
Sign up to save your podcasts
Or


Quisera estar numa praia ensolarada,
Só com minha solidão sem fundamento.
Quisera ouvir do mar todo o lamento
Quando a maré na praia é derramada.
Quisera estar numa campina bem florada,
Mas num sepulcro de silêncio e cores.
Só ouvindo o vento a balançar as flores,
Contemplando borboletas em revoada.
Quisera estar numa planície imensaz
Num deserto de areia enorme, infindo,
Quisera ver no céu, anjos sorrindo
E ouvir sons de violino em nuvem densa.
Eu sou o mar, que à praia, soluçando,
Derrama lágrimas de lamento e dores.
Tu és borboleta revoando...
Tu é o vento balançando as flores.
Poesia de Nêodo Noronha Dias
Voz de Joaquim de Paula
O Telefonema
Um telefonema... um encontro marcado,
Um mistério a ser desvendado
uma angustia atróz
um sofrer por minutos que correm
ilusões e alegrias que morrem
ao ouvir pelo fio uma voz
a voz da mulher que se ama
pelo fone, nervosa, nos chama
sem dizer a razão
pensamentos atrozes torturam
e lembranças suaves murmuram
está morta aquela paixão
Nossos olhos marejam de água
nosso peito se enche de mágoa
numa frase insosa, banal
talvez seja o amor florencendo
talvez seja o amor que morrendo
vá chegando ao seu ponto final.
Poesia de Nêodo Noronha Dias
Voz de Joaquim de Paula
No dia que me vires na miséria,
Paupérrimo, roto, desgraçado,
A implorar de porta em porta
A esmola que conforta,
Há de esclamar:
"Coitado..."
No dia em que me vires na miséria,
Quse rastejando a teus pés,
Pobre, caminhando pelo mundo,
Quase sem vida, quase moribundo,
Hás de perguntar:
"Quem és?..."
No dia em que me vires na miséria,
Implorando quase já sem voz,
Esqálido, me sustendo a custo,
Vais reconhecer-me e com susto,
Hás de te lembrar:
Quem fomos nós..?!
Poesia de Nêodo Noronha Dias
Voz de Joaquim de Paula
Música: La Puñalada
Gosto de tudo que está acontecendo
Gosto tanto de te gostar...
(Preciso de sua ajuda!!)
Anônimo
Vivo sonhando com a côr azul celeste
Rasga o céu azul, um sol dourado.
Você não sabe o que é sentir saudade...
Sou feliz porque te amo
Se uma estrela brilha ofuscante e bela,
Se uma borboleta em revoada mansa,
Se um raio de sol, deslisa mansamente
Poesia de Nêodo Noronha Dias
Era um cachorro,
Trombava nas samambaias
Dunga era um ser feliz
Como parecia dizer
Dunga morto.
Poesia de Nêodo Noronha Dias
Receita para espantar tristeza
Pega-se uma flor vermelha em cuja luz se espelha
A alegria sutil d'uma alvorada e espeta-se na lapela.
Prende-se uma cigarra alvoroçada com o barulho da mata,
E junta-se o seu canto ao canto soberbo da cascata.
Depois encha o teu peito com o ar frio da madrugada,
Segura no ar o canto de algum seresteiro e enamorado.
Prenda por momentos a luz do ocaso e pensa na amada.
E ponha um pouco de cor em teu coração calado.
Molha o teu cabelo com o orvalho da manhã fria
Toma a caridade ofuscante de uma estrela erradia
E junta tudo isso dentro de tua alma negra de amargura.
Se não sentires dentro de tua alma a calma almejada,
E se teu olhar não tiver a luz clara azul da madrugada,
Então meu grande amigo, para o teu mal, não vejo cura!
Poesia de Nêodo Noronha Dias
From the publisher's feed