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By Luciano Pires & Café Brasil Editorial LtdaSociety & Culture
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Cafezinho episodes

  • Cafezinho 461 - Ouça os neg@cionistas

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    Michael Shermer é autor de um livro muito interessante chamado “Negando a História: quem diz que o Holocausto não aconteceu e porque eles dizem isso.”  Para escrever o livro, Michael se encontrou com diversos negacionistas do Holocausto, tentando entender como funcionam suas mentes. Aliás, esse termo “negacionista”, que define uma pessoa que diz que algo não aconteceu ou que uma situação não existe, especialmente algo que a maioria das pessoas concorda que aconteceu ou existe, ganhou popularidade exatamente com os que negam o Holocausto. Mas serve para os que negam que o homem chegou à lua, que a terra é redonda, que a terra tem milhões de anos de idade, etc.

    E durante a pandemia, o termo “negacionista” virou rótulo aplicado por muitos ignorantes a quem faz perguntas incômodas.

    Voltando ao Michael Shermer, ele é um cético profissional. Mas não é o cético bobo, que duvida por crença ou fé. Ele duvida por ciência, aplicando o método científico para contestar e até desmascarar afirmações falsas. Michael quer neutralizar seu próprio viés, seus preconceitos e sua ignorância.

    Como um cético profissional, Michael é um grande defensor da liberdade de expressão. Ele precisa que os absurdos sejam expressos para poder contrapor-se a eles. E esclarece: não é preciso dar palanque para os negacionistas, especialmente os que defendem absurdos. É preferível ignorá-los e desmascará-los. Eu acrescento: é preciso gozar da cara deles. Mas quando banimos, cancelamos e censuramos os negacionistas, ajudamos a transformá-los em vítimas, naquelas minorias que serão fortalecidas ao se apresentarem como oprimidas pelas elites.

    O ponto que Shermer defende é fundamental: precisamos da liberdade dos negacionistas para garantir a nossa própria liberdade.

    O que ele defende é a liberdade quase irrestrita de expressão. Por que “quase”? Porque o discurso de ódio dirigido a grupos específicos, precisa ser contido.

    O princípio está certíssimo. O problema, como sempre, é a execução.

    Quem define o que é discurso de ódio?

     

    Isca: O problema é a execução.

     

    No Youtube:

    https://youtu.be/qjTbPUHRt9o

     

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    7 min
  • Cafezinho 460 – De volta para o passado

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    Vou começar com uma frase:

    “O orçamento nacional deve ser equilibrado. As dívidas públicas devem ser reduzidas. A arrogância das autoridades deve ser moderada e controlada. Os pagamentos a governos estrangeiros devem ser reduzidos, se a nação não quiser ir à falência. As pessoas devem novamente aprender a trabalhar em vez de viver por conta do governo.”

    Sabe quem disse isso? Marcus Tulius Cícero em Roma, 55 anos antes de Cristo…

    Quanto mais leio, mais me convenço de que todos os problemas do mundo já foram apontados, discutidos e tiveram propostas para solução registradas há milênios. O passado ensina. Ensina, por exemplo, que os temas que nos deixam indignados hoje são tão antigos quanto a humanidade. Que a questão da ética tem a ver com a natureza humana e não com o Brasil do novo milênio. Que gente mal intencionada, mal preparada, mal educada, sempre existiu.

    A pergunta fundamental, portanto, deveria ser: “Agora que já conhecemos as experiências passadas, quando é que começaremos a lidar com as expectativas futuras?”

    Gerenciar o passado é impossível. Mas atuar no presente para criar o futuro, não. Quando é que vamos tratar das questões que estão por vir? Focar naquilo que esperamos que aconteça e evoluir dos instrumentos e processos que focam o passado para os que determinam o futuro?

    Experiências passadas x expectativas futuras. Como Marcus Tulius Cícero, muito mais gente deus as pistas. Mas parece que não ouvimos e, sistematicamente, retornamos ao passado.

    De novo: que triste sina. Em vez de aprender com o passado, teimamos em viver nele. Ou dele.

     

    No Youtube:

    https://www.youtube.com/watch?v=vhQ24sfYij0

     

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    7 min
  • Cafezinho 459 - Velhos problemas

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    O economista italiano Amilcare Puviani publicou seu livro "Teoria da IlusãoFiscal", onde explica que os governos criam estratégias para arrecadar impostos sem que a gente perceba. E ele faz uma lista:

    - Embutir os impostos indiretos nos preços das mercadorias. ICMS, IPI, PIS, Cofins, etc;

    - Inflação. Você investe em títulos públicos e recebe como rendimento o ganho real mais a reposição da perda da inflação. O governo cobra imposto sobre o total do rendimento, inclusive da reposição da inflação. Quanto maior a inflação, maior o imposto arrecadado;

    - Empréstimos compulsórios para contextos de calamidades ou com caráter de urgência. Collor limpou a conta corrente dos brasileiros assim;

    - Impostos sobre bens supérfluos e de luxo, que os mais ricos assimilam sem problemas;

    - Impostos "temporários" emergenciais, que continuam existindo depois de desaparecida a emergência. Lembra da CPMF?;

    - Exploração de conflitos sociais, cobrando impostos mais altos sobre grupos impopulares, como os mais ricos;

    - A ameaça de colapso social caso os impostos sejam reduzidos. Lembra do Lula ameaçando que a saúde brasileira ia quebrar se a CPMF não continuasse?;

    - Dividir o total da carga tributária em pequenas parcelas mensais;

    - Impostos cuja incidência exata não pode ser prevista, mantendo o contribuinte sem saber quanto está pagando;

    - Legislação e linguagem complexas demais para que o contribuinte compreenda;

    - Generalizar em categorias os gastos, tais como "saúde", "educação" "cidadania", para dificultar o acesso aos componentes individuais do orçamento.

     

    O livro de Amilcare Puviani foi publicado em 1903.

    Não existem soluções novas. O que existe é ignorância velha.

     

    No Youtube:  

    https://www.youtube.com/watch?v=al9aM6Ez02M

     

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    7 min
  • Cafezinho 458 - Pedrinha no lago

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    César Zama, um médico, político e escritor brasileiro de quem você nunca ouviu falar, durante a elaboração da primeira constituição republicana em 1890, defendeu o voto universal.

    Ele queria que as mulheres pudessem participar da política.

    Ouviu um monte de gente dizendo que nada ia mudar, mas se manteve na luta. Aos poucos, outros abnegados foram aderindo e um dia, em 1933, 23 anos depois da sua morte, as mulheres ganharam o direito de votar.

    Tudo começou lá atrás, com a ação individual de um não cético que lançou uma pedrinha no lago: ploc!

    Cada um de nós cria, geralmente sem ter consciência, círculos concêntricos de influência que podem afetar outras pessoas por anos ou até gerações.

    Nosso impacto e influência sobre uma pessoa pode ser passado para outras, da mesma forma que as ondas formadas por uma pedra atirada num lago vão crescendo, crescendo, perdendo a força até desaparecer.

    São os mais ativos que convencem os menos ativos, quase sempre num trabalho de formiguinha, jogando pedrinha após pedrinha no lago.

    Ploc! Ploc! Ploc!

    Você que está de saco cheio com as pessoas que pregam a não ação ou se dedicam a não deixar fazer, filtre seu círculo de relacionamento.

    Procure gente que valoriza o pensamento, que puxa para cima, que foca no que realmente importa.

    E vá jogando muitas pedrinhas no lago.

    Desistir só é opção para os fracos.

    Os fortes são mais chatos, insistem, escolhem o menos ruim agora para escolher outro menos ruim depois, e outro menos ruim em seguida, num processo de depuração que um dia chegará ao bom.

    E jamais param de jogar pedrinhas no lago.

    Ploc!

    Pronto. Joguei mais uma.

     

    No Youtube:  

    https://www.youtube.com/watch?v=0oWoAB9H7Ds

     

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    9 min
  • Cafezinho 457 – Eu não sabia

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    O jornalista, crítico da mídia e filósofo amador norte-americano Walter Lippmann uma vez escreveu assim: “Não pode haver liberdade para uma sociedade que não dispõe de meios para detectar mentiras.” E parece que essa função – detectar mentiras, tornou-se fundamental para quem quer sobreviver neste mundo cada vez mais alucinado.

    Bem, eu tenho fixado meu trabalho no desenvolvimento da capacidade de julgamento e tomada de decisão das pessoas. É assim há trinta anos, e nunca me deixei seduzir pelas rotulagens mercadológicas que me ajudariam a vender milhões em cursos, se eu dissesse que estaria ajudando você a conhecer os cinco passos para o sucesso. Não. Eu ajudo você a desenvolver sua capacidade de julgamento e tomada de decisão.

    E parte fundamental disso é contar como é que as coisas acontecem. Por isso, esta semana, lancei a terceira parte de uma trilogia fundamental para quem quer sobreviver na sociedade da informação.

    Em 2020, a primeira parte foi o podcast O Poder do Mau, mau com u mesmo, no qual trato de como as más notícias têm um impacto muito maior sobre nossas vidas, do que as boas notícias. Aquele episódio do Café Brasil, o 722, tem cerca de três horas e é uma porrada. Mostra como os profissionais trabalham para manter você em estado de pânico constante. E o que é que eles ganham com isso.

    Semana passada lancei o Café Brasil 804 – Psicose de formação em massa, que explica que durante uma psicose em massa, a loucura se torna a norma na sociedade e as crenças ilusórias se espalham como uma epidemia.

    E esta semana lancei o Café Brasil 805 – O Estupro da Mente, no qual faço um sumário de um livro que explica como os regimes totalitários praticam uma lavagem cerebral nas pessoas, tirando delas a capacidade de exercer suas escolhas individuais. Transformando-as em massa de manobra.

    Juntos, esses três programas têm cerca de cinco horas de duração. Cinco horas! Um esforço hercúleo, que tem como objetivo dizer a você como é que as coisas acontecem.

    Se eu fosse você, corria ouvir. Depois não dá pra dizer “ah, eu não sabia”.

    Os links estão na descrição deste Cafezinho:

    https://portalcafebrasil.com.br/podcasts/cafe-brasil-722-o-poder-do-mau/

    https://portalcafebrasil.com.br/podcasts/cafe-brasil-804-psicose-de-formacao-em-massa/

    https://portalcafebrasil.com.br/podcasts/cafe-brasil-805-o-estupro-da-mente/

     

    No Youtube:  https://www.youtube.com/watch?v=k0_86NZ_VjE

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    8 min
  • Cafezinho 456 – Humildade na liderança

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    O principal bordão do coach e influencer Pablo Marçal, que tem mais de 2 milhões de seguidores no Instagram, é “Vá cuidar da sua vida”. Ele é um dos coaches que usa um estilo macho alfa para vender seus cursos que prometem mudar a sua vida em dez lições. Nem que seja na porrada. Promete uma imersão em inteligência emocional, reprogramação neurolinguística, ativação de identidade, desbloqueio cerebral, clarificação de propósito, finanças pessoais e muito mais.

    Ok. Cada um no seu quadrado e tenho certeza que muita gente encontra orientação em suas palavras, como sempre acontece com esses gurus. Para todo sapato, sempre tem um pé.

    Acontece que, como parte de um de seus cursos, convenientemente chamado de “O pior ano de sua vida”, ele decidiu guiar um grupo de cerca de 67 alunos para subir o Pico do Marins, na Serra da Mantiqueira, em São Paulo. O Marins tem 2.420 metros de altura, não é uma montanha difícil de ser conquistada. Mas é uma montanha.

    Sem experiência em montanhismo, mesmo em condições climáticas desfavoráveis, Pablo subiu a montanha. Diversos alunos, vendo que a coisa podia ficar feia, desistiram no caminho. Mas 28 deles continuaram a subida, convencidos pela pregação messiânica do coach. O resultado é que o corpo de bombeiros teve de intervir para resgatar o grupo, depois que os ventos de mais de 100km/h rasgaram barracas e a chuva molhou os equipamentos.

    Bem, eu aprendi algumas coisas sobre montanhas. E não vou me ater às questões técnicas aqui. Quero ir na praia do coach: liderança.

    Quem faz a liderança é o contexto. E o líder de verdade sabe reconhecer os momentos em que precisa sair do palco para dar lugar a alguém mais qualificado para liderar. Em minha experiência no Everest, o guia que segui provavelmente não sabia ler nem escrever. E eu era o Diretor de Marketing da multinacional, cheio de estudo. Mas na montanha, o líder era ele, e eu sabia que só isso me traria de volta.

    Quando você mistura ignorância com arrogância, pitadas de messianismo, e joga no contexto da montanha, o resultado mais provável é que você vai morrer.

    Quem faz a liderança é o contexto. E montanha não é palco para arrogância. Muito menos pra palestra motivacional.

     

    No Youtube:  https://www.youtube.com/watch?v=WAWOV9mr43A

     

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    9 min
  • Cafezinho 455 – Para pensar direito

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    George Orwell descreveu em sua obra-prima, 1984, um mundo dividido em três grandes blocos: a Oceania, a Lestásia e a Eurásia. Na Oceania, composta pelas Américas, Inglaterra, Sul da África e Austrália, o idioma falado pelos cidadãos era o inglês. Mas todos os documentos eram escritos em "novilíngua", o idioma oficial do Partido.

    O conceito da novilíngua baseia-se na noção de que, no processo de pensar, traduzimos os pensamentos em palavras, manipulando-as num diálogo interno. Quando surge um tema complexo e novo, inventamos novas palavras ou adaptamos antigas, de forma a enriquecer nossa capacidade de dialogar mentalmente. Portanto, quanto mais rico nosso vocabulário, maior a capacidade de fazer comparações mentais sutis. E tirar ricas conclusões.

    Para os criadores da novilíngua, se alguma coisa não pode ser expressa numa palavra, fica mais difícil de pensá-la. Portanto, a proposta era reduzir o vocabulário para diminuir a capacidade dos indivíduos de desenvolver pensamentos que conflitassem com os interesses do governo. E a cada nova edição do dicionário da novilíngua, menos vocábulos estavam presentes.

    No livro de Orwell, o Partido esperava que até 2050 a novilíngua substituísse o inglês como idioma corrente. A novilingua promovia o "duplipensar", um estado mental em que dois pensamentos excludentes entre si conseguem coexistir.

    Vivemos numa sociedade onde nenhum valor é mais importante que a troca de nosso dinheiro (ou poder) por algo que alguém quer nos vender. Seja um saco de arroz, uma religião ou um político. Nesse ambiente competitivo, para o vendedor, se seus argumentos são verdadeiros ou não, não têm importância, contanto que sejamos persuadidos. E uma das armas principais para nos convencer é exatamente a novilíngua e o duplipensar, que saltaram da ficção de Orwell para a realidade.

    Hoje em dia, como nunca antes neste país, malabarismos linguísticos fazem com que um sim signifique não. E pouca gente percebe. É assim que se abre caminho para um programa de proteção aos direitos humanos que cassa direitos humanos. Ou um chamado Comitê da verdade que só quer a verdade de um lado. Ou o caixa dois transformado em recursos não contabilizados. Ou uma promoção que custa mais caro. Ou o corrupto que é apresentado como grande político ou paladino da moralidade. E assim por diante.

    O próprio George Orwell escreveu: "Se as idéias corrompem a língua, a língua também corrompe as idéias."

    Por isso enriquecer o vocabulário não serve só para falar bonito.

    Serve para pensar direito.

     

    No Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=jmJXZ9n9vuo

     

     

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    9 min
  • Cafezinho 454 – A tecnologia mata a paciência

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    Eu tenho uma cachorrinha chamada Tessa. Na hora do almoço e do jantar, ela fica ao lado da mesa aguardando alguma sobra que alguém jogará para ela. Quando a guloseima é jogada, ela pega no ar… e engole. Não mastiga, ela não saboreia a comida. Simplesmente engole. Pra ela, comer não é um prazer, comer é encher o estômago. Ela não consegue postergar uma recompensa. Tem de ser aqui e agora. Ela tem pressa, pois precisa garantir a sobrevivência.

    Às vezes encontro pessoas que são como a Tessa. Não curtem, não saboreiam. Tem que ser aqui e agora.

    A paciência reconhece que o mundo está repleto de dificuldades, que tem de ser vencidas por cada um individualmente. Já a impaciência é uma espécie de impotência, falta de comando e controle sobre a situação. É um sentimento que gera frustração, levando à procrastinação. E que explicam muito do que temos visto na sociedade.

    Gente julgando e condenando de forma imediata, dando opinião antes de ter os fatos em mãos… A paciência deu lugar à ambição e à ação. Você já deve ter ouvido falar de pesquisas na internet que apontam que num espaço de 10 segundos, metade das pessoas desistem de assistir vídeos. E quanto mais rápida a conexão da internet, mais cedo eles desistem! A tecnologia está acabando com nossa paciência.

    Meu, assista logo esse stories aí, porque daqui a pouco ele some.

    Se impaciência é impotência, a paciência é poder. Poder para vencer a frustração, para ter a perspectiva e calma para refletir e fazer as melhores escolhas na hora certa. Em alguns momentos essa escolha significa abandonar aquela fila para fazer coisas mais importantes. Em outro momento, pode ser ficar na fila e ligar um podcast para dar uma utilidade ao tempo de espera.

    A vida é curta demais pra gente ficar esperando. Mas não é tão curta que não possamos ser pacientes.

    A paciência permite obter coisas que seriam impossíveis sem ela.

     

    No Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=9wX9F2LeEos

     

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  • Cafezinho 453 – A força que a esperança tem

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    Em 1996, quando aconteceu uma tragédia no Monte Everest e os alpinistas morreram em meio a uma tempestade, próxima do cume da montanha um caso chamou muito a atenção. O médico Beck Weathers. Beck fez algum tempo uma operação de miopia, quando se subia a grandes altitudes, devido à pressão antes, globo ocular deforma e cirurgia fazia com que as imagens apresentadas na retina perdessem totalmente. O sujeito ficou cego. E foi o que aconteceu com ele por volta dos 8 mil metros de altura.

    Em meio à tempestade, sem enxergar, Beck acabou desfalecendo, junto com outros alpinistas, à espera da morte por congelamento. Outros alpinistas aconteceram por ele, mas devido a seu estado, não nada mais a ser feito. Beck entrou em coma hipotérmico, a caminho da morte por congelamento. Mas…

    Em algum momento, de algum lugar no fundo de sua mente, surgiu uma fagulha. Uma pequena faísca que o acordou, e ele, mesmo com membros congelados, conseguiu se levantar e foi cambaleando, por sorte na direção de algumas barracas. Foi visto por alguns alpinistas e empurrado para dentro de uma das barracas, ficando com as costas para o lado de fora. Passou a noite assim, o que bastaria para tê-lo matado pela segunda vez.

    Na manhã seguinte, as equipes de rescaldo aparecem e ele foi tirado da montanha num helicóptero, em situação desesperada. Beck perdeu o nariz, os dedos das mãos e dos pés. E num processo lento, se recuperou. Hoje é professor e palestrante.

    Quando foi perguntado sobre a razão de não ter duas propostas, Beck diz que há explicações: a física e espiritual. A física tem a ver com a capacidade das roupas de reter ou calor, mas ela não é suficiente para explicar. A espiritual tem a ver com a lembrança de sua família, que foi suficiente para disparar aquela fagulha que o salvou.

    Beck Weathers, mesmo em coma, recuperou a esperança.

    E é essa a força que a esperança tem.

    Feliz ano novo.

     

    Sem Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=jcYNTOAWL_g

     

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  • Cafezinho 452 - Vai um cafezinho aí?

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    Uma vez, quando eu era diretor de Marketing, fiz um evento para os clientes da empresa, contratando uma espécie de sommelier de cachaça. Um profissional da cachaça que fez uma apresentação para todos sobre essa bebida tão presente na cultura brasileira. Nunca me saiu da cabeça a frase que ele disse logo na abertura do evento.

    - Vocês nunca tomaram cachaça.

    Como assim? Qual brasileiro nunca experimentou uma cachacinha? Mas ele explicou: "vocês tomaram pinga. Cachaça é outra coisa."

    Então ele fez uma apresentação maravilhosa mostrando os detalhes de produção, como a bebida era selecionada, qual a parte nobre. E para coroar fez uma sessão de degustação com diversos tipos de cachaça, uma delas caríssima! E coroou com outra frase de efeito:

    - Agora vou apresentar a vocês a caipirinha.

    E entra o garçon, trazendo os copos com uma caipirinha como nunca eu havia tomado na vida. É isso. Quando contextualizamos as coisas, quando conhecemos de onde vem, porque são assim ou assado, passamos a ter seis sentidos: o tato, o olfato, a visão, a audição, o paladar e... o intelecto. Saber das origens, muda o sabor das coisas.

    Pois bem, o mesmo acaba de acontecer agora. Ficamos conhecendo a Veroo Café Especiais. E a história se repetiu. Eu pensei que sabia o que era café, até receber os primeiros kits da Veroo, e me deparar com sabores, com histórias, com nuances que eu jamais havia percebido antes. Cara, é tão legal, mas tão legal, que a partir de hoje a Veroo torna-se nossa parceira aqui no Cafezinho. Agora você tem a oportunidade de ter um cafezinho muito especial para a mente e outro para o paladar. Bem-vinda Veroo!

    A Veroo é um clube de assinatura de cafés especiais que além de conectar pequenos produtores e consumidores, valoriza um produto de qualidade, pautado no comércio justo, garantindo uma experiência incrível com o melhor custo-benefício do mercado.

     

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