África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle

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África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle episodes

  • No fecho da campanha na Zambézia, Manuel de Araújo apela à "vigilância" do eleitor
    Foi com as habituais promessas eleitorais e acusações ao Governo do dia que a RENAMO terminou a campanha eleitoral na província central da Zambézia, este sábado (12.10). Clima de festa e euforia caracterizou o momento.Os membros e apoiantes da RENAMO cantavam a sua palavra de ordem na recepção ao seu candidato a governador na província da Zambézia. "Apaquea" é uma expressão na língua Chwabo que quer dizer "os ladrões estão encurralados", numa clara referência à FRELIMO, partido no poder, seu principal adversário.
    Vindo de quatro distritos, Manuel de Araújo encerrou a sua campanha ao Governo da Zambézia no campo de Chirangano, em Quelmane, no final da tarde deste sábado (12.10), fazendo um comício para centenas de pessoas.
    "Hoje vocês vieram testemunhar a abertura na história de Moçambique. Em 1975, nós tivemos aquilo que deveria ser a nossa libertação política, mas um grupo de ladrões, bandidos e assassinos roubou a independência do povo. Então, no dia 15, o povo de Moçambique, o povo da Zambézia, vai abrir uma nova página, a segunda independência de Mocambique," disparou.
    Promessas ao professor
    E "o puto mais fofo da Zambézia", como ele próprio se intitula, aproveitou o 12 de outubro, dia do professor, para fazer mais promessas eleitorais e para acusar implicitamente a FRELIMO de ser responsável pela violência.
    "A minha mãe, a professora Inês, aquela a quem eles queimaram a casa, também é professora," disse à multidão.
    "Tenho seis irmãos, dos quais quatro somos professores, por isso, hoje quero homenagear a todos os professores da República de Mocambique," acrescentou.
    "Nas eleições do ano passado, eles trouxeram professores do Chinde, de Mopeia e de Nicoadala. Os professores votaram neles, ou votaram na RENAMO? Na RENAMO! O Governo da RENAMO vai privilegiar a melhoria das condições de trabalho dos nossos professores," prometeu o candidato do maior partido da oposição.
    Marcha por Quelimane
    Depois do comício, quando o sol já se punha, Manuel de Araújo, acompanhado de uma multidão efusiva, deixou o campo para fazer uma passeata pelas artérias da cidade e dos bairros periféricos de Quelimane, como Brandão e Inchope.
    Muitos dos apoiantes, montados nas suas bicicletas, marca da cidade e do próprio candidato, cantavam incessantemente.
    "Aqui quem manda? É RENAMO", diziam.
    A passeata contou com a proteção da Polícia, que é vista como servidora dos interesses do Governo do dia, violenta e pouco profissional, principalmente em época eleitoral. A estes "o puto mais fofo da Zambézia" deixa um recado.
    "Mas também temos aqueles nossos irmãos que costumam bater-nos nas eleições. Nós queremos dizer aos nossos irmãos polícias que a luta da RENAMO é para libertar o próprio polícia. Vamos aumentar o salário do polícia, porque uma pessoa quando está com fome gosta de bater o outro ou não? O salário do polícia dá para comprar bicicleta? Dá para comprar mota? A RENAMO vai melhorar os salários dos polícias," prometeu.
    E o apelo mais forte feito pelo candidato da RENAMO foi para que os eleitores não abandonem os postos de votação, após terem votado, no sentido de serem vigilantes, o objetivo é evitar fraudes eleitorais. Entretanto, as autoridades já alertaram para que se faça justamente o contrário, sob risco de serem penalizados.
    6 min
  • "Nunca existiu turbulência", afirma Pio Matos
    No último dia da campanha eleitoral em Moçambique, o candidato da FRELIMO ao Governo da Zambézia, Pio Matos, em entrevista à DW África, minimizou a crise aparente entre ele e o partido.Depois de uma saída meio conturbada do município de Quelimane, em 2011, Pio Matos é candidato a governador da província da Zambéza pela FRELIMO.
    Em entrevista à DW África, Matos desvaloriza esse momento de aparente crise entre ele e o partido no poder, discorda que seu oponente nessas eleições goze de boa aceitação na província e diz não acreditar que as eleições descambem em violência na província da Zambézia.
    DW África: O que determinou o seu regresso à política ativa na província da Zambézia?
    Pio Matos (PM): Nunca estive ausente da política. Estar sendo convidado pelo meu partido para ser candidato, na altura, ao município [de Quelimane], nas primeiras eleições autárquicas e, tendo vencido-as, fiquei por mais dois mandatos. Então, tive três mandatos no município. Tendo me ausentado do município, continuei no meu partido desempenhando funções – porque era membro do Comité Provincial e também ascendi a membro do Comité Central [da FRELIMO].
    Na qualidade de membro do Comité Central, fui desempenhando as funções a nível deste órgão e daí o convite surgiu para cabeça de lista. Como é óbvio, e são princípios do meu partido, as tarefas não se recusam e assumi de facto liderar esta lista e cá estou aguardando com toda a ansiedade o dia da votação.
    DW África: Saiu do município de Quelimane de uma maneira não muito tranquila aos olhos do público, com acusações de corrupção e questões relacionadas à sua saúde. Esse capítulo conturbado foi bem ultrapassado por você?
    PM: Não foi ultrapassado, [porque] nunca existiu turbulência. As pessoas cá fora é que faziam questionamentos porque provavelmente não houve um esclarecimento junto ao eleitorado ou daqueles que tinham dado o voto de confiança. Mas, entre mim e o meu partido, as questões foram bastante claras. Houve pequenas divergências e a bem da organização e a bem do desempenho do município, era óbvio que assumimos juntos que era bom que eu, faltando um ano e dois meses, cessasse funções e deixasse que o município caminhasse. Mas nunca com desavenças, esta é uma palavra que não existe. As contradições, as diferentes maneiras de pensar encontram sempre solução dentro do meu partido, nunca fora. Às vezes, as pessoas querem puxar soluções para os problemas de dentro do partido para fora e, então, não tendo encontrado base, vão inventando coisas, vão falando.
    DW África: Desde que saiu do município, quais são os pontos negativos e positivos que tem a apontar em relação a Quelimane?
    PM: Não faço observações sobre isso, por uma questão de princípios e ética. O meu partido tem membros na Assembleia a trabalharem no município e, obviamente, que lá dentro do município têm posto as questões que acham relevantes, que o meu partido acha relevante, através da sua bancada. Acredito que têm contribuído para o desenvolvimento desta cidade.
    DW África: Está numa luta renhida com o candidato da RENAMO, Manuel de Araújo, que tem bastante aceitação aqui na província da Zambézia. Isso intimida-o de alguma maneira?
    PM: Bastante aceitação é relativo. Ele nunca esteve mais, senão a concorrer pelo município, e tem ganhado, é o presidente do município. Mas agora, que se diga que ele tem bastante aceitação na província? Nunca o vi colher batatas nem milho na província e não sei quantas toneladas de aceitação ele tem e quantas é que eu tenho. Veremos. Não falta muito.
    DW África: A Zambézia mostra-se um dos lugares de maior tensão política e, até certo ponto, propenso à violência. Neste contexto, o que antevê para o dia da votação?
    PM: A Zambézia é, de facto, o centro da convergência política em Moçambique. Não há dúvidas, sempre. Desde as primeiras eleições, foi na Zambézia que surgiram mais de 15 partidos. Os partidos na Zambézia eram o dobro dos partidos no resto do país. Então, isso para medir que há um interesse, uma vontade natural das pessoas quererem participar. Daí, dá-lhe completamente a primazia de ser de facto o sítio onde há várias correntes e de ser um espaço agradável em disputa. É aqui que todos querem ganhar. É aqui que vale a pena ganhar.
    DW África: Se compararmos com os anos anteriores, prevê-se mais conflitos nessas eleições. Concorda?
    PM: Duvido. Estamos a falar de uma província alfabetizada, posso assim dizer, daí que a possibilidade de conflito é reduzida. Não quero polemizar, porque ele está sempre latente – basta existir o homem. Mas não acredito que aqui descambe em violência. No país, podem haver focos aqui e acolá. Aqui na Zambézia, se houver, são casos bastante isolados que facilmente a polícia vai controlar.
    DW África: E a tensão entre a polícia e os eleitores?
    PM: Isso é normal. É normal que a polícia esteja lá, não para reprimir, mas para, como força para dissuadir, impedir que haja iniciativas maiores. Acredito que o papel da polícia vai continuar a ser relevante e ela tem que existir como forma de dissuadir o cidadão que tenha ideias propensas a conflito, que possa reduzir.
    DW África: Em caso de derrota, pretende contribuir de alguma maneira para o bem-estar e o desenvolvimento da sua província?
    PM: Estar na vida é estar de uma forma positiva. A derrota é uma palavra que não costumo assumir porque, aconteça o que acontecer, são sempre mais marés que marinheiros. A vida não acaba com uma simples derrota ou algo que assim se pareça. Acredito que o meu partido estará na Assembleia Provincial com certeza, por isso, falar de derrota com quem nunca perdeu, que sou eu [não faz sentido].
    DW África: A campanha eleitoral termina hoje. Qual é o balanço que faz? Superou as suas expectativas ou nem por isso?
    PM: A campanha correu bastante bem e, desta vez, o meu partido inseriu uma nova maneira de fazer campanha – envolvendo mais a todos e estando lá nas zonas mais recônditas, mesmo até fixando residência. Não indo lá esporadicamente, mas trabalhando com as pessoas no dia a dia. Acho que esta maneira de fazer campanha vai surtir efeito, porque as pessoas sentiram a presença da campanha no dia a dia, lá no terreno.
    9 min
  • Guiné-Bissau: "Estabilidade politica nas mãos dos politicos", diz economista
    Alto representante da UA para as negociações com a UE, Carlos Lopes, afirma que o processo eleitoral em curso na Guiné-Bissau ainda não está cabalmente garantido. Tudo, segundo ele, dependerá da atuação dos políticos.A Guiné-Bissau vive já um longo período de transição. O novo cenário político, com a realização das eleições legislativas e presidenciais, pode abrir caminho à estabilidade há muito desejada pelos guineenses e exigida pelos parceiros internacionais. Foi eleito um Governo, mas que ainda não conseguiu aprovar o seu programa, apresentado aos guineenses durante a campanha eleitoral.
    A questão que se coloca é se as recentes eleições legislativas, que deram vitória do PAIGC, e a realização das presidenciais previstas para 24 de novembro marcarão um momento de viragem do ciclo político na Guiné-Bissau.
    Abordado pela DW África para avaliar o atual cenário eleitoral, o economista guineense Carlos Lopes, também alto representante da União Africana para as negociações com a União Europeia (UE), optou por proferir uma mensagem de prudência.
    "Penso que o processo eleitoral tem alguns elementos que podem permitir estabilidade, mas isso depende muito do comportamento dos atores políticos," frisou.
    Estado vulnerável ao narcotráfico
    O economista admite que o país ainda é considerado um Estado frágil, sobretudo pela sua vulnerabilidade ao narcotráfico - que encontra espaço devido à incapacidade das autoridades para lidar com o fenómeno.
    Carlos Lopes explicou que a existência do narcotráfico é uma manifestação da ausência de capacidade governativa. "Há necessidade de criar condições para que o Estado exista de uma forma mais consentânea com aquilo que se espera do que é um processo de desenvolvimento".
    Para ele, há uma "pauperização do Estado" devido aos vários conflitos políticos que só contribuem para agravar a situação do país.
    "Permite-se essa promiscuidade entre o que é público e o que é privado e, portanto, muito ilícito - nomeadamente que se manifesta através do narcotráfico", destacou o economista guineense.
    Por outro lado, em reação a uma pergunta da agência Lusa, Carlos Lopes não acredita que possa haver uma nova escalada de conflito, apesar de algum receio manifestado por algumas figuras africanas. Um deles é o ex-Presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo, que afirmou que não haverá estabilidade depois das eleições de 24 de novembro pela eventual recusa de José Mário Vaz em deixar o cargo de Presidente da República.
    "O que talvez se possa antecipar é que a Guiné-Bissau precisa de uma estabilidade que é difícil conseguir através das instituições que tem neste momento," avaliou.
    Transformação estrutural necessária
    Falando dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), onde ainda há desafios assinaláveis a cumprir, Carlos Lopes disse aos jornalistas que todos precisam urgentemente de transformação estrutural.
    Apontou o exemplo da Guiné-Bissau, ainda fortemente dependente da castanha do caju, o que faz com que praticamente este seja a única fonte de receita própria do Governo - para além do exagerado recurso às tarifas alfandegárias.
    Carlos Lopes também felicitou a escolha de três mulheres de origem guineense que vão ocupar lugares de deputadas na Assembleia da República Portuguesa. Isto, na semana em que estão em curso contatos para a formação do novo Governo português a ser liderado pelo primeiro-ministro socialista, António Costa.
    Em declarações à DW África, Lopes fala em concreto do ato eleitoral que culminou no passado dia 06.10 com a eleição de Joacine Katar Moreira (LIVRE), Romualda Fernandes, pelo Partido Socialista, e Beatriz Gomes Dias, pelo Bloco de Esquerda.
    "Acho que há uma manifestação da qualidade que existe entre os guineenses, neste caso manifestado pela diáspora. Fico muito feliz por Portugal, porque normalmente o que acontece é que a diáspora dos vários países pode ser ou não aproveitada pelos países de acolhimento", considerou o economista.
    Carlos Lopes falava à margem de uma conferência, na Universidade Europeia, sobre a agenda para o futuro do continente africano. O economista guineense disse que África tem "desafios gigantescos" para dar resposta a três grandes tendências mundiais nos domínios tecnológico, climático e demográfico.
    Lopes frisou que, se não se fizer uma agenda que responda a estas três mega tendências, "Africa não vai conseguir responder aos anseios da maioria. As janelas de oportunidades são escassas e África não pode fazer uma transformação sem sair da dependência das matérias-primas".
    5 min
  • Moçambique: "Guerra deve ser evitada sempre", diz Filipe Nyusi
    Em Mocuba, província da Zambézia, onde decidiu encerrar a sua campanha eleitoral, Nyusi deu destaque à paz, lembrou o seu eleitorado da sua responsabilidade no desenvolvimento do país e lançou indiretas à oposição.Não foi por acaso que Mocuba, na província moçambicana da Zambézia, foi escolhida pela FRELIMO para o encerramento da sua campanha eleitoral. Trata-se de um bastião do partido no poder, numa província praticamente dominada pela principal força da oposição, a RENAMO. A Zambézia é o palco da luta mais renhida pelo voto.
    Dirigindo-se a uma imensa multidão, designada de onda vermelha pelos seus correlegionários e apoiantes, o candidato da FRELIMO às presidenciais começou por lembrar os feitos do seu mandato governamental, que agora termina.
    "Durante os cinco anos, metemos mais de 8500 crianças nas carteiras só neste distrito. Temos mais de 686 mil alunos sentados nas carteiras, apesar de haver gente a dizer que a madeira sai para a China.etc. Não interessa se sai para a China, se sai legalmente, deixa sair. Vão-me dizer que as carteiras são feitas de bambu?", disse Nyusi.
    Ao mesmo tempo que pedia trabalho em prol do desenvolvimento do país ao seu eleitorado, Filipe Nyusi lançava farpas ao candidato a governador desta província do partido RENAMO, Manuel de Araújo. "Nós pensamos em grande, agora pensar que vai subir salários? Vocês estão a dirigir-se a um município que não paga salários", disse Nyusi, questionando os presentes: "vocês são crianças para serem enganados? Quando a criança chora e a gente dá um rebuçado, ela cala-se um pouco, não é? Vocês esquecem-se que o rebuçado fica só na boca? O rebuçado resolve o problema da fome?".
    "É possível desenvolver este país com guerra?"
    Um dos três pontos principais do candidato da FRELIMO às presidenciais é a paz no país. Por isso, em Mocuba, Nyusi voltou a afirmar que "a guerra deve ser evitada sempre" e deu a entender que o sucesso das negociações de paz para Moçambique estão nas mãos da RENAMO.
    "É possível desenvolver este país com guerra? É que a guerra tem que ser evitada sempre, não só uma vez. Você pode assinar um acordo, mas não pensa que já acabou, porque malandros existem sempre e sempre existirão. Ouvi, na província de Manica, que mataram um camarada meu porque estava a fazer campanha. O que é isto? Temos de falar sempre em paz, todo o mundo luta pela paz. É um processo que temos de discutir sempre. Esses que estão no mato têm de sair do mato", disse.
    Em Mocuba, os jovens da FRELIMO, que estavam em peso no comício, estão confiantes na vitória do seu candidato. Um destes jovens, ouvido pela DW África, afirma que: "Vou votar na FRELIMO para que dê continuidade aos trabalhos que têm vindo a realizar para o bem-estar e desenvolvimento do povo moçambicano".
    Na próxima terça-feira (15.10), 12,9 milhões de eleitores moçambicanos vão às urnas para escolher o Presidente da República, dez assembleias provinciais e respetivos governadores, bem como 250 deputados da Assembleia da República.
    8 min
  • Eleições em Moçambique: Campanha eleitoral nas redes sociais
    Partidos políticos em Moçambique dizem que as redes sociais estão a ser canais mais eficazes para disseminar manifestos eleitoriais.Os partidos políticos concorrentes às eleições gerais da próxima terça-feira (15.10.) em Moçambique consideram que as redes sociais estão a ser canais mais eficazes para disseminar manifestos eleitorais.
    Alguns partidos afirmam que os seus manifestos chegam em tempo útil ao eleitorado comparativamente aos meios de comunicação tradicionais.
    Um artigo do economista Joseph Hanlon, indica que só no Facebook a FRELIMO tem mais de 77 mil seguidores, a RENAMO com 16 mil e o MDM, Movimento Democrático de Moçambique, e a Nova Democracia com mais de 11 mil seguidores.
    O WhatsApp como preferênciaA RENAMO, segundo o mandatário do partido, Venâncio Mondlane, as cidades e arredores são as que estão fortemente ligadas às redes sociais, com destaque para o WhatsApp. "Porque o é muito abrangente e mesmo aqueles que não têm acabam por estar ligados através de um amigo que no momento do convívio partilha a informação", disse Mondlane.
    As redes sociais são, ainda segundo Mondlane, um alívio para os partidos cujos manifestos eleitorais não são divulgados nas televisões, jornais impressos e rádios. "Sendo assim é muito positivo e pertinente usar as redes sociais, sobretudo os partidos da oposição que têm black out nos órgãos de comunicação públicos.”
    Partidos com várias contas O Movimento Democrático de Moçambique, criou várias contas no Facebook e grupos no WhatsApp para partilhar os conteúdos eleitorais, segundo Adérito Mapera, delegado político do partido na capital, Maputo.
    "Está bem nas redes sociais mas no campo as coisas são diferentes porque temos sido perseguidos pelo partido no poder que atrapalha a nossa campanha eleitoral”, afirma Mapera.
    Por seu turno, o académico Egídio Vaz considera ser óbvio o recurso às redes sociais por parte dos partidos políticos e dá exemplos.
    "Os comícios não chegam a todos e para as pessoas saberem como foi o evento recorrem às redes sociais. As pessoas gravam e veiculam a informação em vídeos, audios e em textos,” sublinha Egídio Vaz.
    O analista nega que os partidos, sobretudo da oposição, recorram às redes sociais porque os seus manifestos eleitorais não são veiculados nos órgãos de comunicação social tradicionais, como rádios, jornais impressos e televisões.
    Mas, Vaz explica que os conteúdos dos partidos são veiculados nos órgãos de comunicação públicos e "na melhor das hipóteses com igualdade de oportunidades”.
    Refira-se que a campanha eleitoral em Moçambique termina neste sábado (12.10.) e a votação acontece na terca-feira, dia 15 de outubro.
    3 min
  • Eleições em Moçambique: Troca de acusações entre FRELIMO e RENAMO gera tensão na Zambézia
    Tensão e acusações mútuas marcam a campanha eleitoral na Zambézia. A FRELIMO acusa a RENAMO de incitação à violência para o dia votação, já na próxima terça-feira. Candidato do MDM acusado de fazer campanha para RENAMO.A campanha eleitoral termina neste sábado (12.10) em Moçambique. Na última semana de campanha eleitoral, as atividades políticas na província da Zambézia ficam marcadas por troca de acusações entre os principais partidos que disputam o pleito de 15 de outubro.
    A Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), o partido no poder, não esconde a sua indignação e diz que a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), principal partido da oposição, está a mobilizar populares para pernoitarem nas assembleias de voto, de modo a acompanharem o processo da contagem de votos.
    "A lei diz que os eleitores depois de exercerem o seu direito de voto devem ir para casa. No momento de contagem tem lá pessoas específicas responsáveis por este ato. Nós analisamos isso como uma confusão, não é primeira vez que temos eleições em Moçambique, mas nunca houve esse tipo de situação em os eleitores devem permanecer nos postos de votação. Trata-se de uma incitação”, disse o mandatário da FRELIMO na Zambézia, António Molde.
    Oposição mantém a sua decisão
    Por seu turno, a RENAMO confirma que vai mobilizar membros do partido para permanecer nas redondezas dos postos de votação no dia votação até à contagem do último boletim de voto. Segundo o mandatário do maior partido da oposição, Ezequiel Gusse, não é nenhum crime as pessoas acompanharem a contagem de voto perto dos postos de votação.
    "Reiteramos, e recomendamos aos nossos membros e simpatizantes que depois da votação devem permanecer nas redondezas, repito, nas redondezas de assembleias de voto para acompanhar os resultados que vão ser divulgados no quadro da transparência que o processo eleitoral moçambicano configura desde as primeiras eleições, em 1994.”
    MDM apoia a RENAMO?
    Também Luís Boa Vida, cabeça de lista do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), segundo maior partido da oposição, ao cargo de governador na Zambézia, está a ser acusado pelos opositores de fazer campanha política a favor de um outro partido - a RENAMO. Luís Boa Vida não tardou em reagir:
    "Há uns aí de outros partidos que quando dormem sonham com boa vida como seu cabeça de lista, eu sou cabeça de lista de MDM, porque eu sou MDM, nós queremos uma nova Zambézia no dia 15 de outubro, e vamos conseguir!”
    Populares dizem que não há fôlego aos membros dos dois principais partidos rivais em Moçambique nomeadamente a RENAMO e a FRELIMO. Muitas pessoas que fazem parte da estrutura dos bairros disseram à DW que não têm dormido em suas casas devido às ameaças que têm sofrido.
    Na próxima terça-feira, 12,9 milhões de eleitores moçambicanos vão escolher o Presidente da República, dez assembleias provinciais e respetivos governadores, bem como 250 deputados da Assembleia da República.
    3 min
  • Eleições: Nyusi "deve pronunciar-se sobre postura bélica" do seu partido, diz RENAMO
    À DW, Venâncio Mondlane diz que esta é uma condição para que as eleições sejam tranquilas. O mandatário nacional da RENAMO aponta ainda o dedo ao Governo por não conseguir "controlar a situação" em Cabo Delgado.Em Moçambique, a RENAMO, o principal partido da oposição, responsabiliza o líder do partido FRELIMO e Presidente do país, Filipe Nyusi, pela violência eleitoral. Em entrevista à DW, Venâncio Mondlane, mandatário nacional da RENAMO, frisa ter conhecimento de que em "99,9% dos casos registados nas instâncias judicias do país, o indiciado por violência, agressão ou ilícito eleitoral é o partido FRELIMO".
    Venâncio Mondlane vai mais longe, afirmando que "os esquadrões da morte, que dizimaram pessoas nos últimos cinco anos, são um produto patrocinado e promovido pelo partido" da FRELIMO e, por isso, exige a Filipe Nyusi uma atitude para expurgar esses crimes.
    DW África: Como tem sido fazer campanha eleitoral nos distritos alvos de ataques armados em Cabo Delgado?
    Venâncio Mondlane (VM): Ainda há pouco tempo o Presidente fez uma segunda ronda em Cabo Delgado que foi claramente uma das coisas mais espantosas que aconteceu naquela província, apesar dos ataques.Qual é o grande problema de Cabo Delgado? É naturalmente a questão da segurança. E também a incapacidade do nosso governo de controlar a situação dos insurgentes, que também tem muito a ver com a incapacidade de comunicar, porque este processo não é novo. A informação de grupos armados já se tinha desde 2015, portanto, os serviços de informação do Estado estão, de facto, debilitados. Estão atrasados e são primitivos. Esta é uma das coisas pela qual nós sempre pautámos e contestámos nos Orçamentos de Estado, porque tiveram sempre um orçamento galopante, mas em termos efetivos de garantir a segurança da população é exatamente o contrário. A própria RENAMO tinha-se oferecido para fazer parte, quer da solução negocial, quer da solução militar, mas o governo rejeitou.
    DW África: Quais os condicionamentos a que a RENAMO está sujeita na prática?
    VM: De uma forma geral, em matéria de segurança, pautámos por fazer campanha em locais seguros. As próprias forças de defesa e segurança têm feito uma espécie de escolta aos partidos que estão a concorrer, sendo que um dos partidos acabou por abandonar [a campanha] dizendo que temia um ataque em Cabo Delgado. A RENAMO, até este momento, não está numa situação concreta de insegurança a esse ponto. Temos feito a campanha normalmente, naturalmente com medidas de precaução e de segurança. A lei permite que as campanhas sejam feitas até às 18 hrs, é o que temos feito, e até este momento não temos nenhum sinal de risco no que toca aos homens da RENAMO que estão a fazer campanha em Cabo Delgado. Somos um partido que tem uma componente para-militar, por isso temos serviço de inteligência interno, sabemos como nos precaver nesse tipo de situações.
    DW África: O espera das eleições, tendo em conta que, na prática, o país não vive uma situação de paz?
    VM: Essa paz que é teórica nota-se, por exemplo, em casos muitos concretos. Existe um processo eleitoral em que o nível de violência que se vive em Gaza é um sinal evidente de que facto não estamos em paz, porque o partido que está no poder é um partido de violência. É um partido que promove e patrocina a violência, e nós sabemos disso porque temos casos muitos concretos. Tenho o registo de todo o país, dos casos que estão na polícia, nas procuradorias, e os pouquíssimos que chegam aos tribunais distritais, relativos aos ilícitos eleitorais e à violência eleitoral. 99,9% dos casos, o indiciado de violência, de agressão ou ilícito eleitoral é o partido FRELIMO.
    DW África: Tendo em conta o conhecimento que a RENAMO diz ter sobre esses ilícitos, sobre a violência eleitoral e essa paz que existe só na teoria, o que prevê para o dia das eleições?
    VM: O ideal é que tivéssemos eleições tranquilas, justas e livres, é o que toda a gente quer. O chefe de Estado deve pronunciar-se, sobretudo, sobre a postura bélica, violenta e agressiva tomada pelo seu próprio partido e membros e ainda sobre as forças de segurança, uma vez que está provado agora que, afinal de conta, os esquadrões da morte, que dizimaram pessoas nos últimos cinco anos, são um produto patrocinado e promovido pelo próprio partido FRELIMO. Se não houver uma atitude concreta a expurgar isso, não vamos ter eleições tranquilas.
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  • Nobel da Paz para primeiro-ministro etíope Abiy Ahmed
    O prémio Nobel da Paz foi esta sexta-feira atribuído ao primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, promotor de um acordo de paz com a Eritreia, informou o Comité norueguês.De acordo com o comunicado divulgado pelo júri, o prémio foi atribuído ao primeiro-ministro da Etiópia pelo "seu importante trabalho para promover a reconciliação, a solidariedade e a justiça social".
    O prémio também visa reconhecer "todas as partes interessadas que trabalham pela paz e reconciliação na Etiópia e nas regiões leste e nordeste da África", sublinha a nota.
    "Abiy Ahmed Ali iniciou importantes reformas que proporcionam a muitos cidadãos a esperança de uma vida melhor e de um futuro melhor", acrescenta o comunicado.
    O Comité Norueguês do Nobel acredita que é agora que os esforços de Abiy Ahmed merecem reconhecimento e precisam de incentivo, disse a presidente do comité, Berit Reiss-Andersen.
    "Quando Abiy Ahmed se tornou primeiro-ministro, em abril de 2018, deixou claro que desejava retomar as negociações de paz com a Eritreia. Em colaboração com Isaias Afwerki, Presidente da Eritreia, Abiy Ahmed rapidamente elaborou os princípios de um acordo de paz para encerrar o impasse a longo prazo 'sem paz, sem guerra' entre os dois países", indica a nota.
    Esta manhã, após o anúncio, Abiy Ahmed agradeceu a distinção e dedicou-a ao seu continente. "Sinto-me honrado e encantado. Muito obrigado, este foi um prémio dado à África e à Etiópia. Acho que outros líderes em África pensam que é possível trabalhar nos processos de construção da paz no nosso continente", disse.
    "Uma Etiópia pacífica e estável"
    O Comité Nobel norueguês espera que o Prémio Nobel da Paz fortaleça o primeiro-ministro Abiy no seu importante trabalho de paz e reconciliação. A Etiópia é o segundo país mais populoso da África e tem a maior economia da África Oriental.
    "Uma Etiópia pacífica, estável e bem-sucedida terá muitos efeitos colaterais positivos e ajudará a fortalecer a fraternidade entre nações e povos da região. Com as disposições da vontade de Alfred Nobel em mente, o Comité Nobel da Noruega vê Abiy Ahmed como a pessoa que no ano anterior fez o máximo para merecer o Prémio Nobel da Paz em 2019", sublinha o comunicado.
    Também várias organizações de defesa de direitos humanos, que se foram expressando ao longo desta sexta-feira (11.10), pedem que o novo Prémio Nobel da Paz defenda e desenvolva as reformas que lhe valeram esta distinção. E frisam que "o trabalho de Abiy Ahmed está longe de terminar".
    Muitas reações
    Muitas têm sido as reações ao anúncio do Prémio Nobel da Paz deste ano. Na sua conta do Twitter, o presidente da União Africana, Moussa Faki Mahamat escreveu que o primeiro-ministro da Etiópia é "100% ganhador" deste prémio Nobel pelos seus "esforços históricos“ no que à construção da paz" diz respeito. Esforços estes que Ulrike Demmer, porta-voz da chanceler alemã Angela Merkel, também lembrou.
    "Mesmo para além da Etiópia, o primeiro-ministro tem uma influência positiva. Mais recentemente, mediou o [acordo] no vizinho Sudão e desempenhou um papel importante na concretização de uma mudança pacífica de poder", disse.
    Por seu lado, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse não ter dúvidas de que a reconciliação da Etiópia com a Eritreia "abriu uma nova oportunidade para a estabilidade" na região. Também em comunicado, Federica Mogherini, chefe da diplomacia da União Europeia, reconheceu a "coragem" do primeiro-ministro etíope e afirmou que este mostrou que "a paz é sempre possível, mesmo após décadas de conflito".
    Nas redes sociais, a nomeação não passou também em vão. Vários etíopes estão a mudar as suas fotos de perfil para a de Abiy Ahmed. O sentimento é de orgulho: "O nosso primeiro-ministro ganhou o Prémio Nobel da Paz, porque está a fazer as pazes com os nossos irmãos da Eritreia e levou a cabo várias reformas no país. A Etiópia era conhecida pela guerra e pela seca e, neste momento, todos os olhos estão postos em nós ganhámos o Prémio Nobel da Paz. Orgulho-me, pois, de ser etíope", disse o etíope Shimelis Gudeta.
    O Nobel, que consiste num diploma, uma medalha de ouro e um cheque de nove milhões de coroas suecas (cerca de 830 mil euros), será entregue em Oslo a 10 de dezembro, aniversário da morte do fundador, o industrial e filantropo sueco Alfred Nobel (1833-1896).
    No ano passado, o prémio foi atribuído ao médico congolês Denis Mukwege e à ativista de direitos humanos Nadia Murad devido aos esforços dos dois laureados para acabar com a violência sexual como arma nos conflitos e guerras de todo o mundo.
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  • Autoridades alemãs prometem tolerância zero ao antissemitismo
    Um cidadão alemão de 27 anos foi detido como principal suspeito do ataque antissemita que na quarta-feira fez dois mortos na cidade de Halle, no leste do país. Governo anunciou que vai reforçar a segurança.O ministro do Interior da Alemanha, Horst Seehofer anunciou esta quinta-feira (10.10), em conferência de imprensa, que o Governo vai aumentar "consideravelmente" as forças de segurança, um dia depois do ataque que deixou dois mortos e tinha como principal alvo uma sinagoga em Halle, no leste alemão.
    Horst Seehofer garantiu melhor proteção para sinagogas e locais de culto judaicos. "Infelizmente, devemos enfrentar a verdade. E a verdade é que há muito tempo a ameaça representada pelo antissemitismo, extremismo de direita e terrorismo de direita na Alemanha é muito alta", reconheceu.
    "Este crime brutal é uma desgraça para todo o país. Com a nossa história, algo assim não deve acontecer na Alemanha", sublinhou ainda o ministro.
    Halle ainda está de luto após o ataque de quarta-feira. Ao visitar o local, o Presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, expressou a sua repulsa pelos atos perpetrados pelo extremista de direita. "A história adverte-nos, mas o presente exige que ajamos. Devemos assumir uma posição através de nosso relacionamento com a comunidade judaica", disse.
    Tolerância zero para antisemitismo
    A chanceler Angela Merkel participou numa vigília em Berlim na noite de quarta-feira e na quinta-feira que Merkel fez uma declaração sobre o ataque. Merkel prometeu uma forte resposta do Estado: "Os representantes do Estado - e eu estou incluída - devem usar todos os meios disponíveis para agir contra o ódio e a violência. Não deve haver absolutamente nenhuma tolerância para isto".
    O ataque aconteceu quando o cidadão alemão identificado como extremista de direita tentou entrar na sinagoga de Halle. No local, cerca de 70 pessoas celebravam um dia sagrado do calendário judaico. O atacante disparou tiros na porta trancada, mas não conseguiu rompê-la.
    Incapaz de realizar o massacre que havia planeado, o suspeito disparou contra duas pessoas na rua enquanto fugia, antes que a polícia pudesse detê-lo. No seu veículo, o homem carregava um grande arsenal de armas e explosivos. As autoridades alemãs tratam o caso como ato de terrorismo.
    O presidente do Conselho Central Judaico na Alemanha, Josef Schuster, lamentou o crime: "Duas pessoas foram mortas. E, no entanto, devemos falar de sorte, de muita sorte que o autor não tenha conseguido entrar na sinagoga. Pois isso não teria significado duas mortes, mas um massacre de proporções indescritíveis".
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  • Refugiados congoleses em Angola: 4.000 devem retornar a casa
    Segundo o ACNUR, 222 pessoas partiram no primeiro comboio rumo à RDC. Espera-se que cerca de 4.000 congoleses retornem voluntariamente, nos próximos dois meses. Segurança e assistência são prioridades da operação.Em Angola, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) iniciou esta quarta-feira (09.10) o repatriamento voluntário de cerca de 4.000 congoleses assentados no Lóvua, na província da Lunda Norte.
    O processo de repatriamento voluntário organizado dos refugiados da República Democrática do Congo (RDC) decorre de um acordo tripartido, assinado entre os governos de Angola e da RDC, juntamente com o ACNUR.
    Entretanto, a 19 de agosto, antes da assinatura do acordo, um grupo de milhares de refugiados decidiu unilateralmente regressar ao país de origem.
    Em entrevista à DW África, Juliana Ghazi, chefe das Relações Exteriores do ACNUR em Angola, revela que estes refugiados já se encontram em território congolês.
    Já o repatriamento organizado pelo ACNUR deve durar cerca de dois meses. No primeiro comboio, 222 pessoas foram levadas de volta à RDC.
    O ACNUR quer ajudar os refugiados a realizar o sonho de retornar à casa em segurança e reconstruir as vidas que deixaram para trás, quando eclodiu o conflito no Kassai, diz a responsável.
    DW África: Este repatriamento voluntário inicialmente surpreendeu a todos, porque os próprios refugiados se fizeram a caminho de casa. Já se sabe os motivos que levaram milhares de congoleses a pegar a estrada?
    Juliana Ghazi (JG): Muitos refugiados já cruzaram a fronteira de forma espontânea. A gente fez uma pesquisa de intenção no assentamento, em maio, e realmente 85% dos refugiados apresentaram o interesse de voltar. A gente fez várias campanhas de sensibilização com eles para mostrar que estávamos em contato com os governos, que a data do acordo tripartido ia sair, mas eles ficaram ansiosos e alguns resolveram tomar os meios próprios para a movimentação.
    Também teve a questão do dia do retorno das escolas das crianças, em setembro. Não tem nada que exatamente explique. As condições do campo sempre foram muito boas. A gente montou escolas formais esse ano, as clínicas estavam em pleno funcionamento e tem projetos de meios de subsistência.
    Assim que um grupo começou a sair espontaneamente, outros sentiram também mais segurança para irem junto.
    DW África: Esses que se fizeram a caminho de casa conseguiram cruzar a fronteira ou parte deste grupo será repatriado nesse processo organizado pelo ACNUR?
    JG: Os que foram embora espontaneamente conseguiram cruzar a fronteira. Por mais que não pudéssemos facilitar o repatriamento diretamente em 100% porque ainda não havia o acordo tripartido, demos assistência, os parceiros deram assistência com água e comida. O Governo [angolano] providenciou os transportes. Então, eles chegaram lá de forma segura.
    A gente deu o formulário do repatriamento voluntário para eles. Assim que chegam ao outro lado da fronteira, aqueles que são registados com o ACNUR, mesmo que tenham saído de forma espontânea, também têm acesso a um certo tipo de assistência para que consigam chegar em segurança na zona de origem deles.
    DW África: Como está a decorrer esta etapa do repatriamento voluntário organizado que teve início na quarta-feira (09.10)?
    JG: O que muda principalmente no repatriamento organizado, facilitado pelo ACNUR, é que todo o repatriamento é feito sob nossa responsabilidade. Isso inclui desde a fase do transporte, da saída do assentamento. No assentamento, eles recebem comida, tem o centro de recepção onde eles dormem, passam a noite. Então, todo o processo é acompanhado pelo ACNUR. Essa é a diferença principal entre o espontâneo e o organizado.
    Chegando à RDC, eles são levados a um centro de trânsito onde recebem assistência em dinheiro. Até agora, ontem, a gente liberou o primeiro comboio de refugiados. Inicialmente, os primeiros comboios serão levados somente em direção ao Kassai. Chegando lá, são levados a um centro de trânsito onde recebem assistência e comida e assim podem cada um seguir viagem para o seu destino final.
    O primeiro comboio teve 222 indivíduos. A capacidade máxima, por comboio, é de 400 refugiados. O número foi um pouco menor nessa primeira semana, porque eles ainda estão a se organizar porque não querem ir para o Kassai, mas para Kassai Central, e vão esperar algumas semanas. É assim que está a operação, por enquanto.
    DW África: Há uma previsão de duração deste processo de repatriamento?
    JG: A ideia inicial era ter dois comboios por semana. Talvez não se consiga fazer os dois comboios nesta semana, porque ainda precisamos que resolver algumas questões logísticas. Mas, a partir da próxima semana, a ideia é que sejam dois comboios por semana. Assim, a gente consegue acabar o repatriamento em dois meses ou até um pouco menos.
    DW África: Quantas pessoas devem ser repatriadas agora?
    JG: Acreditamos que cerca de 4.000 pessoas querem sair, mas é um número que não temos como confirmar. Muitas vezes, os refugiados expressam vontade de regressar, mas mudam de ideia e resolvem ficar. Então é um número que ainda está em aberto.
    DW África: Qual será o futuro do campo do Lóvua e o que acontecerá com os que ainda permanecerem em Angola?
    JG: Elas vão continuar a receber assistência do ACNUR e dos parceiros. Tudo vai continuar com o foco um pouco mais na permanência dos refugiados aqui, não mais na emergência e no caráter temporário. Eles sabem que podem ficar e sempre deixamos isso claro.
    A gente não sabe ainda qual vai ser o futuro do assentamento. Tem a parceria forte com o Governo de Angola, temos que entrar em discussões para er qual a melhor solução para os refugiados que vão querer ficar.
    DW África: Para os que estão a retornar, as condições de segurança estão realmente criadas na RDC?
    JG: A gente só fa o repatriamento organizado, quando tem certeza que as condições estão minimamente propícias, que as coisas estão seguras e que o conflito cessou. Isso realmente é um facto, o conflito cessou.
    Estamos a fazer de tudo para dar a assistência necessária para que esses refugiados consigam reconstruir as suas vidas lá. Damos um pacote de assistência, em dinheiro, para reconstruirem as suas casas e para serem transportados às suas vilas e províncias. Fazemos tudo de forma que eles consigam chegar lá em segurança.
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