Literatura Oral

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By Sabrina SiqueiraArtsBooks
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Literatura Oral episodes

  • #54 O CORTIÇO, ALUÍSIO AZEVEDO, FINAL

    No último episódio, vimos que o cortiço se gourmetizou. Agora uma outra classe social mora lá. Diminuíram as lavadeiras, proibiram as festas no pátio. João Romão deixa a tarefa de encontrar os filhos do dono de Bertoleza para Botelho. Ele pretende entregar a escrava aos herdeiros do dono, como forma de se livrar dela e casar com Zulmira. Bertoleza foi firme em dizer que pretende desfrutar do que ajudou o amante a conseguir, com muito trabalho e sacrifício seu, e já não tem paz dentro de casa, com medo que Romão a mate. No entanto ela não sai dali, continua trabalhando bastante, como sempre fez.

    Piedade é que já não consegue trabalhar. Deprimida e alcoólatra, ela foi aniquilada pelo meio. Não se adaptou, como o ex-marido, e não encontra meios de continuar vivendo. Pombinha não suportou o marido e virou prostituta, junto com Leonie. Ela tem a filha de Piedade como sua protegida e o narrador nos indica que está preparando a menina para a prostituição, assim como a francesa fez com ela, num ciclo interminável enquanto houver pobreza. Conforme o que o Naturalismo acreditava, o meio influencia e não há como fugir. O destino da criança está determinado por viver na pobreza.

    30 min
  • #53 O CORTIÇO, ALUÍSIO AZEVEDO, PARTE 10

    Na leitura de hoje vimos que Piedade se tornou a palhaça do cortiço. Bêbada e tentando imitar a dança de Rita, ela provoca gargalhadas dos outros moradores. Expulsa da casa de Jerônimo, ela bebe demais entre os moradores do cortiço e é levada pra casa por Pataca, que se aproveita do seu estado de embriaguez e a estupra, na presença da filha. Logo em seguida, ela vomita e perde os sentidos.

    O crítico literário Antonio Candido, no artigo “De cortiço a cortiço”, sugere que Aluísio Azevedo não foi muito criativo na composição dessa obra, porque repetiu situações que Emile Zola, precursor do Naturalismo, havia escrito em A taberna, de 1856. E essa cena, da mulher bêbada sendo estuprada em presença da filha e que termina com vômito, acontece também no livro do francês. Outra cena que teria sido influenciada por Zola foi a da briga de Rita e Piedade, contaminando os outros moradores.

    1 hr 1 min
  • #52 O CORTIÇO, ALUÍSIO AZEVEDO, PARTE 9

    No último episódio, vimos que Piedade liga os pontos e chega à conclusão de que o marido a deixou. Ele não vai dormir em casa, passa no hospital para pagar a caixa de roupas, é visto por amigos perto do cortiço e não aparece nem durante o dia seguinte, e Rita está contente e sem perguntar notícias dele. Então a portuguesa pergunta de forma direta se Rita irá se mudar do cortiço. Essa suposição de Piedade de que Jerônimo e Rita estão juntos, mas que irão se mudar do cortiço parece ser uma última esperança de que ele tenha respeito por ela e não fique vivendo com a outra mulher no mesmo espaço. Porque pela mudança brusca que ele passou não seria de duvidar. Parece que Jerônimo perdeu o senso de família que ele tinha e vive somente pelo seu prazer imediato.

    1 hr 2 min
  • #51 O CORTIÇO, ALUÍSIO AZEVEDO, PARTE 8

    Na última leitura, vimos que o cortiço se transforma com a mudança de alguns moradores e chegada de novos inquilinos. João Romão está mudado, investindo tempo e dinheiro em lazer, roupas, sapatos, e agora frequenta a casa do vizinho, Miranda, na intenção de casar com a filha dele, Zulmira. Jerônimo armou com dois amigos uma emboscada para se vingar da navalhada que recebeu de Firmo e poder ter caminho livre para ficar com Rita Baiana. Eu parei a leitura exatamente na parte em que ele, na madrugada em que matou o mulato, decide não entrar em casa, e bate na porta de Rita.

    57 min
  • #50 O CORTIÇO, ALUÍSIO AZEVEDO, PARTE 7

    João Romão incentiva rivalidade entre seus inquilinos e os moradores do cortiço vizinho, o Cabeça de Gato. Quando a inimizade está alastrada, ele deixa a situação de lado e se volta pra questão de ascender à nobreza, assim como o Miranda. Ele é egoísta com o povo que explora até o final da narrativa.

    O agregado do Miranda, Botelho, planta em João Romão a ideia de casar com a filha do vizinho, Zulmira, como forma de frequentar a sociedade.

    1 hr 3 min
  • #49 O CORTIÇO, ALUÍSIO AZEVEDO, PARTE 6

    Este vai ser a sexta parte da leitura comentada de O cortiço, de Aluísio Azevedo. No último episódio, vimos que Leonie, uma prostituta de luxo, é amiga de todos no cortiço, cria a filha do policial Alexandre e sua esposa, Augusta, e tem carinho especial por Pombinha, a menina de 18 anos que está esperando menstruar para casar e que é a princesa da habitação popular, escreve cartas para os trabalhadores, faz o rol da roupa para as lavadeiras.

    Vimos que João Romão está com inveja do vizinho, Miranda, que conseguiu um título de barão. A leitura termina com uma briga entre o namorado de Rita Baiana, Firmo e o português Jerônimo, que leva uma navalhada. Jerônimo ataca com um varapau minhoto, que é uma arma de combate portuguesa, feita de um pau comprido. Essa é a segunda vez que a narrativa cita esses instrumentos de briga com pau. A outra vez foi o porrete de Petrópolis, dos capoeiras.

    Um incêndio feito pela Bruxa começa na casa em que Marciana morava com a filha, Florinda, bem na hora em que a polícia está invadindo o cortiço. Florinda foge dos maus tratos da mãe quando descobre que ela está grávida, e Marciana enlouquece, é despejada por João Romão e vai presa como mendiga.

    1 hr 1 min
  • #48 O CORTIÇO, ALUÍSIO AZEVEDO, PARTE 5

    No episódio de hoje, Firmo está dando sinais de que não gosta da aproximação entre Rita e Jerônimo. Como alerta de ciúme, ele lembra a namorada do quanto pode ser violento.

    Vimos que Marciana descobre a gravidez da filha, Florinda, que demora a confessar que se encontrava com Domingos, o atendente da venda de João Romão. Esses encontros acontecem no matagal atrás do cortiço, aquele mesmo em que Leocádia encontrou Henrique e em que o coelho prometido a ela fugiu. Essas personagens pobres que habitam o cortiço trabalham duro para manter moradia e alimentação. Além de não ter assegurado pelas autoridades o seu direito a saneamento e infraestrutura básica, essas pessoas pobres não têm opção de lazer, acesso à cultura além da música e dança que produzem espontaneamente.

    1 hr 25 min
  • #47 O CORTIÇO, ALUÍSIO AZEVEDO, PARTE 4

    No último episódio, vimos como é a rotina dos moradores do cortiço, com a maioria das mulheres trabalhando de lavadeiras ali mesmo, e muitos dos homens trabalham na pedreira aos fundos da habitação. Quase tudo naquelas imediações pertence a João Romão, o cortiço, o armazém onde os moradores compram mantimentos, a casa de pasto, que é um pequeno restaurante que serve as comidas feitas por Bertoleza, e parte da pedreira também é dele.

    Os novos moradores do cortiço, Jerônimo e Piedade, são portugueses muito sérios e comprometidos com o trabalho. Eles têm uma filha que está no colégio e só visita os pais nos finais de semana. Jerônimo se encanta com a mulata Rita Baiana dançando e percebe que ela é uma síntese do Brasil, com seu cheiro, rebolado, vivacidade, cor, sabores. E percebe também que não adianta mais querer fugir dessa potência que é a cultura brasileira e seu sol abrasador. Jerônimo começa a se abrasileirar por meio dos sentidos. Primeiro o calor do sol na pele, o sabor das frutas exóticas do Brasil, a música que ele para pra escutar, depois a imagem da mulata dançando, os cheiros de ervas aromáticas que ela exala, diferente de sua esposa europeia, sem os mesmos hábitos de banhos frequentes das brasileiras.

    Neste romance de Aluísio Azevedo, o espaço ganha status de personagem. O cortiço em si pode ser considerado o protagonista, e outros espaços da narrativa, como a pedreira e o sobrado do Miranda, são personagens. Esses 3 espaços, um cortiço, um sobrado e uma pedreira, já haviam aparecido em um romance anterior de Aluísio Azevedo, O homem, de 1887, também pertencente à estética naturalista.  E a temática de habitação popular compartilhada já interessava o autor desde o romance Casa de pensão, de 1884.

    54 min
  • #46 O CORTIÇO, ALUÍSIO AZEVEDO, PARTE 3

    No episódio de hoje, Jerônimo e Piedade mudam-se para o cortiço. São um casal de portugueses trabalhadores, comprometidos, sérios, que guardam o que recebem para pagar o colégio da filha. Jerônimo passa a administrar a pedreira e aumenta os lucros de João Romão.

    Antes de ir para o RJ trabalhar em pedreira, logo que chega ao Brasil, Jerônimo tinha ido trabalhar no campo, mas se desestimula com os empregos no meio rural, porque o Brasil é então muito atrasado e ainda explora trabalho escravo, o que dificulta que os imigrantes tenham chance de bons salários nas lavouras. No cortiço, Jerônimo se torna respeitado e vira o conselheiro.

    As descrições do Aluísio Azevedo são tão ricas que a gente quase consegue ver as personagens, né? Com as expressões faciais e tudo. É assim pra vocês também? É uma narrativa muito visual. Ele era desenhista e parece que iniciava a composição das personagens a partir de esboços coloridos. E o resultado são personagens que pulam da página e ficam nítidos na nossa imaginação.

    1 hr 19 min

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