Jazz Poética

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By Jazi RodriguesArtsBooks
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Jazz Poética episodes

  • Quando o Amor Acenar - Khalil Gibran
    Quando o amor acenar,
    siga-o ainda que por caminhos
    ásperos e íngremes.
    Debulha-o até deixá-lo nu.
    Transforma-o,
    livrando-o de sua palha.
    Tritura-o,
    até torná-lo branco.
    Amassa-o,
    até deixá-lo macio;
    e,então,submete ao fogo
    para que se transforma em pão
    para alimentar o corpo e o coração!
    Khalil Gibran
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    1 min
  • Embriagai-vos! - Charles Baudelaire
    Deveis andar sempre embriagados.
    Tudo consiste nisso: eis a única questão.
    Para não sentirdes o fardo horrível do Tempo, que vos quebra as espáduas, vergando-vos para o chão, é preciso que vos embriagueis sem descanso.
    Mas, com quê? Com vinho, poesia, virtude. Como quiserdes. Mas, embriagai-vos.
    E si, alguma vez, nos degraus de um palácio, na verde relva de uma vala, na solidão morna de vosso quarto, despertardes com a embriaguez já diminuída ou desaparecida, perguntai ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo que gene, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai que horas são. E o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio vos responderão:
    - É a hora de vos embriagardes! Para não serdes escravos martirizados do Tempo, embriagai-vos! Embriagai-vos sem cessar! Com vinho, poesia, virtude! Como quiserdes!
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    3 min
  • Soneto do Amor Total - Vinicius de Moraes
    Amo-te tanto, meu amor, não cante
    O humano coração com mais verdade
    Amo-te como amigo e como amante
    Numa sempre diversa realidade
    Amo-te afim, de um calmo amor prestante
    E te amo além, presente na saudade
    Amo-te, enfim, com grande liberdade
    Dentro da eternidade e a cada instante
    Amo-te como um bicho, simplesmente
    De um amor sem mistério e sem virtude
    Com um desejo maciço e permanente
    E de te amar assim, muito e amiúde
    É que um dia em teu corpo, de repente
    Hei de morrer de amar mais do que pude
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    2 min
  • "Amor como em casa" - Manuel António Pina
    Regresso devagar ao teu
    sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que não é nada comigo. Distraído percorro
    o caminho familiar da saudade,
    pequeninas coisas me prendem,
    uma tarde num café, um livro. Devagar
    te amo e às vezes depressa,
    meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
    regresso devagar a tua casa,
    compro um livro, entro no
    amor como em casa.
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    2 min
  • Era uma vez… Luis Fernando Verissimo
    Era uma vez... numa terra muito distante... uma princesa linda, independente e cheia de autoestima.
    Ela se deparou com uma rã enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo era relaxante e ecológico...
    Então, a rã pulou para o seu colo e disse: linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito.
    Uma bruxa má lançou-me um encanto e transformei-me nesta rã asquerosa.
    Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir lar feliz no teu lindo castelo.
    A tua mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavar as minhas roupas, criar os nossos filhos e seríamos felizes para sempre...
    Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria, pensando consigo mesma:
    - Eu, hein? Nem morta!
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    2 min
  • Poema tirado de uma notícia de jornal - Manuel Bandeira
    Poema tirado de uma notícia de jornal [Manuel Bandeira]
    João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão [sem número
    Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
    Bebeu
    Cantou
    Dançou
    Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.
    [Libertinagem, 1930]
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    1 min
  • Cógito - Torquato Neto
    eu sou como eu sou
    pronome
    pessoal intransferível
    do homem que iniciei
    na medida do impossível
    eu sou como eu sou
    agora
    sem grandes segredos dantes
    sem novos secretos dentes
    nesta hora
    eu sou como eu sou
    presente
    desferrolhado indecente
    feito um pedaço de mim
    eu sou como eu sou
    vidente
    e vivo tranqüilamente
    todas as horas do fim.
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    2 min
  • Desdobrável - Adélia Prado
    “Dor não tem nada a ver com amargura. / Acho que tudo que acontece / é feito pra gente aprender cada vez mais, / é pra ensinar a gente a viver. Desdobrável. / Cada dia mais rica de humanidade”
    Adélia Prado
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    1 min
  • Quando eu não te tinha - Alberto Caeiro
    Quando eu não te tinha
    Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo...
    Agora amo a Natureza
    Como um monge calmo à Virgem Maria,
    Religiosamente, a meu modo, como dantes,
    Mas de outra maneira mais como vida e próxima.
    Vejo melhor os rios quando vou contigo
    Pelos campos até à beira dos rios;
    Sentado a teu lado reparando nas nuvens reparo nelas melhor —
    Tu não me tiraste a Natureza...
    Tu mudaste a Natureza...
    Trouxeste-me a Natureza para o pé de mim,
    Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,
    Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mais,
    Por tu me escolheres para te ter e te amar,
    Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente
    Sobre todas as coisas.
    Não me arrependo do que fui outrora
    Porque ainda o sou.
    ---
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    3 min

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