Saúde em dia

Como o impacto ambiental das mudanças climáticas afeta nossa saúde?


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De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), só a poluição do ar gera cerca de sete milhões de mortes por ano no mundo. Neste contexto, a adoção de medidas específicas para proteger a população das doenças relacionadas ao desequilíbrio ambiental é urgente, alertam especialistas ouvidos pela RFI.

Hoje a poluição do ar é considerada tão nociva para a saúde quanto o tabagismo. “Sabemos que ela contribuirá para o desenvolvimento de algumas doenças, como a asma, no caso das crianças, e cânceres, em pacientes que não fumam”, afirma a pneumologista francesa Lucile Sesé, do hospital Avicenne, em Seine Saint-Denis, na região parisiense.

Na Inglaterra, explica, estudos experimentais mostraram que a exposição frequente às partículas finas poderia induzir a proliferação de células cancerígenas, mesmo em não-fumantes. O risco de infarto também cresce durante os picos de poluição, que afetam portadores de doenças crônicas.

"Os pacientes com patologias pré-existentes devem estar conscientes dos efeitos que a poluição provoca na saúde, ao constatarem a agravação de alguns sintomas", afirmou a especialista francesa durante uma entrevista ao programa Priorité Santé, da RFI. 

A manutenção da qualidade do ar em ambientes fechados também é essencial para preservar a saúde respiratória. O tema se popularizou durante a epidemia de Covid-19. Na época, surgiram sensores para medir a taxa de CO2 e as autoridades de saúde pública passaram a promover a necessidade de arejar os espaços. Mas o assunto acabou sendo deixado de lado após o controle epidêmico.

Alergias

Os efeitos das mudanças climáticas também podem ser observados em quem tem alergias respiratórias. “Alguns pacientes alérgicos sentem o efeito do pólen por muito mais tempo e precocemente. As mudanças climáticas alteram a natureza e também a maneira como algumas doenças se manifestam. Podem surgir novas alergias”, alerta Lucile Sesé.

O aumento das temperaturas, frisa, também fragiliza os pacientes que sofrem de bronquite ou fibrose cística, uma doença genética que afeta múltiplos órgãos, mas principalmente os pulmões. A descompensação dessas patologias muitas vezes requer hospitalização para monitoramento.

“Estamos vivendo mudanças ambientais, isso é claro. Por isso pedimos aos nossos pacientes que fiquem atentos aos seus sintomas, durante as ondas de calor, por exemplo. Desta forma, podemos protegê-los”, reitera a pneumologista francesa.

Driblando as partículas

Um dos conselhos da especialista para toda a população é evitar o acúmulo de diferentes tipos de exposição à poluição. Aparelhos como fogões a gás, ou que emitem vapores e aumentam a emissão de partículas nocivas para a saúde, devem ser evitados.

Móveis e objetos novos também podem ser poluentes. Algumas pinturas ou tipos de verniz, por exemplo, emitem os chamados VOC (compostos orgânicos voláteis) e por isso a pneumologista recomenda priorizar objetos de segunda mão. Na hora da faxina, a utilização de produtos de limpeza naturais, como o vinagre, também evita a inalação de substâncias irritantes.

O uso da máscara de proteção, que se popularizou durante a Covid-19, também pode ser uma solução em períodos críticos, assim como arejar a casa durante pelo menos vinte minutos por dia para trocar o ar.

 

Poluição sonora

Existem diferentes tipos de poluição causados pela industrialização, a urbanização e a evolução de nosso modo de vida. Catherine Bouvier, 59 anos, é representante da associação francesa Advocnar, que se mobiliza para ajudar população que vive perto dos aeroportos. Ela cresceu e mora até hoje em Taverny, uma cidade situada a cerca de 20 quilômetros do aeroporto Roissy Charles de Gaulle. “Nós ouvimos o barulho das aterrissagens o dia todo”, conta.

No total, de 600 a 700 aeronaves pousam no maior aeroporto do país diariamente, a partir das 5h. De acordo com a Catherine, receber amigos no jardim de sua casa é impossível. Dormir, só de janelas fechadas, mesmo quando faz calor. Mesmo assim, ela acorda várias vezes durante a noite. O sono de má qualidade, dizem seus médicos, contribuiu para o aumento de sua pressão arterial e o aparecimento de arritmias cardíacas.

O psiquiatra francês Théo Korchia, que dirige o setor no hospital público de Marselha, explica que o barulho ininterrupto também pode afetar o humor e o equilíbrio emocional. Quando o excesso de ruído atrapalha o sono, o acúmulo de noites pouco repousantes, por um longo período, favorece o aparecimento de doenças mentais.

“O barulho constante pode sobrecarregar nosso sistema sensorial e desencadear respostas ao stress que são fisiológicas, e que podem ter um impacto muito grande em nosso bem-estar emocional. Isso pode causar depressão, dificuldades de concentração e memorização, além de outros problemas", resume.

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