Como entendem os pediatras os bebés?
É uma pergunta que sempre me fascinou.
Afinal a criança muito pequena não fala. Apenas chora, resumia, ri, come ou dorme.
Todavia, os pediatras têm uma espécie de caixinha tradutora de tipos de choros, esgares ou movimentos do corpo que serve de tradutor simultâneo.
Já agora nesse exercício de comunicação sobra sempre um olhar para os pais ansiosos, ali ao lado.
Então se forem pais de primeira filho…
Nesta edição converso com a médica pediatra Maria do Céu Machado.
E falámos de crianças, de adolescentes e dos pais deles.
De saber que os pais perguntam o que se dá de comer ao novo ser ou que os adolescentes vão espreitar ao Doutor Google para depois argumentarem com os médicos.
Como este é um ‘podcast’ sobre comunicação, fiquei a saber como se dizem as más notícias, como é difícil fazer prognósticos e como muitas das queixas de doentes contra os médicos tem como base a má comunicação.
Conheço Maria do Céu Machado há muitos anos e um dia fizemos um curso de treino de fala pública e mediática. No fundo, um manual prático de como se movem e o que procuram os jornalistas. E de como se devem comportar os oficiais públicos que tem de responder às perguntas mais difíceis.
Um treino de choque.
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0:00:13 - JORGE CORREIA
Ora Viva-o. Bem-vindos ao Pregunto a simples, o vosso podcast sobre comunicação. Nesta edição falamos de saúde, de comunicação em saúde, de vida e de morte, os médicos e os doentes, os que sofrem e os que tentam ajudar. Da linguagem há calibração de expectativas, da relação médico-doente, dos prognósticos até aos influenciadores digitais. Tudo cabe nesta conversa, tudo cabe nesta edição. Vamos ao programa, vamos a isso. Como entendem os pediatras dos bebés? É uma pergunta que sempre me fascinou. Afinal, a criança muito pequena não fala, apenas chora, resmunga, ri, come ou dorma. E todavia, os pediatras têm uma espécie de caixinha tradutora de tipos de choro, de desgarros ou de movimentos do corpo que servem de tradutor simultâneo. Já agora, neste exercício de comunicação, sobra sempre um olhar para os pais ansiosos ali ao lado. Então, se forem pais de primeira água, de primeiro filho, então é que é Nesta edição conversa com uma médica, pediatra, marido, são Machado, e falamos de crianças, de adolescentes e dos pais deles, de saber que os pais perguntam ainda o que é que se está a ver ao novo ser ou ao novo bebê, do que os adolescentes vão espretar ao Dr. Google para depois argumentarem com os seus médicos.
Como este é um podcast sobre comunicação, fiquei a saber como se dizem as mais notícias, como é difícil fazer prognósticos e como muitas das queixas contra os médicos afinal assentam numa má comunicação. Conheço marido São Machado há muitos anos e um dia fizemos um curso de treino de fala pública e de política, no fundo um manual prático de como se movem e o que procuram os jornalistas e de como se devem comportar os oficiais públicos que têm de responder às perguntas mais difíceis. Foi um treino de choque. A experiência do media training foi assim, uma experiência tão radical. Ai foi completamente.
0:02:25 - MARIA DO CÉU MACHADO
Contamos às pessoas o que aconteceu Então a nossa assessora de comunicação, a minha professora da Sul que é Isabel, propôs-nos, aos dirigentes que eram eu e os dois altos comissários adjunto Rita Magalhães Colasso, que agora é a assessora do presidente, e o José Maria Albuquerque e os coordenadores dos programas prioritais do Plano Nacional de Saúde, fazer um media training. Nós tossemos todos o nariz porque achamos que nós sabíamos falar com os avistas. não tem problema nenhum.
0:02:56 - JORGE CORREIA
E ela insistiu É uma coisa fácil, não é Existiu e resolvemos então dar um dia, então damos um dia.
0:03:02 - MARIA DO CÉU MACHADO
Lá foi marcado. Fomos para a escola de comunicação, escola superior de comunicação. Tivemos uma parte da manhã com o Jorge Correia, com o Fernando Esteves, com o Mario Mauriti, e que foi teórico, mas que nos disseram coisas engraçadíssimas. Que o seu número 2 está sempre a achar que é melhor que você, que o número 1 fazia o melhor trabalho. Por isso tenha cuidado com o número 2. Nunca mais deixei de ter cuidado com o número 2. E entretanto a minha secretária Lígame aquilo inclui ao moço, a minha secretária Lígame dizia que tinha que ir ao Ministério ensinar um papel urgentíssimo.
O motorista já estava à porta. Ele sai porta fora, entre no carro e no turista diz-me Olha, afinal já não é preciso ir ao Ministério. Eu torno a entrar e quando torne a entrar, o Jorge Correia a correr na minha direção. Até eu olhei para trás para ver se o Ministro estava atrás de mim com o Câmara Mena atrás de si e ia dizer o que é, que acha dos cortes que a Assembleia da República fez ao leite do Tavaque? Nós tínhamos mandado e a Assembleia da República tinha feito cortes E eu fiquei completamente congelada. Eu tinha aquilo preparado porque nós já sabíamos que quando fôssemos a qualquer reunião. Era a pergunta número de um dos jornalistas preparado num Ministério.
0:04:14 - JORGE CORREIA
Toda a gente ia perguntar se a mulher do Tavaque era um homem.
0:04:16 - MARIA DO CÉU MACHADO
Exatamente e fiquei completamente congelada. Não disse nada, não disse coisa com coisa. De repente vês apareci em uma série de pessoas à minha volta, tu os arrires. Tinha sido tudo combinado, incluindo com a minha secretária. Por isso não lhe perdoei e não lhe vou probar ainda hoje.
0:04:31 - JORGE CORREIA
É muito perigoso ver este. Nós de facto fizemos um treino que é um treino real, de o que é que é uma crise mediática em que alguém dirigente neste caso marido Salmachado, alta comissária da Saúde e portanto tem que dar respostas. Este é o ponto. É muito engraçado como nós temos a ilusão de que, quando dominamos o assunto e mesmo estando preparados para a pergunta, apesar de tudo, aquela situação de confronto e de espelhamento e de desprecação, O inspirado é terrível.
0:04:59 - MARIA DO CÉU MACHADO
Não é O jornalista que surge, o inspirado, a pergunta que surge apesar de tudo e de esperado no ambiente. Mas depois, só agora, só um minuto à tarde, fizemos outro exercício que eu também nunca mais me esqueci, que era nós que tínhamos mandado um resumo curricular e cada um de nós era entrevistado numa sala isolada com o jornalista que ia comentando o nosso curriculo. E nós também achamos que aquilo era pacífico. Nós estávamos à volta. Começou uma sala de cirurgia em cima, à volta a ver o desgraçado que estava lá embaixo.
0:05:29 - JORGE CORREIA
E arriste, imagina não é.
0:05:31 - MARIA DO CÉU MACHADO
E arriste também Até tocar a nossa vez Um de nós, mas de nenhum, que não conseguisse, ao fim de cinco minutos, de ficar irritado porque vocês eram os três a fazer as entrevistas. Faziam a pergunta, depois diziam que estava assim no curriculo, mas que afinal nós tínhamos contradito, que tínhamos dito, mas um minuto depois tínhamos dito o contrário e a certa altura nós já estávamos, tínhamos perdido completamente o controle também.
0:05:55 - JORGE CORREIA
A experiência real, todavía, da relação com os mídias e com os jornalistas, e depois tem a presidência de um infarmeda, depois tem, antes disso, direção de serviço de pediatria, mesmo durante algumas crises vamos falar sobre isso crises difíceis em que há pessoas a sofrer, neste caso crianças a sofrer. Apesar tudo, depois, essa experiência real com os mídias é uma experiência muito mais tranquila, ou não?
0:06:22 - MARIA DO CÉU MACHADO
Não foi, mas porque aquilo foi um choque. Não é, e de um jeito, de um jeito Até hoje E portanto, quer dizer, aprendemos uma série de coisas. Outro aspecto que eu nunca mais me esqueci, que me serviu no Hospital da Amadora, que eu fui diretor da Clínica, também quando era de gestão privada, nós tivemos lá uma mini pandemia na Amadora, a DEN, ao VIRS, que morreram, que chegamos a ter 70 crianças internadas com mortes, etc. O.
0:06:48 - JORGE CORREIA
DEN ao VIRS mata.
0:06:49 - MARIA DO CÉU MACHADO
Ah, sim, sim, há uns serotipos, do Aden ao VIRS. Há três serotipos que dão uma pneumonia grave e que podem matar.
0:06:54 - JORGE CORREIA
Crianças muito pequenas, muito frágeis, tudo bem vejo normalmente sim.
0:07:00 - MARIA DO CÉU MACHADO
E é engraçado que eu lembrava-me desse mídiate training e, por exemplo, lembrava-me de uma coisa, um aspecto engraçado que era vocês tinham pensado a mensagem seguinte que, por exemplo, quando alguém, quando um hospital, alguém num hospital tem que responder um jornalista porque há um VIP internado ou porque há uma situação de crise no hospital, porque a urgência está com 15 horas de espera, ou porque me realga na urgência, enfim, seja o que for, que é sempre melhor uma mulher de que um homem, mesmo que seja feia. nunca mais esqueci disso.
0:07:37 - JORGE CORREIA
Por causa da empatia não é Por causa da empatia. É ideia de humanidade, ideia de maternalidade.
0:07:43 - MARIA DO CÉU MACHADO
A mulher está sempre, mesmo que a notícia seja má e que seja problemática, é sempre menos agressiva, é sempre mais humana. Então, mas era que depois eu fui diretor da clínica tanto da madora como do Hospital Santa Maria, e punho sempre uma mulher a fazer esse papel.
0:08:05 - JORGE CORREIA
No caso do AD, no vírus já não lembrava de ele. Lembrava que tinha havido uma crise, mas como é que se gera?
0:08:14 - MARIA DO CÉU MACHADO
Foi complicado porque a situação foi aquilo era uma população complicada. Não é Isto passa-se ali à volta do ano 2003, 2004, que tivemos um pico de imigração, que era uma imigração africana, não é. É portanto muito diferente agora da imigração atual, que era muito da Guiné, da Angola a Cape Verde principalmente. Destes três países Viviam muitas em condições complicadas e tinham muitas os bebés, tinham muitas infeções piratórias.