
Sign up to save your podcasts
Or


No último episódio, vimos como o cortiço começou, a partir da ambição de João Romão. E graças ao trabalho árduo da Bertoleza. Ela foi enganada por João, que usa a sua economia pra comprar a alforria no início da construção das primeiras 3 casinhas. E entrega pra ela um documento falso de escrava liberta, feito por ele. Naquela noite, João e Bertoleza comemoram com uma garrafa de vinho do Porto. Ela celebra a suposta liberdade. Ele comemora ter adquirido uma escrava. Porque Bertoleza só mudou de dono. Ela tinha uma espécie de acordo com o antigo senhor, de mandar uma quantia em dinheiro mensal pra ele em troca de viver onde ela quisesse e trabalhar para seu sustento. Bertoleza não era uma escrava fugida, ela tinha um acordo com o antigo senhor, que sabia onde ela estava. João Romão é prático e usa Bertoleza como uma escrava útil em diversas frentes: ela trabalha como um bicho, cozinha e dá lucros com a venda das quitandas, faz as vezes de atendente na mercearia dele, lava e arruma as roupas dele, e é uma mulher pra ele usar sem precisar gastar com prostitutas.
Aluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo, ou apenas Aluísio de Azevedo, foi um multitarefas. Escritor, diplomata, caricaturista, jornalista, desenhista e pintor. Nasceu em 1857, em São Luís, no Maranhão, e morreu em 1913, em La Plata, na Argentina.
Ele era formado pela Academia Imperial de Belas Artes, do Rio de Janeiro. Em 1878 precisou retornar a São Luís em função do falecimento do pai. Como tinha que sustentar a família, iniciou na atividade literária. Seu primeiro livro publicado é Uma lágrima de mulher, em 1879.
Azevedo inaugura o Naturalismo no Brasil, com o romance O mulato, em 1881, mesmo ano da publicação de Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, que é a obra que inicia o realismo no Brasil. Então o Naturalismo acontece simultaneamente ao Realismo ao Parnasianismo.
O naturalismo foi um movimento literário que aconteceu de 1880 até, mais ou menos, 1893. Como o nome sugere, remete ao que é natural, instintivo, sem retoques. Os três movimentos, naturalismo, realismo e parnasianismo se opõem ao romantismo na temática, que aconteceu antes. O romantismo gostava de idealização, de imaginar cenários europeus ou idílicos, de mulheres angelicais ou uma atmosfera de sonhos, com histórias heroicas ou românticas e sofridas. No naturalismo a narrativa se detém na mediocridade do cotidiano, mostra personagens quase como bichos, lutando pela sobrevivência a qualquer custo. Nada é idealizado, é a vida nua e crua, com sujeira, mau caratismo, pobreza, toda feiúra que a miséria pode ter. O naturalismo se interessa por preconceitos, taras individuais e uma linguagem longe do que a gente tem hoje como “politicamente correto”. Teve manifestações também no teatro e nas artes plásticas. O precursor desse movimento na literatura foi o francês Émile Zola, com a obra O romance experimental, de 1880. Só um ano antes de Azevedo lançar O mulato.
Paulina Chiziane nasceu em 1955 e cresceu nos subúrbios da cidade de Maputo, capital e também a maior cidade do Moçambique. Atualmente ela mora na Zambézia, que é uma província da região centro do país. Paulina foi a primeira mulher a publicar um romance no Moçambique. Isso aconteceu só em 1990, quando ela escreveu Balada de amor ao vento. Eu adoro esse título, Balada de amor ao vento.
Hoje vou falar sobre Carolina Maria de Jesus e te convidar a reler ou conhecer a obra literária dessa escritora brasileira que foi uma mulher do povo. Ela nasceu em Sacramento, MG, em 1914, e morreu de uma crise de asma em São Paulo, em 1977, aos 63 anos. Nasceu em ano de guerra mundial e a vida dela foi uma batalha contra a pobreza e contra a fome. Boa parte da vida foi catadora de papel e assim sustentava os 3 filhos. No material que coletava pra vender, ela encontra restos de caderno e tocos de lápis, e com eles escreve diários de sua rotina de mãe solteira, negra e pobre. Carolina era articulada, era o que hoje a gente chamaria uma líder comunitária, porque falava pela sua localidade. E foi assim que conheceu o jornalista Audálio Dantas, em 1958, a pessoa que colaborou para tornar público o primeiro livro dela, e que seria o grande sucesso de Carolina: Quarto de despejo – diário de uma favelada. Dantas faz a ponte entre ela e o mundo editorial
Nísia Floresta Brasileira Augusta ou, mais usualmente, Nísia Floresta foi o pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto. Ela nasceu em Papari, RN, em 1810, e faleceu nos arredores de Rouen, na França, em 1885. Contribuiu para o avanço da educação feminina no país porque entendia a importância da educação para a valorização social do gênero feminino, questão que sempre foi do interesse de Nísia. Foi escritora, professora e fundadora de colégios para meninas, além de precursora do feminismo no Brasil, e feminismo é aqui entendido como ação consciente empreendida na defesa do sexo feminino.
Desta vez estou postando 2 episódios pertinho um do outro, porque os dois são celebrações pelo Dia Internacional da Mulher. No último episódio, li 2 poemas da portuguesa Florbela Espanca, “A mulher” I e II. Hoje vou ler um texto que postei na coluna de cultura do Portal Paralelo 29, que é uma sugestão literária.
Florbela Espanca inicia oficialmente sua trajetória como poeta aos 22 anos. Ela não se liga oficialmente a nenhum movimento literário. Na época, vigorava o Modernismo em Portugal. As principais características da poesia de Florbela são sentimentalismo, erotização e feminilidade.
Suas primeiras tentativas de promover as suas poesias falharam. Foi jornalista e estudou Direito em Lisboa. Em 1919, publica o livro de Sonetos chamado Livro de Mágoas. Em 1922, tem publicado o soneto Prince Charmant.... Em 1923, é publicada sua segunda coletânea de sonetos, Livro de Sóror Saudade, edição que foi paga pelo pai dela.
No último episódio, li a minha primeira colaboração para o Portal Paralelo 29, “Bovarismo coletivo”. Hoje vou ler parte de outra crônica para esse site, “Se há fatalismo nos nomes”, que foi publicada em 21 de fevereiro de 2021. O texto completo pode ser acessado em paralelo29.com.
No último episódio, li o conto “O bebê de tarlatana rosa”, de João do Rio. É um conto com temática de Carnaval, mas que revela um enredo macabro. No episódio de hoje, vou ler uma colaboração minha para a coluna de cultura do portal Paralelo 29, que é um site jornalístico com notícias de Santa Maria, no RS, e região. Esta crônica foi publicada em 7 de fevereiro de 2021, e pode ser lida em paralelo29.com.
From the publisher's feed

88 Listeners

30 Listeners

5 Listeners