Uma pesquisa publicada na revista científica The Lancet Planetary afirma que a poluição do ar pode estar tornando bactérias mais resistentes aos antibióticos. O estudo com dados de 116 países analisados entre 2000 e 2018 mostrou que a resistência a antibióticos é mais alta no norte da África, Oriente Médio e sul da Ásia, enquanto é mais baixa na Europa e na América do Norte. Pesquisadores da Universidade de Zhejiang, na China, e da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, descobriram “correlações significativas”, em diversas partes do mundo, entre partículas poluentes conhecidas como PM 2,5 – pequeníssimas partículas de sólidos ou líquidos que pairam no ar, como poeira, sujeira e fuligem – e a resistência a antibióticos. Os autores estimam que a resistência aos antibióticos derivada da poluição do ar causou nada menos que 480 mil mortes prematuras em 2018 e que, se nada for feito para reverter a situação no futuro, o número de óbitos pode aumentar 56,4% até 2050. Ao todo, a análise incluiu dados de mais de 11,5 milhões de amostras, abrangendo nove patógenos bacterianos (bactérias capazes de causar doenças) e 43 tipos de antibióticos. Em entrevista à Rádio Eldorado, o médico patologista da Faculdade de Medicina da USP Paulo Saldiva, especialista em poluição do ar, disse que a resistência a antibióticos já era um problema independentemente da poluição, mas ressaltou que “onde tem mais poluição existe mais frequência de bactérias resistentes”. Segundo Saldiva, a poluição vem caindo na cidade de São Paulo nos últimos anos, mas é preciso investir mais em fontes limpas de energia, principalmente no transporte público. “Mesmo as pessoas não fumantes possuem uma tatuagem de carbono no pulmão”, afirmou.
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