Ainda assim, os juros reais são os maiores no mundo, quando descontados a inflação, seja ela dos últimos 12 meses ou a prevista para os próximos 12 meses. Por quanto tempo isso irá durar? Vai depender do IPCA, entenda.
Ao levar em consideração a inflação projetada para os próximos 12 meses, no caso brasileiro em 4,99%, os juros reais atingem o patamar de 8,22%, deixando o Brasil no topo da lista, acima de México, Colômbia e Chile aqui na América Latina, que apresentam juros positivos.
Ao comparar com os EUA (-1,32%) e países da Zona do Euro, que até pouco tempo atrás praticavam juros nominais (antes de descontar a inflação) negativos, percebe-se que nesses países os juros reais estão negativos, por conta da inflação futura que eles já começam a sentir agora.
Uma outra metodologia de comparação é usando a taxa nominal descontada da inflação dos últimos 12 meses. Nesse caso, a taxa de juros reais cai para 5%, mas também no topo de uma lista de países importantes na economia mundial, seguido por China, Hong Kong e Arábia Saudita.
O que isso tudo quer dizer e por quanto tempo vai durar? Isso significa que os investidores internacionais continuam tendo ganhos reais ao investir, com segurança, em títulos brasileiros, pois remuneram acima da inflação. Além disso, o Real não sofre pressão de desvalorização.
Por outro lado, mostra que a ferramenta usada pelo Banco Central para combater a inflação é correta, mas trará uma forte desaceleração na economia em 2023, se a taxa se mantiver elevada, com uma inflação em queda. Como o COPOM manteve os juros, pode ser que caiam em breve.