Literatura Oral

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By Sabrina SiqueiraArtsBooks
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Literatura Oral episodes

  • #68 O BARRIL DE AMONTILLADO, EDGAR ALLAN POE

    "Descansa em paz", em latim, é a frase que encerra o conto "O barril de Amontillado", de Edgar Allan Poe. É a história de uma vingança, muito bem articulada, esperada, planejada e executada com frieza, em uma noite de carnaval. O tempo da narrativa dista 50 anos da ação narrada. O “o quê” do conto está escrito logo na primeira frase. É uma vingança! Então não é o que vai acontecer nesse conto que é o mistério. Quando o escritor nos entrega de bandeja o que acontece na narrativa, ele quer que a gente preste atenção no “como” que essa coisa vai acontecer.  Depois que gravei o final, me dei conta que, no brasão, Montresor é representado pela serpente, sempre nos calcanhares do nobre pé de ouro que Fortunato simboliza.

    42 min
  • #67 A EDUCAÇÃO VITORIANA SOB A ÓTICA DE CHARLES DICKENS, ROBERTA SANTURIO + A HISTÓRIA DE NINGUÉM, CHARLES DICKENS

    Hoje eu trago tanto uma indicação de leitura, como uma leitura comentada.  A minha sugestão de leitura é o livro A educação vitoriana sob a ótica de Charles Dickens, de Roberta Santurio. A Roberta é doutoranda em Estudos Literários e pesquisou o enfoque da educação em romances de Charles Dickens, analisando qual poderia ser o ideal pedagógico do autor, a partir do que ele escreveu.

    Mas quem foi esse escritor? Charles Dickens nasceu em 1812 e morreu em 1870, tendo sido considerado o mais popular romancista inglês da era vitoriana, ou seja, de quando a rainha Vitória era a monarca do Reino Unido. De forma sutil, Dickens adicionou crítica social na sua obra. Ele soube valorizar as tradições, sem ser um conservador. Por exemplo, se separou da esposa, mãe dos seus 10 filhos, quando isso representava um escândalo.

    38 min
  • O BRECHÓ DA RIO BRANCO - FAIXA BÔNUS 7

    No último episódio, li o poema I Juca-Pirama, de Gonçalves Dias. Nesta faixa bônus vou ler uma crônica minha, publicada no Portal Paralelo 29, em 3 de outubro, “O brechó da Rio Branco”.

    Mas antes, deixa eu comentar com vocês o que eu ouvi sobre o método da narrativa oral de mitos, mas que se aplica a escutar literatura de forma geral. O vídeo que eu assisti era sobre o método de narrativa dos mitos, que aconteceu em diversas civilizações. Diferentes povos sentaram no entorno de fogueiras pra escutar os mais velhos contar sobre mitos de origem daquele povo, mito de formação do território, mito que protege o espaço daquela tribo, enfim. E a ideia é de que o storytelling, o contar narrativas oralmente e parar para escutar essas narrativas repetidas gerações após gerações, desperta certas emoções e pode fazer com que a pessoa se sinta desconectada momentaneamente da sua cultura e transportada para a cultura, ou para o tempo mítico da história narrada. É como se, ao se concentrar no que está ouvindo, a pessoa pulasse pra dentro da história. Esse descolamento do seu entorno faz com que a pessoa veja com mais clareza o seu próprio espaço, a sua cultura, os problemas e benefícios do tempo que habita, por contraste com o tempo/espaço visitado mentalmente enquanto escuta a narrativa oral.

    13 min
  • #66, I JUCA-PIRAMA, GONÇALVES DIAS

    Há poucos dias morreu o ator Luis Gustavo, e um dos personagens dele que eu lembro de ver quando era criança, era um radialista que tinha o bordão “meninos, eu vi”! Era na novela Salvador da pátria, e o nome do radialista era Juca Pirama, numa alusão ao poema de Gonçalves Dias. Essa novela é de 1989, escrita por Lauro Cezar Muniz e colaboradores, e conta a história de um homem simples levado a concorrer a um cargo público, se não me engano. Mas ele é influenciado por gente mal intencionada. O protagonista era interpretado pelo ator Lima Duarte. No mesmo ano, na vida real, no primeiro ano de eleições democráticas no Brasil, depois de mais de duas décadas de ditadura militar, um outro homem do povo concorria à presidência da república, mas perdeu, em parte porque a elite tem medo da implantação do comunismo, que ela nem sabe direito o que é e nem se esse tal homem tem alguma relação com o comunismo, e em parte pela falta de educação de classe e de política do brasileiro, que preferiu eleger um rico alavancado pela mídia, com o discurso de salvar o país dos marajás.

    37 min
  • CENTENÁRIO DE PAULO FREIRE OU A LIÇÃO DO ÁTOMO - FAIXA BÔNUS 6

    No último episódio, li o conto “A casa de boneca”, de Katherine Mansfield. Hoje vou ler uma crônica minha, publicada no Portal Paralelo 29, em 19 de setembro, dia do meu aniversário. Vocês já sabem como é que funciona, né? Quando eu faço a leitura de uma crônica minha ou comento alguma coisa que que não tenha tanto a ver com literatura, eu chamo de faixa bônus, não sigo a sequência dos episódios.

    O título da crônica é “Centenário de Paulo Freire ou A lição do átomo”, sim, porque na dúvida entre um título ou outro, deixei os dois. Vocês vão entender por quê. Apesar de ser um texto para comemorar os 100 anos do filósofo e educador Paulo Freire, eu uso como mote as minhas impressões da série Chernobyl, da HBO.

    13 min
  • #65 A CASA DE BONECA, KATHERINE MANSFIELD

    No conto “A casa de boneca”, aparecem personagens de outro conto famoso de Katherine, o “Prelúdio”, que foi publicado pela editora da Virginia Woolf com o marido, a Hogarth Press. As personagens que voltam a aparecer são as crianças da família Burnell. Uma dessas meninas aparece também em outros contos, que é a protagonista do “A casa de boneca”, a Kezia. Os Burnell são uma família rica que mora em uma área rural, que só tem uma escola. Então as crianças deles, bem como as meninas do juiz e do médico local, estudavam junto com as filhas do quitandeiro e do leiteiro. Mas existe um acordo tácito de que as crianças pobres não devem chegar perto das ricas. Especialmente as filhas da lavadeira, que são as meninas Kelvey. Essas meninas usam roupas feitas dos retalhos que a mãe recebe das famílias ricas.

    A história se desenrola nesse clima de segregação social e o narrador onisciente nos dá o ponto de vista sobretudo da caçula dos Burnell, a Kezia, que ainda é muito pequena, não incorporou o preconceito de classe e tem um olhar poético sobre a vida. Em alguns fragmentos da narrativa, o narrador reproduz as falas preconceituosas dos adultos como em um discurso direto, e reparem que se refere à caçula das meninas pobres, a Else, com o pronome possessivo “nossa”, como se a criança fosse uma propriedade. Cuidado pra não confundir que têm nomes semelhantes: Kezia é a caçula dos Burnell, e Kelvey é o sobrenome das meninas pobres.

    35 min
  • #64 A FESTA, IVAN ANGELO

    O romance gira em torno de dois fatos principais, que acontecem concomitantemente, em Belo Horizonte: um tumulto na Praça da Estação, em que retirantes nordestinos estão aguardando para desembarcar do trem que trouxe eles à cidade, porque não são bem-vindos ali e as autoridades querem impedir o desembarque, e uma festa de aniversário. O espaço onde a narrativa se desenrola é uma sociedade conservadora. Há ainda um outro plano de apresentação, que são as inquietações de um escritor na tentativa de escrever uma obra literária em um período que é censurado e que o impede de saber exatamente sobre o que e como deve escrever.

    40 min
  • #63 A MULHER QUE ESCREVEU A BÍBLIA, MOACYR SCLIAR

    O escritor Moacyr Scliar era também médico sanitarista e professor universitário. Não sei porque, mas me parecia que ele era psiquiatra. Ele nasceu em Porto Alegre, em 1937, e morreu em 2011. Escreveu contos, romances, ensaios, literatura infanto-juvenil e crônicas, e publicou mais de 70 livros. Filho de judeus, fez pós-graduação em medicina em Israel.

    O romance A mulher que escreveu a Bíblia é de 1999 e recebeu o prêmio Jabuti em 2000. Como a obra do Scliar não tá em domínio público, eu vou fazer comentários, não vou ler. Fica como sugestão literária e vale muito a pena! É um dos meus livros preferidos. A primeira coisa que eu tenho a dizer sobre esse romance é sobre o humor. Segundo, o aspecto feminista, sem ser panfletário. A protagonista é uma mulher independente, inteligente, ciente dos seus desejos e de suas capacidades.

    49 min

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