Literatura Oral

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By Sabrina SiqueiraArtsBooks
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Literatura Oral episodes

  • #18 RECORDAÇÕES DO ESCRIVÃO ISAÍAS CAMINHA, LIMA BARRETO, PARTE 8

    Na leitura do último episódio, Isaías fala de um sujeito, Deodoro Ramalho, que conseguia publicar seus versos no jornal, apesar da baixa qualidade literária, por ter boas relações. O narrador diz que ele era considerado na faculdade de medicina pela circulação como literato no jornal, e no jornal era admirado por ser estudante de medicina, sugerindo que ele não sabia nada nem em uma área nem na outra, mas conseguia posições pelo sobrenome e porque tinha olhos azuis. Então Isaías nos conta como nasceu essa pseudo-celebridade.

    Vimos que um crime acontecido em Santa Cruz, local do Rio de Janeiro, deixa a redação em polvorosa. Os cadáveres foram encontrados decapitados e há mistério sobre quem seriam. Lima encerra o capítulo 10 com uma grande ironia: entra na redação um jovem médico, chamado Franco de Andrade, com a teoria de que podia descobrir a raça dos cadáveres com um exame de mensurações antropológicas, que, claro, ele mesmo faria. O Globo publicou os conselhos de Andrade e imediatamente o chefe de polícia escalou o jovem médico para o exame. 24 horas depois o jornal publicava o laudo do sábio dizendo que se tratavam de mulatos. Todos os outros jornais reproduziram o laudo, jogando confetes em Andrade. Quando finalmente acharam os documentos das vítimas em um hotel, e eram italianos, não mulatos, o prodígio já estava assumindo o cargo de diretor do serviço médico-legal da Polícia do Distrito Federal, sem que ninguém se animasse a questionar o seu talento! Mais uma vez o autor sugere a pouca criticidade do leitor brasileiro, portanto, e o quanto pessoas rasas de talento escalam socialmente em função do biotipo e do sobrenome.

    1 hr 9 min
  • #17 RECORDAÇÕES DO ESCRIVÃO ISAÍAS CAMINHA, LIMA BARRETO, PARTE 7

    Na leitura do último episódio, vimos que Isaías está trabalhando como contínuo do jornal O Globo, isto é, ele ajuda os jornalistas, faz serviços de rua, busca tinta aos tinteiros quando é solicitado... e com isso consegue pagar por um quarto, comer e se manter na capital. Em contrapartida, parece que Isaías esqueceu por que ele foi morar ali, deixou de lado seu sonho de estudar, de fazer faculdade, e já não abre nenhum livro. Faz já um ano que trabalha no jornal e está acomodado e até orgulhoso de sua condição de ajudante dos jornalistas, classe que então contava com prestígio na sociedade carioca.

    Existem pontos de semelhança entre a vida de Isaías Caminha e de Lima Barreto, como acontece também com outras personagens do autor. Isaías e Lima são mulatos, cientes do preconceito que sofrem em função da cor da pele e da condição de pobres. Isaías só descobriu essas características em si, ou elas só se fizeram sentir com mais afinco, com a viagem ao RJ. Desde o trajeto no trem ele percebe um tratamento diferenciado e pior das pessoas para consigo. Assim como Lima, depois desse entendimento, Isaías adquire um discurso de inconformismo com as condições geradas pelo preconceito racial, que ele registra em suas Recordações. Os dois, personagem e autor, vivem no período pós-escravocrata e têm uma trajetória em redações de jornais, entre eles o O Globo, no final do período imperialista e de consagração da república.

    50 min
  • #16 RECORDAÇÕES DO ESCRIVÃO ISAÍAS CAMINHA, LIMA BARRETO, PARTE 6

    Na leitura do último episódio, vimos que Isaías Caminha chega à redação do jornal O Globo, tentando conseguir um emprego com um conhecido. Todo o capítulo lido se passa na espera do garoto nesse ambiente onde é produzido o jornal matutino que começava a fazer sucesso no Rio de Janeiro. Enquanto espera, Isaías descreve ao leitor os tipos que vê por lá, e são presunçosos e vaidosos. Lima Barreto teria conseguido alguns desafetos entre seus colegas de profissão depois que esse romance foi publicado.

    51 min
  • #15 RECORDAÇÕES DO ESCRIVÃO ISAÍAS CAMINHA, LIMA BARRETO, PARTE 5

    No último episódio do Literatura Oral, vimos a situação de fome que Isaías Caminha está vivendo no Rio de Janeiro. Ele travou conhecimento com a filosofia do Positivismo, uma doutrina que teve muita influência nos primeiros anos da República no Brasil, que inicia em 1889, determinou o lema da nossa bandeira, “Ordem e Progresso”, um lema duro e frio, nada humanitário, e me parece que o Positivismo induz mesmo a esse pensamento em que a exatidão vale mais que a humanidade. Que pena. Entramos na República endurecidos, burocratizados. Isaías recebe do tio Valentin uma carta contando que a mãe dele está de cama, nas últimas. E ele, que nem andava pensando na mãe, se comove ao lembrar dela, de saber da iminência de sua morte, e principalmente se entristece em pensar que talvez ela nunca tenha sido feliz, magérrima, humilhada pelos cantos, sem nunca ter sido amada. Com essa tristeza no semblante, ele se abre com o jornalista russo Gregoróvitch, e escuta dele que apareça na redação do O Globo.

    56 min
  • #14 RECORDAÇÕES DO ESCRIVÃO ISAÍAS CAMINHA, LIMA BARRETO, PARTE 4

    Hoje eu continuo a leitura de Recordações do escrivão Isaías Caminha, de Lima Barreto.

    Eu parei a leitura no capítulo 6, enquanto Isaías dá um salto no tempo da narrativa para o presente em que escreve as recordações. Nesse ponto de maturidade, o narrador se emociona por saber que ofensas sobre sua condição racial já não o fazem mais chorar, e isso significa que ele criou uma carapaça de falsa insensibilidade, e é muito triste que alguém precise andar pela vida fingindo ser forte diante dos opressores, e com isso altere a sua essência de doçura. Continuamos do ponto em que Isaías retorna da delegacia e, no seu quarto de hotel pensa em voltar à casa materna, mas muda de ideia por acreditar que a felicidade depende apenas dele. Resoluto em trabalhar no emprego que fosse, ele adormece satisfeito com a sua coragem de encarar a vida.

    59 min
  • #13 RECORDAÇÕES DO ESCRIVÃO ISAÍAS CAMINHA, LIMA BARRETO, PARTE 3

    No último episódio, vimos que Isaías começa a se preocupar com a falta de trabalho no Rio de Janeiro e já recebe indiretas do gerente do hotel. Ele conheceu alguns jornalistas estranhos, por intermédio do padeiro Laje da Silva, visitou a câmara dos deputados, que era no Rio, então capital do Brasil, e verificou que o ambiente é uma bagunça, onde muito pouco se trabalha, e ficou sabendo que o jogo do bicho é muito popular na cidade, e que há rumores de envolvimento da polícia com essa prática ilegal.

    1 hr
  • #12 RECORDAÇÕES DO ESCRIVÃO ISAÍAS CAMINHA, LIMA BARRETO, PARTE 2

    No último episódio, iniciei a leitura de Recordações do escrivão Isaías Caminha, de Lima Barreto. Nós vimos que Isaías cresceu entusiasmado em aprender, porque acreditava que a educação criaria um distanciamento entre ele e sua origem pobre, que ele via refletida principalmente na mãe. Perseguindo o sonho do enaltecimento pessoal, ele viaja ao RJ, onde espera se tornar doutor.

    Antes de sua partida, o tio Valentim pede ao coronel local que fale com o deputado Castro para arranjar um emprego ao garoto, na então capital do Brasil, para que Isaías possa se manter por lá e custear seus estudos. No caminho, Isaías descreve a paisagem como um mato ralo e anímico, uma descrição oposta a de um outro Caminha que descreveu a paisagem brasileira em 1500. Diferentemente de Isaías, Pero Vaz de Caminha, escrivão que primeiro descreve o Brasil para Portugal, fica extasiado com a exuberância do litoral brasileiro. Já Isaías, ao chegar ao Rio, se decepciona com a sujeira e desorganização da cidade grande. Uma das primeiras pessoas que fala com Isaías no Rio é o padeiro Laje da Silva, uma figura contraditória aos olhos do menino vindo do interior.

    1 hr 6 min
  • #11 RECORDAÇÕES DO ESCRIVÃO ISAÍAS CAMINHA, LIMA BARRETO

    RECORDAÇÕES DO ESCRIVÃO ISAÍAS CAMINHA

    Olá! Este é o Literatura Oral, podcast de leitura comentada e sugestões literárias. Eu sou Sabrina Siqueira, jornalista com doutorado em literatura.

    No último episódio, li o conto “O mate do João Cardoso”, de João Simões Lopes Neto, autor gaúcho. Hoje inicio a leitura do romance Recordações do escrivão Isaías Caminha, de Lima Barreto.

    Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu no RJ, em 1881. No ano em que Machado de Assis publicou Memórias Póstumas de Brás Cubas. Ele morreu também no RJ, em 1922, aos 41 anos. Foi jornalista e escritor, e publicou muito em revistas e periódicos. Grande parte de seus escritos foram redescobertos e publicados em livro depois de sua morte. As duas avós do Lima Barreto eram ex-escravas, a materna e a paterna. O pai, João Henriques de Lima Barreto, foi tipógrafo e trabalhou na Imprensa Oficial. A mãe, Amália Augusta, era professora de 1ª a 4ª série. Então Lima Barreto cresce nesse universo de proximidade às letras, às palavras, aos livros.

    Lima Barreto foi secretario na Revista FonFon, em 1907, e fez algumas contribuições nesse periódico, mas se sentiu desvalorizado. Pediu demissão e fundou sua própria revista, a Floreal.

    O primeiro romance do autor foi Triste fim de Policarpo Quaresma, publicado no Jornal do Commercio, em 1911. Em 1915, lança com recursos próprios como livro. Nessa época, o escritor passa a ter problemas com alcoolismo e depressão, chegando a ser internado em um sanatório, em 1914. Por 3 vezes, ele apresentou candidatura à Academia Brasileira de Letras. Foi preterido nas duas primeiras e, na terceira, desistiu de concorrer.

    Lima Barreto foi um crítico doa privilégios de famílias aristocráticas e de militares. Ele descrevia seu projeto literário como literatura militante e voltou a sua produção para a investigação das desigualdades sociais e da hipocrisia nas relações sociais. Eu adoro Lima Barreto! Um dos meus contos preferidos é dele, é “O homem que sabia javanês”, que é bem representativo desses ideias do autor.

    Recordações do Escrivão Isaías Caminha, publicado em 1909, narra os percalços e preconceitos de ordem social e racial pelos quais passa um sujeito pobre na sua trajetória como jornalista. A obra do escritor Lima Barreto está em domínio público e você pode acessar romances e contos dele no site WWW.dominiopublico.gov.br.

    51 min
  • #10 O MATE DO JOÃO CARDOSO, JOÃO SIMÕES LOPES NETO

    Lopes Neto foi um escritor, jornalista e empresário gaúcho, da cidade de Pelotas. Essa cidade fica bem no sul do RS. Ele viveu entre 1865 e 1916 e é considerado o maior autor regionalista do Rio Grande do Sul, porque ele valorizou a história e os costumes gaúchos. Lopes Neto viveu e morreu em Pelotas, mas passou uma parte da vida estudando no RJ. Nos contos dele, reunidos no título Contos Gauchescos, de 1912, ele faz referência às tradições e ao linguajar do gaúcho. Uma inovação do Lopes Neto foi escrever como falavam os gaúchos, com as marcas do falar regional.

    25 min
  • #9 MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS, MACHADO DE ASSIS, Final

    No último episódio, vimos que Brás havia se tornado deputado e que não realiza nada no cargo. Vimos também quem é o verdadeiro Cotrim. A narrativa menNo último episódio, vimos que Brás havia se tornado deputado e que não realiza nada no cargo. Vimos também quem é o verdadeiro Cotrim. A narrativa menciona a epidemia de febre amarela, que nos remete a uma epidemia dessa doença acontecida no RJ, em 1850. E essa leitura dialoga com o período que estamos vivendo, que ontem, 8 de agosto de 2020, o Brasil passou a marca de 100 mil mortos por covid. Minha solidariedade às famílias que sofreram perdas e a todos que vem sofrendo durante essa pandemia, com mortes, descaso das autoridades, perdas de trabalho... O artigo 196 da Constituição brasileira diz que “A saúde é direito de todos e dever do Estado garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.” Então por qual motivo nós nos acomodamos com um desgoverno federal que além de não zelar pela saúde pública, como é sua obrigação, ainda minimiza a pandemia e reforça notícias falsas que acarretam mais confusão e mais mortes? Os políticos são funcionários públicos, com obrigações para com o povo. Não são mitos ou entidades que possam fazer o que quiserem. Se um funcionário não cumpre seu dever e ainda prejudica aqueles que lhe concederam o cargo, é hora de trocar o funcionário e sua equipe. O número de mortes por covid no Brasil é resultado da política adotada pelo desgoverno, pela falta de ações e pelas ações inadequadas desse desgoverno federal. Até quando vamos suportar isso?ciona a epidemia de febre amarela, que nos remete a uma epidemia dessa doença acontecida no RJ, em 1850. E essa leitura dialoga com o período que estamos vivendo, que ontem, 8 de agosto de 2020, o Brasil passou a marca de 100 mil mortos por covid. Minha solidariedade às famílias que sofreram perdas e a todos que vem sofrendo durante essa pandemia, com mortes, descaso das autoridades, perdas de trabalho... O artigo 196 da Constituição brasileira diz que “A saúde é direito de todos e dever do Estado garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.” Então por qual motivo nós nos acomodamos com um desgoverno federal que além de não zelar pela saúde pública, como é sua obrigação, ainda minimiza a pandemia e reforça notícias falsas que acarretam mais confusão e mais mortes? Os políticos são funcionários públicos, com obrigações para com o povo. Não são mitos ou entidades que possam fazer o que quiserem. Se um funcionário não cumpre seu dever e ainda prejudica aqueles que lhe concederam o cargo, é hora de trocar o funcionário e sua equipe. O número de mortes por covid no Brasil é resultado da política adotada pelo desgoverno, pela falta de ações e pelas ações inadequadas desse desgoverno federal. Até quando vamos suportar isso?

    55 min

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