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Observando a corrida eleitoral, com os malabarismos que os marqueteiros exigem de cada candidato, tentando transformar ogros em cavalheiros, ladrões em salvadores da pátria e estúpidos em luminares, uma reflexão sobre contextos é necessária.
Operar em um ambiente político – ou de negócios - extremo e desconhecido se parece muito com dirigir por uma estrada sinuosa do interior em meio a uma neblina muito forte. Você não consegue ver muito adiante. Pode haver um buraco fundo à frente ou uma vaca andando sem destino. Dirigindo nessas condições, a resposta reflexiva é avançar devagar e quase que tatear pelo caminho. Mas essa não é uma opção em cenários onde a competição é muito intensa. Especialmente em política. Nessas ocasiões, temos de avançar amortecendo os impactos dos eventos inesperados, sem desacelerar, nem desestabilizar a organização inteira.
Bem, já que com certeza haverá um buraco à frente, o que temos de ter? Tempo rápido de reação. Primeiro, porque mesmo pequenos choques têm um efeito cumulativo. As organizações, sejam elas empresas, partidos ou associações, são feitas de uma rede complexa de conexões com clientes, funcionários, fornecedores e com a sociedade. Operam em um ecossistema onde parceiros e concorrentes podem ser os mesmos. Com essa interconexão, as surpresas que atingem uma parte de um negócio ou de um ecossistema podem afetar as outras partes de maneiras difíceis de prever. Um escândalo com um deputado pode desestabilizar todo um partido.
E se você passar por um buraco e continuar sem recuperar o controle, fica mais difícil desviar de qualquer obstáculo que surgir à frente. Em outras palavras, neste mundo maluco, a estabilidade é a exceção e não a regra. As organizações precisam de meios para se adaptarem às mudanças ambientais, sem pisar no freio todas as vezes. Quando o mundo está um caos, a estratégia precisa ser adaptativa para que seja eficaz. Você tem de planejar levando em consideração o imponderável.
Foi Charles Darwin quem disse há quase 150 anos que “Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças”.
Adaptação às mudanças é o nome do jogo. E na continuidade deste nosso papo, tenho umas dicas pra dar.
Esta reflexão continua no vídeo:
https://www.youtube.com/watch?v=_DPghUbWcbY
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Lembrei de uma história que uso em minha palestra SustentHabilidade, que trata das Acácias, uma espécie de árvore que existe na África, muito apreciada pelas girafas, que se alimentam de suas folhas e brotos. Essas árvores estavam ameaçadas e os cientistas, para protege-las, decidiram cercar uma grande área, impedindo que os animais se aproximassem das árvores. A ideia era que, ao proteger as árvores do ataque das girafas, conseguiriam recuperá-las. Mas deu tudo errado. Com o tempo, as árvores protegidas começaram a apresentar doenças e a serem atacadas por insetos. Um estudo mostrou que um tipo de formiga muito agressivo vivia naquelas árvores, alimentando-se de sua seiva. Quando as girafas comiam as folhas e ramos, a árvore produzia a seiva naturalmente, como uma espécie de sangramento que curava os ferimentos causados pelas girafas. Com alimento abundante, as formigas se reproduziam e defendiam as árvores de outros tipos de insetos. Sem as girafas, as árvores não sangravam mais e as formigas ficaram sem alimento. Foram embora, expondo as árvores ao ataque de todo tipo de inseto. Os cientistas, achando que estavam protegendo as árvores ao evitar as agressões das girafas, na verdade as enfraqueceram ao quebrar um equilíbrio natural. Não é fascinante?
É assim que a ciência funciona. Você cria uma hipótese e coloca para testar. Aí aparece uma dona aí, chamada Dona Realidade, que coloca as coisas nos eixos. E acaba com todas as certezas que existiam na cabeça do criador da hipótese.
Sacou? A única certeza que podemos ter é que nas questões complexas, é praticamente impossível ter certezas. Especialmente se você for um especialista de sofá, sabe? Desses que ficam exibindo certezas em redes sociais.
Esta reflexão continua no vídeo:
https://www.youtube.com/watch?v=1ujF471rwDc
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Um livro que causou grande impacto nos últimos anos, tanto dos que foram a favor quando contra, foi o Antifrágil, de Nassim Nicholas Taleb. No livro, Taleb diz que é melhor aceitar – e até dar boas-vindas – uma certa quantidade de desordem, aleatoriedade e riscos em nossas vidas e sistemas e nos prepararmos para tirar vantagens delas, do que tentar erradicar essas fontes de estresse.
E a cabeça explode quando Taleb afirma que é possível lucrar com o imprevisto. Basta reconhecer quais sistemas são frágeis, com tendência ao colapso, quais são antifrágeis, capazes de crescer com a força dos adversários. Sair da frente dos frágeis e se juntar aos antifrágeis, tornando-se você antifrágil também... esse é o segredo. Isso se aplica não apenas aos grandes sistemas econômicos, mas a nossos próprios corpos e mentes,
Há muito tempo compreendi que as pessoas apreendem melhor os conteúdos quando eles nos são apresentados do mesmo modo como a vida é: cheia de imprevistos. Eu tenho uma ideia do que acontecerá quando eu sair à rua para caminhar até minha casa, mas não imagino o que exatamente acontecerá. Meu celular pode tocar, um ladrão disfarçado de entregador pode me abordar, um cachorro pode fazer cocô e o dono não recolher, um vizinho pode parar para conversar, pode começar a chover, eu posso esquecer a chave ou um documento, pode faltar luz... Tudo pode acontecer, a cada passo, um susto... e é assim que a vida é. É isso que sempre me orientou: eu sei onde quero chegar, mas não sei o que acontecerá no caminho. Qual o tema do próximo Cafezinho? Não faço ideia. Algo surgirá, como surge em nossas vidas... e no final se conectará com um todo.
Há quem não suporte a possibilidade de um susto. Gente que quer ter controle sobre cada passo, como se isso fosse possível.
Eu gosto é do caos, me dou bem com ele. E sabe por que é assim? Porque existe um propósito. Porque minhas buscas não são aleatórias, mas estão orientadas pelo desejo de ajudar as pessoas a ampliar seus repertórios e assim melhorar a capacidade de discernimento, julgamento e tomada de decisão.
E é na direção da antifragilidade que planejo minha vida.
Esta reflexão continua no vídeo:
https://www.youtube.com/watch?v=K-trEh-3kbQ
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O morador de rua Givaldo Alves ficou famoso após ser agredido por um personal trainer em Brasília. Givaldo estava praticando sexo com a esposa do personal. Foi parar nas mídias, deu entrevistas pornográficas no detalhamento da relação com a moça e, em vez de ser cancelado, virou personagem vip em camarote no carnaval, recebeu convites para se candidatar a um cargo nas eleições, garoto propaganda de pilantragens...Uma porcaria.
A cantora Anitta, cuja obra eleva a objetificação da mulher e a hipocrisia da sociedade ao cubo, virou heroína nacional depois de liderar o ranking de canções mais ouvidas no Spotify. Outra porcaria.
Dezenas de lives de entrevistas no Youtube aparecem diariamente, com entrevistadores medíocres conversando com subcelebridades sobre trivialidades e ocupando 2, 3 horas da vida dos zumbis que as assistem. Dezenas de porcarias.
Eu, como cliente, tenho sido sistematicamente maltratado por empresas em todos os segmentos. Cias aéreas, seguradoras, bancos, empresas de telefonia, não importa o segmento nem o tamanho. As empresas estão desorganizadas, sem planejamento, preocupadas em parecer ser eficientes e desligadas de ter a eficiência que pregam ter. Empresas porcaria.
O engajamento das pessoas em ações positivas, seja para conhecimento ou disseminação de conhecimento está em níveis ridículos. Não se comentam mais posts com assuntos relevantes para a evolução moral e ética da sociedade. Ganha atenção o quê? A porcaria.
Parece que estamos sob um surto psicótico planetário, que destruiu completamente nossa capacidade de dar valor àquilo que tem valor. Valor passou a ser atributo dado pelo mercado, e só pelo mercado, às porcarias que ele quer vender pra você.
A busca pela felicidade, pela harmonia, pela verdade, está em segundo plano. O que importa é fama, likes e grana. Muita grana.
Tudo isso que acabo de comentar, não é novidade. A porcaria sempre aconteceu na história da humanidade. Mas a internet e as redes sociais aumentaram enormemente o bombardeio diário de porcarias.
Comemos porcarias, ouvimos porcarias, assistimos porcarias, somos cobrados por porcarias, damos valor a porcarias.
Há uma frase conhecida que diz: “Somos aquilo que comemos”.
Quem come porcaria então, é o quê?
Esta reflexão continua no vídeo:
https://www.youtube.com/watch?v=EEDEugZvjDs
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Fiz um post sobre as diabruras dos ministros do STF e um leitor, o Daniel Marques, comentou assim:
“Vemos no judiciário um mero verniz de legalidade. Eles não vão subverter a ordem completamente, fazendo prisões arbitrárias em grande escala, por enquanto, tal como numa ditadura claramente assumida, mas apenas por enquanto. Vão fazer isso com alguns desafetos, os que se exaltaram e se rebelaram. E por algum motivo, parece que nós deveríamos nos sentir tranquilos com isso, e confiantes de que não vivemos numa ditadura. É uma ditadura, mas diferente da sua versão anterior, que ostentava seu autoritarismo. É uma ditadura de precisão, da era dos algoritmos, que escolhe estrategicamente suas vítimas, agindo cirurgicamente. Como ‘bombas inteligentes’ numa guerra. É um processo onde, para quem não é pego por ela, tudo parece estar normal. As pessoas vão ao trabalho, voltam, praticam seu lazer. Mas para quem dá o azar de ser atingido por ela, parece ter caído numa realidade paralela, onde a racionalidade foi suspensa e os valores se inverteram. Você é que tem de provar que é inocente, em meio a uma sociedade blasé.”
“Ditadura de precisão”. Perfeita a definição do Daniel Marques.
Foi-se o tempo da truculência, do tiro, porrada e bomba. Foi-se o tempo do bandido vestido de preto, com o mocinho vestido de branco. Agora o mal está dissimulado, você vive ao lado dele, acorda com ele, dorme com ele, tem aulas com ele, responde pra ele, sem perceber que é ele.
No Café Brasil 6- Gramsci e os cadernos do cárcere, expliquei que o pensador italiano, preso, percebeu que tiro, porrada e bombas não transformariam o mundo. A transformação só viria pela conquista hegemônica dos corações e mentes das pessoas e da cooptação das mentes mais talentosas e brilhantes do adversário. Assim a vitória perene estaria garantida. Essa percepção mudou tudo. E explica a ditadura de precisão.
Encobertos pelas placas de “salve o planeta”, “eu amo você” e “justiça para todas”, snipers de toga preta disparam com precisão milimétrica sobre seus alvos. A turba não escuta o tiro. Não vê explosões. Não ouve gritos. Apenas fica sabendo que um dos seus foi abatido. E passa a morrer de medo dos snipers que sabe que estão por ali.
Sacou o jogo? A ditadura de precisão não quer matar ninguém. Só quer que você tenha medo. Muito medo.
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https://www.youtube.com/watch?v=ThYbwrbhNJQ
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Em 2013, o senador Paraguaio Victor Bogado foi acusado de contratar Gabriela Quintana como babá, recebendo salário mensal equivalente a R$ 8.200. Metade do valor saía da folha de pagamentos do Legislativo e metade do caixa da Itaipu Binacional, cujo controle é partilhado entre as empresas estatais de energia Eletrobras e Andes.
Gabriela passou a ser conhecida como a “babá de ouro” do senador paraguaio. Quando o Ministério Público decidiu processar o Senador, 23 de seus 45 colegas votaram contra a retirada da imunidade parlamentar, o que causou indignação nacional. E a reação popular foi ótima: o ostracismo social.
Diversas empresas publicaram anúncios pedindo a renúncia dos 23 que confundiam imunidade com impunidade, e cartazes com seus nomes foram afixados na entrada de postos de gasolina, shopping centers e cinemas, informando que não eram bem-vindos. Senadores foram impedidos de entrar em restaurantes e expulsos de uma pizzaria aos gritos de “fora ladrão”. Até os táxis aderiram! Em Santa Catarina, onde os políticos paraguaios costumam passar as férias de verão, alguns hotéis expuseram cartazes com os dizeres: “Os 23 não são bem-vindos.”
A pressão foi tanta que os senadores voltaram atrás e autorizaram o processo contra o criador da “babá de ouro”.
Viu que genial? “Ostracismo social”, sem precisar botar fogo em ônibus, sair na porrada com a polícia, invadir prédios públicos…. apenas a reação legítima da sociedade contra quem não demonstra dignidade no exercício de seu mandato, chamando-os pelos nomes que eles têm.
Contei essa história numa de minhas palestras e a reação que ouvi de várias pessoas foi a esperada: “No Brasil isso não dá certo. Ninguém vai se importar.”
Ninguém vai se importar…
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https://www.youtube.com/watch?v=kVF4dRGeL4s
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Cerca de trinta anos atrás tive o privilégio de conviver com Orlando Villas Boas enquanto trabalhei num livro sobre ele e seu irmão Cláudio. Orlando era uma figura fascinante.
Um dia, no calor das discussões sobre a demarcação das terras indígenas na fronteira entre o Brasil e a Venezuela, o velho sertanista contou que havia muitos anos o fluxo de estrangeiros na região era intenso. Dezenas de "pastores", com a desculpa de realizar trabalhos humanitários, estavam mapeando nossas riquezas. Ele disse mais ou menos assim:
"Luciano, sabe o que vai acontecer? Esses 'pastores' vão levar jovens índios para o exterior. Vão educá-los e formá-los para que sejam os novos líderes em suas tribos. E quando retornarem ao Brasil esses líderes começarão a requisitar novas terras e a se organizar. Conseguirão demarcar reservas gigantescas e logo formarão uma 'nação' que pedirá sua independência. E a ONU reconhecerá essa independência. E então eles terão toda facilidade para negociar as riquezas com os 'pastores' que os educaram."
Ouvi aquelas profecias quase trinta anos atrás, mas fiquei tranquilo. Afinal, era Orlando Villas Boas. Alguém haveria de ouvi-lo. Ele tinha trânsito no governo, respeitabilidade e credibilidade. Jamais passou por minha cabeça que Orlando, como tantos outros, era considerado por quem detinha poder como "apenas um técnico". Não tinha força política para provocar mudanças reais. Não estava incluído nos círculos estratégicos do poder. Quem o ouvia, respeitava e admirava, não tinha poder. Orlando era apenas um conselheiro…
Técnicos como Orlando Villas Boas, quando servem aos objetivos de grupos de poder, são exibidos como ícones, como os sábios que tranquilizam e mostram o acerto das políticas e estratégias adotadas. Mas quando não servem, são tratados com falsa reverência, homenageados, aparentemente respeitados e isolados.
A sabedoria de suas palavras vai-se com Pôlo, o deus indígena do vento. E ficam as Tiriricas, as deusas indígenas da raiva, do ódio e da vingança. E aí é isso que você está assistindo.
Esse texto foi publicado originalmente em 2012. Lembrei-me dele hoje, ao ouvir o Dr. Ives Gandra Martins falando das estrepulias do STF.
Ives Gandra é outro Orlando. Palavras à Pôlo...
Esta reflexão continua no vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=aEb1vDn28rE
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Heráclito Fontoura Sobral Pinto, jurista e advogado apelidado de “Senhor Justiça”, ficou conhecido pelos embates contra a ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas e contra o regime militar. Católico devoto, Sobral Pinto foi defensor dos comunistas Luiz Carlos Prestes e Harry Berger perante o Tribunal de Segurança Nacional, em 1937.
Com sua atuação, aprendi que absolutamente tudo que diz respeito ao mundo das leis, é relativo.
Veja o exemplo do caso de Harry Berger, agente comunista alemão que atuou junto ao Partido Comunista do Brasil. Após uma insurreição contra o regime de Getúlio Vargas, em novembro de 1935, Harry foi preso no Rio de Janeiro e submetido a severas torturas por autoridades que buscavam o paradeiro do líder da oposição, Prestes. Submetido a um interrogatório prolongado, durante o qual perdeu a sanidade, Harry foi finalmente levado a julgamento em maio de 1937, quando foi condenado a 13 anos e quatro meses de prisão.
Lutando contra um regime de exceção, Sobral Pinto exigiu do governo a aplicação do artigo 14 da Lei de Proteção aos Animais, numa petição em favor de tratamento humanitário para prisioneiros. O artigo dizia que a autoridade que tomasse conhecimento de qualquer infração da lei, poderia ordenar o confísco do animal ou animais, nos casos de reincidência.
Sobral Pinto conseguiu, assim, que as condições de Ewert melhorassem.
Entendeu? A lei de Proteção aos Animais foi usada para livrar um preso da tortura.
Um advogado inteligente faz o que quiser com as leis, que foram feitas por humanos e podem portanto, ser manipuladas para dizer o que o humano quiser.
Por isso, você que está aí tentando entender o que aconteceu com a condenação de Daniel Silveira pelo STF e posterior liberação por Jair Bolsonaro, não espere racionalidade, lógica ou bom senso dos rábulas e togados.
Use uma lei imutável que aprendi sobre economistas, mas que se aplica muito bem aqui:
No mundo das leis, tudo, absolutamente tudo é relativo.
Esta reflexão continua no vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=oT08s_cMu5U
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VEM AJUDAR A GENTE A EDUCAR NOSSAS CRIANÇAS: https://bit.ly/querocafecomleite
A Bárbara Stock é a locutora do nosso podcast Café Com Leite, um projeto no qual estamos colocando energia e... coração. E ela colocou um post no Instagram que vou reproduzir na primeira parte deste Cafezinho. Depois eu comento:
“Tenho amigos, na verdade, acho que tenho.
Tenho amigos que são pais, tios... Tenho amigos que falam como as crianças estão mal educadas, o quanto não sabem interpretar textos e o quanto recebem de ausência de seus pais, que trabalham incontáveis horas e quando chegam em casa, precisam descansar.
Aí lançamos o Podcast Café com Leite, para ajudar pais e filhos a discutirem e entenderem assuntos complexos da nossa sociedade, porém extremamente necessários. Há semanas estou convocando esses amigos a apoiarem a iniciativa e assim, ajudarem não só seus próprios filhos, como os filhos dos outros.
Mas... posso contar nos dedos de UMA mão a quantidade de amigos que estão apoiando e/ou fizeram alguma doação para que o projeto continue. Os feedbacks? Sensacionais! As colaborações que são a partir de meros R$30, ou até menos se a pessoa quiser? Nula por parte dos meus ‘amigos preocupados com o que seus filhos andam consumindo’.
Pois é, acho que o problema do Brasil é que a cada 100 pais, 99 se preocupam com o mundo que estão deixando para seus "reizinhos e rainhas" e apenas 1 se preocupa com o cidadão que está deixando para o mundo.
O problema do Brasil é o brasileiro. O problema do futuro do país, são os pais e a facilidade de "largar para os youtubers e professores darem educação ".
É, estamos ferrados!”
O termo que a Bárbara usou em sua postagem não foi exatamente “ferrados”. Muita gente vai se sentir irritada com o desabafo dela, mas antes de se irritar, talvez caiba uma reflexão. É isso que quero comentar na continuação do vídeo.
Vem comigo.
Esta reflexão continua no vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=MblgY_Bo-0k
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CHEGOU O http://podcastcafecomleite.com.br VEM AJUDAR A GENTE A EDUCAR NOSSAS CRIANÇAS: https://nova.kickante.com.br/crowdfunding/podcast-cafe-com-leite Meu texto, lá de 2018: http://portalcafebrasil.com.br/artigos/como-decidi-em-quem-votarei-para-presidente/
Todo mundo falando em terceira via, não é? Que serve à turma do “nem-lula-nem-bolsonaro”. Deixe-me trazer um pouquinho da história desse termo, “terceira via”.
Em 1998, Bill Clinton e Tony Blair colocaram no centro das discussões um termo que ganhou as mídias: a Terceira Via.
Cinco pontos fundamentavam a visão de mundo da Terceira Via: transcender a distinção entre direita e esquerda; ampliar a igualdade de oportunidades; abraçar a responsabilidade mútua; reforçar as comunidades e abraçar a globalização.
A Terceira Via surgiu como uma tentativa de imbuir o capitalismo com uma consciência social. Sem ser esquerda ou direita, ela favoreceria uma economia de mercado, e não a sociedade de mercado. Lembre-se: era 1998.
Foi tratada como a ideologia do futuro, e abraçada por gente de todas as cores do espectro político. O assunto ganhou o mundo.
Quase 25 anos depois, a Terceira Via, dominada por visões progressistas, naquilo que o progressismo tem de caricatural, mostrou-se apenas uma excelente bandeira para derrubar governos de direita. O que entrou no lugar, geralmente um governo de centro-esquerda, não fez a tarefa de casa. Por diversas razões, a principal talvez tenha sido por deixar claro que, uma vez no poder, os grupos que brandiam a bandeira da Terceira Via mostraram que nada mais eram que elites defendendo privilégios, muito distantes dos trabalhadores que os elegeram, impressionados com seu discurso.
É nessa esteira que entra a discussão da terceira via brasileira, que não tem a ambição de ser uma “ideologia”.
Nosso cenário político durante dezenas de anos foi um teatro contrapondo a esquerda do PT à “direita” do PSDB e simpatizantes. Ambos eram tons diferentes da esquerda, mas montaram um teatro que nos levou a acreditar que seriam opostos. A eleição do azarão Jair Bolsonaro desmontou esse teatro. Bolsonaro, que sempre foi um lobo solitário, trombou de frente com o chamado establishment, desagradando todos as cores do espectro político. Foi quando nasceu o grito pela terceira via. “Nem esquerda, nem direita, chega de Lula e Bolsonaro, queremos outra direção”.
Mas... quem entrará no lugar?
Outra elite?
Esta reflexão continua no vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=6bkX9Hhk91I
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