Caro leitor,
é com demasiada dor
que anuncio-te o fim do despudor,
é chegado o poema sessenta e nove,
paro a contagem por motivo nobre,
sessenta e nove é o número da reciprocidade,
não há espera,
não há alguém que impera,
não exige determinada sexualidade,
é prova de amor sincera
que o mútuo prazer venera
A vida seria mais doce
se tivesse essa mistura agridoce,
não haveria tanta aflição,
vindo o azedume junto do tesão
Sou caótico,
matreiro e erótico;
sei que gostas do meu jeito perverso,
que sempre clamas por outra obscenidade em verso,
entretanto, aqui me despeço;
chegamos ao confim,
infelizmente, até o orgasmo tem fim;
sei que teus olhos têm fome
de ler outra poesia assinada pelo meu nome,
todavia, é prudentemente perspicaz
deixar um gostinho de quero mais,
e se ora de prazeres te privo,
é para dar-te mais noutro livro