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Em podcast com a jornalista Mona Dorf, da Febraban News, Denise Perotti afirma que tecnologia bancária, segurança digital, fintechs e o novo sistema de pagamento serão alguns dos destaques das discussões do CIAB Live, evento que acontecerá nos dias 23, 24 e 25 de junho. Segundo Denise, editora-gerente de conteúdo da plataforma digital noomis, o evento é o maior da América Latina em tecnologia para o setor financeiro. No ano passado, reuniu 26 mil participantes, 182 expositores e 296 palestrantes. Em 2020, com a pandemia da covid-19, o CIAB assumirá a forma de evento online, com transmissões dos debates, palestras, mesas e discussões. Já na abertura do CIAB Live, os CEOs dos maiores bancos brasileiros irão debater as possibilidades de retomada da economia. Também haverá a divulgação da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária em conjunto com a Deloitte, que mostrará as alterações no uso dos canais de atendimento, geradas pela pandemia, além de apresentar os principais cases sobre as ações sociais dos bancos durante a crise. A participação é gratuita e sem necessidade de inscrição antecipada, por meio da plataforma www.noomis.com.br.
Sensemaker, Future Thinker, Cientista de Consumo, Conselheira. São muitos os títulos de Andrea Bisker, head da Styllus Brasil, plataforma inglesa de inteligência de mercado que traz tendências de comportamento, de consumo - com 2 anos de antecedência – e fundadora e CEO da Spark:off, consultoria em inovação e tendências. Em entrevista à jornalista Mona Dorf, da Febraban News, ela usa sua experiência em inovação para analisar as transformações que a crise vem causando nas pessoas e nas empresas.
Hábitos de compra mudaram, forçando o comércio a acelerar uma série de movimentos para se adequar aos novos tempos. Andrea exemplifica as mudanças citando a aceleração do e-commerce em abril: 81% de crescimento em relação a abril de 2019, com faturamento de R$ 9,4 bilhões.
As grandes empresas estão mais bem posicionadas para se adaptar à nova realidade, mas a tecnologia - aliada à solidariedade, segundo Andrea - colocaram as pequenas e médias no jogo. "Empresas grandes oferecem seu market place ou mentoria aos pequenos, para que eles possam usar outras plataformas de vendas", diz ela. A co-petição é outra medida que ganhou força. "Você vê os três maiores bancos se unindo para ajudar as PMEs ou as telefônicas se juntando para apoiar consumidores".
Além disso, os consumidores estão valorizando o comércio de bairro, cuja sobrevivência é sempre mais complicada. As pequenas lojas estão sendo usados como hubs de distribuição para as grandes marcas. "Cada vez mais, as marcas vão ser medidas por métricas que vão muito além do faturamento. O que vai contar é o impacto social", conclui.
O impacto da Covid-19 nas contas públicas deverá elevar a dívida do Brasil do atual patamar de 75% do Produto Interno Bruto (PIB) para um número em torno dos 100%. E esse aumento significa que o país terá que fazer escolhas sobre onde alocar investimentos cada vez escassos – que deveriam ir no sentido de proteger os mais vulneráveis. Esse é o panorama desenhado pelo ex-presidente do Banco Central Ilan Goldfajn, atual presidente do conselho do Credit Suisse no Brasil, em entrevista aos jornalistas da Febraban News João Borges, Mona Dorf e Gustavo Paul.
Na visão de Goldfajn, a crise atingiu o Brasil exatamente no momento em que o País fazia um “esforço enorme” – incluindo a reforma da Previdência – para manter a dívida na casa dos 75% do PIB. Com a chegada do coronavírus, no entanto, os gastos devem se elevar até um déficit nominal de 15% do PIB, só em 2020. Com isso, “se já estava difícil estabilizar nos 75%, imagina nos 100%”, diz o executivo. Ele cita a taxa de juros como exemplo: caso ela se mantenha em um patamar baixo, esse controle se torna um pouco mais fácil. “Mas acredita que o juro vai ficar baixo por décadas? Imagine 100% de dívida com juros positivos”, completa.
Dessa forma, será necessário optar quais programas devem receber financiamento público. O ex-presidente do BC afirma que é preciso proteger “quem não tem condições de chegar ao outro lado da crise” e destaca duas áreas. A primeira é a do programa de auxílio emergencial de R$ 600. A segunda é formada pelas pequenas e médias empresas. Para atingir esses públicos, ele destaca a necessidade de unir a capilaridade do sistema bancário com a liquidez e o capital, mesmo com aumento do risco de inadimplência. E daí a necessidade de programa governamental de cobrir folhas de pagamento. “Nada disso é barato”, alerta. “Na minha opinião, vai ter dinheiro para esses dois programas, mas para o resto não sobra tanto”.
Por muito tempo, o juro básico no Brasil, a Selic, que está em 3% ao ano, irá ficar em patamares historicamente baixo. Essa é a opinião de Luiz Fernando Figueiredo, presidente da gestora Mauá Capital. Em entrevista aos jornalistas João Borges e Gustavo Paul, o executivo defende que o Banco Central seja mais agressivo nos cortes, até atingir um número em torno de 2% ao ano. Segundo Figueiredo, ex-diretor de Política Monetária do BC, essa redução é possível devido ao que chamou de “queda brutal” na demanda, causada pela epidemia da Covid-19, o que retira a pressão inflacionária sobre a economia. De acordo com o executivo, novas quedas na Selic também irão permitir uma manutenção mais barata da dívida brasileira, o que dará mais tempo ao governo e ao Congresso para retomarem a discussão da agenda de reformas fiscais, classificada por ele como “inescapável”. Mesmo vendo instabilidade do cenário político, que gera um prêmio de risco elevado nos ativos brasileiros, Figueiredo afirma que a população hoje defende a redução do tamanho do Estado: “tenho a impressão de que o País vai se mover nessa direção”.
Marcos Lisboa, presidente da instituição de ensino Insper, afirmou que o surgimento de medidas “atabalhoadas e desencontradas” em meio à pandemia da Covid-19 é uma ameaça para a economia brasileira. Em entrevista à João Borges, da Febraban, ele disse que “há uma profusão de liminares judiciais para limitar taxa de juros, ou para que fornecedores e clientes não paguem suas dívidas e obrigações. Até servidores públicos, com renda estável, estão pedindo à Justiça para não pagar o empréstimo consignado”. Para o economista, isso transforma o Brasil em um país instável, confuso, e incentiva empresas a levarem seus investimentos para outros locais. O economista também alertou para o problema da solvência das empresas – em seu entendimento, mais grave do que o acesso à crédito. “Quem tem problemas de solvência não terá acesso ao crédito, devido ao risco da inadimplência”, disse. Lisboa se disse temeroso com o avanço da inadimplência – especialmente caso a crise se prolongue por muito tempo.
Em entrevista aos jornalistas Mona Dorf e João Borges, a economista Ana Carla Abrão se mostra contrária a tentativas de controlar o mercado financeiro através de medidas legislativas. Segundo ela, esse controle artificial pode acabar produzindo exatamente o efeito contrário pretendido: uma oferta menor e mais cara de crédito. “Temos que cuidar para que ações de curto prazo não impeçam a retomada posterior da economia”, afirma.
Ana Carla, que participa do conselho estadual criado pelo governo de São Paulo para discutir a retomada das atividades econômicas, diz que um dos pontos principais da atuação governamental é buscar o equilíbrio entre o isolamento social e a economia – mas sempre priorizando a vida da população. Ela ainda afirma que é preciso reorganizar o diálogo entre os governos estaduais e federal e que a crise pode dar lugar a uma nova cultura de trabalho, mais produtiva.
O economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato, projeta um novo corte na taxa básica de juros da economia, a Selic. Em conversa com João Borges, porta-voz da Febraban, o economista explicou que sua expectativa é de uma nova redução de 0,75 ponto percentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em junho, mas não descartou um corte maior, dependendo da evolução do cenário da pandemia até essa data. Ele afirmou não mostrar grande preocupação com o aspecto fiscal, caso haja manutenção do teto de gastos e se a expansão das despesas ficar limitada ao combate à Covid-19 – e ressaltou a importância de retomar as reformas no Congresso após a crise na saúde.
Por outro lado, Honorato afirmou que a retração na economia pode ser mais severa do que a esperada inicialmente. "Os dados mais recentes sugerem que o PIB terá queda de 5%, 6%, maior que a nossa projeção inicial de 4%". Segundo ele, logo no início da pandemia, a previsão inicial era que as atividades econômicas pudessem ser retomadas a partir de maio. Agora, no entanto, o cenário caminha para uma abertura maior apenas nos meses de junho ou julho. Mesmo assim, uma recuperação plena ainda deverá depender do surgimento de uma vacina. “Na ausência de medicamento, a recuperação será mais lenta, porque o comportamento das pessoas será diferente".
Os bancos brasileiros tomaram medidas em diversas frentes para ajudar a população brasileira a enfrentar a pandemia da Covid-19. Os jornalistas João Borges e Mona Dorf mostram que, desde o início da crise, já foi destinado R$ 1,7 bilhão para a saúde. O dinheiro está sendo usado para ações que vão desde doações em equipamentos, criação de infra-estrutura e contratação de equipes em hospitais até a concessão e a renegociação de crédito. Só nessa área de crédito, por exemplo, foram alocados mais de R$ 472 bilhões desde o início da crise, um volume sem precedentes. No mesmo período, também houve a renegociação de mais de 7 milhões de contratos, gerando mais fôlego para pessoas e empresas, além de viabilizar o pagamento do auxílio emergencial para milhões de brasileiros. Confira os detalhes.
Em conversa com o porta-voz João Borges, o economista-chefe da Febraban, Rubens Sardenberg, fala sobre crédito, regulação, retomada do Brasil na fase pós-pandemia e explica a importância de manter a economia do País hibernando enquanto se combate a crise da Covid-19.
A Febraban coordenou as ações dos bancos brasileiros em um programa para manter 23 mil agências, 300 mil funcionários e 170 mil caixas eletrônicos operando com total eficiência durante a crise. Em entrevista ao porta-voz João Borges, o diretor de Negócios e Operações da entidade, Leandro Vilain, revela os bastidores do que classificou de “esforço gigantesco” das equipes para evitar problemas no atendimento da população brasileira. Segundo Vilain, o processo foi dividido em três fases. Na primeira, o objetivo foi manter o atendimento em meio a quase 500 decretos de municípios e estados, muitos deles conflitantes entre si, além de gerenciar equipes desfalcadas pela quarentena dos funcionários suspeitos de contaminação pelo coronavírus. O segundo passo foi o ajuste das operações para a nova realidade. Afinal, para manter uma agência em funcionamento, não basta abrir as portas: é preciso ter os caixas eletrônicos abastecidos e as unidades de call center funcionando, por exemplo. Finalmente, a terceira fase consistiu na criação de serviços 100% digitais, como o programa de financiamento das folhas de pagamento – e em oferecer esses serviços para uma parcela da população pouco habituada a eles. Após muitas madrugadas de trabalho, o esforço rendeu frutos – e promete um futuro com muito mais agilidade nas operações.
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