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A guerra entre Israel, Estados Unidos e Irã abriu uma nova fase de instabilidade no Oriente Médio. Desde o final de fevereiro, ataques militares, ameaças de escalada regional e disputas estratégicas entre potências voltaram a colocar a região no centro da política internacional. Mas como acontece com frequência no Oriente Médio, guerras entre Estados também acabam reativando conflitos históricos que atravessam fronteiras nacionais. Um desses conflitos é a chamada questão curda. Espalhados por países como Turquia, Iraque, Síria e Irã, os curdos formam um dos maiores povos do mundo sem um Estado próprio.A questão curda atravessa toda a história política do Oriente Médio moderno.
Ao longo do último século, os curdos estiveram envolvidos em diferentes conflitos regionais e também em alianças estratégicas com potências externas. Agora, com a guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, volta a surgir a pergunta: até que ponto os movimentos curdos podem influenciar os rumos desse conflito? E quais seriam as consequências regionais de uma mobilização curda nesse momento? Para conversar sobre tudo isso com a gente, recebemos hoje Monique Sochaczewski, doutora em História, Política e Bens Culturais, professora do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) e Cofundadora e Pesquisadora Sênior do Grupo de Estudos e Pesquisa sobre o Oriente Médio (GEPOM).
No dia 28 de janeiro, Israel e os Estados Unidos realizaram ataques coordenados contra alvos estratégicos no território do Irã. Segundo o governo de Israel, o objetivo era atingir estruturas militares e capacidades consideradas ameaças diretas à segurança israelense. A resposta iraniana veio pouco tempo depois, com o lançamento de mísseis e drones que atingiram não apenas alvos militares, mas também áreas civis em Israel. O confronto, que já vinha se desenhando há anos, entrou novamente em uma fase aberta e direta. Não estamos falando de uma ação pontual. Estamos falando de dois Estados que já haviam cruzado linhas vermelhas no passado recente e que agora voltam a testar os limites da dissuasão.Essa nova escalada reacende uma pergunta central: até onde esse confronto pode ir?
O Irã sustenta uma rede de aliados armados na região, como o Hezbollah, enquanto Israel afirma que não aceitará a consolidação de ameaças estratégicas em suas fronteiras. Para entender o que está acontecendo agora, quais são os riscos de ampliação desse conflito e como a sociedade israelense está vivendo esse momento, recebemos hoje a jornalista e correspondente do IBI em Israel, Daniela Kresch.
No dia 28 de janeiro, o governo Lula realizou uma reunião com diversos representantes da comunidade judaica para discutir o combate ao antissemitismo no Brasil. Por parte da sociedade civil, estiveram presentes instituições, figuras e nomes relevantes, entre eles, o Instituto Brasil-Israel. Por parte do governo, estiveram o vice-presidente, Geraldo Alckmin - que estava no exercício da presidência na ocasião, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, da Gestão, Esther Duek, e a ministra substituta das Relações Exteriores, Maria Laura. Por que essa reunião aconteceu? Qual era o objetivo? O que pode mudar depois desse diálogo?Além da reunião, a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, esteve em São Paulo e visitou instituições judaicas como o Memorial do Holocausto e a Casa do Povo. Para saber mais sobre essa ponte de diálogo, a gente conversa com uma parte fundamental deste processo: Clara Ant, chefe da Assessoria Especial de Apoio ao Processo Decisório da Presidência da República.
O caso Jeffrey Epstein voltou ao centro do debate público depois da divulgação de novos documentos ligados à sua rede de contatos. O que deveria ser uma discussão sobre abuso de poder, impunidade e responsabilidade institucional rapidamente se transformou em algo maior. No Brasil, o sociólogo Jessé Souza publicou um vídeo associando o caso a um suposto “lobby judaico” e ao sionismo, ampliando o escândalo para uma narrativa de controle global. A repercussão foi imediata, e revelou algo que vai além de um episódio isolado: o retorno de velhas teorias conspiratórias com nova linguagem. O que está em jogo quando um crime real vira combustível para o antissemitismo?
O caso Epstein envolve vítimas reais, redes de poder reais e falhas institucionais que precisam ser investigadas com seriedade. Mas o que estamos vendo agora é um deslocamento preocupante: o escândalo passa a ser usado como prova de uma suposta conspiração judaica global, às vezes explicitamente, às vezes sob o rótulo de “sionismo” ou “elite financeira internacional”. Esse tipo de narrativa não nasce em um campo político específico. Ele aparece tanto em setores da extrema-direita, que reciclam mitos clássicos sobre controle judaico do mundo, quanto em setores da esquerda, que revestem a mesma estrutura conspiratória com linguagem anti-imperialista ou antissionista. Em comum, está a lógica de transformar indivíduos em símbolos e símbolos em explicações totalizantes. Para entender como esse mecanismo funciona, e por que ele reaparece com tanta força em momentos de crise institucional, convidamos Daniel Feldmann, professor da Universidade Federal de São Paulo.
Entre tantas decisões que atravessam a parentalidade, uma pergunta aparece com frequência nas famílias judias: como garantir que as crianças tenham contato com os valores judaicos e, ao mesmo tempo, com a diversidade? Uma escola judaica é a solução? Há outros espaços, além das instituições formais de ensino, que promovam a educação judaica?
A decisão não se trata apenas de escolher uma instituição de ensino, mas de refletir sobre pertencimento, identidade, memória e futuro, ao mesmo tempo em que se busca garantir que seus filhos e filhas cresçam em diálogo com a diversidade. Para essa conversa, convidamos a Dália Schneider, formada em Direito pela PUC SP e pós graduada em Pedagogia Waldorf, pela Faculdade Rudolf Steiner. Trabalha com educação judaica há quase 2 décadas e atualmente é uma das Coordenadoras do departamento de Ensino da Comunidade Shalom - Sinagoga Masorti de São Paulo. Também é consultora do Museu Judaico de São Paulo, onde contribui para a promoção e preservação da identidade judaica por meio da formação de educadores, desenvolvimento de atividades e produção de conteúdo.
Israel volta a se aproximar de mais um ciclo eleitoral em um contexto que já não é exceção, mas quase regra: polarização extrema, dificuldade de formação de maiorias e a sensação de que o sistema político está preso a um impasse permanente. Mesmo depois de anos de eleições sucessivas, o país parece girar em torno dos mesmos nomes, dos mesmos blocos e das mesmas disputas fundamentais. O que essas eleições dizem sobre o momento político israelense? E por que sair do lugar parece tão difícil?
Segundo análises recentes, Israel entra nesse novo ciclo eleitoral em uma espécie de “nova era”, marcada por guerra, trauma coletivo e tensão institucional, mas sem grandes novidades no elenco político. Ao mesmo tempo, os campos rivais se mostram cada vez mais rígidos, o que torna o cenário pós-eleitoral tão incerto quanto o pré-eleitoral. Para entender o que está em jogo, os limites desse sistema e os possíveis desdobramentos, convidamos Marcos Gorinstein, brasileiro que mora em Israel e apresenta o podcast “Do lado esquerdo do muro”, ao lado do João Miragaya.
A Marcha da Vida ainda faz sentido? Para muita gente, a Marcha da Vida, programa que leva jovens judeus a um percurso de duas semanas entre Polônia, Berlim e Israel, foi uma experiência transformadora, quase um rito de passagem. Mas hoje, em um mundo atravessado por guerras, polarizações, disputas de narrativa e um crescimento preocupante do antissemitismo, essa experiência é interrogada de novas formas.
O que significa caminhar por campos de extermínio num momento em que a memória da Shoá é relativizada ou instrumentalizada? Como falar de Israel com jovens que vivem tensões políticas, éticas e afetivas em relação ao Estado? E de que forma o programa pode continuar sendo um espaço de educação, memória e reflexão crítica para as juventudes judaicas diversas de hoje? Para conversar sobre o tema, convidamos mais uma vez o Yoel Schvartz, sociólogo e historiador, professor de história judaica e palestrante no Yad Vashem, o museu do Holocausto em Jerusalém. Nasceu na Argentina, mora em Israel faz trinta anos, foi diretor do instituto para a formação de liderança em Jerusalém e morou no Brasil no começo dos anos dois mil - por isso, fala português.
No final de 2025, o Irã voltou ao centro do noticiário internacional, mas não por uma guerra externa ou por negociações nucleares. O que vemos agora são protestos internos de grande escala, espalhados por diversas cidades, impulsionados por uma combinação explosiva de crise econômica, repressão política e desgaste profundo do regime. Com relatos de milhares de mortos, prisões em massa e apagões de internet, as manifestações levantam uma pergunta central: estamos diante de mais um ciclo de repressão brutal ou de uma fissura estrutural no sistema político iraniano?
O Irã de hoje expõe um dilema conhecido em outros contextos autoritários: um Estado que se sustenta pela repressão, mas que enfrenta uma sociedade cada vez mais fragmentada, cansada e sem ilusões. Ao mesmo tempo, a oposição, dentro e fora do país, aparece dividida, disputando legitimidade, narrativas e até símbolos do passado. Enquanto o regime acusa interferência estrangeira e tenta controlar a informação, manifestantes arriscam a vida em um ambiente de violência extrema e isolamento digital. Para discutir o que está por trás dessas manifestações, os limites da oposição iraniana, o papel da comunidade internacional e os cenários possíveis para o futuro do país, a gente conversa hoje com Monique Sochaczewski, doutora em História, Política e Bens Culturais, professora do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) e Cofundadora e Pesquisadora Sênior do Grupo de Estudos e Pesquisa sobre o Oriente Médio (GEPOM)
Nos últimos anos, o debate sobre antissemitismo voltou ao centro da política global. Mas não apenas como um fenômeno ligado à extrema direita, às teorias conspiratórias ou ao negacionismo histórico. Cada vez mais, ele também aparece em ambientes progressistas, em discursos que se apresentam como antirracistas, decoloniais ou defensores dos direitos humanos. Em cidades como Nova York, lar da maior comunidade judaica fora de Israel, esse debate ganhou contornos muito concretos: decisões institucionais, disputas simbólicas e tensões reais sobre segurança, liberdade de expressão e pertencimento. Quando o antissemitismo deixa de ser apenas uma ideologia e passa a moldar políticas públicas, em ambos os lados do espectro político, o que está realmente em jogo?
A ascensão de figuras políticas ligadas à extrema direita e à extrema esquerda tem revelado algo inquietante: apesar das diferenças ideológicas profundas, certos discursos se encontram quando o assunto é o judeu, seja como símbolo de poder, de opressão ou de ameaça. Em Nova York, a eleição de Zohran Mamdani e decisões como o fim da proibição de protestos em frente a sinagogas reacenderam um debate sensível: onde termina a crítica política legítima e onde começa a intimidação de uma minoria? Para discutir os pontos de encontro entre extrema direita, extrema esquerda, antissemitismo contemporâneo e as preocupações das comunidades judaicas, a gente conversa hoje com Fábio Zuker, que é pesquisador com enfoque na área socioambiental, doutor em antropologia pela Universidade de São Paulo, realizou pós-doutorado na Princeton University (EUA) Collège de France na França.
O 7 de outubro aconteceu há mais de dois anos. Todos os reféns vivos voltaram a Israel e, entre os mortos, há um corpo que ainda não foi devolvido pelo grupo terrorista Hamas. Mas nada disso quer dizer que o assunto está encerrado. Cada um dos ex-reféns têm seu próprio tempo para estar pronto para contar o que aconteceu durante o período em cativeiro. Alguns relatos têm saído na imprensa israelense, enquanto outros podem não ser publicados nunca.
Nesse episódio, a gente vai trazer algumas das histórias desses ex-reféns. Então, fica aqui o aviso de conteúdo sensível, com descrições de tortura, violência psicológica, física e sexual. Quem traz pra gente esses relatos que estão sendo publicados em Israel é Daniela Kresch, jornalista e correspondente do IBI.
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