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Todos temos um sexto sentido para perceber a tendência da opinião pública; morremos de medo de sermos isolados socialmente e quando achamos que nossa opinião está na contramão da opinião pública, perdemos a vontade e a coragem de expressá-la em público. Bote aí uma pitada de histeria e pronto!
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A vitória de Bolsonaro – mesmo que simplesmente para trocar uma quadrilha por outra – pode nos dar quatro anos de respiro para preparar uma nova candidatura (...) que há de surgir da fratura que essas eleições certamente criarão no país.
Ganhando, Bolsonaro terá quatro anos infernais. Como Temer, gastará grande parte do tempo e energia evitando ser derrubado. E terá, debaixo de seu próprio teto, milhares de militantes prontos para puxar seu tapete. O trabalho de limpeza vai demandar muito esforço e energia, mas talvez ele consiga fazer o principal: um choque, limpando as estruturas, quebrando narrativas, revelando as falcatruas e preparando o terreno. E tomando tiro, porrada e bomba. E nem sei se metafóricos, pois a facada foi real…
Bolsonaro não precisará ser incompetente, grosso, desonesto, burro ou simplesmente ignorante para que seu governo seja diariamente contestado e que um escândalo o aguarde a cada esquina. E ele fará questão de botar lenha na fogueira, com a mesma língua solta e a capacidade infinita de irritar os adversários. Essa é sua natureza…
(...) Bolsonaro vai ter de dar atenção muito especial para a escolha de seu time. Me preocupo que a família tome conta e transforme a presidência num reino, e tenhamos de lidar com “os filhos de Saddan”. Não dá. Mas tenho esperança que a consciência de que chegou lá, dê a Bolsonaro a grandeza de entender que sua obra será de terraplenagem. Só isso. Arrancar toco, aplainar o terreno, matar ervas daninhas, reforçar as barreiras de contenção e começar algumas fundações. Só a partir de 2022 poderemos pensar em construir uma casa nova.
Esse é um trecho de um texto meu de setembro de 2018, no qual eu dizia da minha decisão de votar em Jair Bolsonaro naquelas eleições. Na época, o texto viralizou e hoje, quase quatro anos depois, parece que acertei em tudo que eu disse que aconteceria...
Sou um oráculo? Não. Só observo.
Vou continuar o raciocínio no vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=C_-0SoIAc0Q
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Sempre que somos contrariados, quando nos negam o que queremos, nos sentimos de alguma forma, machucados. E isso dói, viu? Todo mundo quer escapar dessa dor. Em crianças, a gente até entende. Sem maturidade para compreender e comunicar suas emoções, elas fazem o que sabem: manifestam seu desconforto através do choro, da birra e do grito. Mas e quando é um marmanjo chorando, fugindo, ou entrando num enfrentamento que rapidamente escala do conflito para o confronto?
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Link para o livro: https://merdadeseventiras.com.br
O texto de hoje é um daqueles, delicioso, de autoria de Rubem Alves:
O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada – palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.
O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra – pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir…
E o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos…
Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão… O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.
Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem – cresce o amor… Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim…
Vou continuar a reflexão no vídeo:
https://www.youtube.com/watch?v=a2cIx7zK-GQ
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Cafezinho 526 – Os loucos nos extremos.
Amanhã, terça feira, 20 de setembro de 2022, lanço oficialmente meu décimo livro: Merdades e Ventiras, como se proteger da mídia que faz a sua cabeça.
O mundo está polarizado, parece dividido em dois, não é? É, parece. Mas não é assim. Existem alguns extremos gritando feito loucos e, no meio, milhões de pessoas tentando descobrir qual é a melhor escolha. Mas a gritaria nos extremos é tamanha que achamos que elas são maioria. Não são. São minorias, mas têm acesso à mídia, à cultura, aos canais de comunicação que batem em você o dia inteiro, influenciando suas decisões.
Hoje, quando todos somos mídias, temos a obrigação de pegar as coisas que valem a pena e passar adiante. Qualquer coisa que você encontrar e que valha a pena, compartilhe nas suas mídias. Você é um formador de opinião. Você é um influenciador digital dos 40, 50, 100 ou 1000 amigos que você tem no Facebook, no WhatsApp... Então, use seu poder, passe adiante as verdades, descarte as merdades. Respeite a inteligência e o tempo de vida dos outros, não os ocupe com bobagens.
Mas saiba que ao começar a agir assim, você se transformará num chato, diversos “amigos” não vão querer mais falar com você... Isso vai acontecer. Acontece comigo. Só que quero crer que as pessoas interessadas em assuntos sérios são muito mais do que as que costumam acessar meus canais. Certamente, há muito mais de mil, de cem mil... há milhões e milhões de pessoas interessadas em falar de coisas pertinentes. Mas talvez não apareçam por aqui porque têm à frente um mar de irrelevância que é difícil de ser ultrapassado. Cabe a nós sermos os sinaleiros, apontando os caminhos para disseminar sabedoria, mudar essa realidade de superficialidades, trivialidades, vulgaridades.
É isso que eu tenho tentado fazer desde os anos 1990, é isso que está no meu novo livro Merdades e Ventiras. Vou colocar aqui embaixo o link para você saber mais sobre o livro, mas continuo a reflexão neste vídeo.
https://www.youtube.com/watch?v=hzgj0Qx48PQ
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Você já ouviu falar em hermenêutica? É a área da filosofia que estuda a arte e a teoria da interpretação. Se for na área epistemológica, trata da interpretação de textos. Se for na ontológica, trata da interpretação de uma realidade. Você que está lendo este texto, ouvindo este áudio ou assistindo este vídeo, deveria seguir ao menos três etapas para garantir que conseguiu interpretar o que eu estou aqui dizendo.
Primeira etapa é a da pré-compreensão, que tem a ver com o conhecimento prévio que você tem de ter do assunto que eu estou abordando aqui. Se você não entende nada deste assunto, vai ter dificuldades para entender o que eu quis dizer.
A segunda etapa é da compreensão em si. Considerando que você já tem uma pré-compreensão do assunto, quando tomar contato com este texto, pode se deparar com alguma ideia nova, que você processará em conjunto com aquilo que já sabe. E assim você vai entender o que eu quis dizer. Mas isso não garante que você compreendeu o que eu quis dizer, olhaí a pegadinha. Entender o significado do que eu estou dizendo é diferente de compreender as justificativas ou o alcance social da minha mensagem.
A terceira etapa é a interpretação. Depois de compreender o meu texto, ou de achar que compreendeu, você vai processar o que leu, ouviu ou assistiu, e dar-lhe algum significado. Vai produzir na mente um novo texto, com a sua compreensão sobre o que eu disse. E essa conclusão final é sua, não é minha.
Sacou a complexidade da coisa? Quando você lê um post em mídias sociais, ou um comentário de alguém e imediatamente parte para uma resposta furiosa, precisa considerar que o gatilho não foi o que a pessoa escreveu, mas o seu, de você mesmo, processo hermenêutico.
Será que você tem a pré-compreensão necessária? Será que compreendeu o que o autor quis dizer? Será que a conclusão que você tirou está alinhada com o que ele quis dizer?
Interpretar textos é uma arte que a maioria absoluta das pessoas não domina.
Por isso essa bateção de cabeça.
Vou continuar esta reflexão no vídeo.
https://www.youtube.com/watch?v=SScFGh7BFn8
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Lá em 2019, quando este Cafezinho ainda não tinha este formato, publiquei um texto que vale ser repetido: os cães de Pavlov.
Ivan Pavlov era um médico russo que fez um experimento interessante cerca de um século atrás. Reuniu alguns cães e começou a condicioná-los. Cada vez que chegava com comida, Pavlov tocava uma sineta, até um ponto em que, mesmo sem comida, bastava acionar a sineta para que os cães começassem a salivar. Ficavam com a boca cheia d’água só de ouvir o sino. Pavlov desenvolveu a ideia dos reflexos condicionados.
Todos temos reflexos condicionados, a maioria deles naturais. Diante da visão de um cachorro rosnando com os dentes à mostra, imediatamente ficamos com os músculos tensos. Estamos condicionados a preparar a fuga ou o enfrentamento diante de uma situação de perigo. No cinema é assim também: de tanto assistir a filmes de suspense, estamos condicionados. Quando ouvimos aquela musiquinha já preparamos o susto. O gato vai pular!
Mas também podemos ser intencionalmente treinados a reagir de forma condicionada a determinados estímulos. O que aconteceu com nossa relação com as mídias, especialmente a imprensa, foi exatamente isso. Anos de condicionamento recebendo más notícias, quebrando expectativas, vivendo desilusões, nos treinaram para o que somos hoje: uma sociedade desconfiada, cética, que sempre espera o pior. Quase não há mais espaço para o deleite, para curtir uma boa nova, para acreditar que alguém está fazendo algo bom. O otimista, o que acredita, o que confia no bom, no belo, no justo, é um otário.
Parece impossível baixar a guarda e simplesmente curtir, saborear a notícia boa e compartilhá-la para que, por exemplo, outros governadores também abram mão dos aumentos de salário . Olha, há que se buscar o sofrimento, pintar o pior cenário, dizer que aquela boa notícia não merece crédito.
Como cães de Pavlov, estamos condicionados a babar.
Isso sim é que é herança maldita.
Vou continuar a reflexão neste vídeo.
https://www.youtube.com/watch?v=y1QVaUT4JJI
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http://bit.ly/jornadapsicose
No livro O Estupro da Mente, de Joost Meerloo, que transformei num Podsumário impactante – vou colocar o link para ele na descrição deste texto – aprendi o conceito de menticídio, que designa o processo de redução gradual de um ser humano (ou muitos humanos) à submissão mental.
Menticídio é definido como “um sistema organizado de intervenção psicológica e perversão do julgamento por meio do qual um poderoso ditador pode imprimir seus pensamentos oportunistas nas mentes daqueles que ele planeja usar e destruir”.
O ambiente ideal para o menticídio é o caos, a confusão e o isolamento. Esse estado paralisa a oposição e mina o moral. E a subsequente fraqueza mental permite a construção de um sistema de conformidade.
“O cerne da estratégia do menticídio é tirar toda esperança, toda antecipação, toda crença em um futuro. Ele destrói os próprios elementos que mantêm a mente viva. A vítima está totalmente sozinha.”
Veja a importância do velho jargão “dividir para conquistar”. Separar o indivíduo dos seus, fazer com que ele não tenha referências, nem mesmo em seus valores. Por isso é tão importante para os manipuladores cortar os laços com as influências que você recebe. Por isso a velha estratégia de destruir o conceito de família, de pai e mãe, de pátria e nação, de símbolos que o conectam com outros membros de sua tribo, de contestar suas raízes, de trazer para o presente questões e responsabilidades por atos cometidos por outros no passado. Não é sua responsabilidade, não é sua culpa, mas você precisa pagar pelo mal feito por outros. Sacou? Você não pode manifestar suas opiniões e ideias, você não pode contestar as ideias aparentemente predominantes.
A intenção é fazer com que você não exista como indivíduo, apenas como uma massa de manobra. Pronto. Sua mente foi capturada e você é, como eles dizem, gado...
Vou continuar a reflexão neste vídeo:
https://www.youtube.com/watch?v=tP4lL4YTqnY
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No final dos anos 90, eu já fazia palestras dentro do mercado de autopeças, abordando temas comportamentais, demonstrando como era importante criar alguns filtros para trabalhar as informações que recebemos diariamente das mais diversas fontes. Usando exemplos de artigos publicados na imprensa cujos títulos diziam uma coisa, mas o conteúdo dizia outra, eu perguntava:
— Como devemos chamar uma mentira que, dependendo de como é apresentada, nos leva a acreditar que é uma verdade?
Pensei em chamar de Ventiras, mas escolhi Merdades, que é mais apropriado.
E, então, eu discorria sobre as Merdades, dando dicas de como se proteger delas. Eu não fazia ideia que, quase vinte anos depois, as Merdades receberiam o nome de fake news e se transformariam numa das maiores preocupações de quem produz e consome informações hoje em dia.
Em duas décadas, muita coisa mudou. Surgiram a internet e as redes sociais, os grandes impérios das revistas e jornais impressos estão perdendo força, as grandes redes de televisão estão minguando, e os consumidores de informações mudaram completamente seus hábitos.
Vivemos uma verdadeira revolução da mídia.
O que não mudou?
A produção de Merdades, hoje fake news, que se torna cada vez mais sofisticada, trazendo para nós uma responsabilidade gigantesca de filtrar, selecionar e consumir informação que seja pertinente, transparente e verdadeira. Não é fácil.
Por isso, reuni quarenta anos de experiência como profissional de comunicação, gestor e produtor de conteúdo para lançar este meu décimo livro: Merdades e Ventiras, que está chegando.
Vou continuar a reflexão neste vídeo.
https://www.youtube.com/watch?v=-pe2q12X6Oc&feature=youtu.be
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Entramos na reta final das eleições, a temperatura vai aumentado e, com certeza, nossos filhos olham com curiosidade os debates acalorados dos adultos.
O que será essa coisa chamada política que mobiliza as pessoas? Que provoca discussões nos almoços de domingo, que gera bate-bocas em alta temperatura? De onde vem a política? Para que serve?
Se você já tentou explicar para crianças e jovens como funciona a política, o que são e para que servem os políticos, deve saber como é difícil, não é?
Nós olhamos para esse problema e nos dedicamos a criar alguns episódios do Podcast Café Com Leite para ajudar você nessa missão. Os episódios 2, 3 e 4 tratam exatamente sobre como a sociedade evoluiu da força bruta para um regime democrático, onde pessoas são escolhidas pelo voto para nos representar. E isso é contado de forma lúdica, facilitando enormemente a absorção e o aprendizado das crianças.
No Café Com Leite 2 – Cada um por si. Mostramos que a política é necessária e você precisa entender algumas coisinhas antes de dar opiniões sobre ela!
No Café Com Leite 3 – O Rei Tirano, mostramos que muitos reis, tão bonitos, tão honestos, antes de terem a coroa na cabeça e a espada na mão, tornaram-se tiranos quando assumiram o poder. E a sociedade teve de fazer alguma coisa.
No Café Com Leite 4 – Voto e Democracia, falamos sobre como a sociedade criou um sistema político em que o povo exercita o poder. Pelo menos na teoria...
Ouça os episódios no Spotify ou agregadores de podcasts, ou baixe-os em https://portalcafebrasil.com.br e depois provoque uma discussão sobre o assunto com seus filhos. Vale a pena.
Continuo essa reflexão no vídeo.
https://www.youtube.com/watch?v=8HPX24_cgNE
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