Felipe Simão - Poesias

Felipe Simão - Poesias

By Felipe SimãoArtsBooks
Download on the App Store

Felipe Simão - Poesias episodes

  • Hemorróida no país do pau
    Já fui esfaqueado, / mas o que me dói mesmo / é o cu inchado, / na saída do torresmo / meu furico arde demasiado / Não sei dar fim a esse tormento, / dum cu repleto de formigamento, / agora me veio uma ideia tosca, / ora que não posso queimar minha rosca, / com o meu cu em coma / Já sei! Vou queimar um bioma! / Pela minha ira oríficia, / de sodomita imperícia, / tu, Brasil, há de pagar, / teu céu anil há de se acinzentar, / pois justo nesta terra que tem nome de pau, / não posso eu provar do passivo anal / Verás o que minha iracúndia fará, / queimando todo o matagal, / rastro não sobrará, / só minha natureza boçal / - Não faça isso, seu animal! / Dirá-me o cidadão intelectual / Já tenho a desculpa ignominial / Eu preciso salvar, o empresário rural / sacrificado a cobrar, pelo arroz preço banal
    1 min
  • Consanguinidade
    Minha cabeça fica encabulada / ao ver o tamanho da parentada, / são descendentes demais! / Tem gente que ainda carrega o sobrenome Arraes!/ Eu fico inquieto / em saber que já estamos no ACM Neto! / Meu Deus, são tantos, / como o filho do Eduardo Campos, / que seria impossível citar todos / os resíduos, os lodos, / para dizer a verdade, / a política brasileira, / seja em parte ou inteira, / é deficiente por consanguinidade
    1 min
  • Santidade monetária
    Infelizmente é assim, / não ponhas a culpa em mim / pelo que estou a dizer, / com essa maldade nada tenho a ver, / é assim o caminhar do mundo, / pobre é sempre vagabundo, / rico tem salvação mesmo morribundo
    1 min
  • Absolvição imunda
    A pena sempre vai para mais / no seu cruel cálculo voraz, / mas quando tocam-lhe profundo, / e tem que ser bem fundo, / dentro de seu imundo, / ele absolve todo o mundo / Esse membro do Judiciário / jamais sairá do armário, / para fazer proeza advocatícia, / há de se ter malícia, / medida astuta, / é fazer feliz / o juiz / dando-lhe rola prostituta; / assim a pena não se computa, / não cumula, / a sentença se anula, / a decisão, eu sei, é chula, / é a dita absolvição imunda, / o recurso é a bunda
    1 min
  • Não Damares!
    Vamos defender a família, / não é mais permitida heresia, / só protegeremos a fogosa / se ela estiver de rosa, / para quem não entendeu, / a liberdade sexual foi pelos ares, / quem deu, deu, / quem não deu, não Damares!
    1 min
  • Que doideira, a nação brasileira!
    Ora, que doideira, que doideira / está a nação brasileira. / Não se contam mais os meses e sim os ministros, no governo não há pobre coitado / que esteja verdadeiramente empregado, / o que existe é demissão em pendência, / aliás, quantos ministros faltam para a reforma da previdência? / Ora, que doideira, que doideira / está a nação brasileira / O Paulo Guedes quer zoar o deputado, / mas não passa de pau mandado / Ora, que doideira, que doideira / está a nação brasileira / O amigo do amigo do meu pai / falou-me que para o bem da Justiça Nacional / é preciso censurar o jornal / Ora, que doideira, que doideira / está a nação brasileira / O hacker tem de seguir a lei, / ser honesto,  isento, / já o Juiz… / ah esse pode ser mais depravado que puta em convento, / rasgando o CPP para fazer detento / Ora, que doideira, que doideira / está a nação brasileira / O presidente faz flexão / como uma galinha boqueteira
    2 min
  • Lado artista
    É impossível ser altruísta, / os petralhas me chamam de fascista, / os lacaios de socialista, / os ubers, taxista; / se não querem que eu insista / em mostrar meu lado artista, / podem até falar, / mas eu não hei de parar, / sem temer qualquer perda, / falo mal da direita ou da esquerda, / falo mal da puta que pariu, / falo mal de quem foder o Brasil
    1 min
  • Democracia em vertigem
    Ora, que país genuíno, / o vice paga o assassino, / lava-se o sangue na pia / logo na volta da democracia / Chega o marquês de Carabás, / dizendo-se "caçador de marajás", / mostra-se ele o verdadeiro paxá, / congelando o dinheiro do povo na hora H / Vem o Itamar, / tentano a economia salvar, / nada mal, / lança o Plano Real; / sucede o seu ministro então, / provando-se grande decepção, / em seguida, desdedado ladrão, / que indica a seu posto, uma sem noção, / propõe para o nosso relento, / que estoquemos vento / Na transição, / que horror, / provocando grande temor, / desvela-se o soturno vampirão, / na nova eleição, / faz-se o povo favor, / de trazer pior terror / Já tivemos de tudo, / de ladrão nobre /a ladrão pobre, / mas esse é um absurdo; / quer deixar o pantanal desnudo, / o gay apanhar, / a mãe do jovem a chorar, / o índio exterminar; / sua ignomínia / não deixa escapar nenhuma minoria. / Ó cousa descomunal / é ter um presidente boçal!
    2 min
  • 69 - Poema 69
    Caro leitor,
    é com demasiada dor
    que anuncio-te o fim do despudor,
    é chegado o poema sessenta e nove,
    paro a contagem por motivo nobre,
    sessenta e nove é o número da reciprocidade,
    não há espera,
    não há alguém que impera,
    não exige determinada sexualidade,
    é prova de amor sincera
    que o mútuo prazer venera
    A vida seria mais doce
    se tivesse essa mistura agridoce,
    não haveria tanta aflição,
    vindo o azedume junto do tesão
    Sou caótico,
    matreiro e erótico;
    sei que gostas do meu jeito perverso,
    que sempre clamas por outra obscenidade em verso,
    entretanto, aqui me despeço;
    chegamos ao confim,
    infelizmente, até o orgasmo tem fim;
    sei que teus olhos têm fome
    de ler outra poesia assinada pelo meu nome,
    todavia, é prudentemente perspicaz
    deixar um gostinho de quero mais,
    e se ora de prazeres te privo,
    é para dar-te mais noutro livro
    1 min

About Felipe Simão - Poesias

From the publisher's feed

Todas as poesias publicadas de Felipe Simão.