África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle

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África em Destaque – DW em português | Deutsche Welle episodes

  • Moçambique: Ataques em Cabo Delgado começaram há exatos dois anos
    Desde o início dos ataques armados no norte do país, os responsáveis ainda não foram identificados. Um estudo do IESE investiga as motivações para a violência. O sheik Saide Habibe falou à DW África sobre a pesquisa.Este sábado (05.10), marca precisamente dois anos desde o início dos ataques armados na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique. Ainda não se sabe quem são os responsáveis.
    Entretanto, pesquisadores do Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE) de Moçambique investigam o que estaria por trás destes atos de violência naquela região. Um trabalho de campo desenvolvido entre os meses de novembro de 2017 e fevereiro de 2018 em conjunto com a Fundação Mecanismo de Apoio à Sociedade Civil (Fundação MASC), explora a complexidade das dinâmicas do grupo Al-Shabaab, que estará ligado à estrutura da violência em Cabo Delgado.
    Segundo os autores, o fenómeno exige uma pesquisa multidisciplinar aprofunda­da. Em entrevista à DW África, o sheik Saide Habibe, que participou na pesquisa do IESE, aponta várias motivações.
    DW África: Como celebrar a paz num ambiente de ataques e insegurança em algumas regiões de Moçambique?
    Saide Habibe (SH): Celebrar a paz num momento em que há ataques esporádicos aqui e acolá acaba manchando a própria alegria da festa sobre a paz. Mas, ao mesmo tempo, também é preocupante, porque o processo de paz ainda continua. O grande desafio é mesmo trazer uma paz efetiva para o país, em que não há mais esses ataques. Então, nós temos ataques em Cabo Delgado e temos acompanhado aqui ataques esporádicos. Mas parece-me que até a "Junta Militar" da RENAMO já veio dizer que não tem nada a ver com aqueles ataques. Então, realmente, preocupa-nos sabermos o que realmente está a acontecer.
    Por que Cabo Delgado, em especial Mocímboa da Praia, foi o local escolhido para ser palco de grande parte dos ataques armados desde 2017 em Moçambique?
    SH: Pode dar-se o caso de existirem vários fatores que concorrem para a escolha de Cabo Delgado para servir de palco para esses ataques. Pode também tratar-se daquela experiência que outros países conhecem, como é o caso da Nigéria e da República Democrática do Congo.
    Qual seria então o objetivo do grupo instalado em Moçambique se tivesse os mesmos moldes desses outros grupos instalados em outros países?
    SH: O modus operandi é o mesmo. Hoje em dia, através das redes sociais, é fácil haver, digamos, essa imitação. O objetivo no fundo é mesmo infundir esse terror para tirar dividendos.
    Uma das principais constatações do estudo é sobre o radicalismo islâmico na região, mas, para o Governo, os ataques são realizados por um grupo inimigo do desenvolvimento. O Estado estaria a tentar minimizar o assunto para a opinião pública?
    SH: De forma alguma. Eu penso que o Estado moçambicano está a ser coerente consigo mesmo, olhando para a coisa de forma fria. Se é que se trata de um radicalismo, então só pode ser uma coisa que vem de fora, porque a natureza da própria sociedade moçambicana, incluindo os muçulmanos também, está muito longe de adotar um radicalismo como a sua forma de manifestar a sua religiosidade.
    Qual deveria ser a posição do Governo diante de todos estes atos de violência? É preciso uma nova política de segurança?
    SH: Neste momento, o Governo está a fazer a sua parte. Mas a parte boa que o Governo fez e que nós, como sociedade, também estamos a fazer é de tentar unirmos as forças e fazer uma plataforma interreligiosa, que também engloba as confissões religiosas de Moçambique, para fazerem face ao conflito que está a acontecer em Cabo Delgado. Portanto, isso já é positivo. Agora, naturalmente, o Governo tem uma maior responsabilidade e acredito que se seguir essa linha, com a ajuda também da comunidade internacional, poderemos encontrar soluções.
    Vê alguma relação dos ataques armados das últimas semanas no centro do país com os de Cabo Delgado ou as motivações no centro seriam outras?
    SH: Os ataques no centro do país teriam uma motivação puramente política. São completamente diferentes dos ataques de Cabo Delgado.
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  • Angola: Pressões na origem da demissão de Rui Ferreira do Tribunal Supremo?
    O Presidente João Lourenço aceitou o pedido de demissão de Rui Ferreira, juíz-presidente do Tribunal Supremo e do Conselho Superior da Magistratura Judicial. Continua a discussão sobre os motivos da demissão. As pressões para a destituição de Rui Ferreira vinham de quase todos os lados. Em março de 2019, o maior partido da oposição, a UNITA, pediu a nulidade da nomeação de Rui Ferreira para o cargo de juíz-presidente do Tribunal Supremo.
    Na altura, a UNITA tinha alegado inconstitucionalidade na sua indicação. Também este ano, um grupo de empresários e de ativistas cívicos fizeram uma petição a exigir a sua destituição do Supremo.
    Em causa está o seu alegado envolvimento em atos de corrupção no caso Arosfram - um grupo empresarial de importação de bens alimentos extinta na sequência de um mandado de captura e condenação de um dos seus responsáveis pelos os Estados Unidos da América. A empresa foi acusada de financiamento ao terrorismo.
    Ilídio Manuel, jornalista e analista angolano, não tem dúvidas, "a pressão, sobretudo externa" esteve na base da sua demissão.
    O analista argujmenta que "ele esteve numa posição insustentável e o Presidente da República já não tinha como segura-lo. Também houve uma série de negócios que não eram devidamente compatíveis com a função que ocupava num tribunal superior. Também a Arosfram que foi absolvida, mas deu lugar a criação de uma outra empresa e que estava praticamente atuar nos mesmos moldes."
    Não existe nenhuma situação que obrigue um juíz a pedir demissão
    Na carta de demissão, Rui Ferreira alega a existência de uma "campanha intensa e cruel de mentiras, deturpação de factos, intrigas, calúnias e insultos". Diz ainda que "essa alegada campanha tem lesado a sua reputação e dignidade e "afeta a sua saúde".
    Mas, o quê, realmente, está na base do pedido de demissão do então juiz presidente do Tribunal Supremo? O jurista Albano Pedro faz um enquadramento jurídico afirmando que "não existe nenhuma situação concreta que obrigue um juíz a pedir demissão".
    Mas também não tem dúvidas de que Rui Ferreira cedeu a uma pressão social, "porque do ponto de vista legal, o juíz só é obrigado a proceder desta maneira se houver alguma sindicância, algum procedimento criminal sobre ele que o coloca numa situação de impedimento. Ou seja, um processo a decorrer contra ele que é intentada junto do Tribunal Supremo e sendo ele juíz do Supremo, ali a lei obriga que ele peça demissão para que não se crie impedimento no julgamento do seu caso".
    E esta quinta-feira (03.10), o Presidente angolano João Lourenço aceitou o pedido de demissão do juíz e diz que o fez por causa do "interesse da salvaguarda do bom nome da justiça angolana".
    Pedido tinha de ser feito ao Conselho Superior da Magistratura Judicial
    Mas a sociedade pergunta: a quem Rui Ferreira tinha de entregar a carta de demissão? Albano Pedro responde que tem havido um "erro de interpretação da Constituição angolana". Para ele, o pedido tinha de ser feito ao Conselho Superior da Magistratura Judicial.
    "O conceito de nomeação por parte do Presidente da República é mal interpretado porque na prática significa mera confirmação, porque quem nomeia, no caso, é o Conselho Superior da Magistratura Judicial. Então, por maioria de razão, seria o conselho a receber e a se pronunciar sobre ele", explica o jurista.
    Albano Pedro descreve Rui Ferreira "como um juíz com muitas valias de implementação, de reorganização do sistema judicial. O juíz demissionário estava no Tribunal Supremo a levar a cabo o processo de criação dos tribunais de Comarca e dos Tribunais de Relação.
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  • "Os outros a morrerem? Onde é que há paz?", questiona-se em Cabo Delgado
    No dia em que Moçambique celebra a paz, população em Cabo Delgado marcha para pedir o fim do conflito armado. Lá, cidadãos entendem que não motivos para celebrar a paz.Há cada vez mais vozes que se levantam em repúdio ao clima de terror que se vive em alguns distritos de Cabo Delgado, criado por indivíduos cuja identidade não é do domínio público.
    Esta sexta-feira (04.10.), em Pemba, durante a celebração do 4 de Outubro, Dia do Acordo Geral de Paz, cidadãos exigiram das autoridades, medidas concretas para pôr fim aos ataques armados que já tiraram a vida a mais de 200 pessoas, entre civis, militares e supostos agressores.
    Nazarena Mutemba, natural de Mocímboa da Praia, um dos distritos mais atingidos, disse que não vê motivo de celebração da data, e questiona: "A população está mal lá em Mocímboa da Praia, vamos dizer que estamos em paz? Paz dessa maneira? Os outros a morrerem? Onde é que há paz?"
    E Nazarena apela: "Temos que ter união para eliminarmos aquilo que está a acontecer do outro lado, porque são moçambicanos. Eu estou a chorar muito."
    Ataques no centro também são preocupação em Cabo Delgado
    O grito de socorro vem também das confissões religiosas, que organizaram uma marcha nas ruas da cidade de Pemba, com apelos para a preservação da paz, como condição essencial para o progresso de Moçambique.
    Os crentes lamentam também o recrudescimento da violência armada no centro de Moçambique e lembram que só se pode alcançar o progresso se todos abraçarem a causa da paz.
    Faruque Juma Ibraimo, muçulmano, lembra que "ainda esta semana houve um ataque na zona da Gorongosa [efetuado por] pessoas desconhecidas. O Governo tem estado a envidar esforços para garantir a ordem e a tranquilidade. E os muçulmanos têm tido representantes, como é o exemplo do sheik Said Habibe que trabalhou na busca da paz."
    A palavra dos líderes religiosos
    Emmerson Ubisse, representante do Conselho Cristão de Moçambique em Cabo Delgado, fala das consequências dos ataques às populações: "Hoje estaríamos a celebrar os grandes ganhos que o país conseguiu, mas no norte do país cidadãos inocentes e desarmados, cidadãos que todos os dias acordam para fazer a vida, para elevar a soberania deste país são alvos de ataques, perdem as suas casas, suas terras, filhos porque há pessoas que se não identificam com a paz."
    E porque há correntes que associam as ações dos insurgentes ao Islão, o sheik Faruque Ibraimo é de opinião que "os muçulmanos precisam envidar esforços difundindo a mensagem real do islão, o que esta religião é, quais são os seus princípios e pautar por mais formações. Porque o nível de percepção sobre a religião ainda é muito baixo."
    Os apelos do Governo
    As autoridades governamentais também alinham no coro de condenação dos atos de terror que acontecem desde Outubro de 2017.
    Em breves declarações, a administradora do distrito de Pemba, Joaquina Nordino, considerou que "sendo hoje dia que comemoramos o dia da paz, queremos deixar um apelo para todos aqueles que criam estas hostilidades na zona norte da nossa província, porque não é aquilo que nós esperávamos, não é aquilo que vai ajudar Moçambique crescer. Nós vamos crescer quando tivermos a paz, abraçarmos a cultura de trabalho."
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  • Serviços públicos na Zambézia paralisados pela campanha eleitoral
    Na província da Zambézia os cidadãos queixam-se da paralisia da função pública. A razão? Os funcionários públicos estão demasiado ocupados com a campanha eleitoral para atender os cidadãos.“Desde o começo da campanha na cidade de Quelimane, a função pública automaticamente parou, porque o diretor sai para missões da campanha ou o chefe de departamento não está para assinar certo documento”, queixa-se um cidadão. Muitos outros dizem que não está a ser dado andamento aos seus processos porque os responsáveis nas repartições públicas estão ocupados com a campanha política.
    O analista político Ricardo Raboco esclarece que a lei só permite aos funcionários candidatos aos órgãos de representação política, nomeadamente a Assembleia Provincial, Assembleia da República e a Presidência, faltar ao trabalho por causa da campanha.
    “Fora isso, não é permitido que gestores públicos se furtem de estar em seus gabinetes para fazer campanha. Infelizmente esta tem sido uma prática recorrente desde as primeiras eleições multipartidárias. É de tudo ilegal. Cabe a nós, como sociedade, como cidadãos, exigirmos a reposição da legalidade”, disse Raboco à DW África, explicando que a ausência de um gestor público tem necessariamente consequências na qualidade de prestação dos serviços públicos.
    Partidos otimistas
    Os responsáveis desmentem as alegações. O secretário permanente da província da Zambézia, Júlio Mendes Ambali, disse à DW África que as acusações carecem de fundamento: “Na verdade, nós como gestores dos recursos humanos gostamos de ter provas. Se existe um funcionário que não está a trabalhar, podemos ver em que condição está, mas se tivéssemos algumas provas aí seria fácil abordá-lo”.
    Na Zambézia, a campanha vai de vento em popa. Na quinta-feira (03.10.), Luís Boa Vida, candidato a governador pelo segundo maior partido da oposição, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), disse à imprensa em Quelimane: “A Zambézia não existe. É triste como vive a população da Zambézia. As pessoas não estão a viver, estão a sobreviver na Zambézia. Temos a responsabilidade de alterar isto a partir do dia 15 [de Outubro, data das eleições gerais]”.
    O partido no poder, a Frente de Libertação de Moçambique, FRELIMO, dá seguimento à sua campanha de angariação de votos porta-a-porta nos bairros de Quelimane. O diretor da campanha, Camilo Inácio, mostra-se optimista: “Estamos a difundir a nossa mensagem, o manifesto da FRELIMO. Os nossos eleitores acompanham-nos atentamente. Conseguimos convencer mais eleitores e aqueles que estavam noutros partidos também aparecem para se juntar à FRELIMO. A campanha está a decorrer de forma positiva”, afirmou.
    Um agente da polícia assassinado
    O balanço de trinta dias apresentado pela polícia na Zambézia fez na quinta-feira (03.10.) aponta registo de numerosos acidentes de viação, ilícitos eleitorais e muitas agressões físicas. O caso mais grave foi contra um agente da polícia, morto à pancada por populares no distrito de Pebane, quando tentava dispersar uma briga entre membros de partidos rivais.
    O porta-voz da polícia Sidner Lonzo explicou que se tratou do chefe do posto policial de Magiga: “Agrediram-no com paus e catanas, enquanto ele lutava pela sua vida. O nosso colega chegou a efetuar alguns disparos, mas não foi suficiente para intimidar a ação desses meliantes”, disse.
    Esta semana o maior partido da oposição, Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) pretende apresentar ao público o seu programa eleitoral. Confiante, o candidato a governador da Zambézia, Manuel de Araújo, disse que só está à espera do dia 15 de outubro para confirmar a sua vitória: “Os banhos de multidão nos distritos e cidade de Quelimane (...) são uma expressão inequívoca da vontade popular em ter a 15 de outubro deste ano a mim próprio no cargo de governador da província da Zambézia”, disse.
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  • Dívidas ocultas: Início do julgamento em Nova Iorque e a reviravolta de Jean Boustani
    Muitas surpresas é o que se espera do julgamento do caso dos crimes financeiros associados às dívidas ocultas moçambicanas, advinha especialista em direito internacional. EUA querem fazer arresto dos bens de Nhangumele.Para o processo que corre em Moçambique, o julgamento que começa nos Estados Unidos da América (EUA) na terça-feira, 15 de outubro (estava inicialmente previsto para 7 de outubro, mas foi adiado), pode trazer mais provas. E nos EUA já há sinais de reviravolta: é que Jean Boustani, tido como um dos principais mentores do crime, contesta a competência do tribunal americano em julgá-lo entre outras coisas.
    Neste processo que corre nos EUA são acusados os moçambicanos Manuel Chang, ex-ministro das Finanças, Carlos do Rosário, um ex-alto quadro da secreta moçambicana, e Teófilo Nhangumele, que agia em nome do Gabinete do Presidente da República.
    No Processo que decorre em Moçambique, onde pra além dos três nomes estão envolvidas cerca de 17 outras pessoas.
    Teófilo Nhangumele em situação grave
    O arranque do julgamento nos EUA vai ter um impacto muito grande, entende o especialista em direito internacional Andre Thomashausen: "Claro que o que vier a ser julgado nos EUA, embora seja um pronunciamento de um tribunal norte-americano, sempre terá algum efeito porque vai conter documentação e provas que vão servir como material de prova em Moçambique, em Londres e outras jurisdições e na África do Sul, no caso do Manuel Chang."
    Mas o especialista em direito internacional alerta que "no caso do senhor Teófilo Nhangumele a situação é bastante grave, porque parece que o tribunal já tomou uma decisão preliminar nos fins de setembro para organizar um confisco dos seus bens, no montante daquilo que é acusado de ter pago como subornos, 8,5 milhões de dólares."
    O primeiro em tribunal norte-americano
    Mas na estreia do julgamento não estarão ainda no banco dos réus os suspeitos moçambicanos. Jean Boustani, o negociador da Privinvest, tido como um dos principais mentores da arquitetura criminosa, e o primeiro detido pelas autoridades americanas, é quem deverá ser ouvido primeiro.
    Thomashausen diz que "para o acusado Boustani é bastante sério porque ele tentou por vários meios adiar ou anular este processo, pediu para que a acusação não fosse autorizada, na base de que as provas teriam sido obtidas por meios que os advogados de Boustani consideram ilegais e tentou desacreditar a acusação."
    De uma delação premiada para o confronto com a acusação?
    Inicialmente, aquando da sua detenção pelas autoridades norte-americanas, o negociador libanês ofereceu-se para uma delação premiada: solicitou a redução das medidas de coação em troca de cooperação.
    A que se deu a reviravolta do Jean Boustani? "Parece que essa cooperação com a acusação acabou mal porque agora está a defender-se com todos os possíveis argumentos, está a contestar a competência do tribunal americano de o julgar e parece que está a negar que teria pago subornos e participado em corrupção na base de uma argumentação que considero fraca e falsa", começa por responder o especialista.
    Para Thomashausen, "parece que Boustani fez uma escolha, passar uns anos preso nos EUA do que revelar os promenores desta grande burla. E não colaborando na descoberta do que se passou, Boustani deve ter agido na base do medo do que poderia acontecer mesmo que preso se revelssase todos os pormenores desta conspiração."
    Estatuto de outros envolvidos mantém-se ou não?
    Os indícios de suborno, lavagem de dinheiro e fraude levaram ainda a justiça norte-americana a processar outros intervenientes, do Credit Suisse, na sua sede em Londres. São eles os antigos trabalhadores Detelina Subeva, Andrew Pearse e Surjan Singh.
    Mas o especialista em direito internacional diz que há agora dúvidas sobre o seu estatuto no processo: "Como testemunhas ou acusado temos um bocandinho de falta de informação, não sabemos agora se o senhor Pierce é agora é testemunha ou vai ser apresentado pela acusação ou se vai a semelhança do sr Boustani recusar-se a colaborar com a acusação. Vai haver muitas surpresas."
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  • Assassinato de Amurane há dois anos continua por esclarecer
    No dia em que se assinalam dois anos da morte de Mahamudo Amurane, cidadãos de Nampula prestam homenagem ao edil. Ainda não há culpados e a investigação continua, depois de o caso ter sido devolvido à procuradoria.O dia 4 de outubro é uma data duplamente lembrada na província de Nampula, no norte de Moçambique. O primeiro motivo é a assinatura dos acordos gerais de paz em Roma, em 1992. O segundo é o assassinato do edil Mahamudo Amurane, em 2017.
    As autoridades ainda não encontraram os culpados e também não houve responsabilização criminal. É uma situação que preocupa os cidadãos de Nampula. Amina Amade, vizinha de Amurane, pede o esclarecimento do caso. "Sinto muito. Eu não estou satisfeita [ com o ritmo de investigação], porque gostaria que fosse achado o assassino", disse à DW África.
    Gamito dos Santos, antigo diretor de Mercados e Feiras na governação de Mahamudo Amurane, também critica a falta do esclarecimento do caso.
    "Não podemos olhar só para as questões políticas. [O assassinato] também pode estar ligado a questões empresariais, porque havia pessoas que se sentiam pressionadas pela maneira de governar do presidente Amurane. Havia empresários que sentiam-se mal. Havia pessoas cujos negócios já estavam parados, porque o presidente Amurane era um presidente mão-de-ferro", conta.
    Homenagem especial a Amurane
    Para o dia não passar despercebido, esta sexta-feira (04.10) haverá uma homenagem especial a Mahamudo Amurane. "Vamos visitar o túmulo do falecido. E estamos a pensar em sentarmo-nos e refletirmos em torno dos projetos do presidente Amurane, sobre o que nós pensamos e como é que será a sua efetivação, uma vez o presidente já se foi", revelou Gamito dos Santos.
    A 8 de agosto, a juíza da sexta secção do Tribunal Judicial da Província de Nampula mandou devolver o processo do '"caso Amurane" à Procuradoria Provincial, para mais investigação, por entender que não reuniam provas suficientes para levar a julgamento o antigo vereador Saíde Aly Abdulremane Abdala e o empresário da construção civil Zainal Abdina Abdul Satar - até agora os únicos dois arguidos acusados na investigação.
    A DW África contactou a procuradoria provincial de Nampula para falar sobre o ponto de situação do "caso Amurane". A porta-voz, Hermínia Gustavo, disse que não podia prestar esclarecimentos por se encontra em "férias disciplinares".
    Até o fecho desta reportagem, não foi possível obter mais reações na procuradoria de Nampula. Segundo avançou a secretária do procurador-chefe, a DW África seria "contactada oportunamente".
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  • Moçambique: Secretário da FRELIMO assassinado em Manica
    O secretário da FRELIMO na região de Paúnde, distrito de Mossurize, em Manica, foi morto a tiros por três homens. Polícia investiga o caso. Em outro ataque armado no centro de Moçambique, uma pessoa morreu na Gorongosa.A pouco mais de 10 dias das eleições gerais, Moçambique regista mais um ato de violência contra membros de partidos políticos. Desta vez foi o assassinato do secretário da FRELIMO na região de Paúnde, no distrito de Mossurize, província de Manica, centro do país. A polícia já está a investigar o caso.
    O crime foi protagonizado por três homens armados com metralhadoras AK47, que na madrugada da última quarta-feira (02.10) alvejaram Samuel Ndlovo, secretário da FRELIMO em Paúnde, segundo informou a polícia esta quinta-feira (03.10).
    O secretário tinha duas esposas e uma delas explicou à imprensa que o ato aconteceu na calada de noite, quando surpreendentemente três pessoas arrombaram a porta da sua casa.
    "Chegaram três pessoas e bateram à porta e o meu esposo questionou perguntando quem era e de que se tratava. Eles empurraram a porta e disseram-lhe 'cala-te', e arrastaram-no para fora de casa. Eu vendo isso desci da cama e sai pela janela. Já fora ouvi o meu esposo a dizer: porque me querem matar? E sem demoras ouvi som de arma. E ela tocou uma vez. Aconteceu isso a minha vista", contou a esposa.
    "Um grande quadro da FRELIMO"
    A Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), através da cabeça-de-lista Francisca Domingos Tomás, solidarizou-se esta quinta-feira junto à família e a população daquela zona, que está aterrorizada em virtude do chamado "ato macabro”.
    Francisca Tomás disse que o finado era "um grande quadro que mobilizava a nossa população". "Estamos muito sentidos", disse a cabeça-de-lista, assegurando que o partido vai "continuar a procurar esses malfeitores, para que eles sejam responsabilizados".
    De acordo com Francisca Tomás, "existe um guia que é daqui da população. Através dele havemos de encontrar os que fizeram esse ato macabro que nos chocou, nós todos aqui na FRELIMO e na população". "Não se justifica que alguém saia da sua zona para ir tirar a vida a outra pessoa", condenou.
    Investigação
    Sem avançar as possíveis motivações deste crime, o chefe do Departamento das Relações Públicas no Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Manica, Mário Arnaça, confirmou o assassinato e disse que a polícia acionou as suas linhas operativas para a neutralização dos indivíduos para a sua responsabilização criminal.
    "A polícia fez-se ao local, lavrou o respetivo auto e ativou as suas linhas operativas com vista a neutralizar os malfeitores. É um crime comum, ocorreu num momento da campanha eleitoral, a polícia está a investigar este caso para se apurar as reais motivações", explicou Mário Arnaça.
    Outros ataques no centro do país
    Entretanto, outro ataque armado foi registado esta quinta-feira (03.10) no centro de Moçambique. Desta vez o alvo foi um autocarro de passageiros que partiu da cidade da Beira, na província de Sofala, em direção à cidade de Quelimane, na província da Zambézia. Uma pessoa morreu e seis ficaram feridas, de acordo com as autoridades locais, citadas pela agência de notícias Lusa.
    Pouco antes deste ataque, um camião tinha sido também alvejado a tiro por desconhecidos. A região em que se registaram os dois ataques desta quinta-feira tem sido palco de incursões armadas contra veículos, desde agosto, e que já tinham provocado alguns feridos e três mortos, na totalidade, referiu Rogério Singano, comandante distrital da polícia na Gorongosa.
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  • Eleições em Moçambique: "Falta clareza nos manifestos eleitorais dos partidos"
    Ativistas e analistas moçambicanos apontam para a falta de clareza nos manifestos eleitorais dos partidos políticos concorrentes às eleições de 15 de outubro. Entretanto, partidos desvalorizam críticas.Está difícil compreender a essência dos manifestos eleitorais dos partidos políticos que pedem voto para governar Moçambique, após as eleições gerais de 15 de outubro deste ano. A constatação é de analistas e membros de organizações da sociedade civil, que discutiram esta quinta-feira (03.10), em Maputo, a agenda dos partidos que, há cerca de um mês estão em campanha eleitoral.
    A falta de clareza quanto aos problemas que impedem o desenvolvimento, que os concorrentes pretendem resolver caso vençam as eleições, é um dos aspetos apontados por Dalva Mangoba, da Coalizão, uma organização da sociedade civil defensora dos Direitos Humanos das Mulheres.
    "Como representante [da sociedade civil], [estou] um pouco dececionada, porque os partidos estiveram unânimes em repetir o que já vinham fazendo nos anos anteriores. Não disseram o que vão fazer", criticou Mangoba, dizendo, por exemplo, que os concorrentes "deixaram de lado as preocupações de mulheres rurais, assim como questões de educação".
    "Mera repetição"
    Na ótica de Víctor Fazenda, do Parlamento Juvenil, esta situação dificulta a decisão dos cidadãos relativamente a quem votar, pois os manifestos eleitorais não passam de mera repetição do que cada um dos concorrentes apresenta.
    Para Fazenda, "os manifestos são muito vagos e alinhados na continuidade" e não fazem uma "reforma profunda" em relação às preocupações dos cidadãos.
    O Bispo Dinís Matsolo, da Igreja Anglicana, acredita que a solução para esta falta de clareza passa pelo envolvimento dos cidadãos na conceção dos manifestos eleitorais.
    "Sonho por um momento em que, em vez de o povo esperar ouvir os manifestos eleitorais daqueles que querem governar, seria o povo a desenhar e vender o seu manifesto aos partidos políticos", explicou.
    Partidos têm opinião contrária
    Mas para Venâncio Mondlane, da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), a campanha do seu partido é clara. "Estamos a falar de uma campanha extraordinária. Mesmo em zonas onde a RENAMO não tem tido grandes resultados, temos uma recetividade extremamente positiva da mensagem do nosso presidente".
    A mesma opinião é partilhada pela Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), através do seu porta-voz Caifadine Manasse. "Nós difundimos a mensagem de paz, de unidade e de desenvolvimento, para continuarmos todos unidos para desenvolvermos o nosso país".
    Sónia Mboa, do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), defende que as ideias do seu partido são facilmente perceptíveis pelo eleitorado. "Nesta campanha eleitoral, o MDM tem uma participação positiva, principalmente no que diz respeito à participação da mulher".
    Estas foram as principais constatações levantadas durante um debate inserido na Feira dos Manifestos Eleitorais, esta quinta-feira (03.10), em Maputo, que discutiu a agenda dos partidos políticos envolvidos na campanha eleitoral rumo às eleições gerais de 15 de outubro em Moçambique.
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  • Presidente Buhari inicia visita de Estado à África do Sul
    O Presidente nigeriano chegou, esta quarta-feira (02.10), à África do Sul para uma visita de três dias. Recente onda de violência xenófoba no país ameaça dominar as conversações com o seu homólogo Cyril Ramaphosa.Esta que é a primeira visita de um líder nigeriano ao país desde 2013, estava agendada há já várias semanas, tendo como principal objetivo o reforço das relações bilaterais entre os dois países. No entanto, a recente onda de violência contra estrangeiros na África do Sul, que afetou centenas de nigerianos e provocou pelo menos 12 mortos, ameaça dominar as conversações entre Muhammadu Buhari e o seu homólogo Cyril Ramaphosa.
    Usman Shehu, correspondente da DW, acredita que a violência xenófoba será o tema prioritário."A primeira reunião com Cyril Ramaphosa deverá servir para discutir esta questão da xenofobia. Também deverão falar sobre a comissão empresarial da Nigéria e África do Sul, porque o Presidente Buhari está a viajar na companhia de vários empresários, por isso os negócios serão com certeza um dos tópicos a abordar", explica.
    Durante a estadia do Chefe de Estado da Nigéria no país, os dois líderes deverão presidir uma reunião da Comissão Bi-Nacional África do Sul-Nigéria, criada em 1999 para impulsionar a cooperação entre os dois países.
    A África do Sul e a Nigéria são, atualmente, as duas maiores economias de África. E por isso, nota Usman Shehu, é imperativo que se entendam. Pois, caso contrário, todo o continente "será afetado". Neste sentido, defende Usman Shehu, é necessário que o governo sul-africano tome medidas palpáveis para remediar o sucedido.Na sua opinião, "[deve] haver uma compensação para as pessoas que perderam as suas propriedades e também uma decisão concreta, um acordo concreto da parte do governo sul-africano para proteger os nigerianos".
    Proteger os nigerianos
    A visita de Muhammadu Buhari à África do Sul, frisou a sua presidência em comunicado, pretende também mostrar à comunidade nigeriana que ali vive que o seu "governo está a trabalhar para a proteger". Nesse sentido, o Presidente deverá reunir-se com a classe empresarial nigeriana no país, nomeadamente com os proprietários das lojas saqueadas nos ataques de setembro.
    Alvan Akujinwa é um deles. À agência AFP, o comerciante afirma que as coisas ainda não voltaram à normalidade e admite que, ainda que tenham já passado algumas semanas, o medo mantém-se."Depois da onda de xenofobia no mês passado, conseguimos comprar algumas coisas para colocar à venda na loja. Mas temos muito, muito medo de comprar mais", afirmou.
    A mais recente onda de violência xenófoba contra estrangeiros, que eclodiu a 1 de setembro na África do Sul, levou já ao repatriamento voluntário de 640 nigerianos. Em resposta ao sucedido, em Lagos, várias empresas sul-africanas foram alvo de ataques.
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  • Tabanka Djaz: "Alegria do povo guineense e orgulho da nação"
    Há 30 anos que a orquestra pinta a imagem positiva de um país mergulhado numa sucessiva onda de instabilidade. Para muitos guineenses Tabanka Djaz é a imagem de uma Guiné positiva voltada para a alegria do povo.Conhecida na Guiné-Bissau como "Alegria do Povo e Orgulho da Nação”, a banda Tabanka Djaz com 30 anos de carreira lança em finais deste mês de outubro, o sexto disco de originais. Dois singles estarão disponíveis no mercado no final desse mês.
    São três décadas de sucessos um pouco por todo mundo de um dos maiores conjuntos musicais dos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa). Orgulho de um pequeno país da África Ocidental, Tabanka Djaz é tido pelos guineenses como uma "Guiné positiva", que sempre funcionou. Micas Cabral é quem comanda a banda.
    "A imagem que nós fazemos passar da Guiné-Bissau, é a tal Guiné positiva. Existem vários guineenses que fazem também o mesmo em várias áreas da sociedade. Nós passamos uma imagem da Guiné, que é esta que temos, de credibilidade, de seriedade, de trabalho, de honestidade e de profissionalismo”, disse à DW África na curta passagem do grupo pela Alemanha.
    Na Guiné-Bissau real, a situação política tende a piorar e o sonho de uma Guiné melhor para todos é cada vez mais, uma miragem. Micas canta a esperança de um povo que aos 46 anos de independência ainda não viu sinais de mudança.
    "Repare, eu tenho 55 anos de idade. Eu cresci, vivi com a independência e sonhei ver uma Guiné diferente. Há uma canção que fizemos em 1996, a Esperança. Que reflete a esperança que temos em dias melhores. É complicado... passados mais de 20 anos esta canção continua atual. É duro e desmotivador”.
    Tabanka Djaz já bateu recordes
    A caminhada começou em março de 1988, mas foi com o terceiro disco editado "Esperança” que Tabanka Djaz conquistou o coração dos fãs e foi o primeiro grupo africano de expressão portuguesa a ganhar o disco de Platina, em Portugal, atingindo 40 mil exemplares vendidos. O disco teve ainda direito a três grandes nomeações no prémio equivalente ao Grammys de África, em 1997. O percurso do grupo poderia ser melhor não fosse a instabilidade e a falta de reconhecimento por parte do Estado da Guiné-Bissau.
    "É uma sensação de frustração muito grande, quando a cada dia que passa temos conflitos internos entre os políticos. E o que está em causa é o povo da Guiné-Bissau. Os nossos políticos devem pensar muito mais no povo do que neles. Tudo isto fez com que a gente perca alguma esperança”.
    Em 1999, a convite de músico brasileiro Martinho da Vila, o grupo participou no projeto «Lusofonia» e consolidou o seu estatuto, em especial como embaixador do Gumbé (o ritmo tradicional da cidade de Bissau). O ano de 2002 marcou o regressou dos Tabanka Djaz com o álbum "Sentimento”, que contou com a participação de Martinho da Vila.
    Novo disco a caminho
    Depois de onze anos, os Tabanka gravaram o quinto e último disco em 2013 intitulado "Depois do Silêncio”. A música "Todos os sentidos" foi incluída na compilação "Africa: 50 Years of Music - 1960 / 2010 - 50 ans d'indépendances". Antes do final de 2019, o grupo conta apresentar o novo disco inspirado pela alma africana, pela sociedade atual e pelo amor, disse em entrevista exclusiva à DW África, o líder do grupo Micas Cabral.
    A banda assinala este ano três décadas de carreira com várias iniciativas, incluindo o lançamento de um DVD gravado no 25° aniversário de carreira que foi um concerto no Coliseu, em Lisboa.
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