Sim, é possível. O Boletim FOCUS já precifica a inflação em 6,61% e não levou em consideração a queda do preço da gasolina da semana passada. Quando isso ocorrer, já deve mudar para um patamar mais baixo, próximo ou abaixo de 6% no fim de 2022.
O peso da gasolina na composição do IPCA é muito relevante. Ela tem o maior peso individual na formação do índice e na última divulgação do IPCA, em julho, apresentou uma redução no índice de 1,04 p.p., após ter caído 15,48% no mês. O IPCA de julho teve deflação de 0,68%.
O IPCA-15 de agosto trouxe uma deflação de 0,73%, puxado para baixo pela queda de 16,80% da gasolina, que trouxe uma contribuição negativa de 1,07 p.p. Com isso, o IPCA deve trazer uma queda de igual patamar, substituindo a elevação de 2021, deixando o acumulado em 8,47%.
Quando os meses de agosto e setembro deste ano entrarem na composição do acumulado de 12 meses do IPCA, com deflação, irão substituir os mesmos meses que tiveram forte elevação em 2021. Agosto teve elevação de 0,87% e setembro, 1,16%, puxados, principalmente pela gasolina.
Uma nova deflação no mês de setembro, puxada pela queda nos preços da gasolina, deve derrubar 2 pontos percentuais no IPCA, deixando o índice próximo de 6% ou até abaixo dele, a depender do tamanho da deflação no mês de setembro de 2022, substituindo o aumento de 1,16% de 2021.
Outros fatores, claro, influenciam o IPCA, mas o índice de difusão tem mostrado que há uma redução na propagação de itens sendo reajustados e isso deve continuar nos próximos meses por conta da alta taxa de juros usada pelo Banco Central para combater a inflação.
O IGP-M já vem mostrando isso com queda de 0,70% em agosto. Vários insumos apresentaram queda no IPA - Índice de Preços ao Produtor Amplo, de matérias-primas brutas (-0,63%), bens intermediários (-0,76%) e finais (-0,73%), que devem segurar os preços dos demais itens do IPCA.