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By Luciano Pires & Café Brasil Editorial LtdaSociety & Culture
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Cafezinho episodes

  • Cafezinho 481 - Caçando Mamãe Falei

    Café Brasil 817 - Exibicionismo Moral - https://portalcafebrasil.com.br/podcasts/cafe-brasil-817-exibicionismo-moral/

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    A esta altura, todos sabem o que aconteceu com o deputado Arthur do Val, não é? Fez uma viagem para a Ucrânia com o objetivo de ganhar uns likes que reforçariam sua campanha para o governo de São Paulo. E de lá, mandou uns áudios medonhos falando de certos atributos das refugiadas ucranianas. Arthur foi sumariamente caçado com cedilha nas redes sociais e terá seu mandato cassado com dois esses.

    Bem, qualquer um que ouviu os áudios sabe que a carreira do deputado estaria acabada. Mas não quero hoje fazer nenhum julgamento moral do Arthur. Ele sabe o tamanho da besteira que fez e está arcando com as consequências. E logo mais retorna como um Youtuber de sucesso.

    Quero falar do processo. O sujeito grava áudios medonhos, e manda para um grupo de “amigos”, sem considerar que aquilo poderia vazar? É isso mesmo? Quanta ingenuidade. Coisa de adolescente.

    Você reparou a sucessão de acontecimentos nos últimos meses? Além do Arthur, o canal do Youtube Flow, quase foi cancelado pela fala de um dos apresentadores, Monark, que caiu em desgraça. E quase leva junto o deputado Kim Kataguiri. Coisa parecida aconteceu com o Youtuber Felipe Castanhari, por conta de declarações sobre a Ucrânia e a União Soviética de Stálin. E aí tem o Gabriel Monteiro, vereador no Rio de Janeiro, prestes a ser preso por acusações de pedofilia.

    As pessoas que construíram as redes sociais, e isso pode ser visto naquele documentário O Dilema das Redes, que está na Netflix, não sabiam que sua tecnologia maravilhosa viria a parir um monstro faminto, que caçaria todos que se manifestassem fora da pauta do momento. Inclusive seus criadores.  

    Arthur, Monark, Kim, Gabriel. Isso só nas últimas semanas. Todos com idades variando entre 26 e 36 anos. Jovens impetuosos, expostos ao escrutínio público, tratando de temas polêmicos e crescendo nas mídias sociais, que alcançam o sucesso exatamente pelas tretas, usando a virulência verbal, atacando, acuando e cancelando seus adversários.

    Jovens impetuosos. Alguns com esqueletos no armário, sem casca grossa, sem manha, sem experiência política, achando que, no grito, levam o que querem. Pois é.

    Quando dá merda, eles fazem o quê? Como um adolescente de 30 anos, choram.

    Do Castanhari eu falarei na sequência deste vídeo.

     

    Esta reflexão continua no vídeo:

    https://www.youtube.com/watch?v=b_x1cMpk3Vg

     

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    12 min
  • Cafezinho 480 - Grana ou porrada?

    Cafezinho 480 – Grana ou porrada?

    Existe um vídeo muito legal no Youtube chamado “A surpreendente verdade sobre o que nos motiva”, no qual o escritor e consultor Daniel Pink trata daquela questão essencial: somos movidos pela recompensa ou pela punição?

    Por meio de testes, Daniel descobriu que quando a tarefa exigia apenas habilidades mecânicas, quanto maior a recompensa, mais a pessoa se esforçava para desempenhar bem. Mas quando as tarefas exigiam alguma habilidade cognitiva, a capacidade de raciocínio, o pensar, o julgamento e a tomada de decisão racionais, uma maior recompensa levava a um desempenho… menor.

    E Daniel diz assim: “O que é interessante é que as pessoas que fizeram esse estudo são economistas (…) das melhores universidades. E o que eles descobriram foi essa conclusão aparentemente contrária ao que todos nós aprendemos em economia, que é quanto maior a recompensa, melhor o desempenho. E agora estão dizendo que, para conseguir um bom desempenho em atividades cognitivas rudimentares, é preciso fazer diferente pois a noção de recompensas não funciona desse jeito? Parece um lance de esquerda e socialista, não parece? Seria um tipo de conspiração socialista esquisita? Para os que acreditam nessas teorias da conspiração, vou apontar o grupo socialista e notoriamente de esquerda que financiou esse estudo: o Federal Reserve Bank, o banco central dos Estados Unidos. Portanto, foram os maiores entre os maiorais do capitalismo que concluíram algo bastante surpreendente e que parece desafiar as leis da física comportamental”.

    Motivar as pessoas com recompensas monetárias só tem sentido quando se trata de desempenhar tarefas que não exigem complexidade de pensamento. Quando a tarefa é mais complexa, exigindo algo mais conceitual e pensamento criativo, esse tipo de incentivo não funciona.

    Dinheiro é um fator motivador, sim. Mas não é tudo.

     

    Esta reflexão continua no vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=v58vyRwmCwg

     

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    8 min
  • Cafezinho 479 – Professor que humilha aluno é o quê?

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    O ano era 1975. Ou 1976. Eu tinha 19 anos e estudava comunicação na Universidade Mackenzie. A professora de filosofia havia recomendado dois livros: o 18 Brumário, de Karl Marx e A Psicologia de Massas do Fascismo, de Wilhelm Reich. Livros dificílimos para uma garotada que começava a construir seu repertório intelectual. Numa das aulas, uma de nossas colegas se manifestou com alguma angústia em sua fala, sentimento que era compartilhado por todos. Ela reclamava que os livros eram muito difíceis.

    A professora reagiu com virulência, esculachando a estudante, até mesmo humilhando-a, dando a entender que ela não sabia nada. Minha colega tentou dialogar, mas foi trucidada por uma sucessão de argumentos de autoridade que deixaram claro que ela, a estudante, não era nada diante da professora que já havia escrito livros, etc e tal.

    A sala ficou muda. E todos os alunos aprenderam a lição: não deem opiniões na aula de filosofia.

    Rubem Alves uma vez definiu um educador, de forma até poética: “Educar é mostrar a vida a quem ainda não a viu. O educador diz: “Veja!” e, ao falar, aponta. O aluno olha na direção apontada e vê o que nunca viu. Seu mundo se expande. Ele fica mais rico interiormente… E ficando mais rico interiormente ele pode sentir mais alegria – que é a razão pela qual vivemos.”

    Entendeu? Essa definição envolve amor, empatia, interesse, e respeito do educador para com o aluno.

    Há um bom tempo uso um termo interessante, a “ternura da idade”. Conforme amadurecemos, a vida traz atribulações, desafios e desapontamentos. Mas ao mesmo tempo, traz um grande senso de compreensão, tolerância e simpatia pelos outros, coisa que jamais sentimos quando somos jovens e impetuosos. Mais velhos, desenvolvemos uma paciência que os jovens não tem. A soma da experiência com empatia desemboca no que chamamos de sabedoria.

    Sacou? Tem de ter empatia ou a receita não funciona.   

    O nome daquela professora era Irede Cardoso, que pouco depois foi eleita vereadora pelo PT, partido que ajudara a fundar. Bem mais tarde percebi que ela não estava interessada em ensinar, mas incutir na cabeça dos estudantes suas ideias, sua ideologia. Não era professora, era doutrinadora.

    Aprendi com ela que quem não respeita o aluno, é um ogro, ogra ou ogre.

    Nunca um educador.

     

    Esta reflexão continua no vídeo:

    https://www.youtube.com/watch?v=4ArWRoJc3UU

     

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    11 min
  • Cafezinho 478 - Provocando mudanças

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    Nos anos 80, alguns processos de manufatura foram introduzidos nas fábricas da Dana, onde eu trabalhava. A diretoria da empresa, visionária, capitaneou a introdução do conceito do que viria ser conhecido mais tarde como Manufatura Enxuta, e que começou com a chegada de diversos métodos como o Kanban, a gerência por indicadores e outros sistemas e processos. Mas o mais impactante foi quando decidiu-se pintar os pisos das fábricas com um certo tipo de tinta epóxi, mudando completamente o ambiente. Os pisos antes escuros e sujos ficaram claros e brilhantes, as máquinas foram pintadas com cores vivas, a iluminação foi aumentada dramaticamente, vasos com plantas e painéis coloridos espalhados por todo lado. Aquilo mudou completamente não só a aparência das fábricas, mas o conceito que os funcionários tinham sobre produzir com qualidade.

    Nenhuma sujeira, nenhum vazamento de óleo, passava desapercebido. E cada um passou a cuidar de sua área de trabalho com um zelo como não existia anteriormente.

     A coisa foi tão impactante que passamos a organizar caravanas de clientes de todo o Brasil para conhecer as fábricas do Rio Grande do Sul, que se transformaram numa grande ferramenta de marketing. Pô, meu, quarenta anos atrás, quem tinha uma fábrica daquelas, tinha de ter um diferencial de qualidade.

    Aquela mudança no ambiente marcou definitivamente a virada da empresa na direção de se tornar uma das maiores indústrias de autopeças do Brasil. 

    Mude o ambiente para mudar as pessoas.

     

    Esta reflexão continua no vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=zD4S2sLd38E

     

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    7 min
  • Cafezinho 477 - Ma(s)labarismos

    Cafezinho 477 – Ma(s)labarismos

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    O “mas” é uma conjunção coordenativa adversativa que liga duas orações ou palavras e expressa a ideia de contraste, de diferença. Vou explicar usando uma matéria do G1, de 2019, se não me engano:

    “Desemprego cai para 11,8% em julho e atinge 12,6 milhões de pessoas”. Esse é o fato. E o G1 escreveu assim:

    “Desemprego cai para 11,8% em julho, mas atinge 12,6 milhões de pessoas”.

    Notou diferença? No primeiro enunciado, “desemprego cai e atinge 12,6 milhões”, o “e” significa que o desemprego está em queda e dá a entender que 12,6 milhões de pessoas é uma redução. Portanto devemos comemorar o avanço.

    No segundo enunciado, “desemprego cai, mas atinge 12,6 milhões de pessoas”, esse “mas” dá a entender que o desemprego está em queda, mas isso não quer dizer muito, pois 12,6 milhões de desempregados é muito alto. Portanto, não há nada para comemorar, nenhum mérito a dar.

    E esse “mas” pode ser também Conjunção Coordenativa de Negação. “PIB Cresce 0,4% e surpreende, mas retomada é lenta”; “PIB reage, mas previsão para o ano ainda fica em 1%”; “Investimento empurra PIB, mas recuperação segue lenta”. Essas são manchetes dos jornais falando do anúncio de que o PIB brasileiro tinha subido 0,4% no primeiro trimestre de 2019, o que deveria ser uma excelente notícia, não pelo número absoluto, mas pela reversão da queda.

    O “mas” como Conjunção Coordenativa Escusativa prepara a escusa, a desculpa. Transfere responsabilidades para terceiros, justifica desmandos, atenua consequências e torna normal e aceitável aquilo que deveria ser rechaçado por imoral, ilegal e desonesto.

    O “mas” como Conjunção Coordenativa de Negação, elimina qualquer mérito por coisas boas, liquida a esperança na melhora, valoriza o torto, o erro.

    Preste atenção em quem usa o “mas” como desculpa ou como negação. Jamais perca de vista que quem escolhe, defende e protege o ruim porque antes era pior, continua escolhendo o ruim. E quem usa o “mas” para esconder algo bom só porque não gosta de quem o fez, é burro.

    Ou canalha.

     

    Esta reflexão continua no vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=k2uRv77u8ZY

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    10 min
  • Cafezinho 476 – Deixe de ser um obeso intelectual

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    No conjunto de aulas chamado As Mídias e Eu, que ministrei em 2021, mostrei a pirâmide da “dieta de mídia”, uma forma interessante de tratar do consumo de conteúdos que recebemos diariamente. É como se fosse um nutricionismo intelectual, sabe? Ali eu dizia que conteúdos culturais. Livros, artes, devem ter consumo livre. Informação, três horas por dia. Lazer, duas horas. Interação, comunicação interpessoal uma hora por dia.  Notícias, meia hora. E a info-intoxicação, nunca. 

    Info-intoxicação são os conteúdos contaminados com falsidades, fake News, manipulação, que só provocam obesidade mental, envenenando aos poucos nossa mente.

    A pirâmide tem na base a parte mais rica, a cultura, e no topo, a mais pobre, a info-intoxicação. A beleza e o poder da pirâmide é que ela deixa claro o que constitui uma dieta balanceada. E a tragédia é constatar que consumimos a pirâmide ao contrário: colocamos na base larga e gigante a info-intoxicação e no topo, pequeno e tímido, a cultura.

    E assim consumimos o que há de pior, repleto de vieses, vícios, bullying, mentiras, fake News, manipulação, discurso de ódio...  Não há como ficar são com uma dieta assim.  Mas quer o pior?

    Sabe quem é o alvo dos agentes da info-intoxicação? O público infantojuvenil! Crianças e adolescentes têm menor controle sobre as mensagens que recebem. A pressão dos colegas é insuportável para que imitem a preferência dos amigos

    As crianças recebem uma grande quantidade de informações de uma ampla gama de fontes, muito além da mídia tradicional (TV, rádio, jornais e revistas). São mensagens de texto, memes, vídeos virais, mídia social, videogames, publicidade e muito mais.

    Essa garotada tem de estar preparada para esse bombardeio!

    Nós estamos fazendo nossa parte. Amanhã, 19 de março, lançaremos o podcast Café Com Leite. A intenção é levar para o público infantojuvenil temas sobre a sociedade, moral, comportamento, política. E dar-lhes uma lanterna para iluminar a escuridão.

    Venha: http://podcastcafecomleite.com.br 

     

    Esta reflexão continua no vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=ifiNwUd8SmM

     

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    10 min
  • Cafezinho 475 - O mal que espreita seus filhos

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    Recentemente encontrei uma citação muito legal na página Toca do Lobo no Facebook. Uma fala de Walt Disney, quando foi criticado por ter vilões em suas histórias. Disney disse assim:

    “As crianças são pessoas, e devem aprender sobre todas as coisas, para entende-las (...) A vida é composta de luzes e sombras, e seríamos inverídicos, hipócritas e açucarados se tentássemos fingir que não há sombras.

    A maioria das coisas são boas, e estas, felizmente, são as mais fortes; mas também existem coisas más, e você não está fazendo um favor a uma criança, tentando esconder dela a realidade.

    O importante é ensinar a elas que o bem sempre pode triunfar sobre o mal.

    E isto é o que as obras da Disney fazem.“

    Reparou no cuidado de Walt Disney? Ele não disse que o bem sempre vence o mal. Disse que o bem sempre pode vencer o mal. Pode, sacou?

    Mas para o bem poder vencer o mal, a gente tem de conhecer o mal, saber como ele atua, de onde vem, qual é o discurso fantasiado de amor, quem tira proveito dele, quais são as ferramentas que ele utiliza... Esconder o mal não é uma boa estratégia. Ele precisa ser exposto. Mas a sociedade anda tão histérica, que hoje em dia as pessoas estão tão enlouquecidas, tão ignorantes, tão apressadas, tão preguiçosas que quem mostra o mal, é acusado de apologista do mal!

    Tem gente demais interessada em manter o mal nas sombras. Cabe a nós, como fez Walt Disney, jogar luz sobre ele.

    É por isso que na terça feira próxima, dia 29 de março, vamos lançar um novo podcast chamado Café Com Leite. A intenção é levar para o público infantojuvenil temas sobre a sociedade, moral, comportamento, política. E dar-lhes uma lanterna para iluminar a escuridão.

    Venha: http://podcastcafecomleite.com.br 

    Esta reflexão continua no vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=dVqQXgwM2XE

     

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    9 min
  • Cafezinho 474 – Quem mudou?

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    Fui assistir um filme badalado aí chamado The Vast Of Night. Estava sendo aclamado como uma obra que renova os filmes de horror e ficção científica. Li uma crítica dizendo que é sensacional, o diretor é um estreante, mas que teria mudado tudo. Eu não resisti. Saí correndo atrás, achei e corri assistir.

    O filme é uma merda. Larguei antes do final. Inconformado fui assistir uns Youtubers aí especializados pra ver a crítica. E os caras amando o filme, dizendo que é imperdível, que isso e aquilo, que os ângulos de filmagem, que a forma como o cara contou a história... O filme é uma merda. E a molecada amando.

    E a música que essa turma consome? Com todos os recursos tecnológicos com os quais os Beatles nem sonhavam… e o resultado é uma merda.

    Voltei para o Paradoxo do Dadinho, aquele docinho que era uma maravilha na minha infância e que hoje é horrível, que mencionei num Cafezinho anterior. E se o Dadinho for o mesmo de 50 anos atrás e o que mudou foi o meu paladar? E se a memória que eu tenho do Dadinho do passado for mais doce, mais saborosa do que era na verdade?

    E se o filme e as músicas forem adequados à percepção estética da molecada toda e eu é que estou atrelado à escola do Spielberg e amarrado no rock dos anos setenta? Eu é que não entendo por que gastar um baita tempo filmando as pernas de uma moça correndo ou então um blablabla que não leva a lugar algum é sensacional?

    Paradoxo do Dadinho.

    Tudo está mais fácil, mais rápido, mais acessível, mas algo mudou na essência. Ou o Dadinho ou eu.

    Eu acho que foram o Dadinho e eu.

    Esta reflexão continua no vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=o-aJADbOMGQ

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    9 min
  • Cafezinho 473 – O paradoxo do Dadinho

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    Dadinho é aquele docinho à base de amendoim, em forma de cubo, embalado um a um num papel metalizado prateado com o nome e estrelinhas vermelhas. Foi lançado em 1954 para comemorar o 4º Centenário da Cidade de São Paulo. O nome do docinho era 4º Centenário, mas o povo botou o apelido de Dadinho, e a empresa que o lançou, a Dizioli, adotou.  E a molecada ficava doida. Cara, como eu comi Dadinho na minha infância!

    Depois que cresci, parei. Fiquei dezenas de anos sem comer o Dadinho.

    Outro dia recebi de presente um pote cheio de guloseimas.

    Quem é que tem menos de 66 anos de idade e fala “guloseimas”? Tá bom. Vou mudar. Recebi um pote cheio de acepipes (silêncio)… e dentro dele quem? Dadinhos, cara! Dezenas de Dadinhos! Cara, o Lucianinho imediatamente avançou em cima dos Dadinhos. Que satisfação ver aquela embalagem que é muito parecida com a original! A gente desembrulha igual! O tamanho é igual! A cor… mas aí começou. Peraí. A consistência tá meio estranha. Botei na boca… e descobri que o Dadinho de hoje é uma merda. Não tem nada a ver com aquela delícia de 50 anos atrás! É horrível, uma massa sem gosto, parecia que eu estava comendo uma borracha de apagar na escola. É horrível!

    Destruíram o Dadinho.

    Esse é o Paradoxo do Dadinho. É a mesma coisa, modernizada, com processos de fabricação mais eficientes, com controles que nem se sonhava 50 anos atrás, com cuidados supremos com a qualidade dos ingredientes, tudo muito mais sofisticado, com técnicas para fabricação, comercialização e distribuição modernas, tudo que há de mais moderno. E o resultado é uma merda.

    Paradoxo do Dadinho.

    Alguma coisa se perdeu no caminho.

     

    Esta reflexão continua no vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=NUgTuBVoXjE

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    8 min
  • Cafezinho 472 – A Entropia

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    Existe um conceito na física chamado Entropia, que diz que todo sistema complexo vai se desgastando com o tempo. E um dia vai acabar. O corpo humano é assim. Um dia vai acabar. Esse celular em sua mão. Sua camisa. O sol. Tudo isso vai se desgastar e um dia, acabar. Dá pra interromper a entropia? Não. Dá para deixá-la mas lenta ou então pra reduzir as consequências dela. Sabe como? Com manutenção. Uma boa manutenção faz com que um avião com 100 anos voe. Um carro com 100 anos ande. No caso do corpo humano, a boa manutenção faz com que tenhamos um envelhecimento mais saudável.

    Bem, todo mundo sabe das recomendações para o corpo, não é? Controlar o que e quanto come, praticar exercícios, etc. Isso a gente já sabe.

    Mas como aquele carro antigo, ele não deixa de ser velho só porque você mantém a lataria impecável. Um Simca Chambord ou um Dauphine zerados continuam sendo carros velhos, é só entrar e dirigir.

    Como é que aplica isso ao ser humano? Ora, são seu comportamento, seus hábitos, seu repertório, que revelarão se você é velho. E isso não tem a ver com a lataria.

    É muito comum eu ouvir da garotada assim, ó: “Pô, Luciano, meu pai tem a sua idade e não sabe nem onde é o botão pra ligar o celular”. Ou então “Pô, como é que você sabe dessas coisas que tem a ver com os gamers, hein?”…

    Há uma escolha no caminho! E aqui estamos falando da questão intelectual, da inteligência emocional. Eu escolhi me manter conectado com o mundo. Consumir o alimento intelectual que me deixe antenado para o que está acontecendo. Usar a tecnologia a meu favor, como instrumento para a produtividade. E é isso que falta para muitos que ficaram velhinhos aos 64 anos: uma conexão ativa com o mundo que os cerca.

    É claro que não dá para acompanhar. Até porque tem drogas que a garotada consome das quais eu quero ficar longe. Me refiro a drogas intelectuais. Na música, na literatura, nas artes, nos processos de gestão, tá cheio de droga que a molecada consome e que eu jamais vou engolir. Mas procuro saber do que se trata.

     

    Esta reflexão continua no vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=_4jfK1MgPWM

     

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