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O 25 de abril de 1974. Celebramos, este ano, os 50 anos da Revolução dos Cravos
O ano do advento da Liberdade.
Esse dia foi retratado por um dos mais célebres e premiados fotojornalistas portugueses: Eduardo Gageiro.
Encontrei-o num sábado na exposição de múltiplas fotografias que tirou desde 1957.
Exposição na Cordoaria Nacional aberta e gratuita até 5 de maio.
Esta conversa tem luz e sombra.
É desse contraste que se faz a narrativa do Portugal contemporâneo.
Esta edição é um testemunho da história.
Viva a Liberdade
(00:05:27) Convocado para a Revolução Eduardo Gageiro é convocado para fotografar a revolução.
(00:06:50) Encontro com Salgueiro Maia Eduardo Gageiro conhece o comandante Salgueiro Maia.
(00:07:49) Tensões e negociações Eduardo Gageiro testemunha negociações e tensões durante a revolução.
(00:09:34) Medo e experiência anterior com a PIDE Gageiro relembra o seu medo e a sua experiência anterior com a PIDE.
(00:12:44) Momento de confronto Descrição do momento de confronto entre Salgueiro Maia e a cavalaria sete.
(00:14:39) A possibilidade de disparo evitada Eduardo Gageiro descreve o momento em que a possibilidade de alguém disparar um tiro foi evitada.
(00:15:52) Exposição em Barcelos Eduardo Gageiro fala sobre uma exposição e um colóquio com participantes do 25 de abril.
(00:17:26) O momento decisivo Conversa sobre um momento crucial da revolução e a relação pessoal entre dois homens.
(00:18:53) Fotografando Salgueiro Maia Eduardo Gageiro descreve a sua experiência fotografando Salgueiro Maia durante o 25 de abril.
(00:20:42) Desaparecimento das fotografias Discussão sobre o desaparecimento de fotografias importantes do 25 de abril.
(00:22:52) Fotografia simbólica Eduardo Gageiro descreve uma fotografia simbólica do Salazar na sede da PIDE.
(00:25:02) Paixão pela fotografia Eduardo Gageiro fala sobre a sua paixão pela fotografia desde jovem e sua influência social.
(00:27:22) O mundo desconhecido Eduardo Gageiro descreve a perplexidade ao descobrir a corrupção na distribuição de alimentos durante a sua infância.
(00:29:27) Influência e politização Gageiro fala sobre a influência de pessoas e livros na sua politização e formação como fotógrafo.
(00:30:30) Início na fotografia Gageiro conta como começou a fotografar e recebeu orientações de um mentor sobre composição e técnica.
(00:35:30) Primeiros prémios Gageiro relata a sua experiência ao ganhar o seu primeiro concurso de fotografia e o impacto disso na sua carreira.
(00:39:00) Reconhecimento internacional Gageiro discute a importância dos prémios na sua carreira e como isso o levou a ser reconhecido internacionalmente.
(00:39:20) Mudanças após o 25 de abril Eduardo fala sobre como a sua visibilidade mudou após a revolução.
(00:40:46) Viagens e prémios internacionais Eduardo descreve as suas viagens pela China, Índia e outros países, e seus prémios.
(00:43:23) Prêmio do Pravda Eduardo conta sobre o prémio que ganhou do jornal oficial do partido comunista russo.
(00:45:16) Persona non grata Eduardo fala sobre como se tornou “persona non grata” após se filiar a um partido.
(00:46:39) Documentando Portugal Eduardo explica a sua preferência por fotografar o ser humano e as lutas do país.
(00:47:54) Fotografia de Salazar Eduardo compartilha a história por trás de uma fotografia que tirou de Salazar.
(00:50:26) Estética na fotografia Eduardo discute a importância da estética e do equilíbrio na fotografia.
(00:51:51) Fotografando o caixão de Salazar Eduardo Gageiro descreve a sua experiência fotografando o caixão de Salazar e a reação das autoridades.
(00:55:53) Retratos de personalidades Gageiro fala sobre a importância da confiança para capturar retratos autênticos e destaca o retrato de Champalimaud.
(00:58:36) Fotografando o presidente Gageiro descreve a sessão de fotos com o presidente, incluindo a persuasão para usar luvas de boxe.
(01:01:12) Desafios na sessão de fotos Gageiro conta como convenceu o presidente a usar luvas de boxe e a interação durante a sessão de fotos.
(01:04:36) A luta pela publicação das fotografias Eduardo Gageiro fala sobre o esforço para convencer a senhora a publicar as suas fotografias.
(01:05:43) Histórias engraçadas e desagradáveis O fotógrafo compartilha experiências divertidas e desagradáveis ao fotografar personalidades.
(01:06:33) O desafio de fotografar um político Gageiro revela a dificuldade em capturar a essência de um político durante uma sessão de fotos.
(01:07:29) A força da fotografia de Amália Rodrigues O fotógrafo destaca a intensidade e a expressão da famosa fadista portuguesa nas suas fotografias.
(01:09:08) Fotografando com energia e emoção Gageiro descreve o processo de fotografar Amália Rodrigues com intensidade e emoção.
(01:09:46) Reflexões sobre o futuro de Portugal Eduardo Gageiro expressa as suas preocupações e desejos para um Portugal melhor e reflete sobre questões políticas globais.
Liberdade.
Subitamente passaram 50 anos.
Para quem nasceu em finais de 1971 o 25 de abril é vivido pela memória dos familiares e dos amigos mais velhos. Depois lido em livros, recortes de jornais na hemeroteca por alturas do curso de jornalismo.
Há ainda as memórias do antes.
Da vida censurada e sem liberdade de expressão. O medo dos bufos e da PIDE, Do risco ou realidade de ir parar a guerra colónial. Das fugas a salto para emigrar para a França ou Alemanha.
Em busca de uma vida melhor.
E depois, o dia da celebração da Liberdade.
É desse dia que me ficam os relatos e retratos das testemunhas profissionais: os jornalistas e os fotojornalistas.
As reportagens com a voz de Adelino Gomes, que retratou na palavra o pulsar desde dia. Do 25 de abril de 1974, na rádio.
E das eternas e mágicas fotografias de Eduardo Gageiro.
Captando o olhar de Salgueiro Maia. Ou o seu morder do lábio para não chorar.
Seria medo? Seria alegria?
Estas fotos tem tudo. Do mais humilde ao mais grandioso. Há uma portugalidade intrínseca e emanente nessas imagens.
Tal como estão expressas nas reportagens fotográficas do Portugal muito pobre do antes. As imagens inesquecíveis das crianças sujas e descalças no meio de caminhos duros e casas cinzentas.
O retrato do Portugal escondido. Da desigualdade estrema.
Gageiro viu os operários sem sapatos da fábrica de Sacavem e os visitantes nocturnos vindos do casino, homens bem-vestidos e acompanhados pelas suas amantes, a quem o pai organizava banquetes onde havia todos os sabores e alimentos que inversamente eram negados aos que não pertenciam ao clube.
Havia o bacalhau do contrabando e sabe deus mais o quê. Havia tudo do bom e do melhor, mas apenas para alguns.
Essa desigualdade ainda preocupa Gageiro.
O fotografo que também retratou o glamour dos nossos maiores: há Amália, há Eusébio, há os poetas, os politicos, os poderosos, o povo.
Os muito ricos. Os muito pobres. Os intelectuais. Os trabalhadores da força de braços. Os músicos e os escritores. Será esta mistura um vislumbre da alma na não portuguesa?
Há Sofia de Mello Breyner que escreve em 4 estrofes tudo sobre o 25 de abril:
“Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo.”
Esta conversa foi para mim um privilégio.
E um gosto poder partilhá-la com todos.
Espero ter conseguido entender tudo o que me disse
TRANSCRIÇÃO AUTOMÁTICA
Bem-vindos ao pergunta simples o vosso podcast sobre comunicação, sobre comunicação e, sobretudo, o
resto sobre a vida, sobre as histórias, sobre a história, logo este ano em que celebramos 50 anos do
25/04/1974, o ano do advento da Liberdade.
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gageiro encontrei-o num sábado na sua exposição de múltiplas fotografias, que tirou desde 1957
exposição na cordadoria nacional.
Está aberta até 5 de maio e é de entrada gratuita.
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É deste contraste que se faz a narrativa do Portugal contemporâneo.
Esta edição é um testemunho da história.
Viva Liberdade.
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O 25 de abril é vivido pela memória dos familiares e dos amigos mais velhos e depois lido em livros
ou em recortes de jornais, na embroteca por alturas do curso de jornalismo.
Mas há ainda as memórias do ano.
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de ir parar à guerra colonial, das fugas assalto para emigrar para a França ou para a Alemanha em
busca de uma vida melhor e depois o dia da celebração da Liberdade.
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fotojornalistas, as reportagens com a voz de Adelino Gomes, que retratou na palavra.
O pulsar desse dia do 25/04/1974.
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Oo seu morder de lábio para não chorar seria medo, seria Alegria.
Estas fotos têm tudo, do mais humilde ao mais grandioso.
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portagens fotográficas que fiz do Portugal, muito pobre do antes, as imagens inesquecíveis das
crianças.
Sujas e descalças, no meio de caminhos duros e casas cinzentas, o retrato do Portugal escondido da
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sapatos da fábrica de sacavém, ou nos visitantes noturnos vindos do Casino, homens bem vestidos e
acompanhados pelas suas amantes, a quem o pai organizava banquetes onde havia todos os sabores e
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Havia, por exemplo, o bacalhau do contrabando.
E sabe Deus mais o quê?
Havia tudo bom e do melhor, mas apenas para alguns.
Essa desigualdade ainda hoje preocupa o fotógrafo, que também retratou o glamour dos nossos maiores,
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muito, muito pobres, os intelectuais, os trabalhadores da força de braços, os músicos e os
escritores.
Será?
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Há, claro, Sofia de Mello breyner, que escrevem 4 estrofes, tudo sobre o 25 de abril.
Volte citar, esta é a madrugada que eu esperava o dia inicial inteiro e limpo onde emergimos da
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Esta conversa com o Eduardo gageiro foi para mim um privilégio e um gosto poder partilhá-la com
todos.
Espero ter conseguido entender tudo o que me disse.
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pensar.
Mas Eduardo gageiro, o Eduardo gageiro.
E se eu falar das míticas fotos do 25 de abril está apresentado.
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Te levou-me um amigo do século porque havia muito, muita gente a trabalhar No No século, os
linotipistas os gráficos muito politizados e sabiam.
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Estavam.
Estavam todos à espera.
Não é porque já tinha havido aquele movimento da escalda.
Que eu fotografei também.
Mas não, não me está enganando.
As fotografias são banais e então, naquele dia, falaram-me aí às 5 e tal da manhã.
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De um século século, e então lá fui.
Com 20 rolos, era o que eu tinha na altura e entrei.
Eu moro aqui em sacavém eu fui pelo lado de cabo ruivo, claro.
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EE, eu tento entrar e há um que me diz, não pode passar, não pode passar com o nosso comandante, não
quero que deixe passar ninguém.
E eu coloco um descramento disse assim faz favor leva-me ao comandante, que eu sou amigo do
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E então ele, coitado, muito humilde, me disse levemente senhor ao comandante que é amigo do
comandante, então lá fui eu e já está já cá estou dentro, não é?
Então apresentei-me uma pessoa que eu não me conhecia.
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Era o quadrante.
Eu também sei que você é.
Desculpe mandar, mas como é que sabe quem eu sou?
Que eu por todas as semanas, o séculos grave e conheço o seu trabalho e gosto muito das suas
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Você é um homem que fotografa o povo, fotografa não sei quê e tal.
Eu fiquei.
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EE dizia, então agora podes andar comigo à vontade.
E então, onde é que desde as 6 da manhã que o Salgueiro banha, tu vês?
Ninguém tem.
Nem via rádio, nem televisão, nem outros colegas.
Meus fotógrafos, ninguém, tudo julgo.
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Porque mais tarde vi os meios mais longe, muito hoje eu estava ali no coração da revolução.
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Da última vez?
O pai de Anselmo não queria aderir ao movimento nem nem queria render-se.
E então eles levaram essa fotografia na exposição.
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Ele levava um revólver dentro do casaco.
Está ele com a rola na mão até lá na exposição.
Estava à paisana e.
EOO Salgueiro mar leva uma Granada no bolso de trás.
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provado que não é, nem sempre é assim.
E então, da última vez que estavam desesperados que o outro não, não aderiu parte da selva.
E então?
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Rede-se ou dera o movimento, mas fica em voz, graus ou naquele.
Ou põe o caixa de grande intenção, não é EE outras sempre sempre com eles.
E então ele diz, não, não rede nem direito ao movimento prendam-me.
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Ponho a máquina à cara, diz-me sobre a minha palavra de honra.
Isto era uma aldeia.
Toda a gente se conhecia graças ao 7 diversidade.
Eu era conhecido, gaja e submetiras uma fotografia.
Eu mate-te, e claro que não me matou, não é?
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modo, quer dizer.
Quer dizer, desiste e tem que se entregar.
Foi.
Foi um homem com grande dignidade posteriormente.
Uns anos depois estava eu muito mal, com linfoma e estava prestes a morrer.
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passas do Algarve.
Para essa conversão, porque por ele, ele está do do lado de lá.
O que me condou não foi bonito, sabe?
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E por aquilo que ele contou, não foi honrado.
Trataram-me muito mal.
EOOOO patati, disseram-me.
9:24
Estando lá desde a primeira hora na revolução, tive medo.
Que que emoções experimentou neste dia?
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quando estava quando estava em qualquer reportagem.
Eu lembro-me, por exemplo, quando Oo Salazar ou ou ou, como é que chama?
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Merk macho, o Américo macho, fazia aqueles, aquelas conversas à nação e não sei que mais e então.
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E então íamos, íamos todos lá, as pessoas de informação ou onde ele estava.
E então eu venho lá como todos os meus colegas.
E sabe quem é que vinha imediatamente, ombro a ombro comigo?
Moreira Batista, assim que era o homem da informação, Moreira Batista.
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Do snh.
O homem que controlava, digamos, a informação.
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E então, ó, Brown, eu fotografava-vos eu, eu fiz uma fotografia daquelas de poses a sorrir e não sei
quê.
E depois, como eu costumo dizer, só fotografava nos intervalos, só fotografava quando ele fazia
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Fazia, quer dizer, tentava ser diferente.
Moreira Batista, eu lembro-me de uma das vezes, agarrou-me assim com o ombro, a gageiro, já não
posso ouvir essa máquina rua.
Era assim.
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Como é que se fotografa?
Aquele.
Aquele dia consegue manter o distanciamento ou, pelo contrário, entrou?
Entrou dentro de dentro daquilo, dentro da história e deixou-se levar.
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Quer dizer, eu senti que fazia parte.
De de um momento importante, EE, que possivelmente ainda não sabia nada e resolvido, IA ser
resolvido o futuro do país, e eu que tinha de certo modo, sofria entre aspas.
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pessoas, não sofri nada, não é?
Tinha estado preso, inclusivamente eles odiavam-me e então estava feliz assim, hoje a culpa a partir
de agora é que eu posso ser diferente, vou vou ser livre.
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sempre, mas quando surgiram os tanques da cabeleiria 7 que não estavam, ninguém estava à espera, que
é uma história que.
Ainda não foi bem contada.
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das a pessoa que tinha.
A missão de ir à cavalaria 7, para que não saíssem aqueles aqueles carros.
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Do lado do do chamente que aquilo era uma brincadeira e eu aparece aqueles tanques, parece um
arranhacéus ficou tudo com medo, não é?
Inclusivamente as pessoas que estavam do lado da chamice Oo reldeiram mais e os outros militares, e
então as pessoas não perceberam, assistia as conversas, assisti às conversas e então éramos a
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cabraia 7 é pá, ficou incluído disso, pá, eu não.
Sei que mais de forma que, porque porquê ninguém sabia.
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discussão entre eles.
Eu insisti mais uma vez, digo, e então, o que é que tinha sido o Jaime Neves?
Tinha uma namorada no na, no elefante branco ou não sei quê, deitou.
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E então pronto, estava tudo muito zangado com jáme Neves.
Foi quando realmente avançaram para o para a tanselmo a ver se resolveu um problema.
Para que eles se rendessem ou dirição ao movimento.
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E então, quando as foram as histórias?
Sobre o que aconteceu?
Porque é que o cabo Costa.
Virou o canhão.
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Não é?
O outro era Oo comandante ele era.
Não sei se era era sargento ou calma, se era o que tinha a missão de ir à frente daqueles daquelas
bizarmas.
14:34
Nós estamos na rude alfeifeite, é isso que estão frente a frente, a frente, frente a frente, e há um
momento em que há a possibilidade de alguém disparar um tiro.
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AA cabo Costa.
Vira o canhão para.
Para o Tejo quer dizer, portanto.
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Digamos, ficaram a mesma coisa.
E então que ele, naquele momento em que se ganha o 25 de abril?
Porque, na verdade, os depois os os militares vão do lado lá, aderiram e vieram ter com o grupo, o
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Eu tenho essa fotografia, está lá e tenho muitas mais.
E então foi esse o momento.
EE, depois falou-se que o sobre o cabo passa não ter disparado, mas nunca fui muito esclarecido.
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exposição num sítio muito bonito.
Sítio antigo, que é o maior, não me lembro como é que se chama?
Esse edifício fantástico, então houve 11. 11 colóquio, talvez?
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Vivos, claro.
E ainda lá estava Oo.
Como?
O Jaime, o Jaime Neves não teve, teve Oo homem da associação. 25 de abril, Vasco Lourenço, o.
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Nunca muito que nunca foi muito esclarecida.
EE, depois estavam tudo o que pessoas ligadas à à revolução e depois estava Oo.
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Ao meu lado ficou cabo Costa e ao lado do cabo Costa, ficou o Manuel da Silva, o Manuel da Silva.
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Salgueiro era.
Era a bola, era que queixava à frente.
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de abril.
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Como você me fez uma grande confusão, aquilo não tem sido esclarecido.
Isso é o cabo Costa.
Diga lá.
Afinal, o que é que se passou?
Porque é que você não disparou?
Eu começo a sorrir e diz assim.
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Disparar, e o pelo óculo.
Vejo aqui o meu amigo Manuel, o meu amigo.
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Então eu IA matar o meu amigo Manuel.
A verdade é esta.
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pessoal entre 2 homens.
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Há mais de 100 pessoas, a plateia enorme, pessoas em pé e tal.
Estavam as pessoas mais importantes.
O 25 de abril, de forma foi dito, foi dito, isto é verdade?
25 de abril teria acontecido se não tivesse lá o anel do outro lado.
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Fale-me de de de Salgueiro Maia.
Que que homem é este, que homem é que viu?
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Não me ligaram.
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A captar quer dizer, todo aquele movimento.
Detenção, que foi o 25 de abril, quer dizer, só falta das 11:00 é que aquilo acalmou com a prisão do
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E depois foi tudo lá para cima, para ao largo do Carmo.
E então eu também fui claro e tenho e tenho todas essas sequências.
Eu tenho uma, tenho uma sequência, tirada com uma olhe como objetiva, com uma máquina que está lá na
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Não tem objetivo é de 70 300.
Ninguém tinha porque a Canon dava 2 máquinas quando eu ganhei o prémio Canon e estive no Japão.
EE, de forma que essa essa.
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Quartel do Carmo, como estava Montes de sogras, mas ninguém tinha aquela objetiva, eu IA
fotografando, quer dizer, de repente, com 300, aproximava-me muito e tenho uma sequência.
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Estou a tirar tudo o que se passa.
É então há uma sequência que OOO filho, o Miguel.
O pai do Miguel Sousa Tavares era o teco está em cima de uma guarita, com um megafone a falar e
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E dessa fotografia, o salgrama está em cima de um tanque e tenho isso tudo.
A partir daí desapareceu, tudo desapareceu.
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Um fotógrafo que trabalhava comigo, que eu levei para para o século.
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porque nós pode muitas vezes dizer a verdade.
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Eu não queria falar.
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Percebem?
Eu, eu acho.
É que as pessoas devem ser mais íntegras.
Uma pessoa que eu ajudei tanto, que trabalhava comigo, e depois ficar com coisas que não são dele, e
publicá-las e publicá-las.
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Agora como é que era o processo?
Tirava fotografias.
Acabava o Rolo.
O que é que fazia o Rolo?
Guardou.
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Nessa nesse dia.
Quer dizer, depois, ao fim de tudo, era 1 da manhã, fui para o século falar os golos, então acontece
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A imagem 36.
Mas já estava mesmo no fim.
É aquela fotografia do pêlo em cuecas?
Era uma e tal da manhã do dia 25 de abril, quando aparece aquele tipo que foi bloqueado pelos
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E então, quando era?
O que querem despir ele?
Tinha uma pistola nas cuecas, e eu não tinha um fotograma, aquele é o último.
Até puxei.
O Rolo percebeu sobre a minha palavra de voz, é verdade, e depois fui revelar os rolos, e depois fui
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Dormiu meia dúzia de horas.
E depois voltei no outro dia, outra vez, muito cedo, quase que não dormi, claro.
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Vai a morder o lábio para não chorar.
Ele próprio diz que é a fotografia mais importante.
Eles, aliás, está e está escrito aqui no livro em que ele diz, o fulano tal tirou 11 fotografia em
que ele venha morder o lábio, e eu venho a morder o lábio para não chorar.
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numa entrevista que ele deu ao Fernando Assis Pacheco, de forma que essa, mas há outra fotografia
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Considero muito significativa, portanto é essa sogra mais que eu gosto e essa que eu vou descrever
eu fui.
O primeiro grupo de jornalistas que entrou na.
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Entraram relatores, mas não entrou nenhum, nenhum repórter de imagem, nem nada.
E então tive uma sorte de verdade, que eu andava sempre em cima do acontecimento.
Entrei EE, fui fotografando e, de repente, vejo um soldado a tirar o retrato do salazara da parede.
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Do Silva pais, que era o era Oo, diretor da pide.
O diretor da pide tinha usado Salazar por cima.
Vejo bem e ele está bota a casada em cima do do desse sofá a tirar o retrato.
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Quer dizer, é, é a queda do regime.
Eu adoro essa fotografia, acho que são as 2, se alguém morder o lábio e essa tirar o retrato do
Salazar na.
Nas instalações da pide, são, para mim, são os mais simbólicas.
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Sabia que um gesto seu me pode ajudar a encontrar e convencer novos e bons comunicadores para gravar
um programa?
Que gesto é esse?
Subscrever na página perguntasimples.com tem lá tudo.
25:00
subscrevendo no seu telemóvel através de aplicações gratuitas como o Spotify, o Apple ou o Google
podcast.
Assim, cada vez que houver um novo episódio, ele aparece de forma mágica no seu telefone.
25:17
Depois de se ter um momento tão elevado e tipo tão significativo em termos históricos, nos nos
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umas tão significativas?
25:40
Sou a baixado de fotografia.
De forma que andar sempre uma máquina fotográfica, e.
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Faz uns.
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E então acontece que houve muita influência eu ter nascido em sacavém, nasci exatamente donde
estamos feliz da faca doce de sacavém.
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Muito obrigada por me ter.
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Onde?
Onde morava?
O morava?
Os meus pais.
Tinham um estabelecimento por baixo, onde onde os operários da faculdade da louça deixavam uma
eramita com sopa para a minha mãe aquecer.
Nessa altura, ainda andavam descalços.
Eu era muito miúdo, mas deixava aquilo muito estranho, não é?
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Também andava o meu pai, não tinha assim tantas posso.
Andava com uma coisa que se usava na altura, umas altergatas, que tinham borracha por baixo e por
cima era uma lona azul.
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Para a minha mãe aquecer a marmita, eu convivi com eles, ser junto jovem, isso fez uma grande
confusão.
E então há uma coisa que foi uma grande viragem.
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E então já tinha os meus 10 anos.
Houve muito barulho por volta das 4 da manhã.
Nós.
Tínhamos uma casa por cima do estabelecimento.
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Eu só conhecia o mundo de sacavém, os operários das pessoas que vinham a aquecer aqui, a marmita.
Muitos descalços não eram todos, já alguns já tinham essas 6 Alpargatas.
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Às 4 da manhã desde e das mulheres muito bonitas.
Nunca que não sabia, não via televisão, sabia que havia mulheres tão bonitas, muito bem vestidas.
E homens também muito bem vestidos, que não tinha nada a ver com os operários que de manhã tinham cá
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Mas o que é isto?
Mas quando é este este mundo, eu não conheço.
E então, no outro dia o meu vai correr logo comigo, claro.
E então no outro dia, ó, pai, mas quem são aquelas pessoas?
Vais embora?
Pá, não, não, não, não, não te digo, não me chateies, isto era assim, não é?
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Por fim, o meu pai quando toma, então vou contar.
Então então, pai, diga-me, olha aquilo, são pessoas que vêm da batota do Casino Estoril.
Com com os seus amantes, e.
E depois outros são as vendidas do parque Mayer que os seus namorados.
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Mas então, onde é este na mesma mesa de sopinha, esta gente a comer o Belo bacalhau assado para o
pai.
Arranja, não se arranjava nada de comer.
E então o meu pai sabe.
Eu vou contar-lhes a história.
Que como é, como é que ele arranjava o bacalhau que não havia nas mercearias quase nada.
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desaparecimento dos fiscais.
Nem desejo geral de do desabastecimento é que arranjava o bacalhau.
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merceeiro, que recebia bacalhau vender ao meu pai.
Não vendia as pessoas.
Vendia o meu pai.
A própria, digamos, intendência, os fiscais, é provocar umas corrupção, e então é é frustrante, não
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E então também a pouca carne.
O meu pai arranjava, como dizia 10 anos nessa altura, mandava-me ir ali à pesada, bom que estamos a
ver daqui.
E então IA IA ter com o sargento faria, eu levava uma alcofinha e eles lá arranjavam os quilos de
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Já viu isso?
Era o Portugal dos anos 40.
Isso deu fez uma grande confusão na minha cabeça e revolta até e então comecei AA tentar.
O que é que eu posso fazer para demonstrar isto?
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E eu começo a dar-me, ter muita influência por uns jovens que o papai não quis, mandar-me estudar
que tinham.
Clube de cultura do Sá, cavrense e convidaram-me, eu orava o analfabeto passo o termo.
30:27
Eu, entretanto, tentei ler muito e então abriram a mente, começaram a dar livros que eu não
conhecia.
Começaram a politizar-me de certo modo, não é.
Não haveria nenhum, nenhum partido político.
30:45
rico e do pobre.
30:52
Para saber, tinha uma ânsia de saber antes de saber.
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Queria para o Michel, quando, como lhe disse, e o meu pai, não faz nada para o liceu, vais para a
fábrica da louça.
Como?
Já falei para empregar de escritório e os empregado de escritório, mas eu eu não gosto números.
31:22
Mas tens que ir, vais para a fábrica e depois consegues.
Levariões para aqui, para a loja, aviar.
E isso aconteceu.
Aconteceu muito triste, mas passado pouco tempo comecei a perceber assim, bem, Ah, eu era paquete
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EEE pronto era.
A única coisa que eu fazia, simplesmente.
Comecei a dar-me muito com os artistas, os pintores, os escultores.
E era muito curioso, não era tímido e delicadamente fazia perguntas.
31:57
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Eu tinha muito medo.
Medo.
Quer dizer, era delicado.
Tinha era coragem.
De perguntar.
Nunca foi descarado assim, era humilde e então.
Houve um, especialmente um.
32:17
fotografias.
Secções operários, escultores e tal.
E houve um chamado Armando Mesquita, que me diz assim, ouve lá vai, nem sempre aí armados em
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Tu tens olho, mas não percebo nada disto.
Tu não percebes nada disto.
Tens olho, mas não percebes nada.
32:50
Tens uma intuição?
No fundo é tens uma intuição, sabes que há aqui qualquer coisa, mas depois.
32:59
Vai passas a ir ao meu atelier quer em sacavém para eu dar aulas de arte e composição.
As fotografias são todas equilibradas, têm conteúdo, mas têm forma de se reparar.
33:14
33:15
olha, isto é, regras de ouro.
Oo motivo principal tem que estar sempre do lado direito, porque a nossa vista tem tendência a olhar
para o lado direito, de forma que depois arranjas elementos de composição no lado esquerdo e tal.
33:34
Não quer dizer que isto seja rígido, mas tu adotares esse sistema, verás que as fotografias são mais
agradáveis, e.
Mas tu não tens máquina, vais a máquina, não, não, não vais a lado nenhum convences não vai a
33:50
Falei que não vai ser, não vá eu não, não, não vais nada tirar fotografias, tu tens que ser a
emergência do escritório e tal.
Fiquei muito zangado.
Andei em seca bem a saber quem é que tinha máquinas boas e então descobri que um senhor chamado José
Carvalho Carvalho muito mais velho que eu.
34:09
Objetiva, com objetivos, dá-se uma super econta não sei quê, e então.
Pedi ligar ao José Carvalho.
Sabe a natir aulas com o senhor Araújo Mesquita, que era um cdíssimo, senhor Nuno Mesquita, o meu
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Não sei que mais sei que o senhor tem uma máquina muito boa.
Acha que é possível emprestar-me e tal, está bem, pá, confio em ti e tal.
Fiquei assim tinha 12 anos, eu não tinha aí 13 anos nessa altura, já 1313 14.
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Mesquita baixar estás a ver.
E já tens assim umas noção, tens uma noção de composição.
Hã?
E então comecei a fazer fotografias.
Fiz logo uma fotografia ao Mesquita, claro, com a máquina do José Carvalho.
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Que assim, fica logo feliz para ver como é.
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Então tirei ali o os pescadores do Rio trancão.
Direitos.
Esses meus amigos, esses meus tios que vinham de áfricavam.
Levavam levaram-me nesse ano.
35:23
máquina do José Carvalho.
Fiz uma fotografia da minha, da minha prima, a rezar, encenada agora.
Mas vinha, vinha o raio de luz muito bonito, mais um vitral.
35:39
do Mesquita, não é?
E então vamos fazer as ampliações ou ampliava.
Mas era em pequenino, ainda não ampliava-o e não ampliava.
35:55
Mais tarde é que desenhei um ampliador, que está lá na exposição o meu desenho do ampliador, vi numa
revista qualquer.
Mais tarde é tive um ampliador em madeira.
E então concorri.
36:11
alpaca, me levei, mandei umas fotografias e então mandei umas fotografias.
Recebo um. 11.
36:27
E telefonaram me telefono.
Havia, não vieram televisão a dizer que havia uma entrega de prémios, eu que tinha sido premiado, eu
disse, oi?
Então lá vou eu cheio de expectativa, bem vestidinho, não é com convém e, de facto, já tinha fato na
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Casaco e calça, e.
36:50
36:52
Não, não as coisas.
Por fim, já tinha sapatos, quer dizer, não, não.
Quando fui da loiça.
Depois, como empregados, Vitória já tinha sapatos.
E os e os e os operários ao fim de uns anos?
37:08
O casamento talvez tivesse um casamento era qualquer coisa.
E então acontece que.
Chego lá diga-lhe 2 primeiros prémios e 2 segundos, assim não pode estar a acontecer.
37:25
Então a gente mais velho é que eu comprava-me, quiseram que eu ficasse no meio, essa fotografia
estava na exposição com uma data de salvas de prata assim, e então eu estava tão.
Eu tenho vergonha dessa fotografia tão inchado que estou assim, com uma pose percebe assim, de de,
37:46
claro que soube da história.
Foi no outro dia, logo ter com o meu pai.
Senhor engenheiro e agora você tem que comprar a máquina ao rapaz, tudo bem?
38:02
andar aí com a máquina a dizer Carvalho que é uma vergonha.
O meu pai ficou mesmo envergonhado, sabe?
Aquilo foi dito perante os operacional, comer sopinha, não é?
E então vai ver quanto é que custa uma máquina e tal.
38:20
Carvalho.
E gostava de mim.
Perguntava, sabia os preços das máquinas, não é?
Aí tinham eles, eram 2 sócios e tinham 2 filhos da minha idade que era Oo melhor Ferrari OOO Nuno
38:43
O Orlando.
38:50
38:55
E graças a ele é que eu fui.
Sempre com o Benfica jogava eu IA No No, no avião do Benfica.
Ele era o único que só a orfield ele e eu confiava em nós, já não o íamos fazer fotografias de
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vi Na Na exposição aquela.
39:23
39:23
É uma.
39:27
Que teve, teve.
As pessoas não imaginam as posições que eu fiz.
Os prémios giovannarem internacionais, eu ganhei cerca de 300 prémios.
39:35
39:37
Comecei a ser reconhecidos internacionalmente e comecei a ser convidado, inclusive para júris mais
tarde, para juros, para exposições.
Fiz exposições nos sítios mais mais mais esquisitos, mais esquisitos, não mais improváveis do mundo,
39:54
E então comecei a ganhar prémios, prémios, prémios, prémios, comecei a ser convidados, fui convidado
uma coisa.
Que, cá em Portugal, publicava notícias.
Por exemplo, uma coisa que eu fiz questão de pôr aqui.
40:09
E então comecei a ser convidado por ele. 5 fotógrafos mundiais.
Criam 5 fotógrafos do mundo e então eu tenho catálogos disso tudo.
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Ficou triste com isso?
Muito.
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Triste porque a imprensa mais tarde houve algumas coisas que o problema, as coisas sempre pequenas,
EEA televisão também fez.
Algumas entrevistas, mas isso já foi bom, mas.
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Sabe que, entretanto?
Não sei porquê.
Não, não.
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fiz ou antes que eu que eu ganhei foi no já foi em 2000 e. 2005 veio.
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Num, num, num, num concurso em em Pequim, a ganhei um o prémio especial do júri, e.
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Esteve?
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O que é que eu fiz?
Reportagens em 72 países?
Fiz fotografias e cenas pelos prémios que eu ganhei e por outras circunstâncias que estavam no
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E depois também, porque foi estudar o conselho da presidência.
Fui a Montes de países do ienes de países graças a isso.
Países que não é fácil ir, não é de forma que conheçam um pouco do mundo.
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Que tenha a melhor luz para fazer fotografia.
Não sei se podemos pôr a coisa acima.
Quer?
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Quer dizer, com tanta Riqueza, com tanta miséria?
Eu, a China.
A China é fantástica e é lindíssima e há partes que eu não conheço bem, só conheço a ti.
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Aquilo é fantástico.
Quer dizer, eu conheço a China, conheço a China saltar, fui à China a primeira vez, estive mesmo lá
à porta, quando ganhei o prémio da Canon e o primeiro da Canon.
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Zona asiática, digamos, Macau teve.
Macau também estava sob ocupação chinesa e não deixavam entrar na China.
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Tenho fotografias num livro chamado mulher, eu não não cabia ali, porque era não era em Portugal.
EE, tenho fotografias desses países todos e então comecei.
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Eu ganhei o prémio, não era?
Eu não estou filiado, nem quero nenhum partido político.
Mas o pravda em 2000 depois do 25 de abril. 2011 depois do 25, logo a seguir ao 25 de abril, eles
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44:00
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era ir 15 dias à União Soviética o prémio.
E então estive no subecostão.
Tive, tive a Montes de sítios na Sibéria e então quer dizer, eu fui simpaticamente controlado, quer
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Mas gostei de ir e conheci um grandes fotógrafos.
Estive na prova da claro e depois convidaram fazer uma inscrição.
Eu fiz botantes fodições.
Na União Soviética, fiz exposições Estados Unidos em em.
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Graças eu ter ganho, ainda não cheguei lá.
E então, quando há esse grande concurso, eu concorro, que era considerado um concurso do mundo, quer
dizer, com mais concorrentes.
45:04
Havia um prémio atribuído pela.
Pelo júri.
Eu, eu todos os prêmios, mas havia 1111 prémio que o júri devia de escolher a melhor fotografia para
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E então, o Roberto colégio, que era o presidente do júri, escolheu a minha fotografia que está lá
na, na, na exposição em fotografia, que.
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Está lá com os chaminé de Barreiro e tal, é assim, muito escura.
E então ganhei esse prémio.
Para mim é coroa de Glória, não é com tantos com tantos concorrentes e tantas fotografias cá em
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Saiu a notícia de 10 linhas, quer dizer.
Uma persona não grata, sente-se, teria para meter visitar, ir num sítio ou começaram AA pôr.
A.
Colar-me.
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aquilo que fez o partido comunista por este país, não mataram ninguém e lutaram.
Têm tido o seu chapéu, mas sem nunca virei nenhum partido nem perfil.
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Não sei porquê.
As notícias já não era.
As mesmas eram não me ligaram.
Seria inveja?
Não digo que seja inveja.
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Pagou o preço da sua Liberdade de individual?
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Não, não, não.
Eu assim eu quero ser independente.
E assim, ninguém me pode acusar que eu faço essa fotografia por isto ou por aquilo.
Faço essa fotografia porque me sensibiliza.
Quero denunciar uma situação.
46:54
aduchavam, pelo menos no interrogatório que me fizeram na pide, que eu dava uma má imagem de
Portugal, que só fotografava pessoas humildes, pessoas humildes, porque é que eu não fotografava
47:12
Nós temos paisagens tão bonitas.
E eu disse, olhe, desculpe, eu, eu, eu não gosto de paisagens e gosto de ver, mas eu eu prefiro
fotografar Oo ser humano quer dizer, as suas lutas, as suas.
É as suas expressões e a sua, as situações, de forma que eu não, não sou comunista como estão a
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Não sou de nenhum partido, simplesmente eu como português e fotógrafo EE jornalista, eu acho que
devo de comentar o meu país.
47:41
Suja num beco escuro que que nos que nos interroga, que nos que nos que nos faz perguntas, não é?
47:54
Portugal não conhecia bem Portugal.
Os portugueses não conheciam bem Portugal.
Eu sei que ilustrado foi o veículo fantástico para os mostrar a Portugal real.
E então, a minha e, especialmente quando foi para lá um para o século ilustrado, um diretor tinha
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Foi o Chico mata, doutor Francisco mata.
Começaram, se a fazer reportagens fantásticas.
Antes disso, era só OOOO Américo Tomás, com os netos, o Salazar, férias, coisas assim.
48:29
foto de Salazar a olhar para para o mar, para o Rio.
48:39
48:41
Aquela foto?
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Era só naquelas coisas oficiais.
Bacalhau de comprimento, eu tenho lá uma do do Eusébio, aqui ele a condecorar, o Eusébio, essa é
gira também é.
Era a única possibilidade, como só tinha de aproximar do Salazar.
49:01
É livre das histórias.
Devo ter posto na rua porque não estava no sítio certo?
E então acontece que.
O salvar era muito protegido, claro.
E então, lembro-me.
Essa fotografia tem uma história, porquê porque todas as redações receberam a notícia que o senhor
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passar a regata de veleiros, não sei quê, a gente vai.
É tão difícil ter acesso a ele, isto vai vai ser bom.
49:39
Salazar Salazar.
Tenho aquela.
E então quando ele, quando ele está de Costa, assim, agora que é um homem só.
Então faço 2 fotografias.
Só ele depois vira-se, põe o chapéu e já não tem piada.
49:57
50:02
E então claro que levei você é cliustrado.
A fotografia dele a veio a passar o sumelei os veleiros, mas eu depois concentrei-me só nele e então
fiz 4. 5 fotografias eu tive ali um bocadinho.
Depois, virou-se.
50:18
Tenho ele até olhar para o mas era muito.
Interessava nada aquela imagem que tem uma carga fantástica e de forma que Ah.
E então se reparou na imagem?
Lá está.
As lições que eu recebi do urbano Mesquita o equilíbrio de formas se realizar esta no sítio certo?
50:41
não é a mesma coisa, é porque aquela linha conduz conduz a ele.
Se reparares vir aqui.
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Não estou aqui se eu não tenho tido elas, Artem, como se continuava a fotografar, se calhar quer
dizer, Oo conteúdo humano que eu gostava de fora, mas não era a mesma.
51:12
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E quando o senhor está a fotografar, às vezes mais são um passo à esquerda, ou um ou um passo à
direita para as coisas serem diferentes e ter um feeling do que vai acontecer a seguir.
51:32
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Muitas circunstâncias.
Que me aconteceu, por exemplo?
Quando foi o Fernão de Salazar?
Fernão de Salazar.
Eu?
51:49
Bom, a reportagem que saiu no sétimo federal tudo o que aconteceu, mas eu, por exemplo, vinha cá
para cima, fazia fotografias com a objetiva, só as botas do Salazar EEOEEEOEO índice, não saíram.
52:06
Tudo, aquela gente toda, as pessoas que iam lá ver têm uma pessoa a ver cachimbo, que é aqui que é
um miúdo que está.
Que está de?
Costas mas é um miúdo que tem um problema com uma, está com uma bengala.
52:23
Depois, se eu tenho já o Marcelo Caetano que tu via, gira, mas.
A melhor situação é é eu.
52:38
governanta, não é?
Todas, acho que todas as pessoas sabem que a Maria.
Em sabendo, criava galinhas para vender.
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Eu ao último dia e nesse nessa noite iriam fechar o caixão.
Que era o caixão EE quando a mim o mau profissionalismo.
53:21
Não havia lá ninguém.
Aquilo era à 1 da manhã.
As pessoas tinham, acharam que era melhor dormir, não é?
Mas eu mantive até às tantas falar lá com o cangalheiro, disse, ó, à 1 da manhã, a gente fecha casa
53:36
E então lá está a urna com o Salazar e lá estão 11.
Corredor dos gajos da legião, depois PIS 2.
Eles, claro, entre entre falados estão está bom?
Agradeço EE, eu, cá atrás, nunca avancei.
53:55
O caixão ser fechado e levanto.
E então AA Maria agarra assim, No No menço aparece a cara do Salazar, uau e agora muito mal,
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E a cara de coitada já estava com um mau espetro.
E então e depois dá-lhe o género, dei-lhe um beijo.
E então, já vamos dar AA sequência?
EE, tiro mais 2 fotografias, de repente, agarraram-me puseram-me na rua, escreveram não fotografias
54:32
Eu vi-me logo embora, claro, antes, tinham-me, roupassem o Rolo, e então essas pessoas nunca puderam
ser publicadas, é lógico, e só depois do 25 de abril já lhe vou mostrar.
E então outra fotografia que nessa altura saiu, eu vestia um palanque quando saísse o caixão, os
54:49
Para para controlar ali naquele palanque.
Se quer vir, se queres fotografar, tens que ir para ali.
Zé, muito obrigado, mas eu não fico cá, estar em baixo, mas eu.
Mas tu não consegues segurar porque eu também ando por aí.
55:04
E então eu comecei a pensar, ora bem, eu sai dali dos jerónimos, depois está ali o governo.
Vai passear à frente do governo, é lógico, e.
EE os fotógrafos são todos cada do lado de lá e eu vou.
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Quando eu olho para aí, faço mais dúzia de fotografias.
E acabou.
É a melhor fotografia porque apanho o os soldados com com com o caixão e apanho todo o governo.
55:42
As coisas acontecem, aconteceram.
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Há há uma, aquilo que.
Que eu vejo nas suas fotografias e que e que mais admiro são os retratos, são as fotografias que fez
de múltiplas personalidades que retrato mais gostoso de ter tirado.
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Ora bem, eu conhecia as as pessoas.
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Sabiam que eu não IA.
Tramá-los.
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Está descontraído, nunca.
56:36
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E então é preciso criar confiança com o fotografado.
E eu conhecia as pessoas todas e já tinha privado com elas.
EE, então eu.
56:53
Só de retratos.
Sem de acorde nenhum, o fundo vai ser preto e depois o senhor.
Ah, eu procurava saber o máximo de cada personagem, jovanias as coisas que eles gostavam, que não
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Que deveria fazer para mostrar a outra face da pessoa?
57:25
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Tinha que falar com pessoas próximas deles, conhecia menos bem.
Eu conhecia-os, mas não saber se deu manias, se se gostavam disto, gostavam daquilo.
E o procurei saber o caso do Ian.
57:44
E então o meu das coisas é que eu fui fotógrafo da presidência da República e digo, eu inicialmente
aceitei pensando que devia ser de chato.
57:59
presidentes.
Eu lembro-me uma vez em Washington, que estava eu a fotografá-lo no Jardim da Casa Branca com o
Reagan.
58:14
Eu fiquei assim um bocado nervoso.
Não corriga presidente Agra, aqui o Eduardo gageiro.
É nosso fotógrafo e é meu amigo.
E já ganhou uma medalha dura em Washington.
58:31
Estou no tenho uma fotografia no meio do regan e do ianes assim e depois mandaram.
Foi o fotógrafo feito pelo fotógrafo da Casa Branca, assinado pelo riga e com uma carta assinada por
ele também a.
58:49
O iene era assim e então uma pessoa do humanismo não quer saber identifico-me.
Nascemos com 1 mês.
Ele tem o mesmo, é mais que eu fiz agora anos esquecemo-lhe o dia teve.
No dia 26 esteve na cordoaria e tinha feito na véspera esqueci-me e então.
59:11
E então lembrou o Ian, homem de rigor, o homem não lembro.
Eu sabia que ele colecionava os relógios e então e lá vem o fundo preto.
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E então?
59:33
Não me parece falsa, é isso que permitem de de.
59:39
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possível.
Não, não vai trabá-la, quer dizer, é um homem, é homem, honesto, pronto, modéstia à parte.
E então acontece que então quer dizer, como é que vamos fazer a fotografia e tal?
1:00:05
O senhor presidente, eu quero fazer.
Bom, bem com as lojas.
Será um homem de rigor, como será?
E é verdade, de rigor, na forma que nada melhor do que um relógio e as são relógio, bonitos e são
1:00:26
Senhor presidente, vai sentar-se aí tal, pegar aquilo o fundo preto propositadamente para se ver que
não, que que é de propósito.
E então.
Então, o que é que eu faço?
Bom, bem que vai ficar ver um relógio como seja um relojoeiro.
1:00:48
E então lá tem ele com a lupa.
E ele adorou a fotografia, está a ver ele.
Eles continuaram a fotografia a mais difícil.
1:01:05
em mim chapado senhor para Lisboa com luz de boxe.
Ninguém acredita, mas se é uma fotomontagem, estou chapalimo e.
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1:01:24
Ele conhecia o meu pai porque o meu pai, quando era era muito jovem, tinha sido empregado ali ao pé,
onde eles tinham um Palácio ali na Estrela.
Eles são pai de miúdo e eu já o tinha visto antes, já tinha dito quem era.
1:01:42
E então nessa altura da fotografia?
Ele combinou comigo, foi o foi prático.
Logo a secretária disse, olha, ele recebeu a sua carta.
O gajo lhe diga, quando é que pode vir cá?
1:01:58
Eu queria fotografá-lo.
Pois ainda bem, porque ele foi, vai para o Brasil e tal.
Então, apareço lá Ah, fui ter com um amigo meu que.
Tinha uma casa de artigos de desporto e eu disse, eu falo, parecem-me umas luvas de boxe, mas vais
1:02:21
Não pões lá com saco com letra transparente.
1:02:30
1:02:31
então começo AE só para a pessoa descontrair, não é fácil.
E então falar com ele sobre isso, sobre aquilo e aquilo, tipo fotografia e fiz e agora faça isto,
1:02:51
E disse, ó, gajo, era era isso que eu queria.
Para quem são aquelas luvas de boxe?
Era o que eu queria.
Ora, ó senhor doutor, ó, ó, ó, vocês sabem, eu ainda eu falei nisso, isto foi intencional desde já,
1:03:07
É para ficar com o Júlio Roque porque o senhor é um homem de luta.
Eu estava a ser sincero para ele, hã, é um homem de luto, o senhor nunca perde o senhor Oh, o gajo,
olha com este corpinho que eu tenho já viu, se não interessa, eu fui leal para ele, interessei a
1:03:26
É uma pessoa e era.
1:03:30
No coração, no fundo.
1:03:32
Ou seja, pegam menos nas ruas, ele não.
Ah, não quer dizer, não faço isso, Ah, pegam menos nas luvas.
Pegou sim, já está.
Quer dizer, agora, calma, eu não calço álcool, já, não faço.
1:03:48
Ele disse que sim, então, calce, ninguém vai ver as fotografias.
Anão ser eu e o senhor.
E então, e começou a embarcar, Ah, desculpa, começou a embarcar no jogo, no jogo.
1:04:06
Agora há de fazer agora, não sei quê.
E fiz uma data de gorros.
EE fiquei feliz, cheguei a casa.
E cheguei tarde, tinha.
Tinha feito os golos, revelado os golos, mas não estavam ampliados que sempre uma carta, um telefone
1:04:25
Que vi que era 11 telefonema de última hora, digamos, o gajeiro.
O senhor se apalinou e disse que vai para para o Brasil.
É amanhã de manhã e só vai EE depois, se houver.
1:04:43
De forma que ele diz, vou não publicar as fotografias.
1:04:47
1:04:47
primeira pessoa a ver é ele, então.
Vê logo assim?
Ai, aqui não é?
E então é ele.
E então nessa noite faz qualquer as ambições todas ai, disse ao telefone, eu amanhã de manhã estou
1:05:06
levo umas provas e convencer logo a senhora, e não estava a mentir que ele estava bem e então foi.
1:05:21
A elogiar as fotografias.
E depois o senhor valeu.
Então está a ver que está bem, está bem, é um homem de luta.
O homem que não perde o homem, não sei quê.
1:05:37
Pode sim, senhora, pode publicar.
Então publico as fotografias, faço um livro, mando-lhe um.
A oferta, não com uma dedicatória, manda manda-me o preço do livro, manda manda-me um cheque com o
preço do livro.
1:05:53
1:05:54
1:05:56
que são.
Que que nem vale a pena contar sobre o não.
São muito, muito agradáveis.
É uma pessoa que está.
A exposição a fotografia, por exemplo.
1:06:18
Ele era primeiro-ministro e eu falei-lhe com com o Fernando Lima, que era assessor.
É assim, olha.
Falei no segundo, ele falou, disse que sim, senhora, que ele tinha aceite.
1:06:34
Olha com aquele traje-o de Iorque, de professor de Iorque.
Por acaso que lhe fica muito mal.
Eu ficava muito mal, mas o que acho que era pronto, o professor.
1:06:45
1:06:49
E então vou para lá de manhã todo encandado da vida e tal, e não sei que mais olha, já não quero
tirar a fotografia com um professor de Iorque.
É pá.
Agora, assim, de repente.
Não vou arranjar o dedo, não te preocupes que ele já tenha ideia.
1:07:06
Telefónica a mandar o país.
E ele, assim.
E então eles trouxeram.
Tenho fotografias disso com a cabine telefónica.
Assim não tinha gravata, encomendaram o país.
1:07:22
1:07:24
Não conseguiu fazer aquilo que foi captar no fundo, a alma daquela pessoa da alma.
Não estamos.
1:07:33
Sim, já vi que é um homem todo engoadinho com o telefone na mão e com as cavidas penduradas a quando
andar no.
1:07:41
AA foto da Amália Rodrigues.
1:07:49
Que elas colaborassem.
E o caso da Amália é um caso especial, porque eu tinha muita intimidade com ela, porque o diretor
era muito.
1:08:05
EE sempre que alguma revista querer fazer fotografias Internacional, querer fazer fotografias da
Amália, contactava, me era aquela fotografia que custou, que está lá.
1:08:24
voltar à estamos a falar da Amália.
E então, acontece que já há uns anos depois, quando andava a fazer o livro revelações que é aquela
dos retratos, lembrei-me.
1:08:42
E ela começa a funcionar, começava, coitada.
Ela realmente muito cordial.
À 1 da manhã lá, combinámos à hora da manhã, já que sou de uísque e então começo a fazer fotografias
1:09:00
E então por fim, já não sabia o que é que queria fazer com guitarra sem guitarra fiz a cores, fiz a
preto e branco, fiz anão sei quê.
Aí então, por fim, eu digo-lhe assim, Oh Malia, vamos fazer relembrando-me agarro a guitarra.
1:09:17
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1:09:21
E repara EP.
E penso numa pessoa que gosto muito.
Veja a expressão que dá ali.
1:09:31
1:09:32
A gente já vai rever?
E então ele.
É pá.
Ela está com uma intensidade.
Há aqui qualquer coisa, clique não, pois fiz 2.
1:09:48
Gostava de lhe fazer uma pergunta?
Espero que você não fique zangada não vai chegar à vontade em quem é que estava a pensar.
Na minha mãe e em Deus.
1:10:06
Perceberá melhor o que eu estou a.
1:10:11
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Um Portugal que as pessoas estavam à espera no 25 de abril, feliz.
Que não haja fome, que as pessoas tenham casas.
Mas hoje vivam com Alegria.
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Que querem?
Portugal, EE.
Muitos outros países vejam o caso da Argentina, volta ao fascismo é.
Isso é gravíssimo.
1:11:03
É gravíssimo.
Os os portugueses é o que está por esse mundo fora que é mesmo na Europa.
E.
E na Europa e no mundo, veja o que está a acontecer em Israel, o que está a acontecer na Rússia, o
1:11:19
É esta?
Onde é que está o humor pelo próximo?
Onde é que está o humanismo das pessoas?
O.
1:11:27
mundo democraticamente liberal, aberta, que respeita os direitos humanos e preserva a diversidade, e
um outro, um outro pólo, mais totalitário, mais opressivo, menos livre, que parece estar a
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Há que permanecer alerta e atento.
A democracia sabe-me tão bem, afinal, a Liberdade.
É o valor maior.
Descobre mais
By Jorge CorreiaO 25 de abril de 1974. Celebramos, este ano, os 50 anos da Revolução dos Cravos
O ano do advento da Liberdade.
Esse dia foi retratado por um dos mais célebres e premiados fotojornalistas portugueses: Eduardo Gageiro.
Encontrei-o num sábado na exposição de múltiplas fotografias que tirou desde 1957.
Exposição na Cordoaria Nacional aberta e gratuita até 5 de maio.
Esta conversa tem luz e sombra.
É desse contraste que se faz a narrativa do Portugal contemporâneo.
Esta edição é um testemunho da história.
Viva a Liberdade
(00:05:27) Convocado para a Revolução Eduardo Gageiro é convocado para fotografar a revolução.
(00:06:50) Encontro com Salgueiro Maia Eduardo Gageiro conhece o comandante Salgueiro Maia.
(00:07:49) Tensões e negociações Eduardo Gageiro testemunha negociações e tensões durante a revolução.
(00:09:34) Medo e experiência anterior com a PIDE Gageiro relembra o seu medo e a sua experiência anterior com a PIDE.
(00:12:44) Momento de confronto Descrição do momento de confronto entre Salgueiro Maia e a cavalaria sete.
(00:14:39) A possibilidade de disparo evitada Eduardo Gageiro descreve o momento em que a possibilidade de alguém disparar um tiro foi evitada.
(00:15:52) Exposição em Barcelos Eduardo Gageiro fala sobre uma exposição e um colóquio com participantes do 25 de abril.
(00:17:26) O momento decisivo Conversa sobre um momento crucial da revolução e a relação pessoal entre dois homens.
(00:18:53) Fotografando Salgueiro Maia Eduardo Gageiro descreve a sua experiência fotografando Salgueiro Maia durante o 25 de abril.
(00:20:42) Desaparecimento das fotografias Discussão sobre o desaparecimento de fotografias importantes do 25 de abril.
(00:22:52) Fotografia simbólica Eduardo Gageiro descreve uma fotografia simbólica do Salazar na sede da PIDE.
(00:25:02) Paixão pela fotografia Eduardo Gageiro fala sobre a sua paixão pela fotografia desde jovem e sua influência social.
(00:27:22) O mundo desconhecido Eduardo Gageiro descreve a perplexidade ao descobrir a corrupção na distribuição de alimentos durante a sua infância.
(00:29:27) Influência e politização Gageiro fala sobre a influência de pessoas e livros na sua politização e formação como fotógrafo.
(00:30:30) Início na fotografia Gageiro conta como começou a fotografar e recebeu orientações de um mentor sobre composição e técnica.
(00:35:30) Primeiros prémios Gageiro relata a sua experiência ao ganhar o seu primeiro concurso de fotografia e o impacto disso na sua carreira.
(00:39:00) Reconhecimento internacional Gageiro discute a importância dos prémios na sua carreira e como isso o levou a ser reconhecido internacionalmente.
(00:39:20) Mudanças após o 25 de abril Eduardo fala sobre como a sua visibilidade mudou após a revolução.
(00:40:46) Viagens e prémios internacionais Eduardo descreve as suas viagens pela China, Índia e outros países, e seus prémios.
(00:43:23) Prêmio do Pravda Eduardo conta sobre o prémio que ganhou do jornal oficial do partido comunista russo.
(00:45:16) Persona non grata Eduardo fala sobre como se tornou “persona non grata” após se filiar a um partido.
(00:46:39) Documentando Portugal Eduardo explica a sua preferência por fotografar o ser humano e as lutas do país.
(00:47:54) Fotografia de Salazar Eduardo compartilha a história por trás de uma fotografia que tirou de Salazar.
(00:50:26) Estética na fotografia Eduardo discute a importância da estética e do equilíbrio na fotografia.
(00:51:51) Fotografando o caixão de Salazar Eduardo Gageiro descreve a sua experiência fotografando o caixão de Salazar e a reação das autoridades.
(00:55:53) Retratos de personalidades Gageiro fala sobre a importância da confiança para capturar retratos autênticos e destaca o retrato de Champalimaud.
(00:58:36) Fotografando o presidente Gageiro descreve a sessão de fotos com o presidente, incluindo a persuasão para usar luvas de boxe.
(01:01:12) Desafios na sessão de fotos Gageiro conta como convenceu o presidente a usar luvas de boxe e a interação durante a sessão de fotos.
(01:04:36) A luta pela publicação das fotografias Eduardo Gageiro fala sobre o esforço para convencer a senhora a publicar as suas fotografias.
(01:05:43) Histórias engraçadas e desagradáveis O fotógrafo compartilha experiências divertidas e desagradáveis ao fotografar personalidades.
(01:06:33) O desafio de fotografar um político Gageiro revela a dificuldade em capturar a essência de um político durante uma sessão de fotos.
(01:07:29) A força da fotografia de Amália Rodrigues O fotógrafo destaca a intensidade e a expressão da famosa fadista portuguesa nas suas fotografias.
(01:09:08) Fotografando com energia e emoção Gageiro descreve o processo de fotografar Amália Rodrigues com intensidade e emoção.
(01:09:46) Reflexões sobre o futuro de Portugal Eduardo Gageiro expressa as suas preocupações e desejos para um Portugal melhor e reflete sobre questões políticas globais.
Liberdade.
Subitamente passaram 50 anos.
Para quem nasceu em finais de 1971 o 25 de abril é vivido pela memória dos familiares e dos amigos mais velhos. Depois lido em livros, recortes de jornais na hemeroteca por alturas do curso de jornalismo.
Há ainda as memórias do antes.
Da vida censurada e sem liberdade de expressão. O medo dos bufos e da PIDE, Do risco ou realidade de ir parar a guerra colónial. Das fugas a salto para emigrar para a França ou Alemanha.
Em busca de uma vida melhor.
E depois, o dia da celebração da Liberdade.
É desse dia que me ficam os relatos e retratos das testemunhas profissionais: os jornalistas e os fotojornalistas.
As reportagens com a voz de Adelino Gomes, que retratou na palavra o pulsar desde dia. Do 25 de abril de 1974, na rádio.
E das eternas e mágicas fotografias de Eduardo Gageiro.
Captando o olhar de Salgueiro Maia. Ou o seu morder do lábio para não chorar.
Seria medo? Seria alegria?
Estas fotos tem tudo. Do mais humilde ao mais grandioso. Há uma portugalidade intrínseca e emanente nessas imagens.
Tal como estão expressas nas reportagens fotográficas do Portugal muito pobre do antes. As imagens inesquecíveis das crianças sujas e descalças no meio de caminhos duros e casas cinzentas.
O retrato do Portugal escondido. Da desigualdade estrema.
Gageiro viu os operários sem sapatos da fábrica de Sacavem e os visitantes nocturnos vindos do casino, homens bem-vestidos e acompanhados pelas suas amantes, a quem o pai organizava banquetes onde havia todos os sabores e alimentos que inversamente eram negados aos que não pertenciam ao clube.
Havia o bacalhau do contrabando e sabe deus mais o quê. Havia tudo do bom e do melhor, mas apenas para alguns.
Essa desigualdade ainda preocupa Gageiro.
O fotografo que também retratou o glamour dos nossos maiores: há Amália, há Eusébio, há os poetas, os politicos, os poderosos, o povo.
Os muito ricos. Os muito pobres. Os intelectuais. Os trabalhadores da força de braços. Os músicos e os escritores. Será esta mistura um vislumbre da alma na não portuguesa?
Há Sofia de Mello Breyner que escreve em 4 estrofes tudo sobre o 25 de abril:
“Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo.”
Esta conversa foi para mim um privilégio.
E um gosto poder partilhá-la com todos.
Espero ter conseguido entender tudo o que me disse
TRANSCRIÇÃO AUTOMÁTICA
Bem-vindos ao pergunta simples o vosso podcast sobre comunicação, sobre comunicação e, sobretudo, o
resto sobre a vida, sobre as histórias, sobre a história, logo este ano em que celebramos 50 anos do
25/04/1974, o ano do advento da Liberdade.
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gageiro encontrei-o num sábado na sua exposição de múltiplas fotografias, que tirou desde 1957
exposição na cordadoria nacional.
Está aberta até 5 de maio e é de entrada gratuita.
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É deste contraste que se faz a narrativa do Portugal contemporâneo.
Esta edição é um testemunho da história.
Viva Liberdade.
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O 25 de abril é vivido pela memória dos familiares e dos amigos mais velhos e depois lido em livros
ou em recortes de jornais, na embroteca por alturas do curso de jornalismo.
Mas há ainda as memórias do ano.
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de ir parar à guerra colonial, das fugas assalto para emigrar para a França ou para a Alemanha em
busca de uma vida melhor e depois o dia da celebração da Liberdade.
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fotojornalistas, as reportagens com a voz de Adelino Gomes, que retratou na palavra.
O pulsar desse dia do 25/04/1974.
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Oo seu morder de lábio para não chorar seria medo, seria Alegria.
Estas fotos têm tudo, do mais humilde ao mais grandioso.
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portagens fotográficas que fiz do Portugal, muito pobre do antes, as imagens inesquecíveis das
crianças.
Sujas e descalças, no meio de caminhos duros e casas cinzentas, o retrato do Portugal escondido da
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sapatos da fábrica de sacavém, ou nos visitantes noturnos vindos do Casino, homens bem vestidos e
acompanhados pelas suas amantes, a quem o pai organizava banquetes onde havia todos os sabores e
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Havia, por exemplo, o bacalhau do contrabando.
E sabe Deus mais o quê?
Havia tudo bom e do melhor, mas apenas para alguns.
Essa desigualdade ainda hoje preocupa o fotógrafo, que também retratou o glamour dos nossos maiores,
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muito, muito pobres, os intelectuais, os trabalhadores da força de braços, os músicos e os
escritores.
Será?
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Há, claro, Sofia de Mello breyner, que escrevem 4 estrofes, tudo sobre o 25 de abril.
Volte citar, esta é a madrugada que eu esperava o dia inicial inteiro e limpo onde emergimos da
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Esta conversa com o Eduardo gageiro foi para mim um privilégio e um gosto poder partilhá-la com
todos.
Espero ter conseguido entender tudo o que me disse.
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pensar.
Mas Eduardo gageiro, o Eduardo gageiro.
E se eu falar das míticas fotos do 25 de abril está apresentado.
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Te levou-me um amigo do século porque havia muito, muita gente a trabalhar No No século, os
linotipistas os gráficos muito politizados e sabiam.
5:05
Estavam.
Estavam todos à espera.
Não é porque já tinha havido aquele movimento da escalda.
Que eu fotografei também.
Mas não, não me está enganando.
As fotografias são banais e então, naquele dia, falaram-me aí às 5 e tal da manhã.
5:23
5:27
5:30
De um século século, e então lá fui.
Com 20 rolos, era o que eu tinha na altura e entrei.
Eu moro aqui em sacavém eu fui pelo lado de cabo ruivo, claro.
5:49
EE, eu tento entrar e há um que me diz, não pode passar, não pode passar com o nosso comandante, não
quero que deixe passar ninguém.
E eu coloco um descramento disse assim faz favor leva-me ao comandante, que eu sou amigo do
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E então ele, coitado, muito humilde, me disse levemente senhor ao comandante que é amigo do
comandante, então lá fui eu e já está já cá estou dentro, não é?
Então apresentei-me uma pessoa que eu não me conhecia.
6:25
Era o quadrante.
Eu também sei que você é.
Desculpe mandar, mas como é que sabe quem eu sou?
Que eu por todas as semanas, o séculos grave e conheço o seu trabalho e gosto muito das suas
6:44
Você é um homem que fotografa o povo, fotografa não sei quê e tal.
Eu fiquei.
6:48
6:50
EE dizia, então agora podes andar comigo à vontade.
E então, onde é que desde as 6 da manhã que o Salgueiro banha, tu vês?
Ninguém tem.
Nem via rádio, nem televisão, nem outros colegas.
Meus fotógrafos, ninguém, tudo julgo.
7:07
Porque mais tarde vi os meios mais longe, muito hoje eu estava ali no coração da revolução.
7:13
7:14
Da última vez?
O pai de Anselmo não queria aderir ao movimento nem nem queria render-se.
E então eles levaram essa fotografia na exposição.
7:31
Ele levava um revólver dentro do casaco.
Está ele com a rola na mão até lá na exposição.
Estava à paisana e.
EOO Salgueiro mar leva uma Granada no bolso de trás.
7:46
7:48
provado que não é, nem sempre é assim.
E então, da última vez que estavam desesperados que o outro não, não aderiu parte da selva.
E então?
8:04
Rede-se ou dera o movimento, mas fica em voz, graus ou naquele.
Ou põe o caixa de grande intenção, não é EE outras sempre sempre com eles.
E então ele diz, não, não rede nem direito ao movimento prendam-me.
8:24
Ponho a máquina à cara, diz-me sobre a minha palavra de honra.
Isto era uma aldeia.
Toda a gente se conhecia graças ao 7 diversidade.
Eu era conhecido, gaja e submetiras uma fotografia.
Eu mate-te, e claro que não me matou, não é?
8:42
modo, quer dizer.
Quer dizer, desiste e tem que se entregar.
Foi.
Foi um homem com grande dignidade posteriormente.
Uns anos depois estava eu muito mal, com linfoma e estava prestes a morrer.
8:59
passas do Algarve.
Para essa conversão, porque por ele, ele está do do lado de lá.
O que me condou não foi bonito, sabe?
9:15
E por aquilo que ele contou, não foi honrado.
Trataram-me muito mal.
EOOOO patati, disseram-me.
9:24
Estando lá desde a primeira hora na revolução, tive medo.
Que que emoções experimentou neste dia?
9:34
quando estava quando estava em qualquer reportagem.
Eu lembro-me, por exemplo, quando Oo Salazar ou ou ou, como é que chama?
9:53
9:54
9:55
Merk macho, o Américo macho, fazia aqueles, aquelas conversas à nação e não sei que mais e então.
10:06
10:07
E então íamos, íamos todos lá, as pessoas de informação ou onde ele estava.
E então eu venho lá como todos os meus colegas.
E sabe quem é que vinha imediatamente, ombro a ombro comigo?
Moreira Batista, assim que era o homem da informação, Moreira Batista.
10:27
10:28
Do snh.
O homem que controlava, digamos, a informação.
10:35
10:37
E então, ó, Brown, eu fotografava-vos eu, eu fiz uma fotografia daquelas de poses a sorrir e não sei
quê.
E depois, como eu costumo dizer, só fotografava nos intervalos, só fotografava quando ele fazia
10:52
Fazia, quer dizer, tentava ser diferente.
Moreira Batista, eu lembro-me de uma das vezes, agarrou-me assim com o ombro, a gageiro, já não
posso ouvir essa máquina rua.
Era assim.
11:07
11:09
Como é que se fotografa?
Aquele.
Aquele dia consegue manter o distanciamento ou, pelo contrário, entrou?
Entrou dentro de dentro daquilo, dentro da história e deixou-se levar.
11:25
Quer dizer, eu senti que fazia parte.
De de um momento importante, EE, que possivelmente ainda não sabia nada e resolvido, IA ser
resolvido o futuro do país, e eu que tinha de certo modo, sofria entre aspas.
11:44
pessoas, não sofri nada, não é?
Tinha estado preso, inclusivamente eles odiavam-me e então estava feliz assim, hoje a culpa a partir
de agora é que eu posso ser diferente, vou vou ser livre.
12:00
sempre, mas quando surgiram os tanques da cabeleiria 7 que não estavam, ninguém estava à espera, que
é uma história que.
Ainda não foi bem contada.
12:17
das a pessoa que tinha.
A missão de ir à cavalaria 7, para que não saíssem aqueles aqueles carros.
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12:47
12:50
Do lado do do chamente que aquilo era uma brincadeira e eu aparece aqueles tanques, parece um
arranhacéus ficou tudo com medo, não é?
Inclusivamente as pessoas que estavam do lado da chamice Oo reldeiram mais e os outros militares, e
então as pessoas não perceberam, assistia as conversas, assisti às conversas e então éramos a
13:10
cabraia 7 é pá, ficou incluído disso, pá, eu não.
Sei que mais de forma que, porque porquê ninguém sabia.
13:26
discussão entre eles.
Eu insisti mais uma vez, digo, e então, o que é que tinha sido o Jaime Neves?
Tinha uma namorada no na, no elefante branco ou não sei quê, deitou.
13:45
E então pronto, estava tudo muito zangado com jáme Neves.
Foi quando realmente avançaram para o para a tanselmo a ver se resolveu um problema.
Para que eles se rendessem ou dirição ao movimento.
14:00
14:04
14:06
E então, quando as foram as histórias?
Sobre o que aconteceu?
Porque é que o cabo Costa.
Virou o canhão.
14:21
Não é?
O outro era Oo comandante ele era.
Não sei se era era sargento ou calma, se era o que tinha a missão de ir à frente daqueles daquelas
bizarmas.
14:34
Nós estamos na rude alfeifeite, é isso que estão frente a frente, a frente, frente a frente, e há um
momento em que há a possibilidade de alguém disparar um tiro.
14:47
14:53
14:54
AA cabo Costa.
Vira o canhão para.
Para o Tejo quer dizer, portanto.
15:09
Digamos, ficaram a mesma coisa.
E então que ele, naquele momento em que se ganha o 25 de abril?
Porque, na verdade, os depois os os militares vão do lado lá, aderiram e vieram ter com o grupo, o
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Eu tenho essa fotografia, está lá e tenho muitas mais.
E então foi esse o momento.
EE, depois falou-se que o sobre o cabo passa não ter disparado, mas nunca fui muito esclarecido.
15:47
exposição num sítio muito bonito.
Sítio antigo, que é o maior, não me lembro como é que se chama?
Esse edifício fantástico, então houve 11. 11 colóquio, talvez?
16:10
Vivos, claro.
E ainda lá estava Oo.
Como?
O Jaime, o Jaime Neves não teve, teve Oo homem da associação. 25 de abril, Vasco Lourenço, o.
16:32
Nunca muito que nunca foi muito esclarecida.
EE, depois estavam tudo o que pessoas ligadas à à revolução e depois estava Oo.
16:52
Ao meu lado ficou cabo Costa e ao lado do cabo Costa, ficou o Manuel da Silva, o Manuel da Silva.
17:08
Salgueiro era.
Era a bola, era que queixava à frente.
17:21
de abril.
17:27
Como você me fez uma grande confusão, aquilo não tem sido esclarecido.
Isso é o cabo Costa.
Diga lá.
Afinal, o que é que se passou?
Porque é que você não disparou?
Eu começo a sorrir e diz assim.
17:43
Disparar, e o pelo óculo.
Vejo aqui o meu amigo Manuel, o meu amigo.
17:54
17:56
Então eu IA matar o meu amigo Manuel.
A verdade é esta.
18:03
pessoal entre 2 homens.
18:13
18:19
18:20
Há mais de 100 pessoas, a plateia enorme, pessoas em pé e tal.
Estavam as pessoas mais importantes.
O 25 de abril, de forma foi dito, foi dito, isto é verdade?
25 de abril teria acontecido se não tivesse lá o anel do outro lado.
18:40
18:43
Fale-me de de de Salgueiro Maia.
Que que homem é este, que homem é que viu?
18:48
Não me ligaram.
18:55
18:59
A captar quer dizer, todo aquele movimento.
Detenção, que foi o 25 de abril, quer dizer, só falta das 11:00 é que aquilo acalmou com a prisão do
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19:18
E depois foi tudo lá para cima, para ao largo do Carmo.
E então eu também fui claro e tenho e tenho todas essas sequências.
Eu tenho uma, tenho uma sequência, tirada com uma olhe como objetiva, com uma máquina que está lá na
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Não tem objetivo é de 70 300.
Ninguém tinha porque a Canon dava 2 máquinas quando eu ganhei o prémio Canon e estive no Japão.
EE, de forma que essa essa.
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Quartel do Carmo, como estava Montes de sogras, mas ninguém tinha aquela objetiva, eu IA
fotografando, quer dizer, de repente, com 300, aproximava-me muito e tenho uma sequência.
20:11
Estou a tirar tudo o que se passa.
É então há uma sequência que OOO filho, o Miguel.
O pai do Miguel Sousa Tavares era o teco está em cima de uma guarita, com um megafone a falar e
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E dessa fotografia, o salgrama está em cima de um tanque e tenho isso tudo.
A partir daí desapareceu, tudo desapareceu.
20:36
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Um fotógrafo que trabalhava comigo, que eu levei para para o século.
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porque nós pode muitas vezes dizer a verdade.
20:57
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Eu não queria falar.
21:15
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Percebem?
Eu, eu acho.
É que as pessoas devem ser mais íntegras.
Uma pessoa que eu ajudei tanto, que trabalhava comigo, e depois ficar com coisas que não são dele, e
publicá-las e publicá-las.
21:30
Agora como é que era o processo?
Tirava fotografias.
Acabava o Rolo.
O que é que fazia o Rolo?
Guardou.
21:36
Nessa nesse dia.
Quer dizer, depois, ao fim de tudo, era 1 da manhã, fui para o século falar os golos, então acontece
21:52
A imagem 36.
Mas já estava mesmo no fim.
É aquela fotografia do pêlo em cuecas?
Era uma e tal da manhã do dia 25 de abril, quando aparece aquele tipo que foi bloqueado pelos
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E então, quando era?
O que querem despir ele?
Tinha uma pistola nas cuecas, e eu não tinha um fotograma, aquele é o último.
Até puxei.
O Rolo percebeu sobre a minha palavra de voz, é verdade, e depois fui revelar os rolos, e depois fui
22:29
Dormiu meia dúzia de horas.
E depois voltei no outro dia, outra vez, muito cedo, quase que não dormi, claro.
22:38
22:41
22:42
22:44
22:45
22:47
Vai a morder o lábio para não chorar.
Ele próprio diz que é a fotografia mais importante.
Eles, aliás, está e está escrito aqui no livro em que ele diz, o fulano tal tirou 11 fotografia em
que ele venha morder o lábio, e eu venho a morder o lábio para não chorar.
23:05
numa entrevista que ele deu ao Fernando Assis Pacheco, de forma que essa, mas há outra fotografia
23:21
Considero muito significativa, portanto é essa sogra mais que eu gosto e essa que eu vou descrever
eu fui.
O primeiro grupo de jornalistas que entrou na.
23:37
Entraram relatores, mas não entrou nenhum, nenhum repórter de imagem, nem nada.
E então tive uma sorte de verdade, que eu andava sempre em cima do acontecimento.
Entrei EE, fui fotografando e, de repente, vejo um soldado a tirar o retrato do salazara da parede.
24:03
Do Silva pais, que era o era Oo, diretor da pide.
O diretor da pide tinha usado Salazar por cima.
Vejo bem e ele está bota a casada em cima do do desse sofá a tirar o retrato.
24:21
24:22
Quer dizer, é, é a queda do regime.
Eu adoro essa fotografia, acho que são as 2, se alguém morder o lábio e essa tirar o retrato do
Salazar na.
Nas instalações da pide, são, para mim, são os mais simbólicas.
24:44
Sabia que um gesto seu me pode ajudar a encontrar e convencer novos e bons comunicadores para gravar
um programa?
Que gesto é esse?
Subscrever na página perguntasimples.com tem lá tudo.
25:00
subscrevendo no seu telemóvel através de aplicações gratuitas como o Spotify, o Apple ou o Google
podcast.
Assim, cada vez que houver um novo episódio, ele aparece de forma mágica no seu telefone.
25:17
Depois de se ter um momento tão elevado e tipo tão significativo em termos históricos, nos nos
25:32
umas tão significativas?
25:40
Sou a baixado de fotografia.
De forma que andar sempre uma máquina fotográfica, e.
25:51
Faz uns.
25:53
E então acontece que houve muita influência eu ter nascido em sacavém, nasci exatamente donde
estamos feliz da faca doce de sacavém.
26:07
Muito obrigada por me ter.
26:09
Onde?
Onde morava?
O morava?
Os meus pais.
Tinham um estabelecimento por baixo, onde onde os operários da faculdade da louça deixavam uma
eramita com sopa para a minha mãe aquecer.
Nessa altura, ainda andavam descalços.
Eu era muito miúdo, mas deixava aquilo muito estranho, não é?
26:27
Também andava o meu pai, não tinha assim tantas posso.
Andava com uma coisa que se usava na altura, umas altergatas, que tinham borracha por baixo e por
cima era uma lona azul.
26:39
26:41
Para a minha mãe aquecer a marmita, eu convivi com eles, ser junto jovem, isso fez uma grande
confusão.
E então há uma coisa que foi uma grande viragem.
26:58
E então já tinha os meus 10 anos.
Houve muito barulho por volta das 4 da manhã.
Nós.
Tínhamos uma casa por cima do estabelecimento.
27:14
Eu só conhecia o mundo de sacavém, os operários das pessoas que vinham a aquecer aqui, a marmita.
Muitos descalços não eram todos, já alguns já tinham essas 6 Alpargatas.
27:33
Às 4 da manhã desde e das mulheres muito bonitas.
Nunca que não sabia, não via televisão, sabia que havia mulheres tão bonitas, muito bem vestidas.
E homens também muito bem vestidos, que não tinha nada a ver com os operários que de manhã tinham cá
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Mas o que é isto?
Mas quando é este este mundo, eu não conheço.
E então, no outro dia o meu vai correr logo comigo, claro.
E então no outro dia, ó, pai, mas quem são aquelas pessoas?
Vais embora?
Pá, não, não, não, não, não te digo, não me chateies, isto era assim, não é?
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Por fim, o meu pai quando toma, então vou contar.
Então então, pai, diga-me, olha aquilo, são pessoas que vêm da batota do Casino Estoril.
Com com os seus amantes, e.
E depois outros são as vendidas do parque Mayer que os seus namorados.
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Mas então, onde é este na mesma mesa de sopinha, esta gente a comer o Belo bacalhau assado para o
pai.
Arranja, não se arranjava nada de comer.
E então o meu pai sabe.
Eu vou contar-lhes a história.
Que como é, como é que ele arranjava o bacalhau que não havia nas mercearias quase nada.
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desaparecimento dos fiscais.
Nem desejo geral de do desabastecimento é que arranjava o bacalhau.
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merceeiro, que recebia bacalhau vender ao meu pai.
Não vendia as pessoas.
Vendia o meu pai.
A própria, digamos, intendência, os fiscais, é provocar umas corrupção, e então é é frustrante, não
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E então também a pouca carne.
O meu pai arranjava, como dizia 10 anos nessa altura, mandava-me ir ali à pesada, bom que estamos a
ver daqui.
E então IA IA ter com o sargento faria, eu levava uma alcofinha e eles lá arranjavam os quilos de
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Já viu isso?
Era o Portugal dos anos 40.
Isso deu fez uma grande confusão na minha cabeça e revolta até e então comecei AA tentar.
O que é que eu posso fazer para demonstrar isto?
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E eu começo a dar-me, ter muita influência por uns jovens que o papai não quis, mandar-me estudar
que tinham.
Clube de cultura do Sá, cavrense e convidaram-me, eu orava o analfabeto passo o termo.
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Eu, entretanto, tentei ler muito e então abriram a mente, começaram a dar livros que eu não
conhecia.
Começaram a politizar-me de certo modo, não é.
Não haveria nenhum, nenhum partido político.
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rico e do pobre.
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Para saber, tinha uma ânsia de saber antes de saber.
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Queria para o Michel, quando, como lhe disse, e o meu pai, não faz nada para o liceu, vais para a
fábrica da louça.
Como?
Já falei para empregar de escritório e os empregado de escritório, mas eu eu não gosto números.
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Mas tens que ir, vais para a fábrica e depois consegues.
Levariões para aqui, para a loja, aviar.
E isso aconteceu.
Aconteceu muito triste, mas passado pouco tempo comecei a perceber assim, bem, Ah, eu era paquete
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EEE pronto era.
A única coisa que eu fazia, simplesmente.
Comecei a dar-me muito com os artistas, os pintores, os escultores.
E era muito curioso, não era tímido e delicadamente fazia perguntas.
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Eu tinha muito medo.
Medo.
Quer dizer, era delicado.
Tinha era coragem.
De perguntar.
Nunca foi descarado assim, era humilde e então.
Houve um, especialmente um.
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fotografias.
Secções operários, escultores e tal.
E houve um chamado Armando Mesquita, que me diz assim, ouve lá vai, nem sempre aí armados em
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Tu tens olho, mas não percebo nada disto.
Tu não percebes nada disto.
Tens olho, mas não percebes nada.
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Tens uma intuição?
No fundo é tens uma intuição, sabes que há aqui qualquer coisa, mas depois.
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Vai passas a ir ao meu atelier quer em sacavém para eu dar aulas de arte e composição.
As fotografias são todas equilibradas, têm conteúdo, mas têm forma de se reparar.
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olha, isto é, regras de ouro.
Oo motivo principal tem que estar sempre do lado direito, porque a nossa vista tem tendência a olhar
para o lado direito, de forma que depois arranjas elementos de composição no lado esquerdo e tal.
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Não quer dizer que isto seja rígido, mas tu adotares esse sistema, verás que as fotografias são mais
agradáveis, e.
Mas tu não tens máquina, vais a máquina, não, não, não vais a lado nenhum convences não vai a
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Falei que não vai ser, não vá eu não, não, não vais nada tirar fotografias, tu tens que ser a
emergência do escritório e tal.
Fiquei muito zangado.
Andei em seca bem a saber quem é que tinha máquinas boas e então descobri que um senhor chamado José
Carvalho Carvalho muito mais velho que eu.
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Objetiva, com objetivos, dá-se uma super econta não sei quê, e então.
Pedi ligar ao José Carvalho.
Sabe a natir aulas com o senhor Araújo Mesquita, que era um cdíssimo, senhor Nuno Mesquita, o meu
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Não sei que mais sei que o senhor tem uma máquina muito boa.
Acha que é possível emprestar-me e tal, está bem, pá, confio em ti e tal.
Fiquei assim tinha 12 anos, eu não tinha aí 13 anos nessa altura, já 1313 14.
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Mesquita baixar estás a ver.
E já tens assim umas noção, tens uma noção de composição.
Hã?
E então comecei a fazer fotografias.
Fiz logo uma fotografia ao Mesquita, claro, com a máquina do José Carvalho.
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Que assim, fica logo feliz para ver como é.
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Então tirei ali o os pescadores do Rio trancão.
Direitos.
Esses meus amigos, esses meus tios que vinham de áfricavam.
Levavam levaram-me nesse ano.
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máquina do José Carvalho.
Fiz uma fotografia da minha, da minha prima, a rezar, encenada agora.
Mas vinha, vinha o raio de luz muito bonito, mais um vitral.
35:39
do Mesquita, não é?
E então vamos fazer as ampliações ou ampliava.
Mas era em pequenino, ainda não ampliava-o e não ampliava.
35:55
Mais tarde é que desenhei um ampliador, que está lá na exposição o meu desenho do ampliador, vi numa
revista qualquer.
Mais tarde é tive um ampliador em madeira.
E então concorri.
36:11
alpaca, me levei, mandei umas fotografias e então mandei umas fotografias.
Recebo um. 11.
36:27
E telefonaram me telefono.
Havia, não vieram televisão a dizer que havia uma entrega de prémios, eu que tinha sido premiado, eu
disse, oi?
Então lá vou eu cheio de expectativa, bem vestidinho, não é com convém e, de facto, já tinha fato na
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Casaco e calça, e.
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Não, não as coisas.
Por fim, já tinha sapatos, quer dizer, não, não.
Quando fui da loiça.
Depois, como empregados, Vitória já tinha sapatos.
E os e os e os operários ao fim de uns anos?
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O casamento talvez tivesse um casamento era qualquer coisa.
E então acontece que.
Chego lá diga-lhe 2 primeiros prémios e 2 segundos, assim não pode estar a acontecer.
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Então a gente mais velho é que eu comprava-me, quiseram que eu ficasse no meio, essa fotografia
estava na exposição com uma data de salvas de prata assim, e então eu estava tão.
Eu tenho vergonha dessa fotografia tão inchado que estou assim, com uma pose percebe assim, de de,
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claro que soube da história.
Foi no outro dia, logo ter com o meu pai.
Senhor engenheiro e agora você tem que comprar a máquina ao rapaz, tudo bem?
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andar aí com a máquina a dizer Carvalho que é uma vergonha.
O meu pai ficou mesmo envergonhado, sabe?
Aquilo foi dito perante os operacional, comer sopinha, não é?
E então vai ver quanto é que custa uma máquina e tal.
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Carvalho.
E gostava de mim.
Perguntava, sabia os preços das máquinas, não é?
Aí tinham eles, eram 2 sócios e tinham 2 filhos da minha idade que era Oo melhor Ferrari OOO Nuno
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O Orlando.
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E graças a ele é que eu fui.
Sempre com o Benfica jogava eu IA No No, no avião do Benfica.
Ele era o único que só a orfield ele e eu confiava em nós, já não o íamos fazer fotografias de
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vi Na Na exposição aquela.
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É uma.
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Que teve, teve.
As pessoas não imaginam as posições que eu fiz.
Os prémios giovannarem internacionais, eu ganhei cerca de 300 prémios.
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Comecei a ser reconhecidos internacionalmente e comecei a ser convidado, inclusive para júris mais
tarde, para juros, para exposições.
Fiz exposições nos sítios mais mais mais esquisitos, mais esquisitos, não mais improváveis do mundo,
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E então comecei a ganhar prémios, prémios, prémios, prémios, comecei a ser convidados, fui convidado
uma coisa.
Que, cá em Portugal, publicava notícias.
Por exemplo, uma coisa que eu fiz questão de pôr aqui.
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E então comecei a ser convidado por ele. 5 fotógrafos mundiais.
Criam 5 fotógrafos do mundo e então eu tenho catálogos disso tudo.
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Ficou triste com isso?
Muito.
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Triste porque a imprensa mais tarde houve algumas coisas que o problema, as coisas sempre pequenas,
EEA televisão também fez.
Algumas entrevistas, mas isso já foi bom, mas.
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Sabe que, entretanto?
Não sei porquê.
Não, não.
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fiz ou antes que eu que eu ganhei foi no já foi em 2000 e. 2005 veio.
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Num, num, num, num concurso em em Pequim, a ganhei um o prémio especial do júri, e.
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Esteve?
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O que é que eu fiz?
Reportagens em 72 países?
Fiz fotografias e cenas pelos prémios que eu ganhei e por outras circunstâncias que estavam no
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E depois também, porque foi estudar o conselho da presidência.
Fui a Montes de países do ienes de países graças a isso.
Países que não é fácil ir, não é de forma que conheçam um pouco do mundo.
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Que tenha a melhor luz para fazer fotografia.
Não sei se podemos pôr a coisa acima.
Quer?
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Quer dizer, com tanta Riqueza, com tanta miséria?
Eu, a China.
A China é fantástica e é lindíssima e há partes que eu não conheço bem, só conheço a ti.
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Aquilo é fantástico.
Quer dizer, eu conheço a China, conheço a China saltar, fui à China a primeira vez, estive mesmo lá
à porta, quando ganhei o prémio da Canon e o primeiro da Canon.
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Zona asiática, digamos, Macau teve.
Macau também estava sob ocupação chinesa e não deixavam entrar na China.
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Tenho fotografias num livro chamado mulher, eu não não cabia ali, porque era não era em Portugal.
EE, tenho fotografias desses países todos e então comecei.
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Eu ganhei o prémio, não era?
Eu não estou filiado, nem quero nenhum partido político.
Mas o pravda em 2000 depois do 25 de abril. 2011 depois do 25, logo a seguir ao 25 de abril, eles
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era ir 15 dias à União Soviética o prémio.
E então estive no subecostão.
Tive, tive a Montes de sítios na Sibéria e então quer dizer, eu fui simpaticamente controlado, quer
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Mas gostei de ir e conheci um grandes fotógrafos.
Estive na prova da claro e depois convidaram fazer uma inscrição.
Eu fiz botantes fodições.
Na União Soviética, fiz exposições Estados Unidos em em.
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Graças eu ter ganho, ainda não cheguei lá.
E então, quando há esse grande concurso, eu concorro, que era considerado um concurso do mundo, quer
dizer, com mais concorrentes.
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Havia um prémio atribuído pela.
Pelo júri.
Eu, eu todos os prêmios, mas havia 1111 prémio que o júri devia de escolher a melhor fotografia para
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E então, o Roberto colégio, que era o presidente do júri, escolheu a minha fotografia que está lá
na, na, na exposição em fotografia, que.
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Está lá com os chaminé de Barreiro e tal, é assim, muito escura.
E então ganhei esse prémio.
Para mim é coroa de Glória, não é com tantos com tantos concorrentes e tantas fotografias cá em
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Saiu a notícia de 10 linhas, quer dizer.
Uma persona não grata, sente-se, teria para meter visitar, ir num sítio ou começaram AA pôr.
A.
Colar-me.
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aquilo que fez o partido comunista por este país, não mataram ninguém e lutaram.
Têm tido o seu chapéu, mas sem nunca virei nenhum partido nem perfil.
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Não sei porquê.
As notícias já não era.
As mesmas eram não me ligaram.
Seria inveja?
Não digo que seja inveja.
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Pagou o preço da sua Liberdade de individual?
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Não, não, não.
Eu assim eu quero ser independente.
E assim, ninguém me pode acusar que eu faço essa fotografia por isto ou por aquilo.
Faço essa fotografia porque me sensibiliza.
Quero denunciar uma situação.
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aduchavam, pelo menos no interrogatório que me fizeram na pide, que eu dava uma má imagem de
Portugal, que só fotografava pessoas humildes, pessoas humildes, porque é que eu não fotografava
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Nós temos paisagens tão bonitas.
E eu disse, olhe, desculpe, eu, eu, eu não gosto de paisagens e gosto de ver, mas eu eu prefiro
fotografar Oo ser humano quer dizer, as suas lutas, as suas.
É as suas expressões e a sua, as situações, de forma que eu não, não sou comunista como estão a
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Não sou de nenhum partido, simplesmente eu como português e fotógrafo EE jornalista, eu acho que
devo de comentar o meu país.
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Suja num beco escuro que que nos que nos interroga, que nos que nos que nos faz perguntas, não é?
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Portugal não conhecia bem Portugal.
Os portugueses não conheciam bem Portugal.
Eu sei que ilustrado foi o veículo fantástico para os mostrar a Portugal real.
E então, a minha e, especialmente quando foi para lá um para o século ilustrado, um diretor tinha
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Foi o Chico mata, doutor Francisco mata.
Começaram, se a fazer reportagens fantásticas.
Antes disso, era só OOOO Américo Tomás, com os netos, o Salazar, férias, coisas assim.
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foto de Salazar a olhar para para o mar, para o Rio.
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Aquela foto?
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Era só naquelas coisas oficiais.
Bacalhau de comprimento, eu tenho lá uma do do Eusébio, aqui ele a condecorar, o Eusébio, essa é
gira também é.
Era a única possibilidade, como só tinha de aproximar do Salazar.
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É livre das histórias.
Devo ter posto na rua porque não estava no sítio certo?
E então acontece que.
O salvar era muito protegido, claro.
E então, lembro-me.
Essa fotografia tem uma história, porquê porque todas as redações receberam a notícia que o senhor
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passar a regata de veleiros, não sei quê, a gente vai.
É tão difícil ter acesso a ele, isto vai vai ser bom.
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Salazar Salazar.
Tenho aquela.
E então quando ele, quando ele está de Costa, assim, agora que é um homem só.
Então faço 2 fotografias.
Só ele depois vira-se, põe o chapéu e já não tem piada.
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E então claro que levei você é cliustrado.
A fotografia dele a veio a passar o sumelei os veleiros, mas eu depois concentrei-me só nele e então
fiz 4. 5 fotografias eu tive ali um bocadinho.
Depois, virou-se.
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Tenho ele até olhar para o mas era muito.
Interessava nada aquela imagem que tem uma carga fantástica e de forma que Ah.
E então se reparou na imagem?
Lá está.
As lições que eu recebi do urbano Mesquita o equilíbrio de formas se realizar esta no sítio certo?
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não é a mesma coisa, é porque aquela linha conduz conduz a ele.
Se reparares vir aqui.
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Não estou aqui se eu não tenho tido elas, Artem, como se continuava a fotografar, se calhar quer
dizer, Oo conteúdo humano que eu gostava de fora, mas não era a mesma.
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E quando o senhor está a fotografar, às vezes mais são um passo à esquerda, ou um ou um passo à
direita para as coisas serem diferentes e ter um feeling do que vai acontecer a seguir.
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Muitas circunstâncias.
Que me aconteceu, por exemplo?
Quando foi o Fernão de Salazar?
Fernão de Salazar.
Eu?
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Bom, a reportagem que saiu no sétimo federal tudo o que aconteceu, mas eu, por exemplo, vinha cá
para cima, fazia fotografias com a objetiva, só as botas do Salazar EEOEEEOEO índice, não saíram.
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Tudo, aquela gente toda, as pessoas que iam lá ver têm uma pessoa a ver cachimbo, que é aqui que é
um miúdo que está.
Que está de?
Costas mas é um miúdo que tem um problema com uma, está com uma bengala.
52:23
Depois, se eu tenho já o Marcelo Caetano que tu via, gira, mas.
A melhor situação é é eu.
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governanta, não é?
Todas, acho que todas as pessoas sabem que a Maria.
Em sabendo, criava galinhas para vender.
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Eu ao último dia e nesse nessa noite iriam fechar o caixão.
Que era o caixão EE quando a mim o mau profissionalismo.
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Não havia lá ninguém.
Aquilo era à 1 da manhã.
As pessoas tinham, acharam que era melhor dormir, não é?
Mas eu mantive até às tantas falar lá com o cangalheiro, disse, ó, à 1 da manhã, a gente fecha casa
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E então lá está a urna com o Salazar e lá estão 11.
Corredor dos gajos da legião, depois PIS 2.
Eles, claro, entre entre falados estão está bom?
Agradeço EE, eu, cá atrás, nunca avancei.
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O caixão ser fechado e levanto.
E então AA Maria agarra assim, No No menço aparece a cara do Salazar, uau e agora muito mal,
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E a cara de coitada já estava com um mau espetro.
E então e depois dá-lhe o género, dei-lhe um beijo.
E então, já vamos dar AA sequência?
EE, tiro mais 2 fotografias, de repente, agarraram-me puseram-me na rua, escreveram não fotografias
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Eu vi-me logo embora, claro, antes, tinham-me, roupassem o Rolo, e então essas pessoas nunca puderam
ser publicadas, é lógico, e só depois do 25 de abril já lhe vou mostrar.
E então outra fotografia que nessa altura saiu, eu vestia um palanque quando saísse o caixão, os
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Para para controlar ali naquele palanque.
Se quer vir, se queres fotografar, tens que ir para ali.
Zé, muito obrigado, mas eu não fico cá, estar em baixo, mas eu.
Mas tu não consegues segurar porque eu também ando por aí.
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E então eu comecei a pensar, ora bem, eu sai dali dos jerónimos, depois está ali o governo.
Vai passear à frente do governo, é lógico, e.
EE os fotógrafos são todos cada do lado de lá e eu vou.
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Quando eu olho para aí, faço mais dúzia de fotografias.
E acabou.
É a melhor fotografia porque apanho o os soldados com com com o caixão e apanho todo o governo.
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As coisas acontecem, aconteceram.
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Há há uma, aquilo que.
Que eu vejo nas suas fotografias e que e que mais admiro são os retratos, são as fotografias que fez
de múltiplas personalidades que retrato mais gostoso de ter tirado.
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Ora bem, eu conhecia as as pessoas.
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Sabiam que eu não IA.
Tramá-los.
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Está descontraído, nunca.
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E então é preciso criar confiança com o fotografado.
E eu conhecia as pessoas todas e já tinha privado com elas.
EE, então eu.
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Só de retratos.
Sem de acorde nenhum, o fundo vai ser preto e depois o senhor.
Ah, eu procurava saber o máximo de cada personagem, jovanias as coisas que eles gostavam, que não
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Que deveria fazer para mostrar a outra face da pessoa?
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Tinha que falar com pessoas próximas deles, conhecia menos bem.
Eu conhecia-os, mas não saber se deu manias, se se gostavam disto, gostavam daquilo.
E o procurei saber o caso do Ian.
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E então o meu das coisas é que eu fui fotógrafo da presidência da República e digo, eu inicialmente
aceitei pensando que devia ser de chato.
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presidentes.
Eu lembro-me uma vez em Washington, que estava eu a fotografá-lo no Jardim da Casa Branca com o
Reagan.
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Eu fiquei assim um bocado nervoso.
Não corriga presidente Agra, aqui o Eduardo gageiro.
É nosso fotógrafo e é meu amigo.
E já ganhou uma medalha dura em Washington.
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Estou no tenho uma fotografia no meio do regan e do ianes assim e depois mandaram.
Foi o fotógrafo feito pelo fotógrafo da Casa Branca, assinado pelo riga e com uma carta assinada por
ele também a.
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O iene era assim e então uma pessoa do humanismo não quer saber identifico-me.
Nascemos com 1 mês.
Ele tem o mesmo, é mais que eu fiz agora anos esquecemo-lhe o dia teve.
No dia 26 esteve na cordoaria e tinha feito na véspera esqueci-me e então.
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E então lembrou o Ian, homem de rigor, o homem não lembro.
Eu sabia que ele colecionava os relógios e então e lá vem o fundo preto.
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E então?
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Não me parece falsa, é isso que permitem de de.
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possível.
Não, não vai trabá-la, quer dizer, é um homem, é homem, honesto, pronto, modéstia à parte.
E então acontece que então quer dizer, como é que vamos fazer a fotografia e tal?
1:00:05
O senhor presidente, eu quero fazer.
Bom, bem com as lojas.
Será um homem de rigor, como será?
E é verdade, de rigor, na forma que nada melhor do que um relógio e as são relógio, bonitos e são
1:00:26
Senhor presidente, vai sentar-se aí tal, pegar aquilo o fundo preto propositadamente para se ver que
não, que que é de propósito.
E então.
Então, o que é que eu faço?
Bom, bem que vai ficar ver um relógio como seja um relojoeiro.
1:00:48
E então lá tem ele com a lupa.
E ele adorou a fotografia, está a ver ele.
Eles continuaram a fotografia a mais difícil.
1:01:05
em mim chapado senhor para Lisboa com luz de boxe.
Ninguém acredita, mas se é uma fotomontagem, estou chapalimo e.
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Ele conhecia o meu pai porque o meu pai, quando era era muito jovem, tinha sido empregado ali ao pé,
onde eles tinham um Palácio ali na Estrela.
Eles são pai de miúdo e eu já o tinha visto antes, já tinha dito quem era.
1:01:42
E então nessa altura da fotografia?
Ele combinou comigo, foi o foi prático.
Logo a secretária disse, olha, ele recebeu a sua carta.
O gajo lhe diga, quando é que pode vir cá?
1:01:58
Eu queria fotografá-lo.
Pois ainda bem, porque ele foi, vai para o Brasil e tal.
Então, apareço lá Ah, fui ter com um amigo meu que.
Tinha uma casa de artigos de desporto e eu disse, eu falo, parecem-me umas luvas de boxe, mas vais
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Não pões lá com saco com letra transparente.
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então começo AE só para a pessoa descontrair, não é fácil.
E então falar com ele sobre isso, sobre aquilo e aquilo, tipo fotografia e fiz e agora faça isto,
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E disse, ó, gajo, era era isso que eu queria.
Para quem são aquelas luvas de boxe?
Era o que eu queria.
Ora, ó senhor doutor, ó, ó, ó, vocês sabem, eu ainda eu falei nisso, isto foi intencional desde já,
1:03:07
É para ficar com o Júlio Roque porque o senhor é um homem de luta.
Eu estava a ser sincero para ele, hã, é um homem de luto, o senhor nunca perde o senhor Oh, o gajo,
olha com este corpinho que eu tenho já viu, se não interessa, eu fui leal para ele, interessei a
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É uma pessoa e era.
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No coração, no fundo.
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Ou seja, pegam menos nas ruas, ele não.
Ah, não quer dizer, não faço isso, Ah, pegam menos nas luvas.
Pegou sim, já está.
Quer dizer, agora, calma, eu não calço álcool, já, não faço.
1:03:48
Ele disse que sim, então, calce, ninguém vai ver as fotografias.
Anão ser eu e o senhor.
E então, e começou a embarcar, Ah, desculpa, começou a embarcar no jogo, no jogo.
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Agora há de fazer agora, não sei quê.
E fiz uma data de gorros.
EE fiquei feliz, cheguei a casa.
E cheguei tarde, tinha.
Tinha feito os golos, revelado os golos, mas não estavam ampliados que sempre uma carta, um telefone
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Que vi que era 11 telefonema de última hora, digamos, o gajeiro.
O senhor se apalinou e disse que vai para para o Brasil.
É amanhã de manhã e só vai EE depois, se houver.
1:04:43
De forma que ele diz, vou não publicar as fotografias.
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1:04:47
primeira pessoa a ver é ele, então.
Vê logo assim?
Ai, aqui não é?
E então é ele.
E então nessa noite faz qualquer as ambições todas ai, disse ao telefone, eu amanhã de manhã estou
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levo umas provas e convencer logo a senhora, e não estava a mentir que ele estava bem e então foi.
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A elogiar as fotografias.
E depois o senhor valeu.
Então está a ver que está bem, está bem, é um homem de luta.
O homem que não perde o homem, não sei quê.
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Pode sim, senhora, pode publicar.
Então publico as fotografias, faço um livro, mando-lhe um.
A oferta, não com uma dedicatória, manda manda-me o preço do livro, manda manda-me um cheque com o
preço do livro.
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que são.
Que que nem vale a pena contar sobre o não.
São muito, muito agradáveis.
É uma pessoa que está.
A exposição a fotografia, por exemplo.
1:06:18
Ele era primeiro-ministro e eu falei-lhe com com o Fernando Lima, que era assessor.
É assim, olha.
Falei no segundo, ele falou, disse que sim, senhora, que ele tinha aceite.
1:06:34
Olha com aquele traje-o de Iorque, de professor de Iorque.
Por acaso que lhe fica muito mal.
Eu ficava muito mal, mas o que acho que era pronto, o professor.
1:06:45
1:06:49
E então vou para lá de manhã todo encandado da vida e tal, e não sei que mais olha, já não quero
tirar a fotografia com um professor de Iorque.
É pá.
Agora, assim, de repente.
Não vou arranjar o dedo, não te preocupes que ele já tenha ideia.
1:07:06
Telefónica a mandar o país.
E ele, assim.
E então eles trouxeram.
Tenho fotografias disso com a cabine telefónica.
Assim não tinha gravata, encomendaram o país.
1:07:22
1:07:24
Não conseguiu fazer aquilo que foi captar no fundo, a alma daquela pessoa da alma.
Não estamos.
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Sim, já vi que é um homem todo engoadinho com o telefone na mão e com as cavidas penduradas a quando
andar no.
1:07:41
AA foto da Amália Rodrigues.
1:07:49
Que elas colaborassem.
E o caso da Amália é um caso especial, porque eu tinha muita intimidade com ela, porque o diretor
era muito.
1:08:05
EE sempre que alguma revista querer fazer fotografias Internacional, querer fazer fotografias da
Amália, contactava, me era aquela fotografia que custou, que está lá.
1:08:24
voltar à estamos a falar da Amália.
E então, acontece que já há uns anos depois, quando andava a fazer o livro revelações que é aquela
dos retratos, lembrei-me.
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E ela começa a funcionar, começava, coitada.
Ela realmente muito cordial.
À 1 da manhã lá, combinámos à hora da manhã, já que sou de uísque e então começo a fazer fotografias
1:09:00
E então por fim, já não sabia o que é que queria fazer com guitarra sem guitarra fiz a cores, fiz a
preto e branco, fiz anão sei quê.
Aí então, por fim, eu digo-lhe assim, Oh Malia, vamos fazer relembrando-me agarro a guitarra.
1:09:17
1:09:20
1:09:21
E repara EP.
E penso numa pessoa que gosto muito.
Veja a expressão que dá ali.
1:09:31
1:09:32
A gente já vai rever?
E então ele.
É pá.
Ela está com uma intensidade.
Há aqui qualquer coisa, clique não, pois fiz 2.
1:09:48
Gostava de lhe fazer uma pergunta?
Espero que você não fique zangada não vai chegar à vontade em quem é que estava a pensar.
Na minha mãe e em Deus.
1:10:06
Perceberá melhor o que eu estou a.
1:10:11
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Um Portugal que as pessoas estavam à espera no 25 de abril, feliz.
Que não haja fome, que as pessoas tenham casas.
Mas hoje vivam com Alegria.
1:10:32
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Que querem?
Portugal, EE.
Muitos outros países vejam o caso da Argentina, volta ao fascismo é.
Isso é gravíssimo.
1:11:03
É gravíssimo.
Os os portugueses é o que está por esse mundo fora que é mesmo na Europa.
E.
E na Europa e no mundo, veja o que está a acontecer em Israel, o que está a acontecer na Rússia, o
1:11:19
É esta?
Onde é que está o humor pelo próximo?
Onde é que está o humanismo das pessoas?
O.
1:11:27
mundo democraticamente liberal, aberta, que respeita os direitos humanos e preserva a diversidade, e
um outro, um outro pólo, mais totalitário, mais opressivo, menos livre, que parece estar a
1:11:47
Há que permanecer alerta e atento.
A democracia sabe-me tão bem, afinal, a Liberdade.
É o valor maior.
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