No último episódio, vimos como é a rotina dos moradores do cortiço, com a maioria das mulheres trabalhando de lavadeiras ali mesmo, e muitos dos homens trabalham na pedreira aos fundos da habitação. Quase tudo naquelas imediações pertence a João Romão, o cortiço, o armazém onde os moradores compram mantimentos, a casa de pasto, que é um pequeno restaurante que serve as comidas feitas por Bertoleza, e parte da pedreira também é dele.
Os novos moradores do cortiço, Jerônimo e Piedade, são portugueses muito sérios e comprometidos com o trabalho. Eles têm uma filha que está no colégio e só visita os pais nos finais de semana. Jerônimo se encanta com a mulata Rita Baiana dançando e percebe que ela é uma síntese do Brasil, com seu cheiro, rebolado, vivacidade, cor, sabores. E percebe também que não adianta mais querer fugir dessa potência que é a cultura brasileira e seu sol abrasador. Jerônimo começa a se abrasileirar por meio dos sentidos. Primeiro o calor do sol na pele, o sabor das frutas exóticas do Brasil, a música que ele para pra escutar, depois a imagem da mulata dançando, os cheiros de ervas aromáticas que ela exala, diferente de sua esposa europeia, sem os mesmos hábitos de banhos frequentes das brasileiras.
Neste romance de Aluísio Azevedo, o espaço ganha status de personagem. O cortiço em si pode ser considerado o protagonista, e outros espaços da narrativa, como a pedreira e o sobrado do Miranda, são personagens. Esses 3 espaços, um cortiço, um sobrado e uma pedreira, já haviam aparecido em um romance anterior de Aluísio Azevedo, O homem, de 1887, também pertencente à estética naturalista. E a temática de habitação popular compartilhada já interessava o autor desde o romance Casa de pensão, de 1884.