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Apontado como um dos responsáveis pela revitalização da cena cultural e noturna de São Paulo, o empresário Facundo Guerra conta como começou a carreira em empresas de tecnologia, mas hoje a relação piorou muito. Em entrevista a Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, ele revela como não vê outros bares como rivais, pois seus grandes rivais são as big tech. Ele começou a lidar com internet ainda nos anos 1990, quando fazia pesquisas em engenharia de alimentos e usava BBS, um dos primeiros sistemas de troca de mensagens. Depois disso, trabalhou na AOL, uma das primeiras empresas de internet. De lá saiu para abrir sua primeira boate, já no início da década de 2000. Para Facundo, era uma época em que o físico e o digital ainda eram mundos separados, distinção que já não faz sentido. Hoje, porém, Facundo se define como “vassalo da Meta”: depende das redes para existir, mas vê as big techs como suas grandes inimigas, já que elas fazem de tudo para as pessoas não saírem de casa. O empresário critica o trabalho gratuito de produzir conteúdo para as plataformas, que toma até 30% do seu tempo. “É como criar no escuro”, diz, porque os algoritmos são uma caixa-preta e tiram das pessoas a própria autonomia. Por isso, acredita que os negócios precisam oferecer experiências que vão muito além do produto.
Facundo Guerra acredita que a inteligência artificial muda completamente o jogo do empreendedorismo. Não necessariamente para melhor. Ele afirma que, com pouco investimento, qualquer pessoa já tem acesso ao mesmo ferramental de uma multinacional. Isso encurta o tempo de criação e torna o lucro uma meta ainda mais imediata. “Tudo o que antes precisava de uma equipe, agora pode ser feito por uma IA.” O preocupante vem depois: “se tudo for automatizado, quem vai consumir?”. Ele reconhece que, como empregador, já adota IA para reduzir custos: “já deixei de contratar designers, porque a IA fez o trabalho”. Ainda assim, ele lamenta o impacto social que está por vir. Facundo acredita que o uso indiscriminado da IA mata a alma de um negócio, já que as máquinas não são capazes de imprimir a personalidade de quem está por trás das ideias.
A inteligência artificial é uma aliada dos pequenos empreendedores, diz o empresário Facundo Guerra. Para ele, ferramentas como o ChatGPT ou o Perplexity já funcionam como consultores completos, capazes de revisar contratos, analisar planilhas e apontar o que deve ser feito para melhorar o negócio no mês seguinte. Em contrapartida, o empresário critica o mundo das aparências e o foco em estética em detrimento da consistência. “Bonito e quebrado é mais comum que o feio sustentável”, provoca. A decepção entre expectativa e realidade, para ele, é o que mais mata negócios. Sobre o futuro do trabalho? Facundo não é otimista. “Quem está empregado precisa começar a pensar num mundo sem emprego”, alerta. E completa: “Empreender é muito trabalho e zero garantia. Eu não recomendo para qualquer pessoa.”
Facundo Guerra questiona a narrativa romântica em torno do empreendedorismo. Para ele, a ideia de “unicórnio de si mesmo”, ou o mito de que qualquer pessoa pode se tornar uma startup bilionária, é enganosa e exaustiva. “Empreender é o caminho entre a faísca e o negócio lucrativo. Mas ninguém fala o quanto isso é desgastante. É mais difícil que correr uma maratona”, diz. Ele critica o discurso motivacional que vende o empreendedorismo como libertador. “Nos contaram uma mentira. Zuckerberg e Elon Musk não são exemplos de self made men. Eles são herdeiros, nasceram com privilégios”, afirma. Segundo Facundo, a figura do empreendedor genial que começa na garagem não existe, e não representa a realidade brasileira. No Brasil, diz ele, empreender não é uma escolha glamourosa, mas uma necessidade. “A verdadeira empreendedora é a mãe solo que vende bolo de pote na periferia.”
Cerca de 13% das pessoas que investem já usam ferramentas genéricas de inteligência artificial. Mas essa não é a primeira vez que a tecnologia muda o mercado financeiro. Lá atrás, os primeiros computadores já tinham transformado as operações. Depois veio a internet, que abriu espaço para que qualquer pessoa investisse de casa, os famosos home brokers. Agora, entramos numa nova fase. A IA é capaz de analisar dados, dar dicas e até sugerir onde investir. O mercado de consultoria robótica já movimenta mais de 61 bilhões de dólares, e deve crescer até seis vezes nos próximos anos. Mas nem tudo são flores, ou rendimentos. Especialistas alertam: há uma diferença enorme entre um analista experiente que usa o ChatGPT como copiloto e alguém totalmente leigo pedindo para a IA escolher ações. As ferramentas podem ser boas fontes para organizar informações e gerar insights, mas não devem ser vistas como oráculos financeiros. Elas não preveem o futuro, e o ideal é usá-las para entender o mercado, não para tentar adivinhar resultados. No meio dessa onda, ainda surgiram muitas empresas dizendo usar inteligência artificial em seus produtos... mas sem usar de verdade. É o chamado AI washing: vender a ideia de um serviço inteligente só para surfar na hype da IA.
Há tanto investimento em inteligência artificial que, às vezes, as notícias parecem sempre as mesmas. E no centro de tudo, quase sempre, está a OpenAI. O volume das negociações já ultrapassa 1 trilhão de dólares, quase metade do PIB do Brasil, que gira em torno de 2,2 trilhões. É tanto dinheiro circulando que a linha entre parceria e concorrência ficou difusa. A OpenAI, por exemplo, uma hora é cliente, outra fornecedora, depois parceira das mesmas empresas com as quais compete. Está ao mesmo tempo em negócios com a Nvidia, Oracle, AMD e Broadcom. Enquanto isso, a Nvidia anuncia acordo com a Intel, e a Meta fecha parceria com o Google e a Corewave. O dinheiro vai e volta num ciclo quase hipnótico: uma empresa financia a outra, que reinveste na concorrente, e tudo se retroalimenta. Esse vai e vem preocupa o mercado, porque uma depende da outra para sustentar negócios bilionários. Mas pra isso se manter, a IA precisa entregar o retorno prometido, e ainda não está claro se isso vai acontecer. Algumas empresas já estão freando o uso da tecnologia ou descobrindo que ela não é necessária em tantos projetos quanto parecia. A inteligência artificial é o motor da economia americana hoje, mas só o tempo vai dizer se estamos vendo uma revolução ou o crescimento de uma bolha.
A OpenAI anunciou uma nova integração do ChatGPT com outros aplicativos e chamou a novidade de “conversando com apps”, uma forma de mostrar que a ferramenta agora quer falar com o mundo lá fora. Um dos exemplos mais práticos dessa integração é o Spotify: o usuário pede uma playlist dentro do ChatGPT e a IA cria e salva direto na conta dele no app de música. Mas a estratégia da OpenAI vai muito além disso, e revela a verdadeira disputa da vez. A corrida entre as big techs de inteligência artificial já não é por quem tem o modelo mais poderoso, e sim por quem vai conseguir criar o ecossistema mais completo, aquele que mantém o usuário dentro da sua plataforma. O sonho da OpenAI é se transformar num sistema operacional da inteligência artificial, atraindo desenvolvedores para criar produtos voltados diretamente às pessoas. Enquanto isso, o Gemini, do Google, segue outro caminho e aposta nas empresas. A OpenAI, por outro lado, mira no público final. Quer estar na sua rotina, no seu celular e, de preferência, em todas as suas conversas..
No novo episódio, Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, trata dos planos do governo Lula de transformar o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) no vigia das grandes empresas de tecnologia, uma espécie de "xerife das big tech". Para explicar as adaptações, o programa recebeu Victor Oliveira Fernandes, conselheiro do Cade. Segundo ele, as leis tradicionais de defesa da concorrência não dão conta da velocidade dos mercados digitais, onde empresas crescem rápido, formam oligopólios e concentram poder. Para enfrentar o problema, o governo Lula enviou ao Congresso Nacional o Projeto de Lei 4675/25, que define critérios para monitorar grupos tecnológicos bilionários, como Alphabet (Google), Meta e Microsoft. Um desses quesitos para ser enquadrado na nova regra é o efeito de rede: plataformas com muitos usuários atraem ainda mais gente, fazendo com que qualquer nova função tenha alta adesão e impacte serviços concorrentes imediatamente. Hoje, o Cade só age após suspeitas de abuso, em processos que podem levar anos, mas o PL quer inverter a lógica e obrigar as empresas a terem seus produtos e serviços avaliados antes de serem lançados.
Nunca estivemos tão conectados e, ao mesmo tempo, tão sozinhos. Em entrevista a Deu Tilt, apresentado por Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes, o psicanalista Christian Dunker explica que o sentimento de solidão vem crescendo em escala global, e é bem diferente da solitude, a capacidade saudável de estar consigo mesmo. O que vemos hoje é uma mistura de FOMO (medo de ficar de fora, na sigla em inglês), isolamento e exclusão. Mas essa sensação não é incompatível com o aumento da sociabilidade, pelo contrário: quanto mais expandimos nossas interações, mais percebemos que somos apenas mais um indivíduo entre tantos outros. Colecionar “um milhão de amigos”, ainda que não seja possível se dedicar a eles, serve somente para polir nossa imagem, gerando o que Dunker chama de “economia da inveja”. Ou seja, vivemos versões editadas de nós mesmos para exibir ao público. É da inviabilidade de sustentar isso que aparecem sintomas como a depressão e a ansiedade. Transformado praticamente numa extensão do nosso corpo, o telefone celular cumpre um papel central nessa equação. A partir daí, surge a pergunta: o celular sequestra as funções do nosso cérebro ou amplia os poderes humanos? Afinal, seu uso constante elimina qualquer possibilidade de pausa ou respiro, elementos essenciais para o ser humano. Para Dunker, o problema não está no aparelho em si, mas na forma como ele tem sido utilizado. Esse cenário ainda traz outro efeito colateral: uma incapacidade crescente de lidar com frustrações. Se tudo é imediato, se a exposição é constante, falta espaço para processar ausências, elaborar falhas e sustentar relações com mais profundidade.
O Pix é sucesso de público (levou mais de 70 milhões de brasileiros a terem conta em banco) e de crítica (é o meio de pagamento mais amado do Brasil) e, por isso mesmo, já cultiva inimigos. O governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, abriu investigação de práticas comerciais do país supostamente injustas contra empresas norte-americanas e inclui o Pix na mira. Em conversa com Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes, no Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Sebástian Fantini, diretor de produto do Ebanx, conta o que faz do Pix uma tecnologia tão única em todo o mundo. A empresa brasileira intermedeia os pagamentos de companhias estrangeiras, muitas delas americanas, que atuam no Brasil. E contar com Pix entre as opções de pagamento faz com que elas vendam mais por aqui.
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