África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle

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África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle episodes

  • Governo da Guiné-Bissau assegura ter tudo sob controlo
    Pouco depois da denúncia de tentativa de golpe de Estado, Governo garante ter a situação sob controlo. Comissão de Consolidação da Paz das Nações Unidas espera que as presidenciais tenham lugar na data marcada.Mauro Vieira, o presidente da Configuração para a Guiné-Bissau da Comissão de Consolidação da Paz das Nações Unidas, não comenta as notícias sobre a alegada tentativa de golpe de Estado. Espera apenas que nada ponha em causa a realização das eleições presidenciais, marcadas para 24 de novembro.
    "Confio na sabedoria política do povo da Guiné-Bissau, das autoridades, dos poderes constituídos e tenho certeza que é uma sociedade pacífica, tranquila, em que todos circulam livremente, e tenho confiança de que nada interferirá neste processo. É muito importante que aconteça", afirmou Mauro Vieira.
    O diplomata brasileiro encontrou-se esta quarta-feira (23.10) com o Presidente guineense, José Mário Vaz. Antes, o chefe de Estado reuniu-se com as chefias militares e representantes do chamado P5 (Nações Unidas, União Europeia, União Africana, CEDEAO e CPLP). À saída do encontro com José Mário Vaz, os militares não falaram, e o habitual porta-voz do P5, Ovídeo Pequeno, também recusou prestar declarações à imprensa.
    Situação controlada, diz Governo
    Na segunda-feira à noite, o primeiro-ministro guineense denunciou no Facebook uma alegada tentativa de golpe de Estado. Aristides Gomes acusou Umaro Sissoco Embaló, antigo primeiro-ministro e candidato presidencial do Movimento para Alternância Democrática (MADEM-G15), de estar envolvido, supostamente para travar as eleições presidenciais.
    Tanto Sissoco Embaló, como o MADEM-G15 rejeitam as acusações do primeiro-ministro, tendo o candidato presidencial acusado Aristides Gomes de querer desviar a atenção dos guineenses.
    Na terça-feira, o Governo mandou reforçar a segurança na capital, Bissau. Armando Mango, porta-voz do Executivo, garante que a situação está sob controlo: "Queremos assegurar a população que aqui pode-se viver e que não há nada", disse.
    Segundo a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), o contingente da sua força de interposição no país, a ECOMIB, será reforçado face à realização das eleições presidenciais, em novembro.
    3 min
  • Cimeira Rússia-África: O que une a Rússia a Angola?
    Cimeira Rússia-Africa arrancou em Sochi. Presidente Vladimir Putin anunciou perdão da dívida a países africanos e garantiu cooperação militar. Analista considera que Angola deve estreitar laços com Moscovo neste setor.As "relações históricas" entre os dois países são um dos motivos que unem a Rússia a Angola, comenta o analista angolano Osvaldo Mboco.
    "Depois do alcance da independência, boa parte dos quadros que assumiram cargos no aparelho do Estado foram formados por países de matriz socialista ou então comunista", comenta o especialista em relações internacionais em entrevista à DW África.
    Mas também há interesses comerciais. Segundo a agência de notícias russa Tass, que cita o Kremlin, o volume de negócios bilateral entre os dois países aumentou 42% nos últimos sete meses, atingindo 34,8 milhões de dólares.
    Na cimeira de Sochi, que decorre até quinta-feira (24.10), Angola e Rússia discutem o "aprofundamento da cooperação comercial e económica". Segundo a Presidência angolana, os dois países deverão assinar novos acordos, incluindo para a "formação de quadros e a implementação de uma indústria de fertilizantes em Angola".
    Cooperação militar
    O Presidente angolano, João Lourenço, já esteve na Rússia em abril, onde assinou outros acordos nos domínios espacial, pescas, aquicultura, justiça ou dos direitos humanos.
    Para o analista Osvaldo Mboco, além destas áreas, Angola precisa de reforçar a cooperação militar com a Rússia: "Angola precisa de apoio técnico no setor militar e no setor da segurança. Não nos podemos esquecer que a Rússia é a segunda maior potência militar mundial e que também tem uma tecnologia bastante avançada".
    À margem da cimeira de Sochi, está prevista uma feira de armamento, onde estará exposto o sistema de mísseis antiaéreos S-400, entre outros.
    Promessas de Putin
    Esta quarta-feira (23.10), na abertura do encontro, o Presidente russo, Vladimir Putin, garantiu a cooperação no setor militar e de segurança.
    Putin prometeu ainda ajuda no combate ao ébola na República Democrática do Congo (RDC) e anunciou o perdão de 20 mil milhões de dólares de dívida: "O nosso país faz parte de uma iniciativa para reduzir o peso da dívida nos países africanos. Em conjunto com outros estados, criaram-se programas conjuntos para que o valor das dívidas possa financiar o crescimento económico nacional."
    O analista Osvaldo Mboco assinala que a Rússia está ciente das "grandes potencialidades" do continente africano em termos de recursos naturais, tal como do enorme "mercado de consumidores", com cerca de 1,2 mil milhões de habitantes.
    "A Rússia vê isso com bons olhos", diz Mboco. Por isso, está interessada em investir nesta cooperação.
    3 min
  • Cimeira Rússia-África: Países africanos ponderam uso de energia nuclear
    Tecnologia nuclear está na agenda da Cimeira Rússia-África, que iniciou esta quarta-feira em Sochi, na Rússia. Poderá esta tecnologia contribuir para o desenvolvimento em África? Quais são as intenções de Moscovo?O Presidente russo, Vladimir Putin, disse esta quarta-feira (23.10) na abertura da Cimeira Rússia-África, que quer, pelo menos, duplicar as trocas comerciais com o continente nos próximos cinco anos, destacando o potencial de crescimento dos países africanos.
    "Estamos a exportar atualmente 22,5 mil milhões de euros por ano em alimentos, o que é um valor maior do que o que resulta da venda de armas, que representam 13,5 mil milhões de euros", disse.
    As declarações de Putin foram feitas no discurso oficial de abertura da Cimeira Rússia-África, que decorre na cidade costeira de Sochi, na Rússia, perante dezenas de chefes de Estado e governantes africanos, entre os quais os presidentes de Angola, Moçambique e Cabo Verde.
    Energia nuclear em África
    Quase 600 milhões de africanos não têm acesso a eletricidade. Com a população a crescer, os governos locais procuram soluções com urgência. Em 2016, o Governo da Zâmbia assinou um acordo com Moscovo para apoiar os russos na exploração de tecnologia nuclear. E a Zâmbia não é o único país que precisa de energia.
    Outros países africanos também já consideram o uso de energia nuclear. O tema estará no topo da agenda na Cimeira Rússia-África.
    A Rússia vê nesta cimeira uma oportunidade para vender a energia nuclear como solução para os problemas de fornecimento energético no continente africano, diz Alex Vines, investigador no instituto britânico Chatham House.
    "Seria uma porta de entrada para uma parceria muito longa com os governos africanos, devido à escala de infraestrutura necessária para instalações nucleares. Também as elites nos governos anfitriões podem estar interessadas nos incentivos dados pelos russos a curto e médio prazo, mas sem realmente considerarem as implicações a longo prazo", avalia Vines.
    A seca em muitos países africanos teve um impacto devastador no fornecimento de energia. A barragem de Kariba, entre o Zimbabué e a Zâmbia, costuma gerar quantidades significativas de eletricidade. Mas os níveis da água são os mais baixos dos últimos anos.
    Na Zâmbia, por exemplo, a atual seca serviu de pretexto ao membro da Agência de Energia Atómica do país, Roland Msiska, para promover ainda mais a energia nuclear como alternativa à energia hidroelétrica. E defensores africanos desta tecnologia são exatamente o que Moscovo precisa.
    Diversificar a economia russa
    Mas quais as razões para este interesse da Rússia em África? O investigador Alex Vines explica que mudanças geopolíticas recentes podem ter dado a Moscovo mais motivos para procurar novos mercados para a tecnologia nuclear.
    "A Rússia ainda está a ser alvo de sanções da União Europeia e dos Estados Unidos da América, por isso está a tentar diversificar as suas parcerias económicas", considera.
    Outros especialistas defendem que a tecnologia nuclear não faz sentido para os países africanos, devido aos altos investimentos associados.
    O fator decisivo para muitos governos poderá ser o custo. Muitos já estão altamente endividados. E construir centrais nucleares é caro e imprevisível, diz Hartmut Winkler, professor de Física na Universidade de Joanesburgo.
    "Há muitos exemplos, em todo o mundo, onde a construção de infraestruturas para centrais nucleares continua a arrastar-se. O pior é que o custo pode aumentar muito, afetando os prazos de conclusão, que podem ser subestimados", explica Winkler.
    A Rússia já está a facultar mais de 80% dos fundos necessários para construir a segunda central nuclear do continente africano, orçada em mais de 22,5 mil milhões de euros. A construção deverá começar no próximo ano, no Egito.
    4 min
  • PRS pede soluções para garimpeiros sem emprego nas Lundas
    Operações "Resgate" e "Transparência" estão a aumentar o desemprego e a pobreza na região angolana das Lundas, denuncia o Partido de Renovação Social (PRS). Muitos garimpeiros ficaram sem alternativas, alerta a oposição.O líder do PRS, Benedito Daniel, alerta que a população das Lundas enfrenta dificuldades. A região é rica em diamantes, mas a maioria dos residentes não beneficia dos recursos.
    "Não há emprego. As minas estão junto às aldeias, mas lamentavelmente não empregam os filhos dos residentes. As empresas preferem procurar a mão de obra barata que vem de outras áreas", disse esta terça-feira (22.10), em conferência de imprensa, em Luanda.
    Segundo Benedito Daniel, a falta de emprego piorou com a entrada em vigor, no ano passado, das operações "Resgate" e "Transparência", levadas a cabo pelo Governo de Luanda.
    As operações têm como objetivo repor a autoridade do Estado, combatendo, por exemplo, a imigração ilegal e a exploração ilícita de diamantes.
    O líder da terceira maior força política da oposição angolana louva a iniciativa governamental, mas lembra ao Executivo que só esse combate não chega: "Se nós estamos a proibir alguém que não garimpe, então temos que lhe dar emprego em alguma parte: agricultura, minas. Infelizmente, isso não acontece."
    Lundas deixadas para trás
    As denúncias dos renovadores sociais não ficam por aqui. Segundo o líder do PRS, "Angola anda a duas velocidades", e as Lundas têm ficado para trás. Benedito Daniel diz que falta assistência médica e medicamentosa na região - por exemplo, hospitais materno-infantis.
    "[As mulheres grávidas] socorrem-se da vizinha República Democrática do Congo (RDC) e, nestas movimentações, infelizmente, por causa das más condições das estradas, nem sempre chegam ao destino", lamenta.
    O político questiona também a fraca rede de estradas na região diamantífera. A estrada nacional 230 que liga o norte do país ao leste "não existe" e "é um calvário autêntico", afirma Benedito Daniel. Contraria assim os dados apresentados pelo Presidente João Lourenço no discurso sobre o Estado da Nação, há uma semana.
    Segundo o Censo de 2014, em Angola, mais de dez milhões de pessoas não têm documentos de identificação. E as Lundas não são exceção. Na região, "os cidadãos nacionais são confundidos com os estrangeiros", diz Benedito Daniel.
    A DW África contactou o Governo da Lunda Norte e o Governo central sobre as denúncias do PRS, mas não obteve resposta.
    3 min
  • Eleições no Botswana: Batismo de fogo para a democracia
    Cerca de um milhão de eleitores são hoje chamados a votar nas eleições gerais no Botswana, governado desde 1966 pelo Partido Democrático, a braços com uma disputa interna. O que significaria uma mudança de poder?Rico em diamantes, o Botswana é considerado há décadas como uma das democracias mais estáveis ​​do continente africano. Estas legislativas, e uma possível mudança de Governo, trazem novos olhares sobre a democracia deste país. Principalmente por causa de uma disputa que eclodiu no partido no poder, o Partido Democrático do Botswana (BDP).
    Em abril de 2018, o então Presidente do Botswana, Ian Khama, entregou o cargo ao seu vice, Mokgweetsi Masisi. A discórdia foi tão longe que, em maio, Ian Khama rompeu com o BDP e apoia agora a Frente Patriótica do Botswana (BPF), partido criado recentemente pelo seu irmão.
    "Deixei o partido porque percebi que a nossa democracia está a ser ameaçada. E veremos o que pode acontecer no atual Governo", explicou o ex-Presidente em entrevista exclusiva à DW.
    Possível vitória da oposição?
    As acusações mútuas entre os ex-aliados envenenaram o clima dentro do partido no poder. Esta discórdia pode levar à vitória da oposição do Botswana pela primeira vez desde a independência do Reino Unido, em 1966.
    Mas alguns opositores ficam incomodados ao ver o ex-Presidente Ian Khama a fazer campanha pela aliança de esquerda, a Coligação pela Mudança Democrática (UDC, na sigla em inglês).
    "Não há clareza sobre a lealdade de Khama, onde está o seu partido. Ele disse que as pessoas deveriam votar na UDC, mas ele nunca mostrou ser membro do UDC", afirma o politólogo Gladys Mokhawa, da Universidade do Botswana.
    "Democracia sairá fortalecida"
    Tudo está em aberto. O facto de o resultado das eleições ser tão pouco previsível também se deve ao sistema eleitoral do Botswana, que se baseia no sistema de votação britânico, por maioria. De acordo com este sistema, em cada um dos em 57 círculos eleitorais, só passa o candidato que reúne o maior número de votos. Outros seis deputados vêm do partido no poder.
    Na última eleição, em 2014, por exemplo, o partido BDP recebeu a maioria dos assentos no Parlamento, apesar de os partidos da oposição terem conquistado, em conjunto, mais de 50% dos votos. O Presidente é eleito pelo Parlamento, depois das legislativas.
    Alguns analistas consideram que é preciso fazer uma reforma institucional com urgência. Outros encaram a situação com outros olhos. Para Matthias Basedau, investigador do Instituto Alemão de Estudos Globais e Regionais (GIGA), em Hamburgo, a "democracia sairá fortalecida" depois destas eleições no Botswana. "Alguns politólogos consideram que a democracia é real quando uma, ou até mesmo duas, mudanças de poder ocorrem", lembra.
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  • Brexit: Parlamento britânico chumba calendário para legislar acordo
    O Parlamento britânico aprovou, terça-feira, o acordo alcançado com a UE para a saída do Reino Unido. Mas os deputados disseram não ao calendário proposto pelo governo para a aprovação da legislação referente ao Brexit.O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, queria que a legislação fosse aprovada até amanhã, para que fosse possível o seu país saír do bloco a 31 de outubro. Mas o projeto de lei, com cerca de 110 páginas, só foi publicado na noite desta segunda-feira (21.10). Por isso, a Câmara dos Comuns considerou o prazo muito apertado.
    Uma decisão que, considerou o primeiro-ministro, traz mais incertezas ao país: "Devo expressar a minha desilusão pelo facto de a Câmara ter votado novamente a favor de um adiamento, em vez de um calendário que garantia que o Reino Unido estaria em posição de sair da União Europeia (UE) a 31 de outubro com um acordo. E agora enfrentamos mais incertezas e a UE tem de decidir como responder ao pedido de adiamento do Parlamento."
    A resposta da União Europeia não tardou. Num texto publicado no Twitter, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou que iria "recomendar aos 27 Estados-membro do bloco que aceitem o pedido de extensão do Reino Unido."
    Ameaças não cumpridas de Johnson
    Uma opção que, voltou a frisar Boris Johnson, não está nos seus planos. Antes da votação, o primeiro-ministro ameaçou mesmo os deputados, afirmando que se o parlamento chumbasse a proposta de calendário, avançar-se-ia para a realização de eleições legislativas antecipadas.
    No entanto, mais tarde, já após a votação, o primeiro-ministro acabou por não falar no assunto, avançando apenas que, tal como prometido, o Governo iria avançar com a suspensão do processo legislativo para o 'Brexit' e acelerar os preparativos para uma saída sem acordo.
    "Vou falar com os Estados-membros da UE sobre as suas intenções. E até que cheguem a uma decisão, vamos fazer uma pausa esta legislação. De qualquer forma, deixaremos a UE com este acordo ao qual o Parlamento deu o seu parecer favorável", disse.
    Já o líder do partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, mostrou-se satisfeito com o chumbo do calendário proposto pelo governo. E deixou até uma sugestão a Boris Johnson: "Vou fazer uma oferta: trabalhe em conjunto com todos nós para que cheguemos a um acordo para um calendário razoável."
    Esta foi a primeira vez que a Câmara dos Comuns aprovou um acordo de saída do Reino Unido da União Europeia. Todas as três versões do documento apresentado por Theresa May, antecessora de Boris Johnson, foram chumbadas no Parlamento.
    4 min
  • Guiné-Bissau: Umaro Sissoco Embaló nega tentativa de golpe de Estado
    Primeiro-ministro guineense acusou Umaro Sissoco Embaló de estar envolvido numa suposta tentativa de golpe de Estado. Mas candidato do MADEM-15 nega e acusa o PM de querer desviar a atenção dos guineenses.O Governo da Guiné-Bissau mandou reforçar as medidas de segurança nas principais ruas e avenidas de Bissau e nas instituições do Estado, sobretudo nos órgãos eleitorais.
    A ordem segue-se a uma mensagem do primeiro-ministro Aristides Gomes, no Facebook, onde acusa Umaro Sissoco Embaló, candidato presidencial do Movimento para a Alternância Democrática (MADEM-G15), de tentar realizar um golpe de Estado para impedir a realização das eleições presidenciais a 24 de novembro.
    Em entrevista à DW África, Aristides Gomes garante que "a situação está controlada" e sublinha que o Governo está a cumprir o dever de "proteger as populações e os bens". Afirma ainda que Umaro Sissoco Embaló "tem muita coisa a dizer".
    Sissoco: Acusações "falsas e caluniosas"
    Contactado pela DW, Umaro Sissoco Embaló refuta as acusações do chefe do Governo guineense.
    "São falsas e caluniosas. Sabem que eu sou o próximo vencedor das presidenciais. Por isso, concentraram as baterias sobre o general Umaro Sissoco Embaló", comenta.
    O político diz que o primeiro-ministro quer desviar a atenção dos guineenses sobre o tráfico de droga e outros casos em que o atual Governo estaria alegadamente envolvido. "Sou uma pessoa de paz. Não sou general no ativo e não tenho tropas para fazer um golpe de Estado", acrescenta o candidato do MADEM-G15.
    A partir da capital senegalesa, Dakar, Sissoco garantiu que não está em Bissau há cerca de um mês. Disse ainda que o chefe do Governo, Aristides Gomes, e o candidato do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC, no poder), Domingos Simões Pereira, também estão em Dakar nesta terça-feira (22.10).
    Sobre um áudio que circula nas redes sociais com a alegada voz de Sissoco a instigar vandalismos nas sedes da Comissão Nacional de Eleições, a detenção do primeiro-ministro e o afastamento de poder do ainda Presidente guineense, o político diz que se trata de uma montagem. E desafia os que o acusam de encomendar a agitação a fazer uma peritagem de voz "para verem se, de facto, é a voz do Embaló".
    "Nem sequer tenho contactos com os militares neste momento. Com quem estava eu a falar? Podem dizer se é um militar? Não sei, sinceramente, apanhou-me de surpresa", lamenta.
    MADEM-G15 pede afastamento de PM
    A partir de Dakar, Aristides Gomes refere que acusou Sissoco com base no áudio que circula nas redes sociais.
    Nesse áudio, "ele [Sissoco] de facto instiga alguém para passar ao ato. Esse é um elemento que permite desencadear um processo de investigação nessa matéria e acusá-lo de tentativa de golpe de Estado. Se ele disser que foi uma montagem, então a investigação vai provar".
    Sissoco refere, porém, que está focado na sua pré-campanha eleitoral e que o Governo lhe tem criado inúmeros bloqueios na entrada dos seus materiais para a campanha eleitoral.
    O líder do MADEM-G15, Braima Camará, considera "vergonhosa" a atitude do primeiro-ministro, que acusa de violar a lei. Pede, por isso, o afastamento de Aristides Gomes da chefia do Governo, pois "foi este primeiro-ministro que não respeitou a Constituição, que não respeitou o prazo legal para a apresentação do programa do Governo, do Orçamento Geral do Estado."
    "Portanto, nós estamos tranquilos. Ninguém vai distrair-nos", sublinhou. Para Camará, o atual primeiro-ministro não tem condições para organizar as eleições de 24 novembro, por estar comprometido com o candidato do PAIGC às presidenciais, Domingos Simões Pereira.
    Camará refere que não se pode ser juiz na causa própria, nem jogador e árbitro ao mesmo tempo. "Não é segredo para ninguém que este primeiro-ministro não tem condições para organizar o pleito, porque está comprometido e viciado", acusou.
    Esta terça-feira, o Presidente José Mário Vaz cancelou a sua agenda devido à situação política em Bissau. As Nações Unidas e a Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) garantiram estar atentas ao desenvolvimentos no país.
    4 min
  • Zambézia: MDM pede novas eleições
    O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) na Zambézia pede a anulação das eleições, que classifica de fraudulentas. A FRELIMO teve uma vitória histórica na província. Mas estranha-se o silêncio nas ruas.A comissão provincial do Movimento Democrático de Moçambique (MDM)exige a repetição das eleições, um dia depois de serem conhecidos os resultados na província da Zambézia, no centro do país.
    Na frente está a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), com uma vitória histórica - a primeira maioria desde 1994 - seguida da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) e do MDM. Mas o MDM não aceita os resultados, e o seu porta-voz, Victorino Francisco, diz mesmo que as eleições gerais têm de ser repetidas.
    "Com tudo isso que aconteceu, o MDM não aceita [os resultados]. O mais coerente, num Estado de direito, seria que estas eleições fossem declaradas nulas, sem efeito. Devemos voltar a segundas eleições, temos que repeti-las", afirmou Francisco.
    De acordo com os resultados dos editais publicados, o MDM não conseguiu atingir 20% dos votos. mas, segundo o porta-voz do partido, isso "é impossível".
    "A apresentação pública dos resultados na província da Zambézia não nos satisfez. Estas eleições foram as piores em termos de níveis de fraude, desde 1994. Se nós temos cerca de 100 mil membros na província da Zambézia, não há explicação para os nossos votos estarem abaixo disso", argumentou.
    "Silêncio"
    Entretanto, o analista político Lourindo Verde estranha o ambiente que se vive na Zambezia nos últimos dias.
    "Todo o silêncio inscita qualquer interpretação. Quando há um falecimento, as pessoas choram. Mas, com uma vitória, as pessoas não estariam no silêncio. E isso faz-nos pensar que alguma coisa não está bem".
    Segundo o politólogo, noutros pleitos eleitorais, era habitual ver pessoas de diferentes partidos a manifestarem-se a favor ou contra os resultados que iam sendo divulgados. Mas "desta vez é estranho, pois estamos a assistir um silêncio dos partidos políticos, da população em geral".
    Desde a realização das eleições que as autoridades policiais têm estado preparadas para afastar qualquer manifestação influenciada pelos resultados eleitorais. Nos últimos dias, tem havido movimentações da polícia na província e carros blindados a circular. O porta-voz da corporação diz que o objetivo é manter a ordem e tranquilidade.
    Mas Lourindo Verde deixa um alerta às forças de segurança: "A manifestação é um direito constitucional, desde que seja legalmente autorizada. Quando se diz que a manifestação é uma forma de incitação à violência, estaríamos a negar um direito constitucional", refere.
    2 min
  • FRELIMO com mais de 90% dos votos em Gaza? Oposição protesta
    Na província de Gaza, sul de Moçambique, a oposição não aceita os resultados publicados na segunda-feira. RENAMO e MDM contestam vitória da FRELIMO e do Presidente Filipe Nyusi com números acima dos 90%.Segundo os resultados do apuramento intermédio que a Comissão Provincial de Eleições de Gaza divulgou na segunda-feira (21.10), o candidato presidencial da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), Filipe Nyusi, venceu o escrutínio com 674.494 votos, correspondentes a 94,7% dos votos.
    O candidato da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), Ossufo Mamade, obteve 20.436 votos ou 2,8%, e Daviz Simango, do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) arrecadou 14.537 votos, equivalentes a 2%. Na eleição dos deputados para a Assembleia da República, a FRELIMO também venceu claramente, com 95,2% dos votos válidos. A RENAMO obteve 2,9% e o MDM 2,2%. A eleição para a Assembleia Provincial teve uma distribuição quase idêntica de votos.
    Mas o mandatário provincial da RENAMO, Arnaldo Zacarias, contesta os dados: "Não são verdadeiros e não nos dizem nada", afirmou.
    RENAMO pede novas eleições
    O partido pede "a anulação desse processo, porque foi muito fraudulento" e exige a realização de novas eleições.
    "Temos dois casos, o primeiro foi na escola Coca Missava, na cidade de Xai-Xai, onde a presidente da mesa foi encontrada com boletins de voto. Chamada a polícia, não quis reagir. Mesmo o procurador esteve lá. Também numa das escolas do distrito do Limpopo, o presidente foi flagrado com alguém a assinalar nos boletins de voto", denunciou Zacarias.
    MDM também rejeita resultados
    O delegado provincial do MDM, Alberto Nhamuche, diz que o seu partido também não reconhece os resultados.
    Nhamuche lembra os problemas desde o recenseamento e denuncia intimidações, falta da credenciação dos fiscais e exclusão de Membros da Mesa de Votação (MMVs) dos partidos da oposição.
    "Na cidade de Xai-Xai, não chegámos de ter um fiscal. A comissão distrital negou categoricamente dar credenciais e, quando o nosso partido tentou fazer alguma coisa, o mandatário provincial foi agredido fortemente com chambocos pela PRM. Em alguns distritos, como Chongoene, houve credenciação no próprio dia de votação. Muitos dos delegados só conseguiram chegar ao terreno a parir das 12h, e o enchimento já haviam feito de manhã", afirma o delegado provincial do MDM.
    O mandatário da FRELIMO foi o único representante dos três partidos com parlamentar que esteve presente na divulgação oficial dos resultados, na segunda-feira. Momed Faruk Mujavar diz que os resultados espelham a vontade do eleitorado e o "o esforço e trabalho de educação do partido."
    Em Gaza, a abstenção foi menor do que em outras províncias moçambicanas. Só 37% dos eleitores inscritos em Gaza não foram votar nas eleições deste ano.
    3 min
  • Corrida à liderança da UNITA: "Luz verde" para candidaturas em dúvida
    Candidaturas de Raúl Danda e Adalberto Costa Júnior foram aprovadas. Ao todo, há cinco candidatos à liderança da UNITA - todos homens. Mas a organização feminina do partido pede para que não se esqueça o papel da mulher.A Comissão de Mandatos do maior partido da oposição em Angola, a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), validou na segunda-feira (21.10), as candidaturas do seu vice-presidente, Raúl Danda, e do líder parlamentar do partido, Adalberto Costa Júnior, que estavam em dúvida.
    Questões relacionadas com a dupla nacionalidade de Adalberto Costa Júnior e os anos de militância de Raúl Danda estavam na base do condicionamento. Mas os problemas foram ultrapassados, segundo a Comissão de Mandatos.
    Militância ininterrupta
    No princípio do mês, a comissão informou que o vice-presidente da UNITA, Raúl Danda, não reunia um dos requisitos essenciais para concorrer ao cargo de chefe do partido: ter 15 anos de "militância ininterrupta".
    Por isso, para aprovar a candidatura de Raúl Danda, que abandonou a UNITA no período do conflito armado, o Comité Permanente do "Galo Negro" decidiu fazer uma votação sobre o tema. A candidatura acabou por ser aprovada com cerca de 40 votos. Mas essa não foi uma decisão fácil, segundo o porta-voz da Comissão de Mandatos, Ruben Sicato.
    "O caso, devido a todas as incongruências que podem existir no nosso próprio ordenamento jurídico, acrescida à soma dos 15 anos que ele faz, antes e depois de ter regressado para a UNITA, não justifica que ele seja impedido de ser candidato", explicou Sicato à imprensa.
    A questão sobre o tempo de militância impossibilitou Raúl Danda lançar a sua campanha, já iniciada pelos outros quatros candidatos à liderança do partido: Abílio Kamalata Numa, Adalberto Costa Júnior, Alcides Sakala e José Pedro Cachiungo.
    Dupla nacionalidade
    Também a dúvida sobre a dupla nacionalidade do líder do grupo parlamentar da UNITA ficou esclarecida. Adalberto Costa Júnior tem agora acesso livre para disputar o cargo de líder dos partido, pois, segundo a Comissão de Mandatos, está provado que Adalberto Costa Júnior renunciou à nacionalidade portuguesa.
    A Constituição da República de Angola proíbe que o presidente de um partido político seja titular de mais do que uma nacionalidade. A Lei dos Partidos Políticos e os estatutos do partido do "Galo Negro" também mencionam essa proibição.
    O porta-voz da Comissão de Mandatos confirmou que "Adalberto Costa Júnior conseguiu apresentar uma prova documental, que está aqui, [juntamente] com estas páginas todas, que provam que ele perdeu a nacionalidade portuguesa. Portanto, ele é um candidato em pé de igualdade com os outros candidatos, pelo que pode ser eleito, e não haverá absolutamente nenhum problema".
    LIMA lembra papel da mulher
    O congresso da UNITA realiza-se entre 13 e 15 de novembro, em Luanda. O ponto alto do evento será a eleição do sucessor de Isaías Samakuva, que lidera o partido desde 2003.
    Clarice Mukinda, membro da Liga da Mulher Angolana (LIMA), a organização feminina da UNITA, espera que o futuro líder do partido destaque o papel da mulher no seu seio.
    "Queremos que os homens nos valorizem por aquilo que somos, e não que nos coloquem em determinadas posições por colocar", afirmou a deputada em entrevista à DW. "Ponham as mulheres nos lugares que merecem".
    3 min

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