Estado da Arte

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Estado da Arte episodes

  • Os Samurais
    Se a história é contada pelos vencedores, a do Japão é quase um conto de samurais sobre samurais para samurais. Do início do segundo milênio, quando os shoguns assumiram o poder da corte imperial, até a sua dissolução no século XIX, a elite marcial repeliu os mongóis, invadiu a Coreia e a China e dilacerou o país em guerras civis. Absorvendo Buda e Confúcio dos chineses, eles forjaram uma filosofia de vida, o Caminho do Guerreiro (Bushidô). Com coragem, honra e lealdade, o samurai devia viver pela espada e morrer pela espada – não raro pela sua. Idealmente todo nobre era guerreiro e todo guerreiro era nobre. Na prática, nem todo samurai era virtuoso, nem todo guerreiro era samurai e nem todo samurai era guerreiro. Pelo Bushidô, os samurais deveriam dominar a espada e o pincel. Mas após o clã Tokugawa unificar, pacificar e isolar o Japão, a maioria jamais viu uma espada encharcada de sangue – muito menos a sua. Seus arsenais e artes marciais tornaram-se ornamentais. Alguns viveram da pena. Muitos foram mecenas. Os samurais influenciaram tradições como as pinturas monocrômicas, os jardins de pedra ou a cerimônia do chá, e são os heróis das epopeias, dramas e foclóre do Japão. Dentre a mais mítica das armas, a espada, eles forjaram a mais mítica, a katana, e só os cowboys americanos rivalizam com seus ronins e ninjas como os fora-da-lei mais glamorizados – não como os mais glamorosos – da história. No cinema, TV, mangás e videogames esses vingadores estoicos vivem como máquinas de matar. Influenciando mestres do western, como Sergio Leone, e clássicos da ficção científica, como Guerra nas Estrelas, os samurais estão indelevelmente gravados na mitologia contemporânea.
    Convidados
    Célia Sakurai: doutora em Ciências Sociais pela Unicamp e autora de Os Japoneses.
    João Marcelo Monzani: professor de letras japonesas da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
    Márcia Namekata: professora de Língua e Literatura japonesa da Universidade Federal do Paraná.

    Referências

    * The Samurai. A Militar History; Samurai. The World of the Warrior; e The Samurai Sourcebook, de Stephen Turnbull.
    * The Samurai, entrevista para o programa In Our Time, da Radio BBC 4.
    * A Brief History of the Samurai, de Jonathan Clements.
    * A Companion to Japanese History, ed. William M. Tsutsui (Blackwell Companions to World History).
    * The Cambridge History of Japan, em 5 vols.
    * Training the Samurai Mind. A Bushido Sourcebook, ed. Brian Nishii.
    * The Samurai, de Anthony J. Bryant.
    * Samurai, Warfare and the State in Early Medieval Japan, de Karl F. Friday.
    * What Life was Like Among Samurais and Shoguns, Time-Life Books.
    * Understanding Japan. A Cultural History, de Mark J. Ravina (The Great Courses).
    * A History of Japan. From Stone Age to Superpower, de Kenneth J. Henshall.
    * The History of Japan, de Louis G. Perez.
    * Japan. A Concise History, de Milton W. Meyer.
    * A History of Japan, de R.H.P Mason e J.G. Caiger.
    * Nossa Herança Oriental. A História da Civilização. I (Our Oriental Heritage: The Story of Civilization) de Will Durant.

    Apresentação: Marcelo Consentino
    Produção técnica: Compasso Coolab
    Ilustração: Duelo entre Miyamoto Musashi e Sasaki Kojiro na ilha de Ganryu-jima. Ukiyo-e de Yoshifusa Utagawa, c. 1843-47 (Wikimedia Commons).
    57 min
  • Buda
    Quarta maior religião do mundo, o budismo é dominante nos países da Indochina e tem grandes populações no Japão e China. É também uma das religiões que mais crescem em nações como França, Estados Unidos, Canadá, Austrália e outras do Ocidente, em cujo imaginário Buda figura soberano como o arquétipo do sábio oriental. Com efeito, a Índia de Sidarta Gautama, há 2.500 anos, se parecia em mais de um aspecto com o mundo moderno: de um lado, imperava uma religião antiga e elevada, mas em parte ossificada por escrúpulos ritualísticos e rigorismos doutrinários, e em parte intoxicada por mitologias extravagantes; de outro, uma inquietação espiritual legítima era pervertida por um ceticismo radical e um materialismo desenfreado, quando não pelo cinismo mais niilista.
    O budismo é a única religião cujo fundador não se declara um profeta ou emissário de um deus e que rejeita a ideia de um Deus-Ser Supremo. Muitos afirmam que é apenas uma filosofia. Mas para Buda, dedicar-se a especulações caras aos filósofos, como se o universo é finito ou infinito ou se a alma é igual ao corpo ou diferente, é como um homem flechado de morte que se recusasse a extrair a flecha antes de saber quem a disparou; porquê; do que ela é feita; ou como o foi. Como Sócrates ou Kant ele relativizou as certezas metafísicas para consagrar o primado absoluto da ética. E como Jesus ou Maomé ele anunciou um caminho de salvação. Intérpretes modernos já o classificaram com um reformador liberal ético de um bramanismo degenerado; um grande humanista secular; um empirista radical; um psicólogo existencial; o proponente de um agnosticismo extremo ou o precursor de quaisquer outras ideologias afins aos seus vieses e pressuposições.
    O epíteto “Buda” significa “O Iluminado” ou “O Desperto”. Mas ele mesmo se classificava em termos crípticos como Tatagatha – “aquele que veio”. Para Buda, toda existência é impermanente, insubstancial e sobretudo eivada de sofrimento – intensificado, no caso do ser humano, pela cobiça, ódio e ignorância que o aprisionam em inesgotáveis ciclos cósmicos de decadência, morte, renascimento e mais sofrimento. O único caminho para a libertação é a extinção do desejo através de uma vida dedicada à virtude, sabedoria e meditação. Ao fim, como ele não se cansava de reiterar, “tanto no passado como no presente eu prego só isso: o sofrimento e o fim do sofrimento”.
    CONVIDADOS
    Ana Paula Gouveia: autora de Introdução à Filosofia Budista, com pós-doutorado em Estudos Budistas pela Universidade da Califórnia e pela École Pratique des Hautes Études da Sorbonne.
    Frank Usarski: professor de Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e autor de O Budismo e as outras – Encontros e desencontros entre as Grandes Religiões Mundiais.
    Rafael Shoji: doutor em Ciências da Religião pela Universidade de Hannover e autor de Transnational Faiths.

    REFERÊNCIAS

    * Buda, de Karen Armstrong.
    * História das Crenças e das Ideias Religiosas. 1, T. II. De Gautama Buda ao Triunfo do Cristianismo, de Mircea Eliade.
    * What the Buddha Thought, de Richard Gombrich.
    * Buddhism: A Very Short Introduction, de Damien Keown.
    * The History of Buddhist Thougt, de Edward J. Thomas.
    * The Buddha. Entrevista para o programa “In Our Time”, da Radio BBC 4.
    * Encyclopedia of Buddhism, org. Robert Buswell.
    * A vida do Buddha, de Plínio Marcos Tsai.
    * In Buddha’s Words, ed. de Bhikkhu Bohdi.
    * The Buddha. Documentário da rede PBS.
    * The Encyclopedia of World Religions, org. R.S. Ellwood e G.D. Alles.
    * Britannica Encyclopedia of World Religions, org. W. Doniger.
    * Religions of the World. A comprehensive Encyclopedia of Beliefs and Practices, org. J.G. Melton e M. Baumann.
    * Encyclopedia of Religion, org. Lindsay Jones.
    58 min
  • ‘Os Lusíadas’, de Camões
    Em 1578, seis anos após a publicação dos Lusíadas, o jovem rei Dom Sebastião, exortado por Camões, conduziu as forças portuguesas ao massacre numa cruzada no Marrocos. Dois anos depois, pouco antes de morrer, o poeta viu a coroa ser passada às mãos do rei espanhol, onde permaneceu até 1640. “Fui tão afeiçoado à minha pátria”, disse, “que não me contentei de morrer nela, mas com ela.”
    Quatro séculos antes, nascia Portugal, com o triunfo do primeiro rei, Afonso Henriques, contra os mouros na batalha de Ourique. Após definir suas fronteiras em 1297, ele se tornou o primeiro estado nacional da Europa, consagrando-se com a expulsão dos mouros e dos espanhóis nas batalhas do Salado e Aljubarrota. À época de Camões – do racha entre católicos e protestantes; da ameaça turco-otomana; da redescoberta do mundo antigo; da descoberta do novo; do encontro com o mais velho dos mundos, as civilizações da China e da Índia – Portugal era uma das nações mais ricas e inovadoras. As aventuras oceânicas iniciadas com Henrique o Navegador, expandidas com Vasco da Gama, culminadas com Colombo e consumadas por Magalhães conectaram pela primeira vez todos os povos do planeta e detonaram a maior revolução comercial da história. Em muitos sentidos, Portugal liderava a travessia ao mundo moderno, e não surpreende que o destino reservasse a um luso transfigurá-la em canto, nem que seu herói fosse não um, mas uma legião.
    Os Lusíadas é o maior dos épicos nacionais; a saga do Humanismo; a primeira grande epopeia cristã da modernidade, como a Divina Comédia foi do medievo. Mas a de Dante, por fantástica que seja, é fantasia, a de Camões, realidade. Não lendas imemoriais, como em Homero e Virgílio: tão perto esteve o poeta do herói Vasco da Gama, que nasceu no ano em que o navegador morreu. Camões viveu a epopeia que compôs: marinheiro humanista, poeta soldado, com a espada numa mão e a pena na outra cruzou do Atlântico ao Índico; enfrentou muçulmanos na África; fez negócios na Ásia; amargou a ingratidão dos portugueses; e voltou pobre. O poeta anteviu a morte do primeiro Império global da História – na tragédia de Inês de Castro, nas premonições do velho do Restelo ante a voragem por ouro, glória e poder. Mas através dos Lusíadas, os reis que foram “dilatando a Fé”; os “barões assinalados” que por mares nunca navegados passaram além “do que prometia a força humana”; “aqueles que por obras valerosas se vão da lei da Morte libertando”, eles vivem; a mensagem mais preciosa de Portugal vive, renascida de seu naufrágio, como o próprio Camões renasceu entre destroços num rio da Indochina, com seu manuscrito entre os dentes.
    Convidados
    Hélder Macedo: professor emérito de português do King’s College de Londres.
    Rita Marnoto: professora de artes e humanidades da Universidade de Coimbra.
    Teresa Cerdeira: professora de literatura da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

    Referências

    * ‘Os Lusíadas’, de Luis de Camões. Documentário para a séria Grandes Livros, Companhia das Ideias, 2009, em RTP Ensina.
    * Camões e Os Lusíadas de Joaquim Nabuco.
    * Camões e a viagem iniciática de Hélder Macedo.
    * Camões. Angústia e Tragédia de Reinhold Schneider.
    * Vida e Obra de Luis de Camões de Wilhelm Storck.
    * Estudos camonianos de Cleonice Berardinelli.
    * Dicionário de Literatura Portuguesa, organizado por Jacinto do Prado Coelho, Ed. Figueirinhas.
    * The Cambridge Companion: the Epic. Org. Catherine Bates.
    * Luís de Camões de António José Saraiva.
    * Ensaio Biographico-Critico sobre os Melhores Poetas Portuguezes, Tomo III, Livro IV, Capítulo III: “Luiz de Camões” de José Maria da Costa e Silva.
    * A estrutura de Os Lusíadas e outros estudos camonianos e de poesia peninsular do século XVI de Jorge de Sena.
    * História da Literatura Portuguesa, vol. II: Humanismo e Renascimento,
    1 hr
  • A Independência do Brasil A Independência do Brasil
    Na virada do século XVIII para o XIX uma onda varreu o Novo Mundo transfigurando quase todas as velhas colônias em novos estados nacionais. Vendo de longe, é como se as estrelas tivessem se alinhado e as engrenagens da história se movessem numa cadência inexorável. Mas o teatro da emancipação brasileira teve traços insólitos. Num golpe, a colônia que era proibida não só de manter um exército, indústria ou livre comércio, como de criar universidades ou imprimir livros e jornais, se tornou um império. Diferentemente das outras colônias, como a norte-americana, o confronto armado com a metrópole foi mínimo, e diferentemente da América espanhola, a portuguesa manteve sua unidade.
    Visto de fora, tudo se passou quase como um episódio sucessório da dinastia Bragança – ou talvez uma instância preeminente do “jeitinho” brasileiro –, expondo as tendências incongruentes, mas também conciliatórias, da civilização luso-brasileira: a insurreição foi uma reação aos revolucionários liberais de Portugal que queriam restringir as liberdades do Brasil e exigiam a volta do rei; a independência foi proclamada contra ele pelo príncipe herdeiro, que depois impôs uma Constituição às elites brasileiras, as quais o forçaram a legar a coroa ao seu filho e retornar a Portugal, onde precipitou uma guerra civil contra seu irmão.
    Esta trama rocambolesca é em parte explicada pela transferência da corte para o Rio de Janeiro, que se transformou na capital de um império ultramarino – com todas as instituições públicas, civis e culturais condizentes com essa condição –, e em parte explica os contornos movediços das convulsões provinciais que pipocaram de norte a sul após a renúncia do imperador. Com nomes obscuros como Farroupilha, Sabinada ou Balaiada, algumas foram mero frisson das elites, outras explosões populares; algumas progressistas, outras reacionárias – ou uma mistura de tudo isso. A rebelião de caboclos do Pará conhecida como Cabanagem, por exemplo, terminou com a devastação da economia local, o extermínio de 20% da população e quase destruiu a capital, Belém. Mas sintomaticamente os cabanos nunca apresentaram demandas sistemáticas nem organizaram um programa de governo, limitando-se a gritar palavras de ordem contra estrangeiros, portugueses e maçons, e em favor da Igreja católica, Pedro II, o Pará e a liberdade.
    Quais os mitos e verdades sobre o nascimento da nação com o maior território, população e economia da América Latina? Como eles determinaram os destinos e desatinos da segunda maior democracia do Ocidente?
      
    CONVIDADOS
    Lucia Bastos: professora de história da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e autora de Corcundas e constitucionais: a cultura política da Independência;
    Marcello Basile: professor de história da Universidade Rural do Rio de Janeiro e coeditor de Guerra literária: panfletos da Independência; e
    Miriam Dolhnikoff: professora de História da Universidade de São Paulo e autora de O pacto imperial: origens do federalismo no Brasil.
    Produção e apresentação: Marcelo Consentino
    Produção técnica: Compasso Coolab
    27  de janeiro de 2021
    1 hr
  • Epico de Gilgamesh O Épico de Gilgamesh
    Gilgamesh nasceu, a um tempo, mais de dois mil anos antes de Cristo e quase dois mil anos depois. Após seu reinado na cidade de Uruk, na Mesopotâmia, foi praticamente inexistente para nossos ancestrais desde os tempos de Moisés ou Homero até o século XIX, quando sua história cunhada em tabletes foi exumada dos escombros da antiga Nínive, hoje no Iraque, e decifrada em Londres. Apesar de não ser o primeiro fragmento literário nem narrativo, pela sua potência e amplitude, ela foi consagrada como a “História mais Antiga do Mundo”. É também das mais abrangentes, contendo tudo o que faz uma história apaixonante – batalhas, sexo, monstros, aventuras, mágica, lealdade, morte – mas explorado com uma profundidade raras vezes igualada por todas as histórias que vieram depois. Os leitores modernos viram nela uma precursora das questões mais polêmicas da contemporaneidade: da preservação ambiental à legitimação do amor homossexual até a emancipação dos oprimidos. Não por acaso, os sumérios conheciam Gilgamesh como “Aquele que supera todos os reis” e os acádios como “Aquele que o abismo viu”. Como aos descendentes de Noé, lhe foi dado ver a destruição cataclísmica da raça humana; como os grandes heróis da antiguidade, ele foi filho de deuses e homens; como Heitor ou Aquiles, foi o maior guerreiro de seu povo; como Ulisses, percorreu os confins do mundo, mas não só para retornar à sua casa, e sim, como Enéias, para criar uma civilização; como eles, e Dante, atravessou o mundo dos mortos; como Fausto e o jagunço Riobaldo do Grande Sertão, transacionou com forças demoníacas para ultrapassar os limites humanos; e, como este último, tocou a imortalidade através do amor do melhor amigo e ao preço de sua morte. No preâmbulo, o poeta nos assegura que ele foi um titã em força e sabedoria. Mas tudo o que vemos em sua história é um tirano impiedoso com seu povo, ímpio com os deuses, impudente com as mulheres e imprudente com a natureza, que sacrificou a vida do seu amigo por um capricho; menosprezou as virtudes da vida familiar; abandonou suas responsabilidades para viver como um vagabundo selvagem; perdeu um elixir prodigioso por desleixo; perseguiu soluções quiméricas para o mistério da vida; e, na hora extrema, a ponto de receber a verdadeira resposta, foi incapaz de ficar acordado por mais de 5 minutos e dormiu como uma criança.
    Convidados
    Jacyntho Brandão – Professor emérito de letras clássicas da Universidade Federal de Minas Gerais e tradutor da Epopeia de Gilgámesh.
    Katia Pozzer – Professora de história da arte da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e coordenadora do Laboratório de Estudos da Antiguidade Oriental.
    Marcelo Rede – Professor de História Antiga da Universidade de São Paulo e autor de Família e Patrimônio na Antiga Mesopotâmia.

    http://www.teatrodomundo.com.br/o-primeiro-diluvio/
    Referências

    * Ele que o abismo viu: Epopeia de Gilgámesh, tradução, introdução e comentários de Jacyntho Lins Brandão.
    * A Mesopotâmia de Marcelo Rede.
    * Babilônia: A mesopotâmia e o nascimento da civilização de Paul Kriwaczec.
    * Nossa Herança Oriental. A História da Civilização. I (Our Oriental Heritage: The Story of Civilization)de Will Durant.
    * The Babylonian Gilgamesh Epic. Introduction, Critical Edition and Cuneiform Texts de A.R. George.
    * “Epic of Gilgamesh”, entrevista com A. George, F. Reynolds e M. Worthington para o programa In Our Time, Radio BBC 4.
    * Ancient Epic Poetry de Charles Rowan Beye.
    * Its meaning and functions in ancient and other cultures de G.S. Kirk.
    * Civilizations of the Ancient Near East editado por Jack M. Sasson.
    * The Gilgamesh Epic: A Masterpiece from Ancient Mesopotamia de William Moran.
    * Gilgamesh among Us. Modern Encounters with the Ancient Epic de Theodore Ziolkowski.
    * The Treasures of Darkness.
    58 min
  • O Aleijadinho

    “O novo Praxíteles … que honra igualmente a arquitetura e a escultura. … Superior a tudo e singular nas esculturas de pedra … é Antônio Francisco … Tanta preciosidade se acha depositada em um corpo enfermo que precisa ser conduzido a qualquer parte e atarem-se-lhe os ferros para poder obrar”. Afora uns parcos registros cartoriais, este trecho de um memorando de 1790 sobre a capitania das Minas Gerais é praticamente a única notícia conhecida sobre o Aleijadinho enquanto vivo. Entre os extremos de uma obra gloriosa e uma vida miserável, a obscuridade é tamanha que a partir dela já se inferiu e se questionou de tudo: a autoria de suas obras, seu valor, as motivações do artista, sua doença e até sua existência.
    Já sua primeira biografia, escrita 44 anos após sua morte, é para muitos suspeita de magnificar em chave romântica o herói artista; de dramatizar o gênio marginalizado pela sua cor, sua classe, sua doença; o monstro sublime que triunfa sobre o sofrimento com um esforço criativo sobre-humano. Ironicamente, o biógrafo, Rodrigo Bretas, já alertava para as “exagerações que se vão sucedendo e acumulando” sobre os indivíduos admiráveis até se compor “uma entidade ideal”. Os modernistas o reconfiguraram como um ícone do sincretismo nacional que deglutiu os cânones europeus e o imaginário africano e indígena para dar à luz uma obra original. O entusiasmo encomiástico de Mario de Andrade chega a proporções épicas: “O artista vagou pelo mundo. Reinventou o mundo. O Aleijadinho lembra tudo! Evoca os primitivos italianos, esboça o Renascimento, toca o Gótico, às vezes é quase francês, quase sempre muito germânico, é espanhol em seu realismo místico”. Mas é um caso exemplar das oscilações interpretativas sobre sua obra que enquanto Mario enxergava nas desproporções de suas estátuas a antecipação visionária do expressionismo, Oswald de Andrade só via “ignorância crassa” sobre anatomia, a mesma que acusaram tantos estrangeiros desinteressados dos cultos nacionais. Por outro lado, para um escritor com a sensibilidade e erudição do mexicano Carlos Fuentes, o mulato foi o maior “poeta” da América colonial; Lezama Lima o considerava a “culminação do barroco” na América; e para o crítico, historiador da arte e diretor de desenho e pintura do Louvre, Germain Bazin, este “Michelangelo brasileiro” foi “o último grande criador de imagens cristãs”.
    A controvérsia entre os construtores do mito e seus demolidores promete não ter fim. Mas embora estes últimos estejam escorados em sólidas inconsistências sobre a vida e a obra do Aleijadinho, não seriam as próprias torrentes de tinta e saliva consumidas nesta batalha em torno a elas o maior testemunho da sua potência plástica e indelével?



    Convidados



    André Tavares: professor de História da Arte da Universidade Federal de São Paulo



    Angela Brandão: professora de História da Arte da Universidade Federal de São Paulo



    Mozart Bonazzi: professor da Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo







    Referências




    * O Aleijadinho: sua vida, sua obra, seu gênio de Fernando Jorge.
    * O Aleijadinho e a escultura barroca no Brasil de Germain Bazin.
    * Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho de Rodrigo Jose Ferreira Bretas. 
    * O Aleijadinho e Alvares de Azevedo de Mario de Andrade.
    * Aleijadinho: passos e profetas e O Santuário de Congonhas e a arte de Aleijadinho de Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira. 
    * Aleijadinho e o aeroplano: o paraíso barroco e a construção do herói colonial de Guiomar de Grammont.
    * Iniciação ao barroco mineiro de Affonso Avila. 
    * Congonhas Bíblia de cedro e de pedra de Marcos Barbosa.
    59 min
  • Grande Sertão: Veredas

    Certa vez, Guimarães Rosa aconselhou a um escritor “Condense-se!” e a outro “Fuja do lugar comum”. Nenhuma obra ilustra tão bem estes preceitos quanto Grande Sertão: Veredas. Na saga do jagunço Riobaldo em meio às guerras do sertão para vingar a morte traiçoeira do líder Joca Ramiro, pai do amado amigo Diadorim, cada página – às vezes uma frase – impõe uma massa compacta de reflexões metafísicas, e não passa uma linha sem uma palavra nova, uma expressão ou inflexão inusitada, como se a cada passo, parafraseando a exclamação do protagonista durante o nascimento de um menino, o “mundo começasse de novo”.



    Entre a primeira palavra do romance – “Nonada” – e a última – “Travessia” – emerge aquela que é e será, talvez, a grande epopeia brasileira. Mas é também a mais ambivalente. Para começar, ninguém sabe exatamente pelo que lutam os jagunços. O épico de Rosa não narra a conquista de uma cidade, como o de Homero, ou de um Império, como o de Virgílio, ou do Céu, como o de Dante, mas de algo mais primordial: a mera humanidade. Enquanto os combates se espraiam pela pequena mancha de terra agreste entre Minas, Bahia e Goiás, o herói vive uma luta mais selvagem, vertical, entre o Reino de Deus e os domínios do Diabo, armado apenas da esperança: “Só o que eu quis, todo o tempo o que eu pelejei para achar, era uma só coisa – a inteira …: que existe uma receita, a norma dum caminho certo, estreito, de cada pessoa viver”. “Eu careço de que o bom seja bom e o rúim ruím, que dum lado esteja o preto e de outro o branco, que o feio fique apartado do bonito e a alegria longe da tristeza!” “O diabo não há!”, diz o herói no final da travessia, “Existe é homem humano”. Mas no meio, no redemoinho da vida, nunca para de constatar: “Arre, ele está misturado em tudo”. Afinal, “A gente viemos do inferno – nós todos … Duns lugares inferiores, tão monstro-medonho, que Cristo mesmo lá só conseguiu aprofundar por um relance de graça de sua sustância alumiável, em as trevas de véspera para o Terceiro Dia.” Daí a dúvida que tortura o herói e assalta o leitor de mil maneiras, como num caleidoscópio, num tiroteio ou numa vertigem: “Quem-sabe, a gente criatura ainda é tão ruim, tão, que Deus só pode às vezes manobrar com os homens andando por intermédio do diá? Ou que Deus – quando o projeto que ele começa é para muito adiante, a ruindade nativa do homem só é capaz de ver o aproximo de Deus é em figura do Outro?“



    Convidados



    João Adolfo Hansen: professor de literatura da Universidade de São Paulo e autor de A Ficção da Literatura em Grande Sertão: Veredas.



    Luiz Roncari: Professor de literatura da Universidade de São Paulo e autor de Lutas e Auroras – Os avessos do Grande Sertão: Veredas e O Brasil de Rosa: O amor e o poder.



    Willi Bolle: Professor de literatura da Universidade de São Paulo e autor de Grandesertão.br – o romance de formação do Brasil.







    Referências




    * O O. A Ficção de Literatura em Grande Sertão: Veredas; e “Grande Sertão: Veredas e o ponto de vista avaliativo do autor”, em Asa da Palavra, v. 10, 2008, de João Adolfo Hansen. 
    * Grandesertao.br. – o romance de formação do Brasil; e “Grande Sertão: Cidades”, em Revista USP, v. 24, p. 80-93, 1995, de Willi Bolle.
    * Lutas e Auroras – Os avessos do Grande Sertão: Veredas; Buriti do Brasil e da Grécia: patriarcalismo e dionisismo no sertão de Guimarães Rosa; e O Brasil de Rosa (o Amor e o Poder), de Luiz Roncari.
    * O roteiro de Deus: dois estudos sobre Guimarães Rosa de Heloísa Vilhena de Araújo. 
    * “O mundo misturado: romance e experiência em Guimarães Rosa”, de Davi Arrigucci Jr., em Novos Estudos, n. 40, nov. 1994.
    53 min
  • O ‘Romanceiro da Inconfidência’ de Cecília Meireles

    Segundo Aristoteles, a poesia difere da história por falar não das coisas como aconteceram, mas como poderiam acontecer, e é “mais filosófica” por exprimir realidades universais e não particulares. 2.400 anos depois, uma poetisa meditava sobre a distância entre o registro histórico e a invenção poética:



    O primeiro fixa determinadas verdades que servem à explicação dos fatos; a segunda anima essas verdades de uma força emocional que não apenas comunica fatos, mas obriga o leitor a participar intensamente deles, arrastando-o no seu mecanismo de símbolos, com as mais inesperadas repercussões.



    Palavras ditas em Ouro Preto, onde anos antes tivera uma epifania durante a Semana Santa:



    Todo o presente emudeceu, como plateia humilde, e os antigos atores tomaram suas posições no palco. ... Os homens de outrora misturaram-se às figuras eternas dos andores; … na procissão dos vivos caminhava uma procissão de fantasmas.



    Eram os soldados, padres, poetas da rebelião esmagada pela Coroa portuguesa em 1789 e resgatada cem anos depois pela propaganda republicana, que consagrou em Tiradentes o herói cívico-religioso da mitologia nacional.



    O Romanceiro da Inconfidência é formado por 85 romances entremeados por falas, cenários e uma serenata, com todo tipo de variação métrica e rítmica.



    Há poemas em que a rima aflora, em intervalos regulares, outros em que ela aparece, desaparece e reaparece, apenas quando sua presença é necessária.



    Com a mesma liberdade, os planos épico, dramático e lírico se justapõem, se entrelaçam e se diluem numa atmosfera de idílios arcádicos onde fermentam ideias libertárias e jorra a ambição torrencial do ouro, que



    Do seu calmo esconderijo, ... vem, dócil e ingênuo;torna-se pó, folha, barra, prestígio, poder, engenho... É tão claro! – e turva tudo: honra, amor e pensamento



    diz Cecília, e conclui:



    Por ódio, cobiça, inveja, vai sendo o inferno traçado.



    Tudo se passa entre duas interrogações fatais:



    Que é feito de ti, remoto Verbo Encarnado?



    e



    Que é feito de vós, ó sombras que o tempo leva de rastos?



    Suspensa entre uma e outra, a fábula da Vila Rica se degrada em Ouro Preto, revelando uma epopeia de heróis quiméricos, suicidas, traidores; uma apoteose de degredados, encarcerados e esquartejados; uma saga abortada, que desagua no desterro interior das mulheres do Romanceiro, as Isabéis, as Eliodoras, a donzela assassinada, o fantasma de Marília, Maria a Rainha Louca – vozes que se misturam ao cortejo barroco de tropeiros, concubinas, escravos, religiosas, bêbados, mascates para chorar



    ... esse mistério,esse esquema sobre-humano, a força, o jogo, o acidente da indizível conjunção que ordena vidas e mundos em polos inexoráveis de ruína e exaltação.



    No derradeiro verso, sob os sonhos de liberdade do Ciclo do Ouro reduzidos a pó, arde como brasa a interrogação de Cecília:



    Quais os que tombam, em crimes exaustos, quais os que sobem, purificados?



    CONVIDADOS



    Ana Maria Domingues de Oliveira: professora de letras da Universidade Estadual Paulista e autora de Estudo crítico da bibliografia sobre Cecília Meireles;



    Leila Gouvêa: doutora em literatura pela Universidade de São Paulo e autora de Pensamento e “Lirismo Puro” na Poesia de Cecília Meireles e Cecília em Portugal; 



    Norma Goldstein: professora de língua portuguesa da Universidade de São Paulo e autora do Roteiro de Leitura do ‘Romanceiro da Inc...
    54 min
  • Joaquim Nabuco

    Joaquim Nabuco foi, a um tempo, uma síntese de sua época e um sinal de contradição para ela. Dionisíaco mundano e vulcânico na juventude, apolíneo elevado e moderador na maturidade; menino de engenho de estirpe aristocrática, bacharel inconformado com as injustiças sociais, deputado campeão do abolicionismo, acusado de “agitador” e “comunista” pelos latifundiários patriarcais de sua classe; criticou acerbamente a Igreja brasileira pela sua resignação à escravidão, mas tornou-se profundamente ortodoxo e comprometido com o supranacionalismo de Roma; cosmopolita, à vontade nas cortes europeias e nas altas rodas americanas, seu fervor por Pernambuco o teria levado, se necessário, ao separatismo; liberal, democrata, federalista convicto, mas leal à monarquia, com a ascensão da República, infligiu-se, aos quarenta anos, o ostracismo como estadista para imergir-se nos livros e documentos do passado, na história da família e do Império, gerando obras seminais para a nossa formação nacional. Quando os republicanos criaram a primeira Embaixada do Brasil, nos Estados Unidos, foi ao velho Nabuco que recorreram para representar a jovem República.



    Nabuco foi, em resumo, um “pensador alongado em homem de ação, com olhos de revolucionário e pés quase sempre de conservador”, como disse sobre seu precursor, José Bonifácio, seu conterrâneo Gilberto Freyre, o qual fez ainda, em meados do século passado, esta constatação amargamente atual: “Numa época, como esta que atravessamos, marcada pela desconfiança ou pela suspeita de que todo político brasileiro seja ou tenha sido um politiqueiro e todo homem público, um mistificador; e de que a política, os parlamentos, os congressos sejam inutilidades dispendiosas, senão palhaçadas ou mascaradas prejudiciais ao povo ingênuo, necessitando apenas de governo paternalescamente forte; Nabuco é uma das maiores negações dessa lenda negra com que se pretende desprestigiar, entre nós, a vida pública, a figura do político, a ação dos parlamentos”. Enfim, teria sido Nabuco um homem de contradições ou o centro virtuoso entre as contradições de seu tempo? E como a sua mensagem pode ajudar a sanar as contradições do nosso tempo?  



    Convidados



    Angela Alonso: professora de sociologia da Universidade de São Paulo e autora de Joaquim Nabuco – Os salões e as ruas.



    Izabel Marson: professora de história da Universidade Estadual de Campinas e autora de Política, história e método em Joaquim Nabuco.



    Marco Aurélio Nogueira: professor de ciência política da Universidade Estadual Paulista e autor de O encontro de Joaquim Nabuco com a política. 







    Referências




    * O Encontro de Joaquim Nabuco com a Política de Marco Aurélio Nogueira. 
    * Joaquim Nabuco de Angela Alonso. 
    * Política, história e método em Joaquim Nabuco de Izabel Andrade Marson. 
    * Em torno de Joaquim Nabuco de Gilberto Freyre. 
    * A vida de Joaquim Nabuco de Luiz Viana Filho.
    * Joaquim Nabuco e os Abolicionistas Britânicos de L. Bethell e José Murilo de Carvalho. 
    * A vida de Joaquim Nabuco de Carolina Nabuco.
    * Machado de Assis e Joaquim Nabuco de Graça Aranha.  
    * Joaquim Nabuco e o Brasil na América de Olímpio de Souza Andrade.
    * Joaquim Nabuco – O homem de ação de Jorge Buarque Lira.
    * Joaquim Nabucode Virgílio Pereira da Silva Costa.
    * Joaquim Nabuco – A Política como Moral e Como História de Maria E. Prado.
    * Joaquim Nabuco, um Pensador do Império de Ricardo Salles.
    * Joaquim Nabuco – Retrato de uma Época de Moisés Gicovate. 
    * Joaquim Nabuco e o Novo Brasil organizado por Humberto França. 




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  • Joaquim Nabuco

    Joaquim Nabuco foi, a um tempo, uma síntese de sua época e um sinal de contradição para ela. Dionisíaco mundano e vulcânico na juventude, apolíneo elevado e moderador na maturidade; menino de engenho de estirpe aristocrática, bacharel inconformado com as injustiças sociais, deputado campeão do abolicionismo, acusado de “agitador” e “comunista” pelos latifundiários patriarcais de sua classe; criticou acerbamente a Igreja brasileira pela sua resignação à escravidão, mas tornou-se profundamente ortodoxo e comprometido com o supranacionalismo de Roma; cosmopolita, à vontade nas cortes europeias e nas altas rodas americanas, seu fervor por Pernambuco o teria levado, se necessário, ao separatismo; liberal, democrata, federalista convicto, mas leal à monarquia, com a ascensão da República, infligiu-se, aos quarenta anos, o ostracismo como estadista para imergir-se nos livros e documentos do passado, na história da família e do Império, gerando obras seminais para a nossa formação nacional. Quando os republicanos criaram a primeira Embaixada do Brasil, nos Estados Unidos, foi ao velho Nabuco que recorreram para representar a jovem República.



    Nabuco foi, em resumo, um “pensador alongado em homem de ação, com olhos de revolucionário e pés quase sempre de conservador”, como disse sobre seu precursor, José Bonifácio, seu conterrâneo Gilberto Freyre, o qual fez ainda, em meados do século passado, esta constatação amargamente atual: “Numa época, como esta que atravessamos, marcada pela desconfiança ou pela suspeita de que todo político brasileiro seja ou tenha sido um politiqueiro e todo homem público, um mistificador; e de que a política, os parlamentos, os congressos sejam inutilidades dispendiosas, senão palhaçadas ou mascaradas prejudiciais ao povo ingênuo, necessitando apenas de governo paternalescamente forte; Nabuco é uma das maiores negações dessa lenda negra com que se pretende desprestigiar, entre nós, a vida pública, a figura do político, a ação dos parlamentos”. Enfim, teria sido Nabuco um homem de contradições ou o centro virtuoso entre as contradições de seu tempo? E como a sua mensagem pode ajudar a sanar as contradições do nosso tempo?  



    Convidados



    Angela Alonso: professora de sociologia da Universidade de São Paulo e autora de Joaquim Nabuco – Os salões e as ruas.



    Izabel Marson: professora de história da Universidade Estadual de Campinas e autora de Política, história e método em Joaquim Nabuco.



    Marco Aurélio Nogueira: professor de ciência política da Universidade Estadual Paulista e autor de O encontro de Joaquim Nabuco com a política. 







    Referências




    * O Encontro de Joaquim Nabuco com a Política de Marco Aurélio Nogueira. 
    * Joaquim Nabuco de Angela Alonso. 
    * Política, história e método em Joaquim Nabuco de Izabel Andrade Marson. 
    * Em torno de Joaquim Nabuco de Gilberto Freyre. 
    * A vida de Joaquim Nabuco de Luiz Viana Filho.
    * Joaquim Nabuco e os Abolicionistas Britânicos de L. Bethell e José Murilo de Carvalho. 
    * A vida de Joaquim Nabuco de Carolina Nabuco.
    * Machado de Assis e Joaquim Nabuco de Graça Aranha.  
    * Joaquim Nabuco e o Brasil na América de Olímpio de Souza Andrade.
    * Joaquim Nabuco – O homem de ação de Jorge Buarque Lira.
    * Joaquim Nabucode Virgílio Pereira da Silva Costa.
    * Joaquim Nabuco – A Política como Moral e Como História de Maria E. Prado.
    * Joaquim Nabuco, um Pensador do Império de Ricardo Salles.
    * Joaquim Nabuco – Retrato de uma Época de Moisés Gicovate. 
    * Joaquim Nabuco e o Novo Brasil organizado por Humberto França. 




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