África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle

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África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle episodes

  • Angola: Hospital para "principais dirigentes do Estado" gera polémica
    À DW, Nelito Ekwikwi, da UNITA, diz que este tipo de hospital "cria um muro entre o cidadão comum e a elite governativa". Já Lindo Bernardo Tito, deputado independente da CASA-CE, vê vantagens no projeto hospitalar.O presidente angolano, João Lourenço, assinou, recentemente, um decreto que autoriza a construção de um hospital onde ele e os "principais dirigentes do Estado" passarão a receber tratamento médico. Um assunto que, à semelhança do "Bairro dos Ministérios", está a gerar polémica e a suscitar as mais vivas reações na imprensa local e nas redes sociais, como é exemplo a publicação feita pelo analista angolano Augusto Báfuabáfua na sua página do Facebook: "2019 Bairro dos Ministérios... 2020 Hospital dos Ministros".
    Investimento de 128 milhões
    O hospital chamar-se-á Pedro Maria Tonha "Pedalé", um antigo combatente da guerrilha de libertação nacional, e vai custar aos cofres do Estado 128,1 milhões de dólares.
    Segundo o decreto presidencial datado de 24 de Dezembro, a referida unidade hospitalar vai prestar assistência médica ao "Presidente da República e aos principais dirigentes do Estado".
    Nelito Ekwikwi, jurista e deputado pelo Grupo Parlamentar da União Nacional para Independência Total de Angola (UNITA), diz que a iniciativa presidencial "viola o princípio da igualdade previsto na Constituição angolana". Ou seja, separa o povo dos dirigentes do Estado. "Mais do que isso, acaba criando um muro entre o cidadão comum e a elite que governa o país. Portanto, é mau para Angola, é mau para os dirigentes que governo esse país", afirma.
    O deputado mais jovem do parlamento angolano vai mais longe e defende que o Presidente João Lourenço e outros dirigentes deviam receber assistência médica em hospitais públicos já existentes ao invés de se construir mais uma unidade hospitalar em tempo de crise."Refiro-me concretamente ao Maria Pia, ao Américo Boa-vida, entre outros hospitais de referência do país. O senhor Presidente (pode) ir ao Maria Pia como vai o cidadão que mora no Katinton (um dos bairros humildes de Luanda). Isto é que é igualdade. Isto é que é governar para as pessoas".
    Evacuação de doentes
    Por outro lado, Lindo Bernardo Tito, também jurista e deputado independente da Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE), diz entender que existem vantagens neste projeto. Por exemplo: "É um hospital que será multidisciplinar, irá permitir também que os cidadãos que tiverem problemas de saúde e que necessitem de evacuação para o exterior do país sejam aqui assistidos. É um hospital que vem resolver um problema que o país tem, o de evacuação permanente de doentes, cidadãos angolanos para o exterior", diz.
    Para além disso, acrecsenta, o novo hospital "também vem auxiliar do ponto de vista de investigação médica porque o nosso sistema de saúde está com muita fragilidade relativamente à investigação médica. Por isso, será um hospital investigativo, um hospital de natureza cientifica".
    3 min
  • Sindika Dokolo: "Congelamento de bens é uma negação da Justiça em Angola"
    O congolês Sindika Dokolo nega as acusações levantadas contra ele e a mulher, Isabel dos Santos, pela Justiça angolana. Para Dokolo, trata-se de destruir o legado político do ex-Presidente José Eduardo dos Santos.Em entrevista à DW, Sindika Dokolo considera que ele e a sua mulher, filha do ex-Presidente angolano, são alvo de ataques políticos, porque o Governo procura bodes expiatórios aos quais deita as culpas pela corrupção. E sugere que os verdadeiros agentes da corrupção se encontram no poder e não no setor económico privado.
    DW África: A acusação da Procuradoria-Geral da República foi inesperada?
    Sindika Dokolo (SD): Sim, a decisão apanhou-nos de surpresa, porque nem os meus advogados, nem ninguém das empresas em questão foi consultado. É uma verdadeira negação da justiça. É certo que se trata de medidas cautelares, mas atendendo à situação catastrófica em que atualmente se encontra a economia angolana, com uma hiperinflação, o colapso do poder de compra dos angolanos e, por isso, um impacto muito forte nas empresas, é fundamental que a minha mulher e eu estejamos em condições de, por um lado, tomar as decisões difíceis necessárias à gestão num ambiente muito complexo e difícil, e, simultaneamente, que tenhamos acesso às contas bancárias para proceder à recapitalização quando for necessário. O que está verdadeiramente em causa é o bem-estar e a sobrevivência de muitos milhares dos nossos colaboradores e empregados. Refiro-me aos empregados diretos, mas há muito mais gente que vai sofrer. Uma unidade como a UNITEL tem 35.000 pontos de venda. Em cada um deles trabalham três ou quatro empregados, o que já faz muitas dezenas de milhares de pessoas. Nessa perspetiva, é por isso muito preocupante.
    DW África: Que impacto poderá ter o processo em Angola?
    SD: Penso que se trata de uma má notícia para um Estado de Direito. É certamente uma má notícia para a cultura económica de Angola, que esperávamos tornar-se mais próxima das realidades do setor privado. E é desanimador, porque efetivamente penso que há um problema de corrupção em Angola até hoje, mas não é no setor privado. Esta é a tentativa de encontrar um bode expiatório sobre o qual deitar todas as culpas de todos os crimes de corrupção em Angola. Penso ser necessário haver credibilidade. Hoje sabe-se muito bem que o problema está mais no processo político e no financiamento da vida política e dos políticos, do que no setor privado.
    DW África: Qual é o teor da acusação?
    SD: Trata-se de uma iniciativa do Procurador-Geral da República, que defende que o Estado devia ter auferido mais rendimentos nas parcerias público-privadas do que foi o caso. É evidente que rejeitamos completamente as acusações. Penso que o facto de optarem por um processo que não nos dá a menor hipótese de nos exprimirmos ou de apresentarmos a nossa documentação e as nossas provas mostra toda a dimensão da fraqueza dos argumentos dos nossos detratores. Se nos tivessem dado a oportunidade, poderíamos ter provado que as acusações são completamente ridículas. E se devêssemos dinheiro a empresas públicas, não seria complicado: haveria um contrato que o provaria. Se não mostram o contrato é porque ele não existe e porque se está a fabricar uma espécie de base mais ou menos legal ou legítima para alcançar o verdadeiro objetivo, que é a destruição do maior grupo privado na economia angolana, porque não corresponde às ligações políticas atuais.
    DW África: Desde que o Presidente João Lourenço assumiu o poder em setembro de 2017, a família dos Santos debate-se com muitos problemas judiciários. Acha que se trata de um ajuste de contas?
    SD: Prenso que é preciso muita má fé ou muita falta de informação para não ver estes ataques agressivos no contexto de um clima político. A motivação é política. Veja, chegámos ao ponto de o Presidente Lourenço exigir que se apague a cara do seu predecessor das notas bancárias. Há uma vontade manifesta de reescrever a História, atacando diretamente o legado político de dos Santos. Tenta-se reduzir o personagem ao problema de corrupção que há no país, e que, peço perdão, mas é realmente um problema do MPLA [Movimento Popular de Libertação de Angola, partido no poder] e nomeadamente de todas as pessoas que se encontram hoje no poder e todas as pessoas que o Presidente Lourenço decidiu manter no poder, quando é mais que claro que são justamente elas a base de muitos dos problemas de corrupção, nomeadamente na Sonangol. É evidente que este clima geral tem um papel central nos problemas da família dos Santos. Começaram por atacar o filho, que será condenado a muitos anos de prisão apesar de ter cooperado perfeitamente com a Justiça, que podia ter fugido e não o fez, porque acreditou na Justiça do seu país, o que provavelmente vai pagar caro. Atacaram uma das filhas de dos Santos, que era deputada, conseguindo que perdesse o seu mandato de uma forma muito discutível do ponto de vista legal. E agora atacam diretamente a filha, que é a maior empregadora e contribuinte do país. Em termos de corrupção se calhar já se viu resultados piores do que esses. Estou a ser um pouco sarcástico, mas estou convencido de que por detrás de tudo há um ataque concertado contra o Presidente dos Santos, que está a ser acusado diretamente pela primeira vez e sem provas. Até agora ninguém teve acesso aos testemunhos e às provas apresentadas em tribunal, porque o processo decorreu no maior segredo. Mas o tribunal, ao qual competia apenas decidir arrestos cautelares, foi ao ponto de dizer que estava provado que o Sr. dos Santos tinha tomado decisões que tinham deliberadamente lesado o Estado em benefício dos seus filhos. Não obter o direito de resposta às provas apresentadas mostra que Angola não se está a aproximar do princípio de um Estado de Direito. Talvez não tenha sido um país perfeito no passado, mas não me parece que estejamos a andar na boa direção.
    DW África: Será que o Presidente José Eduardo dos Santos esperava que o seu sucessor designado, João Lourenço, pudesse atacar desta maneira a sua família?
    SD: Seria necessário colocar-lhe essa a pergunta, mas decerto que está um pouco triste e desiludido. Trata-se de uma pessoa corajosa, um homem que sobreviveu a muitas adversidades na vida, sobreviveu à Guerra Fria, sobreviveu primeiro à guerra contra os portugueses, a seguir à guerra contra os sul-africanos, à guerra civil contra a UNITA [União Nacional para a Independência Total de Angola]. Penso que, para ele, o que é sobretudo desolador é a situação no país. É claro que não estamos a falar de períodos e legados históricos idênticos, mas entre 2002 e 2017, ou seja, do final da guerra até ao momento em que decidiu deixar o poder para criar um exemplo de alternância democrática no seu país, o Presidente dos Santos multiplicou a economia nacional por um fator de 13. O Produto Interno Bruto angolano, que era de 10 mil milhões de dólares, passou para mais de 130 mil milhões de dólares. É um crescimento enorme. O investimento público, nomeadamente hospitais, cuidados médicos, escolas, universidades, estradas, são uma realidade. É verdade que, fazendo um balanço, há muito sombra neste quadro.
    DW África: Que avaliação faz da política do Presidente João Lourenço?
    SD: Se formos ver o balanço dos últimos dois anos, há uma revolução extraordinária. Tudo mudou. Mas a economia está num estado catastrófico, o poder de compra caiu, há manifestações quase dia sim, dia não. Tudo aponta para que em 2020 se consagre o naufrágio da economia de Angola, o que vai ter muitas consequências do ponto de vista social. Penso que é sobretudo isto que transtorna o Presidente dos Santos. Não há eleições presidenciais em Angola. João Lourenço foi eleito Presidente porque era o cabeça de lista do MPLA nas eleições legislativas. Portanto, havia um programa governamental definido pelo MPLA, que se podia resumir numa frase: melhorar o que está bem, mudar o que está mal. Mas, em menos de dois anos, o Presidente Lourenço decidiu privatizar a Sonangol, que é a segunda maior sociedade africana depois da Sonatrach, e que está numa situação de grande fragilidade. Ou seja, este é o pior momento para a vender, tanto mais que a Sonangol é para os angolanos o símbolo da soberania do país, um dos maiores produtores de petróleo do mundo. Penso, por isso, que tudo isto tenha apanhado de surpresa [José Eduardo dos Santos] e que, na verdade, o sinta como uma traição.
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  • João Mosca: Cabo Delgado já vive "maldição dos recursos naturais"
    Ataques de insurgentes aterrorizam a província de Cabo Delgado há mais de dois anos. O economista moçambicano João Mosca identifica um interesse não declarado na instabilidade da região; rica em recursos minerais.A província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, está a ser assolada por ataques de insurgentes desde outubro de 2017. Em entrevista à DW África, o economista João Mosca lembra que a região não é somente rica em recursos naturais, mas também propícia para o trânsito de traficantes de drogas e contrabandistas de pedras preciosas.
    O professor catedrático e diretor do Observatório do Meio Rural considera que o conflito é uma indicação clara da chamada "maldição dos recursos naturais".
    João Mosca salienta que dinâmicas sociais, económicas e políticas de territórios ricos em recursos minerais podem levar à instabilidade, mas há inúmeras experiências bem sucedidas que conjugam a exploração desses recursos com desenvolvimento e paz.
    João Mosca (JM): Aquela zona é de tráfico de drogas, de madeiras, de pedras preciosas e outros minerais importantes. Pode haver ramificações internas não só de empresários financiadores, mas também de elites políticas e militares associadas ao assunto e interessadas no próprio conflito para a abertura de um corredor que facilite esse tráfico. Existe pouco controlo efetivo, capacidade de fiscalização do Estado sobre a realidade e explorações de gás. Portanto, há um conjunto grandíssimo de questões que fazem que muitos moçambicanos vejam este fenómeno com grande preocupação, sobretudo pensando que o retorno para o país, para aquelas populações que vivem perto dos recursos naturais, é muito pouco ou quase negativo.
    DW África: Este cenário não será o início da "maldição dos recursos naturais"?
    JM: Já é a maldição dos recursos naturais. Faz parte do processo da maldição dos recursos naturais. A maldição continuará se o conflito continuar, se os recursos para o Estado moçambicano, para o bem-estar da população local e nacional não existirem. Depois o gás acaba e nós ficamos sem recursos, sem dinheiro nem gás. Portanto, há aqui um conjunto de aspetos que indicam que caminhamos, na verdade, para o aprofundamento da maldição dos recursos e não o contrário.
    DW África: Como solucionar esse problema nas zonas onde há recursos e há também conflitos?
    JM: É preciso eliminar ou reduzir drasticamente as condições que sustentam o conflito internamente, que são basicamente as seguintes: grande pobreza, poucos serviços ao cidadão - educação, saúde e água -, grandes desigualdades sociais em termos de rendimentos económicos, problemas étnicos que não se resolvem facilmente. É preciso ter acesso equitativo aos recursos. A questão do poder local, isto é, a disposição dos postos de responsabilidade do Estado e das empresas localmente.
    [É preciso] criar oportunidades de novos empregos, de pequenas iniciativas privadas, de empreendedorismo e de formação para as pessoas. É preciso estar junto das populações, fazer com que a população compreenda a raiz da situação e que haja na zona um clima de apaziguamento. Há conflitos de terra muito sérios, interétnicos. A solução puramente militar pode terminar com tiros, mas não faz a reconciliação, não elimina os elementos de conflito que estão presentes no território.
    DW África: Nestas circunstâncias, é preferível não explorar os recursos, mas viver em paz, ou explorar e viver nesta situação?
    JM: Há muitos países que têm recursos e têm paz, têm o desenvolvimento do qual a maior parte da população beneficia. Há países asiáticos assim, países árabes… Alguns conseguiram converter o petróleo em benefício, para um forte desenvolvimento económico social e urbano, de modernidade. Grande parte dos países árabes [são assim], embora tenham os seus problemas internos também. Esses países, porém, conseguiram transformar os recursos naturais em progresso.
    DW África: Mas onde está o problema de Moçambique?
    JM: O problema está um pouco na transparência, no tipo de governação e na corrupção. Essas são questões centrais. E depois na capacidade de o Estado ter regulação, saber fazer leis, ter capacidade de fiscalização, monitorização, grande transparência dos fenómenos, grande transparência nos contratos.
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  • União Africana quer reduzir comércio de armas em 2020
    "Silenciar as armas: criar condições favoráveis ​​ao desenvolvimento em África" é o lema escolhido pela União Africana para o novo ano. Países também esperam fortalecer economias através da nova área de livre comércio.O comércio de armas de pequeno porte em África é estimado em mil milhões de dólares - quase 20% do comércio global de armas. Este mercado desvia recursos governamentais já escassos, propicia conflitos e desencoraja investimentos e o crescimento económico. Por isso, a União Africana (UA) escolheu 2020 como o ano para silenciar as armas em África.
    Além de acabar com conflitos, a UA também pretende melhorar os meios de subsistência do seu próprio povo, criando oportunidades de emprego, especialmente entre os jovens.
    Importante é envolver os jovens neste processo, antes que os grupos de radicais o façam, explica Aya Chebbi, enviada especial da União Africana para a Juventude.
    "Muitos jovens interiorizaram a ideia de que são marginalizados e agora veem esses grupos violentos como legítimos combatentes, não como autores de violência. Temos de valorizar a nossa juventude e a sua contribuição para a sociedade. Caso contrário, irão procurar reconhecimento noutro lugar", alerta a enviada especial para a Juventude.
    Acordo de Livre Comércio Continental
    Impulsionar os negócios no âmbito do Acordo de Livre Comércio Continental Africano - que até 2028 prevê a constituição de um mercado comum e de uma união económica e monetária em África - também é algo que muitos países esperam neste novo ano.
    O analista político Joe Dagunro diz que os países vão beneficiar do comércio continental, mas os desafios permanecem. "Por exemplo, os EUA importam matéria-prima que será usada para benefício próprio. Por isso, é preciso começar o desenvolvimento local. No início, apenas os grandes negócios irão beneficiar. As pequenas empresas precisam esperar mais para obter benefícios", explica.
    Ratificada em abril deste ano, a área de livre comércio de África deverá ser uma das maiores do mundo, com milhares de milhões de dólares em volume de negócios e consumo.
    A UA acredita que o acordo irá levar a um aumento de 60% do comércio dentro do continente até 2022.
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  • Congelamento de bens de Isabel dos Santos é 'manobra de diversão'?
    O congelamento de bens da filha do ex-Presidente angolano, Isabel dos Santos, causou sensação. Mas há quem questione as intenções da Justiça angolana e do Presidente João Lourenço.O congelamento dos bens de Isabel dos Santos em Angola é visto como uma manobra de distração pelo jurista, Pedro Kaparakata, que entende que tudo não passa de uma luta pelo poder entre o atual e o ex-Presidente do país. Kaparakata salienta que o que se está a retirar à filha de José Eduardo dos Santos não passa de "amendoins", comparado ao que ela possui. Isabel dos Santos continuará a ser a mulher mais rica de Angola com o dinheiro dos angolanos, disse Kaparakata em entrevista à DW África.
    As contas bancárias e bens da filha do ex-Presidente José Eduardo do Santos, do seu marido Sindika Dokolo e de Mário Leite da Silva, presidente do Banco de Fomento de Angola, foram arrestadas por determinação do Tribunal Provincial de Luanda em 30 de dezembro passado. Os indivíduos visados são acusados de dever ao Estado angolano centenas de milhões de euros, no contexto de parcerias público-privadas controversas, autorizadas por dos Santos.
    Motivações políticas
    Para o jurista Pedro Kaparakata mais do que a intenção de fazer justiça, a ação tem outra motivação. "É uma medida política", diz acrescentando que "se alguém subtrair fraudulentamente um milhão de Kwanzas de outra pessoa e as autoridades policiais ou judiciais recuperarem cem mil Kwanzas da soma furtada, o autor do furto não perdeu. Então, o que se quer com essa medida é apenas demonstrar que se está a trabalhar, quando, de facto, o que se pretende é proporcionar que Isabel [dos Santos] usufrua de tudo quanto beneficiou. Visa apenas divertir as pessoas, não tem outro objetivo se não natureza de diversão carnavalesca, manobra de distração", acusa o jurista.
    Reagindo à decisão do tribunal, Isabel dos Santos entende também que há motivações políticas, embora aponte justificações diferentes. Certo é que a empresária só conseguiu usufruir do dinheiro público em benefício próprio através das suas empresas, graças à autorização do seu pai enquanto Presidente da República. Hoje, o Governo do Presidente João Lourenço esforça-se para trazer de volta aos cofres públicos o dinheiro que de lá terá saído ilicitamente, iniciativa que coloca os protagonistas em posições antagónicas.
    O papel da Justiça
    Mas para o analista Kaparakata, no contexto dessa "guerra" as instituições de Justiça continuam a ser "marionetes" de quem manda: "A Procuradoria Geral da República e os tribunais, todos esses órgãos, estão ao serviço de uma única causa: a manutenção do poder até aqui existente."
    A sentença do tribunal indica que "a Unidade de Informação Financeira junto da Polícia Judiciária Portuguesa intercetou e impediu que se finalizasse uma operação de transferência de dez milhões de euros a partir de uma conta titulada por Leopoldino Fragosos do Nascimento, domiciliada no Banco Millennium-BCP em Portugal, para um banco em Moscovo." A empresária já desmentiu.
    O dilema russo
    Isabel dos Santos também é cidadã russa e mantém interesses empresariais na Rússia. Por isso ela conta, sim, com a proteção de Moscovo, opina o historiador especialista nas relações Rússia- PALOP, José Milhazes: "É natural que até já tenha utilizado a Rússia como um dos portos seguros para guardar o seu dinheiro. Devemos recordar que na Cimeira Rússia-África Isabel dos Santos foi uma das convidadas. O que significa que a sua capacidade em termos económicos e financeiros já é bem conhecida na Rússia".
    E nos próximos tempos poderá conhecer-se o peso de Isabel dos Santos e João Lourenço na balança russa, antevê Milhazes: "O grande problema aqui é se as autoridades angolanas descobrirem dinheiros ilegais da Sra. Isabel dos Santos que foram transferidos para a Rússia. Aí vamos assistir a uma fase muito curiosa, ver até que ponto é que as autoridades russas estão dispostas a colaborar com as autoridades [angolanas] e o Presidente João Lourenço na guerra contra a família dos Santos", disse Milhazes à DW, acrescentando: "Essa é que será uma questão muito interessante a acompanhar".
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  • África: Quatro líderes e os seus desafios para 2020
    Quatro líderes africanos foram, recentemente, celebrados como inovadores. Mas as esperanças de mudança neles depositadas não se concretizaram. Farão eles justiça à sua reputação em 2020?Os quatro líderes africanos João Lourenço (Angola), o primeiro-ministro Abiy Ahmed (Etiópia), Cyril Ramaphosa (África do Sul) e Emmerson Mnangagwa (Zimbabué) têm algo em comum: quando chegaram ao poder, foram muito celebrados como possíveis reformadores de sistemas caducos. Mas as esperança não se concretizaram e os líderes estão agora sob enorme pressão para passar à acção. O ano de 2020 será para eles a prova dos nove.
    O Presidente de Angola, João Lourenço, fez algumas mudanças positivas na política nacional desde a sua eleição, em 2017. Mas as expectativas neste país da África austral são muito altas: "O próximo ano tem que ser o primeiro em que o Produto Interno Bruto (PIB) aumente. Isso é muito importante porque acabou o período de graça do Presidente", diz Alex Vines, investigador no instituto britânico de pesquisa Chatham House. O elevado desemprego jovem aumenta a pressão sobre Lourenço para proceder a reformas, acrescenta Vines.
    Angola: economia estável à vista?
    O Presidente angolano estabeleceu como seu principal objetivo estabilizar a economia de Angola. Mas este país rico em petróleo está em recessão há quatro anos, diz Vines. Uma transformação bem-sucedida depende de uma economia forte e de novos empregos. O Presidente tentou atrair novos investidores para o país. Mas "o fator decisivo será conseguir quebrar a eterna dependência de Angola da indústria do petróleo. 97% da receita atual vem da venda de petróleo", disse Vines em entrevista à DW.
    Segundo o analista, os angolanos veem como positivas as medidas que Lourenço tomou contra a corrupção quando foi eleito. O ex-governante de Angola, José Eduardo dos Santos, que administrava o país como uma "empresa familiar", escolhera Lourenço como seu sucessor por não o considerar assertivo. Julgava que não representava uma ameaça para os interesses da família Dos Santos. Mas enganou-se: o novo Presidente surpreendeu com iniciativas para combater a corrupção e o nepotismo. Decidiu "limpar a casa" em Angola nos primeiros dois meses de seu mandato, e não teve medo de permitir a detenção de membros da família Dos Santos. Um antigo ministro dos Transportes também foi preso por corrupção.
    Mas quão disposto estará o governante de Angola a reformar o país? "Ele está a falar sério, mas não tem planos de introduzir a democracia", diz Vines. Na opinião do analista, trata-se mais de manter o poder do partido. O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), que governa desde a independência em 1975, venceu a eleição com 61% de votos, segundo o resultado oficial. Vines comenta: "Lourenço quer garantir um resultado melhor." Para os angolanos, no próximo ano ficará claro se o Presidente se concentrará na recuperação económica, ou se se vai preocupar mais com a política interna do partido.
    Política arriscada na Etiópia
    Na Etiópia, também não há certezas se os cidadãos beneficiarão de reformas em 2020 - o Prémio Nobel da Paz e primeiro-ministro, Abiy Ahmed, não promete muitas mudanças. O primeiro-ministro de 43 anos, que recebeu um dos prémios mais prestigiosos do mundo, está no cargo há apenas um ano e meio. O Nobel foi-lhe discernido pela coragem em resolver o conflito de longa data com a vizinha Eritreia. No seu próprio país, no entanto, a situação é tudo menos pacífica: nos últimos meses houve conflitos que resultaram em pelo menos 67 mortes e um referendo para autonomia regional que poder alimentar novas tensões. "O sistema político num Estado multiétnico pede que Abiy conceda mais autonomia. Foi muito arriscado", diz Vines, "mas se ele [Abiy Ahmed] não tentar, não conseguirá nada."
    Há cada vez mais grupos étnicos no país de 109 milhões de pessoas a lutar pela autonomia. O primeiro-ministro poderá manter a integridade do país a longo prazo? A situação é complicada, diz Vines. Uma tentativa de golpe na região norte de Amhara, há alguns meses, mostra que a Etiópia pode tombar politicamente a qualquer momento: "Seremos capazes de avaliar melhor no próximo ano se Abiy conseguirá reformar a economia no futuro próximo e manter o país estável". Do que depende não apenas a sobrevivência política de Abiy nas eleições parlamentares de maio de 2020, mas também a paz em toda a região.
    Sul-africanos insatisfeitos
    Também para os sul-africanos, a esperança e o medo fazem parte do cotidiano. A recuperação económica prometida ainda está muito longe de ocorrer. "Estamos sempre a falar em iniciar a quarta revolução industrial", disse Aditi Lalbahadur, membro do Instituto Sul Africano de Assuntos Internacionais (SAIIA), à DW. "Mas há muita sombra a pairar sobre nós". O analista refere-se ao legado do Governo corrupto do ex-Presidente Jacob Zuma, que Cyril Ramaphosa substituiu após a sua renúnca no início de 2018. Mas Ramaphosa não tem apoio suficiente do partido governamental, o Congresso Nacional Africano (ANC), para proceder a reformas radicais.
    Muitos pensavam que finda a era Zuma, Ramaphosa libertaria o país da corrupção e daria novo impusdo à economia. Mas o otimismo evaporou rapidamente: "O gabinete de Ramaphosa consiste, basicamente, das mesmas pessoas acusadas de corrupção. Como confiar nelas?", questiona Lalbahadur. A analista acredita que Ramaphosa tem seriamente o objetivo de relançar a economia estagnada da África do Sul. Os sul-africanos ressentem-se com a situação, tornando imperativo que Ramaphosa dê sinais positivos mais concretos.
    Zimbabué sem esperanças
    No vizinho Zimbabué, o desalento parece total. Ninguém parece contar com uma melhoria do cenário em 2020. "O Zimbabué encontra-se numa profunda crise política, económica e social", diz Lalbahadur. Não há investimentos estrangeiros e a desconfiança do Governo do Presidente Emmerson Mnangagwa é enorme. "Enquanto os manifestantes saem à rua em protestos, ele fala de reformas e abertura do comércio". Hoje, a hiperinflação é de 440%. "As pessoas percebem que livrar-se do autocrata anterior, Robert Mugabe, não foi suficiente". No Zimbabué, alguns dizem que apenas se trocou de "condutor" do país em 2017, mas "o autocarro ainda é o mesmo". O final de 2019 foi decepcionante politicamente para o país, diz o analista Vines. No que respeita a esperança de mundanças num futuro próximo, o Zimbabué parece não ter grandes perspetivas.
    3 min
  • Guiné-Bissau: PRS pede a Simões Pereira que reconheça decisão do povo
    Na Guiné-Bissau o Partido da Renovação Social (PRS) convidou Domingos Simões Pereira a reconhecer a decisão do povo, após candidato derrotado manifestar a intenção de impugnar resultados eleitorais.Na Guiné-Bissau, um dia depois da divulgação dos resultados provisórios das eleições presidenciais guineenses que deram vitória a Umaro Sissoco Embaló (MADEM-G15), com 53,55% dos votos, as reações continuaram a aparecer. Contrariando a intenção do candidato derrotado, Domingos Simões Pereira (PAIGC), em impugnar os resultados, o Partido da Renovação Social (PRS) convidou-o a reconhecer a decisão do povo nesta terça-feira (02.01).
    Apesar da contestação de Domingos Simões Pereira aos resultados das presidenciais divulgados nesta quarta-feira (01.01) pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), a situação continua calma e a vida voltou à normalidade na capital, numa época posterior aos festejos de ano novo.
    Porém, Domingos Simões Pereira não desiste da intenção de impugnar os resultados. Segundo várias fontes do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), há uma equipa de juristas a trabalhar para a interposição do recurso junto ao Supremo Tribunal de Justiça, o que deverá acontecer a qualquer momento.
    Aceitar resultados
    O partido PRS, uma das formações políticas que apoiaram, na segunda volta, a candidatura de Umaro Sissoco Embaló, na voz de um dos seus dirigentes, Mário Fambé, pediu em conferência de imprensa a Domingos Simões Pereira que aceite os resultados eleitorais, pois diz que não há motivos para a contestação.
    "Ouvimos o nosso irmão e amigo, Presidente do PAIGC, a dizer que houve fraude. Penso que Domingos não tem razão".
    Para o jurista e analista político Luís Peti, ouvido pela DW África, não se deve pôr em causa a normalidade de eventual recurso de Domingos Simões Pereira para contestar os resultados eleitorais.
    "É um processo normal. A lei diz que quem não estiver satisfeito com os resultados eleitorais, e se esse tiver argumentos e provas, pode recorrer ao tribunal - a instância competente para apreciar, decidir e dar o veredito final. Por isso, temos que compreender que é um processo normal, e obedece à legalidade".
    Mudanças políticas
    São esperadas mudanças na política guineense com a eleição de Umaro Sissoco Embaló, como, por exemplo, a eventual demissão do atual governo do PAIGC, com quem os partidos que suportaram a candidatura de Sissoco nunca se deram bem.
    Segundo o analista Luís Peti, todos devem envolver-se para garantir a estabilidade política e governativa no país, e todos devem pautar pela estabilidade política e governativa.
    O Chefe da Missão da Observação Eleitoral da União Africana para as Eleições Presidenciais na Guiné-Bissau, Joaquim Rafael Branco, disse, esta quinta-feira (02.01), após uma audiência com o Presidente Eleito, registar "a vontade imensa do Sr. Presidente de transformação da situação do país".
    A data de posse de Umaro Sissoco Embaló ainda não é conhecida, pois depende da proclamação dos resultados definitivos pela CNE e da decisão do Supremo Tribunal de Justiça sobre o recurso que será interposto pela candidatura de Domingos Simões Pereira.
    4 min
  • Organização Mundial do Comércio celebra 25 anos em plena crise
    A Organização Mundial do Comércio (OMC) assinalou 25 anos na quarta-feira (01.01). Um aniversário comemorado num estado de quase paralisia, devido a uma grave crise que se deve sobretudo aos Estados Unidos da América.Os princípios básicos da Organização Mundial do Comércio são claros. As vantagens que um país concede a um membro da organização também devem ser concedidas a todos os outros países membros. Com regras multilaterais para reduzir tarifas e barreiras comerciais, a OMC ajuda a evitar guerras comerciais. No caso de uma disputa, a instituição entra como mediadora.
    Mas a OMC atravessa uma grave crise, sobretudo desde que os EUA pressionam pela implementação de reformas - em meados de dezembro voltaram a bloquear a nomeação de juízes para o Órgão de Recurso. O Governo norte-americano garante que a posição que mantém visa forçar uma reforma do sistema de resolução de disputas na OMC, que na perspetiva dos EUA atua de forma contrária aos interesses do país.
    Sem a possibilidade de apelação, que aconteceu em 70% dos casos até agora, o sistema criado para solucionar disputas por via legal e inapelável perde a credibilidade. Exemplos recentes não faltam, como a atual disputa alfandegária entre os EUA e a China.
    Mas o especialista em comércio mundial Christian Häberli, da Universidade de Berna, na Suíça, prefere não falar em crise. "A máquina está a funcionar. Apenas uma parte, que é importante na solução de controvérsias, falta a camada final, o órgão de recurso, que já não funciona, mas todo o resto funciona",diz.
    OMC precisa de reformas
    A Organização Mundial do Comércio, como um todo, precisa de reformas, especialmente numa altura em que cada vez mais países dependem de acordos bilaterais de livre comércio em vez de soluções multilaterais. A digitalização, o clima e a proteção ambiental são questões importantes que também devem ser abordadas.
    "Não é exagerado dizer que a OMC está diante de desafios não superados. Nos dois últimos anos, os governos impuseram restrições ao comércio que cobrem um montante substancial do comércio internacional", afirmou o diretor-geral da entidade, o brasileiro Roberto Azevêdo. Para marcar o aniversário, o responsável emitiu um comunicado alertando para as incertezas que isso gera nos mercados e que também estão fazendo com que "as empresas adiem investimentos, o que pesa no crescimento e no potencial" das economias.
    Apesar dos problemas atuais, o especialista Christian Häberli acha que há bons motivos para celebrar o aniversário da organização. "A OMC evita guerras comerciais há 25 anos. E essa é a sua maior conquista, porque é o local onde as soluções são encontradas, com base nos compromissos assumidos pelos membros", sublinha.
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  • Umaro Sissoco Embaló promete conciliação na Guiné-Bissau
    No primeiro discurso de vitória, Presidente eleito da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, disse ser um "homem de concórdia nacional" e apelou ao fim das divergências. "Sou um Presidente de todos os guineenses", prometeu."Vamos trabalhar para promover a união entre os nossos irmãos guineenses que estão hoje de costas voltadas por nossa causa", disse esta quarta-feira (01.01) Umaro Sissoco Embaló perante os seus apoiantes e candidatos derrotados na primeira volta, que apoiaram a sua candidatura na segunda volta das presidenciais.
    No seu primeiro discurso como Presidente eleito, na capital guineense, Embaló falou na unidade nacional e pediu desculpas a todos os que se sentiram ofendidos durante a campanha para as presidenciais. "Durante a campanha eleitoral, quer nós, os candidatos, quer os nossos colaboradores e apoiantes, no calor da caça aos votos, é bem possível que tenham utilizado voluntariamente linguagem menos apropriada, pelo que quero pedir as minhas sinceras desculpas a todos aqueles que se tenham sentido ofendidos por mim e aproveito para da minha parte perdoar todos aqueles também que se dirigiram com palavras insultuosas contra a minha pessoa", afirmou.
    Numa longa comunicação, o novo Presidente da Guiné-Bissau prometeu combater o tráfico de droga: "Todas as instituições da República devem congregar esforços para debelar os fenómenos do tráfico da droga, da corrupção que ocorrem na sociedade. As reformas institucionais que se acharem oportunas devem avançar para o reforço do nosso sistema democrático."
    Umaro Sissoco Embaló também quer estreitar a cooperação com as organizações internacionais, nomeadamente A Comunidade Económica de Estados de África Ocidental (CEDEAO), a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), a União Africana (UA), as Nações Unidas, a União Europeia (UE) e O Grupo África, Caraíbas e Pacífico (ACP), porque a Guiné-Bissau "ainda precisa desse apoio associado aos nossos esforços de relançamento do desenvolvimento do país."
    Simões Pereira pondera impugnar resultados
    Segundo os resultados provisórios apresentados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), Umaro Sissoco Embaló, apoiado pelo Movimento para a Alternância Democrática (MADEM-G15) venceu o escrutínio da segunda volta com 53,55% dos votos, enquanto Domingos Simões Pereira, apoiado pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), conseguiu 46,45%.
    O candidato derrotado pondera recorrer à Justiça para impugnar os resultados anunciados pela CNE. Domingos Simões Pereira lamentou que perante as "evidências que foram produzidas e que questionam a verdade democrática" e dos resultados que foram divulgados, a plenária da Comissão Nacional de Eleições não os tenha tido em conta.
    Simões Pereira citou também supostas irregularidades na segunda volta das presidenciais. "Alguns apoiantes do candidato adversário decidiram fazer campanha eleitoral no dia da votação à frente das assembleias de voto, beneficiando de um aparato militar de proteção. É um atentado à liberdade de escolha que deve poder ser exercido no momento da votação", criticou.
    Em relação ao próprio ato eleitoral, Simões Pereira disse que "há ciclos eleitorais em que o somatório dos votantes ultrapassa o número dos inscritos". E sublinhou que "é demasiado flagrante para isso escapar à atenção da entidade que está a apurar esses dados."
    Até ao momento, a CNE não comentou as supostas irregularidades apresentadas pelo candidato do PAIGC.
    O desafio de unir os guineenses
    Comentando as declarações do candidato derrotado, o sociólogo guineense Miguel de Barros lembra que qualquer ação terá de ter uma base legal e partidária. "Todo o tipo de contestação eleitoral deverá ter não só uma base política, mas legal e ao mesmo tempo salvaguardar o mecanismo de apresentação de reclamações e de contestação", independentemente das consequências dessa iniciativa, afirma.
    Depois de uma campanha marcada por "bastante polarização", sublinha o sociólogo guineense, "o futuro Presidente da República terá o desafio de unir os guineenses" e, por isso, "é importante mobilizar os guineenses para uma reconciliação nacional e de estabilização do regime."
    Para Miguel de Barros, os resultados da segunda volta das eleições presidenciais na Guiné-Bissau devem-se à conjugação de vários fatores. "Mostra, em primeiro lugar que, independentemente das alianças que foram feitas, as eleições aconteceram também num contexto de enorme contestação social", elementos críticos que, lembra, "levaram também, de algum modo, ao desgaste do Governo que é suportado pelo partido que também apoiou o candidato Simões Pereira."
    Por outro lado, o sociólogo aponta "a questão da confluência de fatores que vem dessas alianças", sobretudo quando se olha para os resultados por região. Dá como exemplo Cacheu, onde o Presidente cessante José Mário Vaz ganhou a primeira volta "e a tendência do voto confirmou essas alianças", e a própria vitória na região de Quinara e Tombali, sul do país, que não tinha acontecido na primeira volta - são redutos que contam com apoio de Nuno Gomes Nabiam.
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  • ++ Minuto a Minuto: Resultados das eleições na Guiné-Bissau - segunda volta das presidenciais ++
    CNE proclama Umaro Sissoco Embaló (MADEM-G15) o Presidente eleito da Guiné-Bissau, com 53,55% dos votos válidos, contra 46,45% do candidato concorrente Domingos Simões Pereira (PAIGC).Todas as atualizações na hora de Bissau
    Os principais acontecimentos das eleições na Guiné-Bissau:
    - Umaro Sissoco aponta para 15 de fevereiro a data para a sua tomada de posse como Presidente da Guine-Bissau.
    - Domingos Simões Pereira dará, este sábado (04.01), uma conferência de imprensa, para denunciar as "anomalias que põem em causa a verdade eleitoral".
    - CNE diz não ter recebido "nenhuma reclamação que possa ser objeto de contencioso eleitoral" e está a aguardar notificação do Supremo Tribunal de Justiça sobre pedido de impugnação entregue pelo PAIGC.
    - PAIGC ingressou, ao final da manhã desta sexta-feira, com pedido de impugnação dos resultados eleitorais no Supremo Tribunal de Justiça.
    - Primeiro-ministro Aristides Gomes vai esperar a divulgação dos resultados oficiais para se pronunciar sobre a sua permanência no cargo.
    Sexta-feira, dia 3 de janeiro
    21:00 Fica por aqui o acompanhamento ao minuto do anúncio dos resultados da segunda volta das eleições presidenciais na Guiné-Bissau. Muito obrigado por nos ter acompanhado nos últimos dias.
    20:22 No balanço deste dia, são muitos os comentários que continuam a ser partilhados no Facebook da DW África acerca da atualidade política na Guiné-Bissau. As opiniões dividem-se. Há quem aplauda a vitória e o discurso desta sexta-feira (03.01) de Umaro Sissoco Embaló, como é o caso do internauta Adulai Cande que dá os parabéns ao "general do povo pela sua firmeza e determinação. Só com união é que podemos sair da situação em que nos encontramos", diz.
    Mas há também quem esteja do lado do candidato do PAIGC, Domingos Simões Pereira, que pediu, esta manhã, a impugnação dos resultados eleitorais. É o caso de Eduardo Albino Có que é da opinião de que os resultados foram "falsificados" e explica porquê: " Como é que na primeira volta, o Domingos Simões Pereira obteve 40,13% dos votos e Umaro Sissoso Embaló obteve 27,65% e agora, na sgeunda volta, Sissoco consegue mais de 50%? É um assalto à democracia guineense", escreve.
    Por seu lado, a Comissão Nacional de Eleições disse, em conferência de imprensa, que se encontra a aguardar uma notificação do Supremo Tribunal de Justiça sobre o pedido interposto pelo PAIGC.
    19:20 Na sua página oficial de candidatura no Facebook, Domingos Simões Pereira publicou há minutos uma entrevista ao advogado do PAIGC, Carlos Pinto Pereira. Nesta entrevista, Carlos Pinto Pereira explica que o pedido de impugnação dos resultados eleitorais tem como objetivo principal "a reposição da verdade eleitoral". "Constatámos a existência de um conjunto de incongroências muito grande, o que nos levou a suscitar este problema".
    O advogado do PAIGC frisa ainda que "o que estamos a pedir não é a anulação das eleições". "Julgamos que as eleições decorreram, de facto, dentro de toda a normalidade, mas precisamos de saber se efetivamente os resultados são aqueles. Se as incongroências que detetámos afinal não conduzem a qualquer viciação dos resultados eleitorais, pois naturalmente que o candidto e o partido que o suporta estarão disponíveis para aceitar os resultados que essa verdade eleitoral vier a determinar", explicou Carlos Pinto Pereira, acrescentando que este "é um processo célere, que vai ficar resolvido num prazo muito curto".
    18:42 O ex-candidato presidencial Domingos Simões Pereira esteve reunido, esta sexta-feira (03.01), na sua residência em Bissau, com o seu coletivo de advogados. O encontro seguiu-se à entrega ao Supremo Tribunal de Justiça do pedido de impugnação dos resultados eleitorais.
    17:05 Umaro Sissoco Embaló afirmou, esta sexta-feira (03.01), que só vai pensar se mantém a confiança no atual Governo ou se dissolverá o Parlamento quando for investido no cargo. "O Governo é politicamente responsável perante o Presidente da República, mas ainda não quero pronunciar-me sobre o Governo. Depois da tomada de posse as pessoas vão começar a sentir a decisão de um Presidente que veio para fazer a história, na base do respeito, confiança mútua entre os guineenses e concórdia nacional", disse.
    Sissoco Embaló acrescentou também que já assistiu a muitas eleições na Guiné-Bissau e no mundo e nunca viu a "oposição a fazer fraude". "O Supremo Tribunal vai decidir e depois vamos encontrar soluções, incluindo o PAIGC. Eu vou trabalhar com o povo da Guiné-Bissau, humilde, mas com rigor e disciplina", assegurou.
    16:10 O Presidente eleito da Guiné-Bissau já partiu para o Senegal onde irá reunir com os chefes de Estado do Senegal, Nigéria e Congo. Em declarações aos jornalistas no aeroporto internacional Osvaldo Vieira, em Bissau, antes de partir, Umaro Sissoco disse ainda que vários outros chefes de Estado - como o de Portugal e Cabo Verde - já o contactaram no sentido de se encontrarem também com ele.
    Umaro Sissoco Embaló disse que "já é chefe de Estado da Guiné-Bissau, independentemente se os outros [candidatos] aceitam ou não [os resultados]". O que falta, diz, é a formalização da vitória, ou seja, a tomada de posse, que quer que se realize a 15 de fevereiro de 2020.
    "Já falei com o Presidente cessante José Mário Vaz e estou a pensar lá para o dia 15 [de fevereiro]. Não vim aqui empurrar o homem. Já sou o Presidente eleito e não tenho pressa para tomar posse, mas o país está parado e há muita coisa a fazer", disse Umaro Sissoco Embaló, que acrescentou: "o país, como sabem, está numa situação económica complicada, por isso não posso abusar dos escassos meios que o país tem para fazer uma grande festa. Quero fazer uma coisa simbólica", disse Umaro Sissoco, afirmando que "desta vez haverá solução para a Guiné-Bissau e para todos os guineenses".
    15:55 Umaro Sissoco Embaló já se encontra no aeroporto internacional Osvaldo Vieira, em Bissau.
    15:28 Vários jornalistas já estão no aeroporto em Bissau a aguardar a chegada de Umaro Sissoco Embaló, que viaja esta sexta-feira (03.01) para o Senegal. O Presidente eleito é esperado a qualquer momento.
    14:28 No Twitter, apoiantes de Domingos Simões Pereira apelam a manifestação.
    14:10 Domingos Simões Pereira tem prevista, para este sábado (04.01), uma conferência de imprensa para explicar as alegadas irregularidades ocorridas nas eleições.
    13:45 Fonte do Supremo Tribunal de Justiça disse à Lusa que o dossier de impugnação das eleições por parte da candidatura de Domingos Simões Pereira deu entrada no cartório do tribunal e que agora será apreciado, na próxima semana, "para avaliar a sua justeza ou não" de acordo com a lei eleitoral guineense. Entre os argumentos para fundamentar as alegadas irregularidades ocorridas nas eleições de 29 de dezembro, os advogados da candidatura de Simões Pereira juntaram elementos que indiciam "discrepância entre o número de inscritos para votar e o número de votantes".
    Após ter recebido o pedido de impugnação das eleições, o Supremo Tribunal de Justiça tem 48 horas para notificar os interessados para que se pronunciem mediante contra-alegações e mais 48 horas, depois das contra-alegações, para apresentar uma decisão definitiva, que é notificada às partes e à CNE.
    13:27 Comissão Nacional de Eleições acaba de anunciar, em Bissau, que não recebeu nenhuma reclamação que possa ser objeto de contencioso eleitoral. Felisberta Moura Vaz, porta-voz da Comissão Nacional de Eleições, confirma, contudo, que já recebeu a notificação do PAIGC, em como o seu candidato derrotado, Domingos Simões Pereira, recorreu ao Supremo Tribunal de Justiça (STJ) para impugnar os resultados provisórios. A CNE diz estar a aguardar pela notificação do STJ.
    Na mesma ocasião, a CNE denunciou a publicação de "inverdades" nas redes sociais para "tentar debilitar" a imagem da instituição e sublinha que o sistema eleitoral guineense é "claro e transparente". "Após o anúncio dos resultados [das presidenciais] pela Comissão Nacional de Eleições várias informações foram veiculadas nas redes sociais, com inverdades, manipulações e outros males, atentatórias à honra e dignidade dos seus dirigentes", e na tentativa de "debilitar a imagem" da instituição, disse Felisberta Vaz.
    Ainda segundo a porta-voz da CNE, o objetivo daquelas informações são uma "vã tentativa" de "desestabilizar e fragilizar a coesão interna e firmeza dos seus dirigentes, que juraram sempre respeitar e observar as leis da República na condução dos processos eleitorais". "Convém salientar, que o sistema eleitoral guineense, dada a sua clareza e transparência, permite aos delegados de lista de cada mesa de assembleia de voto ter acesso à cópia da ata síntese nas comissões regionais de eleições, os representantes têm acesso às atas de apuramento regional", afirmou.
    13:22 Na rede social Twitter continua a ser dado destaque à viagem de Umaro Sissoco Embaló ao Senegal, uma viagem que tem início nas próximas horas.
    12:30 - A CNE permitirá que pedidos de impugnação sejam feitos até meia-noite desta sexta-feira (03.01).
    12:20 - A Comissão Nacional de Eleições fará uma comunicação sobre o últimos acontecimentos a partir das 13h [hora local] na sua sede em Bissau.
    12:05 - O PAIGC ingressou há pouco com pedido de impugnação dos resultados eleitorais no Supremo Tribunal de Justiça. A informação é de uma fonte do partido.
    11:45 - Domingos Simões Pereira usou o Twitter para lembrar que o PAIGC coletou provas em “abundância” para compor a peça jurídica que deve contestar os resultados das eleições. Ele chamou a mobilização de "ato patriótico em defesa da soberania do país".
    11:25 - Domingos Simões Pereira, participante na segunda volta das eleições presidenciais pelo PAIGC, divulgou uma mensagem, através do seu gabinete de comunicação, na qual cita uma "onda" que estaria a tentar infiltrar-se na "cúpula do PAIGC para insuflar a desconfiança e a divisão". Veja a nota:
    "Meus irmãos e Camaradas. Dou conta de uma onda que tenta infiltrar a cúpula do PAIGC, para insuflar a desconfiança e a divisão. Peço aos verdadeiros dirigentes, militantes e simpatizantes, de se absterem dessas práticas. No PAIGC existe e se convive com ideias diversas, muitas vezes contraditórias, mas os espaços de debate são os órgãos e a decisão sempre democrática. Isso fortalece a nossa união e a coesão interna, e é assim que queremos estar - diferentes, plurais mas unidos e todos submetidos à disciplina interna e aos estatutos. Saúdo a todos e mando o desejo de um ano de paz e muita prosperidade. Domingos Simões Pereira." (SIC)
    10:05 - A Comissão Nacional de Eleições deverá reunir a sua plenária nesta sexta-feira para verificar se recebeu ou não pedidos de impugnação ou reclamações sobre os resultados das eleições presidenciais. A Lei Eleitoral estabelece, que 48 horas após a divulgação dos resultados, se não houver reclamações ou impugnação, os resultados provisórios passam a ser considerados definitivos.
    A CNE deverá emitir um comunicado oficial para atualizar a situação do pleito até o fim do dia. Também hoje está prevista mais uma comunicação oficial do PAIGC sobre as próximas ações do partido. Devido à realização da segunda volta e divulgação dos resultados provisórios em plena quadra festa festiva, as principais instituições do Estado estão praticamente sem expediente em Bissau.
    09:35 - Mensagens de felicitações pelos resultados das eleições também estampam os espaços da esposa de Umaro Sissoco Embaló nas redes sociais. A nova primeira-dama da Guiné-Bissau é Tiguidanké Camara, uma empresária do setor mineiro nascida na Guiné-Conacri, que já atuou como modelo. Camara dirige o "Tigui Mining Group", empresa com negócios na Guiné-Conacri e na Costa do Marfim. No seu Twitter, consta que a nova primeira-dama da Guiné-Bissau também advoga pela “presença das mulheres no desenvolvimento da indústria mineira”. Camara recebeu felicitações de ativistas pelos direitos das mulheres em África pela rede social.
    09:10 - Os resultados oficiais das eleições da Guiné-Bissau ainda não foram anunciados. A CNE divulgou números provisórios que apontam Umaro Sissoco Embaló como vencedor. Sissoco Embaló escolheu o Senegal como primeiro país a visitar após as eleições e embarca nesta sexta-feira (03.01) para Dakar, onde terá encontros com autoridades senegalesas.
    Há grande expectativa sobre a política que Umaro Sissoco Embaló implemetaria para os países da África Ocidental. Em seu discurso após o anúncio provisório do resultado das eleições, ele disse que vai promover o bom relacionamento no âmbito da CEDEAO.
    Durante a campanha, entretanto, o virtual vencedor das eleições guineenses prometeu acabar com a mediação da organização - feita pelo Presidente da Guiné-Conacri Alpha Condé - e disse promoveria a retirada das forças militares da CEDEAO do país.
    Também após o anúncio do resultado provisório das eleições, a emissora senegalesa TFM divulgou uma entrevista exclusiva com Umaro Sissoco Embaló. O político guineense teceu comentários sobre a sua relação conflituosa com Condé quando foi primeiro-ministro.
    Ele lembrou que, na altura, os serviços de inteligência da Guiné-Bissau mostravam que o chefe de Estado da Guiné-Conacri tinha pedido a políticos em Bissau que bloqueassem o seu programa no Parlamento.
    "Nós somos obrigados a viver em paz com os nossos vizinhos imediatos da sub-região. Até o Presidente Alpha [Condé], agora que somos homólogos… Somos obrigados a esquecer tudo e a caminhar juntos", disse Sissoco Embaló em tom conciliador à TFM.
    08:30 - A presidente da Rede das Mulheres para a Paz e Segurança na CEDEAO, Elsa Pinto, apelou para que o novo Presidente promova a reconciliação na Guiné-Bissau. Elsa Pinto pediu também que candidato derrotado aceite o "veredito das urnas". Veja a declaração no vídeo abaixo.
    07:00 - Mais felicitações: o Presidente eleito da Guiné-Bissau foi lembrado nesta sexta-feira pela Associação dos Economistas Euromediterrâneos. A EMAE felicitou Umaro Sissoco Embaló pelos resultados nas eleições presidenciais e desejou que ele "alcance todos os seus obejtivos". A organização é um fórum independente de análises políticas e socioeconómicas. O seu foco principal é na região mediterrânica "em meio a uma crise financeira e económica mundial sem precedentes e conflitos geopolíticos". Sissoco Embaló foi convidado da EMAE para participar no "IdeasLab" da think tank Centro de Estudos da Política Europeia (CEPS) no ano passado em Bruxelas.
    06:30 - O Presidente de Cabo Verde telefonou para Umaro Sissoco Embaló para felicitá-lo pelos resultados nas eleições guineenses. Jorge Carlos Fonseca disse que acompanhou com muito interesse o processo eleitoral no país e salientou o propósito de cooperação entre os país.
    "Felicitei-o pela sua vitória eleitoral e disponibilizei-me para trabalharmos juntos em prol do aprofundamento das relações entre os dois países, nos planos bilateral e da CPLP, nomeadamente. Enviei igualmente uma mensagem escrita de felicitações", escreveu Fonseca em sua página no Facebook.
    05:45 - A Comissão Permanente do Movimento para a Alternância Democrática, MADEM-G15, divulgou comunicado a analisar o processo eleitoral. Na nota, a comissão endereça "vivas e calorosas felicitações" ao General Umaro Sissoco Embaló pela vitória e congratula-se com a “forma isenta e responsável” com a qual a CNE conduziu a organização do processo eleitoral.
    O texto também parabeniza a CEDEAO e a comunidade internacional pela "forma com a qual acompanhou a gestão da crise político-institucional no país" e pelo apoio as eleições que fecham um "ciclo de instabilidade política". O texto do MADEM-G15 expressa "profundo agradecimento" aos guineenses pelo "elevado grau de civismo e patriotismo" revelados em todo o processo de luta para a "normalização da vida política e institucional da Guiné-Bissau".
    05:30 - O Presidente eleito da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, fará a sua primeira deslocação ao exterior depois da sua eleição na segunda volta das eleições presidências realizadas no último domingo. Ele vai a Dakar, onde terá encontros com autoridades senegalesas. Haverá antes uma breve declaração à imprensa no Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira.
    05:15 - Bom dia a todos os internautas! Esta sexta-feira (03.01), a DW África amplia as informações sobre as eleições presidenciais na Guiné-Bissau. O pleito tem Umaro Sissoco Embaló (MADEM-G15) como vencedor, conforme os resultados eleitorais provisórios divulgados pela CNE na quarta-feira (01.01).
    ++ Minuto a Minuto: Contagem dos votos das Eleições na Guiné-Bissau - segunda volta das presidenciais ++
    ++ Minuto a Minuto: Eleições na Guiné-Bissau - segunda volta das presidenciais ++
    Quinta-feira, dia 2 de janeiro
    21:00 - Fica por aqui o acompanhamento do anúncio dos resultados provisórios da segunda volta das eleições presidenciais da Guiné-Bissau. Muito obrigado por nos acompanhar.
    20:40 A presidente da Rede das Mulheres para a Paz e Segurança na CEDEAO, Elsa Pinto, exortou, esta quinta-feira (02.01), o novo Presidente a promover a reconciliação na Guiné-Bissau. "O vencedor tem um compromisso grande com o povo da Guiné-Bissau. O povo espera a reconciliação e estabilização do país e sonha um desenvolvimento", afirmou Elsa Pinto, que apelou ainda ao candidato derrotado, Domingos Simões Pereira, que aceite o veredito das urnas.
    20:11 Deverão ser confirmados, esta sexta-feira (03.01), os resultados eleitorais divulgados pela CNE esta quarta-feira (01.01). A Lei Eleitoral prevê que "no prazo máximo de 48 horas após a conclusão do apuramento nacional, a Comissão Nacional de Eleições elabora e faz publicar no Boletim Oficial o mapa oficial com o resultado das eleições".
    18:09 Também no Facebook da DW África o debate continua aceso. Lhona Intchama escreve que "quando a decisão vem do povo, não há o que discutir". Nesta mesma direção comentam vários outros internautas que apelam à aceitação dos resultados por parte de Domingos Simões Pereira. Simão Aisha escreve, por exemplo, que DSP "é democrata" e que por isso "vai aceitar os resultados para não ouvir os seus grupinhos". Já Agostinho Quimbande lembra que "DSP não tem nenhum motivo para reclamar, uma vez que a Comissão Nacional de Eleições que lhe deu vitória nas últimas legislativas é a mesma que deu a vitória a Umaro Sissoco Embaló". São também muitos os apoiantes do PAIGC que nos escrevem asseverando que o candidato do seu partido "tem motivos mais do que suficientes para contestar os resultados" e que por isso "não deve desistir".
    17:55 Em Bissau, alguns apoiantes de Domingos Simões Pereira dizem não aceitar os resultados provisórios divulgados.
    17:05 Na sua conta do Twitter, Umaro Sissoco Embaló publicou, há alguns minutos, duas fotografias com o ex-Presidente guineense José Mário Vaz. E escreveu: "José Mario Vaz é, e continuará a ser, um amigo e um irmão!".
    16:35 O Partido da Renovação Social (PRS) convidou Domingos Simões Pereira a reconhecer a decisão do povo, após candidato manifestar intenção de impugnar resultados eleitorais. "Ouvimos o nosso irmão e amigo, Presidente do PAIGC, a dizer que houve fraude. Penso que Domingos não tem razão", afirmou, em conferência de imprensa, esta quinta-feira (02.01), Mário Fambé, dirigente do partido.
    16:20 O académico e especialista em estudos africanos Fernando Jorge Cardoso apontou, esta quinta-feira (02.01), a dissolução da Assembleia Nacional como o cenário "mais provável" na Guiné-Bissau após a eleição de Umaro Sissoco Embaló como Presidente da República. Numa entrevista à Lusa, Fernando Jorge Cardoso afirma ainda que o uso deste que é um dos três poderes do Presidente inscritos na Constituição, levará à convocação de novas eleições legislativas. "Vamos ver Umaro Sissoco Embaló a tentar que seja formada uma Assembleia Nacional que lhe permita que o Madem G-15 em aliança com A, B ou C consiga governar o país e aí pode ter o poder que neste momento está a anunciar, mas não tem", disse.
    Fernando Jorge Cardoso diz ainda que "Umaro Sissoco Embaló [...] tem a noção clara que não pode nem vai conseguir ter poder político real dentro do país continuando a jogar a carta da divisão e fazendo uma política em que luta contra o Governo", disse Fernando Jorge Cardoso, apontando os sinais nesse sentido dados nas primeiras declarações públicas do Presidente eleito.
    Chamado a comentar as declarações de Domingos Simões Pereira sobre a alegada existência de irregularidades na votação, Fernando Jorge Cardoso assinalou "a prudência" do candidato derrotado ao não anunciar uma eventual impugnação dos resultados, apontando que a diferença entre as duas candidaturas se situa entre 20 mil a 30 mil votos. "Vai ter de analisar se os factos são absolutamente insofismáveis e demonstráveis de maneira a que haja 20 mil a 30 mil votos que sejam anulados. É uma ordem de grandeza quantitativa que seguramente ele, que é um político experimentado e uma pessoa inteligente, vai tomar em consideração. Não vale a pena estar a apresentar-se como mais um dos perdedores que protestam porque perderam sem terem uma base forte de argumentação", disse.
    Sublinhando que não conhece pessoalmente qualquer dos candidatos, Fernando Jorge Cardoso adiantou que demonstraram ser "claramente dois políticos" e sustentou que Domingos Simões Pereira deve pensar "muito bem" se quer voltar a ser primeiro-ministro ou se vai ficar na reserva e indicar alguém do PAIGC para ser primeiro-ministro.
    O professor universitário considerou ainda que estas eleições presidenciais estão a ser apresentadas como "aquilo que não são". "São eleições presidenciais, quem Governa a Guiné-Bissau é o Governo", disse, lembrando que o executivo é atualmente do PAIGC.
    14:10 O Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, felicitou, esta quinta-feira (02.01), o vencedor das eleições presidenciais na Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, mostrando a intenção de aumentar a cooperação com aquele país africano lusófono. "O Presidente da República reiterou a afirmação da firme intenção de Portugal colaborar com o novo Presidente eleito da Guiné-Bissau, incrementando a colaboração no quadro bilateral, e multilateral, com aquele país africano de língua oficial portuguesa", lê-se numa nota colocada no site da Presidência portuguesa. Marcelo Rebelo de Sousa "falou hoje ao telefone com Umaro Sissoco Embaló, a quem felicitou pelos resultados nas eleições presidenciais na Guiné-Bissau, anunciados pela Comissão Nacional de Eleições deste país irmão", lê-se ainda na nota.
    13:18 Fonte do gabinete de comunicação do primeiro-ministro Aristides Gomes informou a DW de que este se encontra indisponível para entrevistas, estando a aguardar a divulgação dos resultados definitivos do escrutínio do passado dia 29 de dezembro por parte da Comissão Nacional de Eleições. A mesma fonte sublinhou à DW África que o primeiro-ministro terá que escrever uma carta ao PAIGC, partido que propôs o seu nome para o cargo, e depois aguardar pela sua decisão e da coligação que está no poder. Recorde-se que Aristides Gomes disse, recentemente, que caso Umaro Sissoco Embaló fosse o vencedor da eleição presidencial, colocaria o seu cargo à disposição.
    13:00 - Concluído o encontro com o Presidente eleito da Guiné-Bisssau, o chefe da Missão de Observação Eleitoral da União Africana fez uma curta declaração aos jornalistas. Rafael Branco disse ter recebido garantias de Umaro Sissoco Embaló de que irá "transformar o país, unir os guineenses e dignificar o nome da Guiné-Bissau", relata o correspondente da DW em Bissau, Iancuba Dansó.
    Na sua conta do Twitter, Umaro Sissoco Embaló tem dado conta da sua agenda de encontros.
    12:45 - Num comunicado, ao final de uma visita de três dias à Guiné-Bissau, o representante especial do secretário-geral das Nações Unidas e chefe do Escritório da ONU para a África Ocidental e o Sahel, Mohamed Ibn Chambas, saudou o anúncio dos resultados eleitorais provisórios, elogiou os dois candidatos concorrentes "pela sua magnanimidade e graça em aceitar os resultados" e exortou "os apoiantes de ambas as partes a continuarem a mostrar maturidade e a exercerem contenção no período pós-eleitoral".
    12:20 - No seu perfil na rede social Twitter (@USEmbalo), Umaro Sissoco Embaló já se apresenta como Presidente da Guiné-Bissau, mesmo antes da confirmação dos resultados eleitorais definitivos pela CNE e da validação dos mesmos pelo Supremo Tribunal de Justiça. O Presidente eleito, mas ainda não em funções, escreve: "Obrigado a todos os meus concidadãos. O trabalho começa!"
    11:40 - O Presidente eleito está reunido com a Missão de Observação Eleitoral (MOE) da União Africana, relata o correspondente da DW África em Bissau, Iancuba Dansó. O encontro acontece na residência privada de Umaro Sissoco Embaló, na capital guineense. Na foto, Sissoco Embaló (à dir.) e Rafael Branco (à esq.), chefe da MOE da UA.
    11:00 - Na página da DW África na rede social Facebook, muitos internautas enviam mensagens de força, coragem e esperança ao candidato do PAIGC, Domingos Simões Pereira, derrotado na segunda volta das presidenciais guineenses, segundo os resultados eleitorais oficiais provisórios. Fátima pede calma a DSP e observa, "cada um tem o seu momento, o seu ainda não chegou". Maimuna Baldé deixa as suas "condolências" a Pereira. Entretanto, a maioria dos que opinaram na postagem abaixo, parabeniza o candidato pela participação no pleito.
    10:35 - Para vencer a segunda volta das presidenciais guineenses, Umaro Sissoco Embaló contou com o apoio do MADEM-G15 e do Partido da Renovação Social (PRS), além de vários candidatos que não passaram da primeira volta das presidenciais - incluindo o Presidente cessante, José Mário Vaz, o ex-primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior e o terceiro candidato mais votado em novembro, Nuno Gomes Nabiam. Na primeira volta das presidenciais, a 24 de novembro, Embaló obteve 27,65% dos votos - contra 40,13% de Domingos Simões Pereira (PAIGC).
    09:40 – Os guineenses seguem na expetativa da confirmação dos resultados provisórios pela Comissão Nacional de Eleições e, em seguida, a validação dos mesmos pelo Supremo Tribunal de Justiça da Guiné-Bissau. A Lei Eleitoral prevê que "no prazo máximo de 48 horas após a conclusão do apuramento nacional, a Comissão Nacional de Eleições elabora e faz publicar no Boletim Oficial o mapa oficial com o resultado das eleições". Ainda não há data para a posse do novo Presidente guineense.
    09:20 - Os resultados eleitorais na Guiné-Bissau são notícia na mídia alemã. No Twitter, a emissora pública de radiodifusão Deutschlandfunk informa sobre a vitória de Umaro Sissoco Embaló e a expetativa de contestação por parte do candidato concorrente, Domingos Simões Pereira.
    09:00 – Principais acontecimentos após a divulgação dos resultados oficiais provisórios pela CNE, que dão vitória a Umaro Sissoco Embaló (MADEM-G15):
    - O candidato derrotado Domingos Simões Pereira (PAIGC), diz ter havido "alegadas irregularidades" nas eleições e deixa em aberto a possibilidade de contestar os resultados.
    - Em declarações, Umaro Sissoco Embaló afirma que irá "trabalhar para promover a união" entre os guineenses e promete combater o tráfico de drogas e a corrupção, além de "estreitar a cooperação com as organizações internacionais".
    - A CNE ainda não reagiu às reclamações de DSP.
    08:30 - No Twitter, o candidato derrotado na primeira volta das eleições presidenciais guineenses, Nuno Gomes Nabiam, parabeniza o Presidente eleito da Guiné-Bissau e escreve que a vitória de Umaro Sissoco Embaló "é resultado de sinergia, força e articulação de propósitos".
    08:00 - A correspondente da DW África em Bissau, Fátima Tchumá Camará, acompanhou o dia da divulgação dos resultados eleitorais provisórios da segunda volta das presidenciais guineenses. Na reportagem, o Presidente eleito apresenta seus planos para o país, enquanto Domingos Simões Pereira lista os motivos que o levaram a ponderar contestar os resultados apresentados pela CNE. Já o sociólogo guineense Miguel de Barros analisa o cenário pós-eleitoral. Para ler, clique no link abaixo:
    Umaro Sissoco Embaló promete conciliação na Guiné-Bissau
    07:30 – Na página da DW Português na rede social Facebook, internautas opinam sobre os resultados oficiais provisórios das eleições na Guiné-Bissau. Enquanto alguns elogiam a "vitória da oposição" nas urnas e apelam ao Presidente eleito para que seja um "exemplo de liderança e governação", outros mostram-se descontentes. Adulai Candé acredita que, com Umaro Sissoco Embaló na presidência, "a Guiné-Bissau conhecerá os seus sonhos históricos e [avançará] rumo a desenvolvimento". Já Belisário Alves acha que o país "precisava de um outro Presidente, com credibilidade internacional". Acompanhe e participe do debate:
    07:10 - Ouça a reportagem da correspondente da DW África em Bissau, Fátima Tchumá Camará, sobre o dia da divulgação dos resultados eleitorais provisórios da segunda volta das presidenciais guineenses:
    06:50 – À correspondente da DW África em Bissau, Fátima Tchumá Camará, o sociólogo guineense Miguel de Barros avalia que qualquer ação de impugnação dos resultados eleitorais provisórios terá de ter uma base legal e política "e, ao mesmo tempo, salvaguardar aquilo que é também o mecanismo de apresentação de reclamações e de contestação". Para Miguel de Barros, os resultados da segunda volta das eleições presidenciais na Guiné-Bissau devem-se à conjugação de vários fatores. "Este resultado mostra, em primeiro lugar, que, independentemente das alianças que foram feitas, as eleições aconteceram também num contexto de enorme contestação social ao nível daquilo que era o quadro governativo - com crise ao nível, por exemplo, da administração pública, do sistema educativo, salários em atraso". Miguel de Barros considera que esses "elementos críticos" levaram também "ao desgaste do Governo que é suportado pelo partido que também apoiou o candidato Simões Pereira".
    06:30 – Até ao momento, a Comissão Nacional de Eleições da Guiné-Bissau não comentou as supostas irregularidades apresentadas pelo candidato do PAIGC, Domingos Simões Pereira, que pondera recorrer à Justiça para impugnar os resultados oficiais provisórios anunciados pela CNE, esta quarta-feira (01.01).
    06:10 – Na sua primeira comunicação oficial após a divulgação dos resultados eleitorais provisórios, o Presidente eleito da Guiné-Bissau falou de seus planos para chefiar o país: "Todas as instituições da República devem congregar esforços para debelar os fenómenos do tráfico da droga e da corrupção que ocorrem na sociedade. As reformas institucionais que se acharem oportunas devem avançar para o reforço do nosso sistema democrático e de Estado de direito".
    Umaro Sissoco Embaló prometeu ainda estreitar a cooperação com as organizações internacionais. "Durante a minha magistratura promoverei uma boa relação com a Comunidade Internacional – nomeadamente, a CEDEAO, a União Africana, as Nações Unidas, a CPLP, a União Europeia e a ACP - à qual aproveito para agradecer por todo apoio que tem dispensado ao povo da Guiné, o que espero irá continuar, pois o nosso país ainda precisa desse apoio associado aos nossos esforços de relançamento do desenvolvimento do país", afirmou, acrescentando que pretende dispensar atenção especial à diáspora "para permitir que receba a atenção necessária do nosso país". O nosso enviado especial a Bissau, Braima Darame, acompanhou o pronunciamento. A DW África disponibilizou a cobertura na rede social Facebook:
    05:45 - Umaro Sissoco Embaló proferiu o seu primeiro discurso como Presidente eleito da Guiné-Bissau esta quarta-feira (01.01), na capital do país, como relata a correspondente da DW em Bissau, Fátima Tchumá Camará. Perante os seus apoiantes e candidatos derrotados na primeira volta, que apoiaram a sua candidatura na segunda volta, Sissoco Embaló falou em unidade nacional: "É a nossa responsabilidade, trabalhar para promover a união entre os nossos irmãos guineenses que estão hoje de costas voltadas por nossa causa".
    Sissoco pediu desculpas a todos os que se sentiram ofendidos durante a campanha eleitoral. "Quer nós, os candidatos, quer os nossos colaboradores e apoiantes, no calor da caça aos votos, é bem possível que tenham utilizado voluntariamente linguagem menos apropriada pelo que, antes, quero pedir as minhas sinceras desculpas a todos aqueles que se tenham sentido ofendidos por mim e aproveito para, da minha parte, perdoar todos aqueles também que se dirigiram com palavras insultuosas contra a minha pessoa", afirmou o Presidente eleito segundo os resultados oficiais provisórios.
    05:30 – Bom dia a todos os internautas! Esta quinta-feira (02.01), a DW África reinicia a cobertura dos desenvolvimentos na Guiné-Bissau, no dia seguinte à divulgação, pela CNE, dos resultados eleitorais oficiais provisórios, que dão vitória a Umaro Sissoco Embaló (MADEM-G15) nas presidenciais da Guiné-Bissau.
    ++ Minuto a Minuto: Contagem dos votos das Eleições na Guiné-Bissau - segunda volta das presidenciais ++
    ++ Minuto a Minuto: Eleições na Guiné-Bissau - segunda volta das presidenciais ++
    Quarta-feira, dia 1 de janeiro
    18:30 - Fica por aqui o minuto a minuto dos resultados provisórios oficiais da segunda volta das eleições presidenciais da Guiné-Bissau. Esta quinta-feira (02.01), a DW África continuará a acompanhar os desenvolvimentos na Guiné-Bissau.
    18:10 - O sociólogo guineense Miguel de Barros lembra, no Twitter, a promessa feita pelo primeiro-ministro guineense, Aristides Gomes, de demitir-se em caso de derrota de Domingos Simões Pereira:
    17:35 - Em instantes, Umaro Sissoco Embaló fará a sua primeira declaração oficial após o anúncio dos resultados provisórios que lhe conferem a vitória nas presidenciais, num hotel da capital guineense, informa o enviado especial da DW África a Bissau, Braima Darame.
    17:25 - O candidato derrotado na primeira volta das eleições presidenciais guineenses, Nuno Gomes Nabiam, comemorou o anúncio da vitória de Umaro Sissoco Embaló, segundos os resultados eleitorais oficiais provisórios. "Hoje marca um novo dia na Guiné-Bissau", escreveu Nabiam no Twitter.
    17:10 - No Twitter, o ex-primeiro-ministro da Guiné-Conacri e antigo secretário-executivo da CEDEAO, Lansana Kouyaté, felicitou o Presidente eleito da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló (MADEM-G15), segundo os resultados oficiais provisórios divulgados pela CNE, esta quarta-feira (01.01).
    16:50 - O candidato presidenciail do PAIGC garantiu que vai felicitar o seu concorrente eleito Presidente, Umaro Sissoco Embaló (MADEM-G15). Domingos Simões Pereira abriu, entretanto, a possibilidade de contestar os resultados oficiais provisórios divulgados pela Comissão Nacional de Eleições por alegadas irregularidades, reporta o enviado especial da DW África a Bissau, Braima Darame.
    16:05 - Na sede do PAIGC, em Bissau, apoiantes de Domingos Simões Pereira reagiram com tristeza ao anúncio dos resultados oficiais provisórios da segunda volta das presidenciais da Guiné-Bissau, que dão vitória a Umaro Sissoco Embaló (MADEM-G15), relata a correspondente da DW África em Bissau, Fátima Tchumá Camará. "Tenho pena do camarada Domingos que está a se sacrificar por este partido e não tem nenhuma compensação", disse um eleitor que criticou a falta de interesse de muitos integrantes do PAIGC.
    14:45 - A Comissão Nacional de Eleições da Guiné-Bissau disponibiliza os resultados provisórios da segunda volta das presidenciais guineenses nas suas páginas na internet e também na rede social Facebook:
    14:35 - O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros português, Augusto dos Santos Silva, expressou hoje a firme intenção de Portugal colaborar com o novo Presidente eleito da Guiné-Bissau, incrementando a colaboração no quadro bilateral e multilateral com o país africano, noticia a agência Lusa.
    14:30 - O vencedor das eleições presidenciais da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló (MADEM-G15), fez há pouco declarações a jornalistas numa unidade hoteleira na capital do país. "É o momento de estender a mão a todos os guineenses para batizarmos uma nova Guiné", afirmou. "Reformulo outra vez ser um Presidente da concórdia nacional, um homem de rigor, de disciplina, de combate à corrupção e à droga", salientou. O enviado especial da DW África a Bissau, Braima Darame, transmitiu as palavras de Sissoco Embaló, ao vivo, na nossa página no Facebook.
    14:00 - Apoiantes de Umaro Sissoco Embaló estão em clima de festa na sede do MADEM-G15, em Bissau. O enviado especial da DW África à capital guineense, Braima Darame, falou com os apoiantes do Presidente eleito.
    12:45 - Domingos Simões Pereira (PAIGC), candidato derrotado na segunda volta das presidenciais guineenses, acaba de anunciar que a sua candidatura vai impugnar os resultados provisórios por "ferirem a legalidade". Simões Pereira diz que foi "um roubo escandaloso", denuncia atos de compra de votos no dia da votação e zonas em que o número de votantes supera o número de inscritos, reporta o enviado especial da DW África a Bissau, Braima Darame.
    12:40 - "A Guiné-Bissau começa hoje uma nova página, num novo ano. Penso que estão criadas as condições para que o povo guineense, o Presidente eleito e outras instituições do Estado unam-se para aproveitar essa oportunidade e dar um passo importante no processo de desenvolvimento do povo da Guiné-Bissau", declarou o chefe da Missão de Observação Eleitoral da União Africana, Rafael Branco, logo após o anúncio dos resultados eleitorais provisórios pela CNE, em Bissau.
    12:10 - No Twitter, o sociólogo guineense Miguel de Barros comenta vitória de Umaro Sissoco Embaló (MADEM-G15) nas presidenciais da Guiné-Bissau.
    12:00 - Quem é Umaro Sissoco Embaló, o Presidente eleito da Guiné-Bissau?
    O major-general na reserva Umaro Sissocó Embaló queria ser Presidente desde os 12 anos, dizem amigos próximos, e acha que a política é como o futebol - um jogo com vencedores e perdedores. Aos 47 anos, feitos em 23 de setembro, o "general do povo" - como é conhecido entre os seus apoiantes - candidatou-se às presidenciais apoiado pelo Movimento para a Alternância Democrática (MADEM-G15). Trata-se de uma formação política criada por um grupo de dissidentes do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).
    O major-general na reserva sempre disse que passava à segunda volta das presidenciais para derrotar Domingos Simões Pereira, apoiado pelo PAIGC, partido que Umaro Sissoco Embaló considera ser um "grande cancro" e o "eixo do mal no país".
    11:40 - Durante a campanha eleitoral, Umaro Sissoco Embaló, prometeu unir a Guiné-Bissau:
    11:18 – Umaro Sissoco Embaló é o Presidente eleito da Guiné-Bissau! A CNE acaba de divulgar os resultados oficiais provisórios da segunda volta das presidenciais da Guiné-Bissau. Esses resultados apontam para a vitória nas urnas de Umaro Sissoco Embaló (MADEM-G15) com 53,55% dos votos válidos, contra 46,45% do candidato concorrente Domingos Simões Pereira (PAIGC).
    Os resultados foram divulgados por região:
    Tombali: DSP obteve 35,40% dos votos e USE, 64,60%.
    Quinará: DSP obteve 42,65% dos votos e USE, 57,35%.
    Oio: DSP obteve 44,63% dos votos e USE, 55,37%.
    Biombo: DSP obteve 61,50% dos votos e USE, 38,50%.
    Bolama-Bigajós: DSP obteve 74,03% dos votos e USE, 25,97%.
    Bafatá: DSP obteve 30,80% dos votos e USE, 69,60%.
    Gabú: DSP obteve 32,51% dos votos e USE, 67,49%.
    Cacheu: DSP obteve 39,66% dos votos e USE, 60,34%.
    Diáspora, África: DSP obteve 62,05% dos votos e USE, 37,95%.
    Setor Autónomo de Bissau: DSP obteve 59,87% dos votos e USE, 40,13%.
    Projeção Nacional: DSP obteve 46,45% dos votos e USE, 53,55% dos votos válidos.
    11:00 - O enviado especial da DW África a Bissau, Braima Darame, transmite, ao vivo, a divulgação dos resultados oficiais provisórios da segunda volta das presidenciais da Guiné-Bissau pela CNE, no Facebook. Acompanhe!
    10:40 - Em Bissau, a aceitação dos resultados da segunda volta das presidenciais pelos candidatos e seus apoiadores é o assunto do momento. À DW África, jovens guineenses apelaram aos dois candidatos em disputa para que aceitem os resultados oficiais provisórios, quando a Comissão Nacional de Eleições anunciá-los, esta quarta-feira (01.01).
    10:25 - O enviado especial da DW África a Bissau, Braima Darame, informa que já está tudo a postos para a divulgação dos resultados oficiais provisórios da segunda volta das presidenciais guineenses pela CNE, esta quarta-feira (01.01), às 11 horas, num hotel em Bissau. Domingos Simões Pereira (PAIGC) ou Umaro Sissoco Embaló (MADEM-G15), quem será o novo Presidente da Guiné-Bissau, eleito no passado domingo (29.12)?
    7 min

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