Literatura Oral

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By Sabrina SiqueiraArtsBooks
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Literatura Oral episodes

  • #27 O HOMEM QUE APARECEU, CLARICE LISPECTOR

    Em “O homem que apareceu” temos uma narradora em primeira pessoa, que como Clarice é escritora e como Clarice escreveu literatura infantil. Em um fim de tarde de sábado, a narradora desce a um botequim próximo pra comprar coca-cola e cigarros. Um homem que estava no botequim toca uma musiquinha em uma gaita e fala o nome da narradora. E aí começa a ação propriamente dita. É como se essa musiquinha seguida do nome trouxesse a narradora pra esfera de atenção do homem, e a partir de agora toda interação será com essa personagem, com esse bêbado.  Esse homem conhece a narradora de um curso em que ela esteve bem pouco tempo, e informa que ela é superior a ele porque ela escreve. Mas depois vamos saber que ele também escreve, que é poeta.

    28 min
  • #26 Sobre os SERMÕES, PADRE ANTÔNIO VIEIRA

    Antônio Vieira nasceu em Lisboa, em 1608, e morreu na Bahia, em 1697. Ele veio pro Brasil com 7 anos. Participou da Companhia de Jesus. Por defender posições favoráveis aos índios e aos judeus no Brasil, foi condenado à prisão pela inquisição. Ele foi o responsável pelo desenvolvimento da prosa no período Barroco brasileiro. É conhecido por seus sermões polêmicos, com críticas a diferentes atores sociais daquele período.

    Vieira criticava, por exemplo, os colonos portugueses por seu despotismo, criticava o Protestantismo por o que ele julgava influência negativa na colônia que era o Brasil. Claro, ele sendo católico e muito atuante em defender a sua fé como a mais acertada, criticava outras religiões. Mas criticava também os próprios pregadores católicos que não cumpriam com seu ofício de catequizar e evangelizar, e criticava até a própria inquisição. Ele condenava os horrores que os índios viviam nas mãos dos colonos, mas também não respeitava a cultura indígena, porque defendia a evangelização.

    37 min
  • #25 UMA MODESTA PROPOSTA, JONATHAN SWIFT

    Jonathan Swift desenvolveu um estilo literário de sarcasmo que tem raízes no humor celta, que é um humor irônico, e está presente desde os primórdios da literatura celta, nos contos de tradição oral que foram compilados e escritos a partir do século IX, e que já tinham uma característica presente no humor irlandês moderno, que é a capacidade de rir de si mesmo, de usar o humor como crítica, e assim de criticar a si mesmo. Swift aperfeiçoa esse humor irônico irlandês, que consiste em satirizar um grupo do qual o próprio satirista faz parte. Ele já utilizava ironia para falar o que pensava de política e organização social em outros textos, como no famoso As viagens de Gulliver, em que o narrador tece elogios aos ingleses, mas de uma forma absurda, porque elogia hábitos ao mesmo tempo em que os ridiculariza, e demonstra o preconceito e os defeitos desse narrador como típico exemplar inglês, fazendo com que o leitor perceba que aquele discurso elogioso não pode ser levado a sério, que é bem o contrário. Isso é a sátira. Um formato de texto muito útil pra driblar censores porque à primeira vista elogia, mas de forma que o contrário do que está sendo dito possa ser decodificado pelos leitores mais perspicazes. Considerando que perspicácia geralmente não é uma característica forte em censores.

    46 min
  • #24 Considerações sobre OS LUSÍADAS, LUÍS VAZ DE CAMÕES

    Os Lusíadas é considerada a maior obra do Renascimento Português. É uma epopeia renascentista. Então vamos saber um pouquinho sobre esse modelo que é a épica renascentista. O modelo épico renascentista caracteriza a manifestação épica do discurso surgida no século XVI e, por isso, contaminada pela concepção literária renascentista. Mas antes, vale a pena revisar o que foi o Renascimento.

    21 min
  • #23 ROMANCES XXI E XXIV DO ROMANCEIRO DA INCONFIDÊNCIA, CECÍLIA MEIRELES

    Hoje eu trago a poesia de uma brasileira que dialoga com esses ideais, que é Cecília Meireles. Pela primeira vez temos um episódio dedicado à poesia no Literatura Oral. Vou ler dois poemas do Romanceiro da Inconfidência que tem como mote essas duas palavras tão importantes e fortes: esperança e ideias. Os poemas que eu escolhi são o XXI e o XXIV, também nomeados como Romance XXI ou das ideias e Romance XXIV ou da bandeira da inconfidência. Os poemas desse livro, chamado Romanceiro da Inconfidência, levam quase todos o nome de “romance”. Cecília Meireles ainda não está em domínio público, mas espero não ter problemas de violação de direitos autorais por estar lendo, até porque estou fazendo uma homenagem à poeta, que faria aniversário no 7 de novembro. Uma curiosidade: ela não gostava de ser chamada de poetisa.

    29 min
  • #21 NOITE NA TAVERNA, ÁLVARES DE AZEVEDO

    Manuel Antônio Álvares de Azevedo nasceu em São Paulo, em 12 de setembro de 1831, segundo dizem na biblioteca do avô (porque naquele tempo os partos aconteciam em casa), e faleceu no RJ, em 1852, aos 20 anos. A causa da morte segundo alguns foi tuberculose, segundo outros foram complicações de um tumor decorrente de uma queda a cavalo, mas pode ter sido um combo de tudo isso! Foi contista, dramaturgo, poeta e ensaísta. Durante o curso de Direito traduziu o 5º ato de Otelo, de Shakespeare, e Parisina, de Lord Byron. Tinha o apelido de “Maneco”. Fundou a revista da Sociedade Ensaio Filosófico Paulistano, em 1849, e fez parte da Sociedade Epicuréia. Que que é isso? Epícuro foi um filósofo grego cuja obra estabelece o conceito de gozar os bens materiais e espirituais com ponderação e medida. Mas o Epicurismo fez uma leitura um pouco diversa desse conceito e se tornou sinônimo de busca por prazeres terrenos. A Sociedade Epicuréia paulista foi criada em 1845 e teve Álvares de Azevedo como um de seus fundadores. O grupo escandalizava as famílias tradicionais paulistanas ao promover orgias nas necrópoles da cidade. Em Noite na Taverna, o escritor evoca um ambiente semelhante ao dessas cerimônias, que incluíam muito vinho! Mas apesar disso e da ambiência de seus contos, ao que tudo indica, Azevedo teve uma juventude caseira e casta.

    41 min
  • #20 CHAPEUZINHO VERMELHO, CHARLES PERRAULT

    Em homenagem ao dia das crianças, que passou, mas ainda estamos em outubro, hoje eu vou fazer uma leitura que tem tudo a ver com o nome do podcast, Literatura Oral. Vou ler um conto de fadas que muito provavelmente vocês conhecem. Chapeuzinho Vermelho, mas na versão de Charles Perrault, que é provavelmente a primeira versão escrita do conto. Talvez a versão mais conhecida nossa seja a dos irmãos Grimm.

    Charles Perrault foi um escritor e poeta francês, que viveu no século XVII. Ele estabeleceu as bases para o gênero literário que ficou conhecido como “conto de fadas”, o que lhe conferiu o título de pai da literatura infantil. São suas as seguintes histórias: “Le petit chaperon rouge” (Chapeuzinho Vermelho), “A bela adormecida”, “O gato de botas”, “Cinderela”, “Barba Azul” e “O pequeno polegar”. Ele publicou “Histórias ou contos do tempo passado com moralidade”, também chamado “Contos da velha” e “Contos da cegonha”, ficando conhecido afinal como “Contos da mamãe gansa”, em janeiro de 1697. Quer dizer, ele publicou um livro com esses contos e o próprio nome do livro foi se modificando, conforme caia no gosto popular, assim como acontece com os contos de fadas. É nessa publicação que está a versão de Chapeuzinho Vermelho que vou ler, provavelmente a primeira publicada, apesar de não se poder precisar de que ano é o conto,  porque ele já circulava oralmente na França. A publicação de Perrault alcançou leitores do mundo todo. As histórias tinham em comum uma moral em forma de poesia como encerramento. Antes dessa compilação do Perrault essas histórias já eram conhecidas, contadas entre as damas, nos salões parisienses. São histórias curtas narradas de geração a geração e transmitidas pela oralidade. Por isso, tudo a ver com a ideia deste podcast.

    26 min
  • #19 RECORDAÇÕES DO ESCRIVÃO ISAÍAS CAMINHA, LIMA BARRETO, FINAL

    No episódio de hoje, vimos que o jornal inflamou a população na questão dos sapatos a ponto de resultar em um motim. O jornal conseguiu com isso que os ministros atacados nas publicações fossem demitidos, abrindo cargos para funcionários do jornal no ministério. Floc, o crítico literário do O Globo, não recebeu cargo, esperando uma vaga de diplomata. Ele tinha dificuldade de escrever, faltava-lhe inspiração, e no final do capítulo 13 comete suicídio, dentro da redação. Isaías é encarregado de ir avisar o diretor, Loberant, em um prostíbulo. A partir de então, ele ascende no jornal, conseguindo novos cargos, espaço para atuar como repórter e para redigir artigos, além de cair nas graças do diretor, que passa a convidá-lo para jantares e farras. Isaías atribui a mudança de comportamento em parte ao flagra do patrão em um ambiente destoante de sua personalidade séria, mas em parte ao assombro de Loberant quando fica sabendo que Isaías teve mãe que lhe ensinou a comer com garfo e faca, recebeu educação e era articulado para se expressar e escrever. O narrador diz que essa parece ser a opinião de mais ou menos toda gente letrada do Brasil sobre pessoas de nascimento semelhante ao dele, ou seja, de pobres, pretos e mulatos.  “Para ele, como para toda a gente mais ou menos letrada do Brasil, os homens e as mulheres do meu nascimento são todos iguais, mais iguais ainda que os cães de suas chácaras. Os homens são uns malandros, planistas, parlapatões quando aprendeu alguma coisa, fósforos dos politicões; as mulheres (a noção aí é mais simples) são naturalmente fêmeas.”

    1 hr 17 min

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