Pergunta Simples

Como votar bem? José Adelino Maltez


Listen Later

A democracia como conversa: José Adelino Maltez e a anatomia do voto português

Há episódios que valem menos pelo alinhamento de temas e mais pela forma como iluminam uma pergunta maior. Esta conversa com José Adelino Maltez, politólogo e professor durante “quatro décadas e meia”, é isso mesmo: um ensaio falado sobre a democracia portuguesa — não como sistema jurídico, não como arquitetura institucional, mas como prática quotidiana de persuasão, reconhecimento e escolha imperfeita.

O ponto de partida parece simples: como vota um politólogo? A resposta, porém, desmonta logo o cliché do cientista frio que compara tabelas e cruza programas como quem faz auditoria. Maltez assume-se, sem pose, no território que muitos comentadores evitam: o voto é frequentemente uma decisão emocional, feita com memória, empatia e intuição. “Se estiver muito hesitante, voto no meu aluno, mesmo que seja de ideologia diversa.” O politólogo que estuda o poder admite que, na hora decisiva, o vínculo humano pesa — e não como desvio, mas como traço estrutural do que somos enquanto comunidade política.

O voto como relação: “qual era o filho que eu gostava de ter?”

O momento mais revelador do episódio é quando Maltez descreve o eleitor como pai — e como professor. Não está a falar de paternalismo. Está a falar de avaliação. O eleitor olha para os líderes como quem olha para uma geração mais nova e faz perguntas íntimas, quase domésticas: este é responsável? este é vaidoso? este tem chama? este é “rebelde” ou “cartilha”? A metáfora é desconfortável, porque é verdadeira. E contraria a ideia, confortável mas irrealista, de que a democracia é uma disputa limpa de ideias, resolvida pela superioridade técnica dos programas.

Aqui, Maltez toca num nervo central: em Portugal, grande parte do voto decide-se por perfil. O eleitor não escolhe apenas medidas; escolhe temperamentos. Escolhe a forma como quer ser conduzido — ou a forma como quer ser ouvido. Num tempo de saturação mediática e de campanhas coreografadas, a pergunta “em quem confio?” passa a ser quase mais importante do que “o que está escrito?”.

“A democracia em Portugal é a arte da conversa”

A tese do professor é clara: o regime português foi fundado — e continua a funcionar — por “conversadores”. O voto nasce da conversa pública, do debate, da explicação, do tom, do gesto. A democracia, diz ele, é uma “ciência da conversa”: “eu sou como tu, vem aqui”. Isto serve de elogio e de aviso.

Elogio, porque essa matriz conversacional ajuda a explicar a estabilidade. A ideia de que “os primeiros-ministros não brincam em serviço” — porque são testados na Europa, porque têm de “aturar Conselhos Europeus” — sugere um país em que a retórica é acompanhada por mecanismos de realidade. Mesmo quando as promessas se excedem, a máquina partidária, os interesses e a própria pressão externa empurram para a “arte da razoabilidade”.

Aviso, porque a conversa tem uma sombra: quando o eleitor se farta dos conversadores, chama-lhes “aldrabões” e pede outro tipo humano. Maltez descreve esse ciclo com precisão: ora queremos o que seduz pela palavra, ora desejamos o “incisivo” que aponta rumos e promete fazer. Não é apenas alternância partidária; é alternância psicológica. E, nesta alternância, o risco é que o sistema se organize cada vez mais em torno de personagens — e menos em torno de escolhas estruturais.

Os “hesitantes” como centro real da política

Uma das ideias mais fortes do episódio é a distinção entre abstenção e hesitação. Maltez diz que quem decide eleições não é tanto a abstenção — é a massa dos hesitantes. Aquele eleitor que, na caricatura do professor, muda de humor político ao longo da semana: “segunda é socialista, terça é de direita”, e assim sucessivamente. Não é incoerência: é ceticismo.

O hesitante não vive em drama. E isso, em Portugal, é decisivo. Maltez afirma que o país não sente o momento como trágico, e sugere uma razão: apesar de narrativas opostas, Passos Coelho e Costa deixaram um quadro de relativa governabilidade, sem “pesada herança” que imponha uma escolha extrema. Isso dá liberdade — e uma liberdade sem urgência tende a produzir eleições por nuances, por simpatias, por desempenho em debates, por “chama”.

A política, aqui, aproxima-se do desporto: não escolhemos só a equipa; escolhemos “quem joga melhor naquele dia”. É uma observação dura, mas explica muita coisa do ecossistema mediático contemporâneo: a campanha torna-se uma sequência de provas de resistência, não apenas um confronto de propostas.

A reforma eleitoral que nunca aconteceu — e o custo democrático

A conversa ganha espessura quando entra no sistema eleitoral. Maltez recorda a promessa antiga, recorrente, de aproximar eleitos e eleitores através de um modelo misto: círculos mais pequenos e um mecanismo de compensação nacional para não “perder votos”. Em teoria, seria um passo para maior responsabilização: o eleitor saberia exatamente “em quem votou”, e o deputado teria um laço mais claro com a comunidade.

Mas não aconteceu. Falhou por resistência dos partidos pequenos e médios — e, implicitamente, por falta de coragem dos maiores. O resultado é conhecido: círculos pequenos incentivam voto útil, distorcem representações e deixam o eleitor com a sensação de que escolhe mais “marca” do que pessoa.

Esta parte do episódio é importante porque faz a ponte entre psicologia do voto e engenharia institucional: a emoção do eleitor não está desligada do sistema. Quando o sistema reduz a eficácia do voto, a frustração cresce — e essa frustração abre espaço a mensagens de ruptura.

O Chega, a corrupção e o silêncio estratégico

Aqui Maltez é especialmente direto: “A grande estupidez do PS e do PSD foi deixarem o Chega falar sozinho” sobre corrupção. A frase tem o valor de diagnóstico político e de crítica comunicacional. Não é apenas o tema; é o território simbólico. Quando os partidos do centro recuam por medo de contaminação — ou por receio de parecerem defensivos — deixam que a agenda seja ocupada por quem grita mais alto.

E Maltez acrescenta outro ponto desconcertante: a “universidade” do confronto não foi um think tank nem uma escola partidária; foi o comentário de futebol. O professor descreve o espaço mediático desportivo como laboratório de dialética: linguagem, antagonismo, ritmo, tribos, combate. Ventura, sugere ele, soube traduzir essa gramática para a política. O resultado é uma disputa em que o confronto se torna produto — e o produto, voto.

Não é uma teoria conspirativa; é uma teoria da comunicação. Em democracia, a forma não é neutra. Quem domina a forma domina o acesso ao ouvido. E a política portuguesa, como o episódio mostra, é profundamente sensível ao tom.

Justiça, confiança e a tentação de simplificar

A segunda metade do episódio mergulha num tema que em Portugal raramente é tratado sem trincheiras: o cruzamento entre justiça, ética e política. Maltez evita as respostas fáceis. Reconhece limitações do modelo — o peso do “princípio da legalidade”, a ausência de prioridades programáticas claras — mas recusa o colapso retórico: não estamos, diz ele, numa fase de desconfiança total. E sublinha uma variável concreta: capacidade técnica. Mais meios, mais ferramentas, mais análise — mais capacidade de “apanhar na curva”.

A posição é pragmática: há problemas, mas há progresso. E há um convite implícito ao jornalismo e ao comentário público: menos dramatização, mais atenção aos mecanismos reais.

A pergunta final: como se governa um país de “rasgos”?

O episódio fecha com uma nota que atravessa política, cultura e identidade: o português, diz Maltez, não funciona por rotina; funciona por “rasgos”. Daí a ideia do “sonhador ativo”: alguém que sonha, mas executa; que mobiliza missão, mas governa com competência. A metáfora serve para o SNS — descrito como sistema que perdeu “paixão” sob camadas de índices e tecnocracia — e serve para o país.

Não é uma nostalgia do passado; é uma exigência de liderança. O professor sugere que a chave é simples e brutal: pessoas, competência, ministros. A política, no fim, volta ao humano.

O que este episódio nos diz sobre nós

A conversa com José Adelino Maltez é valiosa porque não tenta enganar o ouvinte com superioridade moral. Diz, com clareza, que a democracia é feita de ambiguidades: votamos por ideias e por pessoas; julgamos programas e julgamos caráter; queremos conversa e, de repente, pedimos incisividade. E, num país onde a estabilidade europeia reduz o drama, o voto tende a ser ainda mais psicológico, ainda mais relacional. O episódio deixa uma pergunta essencial para qualquer cidadão — e para qualquer jornalista: estamos a observar a política como governo do possível, ou como espetáculo de perfis? Se a democracia é conversa, então a qualidade da democracia depende da qualidade dessa conversa — e do nosso rigor ao distingui-la de ruído.

LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO

0:00 — Entrevistador:

Viva, Professor José Adelino Maltez, politólogo. Eu gosto da palavra — gosto do som: “politólogo”. É um investigador da área da Ciência Política. Será uma forma mais correta de colocar a coisa? Ao longo dos anos é uma designação da comunicação social… Então como é que se designa? Como é que se sente?

0:17 — José Adelino Maltez:

Sinto-me bem. Quer dizer… gostava mais que fosse do português antigo, que era o “repúblico”. É uma palavra complicada. Na Renascença utilizava-se muito essa designação para quem falava publicamente sobre coisas políticas: era o repúblico. Mas isto é a mesma coisa. “Politólogo” é uma palavra francesa… é melhor do que “cientista político”. Não fomos nós que inventámos isso. É a qualificação que nos é dada. Assumimos.

1:01 — Entrevistador:

Tenho uma pergunta iniciática: como é que votam os politólogos? Fazem uma grelha, comparam propostas, ou votam como os mortais — por convicções, intuições, paixão?

1:16 — José Adelino Maltez:

Agora, nestas eleições, faço parte dos indecisos. Estou a ver como é que a coisa vai rebentar.
Eu fui professor no ativo durante quatro décadas e meia. Tenho um grande orgulho: tenho sempre um “bom grupo parlamentar” — de alunos queridos, alunos com quem conversamos. E agora vou ter um grupo parlamentar interessante. No dia em que for votar, se estiver muito hesitante, vou votar no meu aluno, mesmo que seja de ideologia diversa. É uma vinculação emocional: “eu conheço este, quero que ele seja eleito”. Sou capaz de mudar de partido conforme os distritos.

2:21 — Entrevistador:

Isso acontece muito nas autárquicas: olhamos para o candidato, mais do que para a cor do partido…

2:33 — José Adelino Maltez:

Há um problema de “filhos”. Eu já sou velhinho, já sou avô de quatro netas. E olho para os putos desta geração que agora manda — a segunda geração “jota”, depois de Passos Coelho e Costa. Estes já são de outra geração. E eu, como pai, olho para os mais novos e penso: “Qual era o filho que eu gostava de ter tido?”
E sou capaz de votar assim: este é rebelde, este é chato, este está sempre com cara de quem lê a cartilha… Voto muito nesta intuição do pai, do professor — relativamente ao aluno, ao “filho”.

3:59 — José Adelino Maltez:

E os pais e professores não querem repetições. Se eu só tivesse um grupo parlamentar da minha área política, estava tramado. Gosto muito mais de ter diversidade… Tenho alunos em vários partidos. Não tenho agora ninguém no Chega, nem no CDS, curiosamente. Nos outros, está repartido.

4:19 — Entrevistador:

E quando um aluno se candidata, manda-lhe mensagem?

4:29 — José Adelino Maltez:

Sim. “Parabéns. Votava em ti se fosse no teu distrito.” E é verdade.

4:34 — Entrevistador:

A decisão do voto estar ligada ao círculo distrital levanta um problema: há distritos onde até votaríamos noutro candidato, mas sabemos que não será eleito…

4:54 — José Adelino Maltez:

Isso é o que me aborrece. Desde a década de 90 que PS e PSD dizem que queriam implementar um modelo “alemão”. Estiveram de acordo. Círculos pequenos, proximidade. E, para não se perderem os restos de votos, uma compensação nacional. Mas não se chegou a consenso: os partidos pequenos e médios não quiseram correr o risco.

6:14 — José Adelino Maltez:

Podíamos ter, por exemplo, em Lisboa e no Porto, vários círculos, não apenas um. Quem ganhasse teria o deputado. Eu sabia em quem votei.
E o risco do localismo? Eu não via problema nenhum em acentuar o localismo. Absolutamente nenhum.

7:26 — Entrevistador:

E a qualidade dos políticos? Como está?

7:34 — José Adelino Maltez:

Está boa. Sou professor — sou responsável por eles. Se formos justos e analisarmos segmento por segmento, dá para dar notas. O problema é que nos principais partidos os candidatos não são “18”, são “14”.
E há nostalgia do tempo antigo? É velhice. Se eu fizer hoje um exercício de dar notas aos cabeças de lista, a média é razoável. Mas não posso comparar com Guterres, com Soares, com Cunhal…
Eles melhoraram. Aprendem com a prática. Dou um exemplo: a líder do PAN, na última eleição, era fraquinha; agora cresceu, está melhor. O Pedro Nuno, antes, era só comício — chegou ao Largo do Rato, apanhou consultores, treina a conversa… e aprende.

10:01 — José Adelino Maltez:

A democracia em Portugal é uma arte da conversa. Fomos fundados por catedráticos “conversadores”. A democracia é a ciência da conversa: “eu sou como tu, vem aqui”.
E quando nos fartamos dos conversadores, chamamos-lhes aldrabões e pedimos outro perfil: o incisivo. São ciclos.

11:20 — José Adelino Maltez:

As pessoas votam no perfil. O problema é eu saber para onde está o povo em cada momento: conversador, incisivo, “fazedor”…

13:16 — José Adelino Maltez:

Hoje é tudo treinado. Retórica, comunicação. Eles sabem quais são os defeitos que correm sobre eles e mudam o discurso.
O Tavares (do Livre) está confortável: é impecável. A Catarina (do Bloco) — muita gente esquece que é professora doutora; na comunicação, ela dá uma aula. Cada um escolhe o sítio onde se sente seguro.

16:17 — José Adelino Maltez:

Quem vai ganhar estas eleições são os hesitantes. Não é a abstenção que sobe ou desce: são os hesitantes que definem.

17:20 — José Adelino Maltez (sobre Montenegro):

Vamos ver no frente-a-frente. Nenhum é nabo. Mas o Montenegro ainda não treinou suficientemente para onde quer ir. Às vezes ouço três minutos e penso: “o que é que ele disse?” Falta uma chama, uma paixão — um motivo para torcermos por ele.

18:01 — José Adelino Maltez:

Portugal pode ter muitos problemas, mas não está num sentido dramático. E ninguém diz o essencial: os governos de Passos Coelho e de Costa foram bons — não deixaram uma pesada herança. Isso dá-nos liberdade. Posso escolher o que me apetece.

19:16 — José Adelino Maltez:

Os primeiros-ministros de Portugal não brincam em serviço. Têm de aturar Conselhos Europeus. São testados pelos pares. E representaram bem os interesses portugueses. A maior parte dos portugueses é europeísta.

22:46 — José Adelino Maltez:

Populismo é um jogo político. Todos podem ser populistas se isso der votos.
E não me parece que o problema seja chamar “extremistas” a um em cada quatro portugueses. Há uma franja grande que reparte voto entre Ventura e Mortágua. O Parlamento ganha com choque ideológico. Ganhamos com essa libertação interior de poder votar por convicção e sair do voto útil.

25:26 — José Adelino Maltez (sobre o Chega):

O Chega é uma coisa nova, repartida pela Europa. A diabolização é mais retórica do que substância.
E há uma coisa que os politólogos falharam: ninguém previu Ventura. Porquê? Porque não viram o que eu vejo todos os dias para adormecer: comentários de futebol. A melhor dialética pública em Portugal está aí. O Ventura aprendeu nesse confronto e levou essa dialética para a política.

27:43 — José Adelino Maltez:

O português médio é por natureza hesitante. Segunda-feira é socialista, terça é de direita… joga entre PS e PSD, e às vezes admira outros. É um cético. Quer ver “quem tem mais graça”, “quem é mais inteligente”, “qual era o filho que eu gostava de ter”.

30:35 — José Adelino Maltez:

Devíamos ter uma agência independente que fizesse contas aos programas: não para dizer quem é melhor, mas para dizer se é realizável.

33:28 — José Adelino Maltez:

A opinião pública tem peso. Analistas qualificados metem medo aos governos — e os patrões ouvem. É um jogo de influência.

37:07 — Entrevistador:

Justiça, ética e política: estamos a resolver bem?

37:37 — José Adelino Maltez:

Não sei dizer. O nosso sistema funciona pelo princípio da legalidade: tudo o que é queixa relevante, avança. Não temos uma justiça “programática”, com prioridades definidas como noutros modelos. Eu gosto mais de um modelo programático, mas isso é gosto.
Ainda assim, não estamos numa fase em que a opinião pública não confie na justiça. O português confia — na polícia, no professor, e também no poder judicial, apesar de tudo. Temos tempo.

40:28 — José Adelino Maltez:

É preciso dar mais meios para lutar contra a corrupção: informáticos, analistas, apoio técnico aos tribunais. Melhorámos. Há aparelhagem técnica que não havia.

41:12 — José Adelino Maltez:

A grande estupidez do PS e do PSD foi deixarem o Chega falar sozinho sobre corrupção. Deviam ter ocupado esse espaço. Ficaram inibidos e deixaram crescer esse discurso. Isso é culpa deles.

43:00 — José Adelino Maltez:

Portugal está por volta do 34.º país no índice de perceção. Não é mau. Podíamos ter um programa: passar do 34 para o 20 em cinco anos. É fazível.

44:01 — José Adelino Maltez (SNS):

O SNS foi fundado com paixão: médicos na periferia, trabalhavam até à meia-noite. Depois encheu-se de índices, de “treta”, e os sistemas entram em decadência na estabilidade da incompetência. O problema é mobilizar os médicos — não é diagnóstico, é reformismo certo, no sítio certo.

46:49 — José Adelino Maltez:

A pedra de toque é simples: pessoas e competência técnica e política dos ministros. E isso às vezes falha.
O português não funciona por rotina; funciona por rasgos. Precisamos de um “sonhador ativo”.

49:10 — José Adelino Maltez (Ucrânia/Rússia/Europa):

Temos de respeitar russos e ucranianos. O ódio não ajuda. Eu quero uma Europa com a Rússia, não uma Europa contra a Rússia — “da Ilha do Corvo a Vladivostok”.
Sou otimista: acho que vamos ter paz. E o projeto europeu é o melhor projeto fazível que tive na minha vida.

51:51 — Entrevistador:

Professor José Adelino Maltez, muito obrigado.

...more
View all episodesView all episodes
Download on the App Store

Pergunta SimplesBy Jorge Correia


More shows like Pergunta Simples

View all
FALA COM ELA by INÊS MENESES

FALA COM ELA

11 Listeners

Prova Oral by Antena3 - RTP

Prova Oral

14 Listeners

A Beleza das Pequenas Coisas by Expresso

A Beleza das Pequenas Coisas

9 Listeners

45 Graus by José Maria Pimentel

45 Graus

14 Listeners

Perguntar Não Ofende by Daniel Oliveira

Perguntar Não Ofende

6 Listeners

Humor à Primeira Vista by Gustavo Carvalho

Humor à Primeira Vista

1 Listeners

Fundação (FFMS) - [IN] Pertinente by Fundação Francisco Manuel dos Santos

Fundação (FFMS) - [IN] Pertinente

1 Listeners

Alta Definição by SIC

Alta Definição

6 Listeners

Voz de Cama by Antena3 - RTP

Voz de Cama

9 Listeners

Geração 80 by Francisco Pedro Balsemão

Geração 80

1 Listeners

Debaixo da Língua by Rádio Comercial | Rui Maria Pêgo

Debaixo da Língua

1 Listeners

Vale a pena com Mariana Alvim by Mariana Alvim

Vale a pena com Mariana Alvim

1 Listeners

O Nosso Olhar Para Ti by Rádio Comercial | Daniel Sampaio e Marta Amaral

O Nosso Olhar Para Ti

5 Listeners

Não Mandas Em Mim by Inês Lopes Gonçalves

Não Mandas Em Mim

0 Listeners

A Invenção do Amor by A Invenção do Amor

A Invenção do Amor

1 Listeners