Estado da Arte

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Estado da Arte episodes

  • Os Hominíneos
    O Mundo é muito velho, o ser humano é muito novo. Como constatou Carl Sagan, se os cerca de 15 bilhões de anos do Universo desde o Big Bang fossem comprimidos no espaço de um único ano do nosso calendário, a Terra só teria sido condensada a partir da matéria interestelar nos inícios de setembro; os dinossauros surgiram na véspera de Natal; as primeiras flores nasceram em 28 de dezembro e os homens e mulheres às 10:30 da noite na véspera do ano novo. Mas nos últimos dez segundos um novo Universo eclodiu; como num milagre, floresceram nesta terra a arte, a ciência, a religião, a filosofia, a política, a mística, a tecnologia e tudo o mais que amamos na história da Civilização e, além dela, o próprio Deus criador. Quem foi a criatura capaz de dar à luz tudo isso?
    Para uma dessas criações, o príncipe Hamlet, o homem é apenas a “quintessência do pó”. Numa célebre tirada, Darwin diria que o ser humano “por mais que se comporte bem, nada mais é que um macaco com os pelos raspados”. Ainda assim, mesmo pelos meros critérios da evolução natural, é um macaco prodigioso! 99,9% de todas as espécies que já viveram neste mundo foram extintas e hoje, se contarmos todos os grandes primatas não humanos – gorilas, orangotangos, bonobos e os nossos primos mais próximos, os chimpanzés –, eles não somam mais que 500 mil indivíduos enclausurados em minúsculas porções da Terra. Mas os humanos, pulverizados como estrelas sobre a superfície do globo, chegam a mais de 7 bilhões e meio e seguem se reproduzindo exponencialmente. Diante disso, talvez um outro cientista tenha sido mais esclarecedor: “Nós somos só uma raça avançada de macacos num planeta menor de uma estrela bastante comum”, disse Stephen Hawking, “Mas nós podemos entender o Universo. Isso faz de nós algo muito especial.” Porém mais do que simplesmente entender o Universo, o homem acumulou um poder capaz de destruir toda a Terra, de escapulir dela para outros planetas, de transformar essa vida num inferno ou talvez, como creem alguns, num paraíso. Assim, possivelmente mais razão ainda tenha um outro conterrâneo de Darwin, de Hawking e do criador do príncipe dinamarquês, não por acaso poeta como ele. Comentando as primeiras criações do homem pré-histórico, Chesterton declarou: “A arte é a assinatura do homem. … O homem é o microcosmo; o homem é a medida de todas as coisas; o homem é a imagem de Deus”.
    Quais foram as condições ambientais para que o ser humano surgisse? O que sabemos sobre nossos ancestrais? Como foram extintos? Por que o Homo Sapiens triunfou sobre todos? E terá a sua evolução se encerrado ou estamos só nos inícios de um novo tipo de Big Bang?
    Convidados
    André Strauss: Doutor em ciência arqueológica pela Universidade de Tübingen e professor do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo.
    Pedro da Glória: Doutor em antropologia pela Universidade de Ohio e professor da Universidade Federal do Pará.
    Walter Neves: Professor Titular aposentado do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva da Universidade de São Paulo.
    Referências

    * “Evolução Humana”: palestra de Walter Neves para a série USP Talks.
    The Cambridge Encyclopedia of Human Evolution editado por Steve Jones; Robert D. Martin; e David Pilbeam.
    The Origin of Humankind. Science Masters Series de Richard E. Leakey.
    A Dinâmica da Evolução Humana de Duane Elgin.
    Evolução Humana de Roger Lewin.
    An Introduction to Human Evolutionary Anatomy de Christopher Dean e Leslie Aiello.
    “The Mysterious Biped”. A Short History of Nearly Everything de Bill Bryson.
    L’histoire de l’homme de Yves Coppens.
    Hominid Adaptations and Extinctions de David W. Cameron.
    The Ancestor’s Tale: A Pilgrimage to the Dawn of Evolution de Richard Dawkins.
    La dinámica de la evolución humana de Natalia López Moratalla.
    0 min
  • Os Hominíneos
    O Mundo é muito velho, o ser humano é muito novo. Como constatou Carl Sagan, se os cerca de 15 bilhões de anos do Universo desde o Big Bang fossem comprimidos no espaço de um único ano do nosso calendário, a Terra só teria sido condensada a partir da matéria interestelar nos inícios de setembro; os dinossauros surgiram na véspera de Natal; as primeiras flores nasceram em 28 de dezembro e os homens e mulheres às 10:30 da noite na véspera do ano novo. Mas nos últimos dez segundos um novo Universo eclodiu; como num milagre, floresceram nesta terra a arte, a ciência, a religião, a filosofia, a política, a mística, a tecnologia e tudo o mais que amamos na história da Civilização e, além dela, o próprio Deus criador. Quem foi a criatura capaz de dar à luz tudo isso?

    Para uma dessas criações, o príncipe Hamlet, o homem é apenas a “quintessência do pó”. Numa célebre tirada, Darwin diria que o ser humano “por mais que se comporte bem, nada mais é que um macaco com os pelos raspados”. Ainda assim, mesmo pelos meros critérios da evolução natural, é um macaco prodigioso! 99,9% de todas as espécies que já viveram neste mundo foram extintas e hoje, se contarmos todos os grandes primatas não humanos – gorilas, orangotangos, bonobos e os nossos primos mais próximos, os chimpanzés –, eles não somam mais que 500 mil indivíduos enclausurados em minúsculas porções da Terra. Mas os humanos, pulverizados como estrelas sobre a superfície do globo, chegam a mais de 7 bilhões e meio e seguem se reproduzindo exponencialmente. Diante disso, talvez um outro cientista tenha sido mais esclarecedor: “Nós somos só uma raça avançada de macacos num planeta menor de uma estrela bastante comum”, disse Stephen Hawking, “Mas nós podemos entender o Universo. Isso faz de nós algo muito especial.” Porém mais do que simplesmente entender o Universo, o homem acumulou um poder capaz de destruir toda a Terra, de escapulir dela para outros planetas, de transformar essa vida num inferno ou talvez, como creem alguns, num paraíso. Assim, possivelmente mais razão ainda tenha um outro conterrâneo de Darwin, de Hawking e do criador do príncipe dinamarquês, não por acaso poeta como ele. Comentando as primeiras criações do homem pré-histórico, Chesterton declarou: “A arte é a assinatura do homem. ... O homem é o microcosmo; o homem é a medida de todas as coisas; o homem é a imagem de Deus”.

    Quais foram as condições ambientais para que o ser humano surgisse? O que sabemos sobre nossos ancestrais? Como foram extintos? Por que o Homo Sapiens triunfou sobre todos? E terá a sua evolução se encerrado ou estamos só nos inícios de um novo tipo de Big Bang?

    Convidados

    André Strauss: Doutor em ciência arqueológica pela Universidade de Tübingen e professor do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo.

    Pedro da Glória: Doutor em antropologia pela Universidade de Ohio e professor da Universidade Federal do Pará.

    Walter Neves: Professor Titular aposentado do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva da Universidade de São Paulo.

    Referências


    * "Evolução Humana": palestra de Walter Neves para a série USP Talks.
    The Cambridge Encyclopedia of Human Evolution editado por Steve Jones; Robert D. Martin; e David Pilbeam.
    The Origin of Humankind. Science Masters Series de Richard E. Leakey.
    A Dinâmica da Evolução Humana de Duane Elgin.
    Evolução Humana de Roger Lewin.
    An Introduction to Human Evolutionary Anatomy de Christopher Dean e Leslie Aiello.
    "The Mysterious Biped". A Short History of Nearly Everything de Bill Bryson.
    L’histoire de l'homme de Yves Coppens.
    Hominid Adaptations and Extinctions de David W. Cameron.
    The Ancestor's Tale: A Pilgrimage to the Dawn of Evolution de Richard Dawkins.
    0 min
  • Inteligência Artificial
    Será que máquinas podem pensar? Foi uma questão colocada pelo matemático britânico e decifrador de códigos Alan Turing e é uma questão que ainda está sendo discutida hoje. Qual a diferença entre homens e máquinas e o que significa ser humano? E se podemos responder a estas perguntas, será possível construir um computador capaz de imitar a mente humana? Há quem sempre tenha oferecido respostas robustas às questões oferecidas por aqueles que tentaram criar a inteligência artificial. Em 1949 o eminente neurocirurgião Professor Geoffrey Jefferson afirmou que a mente mecânica jamais poderia rivalizar com uma inteligência humana porque jamais poderia ser consciente daquilo que faz: “Só quando uma máquina puder escrever um soneto ou compor um concerto a partir de pensamentos e emoções sentidas”, declarou ele “e não através de um aglomerado casual de símbolos, poderemos admitir que a máquina iguala o cérebro – ou seja, que ela não só escreve mas sabe que escreveu.” Contudo a busca avançou rumo a máquinas que eram maiores e melhores no processamento de símbolos e no cálculo de permutações infinitas.
    Quem foram os pioneiros da inteligência artificial e o que os levou a imitar as operações da mente humana? Será a inteligência a característica definidora da humanidade? E como a busca pela inteligência artificial foi conduzida por combates e conflitos desde o século XX até os nossos dias?
    Convidados
    Bernardo Gonçalves: Doutor em Modelagem Computacional pelo Laboratório Nacional de Computação Científica e pesquisador da IBM Research.
    Fabio Cozman: Professor de Engenharia Mecatrônica da Universidade de São Paulo e coordenador da comissão de Inteligência Artificial da Sociedade Brasileira de Computação.
    Renata Wassermann: Professora de Ciência da Computação do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo.
    Referências

    * O algoritmo mestre (The Master Algorithm) de Pedro Domingos.
    * “Os meandros da Inteligência Artificial: conceitos-chave para leigos” de Dora Kaufman.
    * “A inevitável vitória da Inteligência Artificial” de Fabio Cozman.
    * “Os primeiros 60 anos de feitos da Inteligência Artificial – Revisitando as previsões de Herbert Simon” de Bernardo Gonçalves.
    * The Quest for Artificial Intelligence: A History of Ideas and Achievements de Nils Nilsson.
    * Artificial Intelligence. A modern approach de S. Russel e P. Norvig.
    * “What is Artificial Intelligence” de John McCarthy.
    * Intelligence artificielle : problèmes et méthodes de G. Tisseau e J. Pitrat.
    * Alan Turing: Life and Legacy of a Great Thinker editado por Christof Teuscher.
    * Behind Deep Blue: Building the Computer that Defeated the World Chess Champion de Feng-Hsiung Hsu.
    * Handbuch der Künstlichen Intelligenz editado por Görz, Rollinger e Schneeberger.
    * L’Intelligence artificielle : Un guide d’initiation au futur de l’informatique et de la robotique de J. Challoner.
    * Universal Artificial Intelligence de Marcus Hutter.
    * Introduction to Artificial Intelligence de Philip Jackson.
    * Artificial Intelligence: Structures and Strategies for Complex Problem Solving de G. Luger e W. Stubblefield.
    * Künstliche Intelligenz de Uwe Lämmel e Jürgen Cleve.
    * Artificial Intelligence: With an Introduction to Machine Learning de Xia Jiang.
    * Artificial Intelligence: A New Synthesis de Mor...
    0 min
  • Inteligência Artificial
    Será que máquinas podem pensar? Foi uma questão colocada pelo matemático britânico e decifrador de códigos Alan Turing e é uma questão que ainda está sendo discutida hoje. Qual a diferença entre homens e máquinas e o que significa ser humano? E se podemos responder a estas perguntas, será possível construir um computador capaz de imitar a mente humana? Há quem sempre tenha oferecido respostas robustas às questões oferecidas por aqueles que tentaram criar a inteligência artificial. Em 1949 o eminente neurocirurgião Professor Geoffrey Jefferson afirmou que a mente mecânica jamais poderia rivalizar com uma inteligência humana porque jamais poderia ser consciente daquilo que faz: “Só quando uma máquina puder escrever um soneto ou compor um concerto a partir de pensamentos e emoções sentidas”, declarou ele “e não através de um aglomerado casual de símbolos, poderemos admitir que a máquina iguala o cérebro – ou seja, que ela não só escreve mas sabe que escreveu.” Contudo a busca avançou rumo a máquinas que eram maiores e melhores no processamento de símbolos e no cálculo de permutações infinitas.

    Quem foram os pioneiros da inteligência artificial e o que os levou a imitar as operações da mente humana? Será a inteligência a característica definidora da humanidade? E como a busca pela inteligência artificial foi conduzida por combates e conflitos desde o século XX até os nossos dias?

    Convidados

    Bernardo Gonçalves: Doutor em Modelagem Computacional pelo Laboratório Nacional de Computação Científica e pesquisador da IBM Research.

    Fabio Cozman: Professor de Engenharia Mecatrônica da Universidade de São Paulo e coordenador da comissão de Inteligência Artificial da Sociedade Brasileira de Computação.

    Renata Wassermann: Professora de Ciência da Computação do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo.

    Referências


    * O algoritmo mestre (The Master Algorithm) de Pedro Domingos.
    * “Os meandros da Inteligência Artificial: conceitos-chave para leigos” de Dora Kaufman.
    * “A inevitável vitória da Inteligência Artificial” de Fabio Cozman.
    * “Os primeiros 60 anos de feitos da Inteligência Artificial – Revisitando as previsões de Herbert Simon” de Bernardo Gonçalves.
    * The Quest for Artificial Intelligence: A History of Ideas and Achievements de Nils Nilsson.
    * Artificial Intelligence. A modern approach de S. Russel e P. Norvig.
    * “What is Artificial Intelligence” de John McCarthy.
    * Intelligence artificielle : problèmes et méthodes de G. Tisseau e J. Pitrat.
    * Alan Turing: Life and Legacy of a Great Thinker editado por Christof Teuscher.
    * Behind Deep Blue: Building the Computer that Defeated the World Chess Champion de Feng-Hsiung Hsu.
    * Handbuch der Künstlichen Intelligenz editado por Görz, Rollinger e Schneeberger.
    * L'Intelligence artificielle : Un guide d'initiation au futur de l'informatique et de la robotique de J. Challoner.
    * Universal Artificial Intelligence de Marcus Hutter.
    * Introduction to Artificial Intelligence de Philip Jackson.
    * Artificial Intelligence: Structures and Strategies for Complex Problem Solving de G. Luger e W. Stubblefield.
    * Künstliche Intelligenz de Uwe Lämmel e Jürgen Cleve.
    0 min
  • Os Profetas de Israel
    Entre muçulmanos, cristãos e judeus, cerca de dois terços da população mundial é devota ao Deus de Israel. E nunca – salvo talvez em Jesus – ele falou tanto em primeira pessoa quanto pela boca dos profetas. Maomé se considerava o último, e seus fiéis, o maior. Cristo foi tomado por profeta, ainda que para muitos, falso. Ele mesmo dizia ter vindo para levar a missão dos profetas à perfeição e viu em João Batista o retorno do profeta Elias, com o qual aliás, segundo Mateus, Marcos e Lucas, conversou num instante de transfiguração junto a Moisés e seu Pai acerca do seu destino e do de Jerusalém. Dentre os 48 profetas e sete profetisas consagrados pelos judeus, Elias é a figura tipicamente folclórica do pregador, reformista e milagreiro errante. Muito antes, o pai da raça, Abraão; Moisés, arquétipo dos profetas e também dos sacerdotes e reis; Samuel, vidente e juiz que institucionalizou o profetismo e a monarquia sobre as tribos de Israel; e logo depois poetas como Isaías e Ezequiel. Foram algumas das pessoas mais perturbadoras (e por vezes perturbadas) que já viveram. Em nome de Deus, Oséias se casou com uma prostituta, Elias massacrou 450 sacerdotes pagãos, e Eliseu, invocando duas ursas, trucidou 42 garotos por tirarem sarro de sua careca. Jeremias tinha traços paranoicos. O espúrio Jonas fugiu de Deus e foi engolido por uma baleia. Todos sofreram a ira de YAHWEH contra a infidelidade de seu povo, acusaram esta ira e por isso sofreram a ira do povo. Como Moisés, o profeta deve mediar os dois lados: “deve se deixar inflamar pela chama da ira de Deus contra o povo”, dizia o teólogo von Balthasar, mas “como aquele que incorpora essa ira, deve ‘se voltar a Deus’, confessar o pecado e oferecer a si mesmo para uma autoimolação na qual a ira e o pecado se tornam um.” Deste “Eu” dilacerado na luta entre Deus e seu povo muitos exegetas viram surgir não só obras primas como o Livro das Lamentações ou o de Jó, mas, pela primeira vez na história, a noção de “indivíduo.” O Deus dos profetas é único, imutável, onipotente; prefere obediência e misericórdia a rituais; castiga as iniquidades contra os fracos; e pedirá contas às nações por violarem a lei natural e a Israel por violar a sua Lei. Entre a graça e o castigo, a maldição presente e a glória futura, sua mensagem é severa, porém alentadora: Deus restaurará a justiça cumprindo suas promessas ao seu povo e, através deste, à Humanidade. Será a “Consolação de Sião” reservada ao “Resto de Israel”; o “Dia do Senhor” que nascerá com o “Filho do Homem”, o menino Emanuel, “Servo Sofredor” “ungido” que de uma “Jerusalém Eterna” instaurará a “Era da Paz” para o mundo. Com esse impulso ao futuro os profetas estão na origem da visão escatológica cristã do messias e do seu reino milenar e logo, por vias tortas, dos messianismos e milenarismos seculares como o comunismo ou o nazismo. Mas o que as mensagens proféticas terão a nos dizer hoje?
    Convidados
    Carlos Alberto Contieri: jesuíta pós-graduado em exegese bíblica pelo Instituto Bíblico de Roma, pela Universidade de Louvain e pela École Biblique de Jerusalém.
    Francisco Moreno: doutor em Língua Hebraica, Literatura e Cultura Judaica pela Universidade de São Paulo.
    Suzana Chwarts: professora livre-docente de Estudos da Bíblia Hebraica na Universidade de São Paulo e autora de Esterilidade na Bíblia Hebraica e Via Maris: Textos e Contextos na Bíblia Hebraica.
    Fontes em O Grande Teatro do Mundo
    Referências

    * Teologia do Antigo Testamento – Volume 2 (Theologie des Alten Testaments, Band 2: Die Theologie der prophetischen Überlieferung Israels) de Gerhard von Rad.
    * Herrlichkeit: Eine theologische, Asthetik, III, 2: Theologie, Teil I: Alter Bund de Hans Urs von Balthasar.
    * The Prophets de Abraham Joshua Heschel.
    * Prophètes et prophéties editado por André Neher.
    * The Prophetic Faith de Martin Buber.
    55 min
  • Os Profetas de Israel
    Entre muçulmanos, cristãos e judeus, cerca de dois terços da população mundial é devota ao Deus de Israel. E nunca – salvo talvez em Jesus – ele falou tanto em primeira pessoa quanto pela boca dos profetas. Maomé se considerava o último, e seus fiéis, o maior. Cristo foi tomado por profeta, ainda que para muitos, falso. Ele mesmo dizia ter vindo para levar a missão dos profetas à perfeição e viu em João Batista o retorno do profeta Elias, com o qual aliás, segundo Mateus, Marcos e Lucas, conversou num instante de transfiguração junto a Moisés e seu Pai acerca do seu destino e do de Jerusalém. Dentre os 48 profetas e sete profetisas consagrados pelos judeus, Elias é a figura tipicamente folclórica do pregador, reformista e milagreiro errante. Muito antes, o pai da raça, Abraão; Moisés, arquétipo dos profetas e também dos sacerdotes e reis; Samuel, vidente e juiz que institucionalizou o profetismo e a monarquia sobre as tribos de Israel; e logo depois poetas como Isaías e Ezequiel. Foram algumas das pessoas mais perturbadoras (e por vezes perturbadas) que já viveram. Em nome de Deus, Oséias se casou com uma prostituta, Elias massacrou 450 sacerdotes pagãos, e Eliseu, invocando duas ursas, trucidou 42 garotos por tirarem sarro de sua careca. Jeremias tinha traços paranoicos. O espúrio Jonas fugiu de Deus e foi engolido por uma baleia. Todos sofreram a ira de YAHWEH contra a infidelidade de seu povo, acusaram esta ira e por isso sofreram a ira do povo. Como Moisés, o profeta deve mediar os dois lados: “deve se deixar inflamar pela chama da ira de Deus contra o povo”, dizia o teólogo von Balthasar, mas “como aquele que incorpora essa ira, deve ‘se voltar a Deus’, confessar o pecado e oferecer a si mesmo para uma autoimolação na qual a ira e o pecado se tornam um.” Deste “Eu” dilacerado na luta entre Deus e seu povo muitos exegetas viram surgir não só obras primas como o Livro das Lamentações ou o de Jó, mas, pela primeira vez na história, a noção de “indivíduo.” O Deus dos profetas é único, imutável, onipotente; prefere obediência e misericórdia a rituais; castiga as iniquidades contra os fracos; e pedirá contas às nações por violarem a lei natural e a Israel por violar a sua Lei. Entre a graça e o castigo, a maldição presente e a glória futura, sua mensagem é severa, porém alentadora: Deus restaurará a justiça cumprindo suas promessas ao seu povo e, através deste, à Humanidade. Será a “Consolação de Sião” reservada ao “Resto de Israel”; o “Dia do Senhor” que nascerá com o “Filho do Homem”, o menino Emanuel, “Servo Sofredor” “ungido” que de uma “Jerusalém Eterna” instaurará a “Era da Paz” para o mundo. Com esse impulso ao futuro os profetas estão na origem da visão escatológica cristã do messias e do seu reino milenar e logo, por vias tortas, dos messianismos e milenarismos seculares como o comunismo ou o nazismo. Mas o que as mensagens proféticas terão a nos dizer hoje?

    Convidados

    Carlos Alberto Contieri: jesuíta pós-graduado em exegese bíblica pelo Instituto Bíblico de Roma, pela Universidade de Louvain e pela École Biblique de Jerusalém.

    Francisco Moreno: doutor em Língua Hebraica, Literatura e Cultura Judaica pela Universidade de São Paulo.

    Suzana Chwarts: professora livre-docente de Estudos da Bíblia Hebraica na Universidade de São Paulo e autora de Esterilidade na Bíblia Hebraica e Via Maris: Textos e Contextos na Bíblia Hebraica.

    Fontes em O Grande Teatro do Mundo



    Referências


    * Teologia do Antigo Testamento – Volume 2 (Theologie des Alten Testaments, Band 2: Die Theologie der prophetischen Überlieferung Israels) de Gerhard von Rad.
    * Herrlichkeit: Eine theologische, Asthetik, III, 2: Theologie, Teil I: Alter Bund de Hans Urs von Balthasar.
    * The Prophets de Abraham Joshua Heschel.
    * Prophètes et prophéties editado por André Neher.
    55 min
  • OrderedDict([('small', '– Carlos Alberto Contieri - Francisco Moreno - Suzana Chwarts'), ('#text', 'Os Profetas de Israel')])
    Entre muçulmanos, cristãos e judeus, cerca de dois terços da população mundial é devota ao Deus de Israel. E nunca – salvo talvez em Jesus – ele falou tanto em primeira pessoa quanto pela boca dos profetas. Maomé se considerava o último, e seus fiéis, o maior. Cristo foi tomado por profeta, ainda que para muitos, falso. Ele mesmo dizia ter vindo para levar a missão dos profetas à perfeição e viu em João Batista o retorno do profeta Elias, com o qual aliás, segundo Mateus, Marcos e Lucas, conversou num instante de transfiguração junto a Moisés e seu Pai acerca do seu destino e do de Jerusalém. Dentre os 48 profetas e sete profetisas consagrados pelos judeus, Elias é a figura tipicamente folclórica do pregador, reformista e milagreiro errante. Muito antes, o pai da raça, Abraão; Moisés, arquétipo dos profetas e também dos sacerdotes e reis; Samuel, vidente e juiz que institucionalizou o profetismo e a monarquia sobre as tribos de Israel; e logo depois poetas como Isaías e Ezequiel. Foram algumas das pessoas mais perturbadoras (e por vezes perturbadas) que já viveram. Em nome de Deus, Oséias se casou com uma prostituta, Elias massacrou 450 sacerdotes pagãos, e Eliseu, invocando duas ursas, trucidou 42 garotos por tirarem sarro de sua careca. Jeremias tinha traços paranoicos. O espúrio Jonas fugiu de Deus e foi engolido por uma baleia. Todos sofrerama ira de YAHWEH contra a infidelidade de seu povo, acusaram esta ira e por isso sofreram a ira do povo. Como Moisés, o profeta deve mediar os dois lados: “deve se deixar inflamar pela chama da ira de Deus contra o povo”, dizia o teólogo von Balthasar, mas “como aquele que incorpora essa ira, deve ‘se voltar a Deus’, confessar o pecado e oferecer a si mesmo para uma autoimolação na qual a ira e o pecado se tornam um.” Deste “Eu” dilacerado na luta entre Deus e seu povo muitos exegetas viram surgir não só obras primas como o Livro das Lamentações ou o de Jó, mas, pela primeira vez na história, a noção de “indivíduo.” O Deus dos profetas é único, imutável, onipotente; prefere obediência e misericórdia a rituais; castiga as iniquidades contra os fracos; e pedirá contas às nações por violarem a lei natural e a Israel por violar a sua Lei. Entre a graça e o castigo, a maldição presente e a glória futura, sua mensagem é severa, porém alentadora: Deus restaurará a justiça cumprindo suas promessas ao seu povo e, através deste, à Humanidade. Será a “Consolação de Sião” reservada ao “Resto de Israel”; o “Dia do Senhor” que nascerá com o “Filho do Homem”, o menino Emanuel, “Servo Sofredor” “ungido” que de uma “Jerusalém Eterna” instaurará a “Era da Paz” para o mundo. Com esse impulso ao futuro os profetas estão na origem da visão escatológica cristã do messias e do seu reino milenar e logo, por vias tortas, dos messianismos e milenarismos seculares como o comunismo ou o nazismo. Mas o que as mensagens proféticas terão a nos dizer hoje?

    Convidados

    Carlos Alberto Contieri: jesuíta pós-graduado em exegese bíblica pelo Instituto Bíblico de Roma, pela Universidade de Louvain e pela École Biblique de Jerusalém.

    Francisco Moreno: doutor em Língua Hebraica, Literatura e Cultura Judaica pela Universidade de São Paulo.

    Suzana Chwarts: professora livre-docente de Estudos da Bíblia Hebraica na Universidade de São Paulo e autora de Esterilidade na Bíblia Hebraica.

    Fontes em O Grande Teatro do Mundo



    Referências


    * Teologia do Antigo Testamento – Volume 2 (Theologie des Alten Testaments, Band 2: Die Theologie der prophetischen Überlieferung Israels) de Gerhard von Rad.
    * Herrlichkeit: Eine theologische, Asthetik, III, 2: Theologie, Teil I: Alter Bund de Hans Urs von Balthasar.
    * The Prophets de Abraham Joshua Heschel.
    * Prophètes et prophéties editado por André Neher.
    * The Prophetic Faith de Martin Buber.
    55 min
  • A Confissão de Augsburgo
    Na virada do século XV para o XVI, enquanto a Europa expulsava os muçulmanos e descobria um Novo Mundo, estava claro que a cristandade medieval datada dos tempos carolíngios estava se despedaçando, e com ela a esperança em uma única res publica cristã. Johann Geller, um dos últimos grandes pregadores da Idade Média, previu a dissolução em seu derradeiro sermão ante o Imperador Maximiliano: “Uma vez que nem o Papa nem o Imperador, nem os reis nem os bispos reformarão a nossa vida, Deus enviará um homem para este propósito.”
    Se o luteranismo, e por extensão a Reforma, nasce em 1517 com Lutero, segundo a tradição, martelando suas 95 Teses contra as indulgências na porta da Igreja de Todos os Santos de Wittenberg, só em 1555 ele será legitimado, com a ratificação, por uma Dieta do Sacro Império Romano Germânico em Augsburgo, do princípio Cuius regio, eius religio – a cada reino, sua religião. Não à toa na mesma cidade veio à luz entre um e outro evento a primeira confissão de fé protestante. Redigida por Melanchthon sob os conselhos de Lutero, foi negociada entre os Príncipes Eleitores alemães e proclamada ao Imperador em 1530, sendo posteriormente ratificada pelos fundadores das congregações anglicana e calvinista. Invocando os salmos, sua orgulhosa epígrafe anuncia: “Eu falarei de teus testemunhos, Senhor, também ante os reis, e não me envergonharei”. Sintética e sistematicamente ela expõe em duas partes as ideias que haviam sido elaboradas nos grandes tratados da Reforma: nos primeiros 21 artigos afirma seu compromisso com o credo ortodoxo e nos últimos 7, em nome desse credo, acusa os abusos papistas corrigidos pelos evangélicos luteranos.
    O que ela diz sobre Deus, sua Criação e o pecado do Homem? O que afirma sobre Jesus Cristo, sua salvação, sua Igreja, seus sacramentos e o seu retorno no fim do mundo? Como os católicos reagiram a ela? Em que difere das outras confissões protestantes? E como pode, hoje, esclarecer os cristãos sobre sua fé e uni-los no serviço ao seu único Senhor?
    Convidados
    Alderi Souza de Matos: professor de Teologia e História da Igreja do Instituto Presbiteriano Mackenzie.
    Lauri Wirth: professor de História do Protestantismo no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo.
    Silas Luiz de Souza: professor de História do Cristianismo e coordenador do Núcleo Multidisciplinar de Estudos do Protestantismo da Universidade Mackenzie.
    Fontes em O Grande Teatro do Mundo
    Referências

    * História do Cristianismo (The History of Christianity) de Paul Johnson.
    * A divisão da Cristandade (The Dividing of Christendom) de Christopher Dawson.
    * “Augsburg Confession” verbete de Gerhard May em The Encyclopedia of Christianity, editada por E. Fahlbusch e G.W. Bromiley.
    * The Augsburg Confession: A Collection of Sources with an Historical Introduction editado por J.M. Reu.
    * “Confession d’Augsbourg” no Dictionnaire historique de la Suisse.
    * Die Confessio Augustana, Einführung in die Hauptgedanken der lutherischen Reformation de Leif Grane.
    * “Augsburger Bekenntnis” verbete de Herbert Immenkötter no Lexikon für Theologie und Kirche editado por W. Kasper.
    * Heilung der Erinnerungen – Befreit zur gemeinsamen Zukunft. Mennoniten im Dialog de Fernando Enns.
    * Luther et la Réforme protestante de Annick Sibué.
    * Le Temps des réformes : La crise de la chrétienté, l’éclatement (1250-1550) de Pierre Chaunu.
    * Geschichte der Reformation de Thomas Kaufmann.
    * Die Reformation. Vorgeschichte, Verlauf, Wirkungde Luise Schorn-Schütte.
    * I protestante. Uma rivoluzione de Girogio Tourn.
    * The Story of Christianity: Vol. 2: The Reformation to the Present Day de Justo L. González.
    * La Réforme de Richard Stauffer.
    0 min
  • A Confissão de Augsburgo
    Na virada do século XV para o XVI, enquanto a Europa expulsava os muçulmanos e descobria um Novo Mundo, estava claro que a cristandade medieval datada dos tempos carolíngios estava se despedaçando, e com ela a esperança em uma única res publica cristã. Johann Geller, um dos últimos grandes pregadores da Idade Média, previu a dissolução em seu derradeiro sermão ante o Imperador Maximiliano: “Uma vez que nem o Papa nem o Imperador, nem os reis nem os bispos reformarão a nossa vida, Deus enviará um homem para este propósito.”

    Se o luteranismo, e por extensão a Reforma, nasce em 1517 com Lutero, segundo a tradição, martelando suas 95 Teses contra as indulgências na porta da Igreja de Todos os Santos de Wittenberg, só em 1555 ele será legitimado, com a ratificação, por uma Dieta do Sacro Império Romano Germânico em Augsburgo, do princípio Cuius regio, eius religio – a cada reino, sua religião. Não à toa na mesma cidade veio à luz entre um e outro evento a primeira confissão de fé protestante. Redigida por Melanchthon sob os conselhos de Lutero, foi negociada entre os Príncipes Eleitores alemães e proclamada ao Imperador em 1530, sendo posteriormente ratificada pelos fundadores das congregações anglicana e calvinista. Invocando os salmos, sua orgulhosa epígrafe anuncia: “Eu falarei de teus testemunhos, Senhor, também ante os reis, e não me envergonharei”. Sintética e sistematicamente ela expõe em duas partes as ideias que haviam sido elaboradas nos grandes tratados da Reforma: nos primeiros 21 artigos afirma seu compromisso com o credo ortodoxo e nos últimos 7, em nome desse credo, acusa os abusos papistas corrigidos pelos evangélicos luteranos.

    O que ela diz sobre Deus, sua Criação e o pecado do Homem? O que afirma sobre Jesus Cristo, sua salvação, sua Igreja, seus sacramentos e o seu retorno no fim do mundo? Como os católicos reagiram a ela? Em que difere das outras confissões protestantes? E como pode, hoje, esclarecer os cristãos sobre sua fé e uni-los no serviço ao seu único Senhor?

    Convidados

    Alderi Souza de Matos: professor de Teologia e História da Igreja do Instituto Presbiteriano Mackenzie.

    Lauri Wirth: professor de História do Protestantismo no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo.

    Silas Luiz de Souza: professor de História do Cristianismo e coordenador do Núcleo Multidisciplinar de Estudos do Protestantismo da Universidade Mackenzie.

    Fontes em O Grande Teatro do Mundo



    Referências


    * História do Cristianismo (The History of Christianity) de Paul Johnson.
    * A divisão da Cristandade (The Dividing of Christendom) de Christopher Dawson.
    * "Augsburg Confession" verbete de Gerhard May em The Encyclopedia of Christianity, editada por E. Fahlbusch e G.W. Bromiley.
    * The Augsburg Confession: A Collection of Sources with an Historical Introduction editado por J.M. Reu.
    * “Confession d’Augsbourg” no Dictionnaire historique de la Suisse.
    * Die Confessio Augustana, Einführung in die Hauptgedanken der lutherischen Reformation de Leif Grane.
    * “Augsburger Bekenntnis” verbete de Herbert Immenkötter no Lexikon für Theologie und Kirche editado por W. Kasper.
    * Heilung der Erinnerungen – Befreit zur gemeinsamen Zukunft. Mennoniten im Dialog de Fernando Enns.
    * Luther et la Réforme protestante de Annick Sibué.
    * Le Temps des réformes : La crise de la chrétienté, l'éclatement (1250-1550) de Pierre Chaunu.
    * Geschichte der Reformation de Thomas Kaufmann.
    * Die Reformation. Vorgeschichte, Verlauf, Wirkungde Luise Schorn-Schütte.
    * I protestante. Uma rivoluzione de Girogio Tourn.
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  • “Os Elementos” de Euclides
    Certa vez, Thomas Hobbes, encontrando por acaso na biblioteca de um amigo um livro aberto na demonstração do teorema de Pitágoras, exclamou: “Por Deus, isso é impossível!” Retomando a cadeia de proposições, ele se convenceu e se apaixonou pela geometria. Era o livro dos Elementos de Euclides, não só o mais antigo tratamento dedutivo de matemática em larga escala a chegar a nós, mas também a obra mais renomada de toda história da matemática. Foi uma das primeiras publicações a ser impressa após a invenção da imprensa e, com a única exceção da Bíblia, é a mais traduzida, comentada e estudada, ultrapassando de longe mil edições. Por séculos, enquanto o quadrivium das Artes Liberais esteve vigente, fez parte do currículo básico de todo estudante universitário, e só a partir do século XX deixou de ser considerado um pressuposto entre as leituras de toda pessoa culta.
    Desbravadores da ciência moderna como Copérnico, Kepler, Descartes, Galileo, Fermat e Newton foram todos influenciados pelos Elementos e aplicaram seu conhecimento às suas obras. Pensadores como Baruch Spinoza, Alfred North Whitehead, Bertrand Russell e Ludwig von Mises admiraram e emularam Euclides na tentativa de adotar métodos axiomáticos e estruturas dedutivas a fim de criar seus próprios Elementos fundacionais para suas respectivas disciplinas, e há quem defenda que o sistema axiomático de Euclides inspirou a estrutura da Declaração de Independência norte-americana. Abraham Lincoln, por sinal, mantinha desde jovem uma edição dos Elementos em seu alforje e a estudava a altas horas à luz de lampião. Certa vez ele disse de si para si: “’Você jamais poderá ser um jurista se não entender o que significa uma demonstração’; e eu …. voltei para a casa de meu pai, e permaneci ali até que eu pudesse oferecer qualquer proposição dos seis livros de Euclides de imediato.” Albert Einstein lembrava-se de que quando criança uma cópia dos Elementos, junto com uma bússola magnética, foi o presente que mais o influenciou, e referia-se a ele como “o santo livrinho de geometria”. A poetisa Edna St. Vincent Millay anunciava no título de um poema “Só Euclides vislumbrou a Beleza nua”, e no mesmo diapasão o historiador da ciência George Sarton declarou: Euclides “criou um monumento que é tão maravilhoso em sua simetria, beleza interior e clareza como o Partenon, mas incomparavelmente mais complexo e mais durável”.
    Convidados 
    Irineu Bicudo: professor titular do Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista e tradutor dos Elementos.
    João Cortese: Doutor em Filosofia pela Universidade de São Paulo e em Epistemologia e História da Ciência pela Universidade Paris 7.
    Tiago Tranjan: Professor doutor de Lógica e Filosofia da Matemática da Universidade Federal de São Paulo.
    Referências

    * História da matemática de Tatiana Roque.
    * The Oxford Handbook of The History of Mathematics editado por E. Robson e J. Stedall.
    * A History of Mathematics de U.C. Merzbach e C.B. Boyer.
    * Dans l’oeil du compass: la géométrie d’Euclide à Einteinde L. Milodinow.
    * “Euclid and His Time” em Ancient Science and Modern Civilization de George Sarton.
    * Classics in the History of Greek Mathematics editado por Jean Christianidis.
    * Euclid – The Creation of Mathematics de Benno Artmann.
    * A Short Account of the History of Mathematics de W.W. Rouse Ball.
    * Geometry: Euclid and Beyond de Robin Hartshorne.
    * A Manual of Greek Mathematics de Thomas Heath.
    * “Euclid’s Elements” entrevista radiofônica em In Our Time.
    * The History of Mathematical Proof in Ancient Traditions editado por K. Chemla.
    * Geometry Civilized: History, Culture, and Technique.
    * Philosophy of Mathematics and Deductive Structure in Euclid’s Elements de Ian Mueller.

    Apresentação: Marcelo Consentino
    0 min

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