Cafezinho

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By Luciano Pires & Café Brasil Editorial LtdaSociety & Culture
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Cafezinho episodes

  • Cafezinho 451 - Resoluções de ano novo

    Fim de ano. De repente, faz-se a luz, você tem um lampejo e toma suas decisões para o ano novo. Vou emagrecer, vou retomar um projeto, vou viajar, vou mudar um relacionamento, vou retomar uma amizade, vou terminar o meu livro...Você estabelece uma série de objetivos e invoca sua força de vontade para fazer acontecer. E quase nada acontece. E fica alucinado quando vê alguém que consegue!

    Qual é a diferença entre as resoluções que não vão acontecer e aquelas que provocam mudanças sustentáveis? Será algo mágico que só as outras pessoas têm?

    Olha, talvez tenha a ver com a forma com que você se conecta com seu futuro. Se sua conexão é “vou emagrecer” e pronto, é provável que nada aconteça. Mas se você elabora o cenário no qual quer chegar, se vê nele, aprecia os benefícios, constrói uma visão completa, capaz de contaminar todos os dias de sua vida, talvez haja chance de sucesso.

    Procure ouvir o Café Brasil 518 – Fator Merlin. Nele eu faço uma provocação fascinante: “Já pensou se você pudesse viajar no tempo, ir lá para o futuro, ver como a sua vida se desenvolveu, voltar para o presente e fazer novas escolhas? O que você mudaria hoje?”

    Quando você faz uma resolução para o ano novo baseada no medo e no desespero, a chance de que ela dure por alguns dias ou semanas é muito grande. Se você não se apaixonar pelos resultados da mudança proposta, se não se apaixonar pelo futuro idealizado, provavelmente nada vai andar. É por isso que os arquitetos e projetistas fazem questão de mostrar a seus clientes uma versão em 3D,se possível uma maquete da nova casa. Eles sabem da força que essa tangibilização no presente, que será o futuro, tem.

    Você precisa visualizar o futuro, ter a real dimensão dos benefícios da mudança, compreender os impactos em todas as dimensões de sua vida. Apaixonado pelo futuro idealizado, você então tem de lidar com seus medos e limitações. O que é preciso fazer para chegar lá? E e for inteligente o suficiente, quebrará os grandes obstáculos em pedacinhos e os vencerá um a um, aos poucos, sem grandes saltos, sem grandes arroubos, sem grandes fracassos que o farão voltar atrás. Quem fez meus cursos de produtividade conheceu a Matriz Vhirpa, um guia para avaliar o que fazer para chegar lá.

    Visualize os domínios físico, emocional, financeiro, relacionamentos, carreira, vida social e espiritual. Veja o que afasta você daquele futuro pelo qual se apaixonou. O que é que você tem de começar a fazer agora para chegar lá? E amanhã? E daqui a uma semana? Um mês?

    E aí você começa a fazer o que pode. Sacou? Fazer o que pode. Aos poucos, de forma contínua e sistemática.

    O que deixa você em forma não é ir à academia e levantar 100 quilos. É ir à academia sempre, e levantar alguns quilos.

    Só tem um jeito de mudar seu futuro. É começando hoje.

    Vamos nessa? 

    No Youtube:https://youtu.be/jdzqlV_4lZ0

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    8 min
  • Cafezinho 450 - O óbvio para o ano novo-

    Há tempos saquei que grande parte dos que me leem são jovens (na faixa dos 24 a 35 anos) buscando conhecimento que os ajude a pavimentar seu caminho no universo profissional. E para gente jovem poucos assuntos são óbvios.

    E mesmo os óbvios precisam ser revistos sob óticas diferentes ou simplesmente relembrados. É nos detalhes óbvios que mora a diferença. Portanto, vamos ao óbvio. Minha carreira me coloca diante de situações e pessoas diferentes e com histórias de vida quase sempre fascinantes e únicas.

    Mesmo quando encontro pessoas parecidas que agiram de forma parecida, quase nunca o resultado é igual. A única coisa comum entre os que obtiveram o sucesso que verdadeiramente importa é que todos trabalharam pra valer.

    E com o tempo a gente vai juntando umas reflexões que, se não garantem o sucesso, ajudam de montão. Lá vão então as dicas óbvias de ano novo:

    1. Você percebe que chegou a hora de mudar quando levanta da cama pela manhã e diz: Que saco! Tenho que ir trabalhar.
    2. O mundo acontece fora de sua sala, de seu departamento, de sua empresa, de seu círculo de amizades. Vá onde os outros não vão. Leia o que os outros não leem. Ande com gente de fora. Arrume uns amigos esquisitos.
    3. A vida é feita de encontros, especialmente os imprevisíveis. Exponha-se a eles. Se sua vida é casa-trabalho-escola-casa, seus encontros são previsíveis. Busque novos encontros. Deles surgem as oportunidades.
    4. Ao levantar pela manhã você pensa na sua proposta de valor? Naquilo que você quer que as pessoas sintam quando encontram você? Se você não pensa, outras pessoas pensam. E constroem sua imagem à sua revelia. Tome conta de sua imagem.
    5. Chegará o dia em que seu maior patrimônio será seu círculo de amizades. A maioria das soluções para seus problemas surgirá de um contato com um conhecido. Portanto alimente esse círculo, plante, regue e retribua.
    6. Como diz Rubem Alves: é no espanto que o pensamento acontece. Se sua vida é uma rotina, não há mais inteligência nela. Fuja da rotina. Procure o novo.
    7. Aprendi como cartunista: para poder fazer uma caricatura, você tem que saber desenhar. Aprendendo bem o básico, é possível criar sobre ele. Portanto, antes de inventar moda, enriqueça seu repertório.
    8. Falar português errado é como ter unha suja, cabelo ensebado ou cheiro de corpo. Seja culturalmente asseado. Quem, tendo a oportunidade de estudar, fala “problema” e “nóis vamo”, dá uma pista sobre suas prioridades. E se acha que isso é preconceito linguístico, não entendeu nada de nada.
    9. Esforce-se para se colocar em situações em que seu estômago congele na hora de tomar uma decisão. Se seu estômago não gela, é porque não há risco. E qual é o retorno de atividades que não tem risco?
    10. Por fim, uma frase deliciosa do escritor francês Charles Lemesle: “Os homens são como os vinhos: com a idade, só os melhores lucram em doçura o que perdem em força. Os outros azedam.”

    Que seu 2022 seja nutritivo. É óbvio.

    No Youtube: https://youtu.be/pydquPPj87w

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    8 min
  • Cafezinho 449 – Um Natal inesquecível

    O meu Natal inesquecível aconteceu quando eu tinha uns dez anos, lá por 1966.

    A família gigantesca reunia-se na casa de meus avós Duarte e Dora. Era uma tremenda festa, todos davam presentes para todos. Naquele ano só ganhei coisas que crianças detestam: meias, lenços, sabonetes…

    Fui pra casa arrasado. Quando cheguei, meu pai estranhamente mandou que eu entrasse no quarto e acendesse a luz. Ao entrar senti um cheiro de coisa nova. Acendi a luz e no meio do quarto estava uma bicicleta. Uma Monareta branca e vermelha. Linda. Brilhante.

    O melhor presente de Natal da minha vida.

    O Natal é um período especial do ano. Uma convenção. Quando ele chega o tempo muda, um clima diferente toma conta da casa, da cidade, do país. Conheço muita gente que odeia o período do Natal. Acha triste, provavelmente por trazer lembranças de tempos felizes que não vão mais voltar. Lembranças de entes amados que já se foram.

    O Natal traz saudades. Ele acorda a criança que dorme dentro de nós, reaviva sentimentos que nos dominavam quando tínhamos seis, sete anos de idade.

    É um período em, o Natal, em que você, seja rico ou seja pobre, é sempre fascinante. Foi Erma Bomback, humorista norteamericana quem disse uma frase que chega a doer de tanta poesia:

    “Nada mais triste que acordar numa manhã de Natal e não ser criança.”

    E houve também um anônimo cruel que disse: “Aprendi que o homem tem quatro idades: quando acredita em Papai Noel, quando não acredita em Papai Noel, quando é o Papai Noel e quando se parece com Papai Noel.”

    Que seu natal tenha sido perfeito e que seu 2022 seja ainda mais que perfeito.

     

    No Youtube: https://youtu.be/OfqQNr0cm3E

     

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    6 min
  • Cafezinho 448 – O dito e o não dito

    No livro The Said and The Unsaid (O Dito e o Não-Dito), Stephen A. Tyler escreveu: “Alguns objetos de nosso mundo são aparentemente não problemáticos – mesas, cadeiras e coisas semelhantes – enquanto outros, tais como pensamentos, imagens, memórias e dores, tem um status de objeto peculiar (..) embora não tenham nenhuma representação externa na percepção sensorial, falamos sobre eles como se não diferissem nada de mesas e cadeiras que, como todos sabem, podem ser percebidas pelos sentidos. Posso dizer que ‘eu tenho um pensamento’ do mesmo modo que diria ‘eu tenho duas pernas’, como se o pensamento e as pernas fossem objetos da mesma natureza. O problema é que nossa linguagem parece mentir a nós mesmos, pois ‘ter pensamentos’ não pode ser verificado ou descrito do mesmo modo que ‘ter pernas’; as pernas e os pensamentos não são objetos da mesma realidade. A linguagem trata pensamentos e pernas como se ambos tivessem extensão no espaço, como se fossem ambos substâncias.”

    Pois é.

    Aí me lembrei de nosso Poeta João Cabral de Melo Neto: "As palavras pedra ou faca ou maçã, palavras concretas, são bem mais fortes, poeticamente, do que tristeza, melancolia ou saudade. Mas é impossível não expressar a subjetividade. Então, a obrigação do poeta é expressar a subjetividade, mas não diretamente. Ele não tem que dizer ‘eu estou triste’. Ele tem é que encontrar uma imagem que dê ideia de tristeza ou do estado de espírito - seja ele qual for - por meio de palavras concretas e não simplesmente se confessando na base do eu estou triste."

    Então matei uma charada que há tempos me incomodava. Lembra daqueles advogados dos tempos de Lava Jato que diligentemente apresentavam recursos e mais recursos insistindo que não existia a materialidade das provas? Fazem assim até hoje. Eu não entendia como funcionava o pensamento deles, mas agora, depois de ler Stephen Tyler e João Cabral de Melo Neto, penso que não são necessariamente desonestos, parte da quadrilha ou mal-intencionados.

    São simplesmente poetas da corrupção.

     

    Isca: Preste atenção no que não é dito.

     

    No Youtube: https://youtu.be/Zgrxf0wOx3g

     

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    9 min
  • Cafezinho 447 – Oitocentos

    Esta semana colocamos no ar o episódio número 800 do Podcast Café Brasil. Oi-to-cen-tos! Sabe o que significa oitocentos semanas? Mais de 15 anos ininterruptos, algo como 400 horas de conteúdo! Você precisaria de quase 17 horas seguidas para ouvir todos os 800 episódios lançados desde 2006. Não é mole...

    Escolhi para esse episódio especial algo que representasse energia, explosão, música, emoção: o rock´n roll, com um especial de cerca de uma hora contando a história da banda AC/DC, uma das mais importantes da história do rock. E há ali uma lição que, ao menos para mim, é preciosa.

    O AC/DC é uma banda que se manteve fiel por mais de 40 anos às suas origens. Eles nasceram, fazendo o rock básico, cru, com poucos acordes e um ritmo incendiário, lançaram dezenas de discos e centenas de músicas. E se você ouvi-los hoje, ou 40 anos atrás, reconhece a banda, nos vocais marcantes de Bom Scott ou Brian Johnson e as guitarras nervosas de Malcoln e Angus Young. E isso não é pouco.

    Num mundo onde os produtores de arte cada vez mais se rendem a modismos, a fórmulas mágicas que nivelam tudo por baixo para que mais gente compre, encontrar quem se mantém fiel a seus princípios é uma raridade. E fui encontrar esse atributo justamente num grupo de roqueiros malucos, que usam signos infernais para provocar seu público. Basta ver a reação das plateias em seus shows...

    Ouça o Café Brasil 800, mas tome cuidado. Não ouça por ouvir, prepare seu espírito para enfrentar 60 minutos de adrenalina, ouvindo um rock como não se faz mais.

    Garanto que por algum tempo você conseguirá esquecer desta loucura toda que andamos vivendo.

    E hoje em dia, isso não é pouco.  

     

    No Youtube: https://youtu.be/m7YjdnrLcWk

     

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    8 min
  • Cafezinho 446 - Competência Moral

    Em viagem aos Estados Unidos, um conhecido foi assistir com o filho a um jogo de basquete da NBA em Orlando, na Amway Arena. Ainda no Brasil. comprou os ingressos pela internet e embarcou para Nova Iorque. No dia de ir para Orlando, uma nevasca impediu o voo e eles perderam o jogo. E ele conformou-se. De volta ao Brasil, surpreso, recebeu um email da Amway Arena perguntando por que ele não foi ao jogo. Mais surpreso ainda ficou quando responderam que o ingresso incluía um seguro para casos assim. “O senhor gostaria de utilizar o seguro?” Ele concordou e recebeu pelo correio um cheque de cerca de 120 dólares. Putz! Para nós que temos de sair no tapa para tirar o bicão da nossa cadeira numerada nos principais estádios do Brasil, que custou uma pequena fortuna; que temos de usar um banheiro imundo; que pagamos uma nota para um guardador de carros não riscar nosso automóvel; que corremos risco de vida a cada vez que vamos a um estádio, o relato do meu conhecido é peça de ficção. Essa história tem muito a dizer sobre a competência técnica e profissional dos norte-americanos.

    Mas sabe o que realmente me chamou a atenção? Foi o que eu chamo de “competência moral.” Alguém tomou a decisão moral de ressarcir quem foi prejudicado, o que de certa forma é de se esperar. Mas a verdadeira profundidade da decisão moral foi: não vamos esperar que a pessoa reclame, vamos nos antecipar e avisar que ela tem direitos e perguntar se quer valer-se deles. Você consegue imaginar uma situação assim aqui no Brasil?  Deixe de lado a questão estrutural, se temos ou não computadores e gente capaz para implementar um processo idêntico. Concentre-se na pergunta que realmente interessa: temos a competência moral para respeitosamente avisar a pessoa que ela tem um direito? Ou vamos optar pelo velho: “Deixa quieto. Ele nem vai perceber...”? Pois é. Competência técnica e profissional tem jeito, o dinheiro pode comprar. Mas competência moral, ah, isso vem lá de um lugar que o dinheiro não alcança. Por isso vai demorar um pouco pra gente chegar lá.

     

    No Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=tvpxtY8-ixE

     

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    8 min
  • Cafezinho 445 – Sobre obedecer ordens

    O espetacular documentário Get Back, de Peter Jackson, mostra imagens inéditas dos Beatles, e é para ser saboreado segundo a segundo. Para quem ama a banda, é uma viagem no tempo.

    Um dos momentos mais interessantes é o registro do show dos Beatles em 30 de janeiro de 1969, no terraço da gravadora Apple em Londres. Seria o derradeiro show da banda, que logo em seguida se separaria para sempre.

    No auge da performance, um grupo de policiais chega ao terraço. E interrompe o show.

    Ray Shayler, policial que na época tinha 25 anos e comandou o grupo que interrompeu o show, disse assim recentemente:

    “Eu não parei os Beatles. Apenas sugeri que seria uma boa ideia que eles não continuassem. Sempre tentei resolver os problemas sem prender as pessoas ”.

    Entendeu a resposta dele? "Eu só obedeci as ordens"

    Pois é. Dá para levar essa reflexão muito longe. Quem já leu Anna Arendt sobre a banalidade do mal sabe até onde essa justificativa pode chegar.

    O psicólogo norte americano Philip Zimbardo, chama de Efeito Lúcifer o processo de transformação do ser humano, que leva pessoas comuns - e boas - a executar atos nocivos a outras pessoas. Simplesmente por parar de pensar e "obedecer ordens".

    Políticos, gurus, influencers, líderes de empresas, religiosos, mestres que têm o poder da oratória e dão a suas missões um caráter heróico, são capazes de produzir o Efeito Lúcifer.

    Aquele policial, meio século atrás, só parou a última apresentação de uma banda. Mas ajuda e entender muito do que está acontecendo com a humanidade.

     

    No Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=k7fAtztZR6g

     

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    7 min
  • Cafezinho 444 - Congestão mental

    Há um vídeo muito interessante de Rubem Alves, se não me engano no programa Provocações, em que ele conta um caso e faz uma reflexão preciosa:

    “Eu estava na porta de um restaurante, quando dois senhores se aproximaram de mim com alguma coisa na mão e eu imaginei logo que deveriam ser Testemunhas de Jeová ou algum grupo religioso que queria me vender o seu Deus. Aí eles me fizeram a seguinte proposta: o senhor quer ler em vinte minutos um livro de trezentas páginas? Eles eram vendedores daquela praga que é a leitura dinâmica. E eu disse: mas os senhores estão loucos completamente porque ler Guimarães Rosa em meia hora, não é possível, porque o prazer quer tempo, prazer rápido, só galo e galinha, que tem … eles ficaram assustadíssimos. Eu comecei a falar: vamos ouvir a Nona sinfonia em dez minutos, o que é que o senhor quer?

    O prazer demanda tempo. Então, a gente tem que gastar tempo, porque a vida é pra isso. É pra gastar tempo. Quando a gente fala que está ganhando tempo, na realidade a gente não está ganhando tempo, a gente está é estragando o tempo.”

    O prazer demanda tempo...

    Eu tenho uma cachorrinha que, por conta de problemas hormonais, passa o dia inteiro pedindo comida. Se ela tiver comida quando quiser, vai explodir. E quando alguém corta um pedacinho de um bife e joga para ela, a cachorra engole sem nem mastigar. E eu olho para aquilo espantado... cara, a cachorra não saboreia a comida. Ela só come.

    Eu fico alucinado quando as pessoas dizem que ouvem meus podcasts na velocidade de uma vez e meia ou duas vezes, para poder ouvir mais conteúdo em menos tempo. Cara, é igualzinho minha cachorra.

    Fazendo assim, matam todo o trabalho de edição, as pausas, os climas, as músicas. Fala a verdade, quanto de alimento intelectual você consegue entuchar em sua mente, antes de provocar uma congestão mental?

     

    No Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=k7fAtztZR6g

     

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    8 min
  • Cafezinho 443 –  O crime nosso de cada dia

    No cafezinho de hoje, vou ler uns trechos de algumas notícias recentes dos Estados Unidos.

    As tradicionais vitrines de Natal, que eram uma festa na Union Square em San Francisco, Califórnia, este ano são tábuas protegendo as lojas de ataques.

    No mais chocante dos roubos recentes, cerca de 80 homens mascarados em 25 carros assaltaram uma loja de departamentos Nordstrom em Walnut Creek, leste de São Francisco, Califórnia, levando mercadorias de luxo do primeiro andar e escapando em alguns minutos.

    Lojas das redes de varejo Target e Walgreens estão fechando unidades ou reduzindo seus horários de funcionamento na Califórnia, por conta de um aumento no número de pequenos furtos de produtos das prateleiras.  

    Em São Francisco, onde há mais registros da ação desses criminosos, muitas lojas que fechavam às 22h todos os dias agora estão baixando as portas entre 17h e 18h para diminuir os prejuízos com a ação de criminosos.

    A polícia, sobrecarregada com o aumento de casos de assassinatos e outros crimes violentos, "simplesmente não consegue acompanhar" o volume de mercadorias roubadas e as pessoas que as revendem.

    Com medo de serem acusados por agressão ou algum tipo de preconceito, os seguranças apenas observam e gravam as imagens de pessoas que entram nas lojas, enchem as sacolas de produtos e saem sem pagar e sem serem importunadas.

    O que acontece nos EUA não é uma doença, mas o sintoma de uma sociedade doente.

    E os Estados Unidos somos nós, amanhã.

     

    No Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=AiaP4rWEVS0

     

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    8 min
  • Cafezinho 442 – Por que cultura é boa?

    A cultura é boa porque é através dela que manifestamos nossa inteligência. Diferente dos animais, que vivem do meio, os seres humanos criam o meio. E é essa capacidade de criar que nos faz todos iguais, embora ao mesmo tempo nos faz tão diferentes, já que cada um cria sua própria cultura. E a soma dessas culturas diversas é que nos faz o que somos.

    A cultura é boa porque nos torna mais ricos. Nossos sistemas de crenças, padrões de conduta, princípios e formas de vida derivam da cultura, que é a soma de todas as formas de arte, de amor e de pensamento. Uma soma que permitiu que os seres humanos sejam mais livres. A cultura se relaciona com o desenvolvimento de nossas atitudes, ao esculpir nossos valores e influenciar a forma como vivemos.

    A cultura é boa porque nos orienta na forma como vemos o mundo e modela nossas atitudes. Quando rotulamos algo como bom ou mau, ou bem ou mal, usamos nossas ideias preconcebidas. E a cultura à qual pertencemos determina a estrutura de nosso pensamento e influi imensamente em nossas percepções e na construção de ideias preconcebidas.

    A cultura é boa porque nos prepara para compreender a sociedade na qual vivemos. As ideias que temos enraizadas na mente são nosso instrumento para compreender o mundo. A cultura do brasileiro nos dá flexibilidade para sair das saias justas. A cultura do alemão dá racionalidade e frieza para julgar sem emoções. A cultura do chinês dá a capacidade de pensar a longuíssimo prazo.

    A cultura é boa porque influencia diretamente a forma como nosso cérebro processa a informação. A cultura nos dá identidade e nos ajuda a forjar nosso caráter. Os valores que compartilhamos em nossas comunidades e grupos sociais nos dão o sentido de pertencimento a um grupo.

    Por que a cultura é boa?

    Porque nos une e dá a sensação de segurança, da proteção de pertencer a um grupo.

     

    No Youtube: https://youtu.be/6_PjW0z2_Lw

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