Cafezinho

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By Luciano Pires & Café Brasil Editorial LtdaSociety & Culture
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Cafezinho episodes

  • Cafezinho 520 – Dois Meio Brasis

    Por conta do contexto atual, vou repetir o texto do Cafezinho 104, que eu publiquei em setembro de 2018.

    Em 2013 o jornalista argentino Jorge Lanata falou de uma certa greta, o fosso, em espanhol, la grieta, que dividia os argentinos. Traduzi o discurso de Lanata, substituindo “Argentina”, por “Brasil”. Veja o que você acha:

    “Creio que existe uma divisão irreconciliável no Brasil, e a essa divisão chamo de ‘A Greta’. Eu realmente creio que a greta é o pior que se passa conosco. E acredito que vá transcender o atual governo que, se em algum momento se for, será sucedido por outros que também passarão. Mas a greta permanecerá, porque a greta não é política, é cultural, e no sentido mais amplo, tem a ver com a forma como vemos o mundo. A greta separou amigos, irmãos, casais, companheiros de trabalho. Antes havia mais gente que eu saudava por aqui, agora há menos. Provocaram uma greta, uma divisão, com essa história de que quem está contra é um traidor da pátria. É possível sim, estar contra e não ser um traidor da pátria. Creio realmente que todos somos a pátria, creio que todos somos o país, creio que ninguém tem o ‘copyright’ da pátria. ‘Brasil’ não é uma marca registrada de ninguém, de nenhum partido, de nenhum movimento, de nenhum governo, seja qual for. A verdade tampouco, ninguém tem o ‘copyright’ da verdade. Oxalá algum dia possamos superar essa greta, pois dois meios Brasis não somam um Brasil inteiro.”

    Dois meio Brasis não somam um Brasil inteiro. Por anos, uma certa elite se esmerou em semear o ódio e o conflito entre os brasileiros. E obteve sucesso. A greta existe, mas o Brasil está longe de ser um país dividido. Divididos estão pequenos grupos organizados e barulhentos, em luta pelo poder. E que influenciam a maioria silenciosa a imaginar que o país está dividido. Pense nisso.

    Dois meio Brasis jamais somarão um Brasil inteiro.

     

    Vou continuar a reflexão neste vídeo:

    https://www.youtube.com/watch?v=K54lyYLYqsk

     

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    8 min
  • Cafezinho 519 – A república do ódio

    Link para Chico e Milton: https://www.youtube.com/watch?v=lkRe-6evscY

    Toda semana eu mando uma Isca Intelectual por e-mail para quem se inscreve gratuitamente no mundocafebrasil.com. Esta semana foi a Isca 100, e eu quis fazer algo especial. Mandei uma assim:

    O ano é 1987, no Teatro Fênix no Rio de Janeiro, durante a gravação de um programa da Rede Globo chamado Chico e Caetano. Foram nove programas semanais, descontraídos, como uma festa conduzida por dois amigos, que apresentavam alguns dos mais importantes músicos da história da MPB.

    No dia 14 de março, o convidado era Milton Nascimento, para cantar junto com Chico Buarque a canção “O que Será (à flor da pele)”, do álbum Meus Caros Amigos que Chico lançara em 1976.

    Milton estava no auge da voz, e dá início à canção com uma espécie de vocalise que é, até hoje, um dos grandes momentos da Música Popular Brasileira. A expressão de Chico olhando para Milton dá ideia da enormidade do que ele percebeu naquele momento. Veja:

    Chico é famoso pela voz pequena e tímida, e tinha ao lado a potência e afinação de Milton Nascimento, provocando uma mistura que é irresistível e que, não raro, nos leva às lágrimas. Talento, por si só não explica isso.

    Estou sendo superlativo? Sim. Do tamanho do talento desses dois gênios, que estão em final de carreira e não têm reposição. E isso torna esse vídeo ainda mais importante.

    A Isca? Vai com uma frase da jornalista Tanya Dua:

    Acredito firmemente que a paixão supera o talento. A filosofia disso é que o talento é uma mercadoria, e há muitas pessoas talentosas no mundo. Mas é a paixão que o impulsiona para a frente.

    Mas você não faz ideia do que aconteceu com minha Isca... Vou contar na continuação deste vídeo.

     

    Vou continuar a reflexão neste vídeo:

    https://www.youtube.com/watch?v=_uc8LBZzfoU

     

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    9 min
  • Cafezinho 518 - A bênção da ignorância

    Cafezinho 518 – A bênção da ignorância

    Para baixar gratuitamente o Podsumário Antifrágil: canalcafebrasil.com.br/antifragil

    Me lembrei de uma história que uso em meu curso Produtividade Antifrágil, que trata das Acácias, uma espécie de árvore que existe na África, muito apreciada pelas girafas, que se alimentam de suas folhas e brotos. Essas árvores estavam ameaçadas e os cientistas, para protege-las, decidiram cercar uma grande área, impedindo que os animais se aproximassem delas. Com o tempo, as árvores protegidas começaram a apresentar doenças e a serem atacadas por insetos.

    Um estudo mostrou que um tipo de formiga muito agressivo vivia naquelas árvores, alimentando-se de sua seiva. Quando as girafas comiam as folhas e ramos, a árvore produzia a seiva naturalmente, como uma espécie de sangramento que curava os ferimentos causados pelas girafas. Com alimento abundante, as formigas se reproduziam e defendiam as árvores de outros tipos de insetos. O nome disso é mutualismo.

    Sem as girafas, as árvores não sangravam mais e as formigas ficaram sem alimento. Foram embora, expondo as árvores ao ataque de todo tipo de inseto. Os cientistas, achando que estavam protegendo as árvores ao evitar as agressões das girafas, na verdade as enfraqueceram ao quebrar um equilíbrio natural. Não é fascinante?

    É assim que a ciência funciona: diante do desconhecido, não há certezas absolutas, apenas hipóteses. Por isso, quando ativistas de sofá, youtubers histéricos, políticos espertos ou técnicos oportunistas aparecerem diante de você dizendo que sabem como as coisas funcionam, lembre-se das Acácias.

    Sistemas complexos são complexos demais para serem controlados de fora. Por vezes nos sentimos tentados a pensar que temos alguma fórmula mágica capaz de manipular esses sistemas, mas descobrimos consistentemente que estamos errados, por vezes com resultados catastróficos. Interferir em sistemas complexos de cima para baixo tentando retirar deles as aleatoriedades, os torna frágeis.

     

    Vou continuar a reflexão neste vídeo:

    https://www.youtube.com/watch?v=PRR8LTKtNn8

     

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    7 min
  • Cafezinho 517 – É melhor aceitar a desordem

    Para baixar gratuitamente o Podsumário Antifrágil: canalcafebrasil.com.br/antifragil

    No livro Antifrágil, o autor Nassim Nicholas Taleb diz que é melhor aceitar – e até dar boas-vindas – uma certa quantidade de desordem, aleatoriedade e riscos em nossas vidas e sistemas e nos prepararmos para tirar vantagens delas, do que tentar erradicar essas fontes de estresse.

    E a cabeça explode quando Taleb afirma que é possível lucrar com o imprevisto. Basta reconhecer quais sistemas são frágeis, com tendência ao colapso, quais são antifrágeis, capazes de crescer com a força dos adversários. Sair da frente dos frágeis e se juntar aos antifrágeis, tornando-se você antifrágil também... esse é o segredo. Isso se aplica não apenas aos grandes sistemas econômicos, mas a nossos próprios corpos e mentes.

    Taleb parece ter a mesma visão que eu: as pessoas apreendem melhor os conteúdos quando eles nos são apresentados do mesmo modo como a vida é. Eu tenho uma ideia do que acontecerá quando eu sair à rua para caminhar até minha casa, mas não imagino o que exatamente acontecerá. Meu celular pode tocar, um motoqueiro pode passar com barulho, um cachorro pode fazer cocô e o dono não recolher, um vizinho pode parar para conversar, pode começar a chover, eu posso esquecer a chave ou um documento, pode faltar luz... Tudo pode acontecer e é assim que a vida é. É isso que sempre me orientou no Café Brasil: eu sei onde quero chegar, mas não sei o que acontecerá no caminho. Qual o tema do próximo podcast? Não sei? Não faço ideia. Algo surgirá, como surge em nossas vidas... e no final se conectará com um todo.

    Por que é assim? Porque existe um propósito. Porque minhas buscas não são aleatórias, mas estão orientadas pelo desejo de ajudar as pessoas a ampliar seus repertórios e assim melhorar a capacidade de discernimento, julgamento e tomada de decisão.

    No fim, tudo que parece um caos, está orientado para um mesmo objetivo.

     

    Vou continuar a reflexão neste vídeo:

    https://www.youtube.com/watch?v=-5B7xhjH-fA

     

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    7 min
  • Cafezinho 516 – Pra quem decidiu não escolher

    Em 1972 o ator italiano Gian Maria Volonté, falava sobre a diferença entre os filmes politicamente engajados e aqueles vazios de conteúdo. Foi quando Gian Maria disparou: " sempre me disseram que filme político não interessa, pois não faz dinheiro"..."Quer saber de uma coisa?" disse o ator ao jornalista, "estão fazendo uma enorme confusão. Todo e qualquer cinema é político. Até mesmo aquele sem conteúdo, banal e vulgar. O enfoque é o tempo livre e não o conteúdo do filme. Hoje, qual é o significado de tempo livre? Significa momento de evasão, da não reflexão, do consumo. E o sistema te oferece mil maneiras para preenchê-lo, incluindo os filmes que te metem na condição de não pensar. É esse o dado político"...

    Gian Maria Volonté nos alerta sobre o dado político da indústria do entretenimento. Ela ocupa nosso tempo livre voltando nossa atenção para distrações que nos levam a consumir. Ou a apresentar um comportamento resignado, dentro das regras, que interessa ao sistema político vigente. Isso é político. E sob esse ponto de vista, todos esses programas de TV, no Youtube, nos games, tão inocentes e engraçadinhos, que consomem nosso tempo de vida, são políticos.

    E quando não percebemos esse jogo, nos tornamos meros joguetes nas mãos de quem manipula a política. Em Brasília ou na rede Globo. Por isso, valorize seu tempo “livre”. Faça com que ele seja um tempo de reflexão. Preencha-o com provocações, com inspiração, com atividades que agreguem valor, que elevem seu espírito, que enriqueçam seu repertório. Agindo assim, você estará sendo senhor de seu destino. Sendo um animal político... Levando a vida e não resignadamente deixando a vida te levar.

    Mas tem gente que não pensa assim. Pensa que sua hora livre é para lazer, para não fazer nada, para esvaziar a cabeça... Tudo bem. Tem uma frase de Willian James, que diz: “Quando você tem que fazer uma escolha e não a faz, isso por si só já é uma escolha”.

    Viu só? Não escolher também é política.

     

    Vou continuar a reflexão neste vídeo:

    https://www.youtube.com/watch?v=PTVfkcRjDBE

     

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    8 min
  • Cafezinho 515 - Você nunca foi tão hipócrita

    Você já refletiu sobre a forma como se comporta quando valores morais entram em conflito com interesses políticos?

    O convívio civilizado entre interesses conflitantes é nosso maior desafio. Lidamos com isso o tempo todo e de uma forma que nunca foi tão hipócrita. Os discursos vão para um lado, e as atitudes vão para outro. E não é só em política, não, mas em todos os segmentos de nossas vidas.

    O diretor da escola diz que se preocupa com a qualidade do ensino e força a professora de artes plásticas a dar aula de teatro; o político diz que se preocupa com seus eleitores e troca a votação da lei importante por um cargo que renda poder e dinheiro; o advogado jura defender as leis e as  utiliza para manter bandidos fora da cadeia; o diretor artístico jura que quer qualidade e programa para tocar só sertanejo corno, e o jornalista jura imparcialidade e não se cansa de manipular os fatos.

    Líderes são produtos de seu tempo. Seus hábitos e comportamentos de liderança são moldados tanto pelos tempos em que vivem quanto pelas expectativas do eleitorado ou de seus funcionários ou seguidores. Como é aquela frase da moda mesmo?

    “Homens fortes criam tempos fáceis. Temos fáceis geram homens fracos. Homens fracos criam tempos difíceis. E tempos difíceis geram homens fortes.”

    Em outras palavras os líderes são feitos e desfeitos pelo impulso das forças que os influenciam em cada período da história.

    Você entendeu, hein? Em tempos em que os muros estão surgindo entre as pessoas, estamos divididos mais do que em qualquer outro momento, o que o mundo precisa é de gente que se envolva para além de só fazer cobranças. Que descruze os braços, que saia da inércia e que diga: “chega!” Que pare de comprar discursos bonitinhos que não têm sustentação na realidade.  É o resultado de nossas ações que cria o clima que formará nossos líderes. Você entendeu, hein?

    Nossas ações, minha e sua. Que decidimos não cruzar os braços quando somos chamados para agir.

    Vou continuar a reflexão neste vídeo:

    https://www.youtube.com/watch?v=SxCifyqEBhU

     

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    9 min
  • Cafezinho 514 - Saia da Zona da Indiferença

    Em minha palestra TUDO BEM SE ME CONVÉM, projeto na tela dois círculos, um preto outro branco, para ilustrar a ideia de que tempos atrás era relativamente fácil determinar o que era certo ou errado, bom ou mau, conveniente ou inconveniente, legal ou ilegal. Havia uma certa rigidez nos costumes, passada de geração para geração, que facilitava nossas escolhas. Pausa: não quero dizer com isso que antes era necessariamente melhor que hoje, quero dizer que era diferente.

    E então acontece uma animação e os dois círculos começam a se aproximar. Quando um entra sobre o outro, forma-se uma área cinza na intersecção. E quanto mais os círculos se sobrepõem, maior fica sendo a área cinza. Dou a essa área o nome de Zona da Indiferença.

    É a área onde, quando forçadas a confrontar questões difíceis para as quais não conseguem determinar o preto e o branco, as pessoas costumam cruzar os braços. Ficam no cinza: indiferentes.

    Minha tese é que essa área cinza nunca foi tão grande, especialmente por um certo relativismo moral que toma conta da sociedade. De repente começam a pregar que não existem mais verdades, que todo mundo está de alguma maneira certo, que o que é bom pra você pode ser ruim pra mim e todos estão certos, que temos que respeitar os direitos de todo mundo, inclusive quando esses direitos se sobrepõem aos direitos de outros.

    Nessa situação, se não gosto de algo e explicito minha contrariedade, sou imediatamente atacado pelos paladinos da igualdade, acusado de – vamos lá - fascista, coxinha, reacionário, todos aqueles rótulos que você está cansado de conhecer.

    Assim, para não se incomodar, a maioria das pessoas prefere permanecer na área cinza, sem tomar uma posição, esperando para ver para que lado a vai a boiada. Quando a boiada andar, ela anda junto. Se a boiada correr, ela corre junto. E se você pergunta porque correu, ela não sabe...

    Zona da indiferença... você já se viu nela?

    Vou continuar a reflexão neste vídeo:

    https://www.youtube.com/watch?v=-NXB1PshqNc

     

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    10 min
  • Cafezinho 513 - A lei de Gresham Cultural

    Link para o vídeo de Eric Clapton e Paul McCartney: https://www.youtube.com/watch?v=Xl-BNTeJXjw

    Publiquei esta semana uma isca cultural que mostra Paul McCartney e Eric Clapton interpretando a canção Something, de George Harrison, durante um show em 2017. Não sei quantas vezes já assisti ao vídeo, em todas elas com um nó na garganta e lágrimas nos olhos.

    Por quê? Porque é lindo. Tem uma beleza que envolve estética, amizade, camaradagem, generosidade, poesia, arte no mais alto nível. Como raramente se encontra em novas produções.   

    Existe um princípio econômico chamado Lei de Gresham, atribuída a Sir Thomas Gresham, conselheiro da Rainha Isabel I de Inglaterra, que afirmou em 1558 que "a moeda má expulsa a moeda boa".

    Naquela época as moedas tinham valor conforme o peso do ouro em que eram cunhadas. Quanto mais pesadas, mais valiosas.  Sir Gresham disse que se o Estado decidisse cunhar novas moedas com o mesmo valor facial mas com menos quantidade de ouro, os agentes econômicos tenderiam a guardar a moeda mais pesada (a moeda boa) e a fazer circular apenas a nova moeda mais leve (a moeda má). Pouco a pouco, toda a moeda boa acabaria por ser substituída pela moeda má.

    Pois estamos vivendo dentro de uma espécie de Lei de Gresham cultural onde informações triviais expulsam informações significativas. Fatos sem importância, gente sem qualquer significado, informações irrelevantes ocupam todos os espaços das mídias, expulsando os fatos e influenciadores verdadeiramente importantes e necessários.

    A música ruim expulsa a boa. A literatura ruim expulsa a boa. O cinema ruim expulsa o bom. As conversas ruins expulsam as boas. O caráter ruim expulsa o bom.

    Essa lei de Gresham cultural faz com que as pessoas prefiram conhecer o que acontece a pensar sobre o que acontece, porque o conhecer tem mais valor imediato.

    A moeda má expulsa a moeda boa, percebeu?

    E então perdemos a capacidade de apreciar o belo.

     

    Vou continuar o raciocínio neste vídeo:

    https://www.youtube.com/watch?v=TC8krzWR4tc

     

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    8 min
  • Cafezinho 512 - O calo do dono

    No grupo do Telegram da Confraria Café Brasil, exclusiva para assinantes, surge um comentário do Joney, que levanta uma questão muito interessante. Ele diz assim:

    “Não sei se era sua intenção, mas diante do que escreveu lembrei de algo que tenho refletido e pensado, que é agir diferente dentro das minhas possibilidades limitadas, é claro.

    As vezes vale mais a pena comprar fora da Amazon, mesmo com o valor um pouco mais caro do que encher o rabo dessas Big Techs com mais dinheiro.

    Pediu comida para entrega, comprou na loja local, se possível pague um pouco a mais especialmente como gorjeta. Essa é uma forma de multiplicação de dinheiro, as vezes aqueles 20 reais para o motoboy tem proporção grande na renda dele e pode não te apertar.

    Comprar dos pequenos acho tão importante, pois corre o risco de no futuro livros ou produtos que ferem as "diretrizes da comunidade" deixem de estar disponíveis.”

    O Joney levanta duas lebres importantes: a distribuição de nosso dinheiro para a comunidade próxima, em vez de encher as burras das Big Techs... e a nutrição das alternativas de distribuição que a cada dia desaparecem, deixando nas mãos de meia dúzia de grandes empresas o poder de distribuir só aquilo com que elas concordam. Do jeito que fazia a mídia pré internet e que agora as Big Techs tentam fazer com seus algoritmos: não fuja dos temas e abordagens permitidos pela patota ou você será cancelado.

    Na verdade, trata-se da mesma questão, que diz respeito ao pêndulo que saiu de um extremo e está chegando no outro.

    Por muito tempo nos queixamos que não tínhamos liberdade de escolha, que éramos colonizados pelos conteúdos que meia dúzia de empresas distribuíam, que faziam com que a sociedade não tivesse liberdade de escolha e, portanto, seguisse uma cartilha hegemônica.

    Aí surgiu a internet. E as redes sociais. E por duas décadas acreditamos que estávamos livres para consumir e dizer o que quiséssemos. Até que a politização da sociedade e a pandemia revelaram a verdade: temos sim, mais liberdade. Desde que não pisemos no calo do dono da Big Tech.

    Passou da hora de nos preocuparmos com isso.

     

    Vou continuar o raciocínio neste vídeo:

    https://www.youtube.com/watch?v=YeNTCi5pUVM

     

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    8 min
  • Cafezinho 511 - Estupidez induzida

    Li uma matéria dando conta de que ao longo do século 20, os cientistas notaram que o QI da humanidade estava subindo. Esse aumento na pontuação média de QI ficou conhecido como Efeito Flynn. A cada década, relata o Techs Times, a média de inteligência medida aumentou cerca de três pontos. Os especialistas acreditavam que esse aumento impressionante se devia a uma melhor educação, melhor nutrição e melhores cuidados de saúde. Mas num estudo recente, pesquisadores do Ragnar Frisch Center for Economic Research da Noruega analisaram 230.000 resultados de QI de homens que ingressaram no serviço nacional entre 1970 e 2009. E descobriram que, para cada geração, a pontuação caiu cerca de sete pontos em média. O efeito Flynn parece ter sido revertido.

    Isso não significa exatamente que estamos ficando mais burros. Mas o resultado é preocupante.

    O autor do artigo diz: “Vivemos em um mundo onde temos todos os tipos de conhecimento ao nosso alcance. Temos fácil acesso aos fatos e podemos nos educar com alguns cliques simples em nossos telefones e computadores. Então, por que isso está acontecendo?”

    E o blogueiro e economista da Marginal Revolution, Tyler Cowen, disse: “Em outras palavras, começamos a construir um ambiente mais indutor de estupidez”. Mas os cientistas ainda estão lutando para encontrar a causa.

    Bem, eu lancei em 2004 meu livro Brasileiros Pocotó onde cantava a bola: a continuar aquela quantidade de bobagem despejada pela mídia sobre uma juventude incapaz de julgar e tomar decisões, por uma educação deficiente, o resultado seria catastrófico. Taí. A nível global.

    Ter acesso à informação não vale de nada se não temos instrumentos intelectuais para transformar essa informação em conhecimento. E isso não vem do nada. Vem do exercício do pensamento, da comparação entre as coisas, da capacidade intelectual. Da ampliação de seu repertório e desenvolvimento da capacidade de julgamento e tomada de decisão.

    E isso não se consegue com a pisadinha, com a dancinha, com likes e curtidas, com lacração e superficialidade.

    Criamos um ambiente indutor da estupidez.

     

    A reflexão continua neste vídeo

    https://www.youtube.com/watch?v=TR-Peejs5RI

     

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    10 min

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Uma pausa para o café com média de 2 minutos e meio de Iscas Intelectuais sobre comportamento, sociedade, política, economia, educação… tudo aquilo que envolve a complexidade de ser humano.

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