África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle

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África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle episodes

  • Eleições em Moçambique: Oposição não estava preparada, dizem analistas
    A virtual vitória esmagadora da FRELIMO é fruto da falta de preparação e desorganização dos partidos da oposição, dizem analistas ouvidos pela DW África.Se se confirmar que a FRELIMO tem uma vitória esmagadora, como indicam os números divulgados até aqui, isso é o resultado da desorganização e despreparação da oposição, dizem analistas moçambicanos, em entrevista à DW África.
    Os dois principais partidos da oposição - a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) e o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) terão começado a dar indicações de que sairíam derrotados com a movimentação de quadros entre as duas formações políticas. Segundo a analista moçambicana Fátima Mimbire, o MDM e a RENAMO ficaram a disputar o estatuto de maior partido da oposição "e não necessariamente a retirada do partido FRELIMO do poder para poder mostrar à sociedade o seu plano de governação".
    Na RENAMO, a escolha de Ossufo Momade para a liderança do partido foi um problema mal gerido internamente e Fátima Mimbire não tem dúvidas sobre o seu impacto: "Acabou obviamente penalizando, porque todas as crispações internas acabaram saindo e ficaram sob o domínio da sociedade, para além de que Ossufo Momade não jogou uma cartada certeira naquilo que foi o processo de preparação para estas eleições".
    Lição das autárquicas foi desperdiçada
    Nestas eleições, alguns observadores e delegados de lista dos partidos da oposição foram impedidos de assistir à contagem dos votos, alegadamente porque as suas credenciais e crachás eram falsos.
    A analista lembra que esta situação aconteceu nas autárquicas, o que podia ter servido de lição para a oposição ficar atenta.
    "Como é possível?", questiona. "Os partidos da oposição, sabendo que aquelas credenciais eram falsas e os órgãos da administração eleitoral aceitaram para eles trabalharem, não pensaram sobre o que isso implicaria. Dias depois, na hora da contagem, eles foram expulsos, alegando-se que estavam a usar credenciais e crachás falsos".
    Estratégias tardias e sem sucesso
    O historiador Egídio Vaz considera que o líder da RENAMO, Ossufo Momade, começou muito tarde a fazer a pré-campanha. E figuras de peso do partido, como Elias Dlhakama, Ivone Soares e Manuel Bissopo não ajudaram a projetar a imagem de Momade.
    "Será que viu algum dia o antigo secretário geral da RENAMO, Manuel Bissopo a fazer campanha? Não", sublinha, recordando também "a contestação de [Mariano] Nhongo, que fez campanha anti-RENAMO e ao nível da Assemleia da República a Ivone Soares disse que estava sensibilizada com a atitude de Nhongo".
    Já o MDM fez campanha sob o signo das dívidas ocultas, apelando aos eleitores para punirem os seus autores com o voto, mas a estratégia não funcionou, lembra Egídio Vaz: "Portanto, não é por haver dívidas ocultas ou baixo crescimento económico ou mesmo muita corrupção que a FRELIMO deixaria de merecer a confiança", afirma.
    Egídio Vaz realça a boa organização da FRELIMO, que esteve em todas as mesas de voto para controlar o processo, o que não aconteceu com a oposição. "A FRELIMO teve uma logistica de mais ou menos 45 mil pessoas", frisa.
    Na contagem de votos, a FRELIMO e o seu candidato Filipe Nyusi continuam na liderança, seguindo-se Ossufo Momade, da RENAMO, e o MDM e Daviz Simango em terceiro lugar.
    Artigo atualizado às 15h32 (CET) de 22 de outubro de 2019, alterando a ocupação da analista Fátima Mimbire.
    4 min
  • Moçambique: Oposição rejeita vitória da FRELIMO em Inhambane
    Nyusi vence, em Inhambane, com 81,37% dos votos, mas RENAMO e MDM "não assinam atas". Em Panda, membros da RENAMO estão detidos por suspeita de falsificação. FRELIMO com larga vantagem também em Manica e Gaza.O Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) em Inhambane, anunciou oficialmente, esta segunda-feira (21.10), os resultados das últimas eleições de 15 de outubro, onde o partido FRELIMO e seus candidatos saem vencedores.
    Agostinho Buque, presidente provincial do STAE em Inhambane, disse, durante a apresentação dos dados no salão nobre do conselho municipal da cidade, que o processo ficou marcado pelas reclamações dos partidos da oposição, mas que mesmo assim não deixou de ser um "processo transparente". No entanto, confirma Agostinho Buque, "os partidos RENAMO e MDM não assinaram as atas".
    Na votação para as presidenciais nesta província, Filipe Nyusi, da FRELIMO, obteve 266.276 votos, o correspondente a 81,37%, Daviz Simango (MDM - Movimento Democrático de Moçambique) somou 14.404 (4,4%) e Ossufo Momade (RENAMO - Resistência Nacional Moçambicana) recolheu 44.763, ou seja, 13,37% dos votos.
    Célio Mate, mandatário do partido FRELIMO em Inhambane, diz que a vitória do seu partido é fruto de muito trabalho."O partido FRELIMO congratula, primeiro, os órgãos eleitorais pelo excelente trabalho no processo. Quanto aos resultados, são fruto realmente de trabalho árduo que este glorioso partido fez durante 43 dias da campanha".
    Já Ossumane Mussagy, vogal da RENAMO no STAE de Inhambane, frisa que o seu partido não aceita os resultados e que está a aguardar novas orientações da sua formação política. "Não aceitamos os resultados e o passo a seguir vai caber à Resistência Nacional Moçambicana em Maputo", explica.
    O mesmo posicionamento tem José Sinequinha. O mandatário provincial do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) denuncia uma "grosseira fraude eleitoral", na sua opinião, a mais grave desde a introdução do sistema de multipartidarismo na década 90."O MDM não aceita esses resultados que estão a ser anunciados", frisa José Sinequinha, acrescentando que "houve muitas evidências de boletins de votos apanhados fora dos centros de votação. É um indício de que houve fraude".
    Na província de Inhambane, quase metade dos eleitores não foram às urnas e mais de 11 mil votaram em branco.
    Detenções em Inhambane
    Entretanto, segundo revelou o porta-voz da polícia desta província moçambicana, no encontro semanal com jornalistas, encontram-se detidos no distrito de Panda, o chefe do gabinete distrital de eleições e sete membros do partido RENAMO. São acusados de falsificação de certificados de habilitações literárias para se candidatarem a membros das mesas de voto em Inhambane.
    Segundo a Lusa, os sete certificados apresentavam a mesma data de emissão e as mesmas notas, tendo sido substituídos apenas os nomes, o que terá, segundo a polícia, levado às suspeitas dos órgãos eleitorais. O certificado de habilitação literária, no mínimo da 7.ª classe, é um dos requisitos para ser membro das assembleias de voto.
    Nyusi com 74% em Manica
    Os números até agora divulgados dão uma larga vantagem a FRELIMO em todo o país nas três eleições. Em Manica, esta vantagem é expressiva. Na votação para as presidenciais, Filipe Nyusi obteve 381.822 votos, correspondente a 74,85%, Ossufo Momade (Renamo - Resistência Nacional Moçambicana) recolheu 113.204, ou seja, 22,19%, e Daviz Simango (MDM - Movimento Democrático de Moçambique) somou 12.554 (2,46%). Mário Albino da AMUSI, teve apenas 2.555 votos, ou seja, 0.50%.
    Para a Assembleia da República, a FRELIMO conquistou 7,653% dos votos, seguida da RENAMO com 2,362% e o MDM com 2,53%. Resultados muito semelhantes registaram-se para a Assembleia Provincial.
    Zambézia e Gaza
    Foram revelados também, esta segunda-feira (21.10), os resultados nas províncias da Zambézia, onde a FRELIMO conseguiu a maioria dos votos pela primeira vez desde 1994, o ano das primeiras eleições multipartidárias em Moçambique.
    O partido no poder venceu, na Zambézia, com 65,49% dos votos; a RENAMO foi o segundo partido mais votado, com 29,6%, o MDM em terceiro lugar com 3,39% dos votos e a Ação de Movimento Unido para Salvação Integral (AMUSI) conseguiu 0,37% dos votos. Filipe Nyusi, o candidato presidencial da FRELIMO, venceu as presidenciais com 69,5% dos votos.
    A vitória mais expressiva da FRELIMO registou-se, até ao momento, na província de Gaza, no sul do país, onde obteve 95,02% dos votos.
    Os principais partidos da oposição, RENAMO e MDM, não aceitam os resultados.
    4 min
  • RENAMO não aceita resultados eleitorais em Moçambique
    A Comissão Política Nacional da RENAMO, o maior partido da oposição em Moçambique, não aceita os resultados das eleições presidenciais, legislativas e provinciais. FRELIMO nega fraude.Em Moçambique, a Comissão Política Nacional da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), o maior partido da oposição, decidiu "não aceita, nem reconhece" os resultados das eleições presidenciais, legislativas e provinciais da última terça-feira (15.10).
    O partido decidiu ainda encetar diligências junto da sociedade moçambicana e da comunidade internacional para encontrar soluções para a "reposição da verdade eleitoral".
    A Comissão Política Nacional da RENAMO reuniu-se esta segunda-feira em Maputo para avaliar as eleições presidenciais, legislativas e provinciais. No final do encontro, o presidente da RENAMO, Ossufo Momade, alertou para as "graves irregularidades que mancharam o processo na sua plenitude".
    "Mega fraude"
    Ossufo Momade disse ainda que o partido decidiu "instar todos os moçambicanos a não aceitarem a mega fraude eleitoral [e] exigir a libertação imediata e incondicional de todos os membros da RENAMO, arbitrariamente detidos ao longo do processo eleitoral".
    A Comissão Política da RENAMO quer ainda que o Presidente da República, Filipe Nyusi, esclareça publicamente a proveniência dos votos e urnas na posse de membros do partido no poder, a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), fora do circuito dos órgãos eleitorais e esclareça também a quem servem as Forças de Defesa e Segurança, que, segundo afirma, se posicionaram em prejuízo da vontade popular.
    O partido da oposição decidiu também exigir à Comissão Nacional de Eleições (CNE) "que esclareça publicamente a circulação dos boletins de voto fora do circuito dos órgãos eleitorais", além de "encetar diligências junto da sociedade moçambicana e da comunidade internacional, de modo a encontrar soluções para a reposição da verdade eleitoral".
    FRELIMO em Gaza: 95,02%
    Entretanto, as comissões provinciais de eleições prosseguiram esta segunda-feira com a apresentação dos resultados intermédios do escrutínio. Os números até agora divulgados dão uma larga vantagem a FRELIMO em todo o país nas três eleições, nomeadamente para a escolha do chefe de Estado, dos deputados à Assembleia da República e dos membros das Assembleias Provinciais.
    A vitória mais expressiva da FRELIMO registou-se, até ao momento, na província de Gaza, no sul do país. Segundo a Comissão Provincial de Eleições, a FRELIMO obteve 95,02% dos votos, o partido RENAMO obteve 2,8% e o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) conseguiu 2,18%.
    Gaza registou resultados aproximados nas eleições presidenciais e provinciais, indicou a comissão.
    Outros resultados oficiais intermédios divulgados dão larga vantagem à FRELIMO e ao seu candidato nas províncias de Maputo, Nampula e Tete, estas últimas duas redutos da oposição.
    No fim de semana, dados oficiais confirmaram a derrota da RENAMO no seu principal bastião, a província de Sofala, e ainda na cidade de Maputo e na província de Cabo Delgado.
    Os números até agora tornados públicos não são aceites pela oposição parlamentar, a RENAMO e o MDM. Por sua vez, a FRELIMO reage às alegações de fraude afirmando que os resultados eleitorais refletem a vontade popular e resultam de muito trabalho e organização.
    Edmundo Galiza Matos Júnior, porta-voz da bancada parlamentar da FRELIMO, disse que "não há justiça absolutamente nenhuma nesta reclamação, não há fundamento". Segundo ele, "pela primeira vez tivemos cerca de 40.700 observadores, vários membros das mesas de voto, muitos dos quais da RENAMO. Como é possível ter-se tamanha fraude?", questionou.
    4 min
  • Eleições em Moçambique: Vitória histórica da FRELIMO na Zambézia
    Estas foram eleições históricas na província moçambicana da Zambézia. Foi a primeira vez que a FRELIMO obteve a maioria dos votos na província desde 1994.Na província moçambicana da Zambézia, uma das mais populosas do país, estas foram eleições históricas. A Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) conseguiu a maioria dos votos pela primeira vez desde 1994, o ano das primeiras eleições multipartidárias em Moçambique, e canta vitória.
    Mas o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) falam em "atropelo à democracia". E a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) boicotou a sessão de divulgação dos resultados.
    Resultados
    Segundo a Comissão Provincial de Eleições, a eleição dos deputados da Assembleia da República teve os seguintes resultados: a FRELIMO ficou em primeiro lugar, com 65,49% dos votos; a RENAMO foi o segundo partido mais votado, com 29,6%. O MDM ficou em terceiro lugar, com 3,39% dos votos e a Ação de Movimento Unido para Salvação Integral (AMUSI) conseguiu apenas 0,37% dos votos.
    Filipe Nyusi, o candidato presidencial da FRELIMO, venceu as presidenciais com 69,5% dos votos. Em segundo lugar ficou o líder da RENAMO, Ossufo Momade, com 25,9% dos votos, e, em terceiro, Daviz Simango, do MDM, com 3,8%. Mário Albino, o candidato presidencial do partido AMUSI, conseguiu 0,8%.
    A FRELIMO venceu também a corrida ao cargo de governador provincial. Segundo a Comissão Provincial de Eleições, para a eleição dos membros das assembleias provinciais, o partido FRELIMO obteve 65,29% dos votos. A RENAMO conseguiu 30,72% e o MDM 3,99%.
    FRELIMO aguarda a festa
    A FRELIMO saudou os resultados e afirma estar agora "à espera da festa". Cipriano Ntussi, membro do partido, acrescentou que "o povo escolheu e não há nada a reclamar aqui. O povo confiou e confia até agora nos programas do partido".
    Já o representante do MDM, Vitorino Francisco, saiu enfurecido da sala onde os resultados foram anunciados: "Nós vamos reagir publicamente amanhã, mas em duas palavras eu vou dizer: isto é o total atropelo à democracia".
    Esta segunda-feira de manhã, carros da Unidade de Intervenção Rápida da polícia circulavam pela cidade de Quelimane. O porta-voz do comando policial na Zambézia, Sidner Lonzo, disse que o objetivo era conter os ânimos dos cidadãos.
    Entretanto, não houve manifestações, nem festejos, depois do anúncio dos resultados na província da Zambézia. Sobretudo na capital provincial, Quelimane, reina um silêncio total, pouco habitual.
    3 min
  • Angola: Presidente enganado ou conivente com informações falsas?
    Analistas consideram que ou o Presidente recebeu dados falsos para o seu discurso sobre o Estado da Nação ou é conivente. João Lourenço diz estar a averiguar para responsabilizar quem forneceu informações erradas.Afinal, a Mediateca do Bié ainda não foi inaugurada, como fez crer o chefe de Estado durante o discurso do Estado da Nação, na semana passada. Depois da denúncia feita pelos cidadãos locais, o Presidente angolano, João Lourenço, constatou isso mesmo no terreno, este fim-de-semana.
    "Alguém criou uma situação embaraçosa para o Executivo. Nós estamos a averiguar, a investigar, no sentido de responsabilizar quem o fez", afirmou.
    O discurso de João Lourenço sobre o Estado da Nação, na abertura do ano parlamentar, continua a gerar polémica. Muitos angolanos têm chamado a atenção na Internet para várias informações erradas no discurso. Por exemplo, a não conclusão da estrada que liga Malanje ao leste do país, que foi apresentada como uma obra já executada.
    Os cidadãos duvidam ainda da criação de mais de 100 mil postos de trabalho num país em recessão económica. E questionam a existência de 213 jornais e mais de 400 revistas em circulação, numa Angola com apenas um diário.
    No discurso, João Lourenço deu nota positiva à liberdade de imprensa. Mas a televisão pública não mostrou os cartões amarelos exibidos pelo maior partido da oposição, a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), em sinal de protesto contra o Governo.
    Enganação ou conveniência?
    O Presidente da República terminou o discurso do Estado da Nação a pedir um pouco mais de paciência aos cidadãos, com um ditado popular: "o apressado, come cru". Agora, depois de João Lourenço admitir que foi enganado, os cidadãos perguntam nas redes sociais: quem é o "apressado" que "come cru?" E questionam também: "quem está a enganar o chefe de Estado?"
    O politólogo Agostinho Sicatu diz que a prática não é nova: "O Presidente da República, em muitos dados que apresentou no seu discurso, foi enganado. Estes tais enganadores, que já enganaram várias vezes [o antigo Presidente] José Eduardo dos Santos, são os mesmos com quem João Lourenço está a trabalhar", avalia.
    O político independente Serafim Simeão diz que, além do discurso sobre o Estado da Nação, há outros exemplos que indicam que o Presidente João Lourenço tem sido enganado: seria o caso do concurso para eleger uma nova operadora de telecomunicações, que acabou por ser anulado depois de uma controvérsia com a Telstar, ou o também polémico projeto do "Bairro dos Ministérios", igualmente cancelado.
    "Nós assistimos, no passado recente, à questão da Telstar, por exemplo: houve irregularidades gravíssimas e o Presidente da República não tomou medidas adequadas quando soube que foi enganado. Houve ainda o caso do 'Barro dos Ministérios': [ou o] Presidente [não] tinha conhecimento do que se estava a passar nas negociatas que iam prejudicar grandemente os cofres do Estado, ou conhece o jogo que andam a fazer", pondera Simeão.
    O político questiona ainda: "Como é que o titular do poder Executivo é constantemente enganado?", uma vez que tem órgãos como a Inspeção-Geral da Administração do Estado (IGAE) e o Serviço de Inteligência e Segurança do Estado (SINSE) ao seu dispor.
    O politólogo Agostinho Sicatu espera que quem enganou o titular do poder Executivo seja responsabilizado e é de opinião que se conheça o perfil dos cidadãos que auxiliam João Lourenço.
    "Quem é a pessoa que vamos colocar no sítio, quais são as competências que ela apresenta? [É preciso] fazer uma avaliação do perfil profissional do indivíduo. Isto é fundamental", conclui.
    3 min
  • Pintura de artista guineense Kevin Lima vale ouro em Paris
    A pintura "Amor de Pai" do jovem guineense Kevin Lima foi premiada com a medalha de ouro numa exposição internacional de arte, em Paris. A obra gerou controvérsia.Kevin Lima, um jovem pintor da Guiné-Bissau, de 26 anos, foi galardoado no domingo (20.10) com a medalha de ouro na 25ª edição do "Artcom Expo International", uma exposição de arte que decorreu em Paris. O evento juntou este ano cerca de 165 expositores de 21 países, exibindo arte moderna, contemporânea e as tendências emergentes.
    "Galardoaram-me porque a minha obra estava a causar polémica desde o primeiro dia da exibição da minha galeria, no "Carrousel du Louvre", em Paris", conta Kevin Lima em entrevista à DW África.
    "Muitos artistas e críticos diziam que era uma fotografia e não uma pintura. Disseram que foi um trabalho digital imprimido, facto que me deixou maldisposto. Por fim, após uma avaliação mais detalhada, os júris concluíram que é uma pintura e não uma réplica, ou algo digital. Aí deram-me o prémio da melhor obra do salão", diz o artista, que vive na região do Algarve, em Portugal.
    Prémio serve de "trampolim"
    Kevin Lima recebeu a medalha de ouro das mãos dos organizadores do evento, que sublinharam o facto de o guineense ter levado a melhor sobre os concorrentes de 14 países. "Senti-me muito, muito satisfeito naquele momento. Esse prémio significa um trampolim enorme na minha carreira artística e a abertura de muitas portas", afirma.
    O sonho começa a tornar-se realidade para o artista da Guiné-Bissau, que só começou a pintar a sério em 2016. Kevin recebeu, de imediato, um convite para participar a 4 de dezembro numa outra grande exposição de pinturas em Miami, nos Estados Unidos da América.
    "Estou super satisfeito por representar o meu país nesses grandes eventos internacionais", disse em entrevista telefónica a partir da capital francesa.
    O realismo do quotidiano
    Kevin Lima começou a pintar muito cedo por curiosidade e prazer, sem qualquer objetivo comercial na altura. Mas, em 2016, entusiasmou-se com a parte comercial da pintura, porque queria ter autonomia financeira e dar um salto na carreira.
    Daí dedicou-se às pesquisas, fez vários cursos e começou a apreender as técnicas realistas com outros pintores da Guiné-Bissau.
    "Organizei a primeira exposição das minhas pinturas no Centro Cultural Português de Bissau, e nesse dia vendi todos os quadros que tinha no evento. A partir daí nunca parei de pintar", conta o artista.
    À DW África, Kevin Lima afirma que tenta expressar na pintura o realismo da vida quotidiana, que é um trabalho mais exaustivo: "Os meus quadros não têm muito mistério por trás das obras, porque mostram logo uma realidade. É um trabalho extremamente delicado, cansativo e que exige grande concentração, do início ao fim. No entanto, a satisfação de terminar a obra e ver que realmente se parece com uma fotografia é fantástica."
    O jovem viaja muito para fotografar e depois desenhar as fotos em quadros. O seu maior sonho é fundar uma escola de Belas Artes na Guiné-Bissau e organizar uma exposição no Hospital Nacional Simão Mendes, o maior centro hospitalar do país, retratando as principais figuras históricas guineenses.
    5 min
  • Moçambique: RENAMO articula posicionamento sobre eleições gerais
    Após contestar os resultados provisórios que dão ampla vantagem à FRELIMO, o maior partido da oposição moçambicana reúne a sua Comissão Política para tomar uma posição sobre o processo eleitoral.Em Moçambique, a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) reúne esta segunda-feira (21.10) a Comissão Política do partido para decidir sobre o seu posicionamento após ter contestado os resultados oficiais provisórios das eleições presidenciais, legislativas e provinciais de 15 de outubro.
    A Comissão Política da RENAMO vai tomar uma posição face à alegada fraude que afirma ter marcado as eleições gerais. "Assistiu-se a uma violência total caracterizada pelo impedimento e expulsão dos delegados de candidatura e dos membros das mesas de voto dos partidos da oposição, protagonizada pelos presidentes das mesas de voto com a ajuda de agentes da polícia", afirmou o secretário-geral do partido, André Magibire.
    Magibire disse que se assistiu também a prisões arbitrárias de delegados de candidatura e de eleitores que tentaram apresentar reclamações, assim como o enchimento de urnas com votos previamente preenchidos a favor da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO). Magibire indicou ainda que os ilícitos registados violam o acordo de paz.
    "A magnitude da fraude foi tão enorme que as eleições não podem ser aceites, pelo que devem ser anuladas e repetidas. A RENAMO distancia-se dos resultados que estão a ser anunciados por não corresponderem à vontade popular. O partido RENAMO considera que houve fraude. Recomenda que o país se prepare para novas eleições, que devem ser supervisionadas por entidades idóneas", acrescentou.
    Ampla vantagem
    Entretanto, o maior partido da oposição de Moçambique saiu derrotado no seu principal bastião, a província de Sofala, segundo dados divulgados pela Comissão Provincial de Eleições este fim de semana. Os resultados dão vitória à FRELIMO nas eleições legislativas e ao seu candidato Filipe Nyusi, nas presidenciais. Nas eleições provinciais, a FRELIMO também ganhou em todos os distritos da província de Sofala, incluindo na cidade da Beira.
    "Eleição dos deputados da Assembleia da República: FRELIMO, 66.29%; RENAMO, 20.25%; MDM, 12.31%. Candidato Filipe Nyusi, da FRELIMO, 67.78%; Ossufo Momade, da RENAMO, 20.08%; Daviz Simango, do MDM, 11.67%", anunciou o presidente da Comissão Provincial de Eleições, Simião Albazine.
    O chefe da Brigada Central da FRELIMO de Assistência à Província de Sofala, Sérgio Pantie, disse a jornalistas que "as eleições correram muito bem". "As eleições correspondem à vontade popular. Conseguimos passar a nossa mensagem", afirmou.
    Partidos criticam
    Já o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) não reconheceu os resultados. "Este processo de votação foi manchado principalmente por um enchimento das urnas", denunciou José Muchanga, delegado político do partido em Sofala.
    O MDM aponta ainda outros ilícitos eleitorais, como violência contra delegados de candidaturas da oposição, proliferação de boletins pré-marcados, barramento de observadores eleitorais e aliciamento de membros das mesas de voto.
    Em Cabo Delgado, no norte do país, a FRELIMO e Filipe Nyusi também saíram vencedores. A RENAMO recusou-se a assinar o edital de apuramento provincial por "alegada fraude". Já em Nampula, o maior círculo eleitoral com um nível de processamento de cerca de 66% dos votos, a FRELIMO e o seu candidato estão à frente.
    Para o Centro de Integridade Pública, CIP, à medida que mais resultados tornam-se disponíveis, a vitória esmagadora da FRELIMO é confirmada. Com base numa amostra de quase 3.000 assembleias de voto, as projeções indicam que Filipe Nyusi conquistou 71% dos votos. Ossufo Momade, da RENAMO, deverá ganhar apenas 21% dos votos, Daviz Simango, do MDM, 7%, e Mário Albino, do AMUSI, menos de 1%.
    Segundo o editor do boletim eleitoral do CIP, Joseph Hanlon, "a FRELIMO sempre exigiu dos seus membros 'vitória a todo custo', mas estas parecem que são as primeiras eleições gerais em que o partido exerceu poder de forma organizada, mas descentralizada".
    4 min
  • Novos protestos escalam em Hong Kong
    Milhares de manifestantes de Hong Kong inundaram novamente as ruas neste domingo (20.10), enfrentando a proibição de protestos, após os violentos ataques, esta semana, sobre dois militantes pró-democracia.Milhares de manifestantes de Hong Kong inundaram novamente as ruas, enfrentando a proibição de protestos, movidos pela raiva, após os violentos ataques, esta semana, sobre dois militantes pró-democracia.
    As autoridades haviam proibido a manifestação organizada em Tsim Sha Tsui, uma área densamente povoada, conhecida pelas suas lojas de luxo e hotéis.
    Para justificar a proibição, as autoridades invocaram razões de segurança, após os violentos confrontos entre a polícia e a franja mais radical de manifestantes.
    Neste domingo, ao meio-dia (hora local), milhares de pessoas participaram da manifestação proibida pelo vigésimo fim de semana consecutivo de protestos. Continuam a fazer pressão sobre o Governo em Pequim.
    Pior crise política
    Há quatro meses que a ex-colónia britânica atravessa a sua pior crise política, desde a transferência do poder para a China, em 1997, com manifestações e ações quase diárias denunciando a perda de liberdade, mas também a crescente ingerência de Pequim nos assuntos desta região semiautónoma.
    Desde que as autoridades proibiram o uso de máscaras durante manifestações, no início de outubro, Hong Kong sofreu uma onda de violência, com vários atos de vandalismo contra empresas acusadas de apoiar o governo pró-Pequim.
    Mas os violentos ataques a dois ativistas pró-democracia nesta semana exacerbaram o movimento. Na quarta-feira, Jimmy Sham, uma das figuras do campo pró-democracia, foi hospitalizado após ser violentamente agredido com martelos por pessoas desconhecidas.
    Jimmy Sham é o principal porta-voz da Frente Civil de Direitos Humanos (FCDH), uma organização que promove a não-violência e esteve por detrás dos protestos mais pacíficos dos últimos meses.
    Agressões
    Na noite de sábado, um homem de 19 anos que distribuía panfletos pedindo manifestações foi gravemente ferido por um agressor que o esfaqueou no pescoço e no abdómen.
    Vídeos difundidos nas redes sociais mostraram também o agressor a segurar uma faca após o ataque e a gritar "Hong Kong faz parte da China" e "vocês estragaram Hong Kong".
    Figo Chan, da FCHR, disse que os defensores da democracia devem mostrar que a sua determinação permanece intacta.
    "Se não sairmos amanhã, a violência vai prevalecer e vai intensificar-se: a violência infligida pelo regime, pela polícia e pelas tríades locais", afirmou no sábado, em declarações aos jornalistas.
    Nos dois campos do conflito - pró-democracia e pró-Pequim - a violência tem vindo a crescer em intensidade, aumentando ainda mais a divisão ideológica.
    30 min
  • Parlamento britânico aprova emenda para novo adiamento do Brexit
    Reunido este sábado (19.10), parlamento britânico não chegou a votar novo acordo para saída da União Europeia, porque 322 deputados votaram a favor de uma emenda que dita o adiamento do prazo.A Câmara dos Comuns aprovou, este sábado (19.10), uma emenda que obriga o primeiro-ministro Boris Johnson a solicitar uma nova extensão do prazo para a saída do Reino Unido da União Europeia, até que seja aprovada, no parlamento britânico, a legislação que regulamenta este acordo de saída.
    Depois do anúncio do acordo alcançado com a União Europeia, na passada quinta-feira (17.10), foram propostas no Reino Unido três emendas ao novo documento. A mais forte, consideraram os analistas, foi a alteração submetida por Oliver Letwin, deputado conservador, e que pedia a suspensão da aprovação do acordo até que a legislação para a ratificar fosse aprovada. A proposta acabou por ser aprovada, neste "super sábado" - como lhe chama a imprensa britânica por o parlamento britânico reunir ao fim de-semana pela primeira vez em 37 anos -, por 322 votos a favor e 306 votos contra.
    Como explicou Oliver Letwin, o objetivo desta emenda "é manter em vigor a rede de segurança prevista na 'lei Benn', que nos impede de sair automaticamente se não houver acordo até 31 de outubro". E como não foi aprovado um acordo dentro do prazo que acabava hoje, a "lei Benn" determina que o governo tenha de pedir um adiamento do "Brexit" à UE até 31 de janeiro.
    A decisão é um enorme revés para Boris Johnson, que disse aos deputados imediatamente após a votação que o governo iria introduzir a legislação necessária na próxima semana e que "não vai negociar um adiamento com a União Europeia".
    No entanto, horas mais tarde, fonte da União Europeia confirmou que o primeiro-ministro britânico irá, como manda a "lei Benn", enviar uma carta a solicitar o adiamento ao Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, que começará a consultar os líderes da União Europeia sobre como "reagir".
    Após esta votação, o governo decidiu não submeter a votação o novo acordo negociado pelo primeiro-ministro.
    Saída a 31 de janeiro de 2020?
    Esta é já a quarta vez que a Câmara dos Comuns vota o acordo para a saída da União Europeia no espaço de um ano. Agora, segundo a "lei Benn", o primeiro-ministro tem de solicitar um adiamento da saída do seu país do bloco europeu até 31 de janeiro de 2020, que deve ser posteriormente avaliado e validado por unanimidade pelos 27 Estados-Membros da União Europeia.
    Mas, e como frisou este sábado (19.10), antes da votação, o primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, "seria um erro assumir que [um adiamento] é garantido", pois depende dos outros 27 Estados-membros do bloco. "O plano B é um 'no deal' e estamos todos a preparar-nos para isso", acrescentou.
    Depois da divulgação dos termos do novo acordo, no final desta semana, as reações começaram a chegar. Logo na quinta-feira (17.10), dia do anúncio do novo documento, o Partido Democrático Unionista da Irlanda do Norte disse que continuaria a rejeitar o acordo. Também Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, afirmou logo que iria rejeitar o documento, justificando que a sua aprovação colocaria em risco o emprego e os serviços de saúde no Reino Unido. Uma posição que voltou a confirmar este sábado (19.10) na sessão extraordinária.
    "É urgente seguir em frente"
    Antes da votação da emenda, esta manhã, Boris Johnson defendeu a urgência na conclusão deste processo. "É urgente seguir em frente, para construir um novo relacionamento com nossos amigos na UE com base num novo acordo, um acordo que pode curar a cisão na política britânica. Agora está na altura de esta grande Câmara dos Comuns se unir e unir o país", afirmou.
    Boris Jonhson disse ainda que "quaisquer que sejam as cartas que eles tentem forçar o governo a escrever, não posso mudar a minha opinião de que mais atrasos são inúteis, caros e profundamente corrosivos para a confiança pública".
    Também a antiga primeira-ministra britânica Theresa May apelou ao voto a favor do acordo. "Hoje, todos os membros desta Câmara têm a responsabilidade de decidir se vão ou não colocar o interesse nacional em primeiro lugar. E não apenas uma questão ideológica ou um interesse de um partido político, mas também os interesses mais vastos dos nossos eleitores", argumentou.
    Novo acordo: o que muda?
    O novo acordo, que acabou por não ser votado, este sábado, no parlamento britânico, distancia-se dos anteriores, principalmente, porque remove o chamado 'backstop', o mecanismo de salvaguarda que evitava uma fronteira física com a vizinha República da Irlanda.
    O novo protocolo mantém a província britânica no território aduaneiro do Reino Unido, apesar de ficar alinhada com a leis da UE que facilitam o movimento de mercadorias na ilha inteira, introduzindo processos aduaneiros e fiscais para quando estejam em causa trocas comerciais com países terceiros.
    O sistema será aplicado a partir de 2021 por um período de quatro anos, podendo ser apenas cessado se houver uma maioria simples nesse sentido na Assembleia autónoma de Stormont, que está sem funcionar desde as eleições regionais de 2017 devido a divergências entre unionistas protestantes e republicanos católicos.
    Na Declaração Política que acompanha o acordo e que contém orientações para as futuras relações entre o Reino Unido e UE, foram feitas alterações que substituem a ambição de criar uma "zona de comércio livre" por negociar um "acordo de comércio livre".
    Na quinta-feira (17.10), o primeiro-ministro britânico disse nas redes sociais que este é um "grande acordo”, enquanto o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker o definiu como "justo" e "equilibrado".
    Manifestações
    Milhares de pessoas que estão contra a saída do Reino Unido da União Europeia concentraram-se, este sábado (19.10) no centro de Londres a pedir para que o Reino Unido permanece na UE. Pedem um novo referendo.
    37 min
  • FMI disponível para eventual nova ajuda financeira a Moçambique
    O diretor do departamento de África do Fundo Monetário Internacional (FMI) admitiu que há disponibilidade para considerar um novo acordo de ajuda financeira de médio prazo para Moçambique, se existir um pedido prévio."Se houver um pedido para um programa de médio prazo, estaremos felizes em olhar para esse assunto e levar à consideração", disse Abebe Aemro Selassie sobre a ajuda financeira a Moçambique, numa resposta à Lusa, em Washington, nos Estados Unidos da América, durante os Encontros Anuais.
    O FMI admite assim, pela primeira vez desde o escândalo das dívidas ocultas, que a instituição está disponível para voltar a dar assistência financeira a Moçambique. Desde a descoberta das dívidas ocultas, o FMI traçou a "necessidade de uma explicação para tentar entender para que efeitos foram contraídas as dívidas e que recursos foram usados", disse o diretor do departamento africano. "É bom ver, mais recentemente, os procedimentos que resultaram das investigações que as autoridades (...) e outras jurisdições têm empreendido", referiu Abebe Aemro Selassie, mostrando-se satisfeito em ver a Justiça atuar sobre as dívidas ocultas de Moçambique.
    Progressos na luta contra a corrupção
    O diretor do departamento de África do FMI considerou que "tem havido progressos nas duas áreas, mas ainda não houve um pedido marcante para um programa do FMI até ao momento, já que o país passou por eleições", e recordou que o FMI impôs, desde o início, que houvesse acordo sobre "um programa com políticas" que o Fundo pode apoiar.
    O FMI suspendeu a assistência financeira a Moçambique, que previa a ajuda de 282,9 milhões de dólares com o pagamento de várias tranches, em 2016, na sequência da descoberta das dívidas ocultas de mais de 2 mil milhões de dólares. "Como resultado das dívidas ocultas, a dívida [soberana] estava numa situação insustentável e tinha de haver uma forma de assegurar que a dívida era levada a níveis sustentáveis", comentou Abebe Aemro Selassie.
    O diretor lembrou o ciclone Idai que afetou Moçambique em março e trouxe "efeitos devastadores" e que o FMI "seguiu em frente rapidamente para fornecer alguma ajuda ao país". "Nós dispersámos alguns recursos para ajudar a aliviar o impacto disso, portanto o nosso compromisso, de forma a fornecer este tipo de ajuda de emergência e conselho de políticas, tem continuado", assegurou o responsável do FMI.
    O Idai atingiu a região centro de Moçambique em 14 de março, causando 603 mortos e o FMI deu resposta com um empréstimo de emergência de 118,2 milhões de dólares (105 milhões de euros).
    A ex-diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, afirmou, numa entrevista à BBC em maio de 2016, que a suspensão do financiamento a Moçambique foi justificada por sinais claros de corrupção escondida. "Quando vemos um país sob um programa do FMI, em que há dinheiro da comunidade internacional envolvido, que não cumpre o seu compromisso de divulgação financeira, que está a esconder claramente a corrupção, nós suspendemos o programa. Fizemos isso muito recentemente com Moçambique", disse Lagarde à BBC.
    Caso provocou várias detenções
    As investigações alegam que a operação de financiamento de 2,2 mil milhões de dólares (dois mil milhões de euros) para criar as empresas públicas moçambicanas Ematum, Proindicus e MAM durante o mandato do Presidente Armando Guebuza é um vasto caso de corrupção e branqueamento de capitais.
    Várias pessoas foram detidas em Moçambique, na sequência desta investigação, entre as quais o antigo ministro das Finanças do país Manuel Chang, que está detido na África do Sul e enfrenta pedidos de extradição para Moçambique e para os Estados Unidos da América, que também está a investigar o caso.
    38 min

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