos seus, Isabel dos Santos pode escapar a um possível julgamento em Angola ou na Europa. Portanto, em caso de desespero, viver na Rússia poderá ser a sua salvação.Isabel dos Santos disse numa recente entrevista ao Financial Times que já se está preparar para responder judicialmente à decisão do arresto dos seus bens e do seu marido Sindika Dokolo em Angola, estimados em cerca de dois mil milhões de euros, segundo a própria.
    Entretanto, a filha do ex-Presidente José Eduardo dos Santos mudou de residência, vive agora no Dubai, e assumiu a sua nacionalidade russa. Acredita-se que Isabel dos Santos viveu nos últimos meses entre Lisboa e Londres, assumindo a nacionalidade angolana.
    Auto-defesa
    Para José Milhazes, especialista em relações Rússia-PALOP, tudo não passa de uma medida preventiva por parte da empresária.
    "É uma forma de se tentar defender face aos processos que lhe foram apresentados em Angola. Ela neste momento está numa situação muito delicada, tem de enfrentar sob o ponto de vista jurídico a justiça angolana, mas do ponto de vista político o Presidente João Lourenço", diz Milhazes.
    Mas politicamente a aposta da empresária ainda é uma charada: "É claro que este assumir da nacionalidade pode ser apresentado por Isabel dos Santos como um desafio, dizer que tem a proteção do país onde nasceu, da Rússia, país que diz ter forte influência em Angola. Dependendo do desfecho iremos ver se essa nacionalidade servirá para mais alguma coisa ou não."
    Fuga à justiça angolana e portuguesa?
    Mas a jogada de Isabel dos Santos não visa apenas escapar aos tentáculos da justiça angolana: estar longe da justiça europeia seria também a sua pretensão.
    Afinal boa parte do seu império no exterior está implantado em Portugal, onde inclusive a Polícia Judiciária já estará a agir contra ela. Segundo o despacho-sentença de arresto, as autoridades portuguesas terão impedido a transferência de 10 milhões de euros para a Rússia, país para onde estará a transferir parte dos seus negócios.
    Paulo Inglês é sociólogo e cogita: "Vamos supor que em Portugal ou noutros países haja alguma ação judicial contra, nesse caso ela pode invocar a sua nacionalidade russa. E não havendo acordos judiciais com esses países ela se sentiria protegida, pode ser."
    Residir num paraíso fiscal numa altura em que o cerco se aperta cada vez mais para a "ex-princesa" angolana mostra-se mais uma jogada de mestre, certamente bem assessorada.
    E o sociólogo suspeita que "a mudança [para o Dubai] pode ser um espaço de maior manobra para poder movimentar os seus capitais sem se sentir coagida pelo sistema legal pelos países ocidentais. Eu acho que ela está a jogar por antecipação."
    Ai Rússia para que te quero...
    E em caso de desespero, a Rússia sempre será a cartada final de Isabel dos Santos. Segundo José Milhazes, "claro que ajuda ter a nacionalidade russa, ela pode ir para a Rússia e aí terá de ser aberto um processo de extradição e a Rússia parte quase sempre do príncipio que não entrega os seus cidadãos, que eles podem ser julgados na Rússia pelos crimes que cometeram, mas não são extraditados, dai que se isso é uma defesa importante para Isabel dos Santos. E isso é de lei."
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  • Arresto a Isabel dos Santos afetará trabalhadores em Angola?
    Arresto das participações de Isabel dos Santos em empresas angolanas não terá consequências negativas para os trabalhadores, acreditam sindicalistas, já que o Estado tem interesse em manter estas empresas a funcionar.Isabel dos Santos disse no início do ano ao Jornal de Negócios que as suas empresas "foram condenadas à morte" depois da Justiça angolana ordenar o arresto preventivo dos seus bens. Mas vários defensores dos direitos dos trabalhadores discordam da empresária.
    A Associação Industrial de Angola disse esta quarta-feira (08.01) à agência Lusa que o interesse do Estado é que as empresas em que Isabel dos Santos detém participações funcionem e continuem a produzir riqueza. E segundo a Central Geral dos Sindicatos Independentes e Livres de Angola (CG-CILA), os direitos dos trabalhadores destas empresas estão "garantidos".
    "Acreditamos que a atitude do tribunal sobre a providência cautelar não terá consequências diretas na relação jurídica com os trabalhadores com as respetivas empresas. Mesmo na área económica e financeira acreditamos que não venha a ter, porque as empresas têm outros acionistas. O acionista neste momento que é provisório, que é o Estado, não terá grande papel para alterar o quadro funcional das empresas", disse o secretário-geral da CG-CILA, Francisco Jacinto.
    O salário dos trabalhadores estará, por isso, assegurado, entre outros direitos. "Não há ainda reclamação sobre o pagamento de salário, mesmo que for o maior acionista provisório, neste momento o Estado, o Estado não vai deixar de pagar os salários. No caso, por exemplo, da ZAP, onde a senhora Isabel dos Santos detém 99,5% das ações, o Estado não vai deixar de pagar o salário. Foram congeladas as contas particulares, mas as contas das empresas não foram", esclarece Francisco Jacinto.
    A DW África tentou ouvir trabalhadores das referidas empresas, sem sucesso.
    Arresto "esperado há muito"
    O Tribunal Provincial de Luanda anunciou a 30 de dezembro o arresto preventivo de contas bancárias de Isabel dos Santos e das suas participações sociais nas nove empresas, incluindo na UNITEL, empresa de telefonia móvel, e na ZAP, televisão por satélite. Em causa está uma dívida avaliada em mais de mil milhões de dólares.
    Para a empresária angolana, há uma "motivação política" por trás do processo. Mas João Malavindele, coordenador da organização não-governamental angolana Omunga, diz que não ficou surpreendido com o arresto de bens de Isabel dos Santos. "Há muito que era esperado essa ação judicial contra a empresária Isabel dos Santos. Devemos reconhecer que no passado faltou coragem da justiça angolana".
    Manuel Fernandes, um dos vice-presidentes da Convergência Ampla de Salvação de Angola - Coligação Eleitoral (CASA-CE), da oposição, vê o arresto dos bens de Isabel dos Santos com naturalidade. "É perfeitamente normal, na medida em que, o Estado preocupado com a possível fuga de capitais investidos pela engenheira e que poderia incorrer na impossibilidade de recuperação do empréstimo feito pela engenheira Isabel enquanto empresária para avultado investimento que ela tem, intentou essa ação para ver se o Estado consiga rever todo o património financeiro", declarou.
    O político da CASA-CE apela agora a que se garantam os direitos de Isabel dos Santos no decorrer do processo. "Nós temos que ter o hábito de permitir que a justiça faça o seu trabalho e acreditarmos que o processo vai ser conduzido com toda a transparência necessária […] para que haja a possibilidade de se fazer justiça e não injustiça. Porque sabemos que a engenheira Isabel dos Santos, enquanto cidadã, também merece a proteção das instituições da nossa Justiça", defende Manuel Fernandes.
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  • Trump anuncia novas sanções económicas contra o Irão sem retaliações militares
    Depois dos ataques às bases dos EUA no Iraque, o Presidente Donald Trump anunciou novas sanções económicas contra Teerão, mas descartou retaliações militares. E desmentiu que haja soldados norte-americanos feridos."Estamos a avaliar as opções em resposta à agressão iraniana. Os Estados Unidos vão imediatamente impor sanções económicas punitivas ao regime iraniano. Essas poderosas sanções vão permanecer até que o Irão mude o seu comportamento", disse esta quarta-feira (08.01), na Casa Branca, o Presidente norte-americano, Donald Trump, que descartou retaliações militares.
    Na declaração na Casa Branca, o Presidente dos EUA também desmentiu que a retaliação do Irão tenha vitimado mortalmente militares norte-americanos. Segundo Donald Trump, todos os "soldados estão a salvo, havendo apenas a registar pequenos danos nas bases militares". Declarações que contrariam o balanço inicial feito pelas autoridades iranianas e que davam conta do registo de 80 mortos.
    Qaunto ao acordo nuclear com o Irão, o líder norte-americano pediu aos parceiros do acordo nuclear de 2015 que deixassem o tratado, como fizeram os EUA em 2018. "Chegou a hora de Reino Unido, Alemanha, França, Rússia e China reconhecerem que tem de se afastar do acordo [nuclear] com o Irão. E devemos trabalhar juntos para um tratado com os iranianos que torne o mundo um lugar mais seguro e pacífico", declarou.
    NATO concorda com "maior envolvimento" no Médio Oriente
    Após contacto telefónico com Donald Trump, o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) OTAN, Jens Stoltenberg, concordou sobre a possibilidade de os aliados "contribuírem mais" no Médio Oriente, como pediu o Presidente norte-americano.
    Durante a conversa, ambos concordaram "que a NATO pode contribuir mais para a estabilidade regional e no combate ao terrorismo internacional", segundo um comunicado da Aliança. A NATO participa em missões de treino no Iraque e Afeganistão e como membro da coligação global que combate o grupo jihadista Estado Islâmico.
    Esta quinta-feira (09.01), a Câmara de Representantes dos Estados Unidos votará uma resolução para limitar as ações militares de Trump contra o Irão. Trata-se de uma reação da oposição democrata que questiona o facto de o Presidente não ter pedido autorização legislativa para ordenar o ataque que matou o general iraniano Qasem Soleimani e que foi o estopim para a recente crise.
    Na madrugada de quarta-feira (08.01), mísseis iranianos atingiram a base de Ain al-Assad, a oeste de Bagdade, e uma base no norte de Irbil, que também são usadas pelos militares dos EUA. Segundo informou a TV estatal iraniana, os ataques foram uma reação à morte do general Qasem Soleimani numa operação dos EUA na semana passada.
    Desde a morte do general iraniano, o conflito no Médio Oriente tem escalado, com ameaças mútuas de ambas as partes, além de questionamentos sobre o acordo nuclear com o Irão e sobre a eminência de uma nova guerra.
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  • Deputados da RENAMO ouvidos pela Procuradoria
    José Manteigas, Ivone Soares e António Muchanga foram ouvidos esta quarta-feira pela PGR. Um dos deputados disse que as audições estão relacionadas com alegacões de que estariam ligados à "Junta Militar" da RENAMO.A Procuradoria-Geral da República (PGR) ouviu esta quarta-feira (08.01) os deputados José Manteigas, porta-voz da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), Ivone Soares, chefe da bancada parlamentar do partido, e António Muchanga.
    Um quarto deputado, o antigo secretário-geral da RENAMO, Manuel Bissopo, não compareceu à audição evocando dificuldades para se deslocar a Maputo na hora indicada, mas comprometeu-se a colaborar com a Justiça e apresentou um requerimento à Procuradoria em Sofala.
    Segundo Muchanga, as audições estão relacionadas com alegações de que os deputados estariam ligados à autoproclamada "Junta Militar" da RENAMO, acusada de realizar ataques no centro do país: "Há um auto tendente a esclarecer a situação [de] senhores que apareceram na Zambézia a citarem alguns de nós como seus financiadores. A Procuradoria-Geral da República está a procurar obter esclarecimentos do que se disse."
    "Quem não deve não teme"
    Muchanga lamenta ter sido tratado como funcionário da Assembleia da República, quando é deputado e acusa a presidente do Parlamento, Verónica Macamo, de violar o estatuto do deputado ao autorizar a sua audição sem comunicar àquele órgão.
    "Vim à Procuradoria por respeito aos moçambicanos, à legalidade, porque também quem não deve não teme. Não tenho problemas de esclarecer o que sei", afirmou Muchanga.
    Os jornalistas questionaram Muchanga se isso significava que não tinha ligações com a "Junta Militar", liderada por Mariano Nhongo. O deputado respondeu que isso "não tem pés nem cabeça".
    "Eu sou assessor do presidente Ossufo Momade, nomeado depois do Congresso. Não tenho motivo para me juntar a quem declarou que vai matar Ossufo Momade. Eu fui candidato a governador da província de Maputo por aceitação de Ossufo Momade, não tenho motivo para estar contra Ossufo Momade", assegurou.
    Muchanga escusou-se, no entanto, a entrar em pormenores sobre os esclarecimentos que prestou na Procuradoria.
    O advogado de José Manteigas, Alberto Sabe, rejeitou também entrar em detalhes. Frisou apenas que "a RENAMO nunca se envolveu em ataques e muito menos [José Manteigas]. Ele apareceu sempre como porta-voz do partido".
    Detidos supostos membros da "Junta Militar"
    Na manhã desta quarta-feira, a polícia em Sofala apresentou alguns dos seis homens, acusados de pertencerem à "Junta Militar", neutralizados no último fim de semana.
    Entre os detidos está o antigo presidente da Liga da Juventude da RENAMO em Marromeu, António Bauaze, que admitiu ter recrutado jovens para o grupo: "Para que intenção exatamente não posso explicar, mas tudo está em torno da liderança do partido RENAMO", disse.
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  • Angola: Mais de 250 pessoas afetadas por chuvas fortes no Kwanza Norte
    Desde o início do ano que não para de chover no Kwanza Norte. Dezenas de casas ficaram inundadas ou desabaram devido à força das águas. O mau tempo está também a afetar várias plantações.Mais de 250 pessoas foram afetadas pelo mau tempo na província angolana do Kwanza Norte. Várias casas desabaram e as famílias ficaram ao relento. Os residentes pedem ajuda. É o caso de Neusa António, de 27 anos, uma habitante da capital do Kwanza Norte, Ndalatando, que ficou desalojada com os filhos. "Na minha casa entrou muita água, as coisas estragaram-se, há casas que caíram", explica à DW África, enquanto faz contas aos estragos que levaram também "uma arca e a máquina de lavar".
    Neusa solicita às autoridades locais a retirada urgente da população nas zonas de risco: "Que arranjem ou façam alguma coisa, se tem algum sítio onde podemos ficar para nós sairmos daqui".
    Ana Paula, outra residente de Ndalatando, também foi afetada pelas chuvas - pela segunda vez: "Na primeira vez, quando caiu a chuva na semana antepassada, partiu essas casas e a minha. Agora caiu de novo, partiu de novo essa da vizinha, caiu de novo a da outra vizinha também e até fugiram de casa".
    Até ao momento, as autoridades locais não disponibilizaram centros de acolhimento para receber os desalojados. Em declarações à imprensa, o governador do Kwanza Norte, Adriano Mendes de Carvalho, reconheceu, porém, que as enxurradas dos últimos dias são muito fortes e prometeu dar resposta, embora não tenha avançado detalhes.
    Dezenas de desabamentos
    André da Costa, responsável do Serviço de Proteção Civil e Bombeiros local, faz o balanço preliminar dos estragos provocados pelas chuvas, contabilizando o "desabamento de nove residências e inundação de outras 49, afetando um total de 58 famílias, e correspondente a 255 pessoas", nos municípios de Cazengo, Kambambe e Lucala.
    "No município de Cazengo, tivemos o desabamento de 13 residências e a inundação de 39 outras, afetando um total 186 pessoas, o município de Kambambe teve o desabamento de quatro residências e inundação de 13 outras, afetando um total de 63 pessoas, e o município de Lucala teve o desabamento de duas residências, afetando seis famílias", informa o responsável.
    No município de Kambambe, as águas devastaram vastas plantações de bananas e citrinos. Na comuna de Massangano, a passagem hidráulica sobre o rio Luinha cedeu, inviabilizando a circulação de pessoas e bens, e uma estação de captação e tratamento de água potável ficou inundada e está fora de serviço.
    Segundo André da Costa, do Serviço de Proteção Civil e Bombeiros, o município de Ngonguembo, a cerca de 90 quilómetros de Ndalatando, está isolado do resto da província. A estrada que dá acesso ao município é de terra batida e está intransitável.
    As autoridades lamentam "a intransitabilidade do município do Ngonguembo para o Golungo Alto ou a capital da província Ndalatando e vice-versa, por danificações de infraestruturas rodoviárias".
    "No caso, a estrada não se encontra em condições para a circulação de viaturas e motociclos. Nesta altura, encontra-se sem comunicação rodoviária com o resto da província", explica André da Costa.
    3 min
  • Irão vs. EUA: Cenário de "guerra mundial" é exagerado, diz especialista
    Analista diz à DW que não acredita que o Irão avance com programa nuclear - até porque, nesse caso, seria "praticamente inevitável que houvesse uma resposta dos Estados Unidos ou Israel".Os ataques do Irão contra bases norte-americanas no Iraque, na madrugada desta quarta-feira (08.01), aumentaram os receios de uma espiral de violência e de um agravamento da tensão no Médio Oriente.
    A televisão estatal iraniana afirmou que os mísseis disparados sobre as bases norte-americanas deixaram 80 mortos. No entanto, o Presidente Donald Trump desmentiu a informação, assegurando: "todos os nossos soldados estão seguros e as nossas bases militares sofreram apenas pequenos danos".
    Em entrevista à DW, José Pedro Teixeira Fernandes, investigador do Instituto Português de Relações Internacionais, afasta, para já, um cenário de guerra mundial, apesar dos riscos e do impacto que os últimos acontecimentos podem ter na estabilidade no Médio Oriente.
    DW África: Depois dos ataques desta terça-feira, muitos dos nossos ouvintes têm comentado que receiam uma retaliação dos EUA e "em dobro". É algo que se pode esperar nos próximos dias?
    José Pedro Teixeira Fernandes (JPTF): Para já, penso que, da parte dos Estados Unidos, e se efetivamente os ataques que terão ocorrido à base norte-americana no norte do Iraque não tiverem causado danos significativos, poderá não haver nenhuma reação significativa ou resposta militar. Julgo que o Irão está, neste momento, com uma situação de necessidade de ter que dar uma resposta para "consumo interno", no sentido em que o general iraniano Soleimani era, obviamente, uma figura muito importante do ponto de vista militar e também com prestígio grande dentro do Irão. Por outro lado, o próprio Irão fez todo um discurso de reação, vingança e retaliação. E, nestes últimos dias, as cerimónias fúnebres e toda a emoção e sentimento nacionalista alimentou ainda mais esse processo.
    DW África: Acha que o Irão poderá, em breve, avançar para uma resposta nuclear ou isso seria ir demasiado além, neste momento?
    JPTF: Eu penso que isso, no imediato, está afastado. Não estou a dizer que o problema nuclear está afastado de maneira nenhuma. Mas precisamos de perceber que, mesmo no cenário mais rápido de o Irão avançar com o seu programa nuclear no sentido de enriquecer urânio e poder, efetivamente, usá-lo para fins militares, tudo indica que seria necessário à volta de um ano [para o fazer]. Eu julgo que o Irão vai fazer aqui um jogo mais subtil - aliás, como foi a sua própria declaração de saída do acordo nuclear, na realidade, não fechando concretamente a porta ao acordo, [mas] dando mais um passo de saída. Porque isto para o Irão levanta também um dilema muito grande. Se, efetivamente, começar a haver essa perceção de que o Irão está avançar decisivamente e rapidamente para o enriquecimento de urânio, ou seja, a aproximar-se do programa nuclear, seria praticamente inevitável que, da parte dos Estados Unidos ou de Israel, houvesse uma resposta. E, neste momento, da parte do Irão, isso seria também extraordinariamente mau, porque nós não podemos deixar de ter em conta que, se o Irão tem uma presença expressiva no exterior, na Síria, no Iraque, no Iémen, no Líbano, isso tem custos muitos grandes para o país em termos militares e de financiamento, e a sua população está também numa situação difícil.
    DW África: Portanto, acha exagerado dizer-se que a morte do general iraniano, seguido deste ataque, são sinais claros de que se pode estar à beira de um conflito armado? Há quem diga até que se está perante uma possível Guerra Mundial…
    JPTF: Um conflito armado não é um conflito nuclear. Se falamos num conflito armado no sentido de poderem existir ações militares mais ou menos localizadas, de retaliação de um lado e de outro, isso infelizmente é plausível e possível. Quanto às consequências para o resto do Médio Oriente e no limite para a tal questão da III Guerra Mundial, sinceramente julgo que serão muito exageradas. Obviamente que há aqui riscos e que não podemos subestimar o impacto que isto tem na estabilidade do Médio Oriente e na estabilidade internacional.
    DW África: Este ataque dos Estados Unidos pode ser visto como uma espécie de manobra de diversão em ano de eleições, numa altura em que Donald Trump se prepara para enfrentar um processo de destituição?
    JPTF: Este ataque terá dois tipos de explicações: uma na lógica da política interna dos Estados Unidos, e aí parte do argumento importante é esse que referia. Certamento no cálculo político de Donald Trump pesou a questão do impeachment, e pesou também provavelmente o entedimento que "isto vai tornar mais díficil a tarefa da oposição democrata, numa altura em que o país está envolvido numa tensão internacional e ainda é preciso mobilizar o interesse nacional". Mas também me parece excessivo explicar tudo por aí, porque há também aqui uma outra faceta externa que terá pesado. Os Estados Unidos têm aqui um problema também de credibilidade junto do Médio Oriente e dos seus aliados, porque [nos últimos meses] vários dos seus aliados (como a Arábia Saudita e os países do Golfo) foram afetados. E os Estados Unidos enfrentam também uma competição de influência na região, por exemplo, da Rússia. E, infelizmente, a linguagem da força conta muito no Médio Oriente. Por isso, eu interpreto isto também muito como uma tentativa da parte dos Estados Unidos e de Donald Trump de marcarem o terreno, em como continuam a ser a potência liderante e a potência que tem supremacia nesta questões.
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  • Kwanza Norte: Famílias desapropriadas esperam casas há mais de quatro anos
    Na cidade do Dondo, província angolana do Kwanza Norte, governo retirou terras a várias famílias para a construção de torres de alta tensão. Mais de quatro anos depois, ainda não receberam casas novas nem indemnizações.As vítimas da desapropriação de terrenos dizem-se agastadas com a situação e solicitam ao governo a reposição da legalidade. Manucho Gouveia é um dos angolanos que, em 2016, viu os seus bens serem demolidos pela empresa Elecnor. Vivia no bairro Terra Nova, Zona 7, na cidade do Dondo.
    "Eu até tenho contacto com o PCA da Eleconor, disse que havia de dar solução, mas não deu. Só a administração municipal de Kambambe é que tem o contacto da empresa", conta.
    "Os polícias destruíram os nossos haveres e até agora não há nenhuma solução", lamenta também Alfredo Carruagem, que diz ter sido escorraçado do sítio onde vivia. "Queremos de volta a mesma parcela, já que somos cidadãos", pede.
    Outro munícipe de Kambambe, Manuel Scudi, solicita ao governo uma parcela de terra para que possa construir a sua residência.
    Empresa não está a honrar o acordado
    Contactado pela DW África, Francisco Miguel Diogo, conhecido como "Kock X", e que era na altura o administrador municipal de Kambambe, explica a sua versão dos factos. "A empresa ELECNOR chegou a contactar-nos, [disse] que precisava daqueles espaços e nós dissemos que já existia um projeto de autoconstrução dirigida lá. Contudo, por se tratar de um projeto do Estado - e os projetos do Estado sobrepõem-se a qualquer outro projeto particular -, é necessário negociar com os donos das parcelas" para que sejam indemnizados, afirma.
    O que acabou por não acontecer, assume o antigo gestor máximo de Kambambe, que reconhece que a empresa não está a honrar o acordado. "Foram surgindo queixas de populares de que a Elecnor não estava a cumprir com o acordado. Nós chegamos a elucidar a Elecnor, mandamos até documentos para provar que foi a administração que autorizou a construção destes requerentes lá e todas aquelas parcelas estão legais", explica.
    Francisco Miguel Diogo diz que é preciso proceder a uma "indemnização justa" e que "a Elecnor deve cumprir a sua parte."
    Em declarações recentes à comunicação social, o atual administrador Adão Malungo, prometeu solucionar o problema junto da empresa Elecnor, mas até à data não houve qualquer evolução.
    A DW África tentou contactar, por várias vezes, dois dos responsáveis da empresa Eleconor, mas sem sucesso. Segundo informações obtidas pela DW, estes responsáveis encontram-se já no exterior, uma vez que chegou ao fim o contrato com a Rede Nacional de Transporte (RNT), a empresa responsável pela construção das torres da linha de alta tensão, no troço que liga Dondo a Luanda.
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  • Irão ataca bases norte-americanas no Iraque
    A tensão continua a aumentar no Médio Oriente. O Irão lançou dezenas de mísseis na madrugada desta quarta-feira contra duas bases com tropas norte-americanas no Iraque. Donald Trump garante que "está tudo bem".O anúncio do ataque contra a base de Al-Assad pela televisão estatal do Irão foi descrito como uma "operação de vingança" pela morte do general iraniano Qassem Soleimani. Esta madrugada, o Pentágono confirmou os ataques às bases de Al-Assad e Irbil.
    Segundo o porta-voz Jonathan Hoffman, o Pentágono avaliará a situação para tomar as medidas necessárias, proteger e defender os EUA e os seus aliados na região.
    Numa primeira reação ao ataque, o Presidente dos Estados Unidos disse estar "tudo bem" e prometeu falar ainda hoje sobre a situação. "Está tudo bem! Mísseis lançados do Irão contra duas bases militares localizadas no Iraque. A avaliação das vítimas e danos materiais está em curso. Até agora, está tudo bem", escreveu Donald Trump na rede social Twitter.
    Na terça-feira (07.01), o chefe de Estado norte-americano declarou que a retirada das tropas norte-americanas do Iraque seria o "pior" que poderia acontecer a este país: "Se sairmos, o Irão terá uma posição muito melhor e o povo do Iraque não quer ver o Irão a comandar o país".
    No desenvolvimento dos ataques desta madrugada, o Irão ameaçou atacar "no interior dos EUA", "Israel" e "aliados dos EUA". A ameaça foi feita no canal dos Guardas da Revolução, citado pelo canal no CNN, em comentário a uma eventual retaliação norte-americana aos ataques contra as duas bases.
    Líderes europeus apelam ao diálogo
    Os líderes europeus, por sua vez, têm apelado a que "todos os atores envolvidos" mostrem algum "sentido de responsabilidade". Garantem que a saída para esta tensão no Médio Oriente está no diálogo.
    "Vimos os argumentos dos EUA, mas faltam as informações para entendermos as justificativas que foram dadas", disse o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Rainer Breul.
    Devido às crescentes tensões na região, as forças armadas alemãs anunciaram esta terça-feira (07.01) a retirada de parte dos soldados atualmente estacionados no Iraque em missões de formação, e a transferência para a Jordânia e para o Koweit.
    A primeira reunião da Comissão Europeia deste ano realiza-se hoje em Bruxelas e será "especialmente" dedicada à crise entre Irão e Estados Unidos. A presidente da Comissão Europeia, a alemã Ursula von der Leyen, convocou a reunião dizendo que "o Alto Representante e vice-presidente [Josep] Borrell e outros comissários farão uma reflexão sobre as consequências, para as diferentes partes interessadas, dos desenvolvimentos no Iraque e na região".
    Segundo Ursula von der Leyen, "a Europa tem uma responsabilidade especial" nesta situação. Por isso, reforçou no mesmo comunicado, "à medida que as tensões aumentam, a Europa está em conversações com todos os envolvidos".
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  • Cabo Delgado: Autoridades enviam ajuda para zonas isoladas
    Autoridades na província moçambicana de Cabo Delgado mandaram barco com alimentos, medicamentos e combustível para abastecer nove distritos isolados. Foi também enviada uma ponte metálica para o rio Messalo.Diversos produtos alimentares, medicamentos e combustível foram enviados de barco esta terça-feira (07.01) a partir do porto de Pemba para o distrito de Mocímboa da Praia, norte de Cabo Delgado. A ajuda servirá para abastecer nove distritos que se encontram isolados do resto da província devido ao desabamento da ponte sobre o rio Montepuez, em finais de dezembro.
    As intensas chuvas que caem na província destruíram várias vias de acesso, condicionando a movimentação de produtos de primeira necessidade, fármacos e combustíveis, o que resultou, em alguns casos, no aumento do preço dos produtos.
    "Com estas embarcações, nós vamos dar resposta de forma imediata à escassez de alimentos, à eventual escassez de medicamentos, à escassez de combustíveis. Vamos também, com estes meios, contribuir de forma incisiva para o controlo dos preços, para combatermos a especulação [e] os oportunistas", afirmou o governador provincial de Cabo Delgado, Júlio Parruque, no porto de Pemba, por ocasião do embarque dos produtos.
    Ponte metálica
    A ponte metálica de 30 metros de comprimento que também seguiu esta terça-feira em direção a Mocímboa da Praia destina-se ao rio Messalo, para permitir a ligação rodoviária do norte ao centro de Cabo Delgado através dos distritos de Maconha e Muidumbe.
    "Queremos que os comerciantes e a economia da província não sintam um impacto muito grande depois do colapso da ponte sobre o rio Montepuez e o corte que sofremos sobre o rio Messalo", acrescentou o governador Júlio Parruque.
    O Governo garante que há empreiteiros no local para fazer a ligação alternativa entre os distritos norte e centro de Cabo Delgado o mais rapidamente possível.
    Há ainda outras vias alternativas que estão a beneficiar de reabilitação, segundo o chefe do executivo provincial de Cabo Delgado. "A principal via alternativa é de Montepuez, Meluco e Nguia, que está a ser intervencionada. Queremos que o calendário das obras seja cumprido de modo a que, no prazo combinado, consigamos devolver a ordem, a normalidade, a conetividade entre os distritos", disse Parruque.
    Trabalhos de emergência
    O diretor provincial das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos de Cabo Delgado, Venâncio Taímo, garante que serão realizados "trabalhos de emergência" para repor a "transitabilidade" das estradas.
    "Não vamos construir pontes de betão porque o período não permite. Estamos na época chuvosa. O que vamos fazer é a colocação de pedregulhos onde assim exigir, a colocação de tubos, manilhas em betão e condicionarmos a plataforma para que as viaturas possam fluir. Vamos mantendo até que atinjamos o período seco e possa ser feito um trabalho definitivo", afirma Taímo.
    Pemba: 7 mil famílias afetadas
    Na cidade de Pemba, sete mil famílias foram afetadas pelo mau tempo. Muitos pescadores ficaram com os barcos destruídos e a edilidade necessita de fundos para prestar assistência.
    Segundo o edil Florete Simba Motarua, 241 pescadores foram afetados e 61 embarcações ficaram danificadas.
    "Esses barcos eram meios de subsistência deles e são eles que forneciam produtos [de pesca] para a cidade de Pemba. Estamos a trabalhar com a Direção Provincial do [Mar, Águas Interiores e] Pescas para ver onde é que vamos buscar os fundos para apoiar esses pescadores, porque precisam de ser apoiados. Por si só, não conseguem avançar."
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  • Moçambique: Junta Militar ameaça atacar centro do país no regresso às aulas
    André Matsangaíssa Júnior, membro da autoproclamada "Junta Militar" da RENAMO, promete novos ataques caso membros da sua família, que foram raptados, não sejam libertados. FRELIMO diz-se preocupada com violência.André Matsangaíssa Júnior diz que o último contacto que teve com os seus familiares, que terão sido raptados há quase um mês, foi a 27 de dezembro. A partir daí, não teve mais informações.
    Em entrevista à DW África, o guerrilheiro da autoproclamada "Junta Militar" conta que os supostos raptores lhe disseram que pertenciam às Forças de Defesa e Segurança, exigindo-lhe dois milhões de dólares em resgate e que se entregasse às autoridades. Mas Matsangaíssa diz não ter dinheiro para pagar e recusa ceder. "Não me vou apresentar nem em nenhum dia", afirma.
    A polícia rejeita comentar o caso, alegando que ainda não recebeu qualquer queixa sobre o alegado rapto.
    Regresso às aulas
    Por telefone, a partir de local desconhecido, Matsangaíssa volta a ameaçar com ataques da "Junta Militar" no regresso às aulas, em fevereiro, se os seus familiares não forem libertados.
    "Na província de Manica e Sofala não quero ver, este ano, [as turmas] da primeira à sétima classe. Não quero ver sequer a cara de nenhum professor nestas escolas", diz.
    Recentemente, o líder da autoproclamada "Junta Militar" da RENAMO, Mariano Nhongo, também prometeu novos ataques se, na próxima semana, os deputados do partido da oposição ocuparem os seus assentos no Parlamento e Filipe Nyusi tomar posse como Presidente da República.
    Pelo menos 21 pessoas morreram desde agosto de 2019 em ataques de grupos armados no centro de Moçambique, atribuídos a guerrilheiros da RENAMO.
    FRELIMO preocupada
    Na segunda-feira (06.01), Jaime Neto, primeiro secretário do comité provincial da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) em Sofala, disse estar preocupado com a situação. "Queremos condenar os atos belicistas da 'Junta Militar' da RENAMO e apelamos à RENAMO que encontre a melhor forma para pôr fim a estes ataques, de modo a preservar a paz", afirmou.
    Para Jaime Neto, não faz sentido que, em todos os pleitos eleitorais, a Resistência Nacional Moçambicana reclame dos resultados eleitorais e, na sequência disso, ataque alvos civis nas estradas e nas aldeias. Desta forma, diz, a população não consegue explorar a terra para garantir a sua sobrevivência.
    "Por via disso a nossa população nunca foi capaz de utilizar todas potencialidades que a província possui para gerar riqueza e melhorar a sua vida por causa do medo imposto pelos homens armados da RENAMO", explica Neto, que não tem dúvidas de que os ataques estão a retrair o desenvolvimento económico na região.
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