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No final de Junho de 2020 um programa de televisão surpreendeu os brasileiros. Sob comando do diretor Vildomar Batista e apresentação de Luís Ernesto Lacombe e Nathália Batista, o programa de variedades Aqui na Band convidou alguns conservadores conhecidos nas redes sociais para uma discussão básica sobre o conservadorismo. Depois de deixar a Rede Globo, Lacombe se tornou conhecido por sua postura conservadora, destoando numa mídia que há pelo menos 30 anos não dá espaço para a pauta conservadora. Pelo contrário, persegue quem se atreve a defender qualquer posição não alinhada a um progressismo utópico. Especialmente quando defende pautas favoráveis a Jair Bolsonaro.
A alegria durou pouco. A direção da Rede Bandeirantes de Televisão interveio no programa, afastou os apresentadores e o caso terminou com o pedido de demissão de Luís Ernesto Lacombe.
Tem sido sempre assim na mídia tradicional e nas sociais. O Facebook, o Twitter e o Youtube perseguem os conservadores, eliminando posts e suspendendo contas. A ponto de Mark Zuckerberg, o dono do Facebook, e Jack Dorsey, o CEO do Twitter passarem um aperto no Congresso dos Estados Unidos para explicar o viés de suas plataformas.
Há pelo menos 20 anos eu grito para quem quiser ouvir: não coloque a distribuição do seu trabalho nas mãos das grandes corporações. De nenhuma. Eu aprendi isso atuando nelas. Tive textos proibidos, cartuns censurados, recusa de tocar músicas em rádios, todo tipo de pressão direta e indireta. Nas revistas, jornais, portais e redes sociais, a liberdade de expressão vai até onde incomoda o dono. Democracia é da porta pra fora.
Por isso em vez de atrelar meus podcasts e textos a grandes portais, criei canais próprios, por onde distribuo meu trabalho. É no Portal Café Brasil, no Café Brasil Premium e em meu site pessoal que meu trabalho está divulgado. Uso as redes sociais apenas como plataforma de marketing, e não para distribuição de conteúdo. Isso me custou muito caro em termos de tempo, dinheiro e audiência, mas me garantiu a matéria prima que eu preciso para trabalhar: liberdade.
Eu não rimo democracia com hipocrisia.
Crie o seu canal. Você nunca terá de pedir demissão de si mesmo.
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Daniele Hipolyto se apresentou na Olimpíada do Rio com um desempenho excelente na trave, onde obteve a maior nota da equipe brasileira. Na ginástica solo, ao aterrissar de uma sequência de piruetas, Daniele caiu sentada no chão. Ao se retirar, um jornalista pergunta da queda. E ela, com um sorriso constrangido responde:
– Poxa, e você fala da queda e não fala da trave? Vocês em vez de ressaltarem a coisa boa, falam logo da queda…
E o jornalista responde:
– A gente fala de coisa ruim primeiro para depois falar de coisa boa…
Aquele jornalista faz parte de uma rede de “especialistas” que acaba nos fazendo abdicar da responsabilidade de pensar. Anestesiados, ouvimos o que ele diz sem perceber que está nos conduzindo, já na pergunta, para a realidade que ele quer. No caso, o fracasso da Daniele.
E sempre aparece um otário para dizer: Ô meu! Mas ela fracassou mesmo!
Sim. Mas também acertou. Qual é o lado que você escolhe, hein?
No Podcast Café Brasil 722 – O Poder do Mau, trato de como o negativo tem muito mais poder sobre nossos pensamentos do que o positivo.
Tem alguém escolhendo o lado que será apresentado a você, insistindo no negativo, no sombrio. Sonegando o tipo de experiência intelectual que ajudaria você a ficar mais esperto. É o contraste entre o negativo e o positivo que enriquece nossa capacidade de perceber as nuances do mundo. Que não é feito só de coisas ruins. Nem só de coisas boas. Mas das duas coisas.
Nossa imaginação não é apenas sobre capacidade criativa, mas sobre como vemos e experimentamos o mundo.
Qual janela você escolheu para ver o mundo? Se for a da mídia, é a do entretenimento. Se for a da academia é a da ortodoxia. E se for a da política, é a da ideologia.
nte essas três janelas andam um tédio. E desonestas. Só produzem medo e ressentimento. Só tem olhos para a bunda da Daniele no chão.
Ninguém pode ganhar com isso.
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Cafezinho 291 – Indignite
Fui contratado para palestrar num grande evento. Faltando três dias me avisam que o tempo combinado para a palestra, 90 minutos, seria reduzido para 30 minutos. Liguei para saber o que aconteceu e conversei com uma menina de 25 anos, assistente de alguma coisa, mais preocupada com o buffet do que com a palestra. Tentei argumentar que o tempo era insuficiente para o tema escolhido e logo percebi que não adiantava. Aliás, não tinha nem para quem reclamar! Inconformado, comentei com um amigo a minha indignação:
- Pô, vão gastar uma bala de dinheiro entre cachê, transporte aéreo, hospedagem e alimentação para eu falar 30 minutos? Não me conformo!
E meu amigo:
- Estão pagando bem? Então vai, faz e fica quieto!
Chegou o dia do evento. Desorganizado, atrasado, com meia dúzia de pessoas no auditório... Os promotores se preocuparam mais com o buffet e a decoração milionária do que em encher o auditório de gente. Jogaram dinheiro fora. Não perdi a chance de comentar com os outros dois palestrantes do evento e o que você acha que ouvi?
- Tão pagando bem! Faz o seu e fica quieto!
Eu havia deixado de fora da palestra conteúdos importantes, estava preocupado com o ritmo, com o humor. Queria entregar 120% do que foi contratado. Os outros dois palestrantes? Nem aí... O cliente pagou, tá tudo certo.
Olha, vira e mexe essa situação se repete. Não consigo ligar o botão do dane-se e não expressar minha indignação com o desperdício de recursos, a falta de competência, a perda de tempo. Eu não estou naquele evento só por eles, mas por mim! E por mais que a avaliação seja excelente, que o cliente fique satisfeito, não engulo o sapo. Sou acometido por um surto de indignite aguda. Mas parece que eu sou exceção. Os três com os quais falei disseram o mesmo: se o cliente paga, faça o seu e fica quieto!
Olha, eu até faço, sabe? Mas sofro antes, durante e depois.
De mim o cliente só comprou a palestra. A consciência, não.
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O relativismo é o conceito que define que os pontos de vista não têm uma verdade absoluta, mas apenas um valor relativo, subjetivo, de acordo com diferenças na percepção de cada indivíduo. O que é mau pra mim pode ser bom pra você. E ambos estamos certos…
Mas se cada um tem a sua verdade sobre o que é a justiça e ninguém tem o direito de impor a sua verdade a outros, em nome de qual verdade podemos impedir ou perseguir o roubo, a violação, a pedofilia ou o assassinato? Qual é a verdade que vale? A minha ou a sua? O relativismo acaba num círculo vicioso, percebeu?
Sem uma referência a uma verdade universal que obrigue todos a seguir um padrão de comportamento, qual autoridade pode impor a outros o conceito do que é mau? Ora, ninguém tem o direito de impor a mim seus valores, não é?
Por isso, como sociedade, negociamos verdades universais, que publicamos sob forma de um contrato social que chamamos de Constituição, de leis, de códigos de ética. Também recorremos a uma entidade suprema, acima dos homens, que define o que é certo ou errado. Um deus. Mas aí, quem não acredita no deus, fica doido. E quem não acredita na Constituição, também…
O relativismo afirma os direitos individuais, mas como não tem nenhuma referência a uma verdade objetiva, cria a confusão sobre o que é bom e o que é mau. Com o relativismo, a justiça fica à mercê de quem tem o poder de impor sua opinião aos outros.
E assim, atônitos, assistimos juízes do STF torturando a verdade universal da Constituição e definindo por conta própria quem é do bem e quem é do mal. E abrindo inquéritos, investigando, buscando e prendendo. Só falta mandar arrebentar, mas já já eles darão um jeito.
E se você está rindo de quem está se dando mal, é porque não entendeu nada. Em algum momento esses relativistas morais imporão a verdade deles sobre você. E aí será tarde demais para chorar.
Quem poderia lhe defender estará preso.
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Em tempos imemoriais, vivíamos mais alertas ao tigre de dentes de sabre do que à apetitosa gazela. Reconhecer a gentileza de um amigo não era questão de vida ou morte, mas ignorar a animosidade de um inimigo, sim. Uma só pessoa não conseguia proteger a tribo, mas um só cozinheiro que não eliminasse as toxinas de um alimento, podia contaminar a todos. Um só indivíduo poderia destruir toda a tribo ao traí-la para uma tribo inimiga.
Um erro podia matar você. Um inimigo podia fazer da sua vida um inferno. Uma perda podia apagar todos os ganhos anteriores.
Prestar mais atenção às ameaças faz, portanto, todo o senso evolucionário.
São essas questões ligadas a nossos mais primitivos sentimentos que explicam porque a cada dia aparecem notícias de que a humanidade está condenada. Foi a mídia que deu escala global ao terrorismo e as Torres Gêmeas foram o ápice dessa ferramenta de pressão. Ver as Torres Gêmeas caindo na sala da minha casa fez com que eu me sentisse presa dos terroristas, mesmo vivendo num país longe das ameaças. E isso aconteceu com bilhões de pessoas que, pela televisão e depois pelas mídias sociais, foram bombardeadas com a ameaça de aniquilação, espalhando uma sensação de impotência e de insegurança. O próximo atentado será maior. E pode ser na minha esquina.
Publiquei em minhas mídias sociais uma imagem que mostra como a pobreza extrema, a democracia, a educação básica, a vacinação, a alfabetização e a mortalidade infantil evoluíram no mundo nos últimos dois séculos. A evolução positiva é sensacional, mas não se fala disso. Por que será, hein?
Porque se faltarem notícias ruins hoje, certamente há as que nos esperam amanhã. Isso é tão perverso que numa pesquisa com crianças pré-adolescentes nos Estados Unidos, ao serem perguntadas como será o mundo quando forem adultas, uma em cada três disse que ele provavelmente não existirá mais.
Crianças que não veem um futuro.
Não pode haver tragédia maior que essa.
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Cafezinho 288 – O Pacto dos Canalhas
Quem chega a um posto de poder nessa república que aí está tem perfeito conhecimento do ambiente em que circula, dos podres e, em alguma medida, se utiliza de “práticas não-republicanas”. Uns mais, outros menos, uns por ganância, outros por sede de poder, uns para enriquecer, outros para ter influência, mas todos utilizam. Quem não o faz perde influência, é deixado fora da festa, dos holofotes, das posições de poder. Fora do Pacto dos Canalhas.
“Eu sei da sua sujeira, você sabe da minha, nós sabemos das sujeiras deles, eles sabem das nossas. De quando em quando a gente briga, mas só até um limite. Se você me entregar, eu entrego você.”
E assim o Pacto dos Canalhas promove um equilíbrio.
Às vezes surge alguém disposto a não fazer parte do pacto, mas é logo enquadrado ao perceber que terá vida curta, que não aprovará nenhum projeto, que jamais penetrará nos círculos do poder. O Pacto dos Canalhas é a base da organização política dessa república que aí está. E não é de hoje.
Enquanto houver seres humanos, existirá um Pacto dos Canalhas.
Na apresentação das Cinco Leis Fundamentais da Estupidez Humana, que eu uso em minhas palestras, divido a sociedade entre Ingênuos, Estúpidos, Sábios e Canalhas. Os canalhas são poucos, os sábios menos ainda, a maioria absoluta é de ingênuos e estúpidos. Só os ingênuos ficam espantados quando sabem do Pacto dos Canalhas e muitos continuam pelas redes sociais tentando provar que seus bandidos são melhores que os bandidos dos outros.
Não são, São todos canalhas.
O Pacto só é desestabilizado quando alguma força maior se apresenta, como aconteceu com a Lava Jato, que teve de usar canalhas para pegar canalhas!
O primeiro passo para combater o Pacto dos Canalhas é compreender que são os ingênuos e os estúpidos que reelegem os canalhas.
Ah, antes que comece a gritaria aí em defesa de certos canalhas, preciso informar que este texto aqui foi publicado originalmente no começo de 2017.
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A palavra “confiança” vem do latim “confidere”. “Com” é um intensificativo, e “fidere” quer dizer “acreditar, crer. Fidere deriva de “fides”, que quer dizer fé. Em inglês, um termo parecido é “trust”, que tem raiz indu-européia: “droust”, que quer dizer sólido e duradouro. Fé, acreditar, sólido, duradouro.
Confiança é um sentimento positivo, que envolve boa vontade, credibilidade, compromisso, responsabilidade e uma porção de atributos positivos. Se não houver confiança, as interações sociais passam a ser baseadas na má vontade. Não há cooperação. A sociedade da desconfiança é uma forma de organização terrível para se viver.
Existem duas formas de confiança: a cognitiva, que é baseada no conhecimento, na razão e nas evidências que temos sobre o objeto de nossa confiança. É coisa do cérebro.
E a confiança afetiva, que é emocional. Vem de laços de parentesco, de amizade e das experiências que temos com outras pessoas. É coisa do coração.
Quando você deposita sua confiança em alguém ou algo, há um risco, uma vulnerabilidade envolvida. E se esse alguém não for digno de sua confiança, hein? Você terá uma decepção. Perderá a confiança. Por isso a confiança é tão valiosa. Por isso, os psicopatas têm como primeiro objetivo, conquistar a confiança de suas vítimas.
Nunca confiamos em políticos. Pouco confiamos em jornalistas. Mas sempre confiamos em médicos e cientistas. Até a Covid 19, que tem um aspecto psicológico: atacou nossa confiança cognitiva como nunca antes. Diante do volume de bobagens, dados conflitantes, mentiras descaradas, hipocrisia e ignorância que temos assistido diariamente, perdemos a confiança em nossos especialistas e lideranças. Nos sentimos perdidos. Em quem acreditar?
Olha, você eu não sei. Pra mim, o que sobrou foi a confiança afetiva.
Hoje quem comanda é meu coração.
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Em minha luta recente com o UOL Host, eu passei pelo calvário de todos os que precisam recorrer aos serviços de atendimento telefônico das empresas. Recepção por gravações que ficam repetindo mensagens que não nos interessam, a gente digitando um número, depois o CPF, depois outro número... Até cair num atendente adolescente ou semiletrado, com um texto decorado que só consegue resolver dois ou três problemas-padrão.
Na semana anterior, tinha sido com o cartão de crédito: eu liguei para o número no verso do cartão, ouvi um blablabla justificando demora do atendimento por conta do coronavirus, tive de navegar por vários números, quando cheguei onde eu queria, uma gravação me pediu para ligar para outro número. Comecei tudo de novo, liguei para lá e a atendente me transferiu de volta para aquele primeiro número, que me mandou de volta para ela... virou o Dia da Marmota.
Em meu livro Diário de Um Líder faço uma constatação curiosa: nunca se falou tanto sobre liderança, mas ao mesmo tempo jamais sentimos tanta falta de líderes. Como nas historinhas que eu contei, a maioria absoluta dos problemas que enfrentamos diz respeito à falta de liderança, de gente com capacidade de resolver as coisas. Os adolescentes dos 0800 – e seus supervisores - não têm capacidade de julgamento e tomada de decisão, muito menos conhecimento e autonomia. São escravos dos processos, conformados e inertes. Praticam aquilo que eu chamo de ação não-ativa.
Tudo parece estar andando. Só que não.
As empresas gastam bilhões em treinamento dos funcionários, para obter no final um resultado pífio. O blábláblá não está surtindo efeito. É aquela velha e bem conhecida hipocrisia: falamos uma coisa e praticamos outra. Estamos amarrados por uma sociedade que precisa desesperadamente de estabilidade, fazemos um discurso hipócrita sobre inovação, autonomia e busca por oportunidades, mas no dia a dia odiamos os inovadores e as mudanças.
Conformados com a burocracia e morrendo de medo de assumir riscos, substituímos a ação pelo discurso, o risco pela aversão ao risco, só temos olhos para redução de custos e todo mundo finge que está tudo indo bem.
Ação não-ativa, meu caro.
Mas a propaganda é maravilhosa.
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Quando eu trabalhava no mercado da reposição de autopeças, realizei centenas de eventos para os profissionais da reparação automotiva. Eram donos de oficinas mecânicas e seus funcionários, sempre falando de técnicas para melhoria dos serviços, atualização e procedimentos, digitalização e, especialmente, foco no cliente.
Um dos pontos chave que eu sempre abordava era a questão do buraco negro, aquele momento em que o dono do automóvel entregava seu carro na oficina, via o mesmo sendo levado lá para dentro e não sabia mais o que aconteceria. Só teria notícias quando recebesse o orçamento para então tomar uma decisão baseado na total ignorância do problema.
Eu dizia: pegue o cliente pela mão, leve-o junto com o automóvel, mostre para ele o problema, ensine como é o processo de diagnóstico e qual a correção necessária. Deixe-o tomar pé do problema. Com isso ele conhecerá a complexidade do assunto, saberá valorizar o seu trabalho e aprenderá a reconhecer o problema da próxima vez. Você estará não apenas consertando o carro, mas ensinando seu cliente a valorizar o trabalho que você faz. E olha, eu estou falando das décadas de 1980 e 1990. Pois é.
Há três dias meus sites portalcafebrasil.com.br e lucianopires.com.br estão fora do ar. Eu os hospedo no UOL Host. Saíram do ar e começou meu calvário. Três dias ligando incessantemente para o UOL, sendo atendido por adolescentes ou por pessoas que demonstram não ter nenhuma capacidade para resolver meu problema. Gente que serve apenas como um anteparo entre o cliente e o técnico que pode resolver o problema. Como se fosse um muro de proteção ao técnico.
E assim me deixam completamente no escuro. A única resposta é: “O senhor tem de aguardar”.
Cara, isso é o beabá do atendimento ao cliente, mas é um padrão, especialmente na maioria das empresas de tecnologia, que fazem de tudo para afastar o cliente do técnico. É como se você não pudesse falar com seu médico, entende? Só com a recepcionista...
UOL Host nunca mais. Mas eles são apenas um pedacinho do problema da falta de produtividade no Brasil.
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Tente argumentar racionalmente contra as decisões de fechamento da economia e você será rotulado como assassino desalmado, que só pensa em dinheiro à custa da morte. Tente levantar uma discussão sobre o achatamento da curva e você é imediatamente chamado de negacionista, terraplanista ou outro ista. Veja o embate estúpido em torno da cloroquina. O vírus, e seu combate, foram politizados e muitas decisões têm sido tomadas exclusivamente por interesses políticos.
Esse contexto conflituoso alimenta a ideia de que o país está polarizado. Não está.
A grande polarização aconteceu não entre os cidadãos comuns, que continuam moderados, mas na indústria da crise: legisladores, ativistas políticos, jornalistas, lobistas e acadêmicos que se digladiam em torno de políticas públicas. E do dinheiro público. São eles que se isolam em extremos opostos do espectro político, fazendo muito barulho e tentando carregar o resto do país consigo. Todos consideram-se o supra sumo da moderação, enquanto os do “outro lado” são extremistas perigosos.
É a presença dessa turma na vitrine que aumenta o antagonismo e o clima de confronto, criando a sensação de falsa polarização, que é imputada às mídias sociais, o que não é verdade.
O conflito nas mídias sociais é apenas sintoma da doença das velhas mídias de massa, dos velhos políticos e do restante da indústria da crise. São eles que constantemente espalham o pânico e demonizam quem não concordar com suas soluções para a crise mais recente.
Assistir a essa rinha de galos diária tem o mesmo efeito que o mortômetro das redes de televisão: você começa a crer que o mundo vai acabar.Não vai.
E enquanto você desvia dos tapas, cuspidas e ofensas, tem muita gente, especialmente políticos, barões da comunicação e investidores – sempre a elite - lucrando com essa polarização de araque.
Pare de dar audiência a eles.
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