Estado da Arte

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Estado da Arte episodes

  • “Os Elementos” de Euclides
    Certa vez, Thomas Hobbes, encontrando por acaso na biblioteca de um amigo um livro aberto na demonstração do teorema de Pitágoras, exclamou: “Por Deus, isso é impossível!” Retomando a cadeia de proposições, ele se convenceu e se apaixonou pela geometria. Era o livro dos Elementos de Euclides, não só o mais antigo tratamento dedutivo de matemática em larga escala a chegar a nós, mas também a obra mais renomada de toda história da matemática. Foi uma das primeiras publicações a ser impressa após a invenção da imprensa e, com a única exceção da Bíblia, é a mais traduzida, comentada e estudada, ultrapassando de longe mil edições. Por séculos, enquanto o quadrivium das Artes Liberais esteve vigente, fez parte do currículo básico de todo estudante universitário, e só a partir do século XX deixou de ser considerado um pressuposto entre as leituras de toda pessoa culta.

    Desbravadores da ciência moderna como Copérnico, Kepler, Descartes, Galileo, Fermat e Newton foram todos influenciados pelos Elementos e aplicaram seu conhecimento às suas obras. Pensadores como Baruch Spinoza, Alfred North Whitehead, Bertrand Russell e Ludwig von Mises admiraram e emularam Euclides na tentativa de adotar métodos axiomáticos e estruturas dedutivas a fim de criar seus próprios Elementos fundacionais para suas respectivas disciplinas, e há quem defenda que o sistema axiomático de Euclides inspirou a estrutura da Declaração de Independência norte-americana. Abraham Lincoln, por sinal, mantinha desde jovem uma edição dos Elementos em seu alforje e a estudava a altas horas à luz de lampião. Certa vez ele disse de si para si: “'Você jamais poderá ser um jurista se não entender o que significa uma demonstração’; e eu .... voltei para a casa de meu pai, e permaneci ali até que eu pudesse oferecer qualquer proposição dos seis livros de Euclides de imediato.” Albert Einstein lembrava-se de que quando criança uma cópia dos Elementos, junto com uma bússola magnética, foi o presente que mais o influenciou, e referia-se a ele como “o santo livrinho de geometria”. A poetisa Edna St. Vincent Millay anunciava no título de um poema “Só Euclides vislumbrou a Beleza nua”, e no mesmo diapasão o historiador da ciência George Sarton declarou: Euclides “criou um monumento que é tão maravilhoso em sua simetria, beleza interior e clareza como o Partenon, mas incomparavelmente mais complexo e mais durável”.

    Convidados 

    Irineu Bicudo: professor titular do Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista e tradutor dos Elementos.

    João Cortese: Doutor em Filosofia pela Universidade de São Paulo e em Epistemologia e História da Ciência pela Universidade Paris 7.

    Tiago Tranjan: Professor doutor de Lógica e Filosofia da Matemática da Universidade Federal de São Paulo.

    Referências


    * História da matemática de Tatiana Roque.
    * The Oxford Handbook of The History of Mathematics editado por E. Robson e J. Stedall.
    * A History of Mathematics de U.C. Merzbach e C.B. Boyer.
    * Dans l’oeil du compass: la géométrie d’Euclide à Einteinde L. Milodinow.
    * “Euclid and His Time” em Ancient Science and Modern Civilization de George Sarton.
    * Classics in the History of Greek Mathematics editado por Jean Christianidis.
    * Euclid – The Creation of Mathematics de Benno Artmann.
    * A Short Account of the History of Mathematics de W.W. Rouse Ball.
    * Geometry: Euclid and Beyond de Robin Hartshorne.
    * A Manual of Greek Mathematics de Thomas Heath.
    * “Euclid’s Elements” entrevista radiofônica em In Our Time.
    * The History of Mathematical Proof in Ancient Traditions editado por K. Chemla.
    * Geometry Civilized: History, Culture, and Technique.
    * Philosophy of Mathematics and Deductive Structure in Euc...
    0 min
  • A Pintura nos Países Baixos
    Quem quisesse escrever uma “História de Perfeição” teria de dedicar um capítulo especial à pintura holandesa do século XVII. Esse é o instante mágico no qual o homem, 40.000 anos depois que começou a pintar paredes de cavernas, finalmente se percebeu capaz de representar absolutamente qualquer coisa tocada pela luz: um vestido de cetim, o ar vaporoso, as escamas de um peixe, um cálice de vinho e, claro, todos os matizes da carne sob a pele humana. Qualquer vibração do nervo ótico podia agora ser comunicada à mão e de lá imortalizada em uma superfície plana. Não por acaso, essa epifania visual aconteceu no mesmo espaço e tempo em que se aprimorava e se popularizava máquina-mãe da fotografia e do cinema: a câmera escura. Era o tempo no qual a experiência científica começava a desafiar a revelação religiosa como autoridade suprema do saber, e o espaço no qual começavam a ser testados os aparatos democráticos e a sociedade de mercado na qual vivemos hoje. Enquanto os artistas italianos, respirando a atmosfera das cortes banhadas pelo esplendor do renascimento católico, idealizavam um novo mundo povoado pelos nus pagãos de atletas sobre-humanos, no ambiente austero da Holanda mercantil e protestante, os pintores, movidos pelo amor ao real, enchiam os olhos com tudo o que encontravam ao seu redor a fim de glorificar a vida como ela é. Como disse Hippolyte Taine
    aquilo que [o gênio nacional holandês] exige e aquilo que ele provoca, é a representação do homem real e da vida real, tal qual os olhos os veem: burgueses, camponeses, gado, lojas, estalagens, alojamentos, ruas e paisagens. Não há necessidade de transformá-los para os enobrecer; basta que eles sejam, para serem dignos de interesse. A natureza por ela mesma, seja qual for, humana, animal, vegetal, inanimada, com suas irregularidades, suas trivialidades, suas lacunas, tem razão de ser como ela é; quando a compreendemos, a amamos e gozamos ao vê-la. A arte tem por fim, não a alterar, mas interpretá-la; por força da simpatia, ela a faz bela.  
    Convidados
    Antonio Gonçalves Filho: crítico de arte, curador e repórter especial de cultura do jornal O Estado de São Paulo.
    Luiz Marques: professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas.
    Pieter Tjabbes: graduado em Direito e História da Arte pela Universidade de Leiden, na Holanda, curador e sócio fundador da Art Unlimited.
    Fontes em O Grande Teatro do Mundo
    Referências

    * A Pintura Holandesa (Dutch Painting)de Seymour Slive.
    * História da Arte (History of Art) de H.W. Janson e A.F. Janson.
    * “O Espelho da Natureza. Holanda, século XVII” emA História da Arte (The Story of Art) de E.H. Gombrich.
    * “A Pintura nos Países Baixos”em Filosofia da Arte(Philosophie de l’Art) de Hippolyte Taine.
    * “The Dutch attain ‘The perfection of professional art” em Art: A New History de Paul Johnson.
    * Mestres do Século de Ouro da Pintura Holandesa, catálogo da exposição realizada pela Pinacoteca do Estado de São Paulo (1998).
    * “A Renascença Setentrional” e “Uma visão protestante holandesa” em A História da Pintura de Wendy Beckett.
    * A Pintura Holandesa (Altniederlandische Malerei im 15) de János Végh.
    * The Art of Describing: Dutch Art in the Seventeenth Centuryde Svetlana Alpers.
    * Dutch Seventeenth-Century Genre Painting de Wayne Franits.
    * A Brief Overview of the Dutch Art Market in the 17thCentury em essentialvermeer.com.
    * Peinture et société dans les Pays-Bas du XVIIe. siècle de Jean Lombard.
    * Dutch Painting de R.H. Fuchs.
    * L’Âge d’Or hollandaise – de Rembrandt à Vermeer avec les trésors du Rijksmuseum de R. Priem, M. Restellini e P. Sigmond.
    * Enchanting the Eye, Dutch Paintings of the Golden Agede Lloyd Christopher.
    0 min
  • OrderedDict([('small', '– Antonio Gonçalves Filho - Luiz Marques - Pieter Tjabbes'), ('#text', 'A Pintura nos Países Baixos')])
    Quem quisesse escrever uma “História de Perfeição” teria de dedicar um capítulo especial à pintura holandesa do século XVII. Esse é o instante mágico no qual o homem, 40.000 anos depois que começou a pintar paredes de cavernas, finalmente se percebeu capaz de representar absolutamente qualquer coisa tocada pela luz: um vestido de cetim, o ar vaporoso, as escamas de um peixe, um cálice de vinho e, claro, todos os matizes da carne sob a pele humana. Qualquer vibração do nervo ótico podia agora ser comunicada à mão e de lá imortalizada em uma superfície plana. Não por acaso, essa epifania visual aconteceu no mesmo espaço e tempo em que se aprimorava e se popularizava máquina-mãe da fotografia e do cinema: a câmera escura. Era o tempo no qual a experiência científica começava a desafiar a revelação religiosa como autoridade suprema do saber, e o espaço no qual começavam a ser testados os aparatos democráticos e a sociedade de mercado na qual vivemos hoje. Enquanto os artistas italianos, respirando a atmosfera das cortes banhadas pelo esplendor do renascimento católico, idealizavam um novo mundo povoado pelos nus pagãos de atletas sobre-humanos, no ambiente austero da Holanda mercantil e protestante, os pintores, movidos pelo amor ao real, enchiam os olhos com tudo o que encontravam ao seu redor a fim de glorificar a vida como ela é. Como disse Hippolyte Taine

    aquilo que [o gênio nacional holandês] exige e aquilo que ele provoca, é a representação do homem real e da vida real, tal qual os olhos os veem: burgueses, camponeses, gado, lojas, estalagens, alojamentos, ruas e paisagens. Não há necessidade de transformá-los para os enobrecer; basta que eles sejam, para serem dignos de interesse. A natureza por ela mesma, seja qual for, humana, animal, vegetal, inanimada, com suas irregularidades, suas trivialidades, suas lacunas, tem razão de ser como ela é; quando a compreendemos, a amamos e gozamos ao vê-la. A arte tem por fim, não a alterar, mas interpretá-la; por força da simpatia, ela a faz bela.  

    Convidados

    Antonio Gonçalves Filho: crítico de arte, curador e repórter especial de cultura do jornal O Estado de São Paulo.

    Luiz Marques: professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas.

    Pieter Tjabbes: graduado em Direito e História da Arte pela Universidade de Leiden, na Holanda, curador e sócio fundador da Art Unlimited.

    Fontes em O Grande Teatro do Mundo



    Referências


    * A Pintura Holandesa (Dutch Painting)de Seymour Slive.
    * História da Arte (History of Art) de H.W. Janson e A.F. Janson.
    * “O Espelho da Natureza. Holanda, século XVII” emA História da Arte (The Story of Art) de E.H. Gombrich.
    * “A Pintura nos Países Baixos”em Filosofia da Arte(Philosophie de l’Art) de Hippolyte Taine.
    * “The Dutch attain ‘The perfection of professional art” em Art: A New History de Paul Johnson.
    * Mestres do Século de Ouro da Pintura Holandesa, catálogo da exposição realizada pela Pinacoteca do Estado de São Paulo (1998).
    * “A Renascença Setentrional” e “Uma visão protestante holandesa” em A História da Pintura de Wendy Beckett.
    * A Pintura Holandesa (Altniederlandische Malerei im 15) de János Végh.
    * The Art of Describing: Dutch Art in the Seventeenth Centuryde Svetlana Alpers.
    * Dutch Seventeenth-Century Genre Painting de Wayne Franits.
    * A Brief Overview of the Dutch Art Market in the 17thCentury em essentialvermeer.com.
    * Peinture et société dans les Pays-Bas du XVIIe. siècle de Jean Lombard.
    * Dutch Painting de R.H. Fuchs.
    * L’Âge d’Or hollandaise – de Rembrandt à Vermeer avec les trésors du Rijksmuseu...
    58 min
  • Ficção Científica
    A ficção científica é notoriamente difícil de se definir. Hugo Gernsback dizia que é um entrelaçamento de romance, ciência e profecia. Segundo Darko Suvin é um gênero baseado em uma alternativa imaginativa ao ambiente do leitor, enquanto para Clifton Fadiman é um tipo de “arqueologia do futuro”, uma “criança selvagem” “gerada pela Imaginação no corpo da Tecnologia”. Com pelo menos 200 anos de história oficial, desde a época do Frankenstein de Mary Shelley, a ficção científica proliferou seus frutos fantásticos em mídias diversas além dos livros, como o cinema, fanzines, rádio, TV, quadrinhos e mais recentemente videogames, plasmando arquétipos para os mais profundos medos, esperanças e obsessões do nosso imaginário: aventuras intergalácticas, invasões alienígenas, utopias, distopias, super-heróis, tecnocracias e tecnofobias. Se para muitos ela é mero entretenimento e ‘escapismo’, “no mínimo desde os anos 50, escritores como Ray Bradbury insistem em que vivemos dentro do ambiente tecnológico dos dispositivos da robótica e da cibernética que muitas obras de ficção científica descrevem…” Em 1953 Philip Wylie dizia: ‘A função singular do autor de ficção científica – o criador de mitos do século XX – é aprender a ciência das operações da mente e a partir daí planejar o seu trabalho’… Poucos anos depois, Robert Heinlein declarou: ‘É o único meio ficcional capaz de interpretar a mudança, a precipitação impetuosa da vida moderna. A ficção especulativa é a corrente principal da ficção’.” [A Companion to Science Fiction] Ecoando esse entusiasmo, John Campbell afirmava que diferentemente de outros gêneros narrativos, “ela assume que a mudança é a ordem natural das coisas, que há objetivos à frente maiores do que aqueles que conhecemos”, e um personagem de Kurt Vonnegut Jr. dizia a um outro, autor de ficção científica, “Eu amo vocês, seus filhos da puta.  … os únicos suficientemente aloprados para agonizar sobre o tempo e as distâncias sem limite, sobre os mistérios que nunca morrerão, sobre o fato de que estamos agora mesmo determinando se a viagem espacial pelo próximo bilhão de anos está seguindo rumo ao Paraíso ou ao Inferno.”
    Convidados       
    André Cáceres: jornalista graduado pela Faculdade Cásper Líbero, autor da distopia Cela 108e de diversos artigos sobre literatura e ficção científica para o jornal O Estado de São Paulo.
    Cláudia Oliveira Fusco: mestre em estudos de ficção científica pela Universidade de Liverpool, jornalista e professora de literatura fantástica e comunicação digital.
    Luiz Bras: ficcionista, ensaísta, coordenador de oficinas de criação literária e autor da rapsódia Distrito federale da coletânea de contos Paraíso líquido.
    Fontes em O Grande Teatro do Mundo

    Referências

    * A Companion to Science Fiction (Blackwell companions to literature and culture) editado por D. Seed.
    * Science Fiction – A Very Short Introduction de David Seed.
    * Speeking Science Fiction: Dialogues and Interpretationeditado por A. Sawyer e D. Seed.
    * The Cambridge Companion to Science Fiction editado por E. James e F. Mendlesohn.
    * The Routledge Companion to Science Fictioneditada por M. Bould e Andrew Butler.
    * Encyclopedia of Science Fiction editada por Don D’Ammassa.
    * Science Fiction Quotations: From the inner mind to the outer limits editado por G. Westphal e A.C. Clark.
    * Cyberculture, Cyborgs and Science Fiction: Consciousness and the Posthuman de William S. Haney II.
    * New Encyclopedia of Science Fiction editada por John Cute e Peter Nicholls.
    * The Philosophy of Science Fiction Film editado por Steven M. Sanders.
    * The Essential Science Fiction Television Reader editado por J.P. Telotte.
    * Time Machines: The Story of the Science-Fiction Pulp Magazines from the Beginning to 1950.
    * Science Fiction Cinema: Between Fantasy and Reality de Christ...
    0 min
  • OrderedDict([('small', '– André Cáceres - Cláudia Oliveira Fusco - Luiz Bras'), ('#text', 'Ficção Científica')])
    A ficção científica é notoriamente difícil de se definir. Hugo Gernsback dizia que é um entrelaçamento de romance, ciência e profecia. Segundo Darko Suvin é um gênero baseado em uma alternativa imaginativa ao ambiente do leitor, enquanto para Clifton Fadiman é um tipo de “arqueologia do futuro”, uma “criança selvagem” “gerada pela Imaginação no corpo da Tecnologia”. Com pelo menos 200 anos de história oficial, desde a época do Frankenstein de Mary Shelley, a ficção científica proliferou seus frutos fantásticos em mídias diversas além dos livros, como o cinema, fanzines, rádio, TV, quadrinhos e mais recentemente videogames, plasmando arquétipos para os mais profundos medos, esperanças e obsessões do nosso imaginário: aventuras intergalácticas, invasões alienígenas, utopias, distopias, super-heróis, tecnocracias e tecnofobias. Se para muitos ela é mero entretenimento e ‘escapismo’, “no mínimo desde os anos 50, escritores como Ray Bradbury insistem em que vivemos dentro do ambiente tecnológico dos dispositivos da robótica e da cibernética que muitas obras de ficção científica descrevem...” Em 1953 Philip Wylie dizia: ‘A função singular do autor de ficção científica – o criador de mitos do século XX – é aprender a ciência das operações da mente e a partir daí planejar o seu trabalho’... Poucos anos depois, Robert Heinlein declarou: ‘É o único meio ficcional capaz de interpretar a mudança, a precipitação impetuosa da vida moderna. A ficção especulativa é a corrente principal da ficção’.” [A Companion to Science Fiction] Ecoando esse entusiasmo, John Campbell afirmava que diferentemente de outros gêneros narrativos, “ela assume que a mudança é a ordem natural das coisas, que há objetivos à frente maiores do que aqueles que conhecemos”, e um personagem de Kurt Vonnegut Jr. dizia a um outro, autor de ficção científica, “Eu amo vocês, seus filhos da puta.  ... os únicos suficientemente aloprados para agonizar sobre o tempo e as distâncias sem limite, sobre os mistérios que nunca morrerão, sobre o fato de que estamos agora mesmo determinando se a viagem espacial pelo próximo bilhão de anos está seguindo rumo ao Paraíso ou ao Inferno.”

    Convidados       

    André Cáceres: jornalista graduado pela Faculdade Cásper Líbero, autor da distopia Cela 108e de diversos artigos sobre literatura e ficção científica para o jornal O Estado de São Paulo.

    Cláudia Oliveira Fusco: mestre em estudos de ficção científica pela Universidade de Liverpool, jornalista e professora de literatura fantástica e comunicação digital.

    Luiz Bras: ficcionista, ensaísta, coordenador de oficinas de criação literária e autor da rapsódia Distrito federale da coletânea de contos Paraíso líquido.

    Fontes em O Grande Teatro do Mundo



    Referências


    * A Companion to Science Fiction (Blackwell companions to literature and culture) editado por D. Seed.
    * Science Fiction – A Very Short Introduction de David Seed.
    * Speeking Science Fiction: Dialogues and Interpretationeditado por A. Sawyer e D. Seed.
    * The Cambridge Companion to Science Fiction editado por E. James e F. Mendlesohn.
    * The Routledge Companion to Science Fictioneditada por M. Bould e Andrew Butler.
    * Encyclopedia of Science Fiction editada por Don D’Ammassa.
    * Science Fiction Quotations: From the inner mind to the outer limits editado por G. Westphal e A.C. Clark.
    * Cyberculture, Cyborgs and Science Fiction: Consciousness and the Posthuman de William S. Haney II.
    * New Encyclopedia of Science Fiction editada por John Cute e Peter Nicholls.
    * The Philosophy of Science Fiction Film editado por Steven M. Sanders.
    * The Essential Science Fiction Television Reader editado por J.P. Telotte.
    * Time Machines: The Story of the Science-Fiction Pulp Magazines from t...
    0 min
  • O Idealismo Alemão
    “A nossa é uma época importante, um tempo de fermentação no qual o Espírito se precipitou adiante e superou a sua antiga forma, adquirindo uma nova. Toda a massa das ideias, conceitos e vínculos do passado se dissolveram e tudo colapsa como num sonho. Uma nova emergência do Espírito está em curso”. Assim, Georg Wilhelm Friedrich Hegel, no início do século XIX, descrevia o zeitgeist de sua geração. Convicto de que a filosofia deve articular uma visão sinóptica de todos os nossos interesses básicos num empreendimento profundamente autônomo e unificado, um todo orgânico, e não uma série de enigmas abstratos e altamente tecnicizados, ele elaboraria, junto a Fichte, Schelling e outros, aquela que foi possivelmente a especulação mais sofisticada e ambiciosa da história do pensamento. Desde então, todo esforço filosófico de fôlego teve de fazer as contas com o Idealismo, engajando críticos de posições tão diversas como Kierkegaard, Schopenhauer ou Nietzsche. E hoje, mesmo escolas supostamente anti-idealistas, como o positivismo lógico ou a filosofia analítica, ou se veem condenadas a se ossificar como um fenômeno histórico datado ou retornam às concepções idealistas a fim de aprofundar suas intuições. Mas, muito além da pura reflexão, obras como A Filosofia do Direito de Hegel, afetariam tanto as ideologias conservadoras quanto as revolucionárias ao longo dos últimos dois séculos. O idealismo não só influenciou de modo seminal a ideia alemã de Estado, como toda a obra de Marx e a moderna ideologia comunista, a intelligentsia revolucionária russa e mesmo o fascismo.
    Convidados
    Luiz Repa: professor de filosofia política da Universidade de São Paulo e autor da dissertação Habermas e a Reconstrução do Conceito Hegeliano de Modernidade.
    Marco Werle: professor de Estética e Filosofia da Arte da Universidade de São Paulo e autor de A Poesia na Estética de Hegel.
    Pedro Franceschini: doutorando do departamento de filosofia da Universidade de São Paulo com a tese Estética e Mitologia na Filosofia Clássica Alemã.
    Fontes em O Grande Teatro do Mundo
    Referências

    * A Filosofia do Idealismo Alemão (Die Philosophie des deutschen Idealismus) de Nicolai Hartmann.
    * Idealismo Alemão (Understanding German Idealism) Will Dudley.
    * Deutscher Idealismus editado por Rüdiger Bubner.
    * The Cambridge Companion to German Idealism editado por Karl Ameriks.
    * German Idealism. The Struggle Against Subjectivism, 1781-1801 de Frederick C. Beiser.
    * Der Deutsche Idealismus de Gerhard Gamm.
    * Between Kant and Hegel: Lectures on German Idealism de Dieter Henrich.
    * I fondamenti della libertà in J.G. Fichte. Studi sul primato del pratico de Tommaso Valentini.
    * La pensée allemande de Jean-Édouard Spenlé.
    * German Philosophy 1760–1860: The Legacy of Idealism de Terry Pinkard.
    * Routledge History of Philosophy, Vol. VI: The Age of German Idealism editado por R. Solomon e K. Higgins.
    * Il problema della filosofia da Kant a Fichte de Pantaleo Carabellese.
    * Die Grenzen der Vernunft. Eine Untersuchung zu Zielen und Motiven des Deutschen Idealismus de Rolf-Peter Horstmann.
    * Einführung in die Philosophie des deutschen Idealismus de Reinhard Hiltscher.
    * “The Aesthetics of German Idealism and Its Reception in European Romanticism” de Manfred Engel e Jürgen Lehmann e Jürgen Lehmann em Nonfictional Romantic Prose. Expanding Borders.
    * L’estetica dell’Idealismo tedesco de Luigi Pareyson.
    * La nostalgie de la Grèce à l’aube de l’idéalisme allemand. Kant et les Grecs dans l’itinéraire de Schiller, de Hölderlin et de Hegel de Jacques Taminiaux.
    * Grandi interpreti di Kant: Fichte e Schelling de Pasquale Salvucci.
    * Die Klassische Deutsche Philosophie nach Kant: Systeme der...
    52 min
  • OrderedDict([('small', '– Luiz Repa – Marco Werle – Pedro Franceschini'), ('#text', 'O Idealismo Alemão')])
    “A nossa é uma época importante, um tempo de fermentação no qual o Espírito se precipitou adiante e superou a sua antiga forma, adquirindo uma nova. Toda a massa das ideias, conceitos e vínculos do passado se dissolveram e tudo colapsa como num sonho. Uma nova emergência do Espírito está em curso”. Assim, Georg Wilhelm Friedrich Hegel, no início do século XIX, descrevia o zeitgeist de sua geração. Convicto de que a filosofia deve articular uma visão sinóptica de todos os nossos interesses básicos num empreendimento profundamente autônomo e unificado, um todo orgânico, e não uma série de enigmas abstratos e altamente tecnicizados, ele elaboraria, junto a Fichte, Schelling e outros, aquela que foi possivelmente a especulação mais sofisticada e ambiciosa da história do pensamento. Desde então, todo esforço filosófico de fôlego teve de fazer as contas com o Idealismo, engajando críticos de posições tão diversas como Kierkegaard, Schopenhauer ou Nietzsche. E hoje, mesmo escolas supostamente anti-idealistas, como o positivismo lógico ou a filosofia analítica, ou se veem condenadas a se ossificar como um fenômeno histórico datado ou retornam às concepções idealistas a fim de aprofundar suas intuições. Mas, muito além da pura reflexão, obras como A Filosofia do Direito de Hegel, afetariam tanto as ideologias conservadoras quanto as revolucionárias ao longo dos últimos dois séculos. O idealismo não só influenciou de modo seminal a ideia alemã de Estado, como toda a obra de Marx e a moderna ideologia comunista, a intelligentsia revolucionária russa e mesmo o fascismo.

    Convidados

    Luiz Repa: professor de filosofia política da Universidade de São Paulo e autor da dissertação Habermas e a Reconstrução do Conceito Hegeliano de Modernidade.

    Marco Werle: professor de Estética e Filosofia da Arte da Universidade de São Paulo e autor de A Poesia na Estética de Hegel.

    Pedro Franceschini: doutorando do departamento de filosofia da Universidade de São Paulo com a tese Estética e Mitologia na Filosofia Clássica Alemã.

    Fontes em O Grande Teatro do Mundo



    Referências


    * A Filosofia do Idealismo Alemão (Die Philosophie des deutschen Idealismus) de Nicolai Hartmann.
    * Idealismo Alemão (Understanding German Idealism) Will Dudley.
    * Deutscher Idealismus editado por Rüdiger Bubner.
    * The Cambridge Companion to German Idealism editado por Karl Ameriks.
    * German Idealism. The Struggle Against Subjectivism, 1781-1801 de Frederick C. Beiser.
    * Der Deutsche Idealismus de Gerhard Gamm.
    * Between Kant and Hegel: Lectures on German Idealism de Dieter Henrich.
    * I fondamenti della libertà in J.G. Fichte. Studi sul primato del pratico de Tommaso Valentini.
    * La pensée allemande de Jean-Édouard Spenlé.
    * German Philosophy 1760–1860: The Legacy of Idealism de Terry Pinkard.
    * Routledge History of Philosophy, Vol. VI: The Age of German Idealism editado por R. Solomon e K. Higgins.
    * Il problema della filosofia da Kant a Fichte de Pantaleo Carabellese.
    * Die Grenzen der Vernunft. Eine Untersuchung zu Zielen und Motiven des Deutschen Idealismus de Rolf-Peter Horstmann.
    * Einführung in die Philosophie des deutschen Idealismus de Reinhard Hiltscher.
    * “The Aesthetics of German Idealism and Its Reception in European Romanticism” de Manfred Engel e Jürgen Lehmann e Jürgen Lehmann em Nonfictional Romantic Prose. Expanding Borders.
    * L'estetica dell'Idealismo tedesco de Luigi Pareyson.
    * La nostalgie de la Grèce à l’aube de l’idéalisme allemand. Kant et les Grecs dans l’itinéraire de Schiller, de Hölderlin et de Hegel de Jacques Taminiaux.
    52 min
  • As Mil e Uma Noites
    Tão fabulosa quanto as estórias das Mil e Uma Noites é a história do próprio Livro. Como vários afluentes que correm para um único rio, cada um arrastando de fontes remotas suas próprias criaturas e fragmentos, o Livro justapõe experiências de tempos e espaços diversos do Oriente Médio e da Ásia profunda. A lenda da menina que conta estórias para aplacar a fúria doentia do rei, por exemplo, tem precedentes na literatura indiana desde pelo menos o século IIIo. E enquanto os nomes dos protagonistas principais – Sahrazad e Sahriyar – sugerem uma origem persa, a maior parte das histórias se passa no mundo árabe, oferecendo uma espécie de registro fonográfico dessa cultura ao longo dos séculos, desde a fundação do Islam (e mesmo antes), passando pelo apogeu do califado Abássida em Bagdá até o sultanato Mameluco no Cairo.
    Nutrindo-se ora da tradição oral ora da escrita, ora do folclore ora da alta cultura, as estórias mesclam aventuras, crimes, erotismo, humor, mágica, terror chegando a antecipar gêneros tipicamente modernos como os suspenses policiais e mesmo a ficção científica – uma versatilidade espelhada na própria caracterização de Sahrazad, que, segundo o texto, lera “livros de compilações, de sabedoria e de medicina; decorara poesias e consultara as crônicas históricas; conhecia tanto os dizeres de toda a gente como as palavras dos sábios e reis; conhecedora das coisas, inteligente, sábia e cultivada, tinha lido e entendido tudo”.
    “As Noites Árabes”, dizia o ensaísta vitoriano Leigh Hunt, “apelam à simpatia da humanidade pelo mundo sobrenatural, pelo desconhecido e o fortuito, pelo possível e pelo remoto. Elas extraem o maravilhoso subjacente aos nossos lugares comuns”.
    Convidados
    Fabiana Rubira: mestre em linguagem e educação pela Universidade de São Paulo e professora da UNIESP.
    Mamede Jarouche: livre-docente em Literatura Árabe pela Universidade de São Paulo, editor e tradutor do “Livro das Mil e Uma Noites”.
    Thais de Godoy: mestre em Língua, Literatura e Cultura Árabe com a dissertação “O Livro das Mil e Uma Noites em Jorge Luis Borges”.
    Fontes em O Grande Teatro do Mundo
     Referências

    * The Arabian Nights: A Companion editado por Robert Irwin.
    * “The Arabian Nights” entrevista para o programa In Our Time, transmissão radiofônica da Radio BBC.  
    * Story-Telling Techniques in the Arabian Nights de David Pinault.
    * Le Mille et Une Nuits en partage editado por Aboubakr Chraïbi.
    * The Arabian Nights de U. Marzolph, H. Wassouf e R. van Leeuwen.
    * Les Sept Portes des Mille et Une Nuits de E. Brasey.
    * The Arabian Nights Reader editado por U. Marzolph.
    * “A Thousand and One Nights: a history of the text and its reception” de D. Reynolds no Cambridge History of Arabic Literature 6.
    * Le Mille et Une Nuits et leur trésor de sagesse de Pascal Bancourt.
    * Scheherazade through the Looking-Glass: The Metamorphosis of the Thousand and One Nights de Eva Sallis.
    * Les Mille et Une Nuits, videoconferência de André Miquel no College de France.
    * The Islamic Context of The Thousand and One Nights de Muhsin J. al-Musawi.
    * Easter dreams: How the Arabian Nights Came to the World de Paul McMichael Nurse.

    Apresentação: Marcelo Consentino
    Produção técnica: Jukebox
    8 de maio de 2015
    0 min
  • OrderedDict([('small', '– Fabiana Rubira - Mamede Jarouche - Thais de Godoy'), ('#text', 'As Mil e Uma Noites')])
    Tão fabulosa quanto as estórias das Mil e Uma Noites é a história do próprio Livro. Como vários afluentes que correm para um único rio, cada um arrastando de fontes remotas suas próprias criaturas e fragmentos, o Livro justapõe experiências de tempos e espaços diversos do Oriente Médio e da Ásia profunda. A lenda da menina que conta estórias para aplacar a fúria doentia do rei, por exemplo, tem precedentes na literatura indiana desde pelo menos o século IIIo. E enquanto os nomes dos protagonistas principais – Sahrazad e Sahriyar – sugerem uma origem persa, a maior parte das histórias se passa no mundo árabe, oferecendo uma espécie de registro fonográfico dessa cultura ao longo dos séculos, desde a fundação do Islam (e mesmo antes), passando pelo apogeu do califado Abássida em Bagdá até o sultanato Mameluco no Cairo.

    Nutrindo-se ora da tradição oral ora da escrita, ora do folclore ora da alta cultura, as estórias mesclam aventuras, crimes, erotismo, humor, mágica, terror chegando a antecipar gêneros tipicamente modernos como os suspenses policiais e mesmo a ficção científica – uma versatilidade espelhada na própria caracterização de Sahrazad, que, segundo o texto, lera “livros de compilações, de sabedoria e de medicina; decorara poesias e consultara as crônicas históricas; conhecia tanto os dizeres de toda a gente como as palavras dos sábios e reis; conhecedora das coisas, inteligente, sábia e cultivada, tinha lido e entendido tudo”.

    “As Noites Árabes”, dizia o ensaísta vitoriano Leigh Hunt, “apelam à simpatia da humanidade pelo mundo sobrenatural, pelo desconhecido e o fortuito, pelo possível e pelo remoto. Elas extraem o maravilhoso subjacente aos nossos lugares comuns”.

    Convidados

    Fabiana Rubira: mestre em linguagem e educação pela Universidade de São Paulo e professora da UNIESP.

    Mamede Jarouche: livre-docente em Literatura Árabe pela Universidade de São Paulo, editor e tradutor do “Livro das Mil e Uma Noites”.

    Thais de Godoy: mestre em Língua, Literatura e Cultura Árabe com a dissertação “O Livro das Mil e Uma Noites em Jorge Luis Borges”.

    Fontes em O Grande Teatro do Mundo



     Referências


    * The Arabian Nights: A Companion editado por Robert Irwin.
    * “The Arabian Nights” entrevista para o programa In Our Time, transmissão radiofônica da Radio BBC.  
    * Story-Telling Techniques in the Arabian Nights de David Pinault.
    * Le Mille et Une Nuits en partage editado por Aboubakr Chraïbi.
    * The Arabian Nights de U. Marzolph, H. Wassouf e R. van Leeuwen.
    * Les Sept Portes des Mille et Une Nuits de E. Brasey.
    * The Arabian Nights Reader editado por U. Marzolph.
    * “A Thousand and One Nights: a history of the text and its reception” de D. Reynolds no Cambridge History of Arabic Literature 6.
    * Le Mille et Une Nuits et leur trésor de sagesse de Pascal Bancourt.
    * Scheherazade through the Looking-Glass: The Metamorphosis of the Thousand and One Nights de Eva Sallis.
    * Les Mille et Une Nuits, videoconferência de André Miquel no College de France.
    * The Islamic Context of The Thousand and One Nights de Muhsin J. al-Musawi.
    * Easter dreams: How the Arabian Nights Came to the World de Paul McMichael Nurse.


    Apresentação: Marcelo Consentino
    Produção técnica: Jukebox

    8 de maio de 2015
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  • Ceticismo
    “É um bom exercício matutino para um cientista pesquisador” dizia Konrad Lorenz “descartar uma hipótese de estimação todos os dias antes do café da manhã”. Mas por que restringir o exercício aos cientistas? Acaso o espetáculo de mentiras no mundo e em nosso coração não nos impõe o dever diário de adicionar um tanto de ceticismo à nossa vida? Não será o melhor antídoto contra as incoerências em nossa mente e as inconsistências em nossa conduta?
    O ceticismo é popularmente associado à descrença e ao pessimismo. Tecnicamente, porém, é antes uma filosofia da dúvida ou da incerteza. O termo grego “scepsis” significa originalmente “exame”, “indagação”, “ponderação”. Na concepção radical dos céticos pirrônicos antigos, para termos alguma certeza absoluta seria preciso ao menos uma dentre três coisas: compreender o todo para compreender as partes; separar nessa compreensão o que vem do sujeito e o que vem do objeto; e um critério para solucionar as antíteses entre nossas ideias e sentimentos, ideias e ideias e sentimentos e sentimentos. Dessas incertezas aparentemente insuperáveis, vêm a pluralidade de leis, mitologias, costumes e crenças, ante as quais o filósofo deve suspender seus juízos e seguir interrogando em busca de um olhar lúcido e um coração imperturbável. O espírito cético é ilustrado pelo lema de Montaigne, “Que sei eu?” e pela resposta de Lagrange “Não sei”. Nesse sentido, parece mesmo uma filosofia da humildade; do reconhecimento da nossa falibilidade; da razão em luta contra o racionalismo. Para David Hume o ceticismo nada mais é que “o senso comum submetido ao método e à correção.”
    Curiosamente, nos tempos modernos, o ceticismo seria associado ao libertinismo, ao niilismo, ao anarquismo, e logo visto como um fator de perturbação social. As críticas filosóficas mais contundentes, porém, acusam na sua irresolução resoluta precisamente o contrário: a letargia moral e o quietismo político. Mas é um fato que ao questionar tradições obsoletas e crenças ossificadas o ceticismo foi um lubrificante inestimável para o progresso da ciência e da democracia. Mas não será igualmente inestimável quando a própria modernidade adotar seus dogmas de estimação, cercados de mitos e ritos, como o “Progresso”, a “Ciência” e a “Democracia”? E mesmo quanto ao maior dos lugares comuns em torno ao ceticismo, o que o antagoniza à religião, não será necessário suspender o juízo? O próprio Montaigne, um magistrado católico, resumia assim o valor do pirronismo:
    Não há nada entre as invenções do homem que tenha tanta plausibilidade e utilidade: ele apresenta o homem nu e vazio; reconhecendo sua fraqueza natural, pronto a receber do alto alguma força exterior; despido do conhecimento humano, e tanto mais apto a alojar em si o divino; aniquilando seu juízo para dar mais espaço para a fé; nem desacreditando nem estabelecendo qualquer dogma contra os usos comuns; humilde, obediente, disciplinável, zeloso; um inimigo jurado da heresia, e consequentemente livre das opiniões vãs e irreligiosas introduzidas por falsas seitas. Ele é um papel em branco preparado para tomar do dedo de Deus as formas que ele quiser gravar.
    Convidados
    Adriano Machado Ribeiro: professor de língua e literatura grega da Universidade de São Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos.
    Luiz Eva: professor de filosofia da Universidade Federal do ABC e autor de Ceticismo e Subjetividade em Montaigne.
    Roberto Bolzani: professor de História da Filosofia da Universidade de São Paulo e autor de Acadêmicos versus Pirrônicos.
    oferecimento

    Fontes em O Grande Teatro do Mundo
    No Acervo Café Filosófico – Instituto CPFL 
    http://www.institutocpfl.org.br/2017/04/27/cafefilosoficocplf-de-abril-novos-horizontes-da-responsabilidade/
    http://www.institutocpfl.org.br/2011/10/18/filosofia-e-saber/
    http://www.institutocpfl.org.
    59 min

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