Estado da Arte

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Estado da Arte episodes

  • O ‘Livro do Apocalipse’
    O começo é grandiloquente:
    No princípio, Deus criou o céu e a terra. A terra estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo, e um sopro de Deus agitava a superfície das águas. Deus disse: ‘Haja luz’ e houve luz.
    Porém o fim da Bíblia hebraica no Livro das Crônicas é um anticlímax amargo: YAHWEH destruindo Jerusalém pelas mãos do Rei da Babilônia e dispersando os judeus que escaparam à espada. Já o Testamento cristão começa com a imagem prosaica de um bebê numa manjedoura, mas tem um gran finale cataclísmico: o vislumbre do trono de Deus celebrado por multidões e depois aquela torrente interminável de horrores. Se a Antiga Aliança progredia por catástrofes pedagógicas – o dilúvio, a demolição de Babel, as pragas do Egito – aqui é o fim – o Universo em holocausto. Tudo é superlativo, delirante: massacres planetários; chuvas de estrelas; lagos de fogo; oceanos de sangue; gafanhotos como cavalos com armaduras, face humana, dentes de leão, cabelos de mulher e cauda de escorpião; um Deus que vomita gente morna; legiões sob um Cristo que ora é um cordeiro com sete olhos e sete chifres ora um vingador de cabelos brancos, olhos de fogo, pés de bronze e a boca aberta de onde salta uma espada. Que diabos é esse caleidoscópio de fantasmagorias? Terrorismo espiritual? O pesadelo de Deus? O sonho do Demônio?
    O Fim dos Tempos começa com palavras claras mas alarmantes: “Revelação de Jesus Cristo… das coisas que devem acontecer muito em breve.” Porém há quase dois mil anos inflamam nosso imaginário moldando nossa história: das catedrais góticas aos futurismos tecnofóbicos, das seitas messiânicas aos revolucionários milenaristas e vice-versa. O que há por trás dessas visões e além? Serão o começo do Fim ou o fim de um começo? O fim do Mundo ou a morte da Morte? A extrema-unção da humanidade ou seu batismo de fogo? Só Deus sabe ou deveríamos saber ler os sinais dos tempos? Mas como digerir esse vomitório de figuras inextricáveis sempre conflagradas por interpretações intrincadas para servir ambições obscuras?
    A mensagem final, ao menos, é mais clara que a água, clara como a luz. No fim o espírito por trás das letras revela que já veio e está vindo um Novo Céu e uma Nova Terra onde todos os seres vivos se congraçarão eternamente em torno a uma Nova Jerusalém de onde o Messias que é o Amor encarnado reina como o coração do corpo cósmico – porém não sem antes sofrimentos que desafiam nossas forças, imaginação e esperança (como uma crucificação deve desafiar) – ; nos últimos versículos da última página da Bíblia cristã, antes do último ponto final da história de Deus e suas criaturas, de seu Filho e sua mãe, irmãos, irmãs e Esposa, as últimas palavras são no fim familiares como um “Adeus”, singelas como um “Até mais ver…”:
    “Sim, venho muito em breve!”, diz aquele que atesta essas coisas.
    Amém! Vem, Senhor Jesus!
    A graça do Senhor Jesus esteja com todos! Amém.
    Convidados
    José Adriano Filho: coordenador de pesquisa em teologia e ciências da Religião da Faculdade Unida de Vitória. 
    Kenner Terra: professor de literatura e exegese bíblica da Faculdade Unida de Vitória.
    Paulo Nogueira: professor de história e literatura do cristianismo primitivo na Universidade Metodista de SP.
    Fontes em O Grande Teatro do Mundo
    Referências

    * Rivelazione e Storia. Ermeneutica dell’Apocalisse de Renato Ammannati.
    * Back to the Future: A Study in the Book of Revelationde Ralph E. Bass Jr.
    * The Theology of the Book of Revelation de Richard Bauckham.
    * Apocalypse de Hans Urs von Balthasar.
    * “Revelation” em Commentary on the New Testament Use of the Old Testament de G.K. Beale e Sean M. McDonough.
    * La Message de l’Apocalypse de E. Cothenet.
    * The Book of Revelation de G.K. Beale.
    * Die Offenbarung Johannis de Bousset.
    * L’Apocalisse de D. Barsotti.
    59 min
  • Dostoiévski
    Segundo Otto Maria Carpeaux, “a literatura russa do século XIX teve que desempenhar várias funções, além da literária propriamente dita: era jornalismo, num país em que não existia imprensa livre; era tribuna política, num país em que não havia parlamento; era cátedra universitária, num país em que as universidades eram fiscalizadas pelos agentes de polícia; era púlpito, num país em que a própria Igreja estava muda.” Num jogo tão complexo, Dostoiévski conseguiu subir ao pódio, talvez só acompanhado por Tolstoi, como o mais celebrado romancista russo. As razões variam. O filósofo Berdiaev afirmava que ele foi não só um grande artista, mas o maior dos metafísicos russos. Para Albert Camus foi ele, e não Karl Marx, o grande profeta do século XIX. Einstein declarou que Dostoiévski lhe deu “mais do que qualquer outro pensador”, provendo-lhe um vislumbre inspiracional no relativismo e na instabilidade da realidade. Nietzsche confessava que “ele foi o único que me ensinou alguma coisa em psicologia” e Freud confidenciou: “Dostoiévski sabia mais sobre a alma humana do que eu.” Segundo seu biógrafo Joseph Frank: “Ele possuía o que eu chamo de uma ‘imaginação escatológica,’ capaz de visualizar ideias em ação e então segui-las até as suas últimas consequências”. Seus romances policêntricos nos precipitam entre pontos de vista existenciais de diferentes personagens, onde o realismo externo se choca com realidades interiores que oscilam entre a mística e a patologia. Em meio a emoções vulcânicas, intrigas labirínticas e ideias extremadas, mesclam-se o burlesco e o trágico, o sentimentalismo e o cinismo. De fato, notou Leonid Grossman, “ele passou por vários estágios na busca por uma verdade guia – romantismo, socialismo utópico, cristianismo (especificamente, a ortodoxia russa), o ‘solo’ do eslavofilismo, a ‘Era de Ouro’ e a luta contra a Europa ‘agonizante’, e, finalmente, a teocracia, ou seja, uma Igreja-Estado.” Em oposição ao mundo imóvel, claro e preciso de Tolstoi, o filósofo Vladimir Soloviov afirmava: Aqui tudo está em fermentação, nada está formado, tudo está em formação. … [Dostoiévski] não acreditava somente no passado mas no Reino de Deus vindouro, e compreendia a necessidade do trabalho e do sacrifício para a sua realização”. O próprio escritor confessava:
    Sou um filho do meu tempo, um filho da descrença e da dúvida até este exato momento e (tenho certeza disso) até o túmulo. … [Mas eu] compus em mim uma profissão de fé, onde tudo é claro e sagrado. Esta profissão de fé é bastante simples, ei-la: crer que não há nada mais belo, mais profundo, mais simpático, mais razoável, mais corajoso ou mais perfeito que Cristo; e não somente não há nada, como não pode haver. Mais ainda: se alguém me provasse que Cristo não está na verdade, e se fosse realmente estabelecido que a verdade não está com Cristo, eu preferiria permanecer com Cristo mais do que com a verdade.
    Não à toa, Dostoiévski declamava frequentemente em público o poema O Profeta, de Púchkin, concluindo:
    A voz de Deus me conclamou:
    ‘Ergue-te, Ó profeta, vê e ouve,
    Enche-te com a minha Vontade,
    Avança sobre terras e mares,
    E inflama os corações dos homens com o teu Verbo’.
    Convidados 
    Flávio Ricardo Vassoler: Doutor em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo e autor de Dostoiévski e a Dialética. 
    Lucas Simone: Doutorando em Literatura e Cultura Russa pela Universidade de São Paulo e tradutor de Memórias do Subsolo.
    Priscila Marques: Doutora em Literatura e Cultura Russa pela Universidade de São Paulo, tradutora de Dostoiévski e mestre com dissertação sobre Crime e castigo.
    Fontes em O Grande Teatro do Mundo
    Referências

    * Dostoevsky 5 vols.de Joseph Frank.
    * Dostoiévski e a Dialética de Flávio Ricardo Vassoler.
    * Crítica e Profecia. A filosofia da religião em Dostoiévski de Luiz Feli...
    0 min
  • ‘O Senhor dos Anéis’ de J.R.R. Tolkien
    Em nossa época marcada pela desmitologização das crenças tradicionais, pelo relativismo moral e, na literatura, pelo questionamento e mesmo a ridicularização do heroísmo, é surpreendente que um professor de filologia tenha não só ambicionado criar uma mitologia para sua nação, mas também repaginado a figura do herói aventureiro e não contente imaginado, com uma riqueza de detalhes jamais ultrapassada antes ou depois, todo um mundo, povoado, como no nosso, por homens, mas também por elfos, anões, feiticeiros, monstros e espíritos perversos, um deles com o poder para “todos governar … para encontrá-los … para todos trazer e na escuridão aprisioná-los.” O maior conto de fadas de todos os tempos narra o combate da coalizão de forças que quer conquistar contra a que quer destruir a fonte desse poder, um anel que o Destino pôs nas mãos de um Hobbit e seus companheiros, criaturinhas pastoris de pés peludos e aspecto de criança.
    Com mais de 1.300 páginas e meio milhão de palavras, a sua locução toma por volta de 50 horas, metade da Bíblia e mais do que a Ilíada, a Odisseia e a Eneida juntas. Em 2003 a BBC lançou uma enquete entre leitores de língua inglesa para que escolhessem o maior livro do século XX. Por uma larga margem o Senhor dos Anéis venceu. Três vezes a enquete foi ampliada: para um público mundial, no cyberespaço via Amazon.com e mesmo para o maior livro do milênio. O mesmo campeão venceu todas as vezes. Brian Atterbery, especialista em literatura fantástica, perguntou-se como defini-la e respondeu: “é uma série de textos que se parece mais ou menos com O Senhor dos Anéis”. Mas a crítica se divide. Para Edmund Wilson e tantos outros é “lixo juvenil”, e mesmo um colega de Tolkien em seu clube literário de Oxford teria exclamado durante a leitura dos manuscritos “Porra, mais um elfo!” Mas para outro colega, C.S. Lewis, ele mesmo um grande fantasista, “se Ariosto rivalizasse (o que de fato não faz) ainda lhe faltaria a sua seriedade heroica.” O poeta Wystan Hugh Auden admirava o seu domínio do material épico e declarou que em certo sentido Tolkien “foi bem-sucedido onde Milton falhou”.
    Embora intencione francamente entreter, o romance, segundo Tolkien, expressa preocupações metafísicas atemporais, como “a Queda e a Mortalidade”, mas também singularmente contemporâneas, como a “Máquina”. Mesmo desconfiado das alegorias, ele sugeriu que se a sua história fosse uma, seria do Poder. Mas talvez o mais surpreendente de tudo, mesmo para boa parte de seus fãs acostumados a vibrar com heróis inspirados nas sagas pagãs germânicas, é a declaração de Tolkien de que a obra é “por óbvio … fundamentalmente religiosa e católica”. O que se esconde por trás dessas afirmações? Como explicar o sucesso do livro?
    Convidados
    Cristina Casagrande: mestre em Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo com a dissertação “A Amizade em O Senhor dos Anéis”.
    Diego Klautau: doutor em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo com a tese “Paidéia Mitopoética: A educação em Tolkien”
    Reinaldo José Lopes: doutor em Estudos Linguísticos e Literários em inglês pela Universidade de São Paulo e tradutor de A Queda de Gondolin, Silmarilione O Hobbit.
    Fontes em O Grande Teatro do Mundo
    Referências

    Em boa companhia: a amizade em ‘O Senhor dos Anéis’, dissertação de mestrado de Cristina Casagrande.
    Tolkien. Uma biografia de Humphrey Carpenter.
    J.R.R. Tolkien e a crítica à modernidade de Paulo Cristelli
    Perguntas e respostas sobre o universo de Tolkien de Andrew Murray.
    J.R.R. Tolkien, o Senhor da Fantasia de M. White e B. Dorigatti.
    O Mundo do Senhor dos Anéis. Vida e Obra de J.R.R. Tolkien de Ives Gandra Martins Filho.
    O Senhor dos Anéis e Tolkien.
    0 min
  • ‘O Senhor dos Anéis’ de J.R.R. Tolkien
    Em nossa época marcada pela desmitologização das crenças tradicionais, pelo relativismo moral e, na literatura, pelo questionamento e mesmo a ridicularização do heroísmo, é surpreendente que um professor de filologia tenha não só ambicionado criar uma mitologia para sua nação, mas também repaginado a figura do herói aventureiro e não contente imaginado, com uma riqueza de detalhes jamais ultrapassada antes ou depois, todo um mundo, povoado, como no nosso, por homens, mas também por elfos, anões, feiticeiros, monstros e espíritos perversos, um deles com o poder para “todos governar ... para encontrá-los ... para todos trazer e na escuridão aprisioná-los.” O maior conto de fadas de todos os tempos narra o combate da coalizão de forças que quer conquistar contra a que quer destruir a fonte desse poder, um anel que o Destino pôs nas mãos de um Hobbit e seus companheiros, criaturinhas pastoris de pés peludos e aspecto de criança.

    Com mais de 1.300 páginas e meio milhão de palavras, a sua locução toma por volta de 50 horas, metade da Bíblia e mais do que a Ilíada, a Odisseia e a Eneida juntas. Em 2003 a BBC lançou uma enquete entre leitores de língua inglesa para que escolhessem o maior livro do século XX. Por uma larga margem o Senhor dos Anéis venceu. Três vezes a enquete foi ampliada: para um público mundial, no cyberespaço via Amazon.com e mesmo para o maior livro do milênio. O mesmo campeão venceu todas as vezes. Brian Atterbery, especialista em literatura fantástica, perguntou-se como defini-la e respondeu: “é uma série de textos que se parece mais ou menos com O Senhor dos Anéis”. Mas a crítica se divide. Para Edmund Wilson e tantos outros é “lixo juvenil”, e mesmo um colega de Tolkien em seu clube literário de Oxford teria exclamado durante a leitura dos manuscritos “Porra, mais um elfo!” Mas para outro colega, C.S. Lewis, ele mesmo um grande fantasista, “se Ariosto rivalizasse (o que de fato não faz) ainda lhe faltaria a sua seriedade heroica.” O poeta Wystan Hugh Auden admirava o seu domínio do material épico e declarou que em certo sentido Tolkien “foi bem-sucedido onde Milton falhou”.

    Embora intencione francamente entreter, o romance, segundo Tolkien, expressa preocupações metafísicas atemporais, como “a Queda e a Mortalidade”, mas também singularmente contemporâneas, como a “Máquina”. Mesmo desconfiado das alegorias, ele sugeriu que se a sua história fosse uma, seria do Poder. Mas talvez o mais surpreendente de tudo, mesmo para boa parte de seus fãs acostumados a vibrar com heróis inspirados nas sagas pagãs germânicas, é a declaração de Tolkien de que a obra é “por óbvio ... fundamentalmente religiosa e católica”. O que se esconde por trás dessas afirmações? Como explicar o sucesso do livro?

    Convidados

    Cristina Casagrande: mestre em Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo com a dissertação “A Amizade em O Senhor dos Anéis”.

    Diego Klautau: doutor em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo com a tese “Paidéia Mitopoética: A educação em Tolkien”

    Reinaldo José Lopes: doutor em Estudos Linguísticos e Literários em inglês pela Universidade de São Paulo e tradutor de A Queda de Gondolin, Silmarilione O Hobbit.

    Fontes em O Grande Teatro do Mundo





















    Comentário sobre A Ciência, a Angústia e o Nada – Samuel Johnson - 1759 d.C. por marceloconsentino
    0 min
  • A Cavalaria Medieval
    Você já admirou a cortesia de um cavalheiro ou a nobreza de uma dama? já se emocionou com um romance pessoal ou ficcional? se dirige às pessoas como “senhor” e “senhora”? Se sim, então você é tributário da cavalaria medieval. De certos ângulos, a história da Humanidade parece pouco mais que a história da guerra. E entre nossos arquétipos de soldados de elite – dos míticos troianos aos seus herdeiros, os hoplitas espartanos e os centuriões romanos, passando por vikings, samurais, até os modernos g.i. joes – o mais poderoso e encantador é o cavaleiro cristão. À época de seu florescimento, o império carolíngio se despedaçava precipitando a Europa no “estado da natureza” de que falava Hobbes, a guerra de todos contra todos, e foi preciso criar um código de conduta para os combates entre irmãos na fé e no sangue. As cruzadas lhes deram uma unidade de propósito, e as Ordens de Cavalaria consagradas pelo papado os libertaram do emaranhado de lealdades feudais para revelar suas virtudes mais elevadas, mas também sua mais brutal ambição. O ideal do soldado asceta foi sacramentado pelos menestréis nas canções de gesta. Porém logo a lira dos trovadores provençais, ironicamente influenciada pelos árabes, celebraria um culto exótico, não originalmente latino, nem germânico e nem de todo cristão: o amor cortês. Mística e erotismo, proeza e prazer, generosidade e orgulho se entrelaçavam inextricavelmente no coração do cavaleiro dilacerado entre a devoção à sua dama e ao seu Deus, à Nossa Senhora e ao seu senhor – tema de mil baladas e novelas. Na Renascença, enquanto a pólvora relegava a espada à estratosfera simbólica, o “Cavaleiro da Triste Figura” de Cervantes desferiu a mais letal humilhação à honra da cavalaria. O código cavalheiresco sobreviveria ainda no ideário do Antigo Regime. Mas ante a decapitação de Maria Antonieta, Edmund Burke suspirou: “a era do cavalheirismo se foi; a dos sofistas, economistas e calculadores venceu”; porém assim como os renascentistas retornaram à Antiguidade, a geração seguinte retornaria à Idade Média, plasmando uma nova mitologia poética: o romantismo. Em pleno avanço da era burguesa, o medievalista Léon Gautier diria com um triunfalismo quase quixotesco: “Há uma escola . . . que pretende que o bem-estar é o único fim que uma humanidade ‘regenerada’ deve perseguir . . . Estes sofistas se enganam grosseiramente . . . É o cavalheirismo que salva as nações e que é o seu aroma. E a Cavalaria é o desdém por todos os pequenos confortos de uma vida amolecida e sem nervos; é o desprezo do sofrimento; é pôr em prática o antigo: Esto vir – seja homem!”
    Convidados
    Marcelo Cândido: professor de história medieval na Universidade de São Paulo e autor de A Realeza Cristã na Alta Idade Média. 
    Lênia Márcia Mongelli: professora de literatura medieval na Universidade de São Paulo e autora de Palmerim de Inglaterra.
    Néri de Barros Almeida: professora de história medieval da Universidade de Campinas e coordenadora do núcleo UniCamp do Laboratório de Estudos Medievais.
    Fontes em O Grande Teatro do Mundo
    Referências

    A Cavalaria. Da Germânia antiga à França do Século XII (La Chevalerie) de Dominique Barthélemy.
    A Alegoria do Amor (The Allegory of Love: a Study in Medieval Tradition) de C.S. Lewis.
    “O mundo feudal: Cavalaria e Cultura de Corte” em A Criação do Ocidente (Religion and the Rise of Western Culture) e Medieval Essays de Christopher Dawson.
    As três ordens ou o Imaginário do Feudalismo (Les Trois Ordres) de Georges Duby.
    * A Cavalaria (Chevaliers et Chevalerie) de Jean Flori.
    * O Outono da Idade Média de J. Huizinga.
    “Cavalaria” na Estética de G.W.F. Hegel.
    La chevalerie de Léon Gautier.
    The Knight and Chivalry de R. Barber.
    Tournaments: Jousts, Chivalry and Pageants in the Middle Ages de R. Barber and J. Barker.
    Chivalry as Community and Culture de Mark L.
    0 min
  • A Cavalaria Medieval
    Você já admirou a cortesia de um cavalheiro ou a nobreza de uma dama? já se emocionou com um romance pessoal ou ficcional? se dirige às pessoas como “senhor” e “senhora”? Se sim, então você é tributário da cavalaria medieval. De certos ângulos, a história da Humanidade parece pouco mais que a história da guerra. E entre nossos arquétipos de soldados de elite – dos míticos troianos aos seus herdeiros, os hoplitas espartanos e os centuriões romanos, passando por vikings, samurais, até os modernos g.i. joes – o mais poderoso e encantador é o cavaleiro cristão. À época de seu florescimento, o império carolíngio se despedaçava precipitando a Europa no “estado da natureza” de que falava Hobbes, a guerra de todos contra todos, e foi preciso criar um código de conduta para os combates entre irmãos na fé e no sangue. As cruzadas lhes deram uma unidade de propósito, e as Ordens de Cavalaria consagradas pelo papado os libertaram do emaranhado de lealdades feudais para revelar suas virtudes mais elevadas, mas também sua mais brutal ambição. O ideal do soldado asceta foi sacramentado pelos menestréis nas canções de gesta. Porém logo a lira dos trovadores provençais, ironicamente influenciada pelos árabes, celebraria um culto exótico, não originalmente latino, nem germânico e nem de todo cristão: o amor cortês. Mística e erotismo, proeza e prazer, generosidade e orgulho se entrelaçavam inextricavelmente no coração do cavaleiro dilacerado entre a devoção à sua dama e ao seu Deus, à Nossa Senhora e ao seu senhor – tema de mil baladas e novelas. Na Renascença, enquanto a pólvora relegava a espada à estratosfera simbólica, o “Cavaleiro da Triste Figura” de Cervantes desferiu a mais letal humilhação à honra da cavalaria. O código cavalheiresco sobreviveria ainda no ideário do Antigo Regime. Mas ante a decapitação de Maria Antonieta, Edmund Burke suspirou: “a era do cavalheirismo se foi; a dos sofistas, economistas e calculadores venceu”; porém assim como os renascentistas retornaram à Antiguidade, a geração seguinte retornaria à Idade Média, plasmando uma nova mitologia poética: o romantismo. Em pleno avanço da era burguesa, o medievalista Léon Gautier diria com um triunfalismo quase quixotesco: “Há uma escola . . . que pretende que o bem-estar é o único fim que uma humanidade ‘regenerada’ deve perseguir . . . Estes sofistas se enganam grosseiramente . . . É o cavalheirismo que salva as nações e que é o seu aroma. E a Cavalaria é o desdém por todos os pequenos confortos de uma vida amolecida e sem nervos; é o desprezo do sofrimento; é pôr em prática o antigo: Esto vir – seja homem!”

    Convidados

    Marcelo Cândido: professor de história medieval na Universidade de São Paulo e autor de A Realeza Cristã na Alta Idade Média. 

    Lênia Márcia Mongelli: professora de literatura medieval na Universidade de São Paulo e autora de Palmerim de Inglaterra.

    Néri de Barros Almeida: professora de história medieval da Universidade de Campinas e coordenadora do núcleo UniCamp do Laboratório de Estudos Medievais.

    Fontes em O Grande Teatro do Mundo





















    O Centro e os Extremos – Várias vozes








    0 min
  • Pascal
    “Quando considero a pequena duração da minha vida, absorvida na eternidade precedente e seguinte, o pequeno espaço que eu preencho, e mesmo que eu vejo, abismado na infinita imensidade dos espaços que me ignoram e que eu ignoro, eu me apavoro e me espanto”. Em 1662, o autor dessas palavras morria, aos 39 anos, já completamente debilitado para o trabalho, sem que, conforme o seu depoimento, desde os 20 anos tivesse vivido um único dia sem sofrimento. Mais conhecido à época por suas contribuições para a engenharia, tecnologia e urbanismo, sua obra prima permaneceria para sempre uma miscelânea inacabada de rascunhos e anotações.
    Hoje, Blaise Pascal é um pensador canônico não só para a história da ciência, como também da filosofia e da teologia. Menino prodígio, místico e um dos maiores polímatas de todos os tempos, seus Pensamentos reúnem, por vezes em um único fragmento, intuições ainda hoje fecundas para os campos da matemática, física, psicologia, pedagogia e sociologia, comunicadas no estilo caracteristicamente conciso e límpido que elevaria esse rematado frasista a uma posição única no panteão da literatura francesa.
    Mas quem é o homem por trás de fórmulas lapidares como “o coração tem razões que a razão desconhece”, “o homem é um caniço pensante”, um “monstro incompreensível”, “juiz de todas as coisas, verme imbecil, depositário da verdade, cloaca de incertezas e erros, glória e escória do universo” ou ainda “o homem ultrapassa infinitamente o homem”? Seria ele um cético ou um fundamentalista? E como buscou conciliar suas duas grandes paixões pela precisão científica e pela ascese religiosa?
    Convidados
    Andrei Venturini, doutor em filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, professor do Instituto Maria Mater Ecclasiae e da Casa do Saber, e autor de O Reino Nefasto do Amor Próprio em Pascal (no prelo).
    Ricardo Mantovani, doutorando e Mestre em filosofia pela Universidade de São Paulo com a dissertação Limites Epistemológicos da Apologética de Blaise Pascal, tradutor e professor da rede pública de ensino.
    João Cortese, doutorando em filosofia pela Universidade de São Paulo, Mestre pela Universidade Paris VII com a dissertação Formas da Analogia em Pascal.
    Fontes em O Grande Teatro do Mundo
    Referências

    * Blaise Pascal de Gérard Lebrun (Brasiliense).
    * Pascal et la Philosophie de V. Carraud (Presses universitaires de France).
    * O Pensamento Vivo de Pascal de François Mauriac (Martins Fontes).
    * O Homem Insuficiente. Comentários de Psicologia Pascaliana e Conhecimento na Desgraça. Ensaio da Epistemologia Pascaliana de Luiz Felipe Pondé (Edusp).
    * Christiches Bewustssein. Versuche uber Pascal de Romano Guardini (Jacob Hegner).
    * “Pascal” em In Our Time – BBC 4.
    * As Marcas do Sacrifício. A Possibilidade da História em Pascal de Luís César Oliva (Humanitas-USP).
    * “Pascal” em La Foi Prise au Mot.
    * Pascal et Leibniz. Étude sur Deux Types de Penseurs de Jean Guitton (Ed. Montaigne).
    * Do Reino Nefasto do Amor Próprio em Blaise Pascal de Andrei Venturini Martins (É Realizações – no prelo).
    * “Pascal” em Herrlichkeit. V. III: Laikale stile de Hans urs von Balthasar (Johannes Verlag).
    * “Blaise Pascal” na Stanford Encyclopedia of Philosophy.
    * “Blaise Pascal” na Enciclopedia Filosofica Bompiani.Blaise Pascal: Mathematician, Physicist, and Thinker about God de Donald Adamson (Macmillan).

    Produção e apresentação
    Marcelo Consentino
    Produção técnica
    Ariel Henrique e Julian Ludwig
     16 de outubro de 2014
    0 min
  • Pascal
    “Quando considero a pequena duração da minha vida, absorvida na eternidade precedente e seguinte, o pequeno espaço que eu preencho, e mesmo que eu vejo, abismado na infinita imensidade dos espaços que me ignoram e que eu ignoro, eu me apavoro e me espanto”. Em 1662, o autor dessas palavras morria, aos 39 anos, já completamente debilitado para o trabalho, sem que, conforme o seu depoimento, desde os 20 anos tivesse vivido um único dia sem sofrimento. Mais conhecido à época por suas contribuições para a engenharia, tecnologia e urbanismo, sua obra prima permaneceria para sempre uma miscelânea inacabada de rascunhos e anotações.

    Hoje, Blaise Pascal é um pensador canônico não só para a história da ciência, como também da filosofia e da teologia. Menino prodígio, místico e um dos maiores polímatas de todos os tempos, seus Pensamentos reúnem, por vezes em um único fragmento, intuições ainda hoje fecundas para os campos da matemática, física, psicologia, pedagogia e sociologia, comunicadas no estilo caracteristicamente conciso e límpido que elevaria esse rematado frasista a uma posição única no panteão da literatura francesa.

    Mas quem é o homem por trás de fórmulas lapidares como “o coração tem razões que a razão desconhece”, “o homem é um caniço pensante”, um “monstro incompreensível”, “juiz de todas as coisas, verme imbecil, depositário da verdade, cloaca de incertezas e erros, glória e escória do universo” ou ainda “o homem ultrapassa infinitamente o homem”? Seria ele um cético ou um fundamentalista? E como buscou conciliar suas duas grandes paixões pela precisão científica e pela ascese religiosa?

    Convidados

    Andrei Venturini, doutor em filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, professor do Instituto Maria Mater Ecclasiae e da Casa do Saber, e autor de O Reino Nefasto do Amor Próprio em Pascal (no prelo).

    Ricardo Mantovani, doutorando e Mestre em filosofia pela Universidade de São Paulo com a dissertação Limites Epistemológicos da Apologética de Blaise Pascal, tradutor e professor da rede pública de ensino.

    João Cortese, doutorando em filosofia pela Universidade de São Paulo, Mestre pela Universidade Paris VII com a dissertação Formas da Analogia em Pascal.

    Fontes em O Grande Teatro do Mundo





















    O Centro e os Extremos – Várias vozes













    Vozes sobre o povo e a democracia na ‘Enciclopédia’ de Diderot e D’Alembert – Louis de Jaucourt - 1783 d.C.








    0 min
  • Fausto
    O diabo ofereceu-se três vezes para pactuar com Jesus (além de propor, pela boca de Pedro, que fugisse de Cruz), mas (desconsiderada a barganha entre Eva e uma serpente) a primeira pessoa a fazer um pacto com Satanás foi o próprio Deus, ao permitir que infernizasse a vida de Jó. Porém o mais famoso pactário de todos os tempos foi Fausto – e o mais bem-sucedido demônio foi Mefistófeles. Nem o diabo dantesco, eternamente imobilizado no gelo do fundo do inferno, mastigando três cabeças com suas três cabeças, nem o príncipe rebelde do Paraíso Perdido de John Milton, Mefistófeles é mundano, prestativo, jocoso, quase um amigo, ou melhor, um perfeito serviçal, pronto a servir ora como um estudante, ora como um bufão, um mágico, um cavalheiro, um general e até mesmo um… poodle. Generoso, seu pacto com Fausto previa gozo, saber e poder ilimitados por 24 anos, mas já dura há quase 500. Enquanto como bom servo ele se apagava, a ponto de, como dizia Baudelaire, convencer o homem moderno de que não existe, a estrela de Fausto brilhava: ele penetrou os segredos da natureza, enriqueceu ao lado de imperadores, se casou com Helena de Troia e hoje é, junto a outros como Don Juan, Don Quixote, Hamlet ou Robinson Crusoe, um dos grandes mitos do individualismo moderno. Mas este arquétipo do intelectual desesperançado, orgulhoso e insaciável é o único cuja lenda tem uma origem documentada: um certo Georg Faust, mago que segundo Lutero chamava o diabo de “cunhado” e para Melanchthon era uma “besta vil e um poço de muitos demônios”. Logo após a sua morte, entrou para o folclore em brochuras moralizantes como pactário exemplar e delas foi absorvido pelos teatros de marionetes de onde entretém crianças até hoje. Foi elevado à grande literatura com a tragédia de Christopher Marlowe, e ali introduzido à Academia e ao inferno. Com a de Goethe chegou aos céus, ganhando contornos épicos (ainda que cômicos), e no romance de Thomas Mann o mito foi transfigurado (ainda que desconstruído). A barganha fáustica também inspirou diretamente autores como Lessing, Heine, Lenau, Púchkin, Turgueniev, Paul Valéry, Klaus Mann, Boulgakov e Fernando Pessoa, e, indiretamente Byron, E.T.A. Hoffmann, Dostoiévski, Oscar Wilde e Guimarães Rosa. Protagonista de óperas de Berlioz, Busoni, Gounot e Arrigo Boito, e peças orquestrais de Schumann, Liszt, Wagner, Mahler e, claro, do grande Adrian Leverkühn – isso sem falar no cinema, de Murnau a Sokurov –, Fausto avança incansável rumo ao Terceiro Milênio. De fato, pergunta Erich Heller: “Qual é o pecado de Fausto? Sua inquietude de espírito. Qual é a salvação de Fausto? Sua inquietude de espírito.”
    Convidados
    Juliana Perez: Professora de literatura alemã da Universidade de São Paulo e membro do grupo de pesquisa “Literatura e Sagrado”.
    Marcus Mazzari: Professor de teoria literária da Universidade de São Paulo e autor da tese de livre-docência Romance de formação, pacto fáustico e outros temas de literatura comparada.
    Patricia Maas: Professora de literatura alemã na Universidade Estadual Paulista e autora de O cânone mínimo: o Bildungsromanna história da literatura.
    Fontes em O Grande Teatro do Mundo
    Referências

    * Deus e o Diabo no Fausto de Goethede Haroldo de Campos.
    * Labirintos da Aprendizagem – Pacto fáustico, romance de formação e outros temas de literatura comparada; “Alegoria e Símbolo em torno do ‘Fausto’ de Goethe” em Estudos Avançados 29, p. 277-304, 2015; e “Goethe e a história do Doutor Fausto” em Fausto – uma Tragédia (Primeira Parte) de Marcus Mazzari.
    * Os Mitos do Individualismo Moderno: Fausto, Dom Quixote, Dom Juan, Robinson Cruzoé (Myths of Modern Individualism) de Ian Watt.
    * “O Fausto de Goethe: A tragédia do desenvolvimento” de Marshall Berman em Tudo que é sólido desmancha no ar (tradução de Carlos F. Moisés e Ana Maria Ioriatti).
    * Fausto na literatura europeia organizado por João Bar...
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  • Fausto
    O diabo ofereceu-se três vezes para pactuar com Jesus (além de propor, pela boca de Pedro, que fugisse de Cruz), mas (desconsiderada a barganha entre Eva e uma serpente) a primeira pessoa a fazer um pacto com Satanás foi o próprio Deus, ao permitir que infernizasse a vida de Jó. Porém o mais famoso pactário de todos os tempos foi Fausto – e o mais bem-sucedido demônio foi Mefistófeles. Nem o diabo dantesco, eternamente imobilizado no gelo do fundo do inferno, mastigando três cabeças com suas três cabeças, nem o príncipe rebelde do Paraíso Perdido de John Milton, Mefistófeles é mundano, prestativo, jocoso, quase um amigo, ou melhor, um perfeito serviçal, pronto a servir ora como um estudante, ora como um bufão, um mágico, um cavalheiro, um general e até mesmo um... poodle. Generoso, seu pacto com Fausto previa gozo, saber e poder ilimitados por 24 anos, mas já dura há quase 500. Enquanto como bom servo ele se apagava, a ponto de, como dizia Baudelaire, convencer o homem moderno de que não existe, a estrela de Fausto brilhava: ele penetrou os segredos da natureza, enriqueceu ao lado de imperadores, se casou com Helena de Troia e hoje é, junto a outros como Don Juan, Don Quixote, Hamlet ou Robinson Crusoe, um dos grandes mitos do individualismo moderno. Mas este arquétipo do intelectual desesperançado, orgulhoso e insaciável é o único cuja lenda tem uma origem documentada: um certo Georg Faust, mago que segundo Lutero chamava o diabo de “cunhado” e para Melanchthon era uma “besta vil e um poço de muitos demônios”. Logo após a sua morte, entrou para o folclore em brochuras moralizantes como pactário exemplar e delas foi absorvido pelos teatros de marionetes de onde entretém crianças até hoje. Foi elevado à grande literatura com a tragédia de Christopher Marlowe, e ali introduzido à Academia e ao inferno. Com a de Goethe chegou aos céus, ganhando contornos épicos (ainda que cômicos), e no romance de Thomas Mann o mito foi transfigurado (ainda que desconstruído). A barganha fáustica também inspirou diretamente autores como Lessing, Heine, Lenau, Púchkin, Turgueniev, Paul Valéry, Klaus Mann, Boulgakov e Fernando Pessoa, e, indiretamente Byron, E.T.A. Hoffmann, Dostoiévski, Oscar Wilde e Guimarães Rosa. Protagonista de óperas de Berlioz, Busoni, Gounot e Arrigo Boito, e peças orquestrais de Schumann, Liszt, Wagner, Mahler e, claro, do grande Adrian Leverkühn – isso sem falar no cinema, de Murnau a Sokurov –, Fausto avança incansável rumo ao Terceiro Milênio. De fato, pergunta Erich Heller: “Qual é o pecado de Fausto? Sua inquietude de espírito. Qual é a salvação de Fausto? Sua inquietude de espírito.”

    Convidados

    Juliana Perez: Professora de literatura alemã da Universidade de São Paulo e membro do grupo de pesquisa “Literatura e Sagrado”.

    Marcus Mazzari: Professor de teoria literária da Universidade de São Paulo e autor da tese de livre-docência Romance de formação, pacto fáustico e outros temas de literatura comparada.

    Patricia Maas: Professora de literatura alemã na Universidade Estadual Paulista e autora de O cânone mínimo: o Bildungsromanna história da literatura.

    Fontes em O Grande Teatro do Mundo





















    O Centro e os Extremos – Várias vozes








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